Sancionada a Lei que autoriza a criação da AMAZUL

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Na última quarta-feira, a Presidenta Dilma sancionou a LEI Nº 12.706, DE 8 DE AGOSTO DE 2012, decretada pelo Congresso Nacional, que autoriza o Poder Executivo a criar a empresa pública Amazônia Azul Tecnologias de Defesa S.A. – AMAZUL.

A Amazul, além de outras competências, terá por objeto:

I – promover, desenvolver, absorver, transferir e manter tecnologias necessárias às atividades nucleares da Marinha do Brasil e do Programa Nuclear Brasileiro – PNB;

II – promover, desenvolver, absorver, transferir e manter as tecnologias necessárias à elaboração de projetos, acompanhamento e fiscalização da construção de submarinos para a Marinha do Brasil; e

III – gerenciar ou cooperar para o desenvolvimento de projetos integrantes de programas aprovados pelo Comandante da Marinha, especialmente os que se refiram à construção e manutenção de submarinos, promovendo o desenvolvimento da indústria militar naval brasileira e atividades correlatas.

A AMAZUL é de vital importância para a consolidação das competências, meios e recursos, visando o Programa de Desenvolvimento de Submarinos – PROSUB e o PNB, dentro do estabelecido na Estratégia Nacional de Defesa.

 

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Inovação tecnológica e fortalecimento da indústria nacional

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Foto: ABr/Valter Campanato

A urgência em se desenvolver tecnologias em um país como o Brasil

O Brasil encontra-se em um momento especial. Com potencial altíssimo de desenvolvimento e um momento econômico de destaque, o país possui grande capacidade para investimentos em alta tecnologia. Porém, esse potencial tem sido pouco aproveitado pela iniciativa privada. Considerado mundialmente um dos países com maior capacidade de crescimento – ao lado da Rússia, Índia e China -, o Brasil poderia estar em um grau bem superior de desenvolvimento tecnológico e econômico.

Um dos grandes impulsionadores desse momento promissor do Brasil é a descoberta do petróleo do Pré-sal. Com ele, as possibilidades de avanço tecnológico e econômico com retorno e aplicação nos investimentos sociais tornaram-se ainda mais latentes. A possibilidade da geração recorde de empregos, por exemplo, é um horizonte a ser considerado. Os recursos que serão gerados pela exploração do Pré-Sal, se bem investidos, trarão à população outro nível de qualidade de vida. Serviços básicos como saúde, educação e moradia poderão ser viabilizados e melhorados.

O desenvolvimento que se espera do Brasil só será possível com uma aliança entre o Estado, a engenharia, a empresa genuinamente nacional e os trabalhadores. Isso porque, o fortalecimento da produtividade é peça-chave nesta engrenagem. Com isso, o Clube de Engenharia ressalta que o Estado deve trabalhar para o fortalecimento das empresas brasileiras de capital nacional. Modificações na legislação deverão ser feitas para que, principalmente a indústria nacional, não seja ameaçada pela crise que reverbera no mundo desde 2008.

Empresas brasileiras dão o exemplo

Um dos grandes exemplos de que as empresas brasileiras têm tudo para crescer cada vez mais é a Petrobras. Com a tecnologia gerada e repassada para outros segmentos, a Petrobras mantém até hoje sua atuação decisiva para o fortalecimento do setor industrial do país.

Outra empresa brasileira que é referência na área de tecnologia e inovação é a Embrapa. Especialista no desenvolvimento de tecnologia para o agronegócio, ela demonstra cada vez mais que o investimento em tecnologia nacional pode trazer frutos incalculáveis.

Segundo o engenheiro Carlos Antonio Rodrigues Ferreira, integrante do Conselho Editorial do Clube de Engenharia e da Câmara de Infraestrutura, Energia e Tecnologia da Alerj, a Petrobras é um sucesso inegável. Por fazer parte das políticas de Estado, a empresa ficou relativamente imune às trocas de governos. “A Petrobras investe pesadamente em pesquisa, desenvolvimento e inovação tecnológica, estando ligada a diversos centros universitários de pesquisa. Na Ilha do Fundão, junto à Universidade Federal do Rio de Janeiro, ela tem seu  centro de excelência, o CENPES, o qual em parceria com a COPPE (Instituto de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia da UFRJ) tem  obtido  grandes conquistas. Quando o governo dá suporte e investe nessas áreas o sucesso é absoluto.”, afirma

“A Petrobras tem seu centro de excelência, o CENPES, junto à Universidade Federal do Rio de Janeiro e em parceria com a COPPE (Instituto de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia da UFRJ), tem obtido  grandes conquistas. Quando o governo dá suporte e investe nessas áreas o sucesso é absoluto.” Carlos Antonio Rodrigues Ferreira, integrante do Conselho Editorial do Clube de Engenharia

O papel das universidades

Muito se debate sobre o importante papel da universidade brasileira. Para Ferreira, o papel da universidade é fundamental para o desenvolvimento de tecnologia. Ele destaca que, cultural e historicamente o Brasil não tem muito background nessa área, principalmente o setor privado. “As universidades têm seus centros de pesquisa, laboratórios e desenvolvem projetos. O foco em pesquisa no Brasil é estatal. O empresariado brasileiro não tem tradição de buscar a universidade para aprimorar seus produtos, processos e para desenvolver pesquisa e inovação”, explica o engenheiro.

