A CORRUPÇÃO E A ACUMULAÇÃO DE RIQUEZA PELA ELITE

Brasília, 12 de Outubro de 2014. Flavio Lyra
A elite brasileira e seus representantes na grande imprensa e na política escolheram a denúncia de atos de corrupção como a arma principal de combate ao PT e a seus três últimos governos. O foco tem sido a forma de corrupção que se traduz na apropriação ilícita de recursos de públicos.
A denúncia de atos de corrupção afigura-se, sem nenhuma dúvida, instrumento poderoso de sensibilização da opinião pública, porquanto vai ao cerne de uma questão central para o bem-estar da população, a de subtrair recursos financeiros para as mãos de grupos minoritários em detrimento de suas aplicações áreas prioritárias.
É óbvio, entretanto, que há formas igualmente perversas de corrupção, que ocorrem ao abrigo das leis, pois estas muitas vezes já são preparadas, para em suas brechas, permitirem o enriquecimento de grupos minoritários, em prejuízo da população.
O meio legal que as grandes empresas utilizam para não pagar impostos, denominado eufemisticamente de “planejamento tributário”, enquadra-se nessa categoria. Para que maior ato de corrupção, acobertado pela lei, do que a cobrança de taxas de juros estratosféricas da população.
O PSDB e seus agentes é especializado na realização de atos legais de corrupção contra o povo, ademais dos atos ilegais que todos conhecem, mas que a grande imprensa e judiciário procuram amenizar.
Uma peculiaridade dos atos de corrupção é que eles são praticados sob o patrocínio, e em benefício, dos grupos que constituem a elite econômica e política do país. Aos membros do povo, que participam dessas ações não lhes cabe mais do que migalhas dos botins correspondente.
São os representantes da elite, que ocupam os cargos de direção das empresas públicas ou privadas, ou que participam dos poderes Judiciário, Legislativo e Executivo, que ficam com a parte do leão dos recursos obtidos com a corrupção.
Não é difícil entender, pois, que os governos controlados pela elite são os mais propensos a estimular e proteger os atos de corrupção, pois o controle da máquina pública é fundamental para fomentar essas práticas e evitar que seus beneficiários sejam punidos.
Nos governos populares, como é caso dos últimos governos, os atos de corrupção continuam a ser praticados pelos grupos que constituem a elite econômica, e chegam mesmo a envolver membros do governo, mas já não gozam do mesmo grau de impunidade. Os representantes do povo tendem a ser menos lenientes com as ações desses grupos da elite econômica e política, porque necessitam tornar públicas e transparentes suas ações.
O uso da denúncia de atos de corrupção para caracterizar o governo atual é uma fórmula hipócrita de transmitir a impressão de que a corrupção existente no país é exclusividade do governo, quando na realidade ela é fruto da ação dos representantes da elite, que continuam infiltrados no governo popular.
O objetivo mesmo da elite é reinstalar-se no poder. Uma vez conseguido esse propósito, os atos de corrupção deixarão de ser coisas anômalos e passarão a constituir o método normal de administração da coisa pública.
Muitos dos atos de corrupção poderão inclusive mudar de roupagem para se transformar em atos legais, mediante a ação dos poderes Judiciário e Legislativo, pois o povo estará afastado da arena política.
A privatização das estatais no governo de FHC foi em sua substância o maior ato de corrupção que já se realizou no país. Entretanto, foi realizado dentro dos marcos de uma legislação montada especialmente para transferir o patrimônio público para setores da elite nacional e internacional, com o uso do aparelho estatal.
Ninguém se iluda, a acumulação de riqueza por grupos minoritários em nosso país, realizada dentro ou fora da lei, é manifestação clara da forma de funcionamento de uma sociedade em que a geração de riqueza é apropriada em grande parte por uma minoria da população que conforma sua elite econômica e política.
Nossa sociedade tem sido, ao longo dos anos, essencialmente corrupta, por que está organizada para explorar os pobres em benefício da minoria rica. Essa minoria, hipocritamente, usa sua arma preferida de exploração da maioria, para condenar os governos que se propõem a reduzir as desigualdades sociais e a retirar privilégios da elite essencialmente corrupta.
Em síntese, a corrupção origina-se na elite, que dela a maior beneficiária e que usa, quando lhe convém, como arma de denúncia contra o governo, esquecendo que são seus próprios representantes ainda infiltrados nos governos populares que a levam a prática.
Contribuir para reinstalar um governo da elite no poder, atualmente, equivale a impedir que governos populares possam controlar o poder corruptor da elite e usar os recursos produtivos do país para beneficiar a maioria da população e não para enriquecer mais ainda os grupos minoritários que controlam a riqueza.
(*) Economista. Cursou doutorado de Economia na Unicamp. Ex-técnico do IPEA.

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