MANIFESTO EM DEFESA DA PETROBRAS E DO PRÉ-SAL PARA OS BRASILEIROS

 Clube de Engenharia

Clube de Engenharia

Fundado em 24 de Dezembro de 1880

MANIFESTO EM DEFESA DA PETROBRAS

E DO PRÉ-SAL PARA OS BRASILEIROS

A história da Petrobras é uma epopéia. É o relato de uma longa trajetória, de lutas e de enfrentamentos de toda natureza, realizada por todo o povo brasileiro.

Desde antes da sua criação, a questão do petróleo e da sua exploração de forma soberana e em beneficio do Brasil, mobilizou grandes brasileiros de todas as classes sociais, civis e militares, independente de posições ideológicas e de opções partidárias. Em síntese, contou com todo o apoio da cidadania ativa daqueles tempos. E o Clube de Engenharia estava presente.

Em 1953 o estabelecimento do monopólio estatal da exploração de petróleo e a criação da Petrobras representaram, sem dúvida, uma importante vitória da soberania nacional.

No entanto, os grandes enfrentamentos estavam apenas no início. Começando pelo pouco conhecimento da geologia básica das bacias sedimentares no território brasileiro, passando por questões diplomáticas, técnicas, políticas e gerenciais, tais como, as Notas Reversais de Roboré e o Relatório Link nos anos 1950/60, as pesquisas na Amazônia e os Contratos de Risco na década de 1970, até a descoberta de expressivas reservas de petróleo na plataforma continental do sudeste brasileiro nas décadas de 1970/80. Foram quarenta anos de lutas, de dificuldades vencidas e de importantes sucessos alcançados. A persistência e a competência da Petrobras, sustentadas pelos seus quadros de pessoal de todas as categorias e níveis, foram emblemáticas. Tudo acompanhado e apoiado pela cidadania ativa dessas épocas, o Clube de Engenharia inclusive.

Na década dos anos noventa a extinção do monopólio estatal da exploração do petróleo e a admissão de grandes grupos estrangeiros, empresariais e financeiros, para atuar nessas atividades, foi uma derrota. Mas não foi uma capitulação.

Pelo contrário. Apoiada agora nos conhecimentos obtidos, na experiência adquirida e, sobretudo, no fortalecimento econômico-financeiro alcançado – em todos os eventos ocorridos nas décadas anteriores – a Petrobras avançou no desenvolvimento de tecnologias e inovações para exploração em águas profundas, participou intensamente dos leilões realizados, ampliou expressivamente suas reservas e sua produção. O Clube de Engenharia acompanhou esses enfrentamentos, sempre apoiando a Petrobras. Atuou com firmeza, combatendo a entrega da riqueza petroleira a grupos estrangeiros através a realização dos leilões, alcançando algumas sugestivas vitórias.

Na primeira década deste século, com a descoberta das imensas reservas do pré-sal e a sua exploração sob um novo marco regulatório – os Contratos de Partilha, o Fundo Social, a nova estatal PPSA, bem como, com a presença destacada da Petrobras na implementação desse novo modelo – o Brasil encontra os meios para construir o seu futuro. Qual seja uma grande Nação democrática, justa e soberana, bem como social, ambiental e economicamente desenvolvida. O território brasileiro, constituindo um espaço que acolha, abrigue e integre uma sociedade aberta e plural, diversificada e pacífica, sem desequilíbrios, exclusões e discriminações de quaisquer naturezas.

A Petrobras foi e sempre será um dos principais vetores no desenvolvimento do Brasil. O Clube de Engenharia participou efetivamente dessa História, apoiando em todas as circunstâncias o desenvolvimento brasileiro em benefício de seu povo. Assim tem acontecido ao longo de sua existência centenária, e assim continuará.

Novamente, neste momento ocorre uma campanha orquestrada contra a Petrobras, sintonizada em diversas questões e proveniente de inúmeras origens. E, tudo convergindo para o objetivo maior de tentar, mais uma vez, colocar o Brasil de joelhos, subordinado aos interesses dos grandes grupos empresariais e financeiros multinacionais. É óbvio que também buscam o enfraquecimento, a desmoralização e a desqualificação da Petrobras – uma síntese e um símbolo da soberania brasileira.

Assim sendo, o Clube de Engenharia decidiu aprovar e divulgar amplamente este Manifesto, buscando:

 

  • colocar-se mais uma vez ao lado da Petrobras, apresentando-lhe com ênfase a sua solidariedade e o seu apoio incondicional, para o enfrentamento de mais este desafio;
  • conclamar à mobilização todos os brasileiros – trabalhadores e empresários; os jovens e os mais velhos; o campo e as cidades; os profissionais liberais, os militares, os formadores de opinião; enfim toda a sociedade brasileira, organizada ou não, e independente de opções político/partidárias – para a defesa da Petrobras;
  • manter-se atento e vigilante, juntamente com todos os brasileiros, para que seja adequadamente empreendida a exploração das reservas brasileiras de petróleo e gás, especialmente do Pré-Sal, em beneficio do Brasil e de sua população.

Rio de Janeiro, 24 de março de 2014.

(Aprovado, por unanimidade, na 1469ª Sessão Ordinária do Conselho Diretor, realizada nesta data)

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Víboras no salão

Víboras no salão

Reproduzindo Artigo veiculado pelo Correio da Cidadania a partir de 24/03/14)

Paulo Metri – conselheiro do Clube de Engenharia e colunista do Correio da Cidadania

Sobre Pasadena, SBM Offshore, cláusulas “put option” e Marlin, e assuntos correlatos, muito tem sido dito e concluído, no sentido da manipulação da informação, para que só versões convenientes, verdadeiras ou fictícias, dos fatos sejam divulgadas. Sendo o predador um veículo da grande mídia, o interesse é repassar o que interessa ao capital, havendo pouco interesse social.

Adicione-se a isto que este ano é eleitoral e muito poder e riqueza futuros irão depender desta eleição. Junte-se, também, que estamos falando de petróleo, um recurso natural com imenso valor estratégico e incomensurável lucratividade. O resultado é este bombardeio de informações que deixa o cidadão comum perdido. Vejamos o que se consegue recuperar de alternativas mais prováveis do ocorrido.

Depois da posse do presidente Lula, em 2003, durante o esquartejamento da administração pública do país para entrega dos cargos a grupos políticos, que nossa cultura obriga, a Diretoria Internacional da Petrobras coube a Nestor Cerveró, que pertencia ao grupo do atual senador Delcídio Amaral, o qual foi, no governo FHC, o Diretor de Gás e Energia da Petrobrás.