Carlos Ferreira frisa também que os governos de Fernando Collor e Fernando Henrique Cardoso decidiram deixar de lado as empresas genuinamente brasileiras,. desnacionalizando a capacidade industrial do país. As empresas transnacionais que se instalaram no Brasil, ou que aqui já estavam nunca buscaram desenvolver tecnologia no país , porque fazem isso em seus países de origem. “Para o Brasil, ficaram os produtos de baixa tecnologia. Por exemplo, somos o quarto país do mundo em venda de veículos, e o sexto maior montador de veículos, mas não temos nenhuma marca nacional nessa área. Não desenvolvemos nada aqui. Foi delegado ao Brasil montar carros de baixa tecnologia. Os veículos de alta tecnologia são importados pelas próprias montadoras que aqui estão, com forte renúncia fiscal, e o Brasil nada faz. Isso se desdobra para outras áreas, em prejuízo da nossa capacidade industrial“, descreve.

Também segundo o engenheiro, o governo brasileiro,  buscando atenuar esta distorção, publicou a chamada “MP do Bem”. Nela, por isenção fiscal, as empresas se aproximam dos centros de pesquisa das universidades, para desenvolver tecnologias aplicáveis aos seus produtos e processos. “O que precisamos investigar é se elas realmente estão ajudando a produzindo gerar tecnologias, porque elas podem estar apenas se valendo da renúncia fiscal”, alerta. Ele complementa dizendo que é preciso investigar quais empresas estão sendo beneficiadas pela “MP do Bem” e o que está sendo efetivamente desenvolvido.

O Clube de Engenharia propõe que a sociedade brasileira exija a associação entre as empresas nacionais e as universidades públicas – federais ou estaduais – em seus Parques Tecnológicos, ou nos Centros de Pesquisa instalados por outras empresas. Além disso, os engenheiros querem o restabelecimento dos Centros de Pesquisa e de suas equipes, nas empresas estatais.

 

Foto: Adriana Medeiros

Engenheiro Carlos Antonio Rodrigues Ferreira, integrante do Conselho Editorial do Clube de Engenharia

País rico é país que agrega valor

Um ponto muito marcante na economia nacional é sua base, que continua sendo a exportação de matérias primas e produtos primários, e a importação de produtos industriais com maior valor agregado. Isso faz com que o Brasil não consiga sustentar seu crescimento e independência econômica, embora tenha todas as condições materiais e humanas, que lhe permitam isso. A biodiversidade e os vastos recursos naturais, além de um povo criativo e trabalhador são peças-chave para essa transformação, e são pontos fortes do país. Para o engenheiro Carlos Ferreira, o maior problema brasileiro é cultural. “Em diversos países, as ideias, por mais malucas que possam parecer, são sempre testadas e colocadas em prática. Já no Brasil, um inovador é visto como maluco, a sociedade quebra sua criatividade e não estimula. O Barão de Mauá, por exemplo, tentou industrializar o Brasil, foi quebrado e seus ativos foram entregues ao  capital inglês. João Gurgel, que sempre sonhou com o carro genuinamente brasileiro, tentou desenvolver automóveis no Brasil, vindo a falir por falta do necessário apoio  do Estado”, exemplifica.

Os engenheiros brasileiros defendem que o empresariado precisa começar a enxergar novos caminhos para o desenvolvimento tecnológico. E não é fácil quebrar essa acomodação dos empresários. Na área de produção agroindustrial, por exemplo, o Brasil está entre os primeiros do mundo. No entanto, sempre com uma visão tradicional. “Exportamos café em grão. A Alemanha não tem um pé de café plantado em seu território, entretanto é uma das maiores exportadoras de café processado, no mundo”, aponta Ferreira.

O engenheiro também explica que, muitas vezes, o Estado brasileiro se faz presente através de suas indústrias e de medidas que atendam às transformações tecnológicas. E, quando isso acontece, a área de tecnologia e inovação avança. Mas, segundo Ferreira, o empresário brasileiro não ousa, não  procura  inserir novas tecnologias em suas cadeias de produção, para agregar valor ao que exporta. “Somos grandes exportadores de suco de laranja, mas não temos uma marca sequer que chegue aos mercados, tudo é  exportado in natura, para processamento no exterior“.

O governo deve, segundo os engenheiros, criar formas de incentivar projetos de alta tecnologia desenvolvidos por empresas genuinamente nacionais. O objetivo é fazer com que os produtos brasileiros conquistem valor agregado, além de fortalecer a área de tecnologia nacional.

A questão energética

O Brasil é, hoje, o país com maior potencial energético renovável do mundo. As hidrelétricas, pouco poluentes e renováveis, são a base de produção a garantir o consumo de energia atual. No entanto, com os objetivos e metas traçados para o setor industrial brasileiro e as restrições ambientais à formação de reservatórios, a questão energética torna-se um ponto fundamental.

Ferreira ressalta ser a energia elétrica um insumo essencial ao desenvolvimento do país. “Hoje, consumimos metade do consumo per capita de Portugal, o que é muito pouco. Mas, à medida em que o país se desenvolver e as condições sociais do povo brasileiro evoluírem, a demanda por energia será cada vez mais forte, com expansão nas áreas de saneamento básico e nos transportes urbanos sobre trilhos, por exemplo. Isso é um dos  parâmetros para aferição do índice de desenvolvimento humano, portanto, precisa ser pensado”, aponta.

