Por Flavio Lyra | Brasília, 08/12/2015

Assim como na campanha das Diretas Já, é hora das forças democráticas e progressistas se reunirem para sustentar a ordem constitucional, gravemente ameaçada por movimentos golpistas.
Mas, é a partir desse terreno incerto, dessa zona opaca de indistinção que precisamos hoje reencontrar o caminho de uma outra política, de um outro corpo, de uma outra palavra. A essa indistinção entre público e privado, corpo biológico e corpo político… a que não conseguiria renunciar por nenhuma razão. “Aganben, Giorgio. In: “Meios sem Fim – Notas sobre a Política”.
O quadro confuso e tumultuado que envolve mais recentemente a sociedade brasileira precisa urgentemente ser entendido em sua significação mais geral de uma verdadeira guerra entre duas visões de mundo, que se exacerbou nos 70, quando o capitalismo das grandes corporações optou claramente pelo domínio econômico e político da vida dos povos.
As ideologias da globalização e da liberdade dos mercados, colocadas falsamente como as panaceias para a solução dos grandes desequilíbrios sociais no mundo tem sido desde então utilizadas agressivamente para sufocar as resistências dos povos a abrirem mão de suas soberanias e, assim, sacrificarem suas possibilidades de encontrar caminhos próprios para mobilizarem seu potencial humano e material em seu próprio favor.
O Brasil dos dias atuais, na iminência do caos, está assistindo o feroz avanço das forças políticas e econômicas que pretendem liquidar de vez as chances de o Estado pôr em prática políticas que fortaleçam sua classe trabalhadora, tragam o povo para o centro da arena política e melhorem as condições de vida da população.
As forças políticas, que desde os governos Collor e FHC utilizaram o poder Estado para realizar reformas neoliberais, cujo objetivo é submeter os destinos do país às forças do mercado e aos interesses dos grandes capitais, estão em plena atividade para recuperar-se das derrotas sofridas com a chegada, ainda que precária, das forças populares ao Poder em 2002.
O povo precisa saber que o que está em jogo não é apenas a manutenção da Presidente Dilma na Presidência, mas sim a intenção clara das forças antinacionais de controlar os destinos do país, em benefício das grandes corporações internacionais e seus representantes internos.
Os alvos perseguidos por essas forças são o petróleo do Pre-Sal, o desmantelamento da legislação trabalhista e dos programas sociais, a desestruturação dos sindicatos de trabalhadores etc.
A principal arma dessa campanha insana contra os interesses da população tem sido uma grande imprensa mercenária, que se dedica diuturnamente a demonizar o maior partido de sustentação do governo, o PT, atribuindo-lhe injustamente a responsabilidade integral pela prática de atos de corrupção que, sabidamente, fazem parte da paisagem nacional há muito tempo.
A investigação de atos de corrupção, pela Polícia Federal e pelo Judiciário, embora contando com o favorecimento do governo, com seus vazamentos e ações seletivas tem sido utilizada para tentar incompatibilizar o governo e o PT com seus eleitores.
É preciso que fique muito claro para o povo que estamos vivendo um momento muito grave, pois as forças que defendem a concorrência a qualquer custo, o individualismo exacerbado, o empreendedorismo ingênuo e o afastamento do governo da realização de políticas para o fomento da industrialização nacional e melhoria das condições de vida da população, acham-se em plena ofensiva. Para estas, pouco importa o respeito às instituições de democráticas, tão duramente conquistadas na Constituição de 1988.
O momento é de mobilização para a luta, para defender a participação dos representantes do povo no poder, com a utilização da política em benefício dos interesses nacionais e nunca para entregar os destinos do país as forças do mercado, as quais encobrem as garras afiadas das grandes corporações nacionais e internacionais em sua busca insana e insaciável de lucros e de poder.
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Flavio Lyra é economista da escola da UNICAMP. Ex-técnico do IPEA.