Duas observações preliminares se fazem necessárias. Em países politicamente desenvolvidos, quando há alternância de partidos políticos no poder, são nomeados, em princípio, políticos para os cargos mais altos da administração e são reservados os cargos secundários para funcionários de carreira, não filiados a partidos. Algo como os nossos ministros e presidentes de estatais serem escolhidos do universo político e os chefes de órgãos da administração direta e os diretores de estatais serem funcionários de carreira.

A segunda observação preliminar é, na verdade, uma indagação. Como pode um cidadão servir a dois governos teoricamente antagônicos e, também, ser aceito por ambos? Ou o cidadão mudou de posição ou os governos não eram antagônicos. Então, Nestor Cerveró, que está sendo crucificado agora, sem querer inocentá-lo, era um simples testa-de-ferro de um grupo, que não consigo detectar ao certo todos seus componentes.

O planejamento interno da Petrobras recomendou, em 2005, a compra de 50% da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos, por US$ 190 milhões (outros US$ 170 milhões foram pagos para comprar a matéria prima existente na refinaria), apesar da Astra Oil ter comprado 100% da refinaria, sete meses antes, por US$ 42,5 milhões. O preço da transação foi avaliado como correto por consultoria externa, que argumentou que os preços no setor de petróleo estavam aquecidos. Além disso, pelas informações obtidas na mídia, a recomendação do planejamento fazia sentido, porque a Petrobras poderia ter acesso a uma refinaria já pronta, sem ter de esperar pelo período de construção de uma nova, conseguiria entrar no mercado norte-americano de derivados e poderia dar um destino para seu óleo pesado, se alguns investimentos adicionais fossem realizados.

Assim, quem acompanhasse a compra sabia, antes de o negócio ser fechado, que investimentos adicionais seriam necessários e o dono dos outros 50% da refinaria teria que concordar com estes novos investimentos.

Nesta situação, parece-me uma inocência fechar este contrato pela perspectiva de discussão futura. Podia-se ter trazido para dentro do contrato o compromisso da outra parte de realizar os investimentos adicionais futuros. Para piorar a fragilidade da posição assumida ao se assinar o contrato, existia a cláusula “put option” nele, que aumentava a atratividade, para o outro proprietário, de um embate jurídico futuro, alegando simplesmente não concordar em realizar o novo investimento.

Raciocínios permitiam antever tudo isto. Consta que o relator da proposta de compra de 50% da refinaria de Pasadena na reunião do Conselho de Administração da Petrobras, em 2006, foi Nestor Cerveró.

Pois bem, a presidente Dilma ter participado da aprovação desta compra, na condição de presidente do Conselho de Administração, não me parece errado. Em primeiro lugar, os membros do Conselho desta empresa têm que tomar, no mínimo, umas 200 decisões de maior porte por ano e é humanamente impossível ler a íntegra dos 200 processos. Por isso, existem os sumários executivos, que, no caso específico, foi preparado pelo relator já citado e tudo leva a crer que a compra não foi bem relatada.

No final do imbróglio da refinaria de Pasadena, ocorreu o esperado: a Astra Oil não concordou com os novos investimentos, alegou a cláusula “put option” para a Petrobras comprar a sua parte no negócio e ganhou na Justiça, fazendo a Petrobras desembolsar mais US$ 860 milhões pelos restantes 50%. Foi lamentável ouvir do ex-presidente da estatal, José Sergio Gabrielli, que US$ 1 bilhão não era grande quantia para a empresa. Não sei se, para ela, é desprezível, mas para qualquer trabalhador brasileiro é um valor que não se consegue nem imaginar. Espero que a Polícia Federal, o Ministério Público e o Tribunal de Contas da União mergulhem no passado e descubram os verdadeiros responsáveis. E, havendo dolo, que estes sejam exemplarmente punidos.

Entretanto, querer responsabilizar a presidente Dilma, por ela ter votado favoravelmente à compra de Pasadena no Conselho, é puro interesse eleitoral. Acho até que a presidente Dilma não precisava ter dado explicação alguma, como deu, pois bastava dizer: “votei com o relator, uma vez que concordei com seu sumário executivo”. Se o jogo é recriminar a presidente Dilma, acho melhor se dizer que o critério dela e de seu antecessor para escolha de auxiliares é falho.

Chega a ser hilário ver o presidenciável Aécio Neves dizer que quer reestatizar a Petrobras, sentado ao lado de Fernando Henrique, com quem ele sonha dividir a chapa para a eleição e que quis privatizar a Petrobras no seu governo (ver evento Petrobrax). Quanto ao Eduardo Campos, pergunto-me onde ele estava quando a presidente resolveu entregar 60% de Libra para empresas estrangeiras ou quando ela resolveu leiloar blocos para produção de gás de xisto na região do aquífero Guarani. Ele ainda não era candidato e, portanto, não precisava criticar?

Neste momento, as oposições querem criar a CPI da Petrobras no Congresso, para averiguar este caso, Paulo Roberto Costa, SBM Offshore e outros. Obviamente, o objetivo verdadeiro é ver “a presidente Dilma sangrar”, como se diz em política. A mídia do capital tudo fará para as candidaturas de Aécio Neves e Eduardo Campos levantarem voo.

As empresas petrolíferas internacionais devem estar eufóricas, pois querem abocanhar a Petrobras e já aparecem artigos dizendo que “a solução é privatizar a empresa, uma vez que, assim, vai acabar a roubalheira”. Este ponto merece uma análise.

O superlucro advindo do petróleo, quando a concessão é entregue a empresas estrangeiras, vai totalmente para o exterior e este fato não é caracterizado como um roubo, por estar dentro da lei, mas representa uma enorme perda para a sociedade, pois deixa de ativar nossa economia. Não vou me ater à perda da possibilidade de comercializar este petróleo ao adotar a “opção privada” e, assim, deixar de usufruir da importância geopolítica dele.

Além do mais, é preciso acabar com esta irrealidade que, no setor privado, não há corrupção. Primeiramente, todos os corruptores de designados para os cargos públicos e de servidores são integrantes do setor privado. Depois, lembrem-se do exemplo bem didático que, quando explodiu a bolha do mercado imobiliário, em 2008, nos Estados Unidos, muitos bancos pediram concordata, mas seus CEOs continuaram muito ricos. Ou seja, eles roubavam os bancos que os empregavam.