Carlos Ferreira também garante que temos um grande horizonte adiante. Ele afirma que, para gerar grandes blocos de energia, temos basicamente dois tipos de fonte: a hidrelétrica, na qual a água aciona as turbinas gerando energia elétrica; e a fonte térmica,  através do carvão, o óleo, o gás e a nuclear. O engenheiro explica: “o carvão brasileiro contém muita cinza e é altamente poluente. O gás natural poderia ser usado para as indústrias ao invés de queimar em termoelétricas. O óleo combustível é altamente poluidor. A nuclear, apesar de toda a dramaticidade e sensacionalismo com que é tratada, paradoxalmente é a mais ecologicamente correta depois das hidrelétricas para a geração de grandes blocos de energia”. Ele também ressalta a segurança envolvida na área nuclear, além da produção de energia em larga escala. “Angra 1 e 2 produzem dois mil megawatts firmes, sem alternância, sem picos, e com total segurança, numa área preservada e pequena. Os critérios de segurança são excelentes”, garante.

Sobre as energias alternativas, o engenheiro ressalta seu caráter de alternância produtiva. As energias eólica e solar, não são constantes, porque não há sol e vento em tempo integral. Por isso, elas trabalham  de forma intermitente. “Elas são energias complementares, mas não servem para grandes blocos. Temos que afastar os fantasmas e acreditar que a energia nuclear é importante para o desenvolvimento do país”, frisa.

Altos juros prejudicam indústria nacional

A questão econômica parece interferir e muito neste cenário. Os exorbitantes juros brasileiros, a taxa de câmbio altíssima e a lista quase infinita de impostos convergem para cada vez menos ousadia por parte do empresariado. Para os engenheiros, este é outro desafio que precisa ser superado. “Os governos entram e saem e não conseguem resolver o problema. As empresas têm dificuldade em manter os impostos em dia, são necessários profissionais extremamente especializados. As leis se sobrepõem e oneram o produtor e o consumidor, além disso, nem sempre o dinheiro chega aos caixas do governo”, protesta Carlos Ferreira.

O Brasil de hoje

Outro ponto crucial em torno dos debates sobre desenvolvimento da indústria nacional é a engenharia em si. Para os profissionais da área, o país está retomando o papel e o fortalecimento da engenharia nacional. Segundo Carlos Ferreira, o governo tem tentado fortalecer os produtos genuinamente brasileiros, inclusive através da iniciativa de comprar  preferencialmente produtos fabricados no Brasil.

Além disso, ele também frisa que as relações entre o Estado e a indústria podem e devem ser fortes, principalmente no que diz respeito à produção e ao retorno social. “Precisamos perder o medo da estigmatização que a mídia brasileira tenta impor, contra a participação do Estado como indutor do desenvolvimento. A França é dona da Air France, Peugeot, Citroen. A General Motors é do governo americano. A maioria das empresas chinesas são do governo. Então, o Brasil pode e deve apoiar empresas genuinamente brasileiras”, defende.

Para Ferreira, durante as décadas de 80 e 90 – o que ele chama de neoliberalismo puro -, a engenharia praticamente se dissipou. Há, então, um vazio de profissionais. “Temos engenheiros com mais de 50 anos ou até 30 anos. Precisamos correr e formar jovens , interessá-los pela engenharia. Até pouco tempo atrás o jovem não queria mais fazer engenharia, ele buscava carreiras mais promissoras, como economia, direito… E a Petrobras, uma empresa do Estado brasileiro, por exemplo,  está tendo um grande papel na recuperação da motivação do jovem para com a engenharia. Sem engenharia, não se constrói um país”, arremata.

Foto:  Coppe/UFRJ

Um mapa da tecnologia industrial no Rio de Janeiro

A Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) criou e instalou em seu campus o Parque Tecnológico do Rio. O objetivo é estimular a interação entre os estudantes, professores e funcionários da universidade e empresas que fazem da inovação o seu cotidiano. Na Ilha da Cidade Universitária, está se constituindo uma área exclusiva voltada para o conhecimento e o empreendedorismo. Essa combinação consolida a natural vocação do Rio de Janeiro e do Brasil como pólo de desenvolvimento da ciência, tecnologia e inovação.

São cerca de 350 mil metros quadrados destinados a abrigar empresas das áreas de energia, meio ambiente e tecnologia da informação. Este ambiente garante às empresas o acesso privilegiado a laboratórios, profissionais de alta qualificação e novas oportunidades de negócios. No entanto, das empresas que hoje fazem parte deste Parque, apenas 1/4 delas são brasileiras.

Segue abaixo a lista atual de empresas que fazem parte do Parque Tecnológico da Ilha do Fundão:

Baker Hughes,FMC Technologies, Halliburton, Tenaris Confab, Usiminas, ESSS – Engineering Simulation and Scientific Software, Ilos – Instituto de Logística e Supply Chain, PAM – Produz dispositivos filtrantes, utilizando membranas a base de polímeros comerciais; Petrobras Asfaltos – Laboratório de projetos, misturas, ligantes e desenvolvimento de produtos da Petrobras Distribuidora; Schlumberger – Fornecimento de tecnologia, gerenciamento de projetos e informações para soluções direcionadas à indústria de Óleo e Gás, Ambidados – Soluções em monitoramento ambiental, Ambipetro, Aquamet, Meteorologia, projetos e sistemas, BG Group, EMC², GE, Maemfe, RECAS, Siemens/ Chemtech, V&M, Virtualy – Virtualy Tecnologia de Simulação.

Reproduzido da “Engenharia em Revista”: http://portalclubedeengenharia.org.br/arquivo/1342459402.pdf/documentos

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World Nuclear Stockpile Report

 

Fonte : http://www.ploughshares.org/world-nuclear-stockpile-report

The exact number of nuclear weapons in global arsenals is not known. With little exception, each of the nine countries with nuclear weapons guards these numbers as closely held national secrets. What is known, however, is that more than a decade and a half after the Cold War ended, the world’s combined stockpile of nuclear warheads remain at unacceptably high levels.

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O ‘apagão marítimo’ é uma Batalha de Itararé? SINDMAR: não há déficit de oficiais mercantes

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O Sindicato Nacional dos Oficiais da Marinha Mercante (SINDMAR) esclareceu nesta quinta-feira (02), durante Audiência Pública na Comissão de Viação e Transportes da Câmara dos Deputados, convocada para avaliar o mercado de marítimos, que não há falta de profissionais no setor.

O SINDMAR salientou que o intuito das empresas de navegação (armadores), ao anunciar um suposto déficit de mão de obra, o que justificou a realização da Audiência, é o de contornar a legislação brasileira, contratando mão de obra estrangeira barata, de formação questionável, em prejuízo dos profissionais brasileiros.

O esclarecimento foi feito à Comissão pelo presidente do SINDMAR. Em apresentação à Audiência, Severino Almeida apontou as inconsistências conceituais e incoerências estatísticas das projeções seguidamente divulgadas pelos armadores, provando que o tão alardeado “apagão marítimo” não passa de uma “Batalha de Itararé” – ou seja, cenário catastrófico que jamais se concretiza.

Na Audiência, Severino Almeida também criticou a falta de uma autêntica Armação brasileira, efetivamente comprometida com os interesses estratégicos nacionais. Lembrou que as empresas que operam hoje no país são predominantemente de capital estrangeiro e movidas por interesses externos. Na navegação de longo curso, sobretudo, praticamente não existem empresas brasileiras, a não ser em alguns segmentos específicos como óleo e gás.

Explicou que acompanhamentos regulares da Diretoria de Portos e Costas (DPC) da Marinha e do próprio SINDMAR, bem como estudo independente realizado por estatísticos de instituições de credibilidade, comprovam que não há déficit de oficiais mercantes.

Em uma década, o número de oficiais mercantes formados anualmente decuplicou. Em nenhum outro segmento houve um acréscimo tão expressivo de mão de obra qualificada quanto no segmento da Marinha Mercante. Há cerca de cinco anos formavam-se aproximadamente 250 oficiais/ano; hoje são mais de 800 anualmente.

A manobra dos armadores visa a isentar as empresas de navegação de cumprir a legislação brasileira, notoriamente avançada na proteção aos direitos do trabalhador, e reduzir custos por meio da importação de profissionais estrangeiros, não raro de baixa qualificação.

O presidente do SINDMAR salientou durante a Audiência que não é justo impor ao oficial mercante brasileiro, cuja qualificação é reconhecida internacionalmente, a concorrência com profissionais de formação duvidosa, que aceitam trabalhar por qualquer salário. Entre esses estrangeiros estão marítimos filipinos. “Não se compete com a fome”, lembrou Severino Almeida.

Já há alguns anos entidades representativas dos armadores – tendo à frente o Syndarma e a Abeam – apregoam um cenário ficcional para a Marinha Mercante. Em 2008, estudo feito sob sua encomenda, elaborado com critérios nebulosos e inconsistentes, diagnosticava – equivocadamente, como se comprovou nos anos seguintes – um déficit de mão de obra por eles bombasticamente denominado de “Apagão marítimo”.

Desde 2008, os alarmes feitos pelos armadores vêm sendo desmoralizados por estudos que comprovam que há equilíbrio entre demanda e oferta neste mercado de trabalho. Isso aconteceu em 2009, quando estudo feito por dois estatísticos da UERJ desmentiu a projeção anterior do Syndarma. E continua a ocorrer agora com os acompanhamentos regulares feitos por DPC e SINDMAR. O tempo tem dado cabo de desmoralizar as projeções dos armadores, ano após ano.

FONTE: NetMarinha

Reproduzido do: http://www.naval.com.br/blog/2012/08/02/o-apagao-maritimo-e-uma-batalha-de-itarare-sindmar-nao-ha-deficit-de-oficiais-mercantes/#ixzz22gYSrejW

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A REMUNERAÇÃO DAS FORÇAS ARMADAS

 

 

 

 

 

 

por Mauro Santayana

Com a sua visão de Estado, Tancredo sempre se preocupou com as forças armadas. Sua tese era a de que os políticos do Império e, mais tarde, da República, foram os primeiros responsáveis pela sedução dos militares brasileiros pelo poder. Eles deveriam ter sido tratados com respeito e, nesse respeito, ser entendida a sua separação das decisões políticas, com a necessária submissão ao poder civil – e a melhor recompensa possível pelos seus serviços, na manutenção da soberania nacional e da integridade do território pátrio.

O político mineiro lembrava, sempre, a advertência de Bernardo Pereira de Vasconcelos contra a decisão do governo de Pedro I, em conferir poder judiciário à Comissão Militar, comandada pelo brigadeiro Francisco Lima e Silva, pai do Duque de Caxias, enviada ao Nordeste a fim de combater a Confederação do Equador. Essa comissão, e outras que se seguiram foram impiedosas na repressão aos combatentes. Só em 1824, na luta contra os pernambucanos, onze revolucionários foram condenados à morte, entre eles, Frei Caneca.