Tudo isto está em jogo neste momento. Gostaria de saber o que pensam os políticos Randolfe Rodrigues, Mauro Iasi e José Maria de Almeida, que também são candidatos a presidente, ou algum outro que esqueci. Porque a presidente Dilma, apesar de a sua preocupação social ser perfeita, infelizmente fez uma opção preferencial pelo mercado que não me agrada. Fugindo à norma rígida da escrita de artigos, aproveito este para mandar um recado para a presidente: “a senhora ouviu tanto o mercado e, agora, este ingrato está mandando a mídia dele insuflar as candidaturas Aécio e Campos!”

Blog do autor: http://paulometri.blogspot.com.br/

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Rússia propõe ao Brasil fabricação conjunta de caças de quinta geração

Reproduzido do Diário do Centro do Mundo:

PAK FA T 50Rússia propõe ao Brasil fabricação conjunta de caças de quinta geração

A Rússia está propondo ao Brasil o desenvolvimento e fabricação conjunta de caças multifuncionais de quinta geração do tipo T-50, informou à agência RIA Novosti, nesta segunda-feira, o diretor do Serviço Federal para a Cooperação Técnico-Militar da Rússia, Aleksandr Fomin.

“Infelizmente, não participamos da licitação para o fornecimento de 36 caças ao Brasil. No entanto, a nossa proposta de desenvolver e produzir em conjunto com o país um caça multifuncional com base no T-50 continua de pé”, disse Fomin na véspera da abertura da Feira Internacional Aérea e Espacial de Santiago, no Chile.

Segundo ele, a Rússia está pronta para discutir a possibilidade de criação de uma joint venture em suas negociações com o Brasil.

O Brasil já escolheu o vencedor da licitação para a aquisição de 36 caças pesados ​​para a Força Aérea Brasileira, no valor de US$ 4 bilhões. Na lista final estavam três aeronaves: o Rafale, da Dassault Aviation, o F/A-18E/F Super Hornet, da Boeing, e o JAS-39 Gripen NG, da Saab. O russo Sukhoi Su-35 não ficou entre os finalistas.

A licitação foi vencida pelo sueco JAS- 39 Gripen NG.

Saiba Mais: Gazeta Russa

 

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A PARTICIPAÇÃO DA ESQUADRA BRASILEIRA NA DEFESA TERRITORIAL DO BRASIL.

Enviado por Fernando Paes Arruda

A PARTICIPAÇÃO DA ESQUADRA BRASILEIRA NA DEFESA TERRITORIAL DO BRASIL.
Escrito por Otávio Arruda Porto

Corvetas Camocin C 3 & Camaquã C 6_1939Este artigo tem a finalidade de apresentar uma breve análise da esfera histórica e social oriunda do papel da Esquadra do Brasil na Segunda Guerra Mundial, de como se procedeu a sua formação e a atuação, superando suas dificuldades materiais, técnicas e pessoais. A fonte de informação documental histórica permite que o arqueólogo trabalhe parcialmente como historiador, já que o arqueólogo, que trabalha com o período histórico, deve compreender como achar e interpretar os documentos escritos, semelhantemente, como os historiadores o fazem, porém a particularidade da arqueologia é que esses documentos auxiliam os arqueólogos a interpretarem as culturas materiais que são encontradas. Este artigo possui a finalidade através de um estudo arqueológico interpretativo não-intrusivo e etnográfico compreender o contexto dos homens que serviam o país na Esquadra do Brasil na Segunda Guerra Mundial.

A Arqueologia Marítima busca estudar a cultura material produzida por grupos sociais que se relacionam com atividades ligadas ao mar, podendo ser oriundos de qualquer sociedade, em qualquer período, desde os primeiros hominídeos até os dias de hoje. Não deve existir uma limitação temporal no estudo da cultura material para ser considerada fonte de conhecimento arqueológico. Sobre esses indivíduos, as características atribuídas ao mar de violento, traiçoeiro, astucioso são impostas a eles também, e obviamente que em tempo de guerra os homens do mar são tidos como heróis da pátria, devido a essas características.

No âmbito deste artigo, a Arqueologia Marítima, na qual estuda o contexto das relações sociais oriundas do mar como o local do seu contexto, visualiza além das relações sociais altamente hierarquizadas, sobretudo na esfera militar, como também com relação a cultura material, na qual as embarcações sendo principal fonte de estudo da Arqueologia Náutica em suas característica arquitetônicas navais características da época, como também com relação ao armamento empregado, algumas táticas e técnicas utilizadas principalmente para se realizarem as operações de guerra anti-submarina, como também adaptações e modernizações que foram necessárias ser feitas objetivando cumprir a missão para a qual foram designadas.

A guerra anti-submarina só pôde ser realizada a partir de um reaparelhamento que se deu somente após os torpedeamentos em agosto de 1942 no estado de Sergipe, aliado com o apoio dos Estados Unidos da América, que sendo o maior parceiro comercial do país, a frutos de interesses particulares, com a defesa da costa Atlântica das Américas foi forçado a ceder recursos para o Brasil a fim de oferecer obstáculos para uma possível invasão de forças Eixistas no continente.

O papel da Esquadra brasileira no maior conflito mundial da história engrandece a atuação dos bravos soldados e marinheiros brasileiros, que apesar de todas as dificuldades já mencionadas em pessoal, material, recursos sendo de ordem financeira, como de capacitação técnica-funcional. Tais aspectos veementes glorificados, que exaltam a grandiosidade do feito, após 1942, com a criação das primeiras forças-tarefas (taskforces) em missões primeiramente conjuntas com a esquadra estadunidense e brasileira em nossa costa, evoluíram para uma atuação principal dos navios brasileiros na escolta das linhas de navegação que faziam a cabotagem a partir de 1943.

Para a construção desse tema não foi possível estabelecer apenas uma linha de corrente filosófico-teórica, tida como correta, no estudo arqueológico histórico contemporâneo presente neste trabalho, porém vimos como atinente uma contextualização da formação da Esquadra da Marinha do Brasil através da caracterização de seus navios, com relação ao tipo, armamento empregado, forças-tarefas que estes faziam parte, tais como os seus empregos além também da contextualização de algumas fainas e certos aspectos sociais presentes nesses micro-organismos sociais. Ao rotularmos sob preceitos de autores histórico-culturais, processuais, pós-processuais, ou de qualquer outra corrente, é visto muitas vezes de forma negativa, porque qualquer limitação de estudo fundamentado nos preceitos de uma única corrente teórica, torna este limitado à simples negação de outra corrente, desconsiderando propostas que vão além da ação anterior, indicando uma relação de dependência em relação à mesma. Para um correto entendimento a respeito da temática abordada iremos contextualizar o período que o Brasil entrou em estado beligerante, a rotina dos “guerreiros do mar”, além de características de algumas embarcações que foram utilizadas na defesa territorial do Brasil.