É desse tempo – não obstante a visão política pacificadora do Duque de Caxias – que surgiu a idéia subjacente em alguns setores militares de que, além de defender as fronteiras, também seria deles parte da responsabilidade política do Estado, como condestáveis da República e, mesmo, quando considerassem necessários, pela chefia do Estado e condução do governo nacional – como ocorreu em 1964.

Os militares – e nisso coincidia Tancredo com Maurício de Nassau – devem ser muito bem remunerados, tendo em vista que é deles a responsabilidade de garantir a incolumidade de todos os seus concidadãos. “É preciso tratar bem os homens da guerra” – aconselhava Nassau. “Um país subdesenvolvido, como o nosso, não se pode dar o luxo de pagar mal aos seus militares” – ponderava Tancredo. Ele desenvolvia seu raciocínio, ao afirmar que as forças armadas necessitam de homens bem preparados intelectualmente e bem treinados, a fim de estar sempre preparados para a indesejável eventualidade da defesa de nossa soberania.

A revelação dos vencimentos dos militares e sua comparação com a dos outros servidores federais – de todos os três poderes – demonstra que o orçamento de pessoal não lhes faz justiça. Se os vencimentos dos servidores do Congresso forem conhecidos (como se sabe, o sindicato que os representa conseguiu impedir a divulgação de seus contracheques) a opinião pública ficará estarrecida com a diferença entre o que ganha, por exemplo, um capitão de qualquer das armas, e um motorista do Senado. Entre o que recebe um tenente coronel e um assessor de primeiro nível da Câmara dos Deputados. A isonomia entre os vencimentos oficiais dos servidores da União não será um ato de generosidade, mas, sim, de equidade.

Fonte: http://www.maurosantayana.com/2012/08/a-remuneracao-das-forcas-armadas.html

 

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INPE apresenta sistema de propulsão de satélites feito no Brasil

Fonte INPE – 17/07/2012

O subsistema de propulsão foi desenvolvido para a PMM, a Plataforma Multimissão, a base de satélites criada pelo INPE para uso no Amazônia-1 e no satélite de pesquisas Lattes.[Imagem: INPE]

 

Propulsão nacional

O INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) apresentou nesta segunda-feira (16/07/2012) o primeiro subsistema de propulsão para satélite desenvolvido no Brasil.

O equipamento, usado na correção de atitude e elevação de órbita dos satélites, operações comuns durante toda sua vida útil, deverá equipar o satélite Amazônia-1.

O subsistema de propulsão foi desenvolvido em parceria com a empresa Fibraforte para a PMM, a Plataforma Multimissão, a base de satélites criada pelo INPE para uso no Amazônia-1 e no satélite de pesquisas Lattes.

A PMM está sendo construída por um consórcio de empresas privadas, sob a coordenação do INPE.

Inicialmente serão construídos dois modelos idênticos, um de qualificação e o outro para voo no satélite.

Qualificação

O modelo de qualificação do subsistema de propulsão já passou pela sequência de testes que reproduzem todos os tipos de esforços durante o lançamento, além do ambiente hostil em que um satélite deve operar.

No Laboratório de Integração e Testes (LIT), em São José dos Campos, foram realizados os testes de vibração, termovácuo, alinhamento e vazamento.

Já no Banco de Testes com Simulação de Altitude (BTSA), em Cachoeira Paulista, aconteceu o teste de tiro real sob vácuo, que simula manobras em órbita. Todos os testes foram aprovados na etapa de qualificação.

“Como os testes foram realizados pela primeira vez em um subsistema de propulsão, os laboratórios tiveram adaptações em suas estruturas. O BTSA, que integra o Laboratório de Combustão e Propulsão, obteve investimentos para adaptações e melhorias”, conta Heitor Patire Júnior, pesquisador do INPE que é o responsável técnico do projeto.

Nacionalização

Alguns equipamentos que fazem parte do subsistema de propulsão ainda foram importados por não haver produto similar no país – cerca de 60% dos equipamentos necessários para a construção de todo o satélite serão importados.

No caso do sistema de propulsão, a Fibraforte desenvolveu propulsores, válvulas de enchimento e dreno de combustível e gás pressurizante, tubulação e a própria estrutura e suportes do subsistema.

“Pelo INPE está sendo desenvolvido o catalisador que abastece os propulsores (onde o combustível sofre reação química gerando a propulsão nos motores), todo o processo de soldagem da tubulação que transporta o combustível entre o tanque e os propulsores, além do treinamento das equipes de vários laboratórios envolvidos nesse desenvolvimento”, explicou Heitor.

Para os próximos satélites, a Fibraforte pretende desenvolver também o tanque de propelente. Com mais esse passo, sistemas de propulsão para controle de órbita e atitude de satélites estarão livres de barreiras de importação por sensibilidade tecnológica.

“Os novos desenvolvimentos relacionados ao subsistema de propulsão podem levar o país a ser autossuficiente em todos os equipamentos que hoje são importados, levando ao crescimento da nossa indústria aeroespacial”, disse o pesquisador.

Impulso espacial

Há poucos dias, o IPEA, um órgão de pesquisas do governo, argumentou que o programa espacial brasileiro precisa de foco, enquanto a quase totalidade dos especialistas concorda que o que está faltando é investimento, para manter operacionais as empresas que desenvolvem tecnologias, a exemplo do modelo adotado pela NASA, nos Estados Unidos.

Há uma grande expectativa do setor com a criação da Visiona, uma empresa fruto da parceria público-privada entre a estatal Telebras e a privatizada Embraer.

O modelo da Visiona foi desenhado pelo ministro Marco Antônio Raupp no ano passado, quando ela presidia a Agência Espacial Brasileira (AEB), focado no desenvolvimento do Satélite Geoestacionário Brasileiro (SGB).

Conforme acordos internacionais, o Brasil tem até 2014 para colocar o SGB em órbita.

O pesquisador do INPE afirmou temer que a nova empresa acabe importando muitos componentes e não utilize a capacitação do INPE. Contudo, há planos para a fusão entre a AEB e o INPE.

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Concluída montagem do VLS-1 na nova torre de lançamento

Foi finalizada nesta quarta-feira (11/7) a montagem do Veículo Lançador de Satélite (VLS-1) na nova Torre Móvel de Integração (TMI) do Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), no Maranhão. A importante etapa de integração do veículo à torre de lançamento faz parte da Operação Salina iniciada em Alcântara no último dia 20. Nos próximos dias, o veículo passará por testes na nova Torre Móvel de Integração (TMI).

A Operação Salina que acontece no Centro de Lançamento de Alcântara (CLA) é realizada pelo Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE) vinculado ao Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA). A missão prevê o transporte, a preparação e a integração mecânica de um “mock-up” estrutural inerte do VLS-1 – estrutura real do veículo sem combustível a bordo – e ensaios e simulações para verificação da integração física, elétrica e lógica da torre e dos meios de solo do CLA associados à preparação para voo do VLS-1. Além do IAE e CLA, participam da Operação Salina com o apoio logístico e de pessoal o COMAR I, II FAE, V FAE, IPEV e IFI.

Uma equipe de integração vinda do Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE) realizará os primeiros testes funcionais do veículo na nova torre a partir de medições e análises física, lógica e mecânica. Nessa nova configuração do VLS-1, a operação possibilitará medir e posicionar todos os novos conectores do veículo integrando-os à torre.

Ontem, uma equipe de técnicos franceses realizou a instalação de um sistema de segurança na torre de fuga localizada ao lado da nova TMI. Por meio do sistema, é possível que diante de alguma situação de perigo evadir com maior segurança do local. O moderno sistema funciona por meio de “meias” que permitem o deslocamento até a parte subterrânea da torre num mecanismo que reduz a velocidade da queda até o subsolo. Na próxima segunda-feira, será realizada simulação de acidente nas imediações da nova TMI com o atendimento inicial e remoção das vítimas eventuais até o helicóptero de resgate.

TORRE MÓVEL DE INTEGRAÇÃO (TMI)

Altura: 33 metros
Comprimento: 12 metros
Largura: 10 metros
Peso: 380 toneladas
Deslocamento: 4,5 metros por minuto

Estágio atual: Automatização (fase final)

Operação Salina: A torre passa por testes funcionais com a integração de um mock-up do VLS-1 inerte (sem combustível e satélite) durante a operação.

VEÍCULO LANÇADOR DE SATÉLITE (VLS)

Número de estágios : 4
Comprimento total : 19.4 metros
Diâmetro dos estágios (todos) : 1,0 metros
Diâmetro da coifa principal: 1,2 metros
Peso: 49,7 toneladas (na decolagem)

Estágio atual: Ensaios motores foguetes (realizados)
Redes Pirotécnicas (prontas)
Redes Elétricas (em execução)
Ensaios de separação dos estágios (realizados)
Mock-up (estrutura pronta – aguardando redes elétricas e pirotécnicas)
Veículo de voo VLS-VSISNAV (motores em processo de carregamento)

Operação Salina: Um veículo inerte (sem combustível e satélite) foi acoplado à nova TMI durante a operação.

FONTE: Agência Força Aérea/CLA

Ref.:  http://www.aereo.jor.br/2012/07/12/concluida-montagem-do-vls-1-na-nova-torre-de-lancamento/

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Marinha do Brasil inicia Projeto do Submarino de Propulsão Nuclear

No dia 6 de julho, às 10h30, foi realizada a cerimônia de início do Projeto do Submarino com Propulsão Nuclear Brasileiro, no auditório principal do Centro Tecnológico da Marinha em São Paulo (CTMSP). Com as presenças do Comandante da Marinha do Brasil, Almirante-de-Esquadra Julio Soares de Moura Neto; do Diretor-Geral do Material da Marinha, Almirante-de-Esquadra Arthur Pires Ramos; e do Coordenador-Geral do Programa de Desenvolvimento de Submarino com Propulsão Nuclear, Almirante-de-Esquadra (Refº) José Alberto Accioly Fragelli, o evento marcou uma importante etapa do Programa de Desenvolvimento de Submarinos (PROSUB), em que será desenvolvido o primeiro submarino de propulsão nuclear brasileiro.

No evento também foi inaugurado o Escritório Técnico de Projetos em São Paulo, que foi especialmente equipado com avançados recursos de Tecnologia da Informação (TI) e uma sala de videoconferência, visando atender às necessidades que um projeto dessa magnitude demanda.

O Programa, que está inserido no escopo de contrato firmado entre a Marinha e a empresa francesa DCNS, exceto a parte nuclear da planta de propulsão, engloba ainda a construção de um estaleiro e base naval, na região de Itaguaí (RJ), e quatro submarinos convencionais. Entre os benefícios para o país estão o fortalecimento da indústria nacional e o aprimoramento da qualificação técnica de profissionais brasileiros que trabalharão no PROSUB, garantindo ao Brasil a capacidade de desenvolver e construir seus próprios submarinos no futuro, de forma independente.