O Brasil em estado de guerra

O estado beligerante do país se deu em 22 de agosto de 1942, após os torpedeamentos de mercantes no estado de Sergipe, porém desde julho do corrente ano, o Estado Maior da Armada havia determinado que se observassem as instruções que orientavam as atividades de cada Capitania de Porto ou delegacia, em benefício da segurança nacional, estendendo-se também ao serviço de carga e descarga dos navios mercantes nos portos, trabalhando em conjunto com o Ministério da Viação e Obras Públicas e a Comissão de Marinha Mercante. Também havia a preocupação com relação as luzes das praias e edifícios públicos próximos aos portos em regiões que pudessem denunciar a silhueta dos navios dos navios que estavam no mar. Para defender seu território de dimensões continentais, contra os submarinos eixistas que navegavam nos mares na época, e contra os submarinistas veteranos, a Marinha dispunha de algumas “corvetas” improvisadas, navios-mineiros varredores foram reclassificados como tal, retirando os trilhos para lançamento de minas e instalando sonar e equipamentos para ataques anti-submarino (dois morteiros K e duas calhas para lançamento de bombas de profundidade de 300 libras); dois velhos encouraçados, porém já modernizados e prontos, o Minas Gerais e o São Paulo; dois velhos cruzadores, o Bahia e o Rio Grande do Sul; e destróieres obsoletos. Foi com essa esquadra que a Marinha começou a patrulhar o mar do país.

Com país em Estado de Guerra, foram necessárias várias medidas administrativas, de treinamento, de aquisição e modificações materiais na força naval brasileira. Primeiramente foram instalados os Comandos Navais, que eram responsáveis por delimitações entre vários estados brasileiros, com a finalidade de prover uma defesa mais eficaz das nossas fronteiras marítimas. Eram responsáveis por orientar e controlar as operações em águas, e missões terrestres com caráter naval, mobilizando elementos para o apoio logístico e para a defesa local além de seguir ordens e diretrizes que eram impostas pelo Estado Maior da Armada. Os comandos instalados foram os seguintes: Comando Naval do Norte; Comando Naval do Nordeste; Comando Naval do Leste; Comando Naval do Centro; Comando Naval do Sul; Comando Naval de Mato Grosso.

Os sistemas de comboios

Felizmente o Brasil tinha como aliado a maior potência industrial do planeta, que só precisava de tempo para produzir uma quantidade monumental de armamento. Os navios americanos que já tinham “invadido” o Nordeste também entraram rápido na proteção ao tráfego marítimo ao longo do litoral do país, o que amenizou a falta de preparo da Marinha do Brasil. A primeira providência era criar um sistema de comboios, isto é, um grupo de mercantes com escolta de vasos de guerra em torno. Os mercantes tinham um comandante próprio, o Comodoro, que os representava junto ao comando da escolta e dava ordens a eles.

Em 24 de agosto de 1942, ao se passarem dois dias após a declaração do estado de beligerância com as potências do Eixo, foi criado pela Marinha do Brasil o Grupo Patrulha do Sul.IX Em setembro de 1942 foram iniciados comboios entre o Rio e Recife; no mês seguinte eles foram estendidos até Trinidad, ilha do Caribe, ao largo da Venezuela. Não era um bom momento para navegar perto dessa ilhota, uma colônia britânica que passou a ter base naval americana. De setembro a novembro, os alemães afundaram 375.000 toneladas de navios mercantes na região de Trinidad e do delta do rio Orinoco. Nesta época as escoltas em Trinidad eram basicamente americanas. A princípio, a fraca Marinha brasileira não tinha como escoltar os comboios em seu próprio litoral sozinha. Do Rio a Recife, área menos perigosa por ser mais longe dos portos dos submarinos alemães, as escoltas eram na maioria brasileiras. De Recife ou Salvador a Trinidad as escoltas eram mistas, americano-brasileiras.

Os comboios eram conhecidos por letras e algarismos. A primeira letra indicava o porto de saída e a segunda o porto de chegada; o número indicava a seqüência dos comboios. Assim, o primeiro comboio regular que partiu de Trinidad para Salvador, Bahia, foi o TB-1, em 3 de janeiro de 1943. Pouco depois saía o primeiro na direção contrária, o BT-1, em 9 de janeiro. Antes, os comboios eram genericamente chamados de TS – “T” significando Trinidad e “S” querendo dizer “sul”. O Rio de Janeiro era conhecido pela letra “J”; quando os comboios de Trinidad foram estendidos ao Rio, passaram a ser os TJ e JT. Em dezembro de 1942 a 4ª Esquadra dos EUA, baseada no Nordeste brasileiro e comandada pelo almirante Jonas Howard Ingram, passou a controlar os comboios ao sul de Trinidad. A Força Naval do Nordeste, comandada a princípio pelo almirante Alfredo Carlos Soares Dutra, era um dos elementos: uma “força-tarefa” (taskforce) da 4ª Esquadra.

As corvetas improvisadas não bastavam para cumprir a parte brasileira desse esforço de comboiar mercantes, por isso a Marinha pediu navios aos americanos. O próprio presidente Vargas chegou a fazer os pedidos, e o sempre diplomata almirante Ingram intercedia para que seu país cedesse alguns navios. Os próprios americanos estavam em dificuldades no começo, antes de sua indústria entrar em plena operação. Um estudo conjunto anglo-americano de março de 1942 concluiu que para escoltar os mercantes adequadamente seriam necessários 1.215 navios de escolta de ambas Marinhas; mas na época elas só tinham 505 disponíveis. Faltavam 720.