Este ano, o PROSUB já deu um importante passo em sua parte nuclear com a inauguração da primeira das quatro fábricas da Unidade Produtora de Hexafluoreto de Urânio (USEXA) e do Centro de Instrução e Adestramento Nuclear ARAMAR (CIANA), em Iperó (SP), que representaram o domínio do ciclo do combustível nuclear para o país. Atualmente, apenas cinco países – China, Estados Unidos, França, Inglaterra e Rússia – detêm este domínio tecnológico. Com este empreendimento, o Brasil passa a integrar a seleta lista, uma vez que o reator nuclear e a propulsão do SN-BR serão desenvolvidos no país.

O trabalho de Projeto, que foi iniciado no dia 6 de julho, percorrerá um longo caminho. Serão três anos para alcançar o projeto básico do submarino de propulsão nuclear, para então ter início a fase do projeto detalhado, simultaneamente com a construção do submarino, em 2016, no estaleiro da Marinha que está sendo construído na cidade de Itaguaí.

Considerado um dos mais complexos meios navais já idealizados pelo homem, o submarino de propulsão nuclear possui significativas vantagens táticas e estratégicas. Seu reator nuclear, por ser uma fonte quase inesgotável de energia, confere-lhe enorme autonomia, podendo desenvolver velocidades elevadas por longos períodos de navegação, ampliando significativamente sua mobilidade e permitindo-lhe patrulhar áreas mais extensas dos oceanos. Além disso, por operar ininterruptamente mergulhado, em completa independência do ar atmosférico, este tipo de submarino é praticamente indetectável, inclusive por satélites.

O Submarino Nuclear Brasileiro (SN-BR) será totalmente projetado e construído no Brasil, empregando os mesmos métodos, técnicas e processos de construção desenvolvidos pelos franceses. Parte significativa dos equipamentos desenvolvidos para os quatro submarinos convencionais, de propulsão diesel-elétrica, será aproveitada no SN-BR. Estima-se que cada um dos submarinos a ser produzido no Brasil contará com mais de 36 mil itens a serem fabricados aqui, por mais de 100 empresas brasileiras. Entre esses equipamentos estão válvulas de casco, motores elétricos, sistema de combate, bombas hidráulicas, quadros elétricos, sistemas de controle e baterias de grande porte, dentre outros. O processo de capacitação da indústria de defesa nacional, envolvendo transferência de tecnologia e expressiva nacionalização de equipamentos, possibilitará que a qualificação alcançada pelos profissionais brasileiros possa ser utilizada em diversos outros segmentos da indústria nacional.

O Programa de Desenvolvimento de Submarinos irá gerar, durante as obras de construção em andamento, mais de 9 mil empregos diretos e outros 27 mil indiretos. Para o período de construção dos submarinos projeta-se, na área de construção naval militar, a criação de cerca de 2 mil empregos diretos e 8 mil indiretos permanentes, com utilização expressiva de mão-de-obra local.

Fonte: Diretoria Geral do Material da Marinha / Coordenadoria-Geral do Programa de Desenvolvimento de Submarino com Propulsão Nuclear

Ref.: http://www.naval.com.br/blog/#ixzz204cat5pW

 

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INB enriquece 4,5 toneladas de urânio

Com reservas de urânio de 310.000 toneladas comprovadas, com somente 30% do território nacional prospectado, ter conseguido o domínio tecnológico  do seu ciclo de processamento e mais as reservas do Pré-Sal, o Brasil tem como assegurar a autossufiência energética no longo prazo, sem criar dependências de fontes primárias importadas.

Em termos de potencial energético, as reservas nacionais de urânio já comprovadas, equivalem a cerca de 7 bilhões de barris de petróleo.

Ter uma Política de Estado para este valioso e cobiçado recurso energético é vital para os interesses e o futuro da Nação. Esta discussão precisa chegar ao Congresso Nacional.

Carlos Ferreira

 

 

 

 

 

 

 

Fonte; Diário do Vale, 19/06/12

A Indústrias Nucleares do Brasil (INB) enriqueceu, nos últimos dois anos, cerca de 4,5 toneladas de urânio – o suficiente para atender 20% das necessidades da próxima recarga de combustível de Angra 1. A produção desse material consolida a posição obtida pela empresa entre as poucas que dominam, em todo o mundo, a tecnologia de enriquecimento de urânio para fins pacíficos. A intenção da empresa é, no futuro, suprir as necessidades de urânio enriquecido para os reabastecimentos de combustível das três usinas nucleares brasileiras.
Para isso, contudo, serão necessários novos investimentos para ampliar as instalações existentes. É como se a empresa já tivesse a receita do bolo, mas seu forno ainda fosse pequeno para atender à demanda.
Atualmente, a INB extrai o urânio em minas localizadas em Caetité, no estado da Bahia. Na usina de beneficiamento o urânio é extraído do minério, purificado e concentrado sob a forma de um sal de cor amarela, conhecido como “yellowcake”, matéria prima para produção da energia gerada em um reator nuclear.
O passo seguinte, a conversão, é feito atualmente no exterior por motivos econômicos – o Brasil já domina a tecnologia, mas é mais barato fazer fora do país. Nessa etapa, o urânio, sob a forma de yellowcake, é dissolvido e purificado, obtendo-se então o urânio nuclearmente puro. A seguir, é convertido para o estado gasoso, o hexafluoreto de urânio.
A operação de enriquecimento do urânio tem por objetivo aumentar a concentração do urânio235 acima da natural – o urânio natural contém apenas 0,7% de urânio235 – para, em torno de 3% permitir sua utilização como combustível para geração de energia elétrica.
Atualmente, o processo de enriquecimento é efetuado no exterior e enviado em contâineres para a Fábrica de Combustível Nuclear.
A partir daí, o processo é todo feito no Brasil: o hexafluoreto de urânio (UF6) é transformado em dióxido de urânio (UO2). O nome dessa etapa é Reconversão: é o retorno do gás UF6 ao estado sólido, sob a forma de pó de dióxido de urânio (UO2).
Depois da reconversão, o dióxido de urânio é transformado em pastilhas. Essas pastilhas são montadas para formar o elemento combustível.
O elemento combustível é um conjunto de 235 varetas combustíveis – fabricadas em zircaloy – rigidamente posicionadas em uma estrutura metálica, formada por grades espaçadoras; 21 tubos-guias e dois bocais, um inferior e outro superior. Nos tubos-guias são inseridas as barras de controle da reação nuclear. Antes de serem unidas a estes tubos por solda eletrônica, as grades espaçadoras são alinhadas por equipamentos de alta precisão. A solda das extremidades das varetas se dá em atmosfera de gás inerte e sua qualidade é verificada por raios-X.
As pastilhas de urânio, antes de serem inseridas nas varetas combustíveis, são pesadas e arrumadas em carregadores e secadas em forno especiais. Simultaneamente, os tubos de zircaloy têm suas medidas conferidas por testes de ultra-som e são minuciosamente limpos. Só então as pastilhas são acomodadas dentro das varetas sob a pressão de uma mola afastada do urânio através de isolantes térmicos de óxidos de alumínio.

Expansões

Além de precisar investir para aumentar a capacidade de produção da fábrica de Resende e assim atender à demanda gerada pelo parque nuclear brasileiro, a INB precisa também aumentar a produção de urânio em suas minas: os planos são de duplicar a produção de Caetité, de 400 para 800 toneladas anuais e colocar em operação a mina de Santa Quitéria, que tem capacidade de produzir 1,2 mil toneladas anuais.

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O BRASIL DIANTE DE DOIS INIMIGOS

14/06/2012, por Mauro Santayana

Em discurso recente no Senado, Pedro Simon advertiu contra o perigo de que o crime organizado se aposse das instituições do Estado. Até o caso Cachoeira, disse o parlamentar gaúcho, havia sido comprovada a corrupção de setores da burocracia dos governos, mas não a da estrutura do Estado.

O caso Cachoeira – e a advertência de Pedro Simon é importante – mostra como a nação está acossada por um inimigo interno insidioso, que é o crime organizado. Os recursos públicos são desviados para alimentar um estado clandestino, que está deixando de ser paralelo, para constituir o núcleo do poder, em alguns municípios, em muitos estados e na própria União. Essa erosão interna da nacionalidade brasileira, que se assemelha a uma gangrena, coincide com o cerco internacional contra o nosso país.

Enquanto parte da opinião nacional acompanha, indignada, as revelações do esquema Cachoeira, articula-se eixo internacional entre os Estados Unidos, a Espanha e todos os países da Costa do Pacífico, com a exceção do Equador e da Nicarágua, contra o nosso povo, mediante a Aliança do Pacífico. Não há qualquer dissimulação.

Assim, os Estados Unidos cuidam de retomar a sua influência e presença militar na América Latina. Nesse sentido, procuram valer-se da Aliança do Pacífico para estabelecer bases militares cercando o Brasil, da Colômbia ao sul do Chile. Leon Paneta, o Secretário de Defesa dos Estados Unidos, acaba de acertar com o presidente do Chile, Sebastián Piñera, o estabelecimento de uma base norte-americana em Fuerte Aguayo, nas proximidades de Valparaíso. Entre outras missões dos militares americanos está a de treinar os carabineiros chilenos, a fim de coibir manifestações populares. Há, ao mesmo tempo, uma orquestração da imprensa e dos meios políticos e empresariais, a fim de reabilitar a figura do ditador Pinochet.

A participação da Espanha nesse novo cerco ao Brasil é evidente. Em Madri, os embaixadores dos quatro paises maiores envolvidos (México, Colômbia, Peru e Chile) se reuniram, para defender a nova aliança, e coube ao embaixador do Chile, Sergio Romero, ser bem explícito. Ao afirmar que o bloco não nasce contra o Brasil, nem contra o Mercosul, aclara, no entanto, que o grupo recebe de braços abertos os investimentos europeus, especialmente da Espanha e dos Estados Unidos – que poderiam formalmente participar da Aliança.

Limpemos os nossos olhos, vejamos os perigos que ameaçam diretamente a nossa sobrevivência como nação independente, nas vésperas do segundo centenário do Grito do Ipiranga. Não temos que ficar abrindo mais divisões internas, e devemos nos unir para enfrentar, ao mesmo tempo, o inimigo interno, que é o crime organizado e suas teias nas instituições do Estado, e os inimigos externos.

E não nos devemos esquecer que o sistema financeiro mundial é também uma forma – superior e mais poderosa – de crime organizado. E muito bem organizado.

Artigo completo:  http://www.maurosantayana.com/2012/06/o-brasil-diante-de-dois-inimigos.html

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