Os caçadores de submarinos

Uma das soluções imediatas para tentar frear as ondas de ataques dos submarinos alemães aos mercantes foi construir em massa pequenos barcos de escolta com casco de madeira, que serviriam para fazer a escolta em águas costeiras e liberariam os navios maiores para operações transatlânticas. Esses pequenos caça-submarinos foram “gentilmente” apelidados pelos marinheiros de “cacinhas” ou “caça-pau”. O casco de madeira permitiria a construção em estaleiros pequenos espalhados pelo país e deixaria o aço para navios maiores. O mesmo expediente foi utilizado na Primeira Guerra. De agosto de 1917 a agosto de 1919 os EUA construíram 440 caça-submarinos (submarine chasers) de 110 pés (36 metros) de comprimento. Eram navios descartáveis; a maioria já tinha dado baixa da Marinha americana em 1921. Só dois permaneceram ativos até o final da Segunda Guerra. No segundo round do conflito com os submarinos os EUA voltaram a produzir os pequenos caça-submarinos de 110 pés, conhecidos como a classe SC 497 (número do primeiro a ser encomendado do novo modelo). O total construído foi igualmente impressionante: 435, em 43 estaleiros diferentes. O lema do programa era ambicioso: 60 navios em 60 dias. Na verdade, em abril e maio de 42 foram construídos 67 desses barcos de apenas 121 toneladas de deslocamento (136 toneladas com carga plena). A maioria ficou na Marinha dos EUA, mas 78 foram transferidos aos aliados soviéticos e outros 48 foram para os franceses. O Brasil recebeu 8, antes dos russos e franceses. Esses barcos receberam nomes começados por “J”, alguns dos quais deveriam ter sido dos destróieres que a Grã-Bretanha confiscou em 1939. O Javari foi o primeiro a ser entregue, em 7 de dezembro de 1942. No mesmo mês, no dia 30, vieram o Jutaí, o Juruá e o Juruena. O Jaguarão e o Jaguaribe foram transferidos em 16 de fevereiro de 1943, o Jacuí em 19 de março e o Jundiaí em 26 de abril.

O almirante Arthur Oscar Saldanha da Gama fez uma boa descrição do que era a vida a bordo destes caça-submarinos:

A falta de comodidade era realmente incrível, nesses pequenos navios, de boa estabilidade, mas que jogavam muito e eram cobertos pelas vagas, a ponto de o pessoal dormir amarrado ao beliche. O problema principal estava na alimentação, feita geralmente de comidas enlatadas, pois a cozinha era pequeníssima e quente, situada na popa, cobertas abaixo. A água era limitada, na quantidade de 1 galão (menos de 5 litros) para cada homem, por dia, isto é, para a cozinha e lavagem de louças etc., nada restando para o banho. Nos cruzeiros maiores, Trinidad-Belém ou Recife-Belém, as condições de vida eram realmente péssimas. O pessoal geralmente usava calções e camisetas, com sapatos grosseiros e um cinto onde havia uma faca (para emergências) e pertences pessoais. Os oficiais tinham um pequeno camarote com 4 beliches, uma privada e comiam no pequeno alojamento do pessoal, ou de volante no passadiço, ficando todos com um aspecto físico irreconhecível.

A descrição das ondas varrendo o barco não é mera retórica. Os caça-submarinos são projetados apenas para patrulhas costeiras, apesar de terem sido usados em longas escoltas de comboios. À medida que os EUA construíam mais navios, a Marinha americana procurava usar os caça-submarinos basicamente para patrulha próxima dos portos. Os brasileiros não puderam se dar esse luxo. Embora não se afastassem muito da costa, as viagens eram longas dadas as dimensões do litoral do país. Apesar das condições, os jovens oficiais ambicionavam esse tipo de comando.

Esses navios, por terem casco de madeira, ficaram conhecidos como “caça-paus” ou “cacinhas” na Marinha brasileira. Seu armamento era apenas adequado para atacar um submarino submerso. Havia as onipresentes cargas de profundidade na popa, que eram simplesmente bombas deixadas rolar e afundar. Explodindo em profundidades pré-fixadas, poderiam danificar seriamente um submarino ou afundá-lo mesmo que não o acertassem diretamente, tal a onda de choque provocada pela explosão. O caça também tinha um dispositivo para atirar as cargas a alguma distância dos bordos do navio, o morteiro “K”, e estativas de foguetes anti-submarinos na proa, chamadas de mousetraps (“ratoeiras”). Esses foguetes explodiam apenas em contato com o submarino, o que tinha a vantagem de não revolver a água e atrapalhar a operação do sonar como qualquer lançamento de bombas de profundidade acarretava. Como alcançavam 15 nós de velocidade, os caça-paus brasileiros tinham velocidade parecida com a dos submarinos na superfície. Só tinham vantagem, portanto, quando eles submergiam, pois um submarino submerso mal chegava nos 8 nós. Na superfície o armamento do caça-submarino de 110 pés era parecido, senão inferior, ao de um submarino alemão, geralmente tinham um canhão de calibre médio, de 88 mm ou 105 mm, mais poderoso que os 76 mm das escoltas. Também tinham canhões antiaéreos menores, de calibres 20 mm ou 37 mm.

Havia também mais um canhão de duplo emprego – contra navios e contra aviões – de calibre 76 mm/23 (isto é, o diâmetro do cano era de 76 milímetros e seu comprimento era 23 vezes 76 mm). Era uma arma velha, com alcance máximo de 9.200 metros; contra aviões era ainda mais limitada, pois atirava no máximo com 65 graus de elevação até 5.250 metros de altitude. Mais tarde esse canhão foi substituído nos caça-submarinos americanos por um mais moderno, de cano mais longo, o 76 mm/50, com alcance de 13.350 metros contra navios, 9.800 contra aviões a uma elevação de 85 graus.

Os submarinos alemães geralmente tinham um canhão de calibre médio, de 88 mm ou 105 mm, mais poderoso que os 76 mm das escoltas. Também tinham canhões antiaéreos menores, de calibres 20 mm ou 37 mm.XVIII A princípio a Marinha americana colocou duas metralhadoras pesadas como armamento secundário nos caça-submarinos, mas depois as trocou por dois canhões de tiro rápido Oerlikon de calibre 20mm a meia nau, na proa um canhão de 76mm/23 calibres e na popa dois morteiros K e e duas calhas para lançamentos de bombas de profundidade de 300 libras. O armamento era insuficiente para combater em superfície, quando o submarino estava submerso podia ser considerado razoável o seu poder combativo. O caça-submarino de 100 pés era uma classe emergencial.

Uma das mais interessantes características da classe J era a sua reduzida tripulação: 24 pessoas, dos quais apenas 3 eram oficiais, por isso todos ali se tratavam como grandes amigos. Nesta embarcação pequena, todos sofriam as mesmas intempéries, as mesmas vicissitudes, tudo. Todos prontos a morrer. Todos deviam estar preparados para a ordem de abalroar o submarino, se viesse à superfície, estando lá embaixo, era mais fácil, bastava lançar as bombas, deixando de lado a tática de abalroar o submarino, tentada com êxito por navios maiores, mas não sem sofrer danos. O fato de todos arriscarem a vida contribuía para aproximar oficiais de marinheiros, como aconteceria com a FEB posteriormente em 1944. A disciplina nessas condições tende a deixar de ser formal, o eterno prestar continência, para ser baseada em um respeito mútuo, sendo dispensada a “caxiagem”, que é o cumprimento à riscas de regras e regulamentos disciplinares sobre procedimentos de trato com superiores hierárquicos, que só atrapalham as fainas operacionais a bordo. As relações sociais desse tipo de embarcação, devido ao seu número reduzido de pessoas, aliados com o estado beligerante, faz com que um sentimento de camaradagem aflore a bordo das embarcações, minimizando ou levando a escala “zero” as divisões de classes hierárquicas presentes nas embarcações, sobretudo nas militares, contrariando efetivamente os pressupostos socais de divisões de classes presentes nesses micro cosmos sociais, como explica Gilson Rambelli: “Quanto à vida dos homens do mar, os responsáveis por esse transporte, vale lembrar, que era bastante dura, sem privilégios (…) as desigualdades sociais da época se reproduziam ainda com mais força”.

Antes mesmo de chegarem os pequenos caça-paus, a Marinha teve acesso a dois outros frutos da produção em massa americana. Já a 24 de setembro de 1942 a Marinha recebia dois caça-submarinos de modelo maior, de 173 pés (56,7 metros), de casco de metal (apelidados de “caça-ferros”). Foram batizados Guaporé e Gurupi. Depois dos dois classe G iniciais, o Brasil ainda recebeu seis outros do mesmo tipo – Guaíba e Gurupá (11 de junho de 43), Guajará (19 de outubro), Goiana (29 de outubro), Grajaú (15 de novembro) e Graúna (30 de novembro).

Eram navios maiores e mais confortáveis, com suas 414 toneladas (463 toneladas carregados). A tripulação também era maior, 60 homens, o que permitia maior revezamento nas tarefas. A velocidade não era alta – só 19 nós -, mas o navio tinha radar, além do sonar, e o armamento era maior que o dos caça-paus, incluindo um canhão de calibre 40 mm, além do 76 mm/50 e dos dois de 20 mm. O principal, porém, era a habitabilidade. Chamado de PC (patrol craft, ou “embarcação de patrulha”) nos EUA, o caça-submarino de 173 pés era um navio a bordo do qual o banho não era um luxo desmesurado. Os navios desta classe já possuíam sistema destilatório de água, onde se podia tomar banho quase que diariamente.

Assim que recebiam sua tripulação brasileira e faziam um período de testes e exercícios – o cruzeiro de “shakedown” -, os caça-submarinos já iniciavam operações. Aqueles que foram recebidos nos EUA voltavam ao Brasil acompanhando comboios pelo Caribe. Foi o caso do Jacuí, que ao passar pelo canal das Bahamas em junho de 43 acompanhado do Juruena e do Jundiaí informou ter obtido um contato de sonar, lançou algumas bombas de profundidade, mas não pôde permanecer caçando o possível submarino.

A função principal do navio de escolta é proteger o comboio. Se ele sai de seu posto em torno dos mercantes, cria um buraco na escolta por onde um submarino poderá penetrar. Assim que houve escoltas adicionais disponíveis, os aliados criaram grupos especializados em caça e destruição (hunter-killers, “caçadores-matadores”) para apoiar comboios atacados. Enquanto o resto da escolta segue viagem, os matadores podem ficar atrás, de forma lenta e pacientemente rastreando o inimigo submerso. Uma das frustrações dos brasileiros foi não ter tido navios suficientes para criar este tipo de grupo especializado. Quando finalmente houve condições de criá-los, a guerra estava no fim e os submarinos eram raros. Isso significou que nenhum caça-submarino brasileiro afundou um submarino inimigo, apesar de terem registrado vários contatos de sonar (uma proporção dos quais era verdadeira, pelo que se sabe da presença de submarinos na região; outros tantos foram alarmes falsos, provocados por diversos motivos, como diferenças de temperatura no mar, relevo submarino elevado, do tipo “alto fundo”, cardumes de peixes etc.). O almirante Hélio Leôncio Martins nos narra o sentimento de terror que pairava, até mesmo entre os militares, sobre a guerra submarina no nosso país:

[...] a sensação que nos dominava nesta primeira saída bélica era que o mar estava coalhado de inimigos. Víamo-los em cada vaga que crescia, em cada sombra que nos parecia diferente. Vigias, guarnições, canhões, oficiais do passadiço, todos mantinham-se em um estado de alerta e de tensão que seria considerado ridículo pelos veteranos que tornaríamos mais tarde [...] Nossas corvetas operando no Nordeste, no inicio da guerra não perdoavam uns bambus verticais que os pescadores colocavam nos arredores da entrada de Salvador para indicar posição dos covos, dando de fato a impressão de serem periscópios. Sempre que avistados eram vítimas de violentos bombardeios, para grande desgosto dos proprietário dos covos, que no dia seguinte, os achavam destruídos [...] fruto da inexperiência e do zelo de “cristãos novos”.

Segundo o historiador oficial naval da Marinha dos EUA, Samuel Eliot Morison, apenas um submarino do Eixo foi seguramente afundado por um caça-submarino, tipo de navio que Morison considerava virtualmente inútil para escolta oceânica. De qualquer modo, afundar o inimigo era apenas parte da tarefa. Afugentá-lo, impedindo que ataque os navios escoltados, era a razão de ser da escolta, e isso os brasileiros fizeram várias vezes. Na Segunda Guerra, os aviões suplantaram os navios de superfície como matadores de submarinos, participando de todos os do afundamento de todos os dez submarinos alemães e um italiano, afundados perto da costa brasileira.

Apesar de não terem destruído sequer um submarino das forças do Eixo, o objetivo foi brilhantemente cumprido pela nossa Marinha, mesmo sem embates propriamente ditos, a ostensividade dos navios patrulhas foi fator crucial na defesa do Brasil e na modernização da esquadra brasileira.

Conclusão

Através dos parâmetros apresentados neste artigo foi possível expormos a atuação da Esquadra da Marinha do Brasil na Segunda Guerra Mundial. Através de fontes de informação da Arqueologia Histórica, foi possível contextualizarmos este período conturbado e crucial da defesa territorial do nosso país e do desenvolvimento da nossa Esquadra, como também ficou evidenciado o cotidiano dos militares que serviam em embarcações que não ofereciam condições ideais de trabalho. Através da Arqueologia Náutica, Marítima podemos contextualizar o entorno doas micro cosmos sociais e as divisões sociais a quais essas embarcações são delimitadas, devido ao baixo número de indivíduos presentes nesses grupos sociais (embarcações). A arqueologia Náutica, em sua subcategoria de Arqueologia da Arquitetura Naval, que estuda a parte física das embarcações, instrumentos, tecnologias de bordo como também técnicas e procedimentos de marinharia, nos fornece meio de compreendermos a difícil rotina que os marinheiros em tempo de guerra possuíam, além de nos permitir realizar analogias entre as embarcações da época citada, com as embarcações militares de hoje em dia da mesma forma foram que a Arqueologia da Arquitetura.

No campo social, através da Arqueologia da Arquitetura Naval, ou Arqueologia Náutica, podemos ter a noção da estratificação social através de uma interpretação da parte física embarcações, com relação aos espaços sociais como elementos contrastantes, diferenciados para sustentar essa relação de poder a bordo. Por meio desses estudos não intrusivos podemos observar atualmente em algumas embarcações que ainda estão em uso, a exemplo da Corveta Cabloco, atualmente designado como navio-varredor, ainda em uso na Esquadra Brasileira, lotada na Força de Minagem e Varredura da Base Naval de Aratu, na cidade de Salvador. Esta participara da Segunda Guerra Mundial como caçador de submarino tipo “caça-ferro e claramente podemos observar, nessas embarcações maiores que os “caça-paus” a estratificação social presente a bordo através das divisões dos espaços. O Comandante possui seu alojamento próprio individual, os oficiais já possuem quartos em dupla, ou camarotes, enquanto os marinheiros, que se encontram na base da pirâmide dormem em grandes alojamentos coletivos, chamados de cobertas, sem conforto algum. A divisão social por parte da arquitetura naval das embarcações nos mostra também como se dão as relações de poder a bordo.

Um navio é compreendido como uma comunidade restrita, fechada, onde há uma profunda hierarquia, estratificada socialmente, tanto por parte da tripulação quanto pelos passageiros que nelas embarcam. Essa hierarquia, quando falamos da tripulação pode ser dividida basicamente em três níveis, inspirados em uma organização de esfera militar. O Comandante, os oficiais e os marinheiros. Muckelroy analisa essa estratificação e resume basicamente suas funções. Sobre o Comandante, ele cita que um homem tem total autoridade e responsabilidade sobre os demais, os oficiais são estratificados socialmente por patentes, porém têm a função de dar ordens e manter a disciplina nos navios seguindo as diretrizes do comando. Os marinheiros, a grande maioria da tripulação, são a base dessa pirâmide, eram quem faziam realmente todas as fainas do navio e só deveriam obedecer à ordens. Diegues os classifica como “proletários do mar”   constituindo assim um mercado de trabalho super-explorado e instável.

Através de nossas pesquisas ficou claro que sem ajuda externa, principalmente da maior potência do mundo na época, os Estados Unidos, e da atuação heróica dos marinheiros brasileiros, não seria possível a defesa territorial do nosso país, fato que foi ocasionado principalmente devido ao fator hemisferial da continentalidade do nosso país, alinhado com o continente norte-americano. O Brasil tinha que ter uma defesa forte do seu território, principalmente das suas águas costeiras, que evitariam atuação de forças Eixistas no nosso país, no nosso continente e até mesmo que pudessem se alojar no nosso país ou continente sul-americano a fim de desferir ataques aos Estados Unidos, baseados no nosso país. Somente com uma Marinha de Guerra forte era que esse fato poderia ser evitado, e foi de fato.

 

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Cortes Orçamentários Criam Pânico na Base Industrial de Defesa

Enviado por Ruy Castro de Farias

DEFESA- Cortes Orçamentários Criam Pânico na Base Industrial de Defesa (Matéria escrita pelo jornalista Júlio Ottoboni)

A - 1M

O anúncio do corte entre R$ 3,5 a 4,5 bilhões no orçamento dos projetos ligados ao setor de defesa e a possível extinção do PAC do setor pelo governo federal criou uma onda de pânico no polo aeroespacial de São José dos Campos. A informação dada na última semana com o plano de economizar cerca de R$ 44 bilhões dos cofres públicos e atingindo em cheio o Ministério da Defesa, que sequer sabe quais serão os projetos e programas a serem afetados.

A indefinição associada ao anúncio brusco ampliou a maré de incertezas no empresariado. Os boatos que isso aconteceria já rondavam as empresas, entretanto eram constantemente desmentidos por integrantes do Governo Federal. A grande maioria dos contratos firmados pelo polo aeroespacial de São José, SP, é com o governo federal ou tem o aval direto dele, como empréstimos e ações de financiamento de compra e venda.

A falta de transparência no processo gerou inúmeras versões e possibilidades, que passam agora a constar nas análises futuras deste segmento. O orçamento da pasta da Defesa foi sumariamente cortado de R$ 14,7 bilhões para algo próximo a casa dos R$ 10 bilhões. O valor se manteve neste patamar – ainda considerado alto para muitos – pelos gastos previstos com a Copa do Mundo, evento esse sob constantes ameaças e possibilidades reais de intervenção das armadas numa provável avalanche de protestos nas ruas do país.

Diante do quadro, os dirigentes das empresas optaram novamente pelo silêncio ou por reclamar apenas entre os pares. Nada público ou que possa desagradar o governo de Dilma Rousseff, principalmente em ano de eleição, mesmo sob as inconstâncias em manter uma política sólida para o setor de defesa. Até mesmo o início da transferência de tecnologia doss caças do programa F-X2 está sob suspense.

Ainda se aguarda algum tipo de pronunciamento do Ministério da Defesa, que estuda quando e como fará os cortes. Dos projetos prioritários, de acordo com o próprio governo federal, três dos maiores envolvem companhias do polo do Vale do Paraíba.

O primeiro deles é o SISFRON (Sistema Integrado de Monitoramento de Fronteiras), sob custódia do Consórcio TERPRO que é formado por um consórcio de empresas lideradas pela EMBRAER Defesa e Segurança. Sua parcela dentro do orçamento lhe remete a soma de R$ 213 milhões para esse ano, de um total de R$ 850 milhões.

Sem isso, o monitoramento da fronteira do Mato Grosso do Sul com áreas problemáticas do Paraguai e Bolívia serão prejudicados. Já o cargueiro Embraer, o KC-390, que será destinado a Força Aérea Brasileira, teria um aporte de R$ 960 milhões. O que também tornou-se uma grande incógnita.

Para a desesperada AVIBRAS, que tem enfrentado uma interminável crise nas últimas décadas, seriam liberados cerca de R$ 90 milhões de um total de R$ 1,2 bilhão para o programa Astros 2020, destinado ao Exército Brasileiro e com boas perspectivas de recolocar a empresa novamente no cenário mundial como exportadora de armamentos convencionais. Também incluído o Míssil Tático TM-300, fundamental para o futuro da empresa.

Ainda para aumentar a ansiedade da Embraer, na previsão orçamentária do ministério se encontra R$320 milhões para a modernização de aviões, como os que servem o SIVAM, e sistemas embarcados para modernizar aparelhos que estão em uso pela FAB.

O Programa de Modernização do caça A-1 (AMX) foi interrompido pela EMBRAER Defesa e Segurança (EDS), já no ano de 2013, pelo descompasso no fluxo de recursos. É prevista a modernização de 43 aeronaves (33 monopostos e 10 bipostos).

Porém, a situação já vinha deteriorando-se desde 2012. O repasse e empenho de recursos para muitos programas sofre contínuo atraso. O caso do A-1 com a radical medida tomada pela EDS não é único no âmbito dos projetos militares.

O escritório da Comissão Coordenadora do Programa Aeronave de Combate, mais conhecido pela sua sigla COPAC, manteve TODAS as suas equipes de contrato em prontidão até o dia 31 de Dezembro, na esperança de que as verbas contingenciadas, durante 2013, fossem liberadas pela área econômica do Governo. Um processo usual ao longo de muitos anos com a liberação dos recursos ao apagar das luzes do ano.

Há o sentimento de que o Governo Federal ficou ressabiado com a eficiência no empenho dos recursos pelos escritórios de projetos militares, tanto da COPAC, como do Exército e da Marinha. A liberação que era para ser de mentirinha para a maioria dos Ministérios, pela inércia burocrática em realizar os empenhos, para os militares é realidade concreta.

A maior penalização está imposta às empresa que investiram em estrutura industrial e aumentaram sua base de assalariados: em especial: a EDS, HELIBRAS e o Consórcio do PROSUB.

Como o governo menciona cortes de 7 Bilhões de reais no PAC, não sabe-se qual o impacto sobre os programas ali constantes, tais como : KC-390, ASTROS 2020, PROSUB, H-XBR e o blindado Guarani.

Contatados por DefesaNet três dirigentes das empresas com programas no PAC, estavam à cata de informações concretas e enfrentavam uma mudez tanto pelo Ministério da Defesa como da Área Econômica.

A ABIMDE, entidade que engloba as empresas do setor de Defesa e Segurança não emitiu pronunciamento. O COMDEFESA da FIESP procurava mais detalhes para posicionar-se.

 

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“Brasil é o Eldorado para os problemas de desemprego no mundo”

ENTREVISTA: CARLOS FERREIRA*

“Brasil é o Eldorado para os problemas de desemprego no mundo”

*Membro do Conselho Diretor e Conselho do Clube de Engenharia

Pátria BrasilNo dia 16 de janeiro, o ministro da Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República, Marcelo Neri, defendeu publicamente a vinda de engenheiros estrangeiros ao Brasil. Segundo Neri, o objetivo é solucionar uma suposta falta de mão de obra qualificada. No dia 21 de janeiro, o jornalista Mauro Santayana publicou no site do Jornal do Brasil o texto “Estratégia e Imigração no Brasil”, sobre as mudanças na política de imigração em nosso país.

No artigo, destaca o projeto para a importação de trabalhadores qualificados em setores estratégicos feito por países como Estados Unidos, Rússia, China, Austrália e Japão, frisando a importância de uma política parecida no Brasil. Santayana relata, também, que o embaixador da Espanha no Brasil, Manuel de La Camara, declarou à Agência EFE que os engenheiros espanhóis que já estão trabalhando no país “prestam um duplo serviço. Oferecem mão de obra qualificada, graças ao investimento em educação do Estado espanhol, e, além disso, formam os engenheiros brasileiros”.

Diante desta declaração, o Clube de Engenharia saiu em defesa dos profissionais brasileiros. O fato foi debatido durante a sessão do Conselho Diretor do dia 27 de janeiro e, por resolução aprovada em plenário, a entidade enviou carta ao ministro manifestando sua profunda indignação diante dos inaceitáveis argumentos em defesa da possível contratação dos engenheiros estrangeiros. Sobre o assunto, o Jornal do Clube de Engenharia (Edição nº 539 de fevereiro/2014) entrevista o conselheiro Carlos Ferreira, que faz breve análise dos fatos e dos evidentes sinais de descaso ao processo de afirmação de uma indústria nacional.

Jornal Clube de Engenharia – A declaração do embaixador espanhol causou grande indignação aos engenheiros brasileiros. Qual pode ter sido a intenção do diplomata ao desmerecer os profissionais brasileiros?

Carlos Ferreira - O que está por trás desse tipo de declaração, a causa de fundo, é algo muito claro. Com a brutal desnacionalização da nossa economia, houve um avanço voraz das empresas transnacionais sobre as nossas indústrias, empresas de engenharia, áreas de serviço etc., e o Brasil passou a ser visto como o Eldorado para resolver os problemas de desemprego que se espalham pelo mundo desenvolvido, notadamente na Espanha.

JCE – Você acredita que a formação dos engenheiros espanhóis é melhor que a dos brasileiros?

CF - Se o ensino lá fosse de tanta qualidade e os engenheiros fossem tão brilhantes, certamente a taxa de desemprego não estaria em 27%.

JCE – Quando o Clube de Engenharia decidiu se mobilizar em relação a esse problema?

CF - No final do mês de janeiro, o jornalista Mauro Santayana publicou no site do Jornal do Brasil um artigo a respeito da declaração do embaixador da Espanha no Brasil, a uma agência de notícias afrontando a engenharia brasileira e o ensino da engenharia em nosso país. Ciente do fato, o Clube começou a tomar ações, entre as quais uma carta que já foi enviada ao ministro. Nela o Clube deixa bem claro a sua posição em relação à atitude inadequada do senhor embaixador. No texto do Santayana, ele conclama o Clube e as entidades da engenharia a reagirem a essa declaração.

JCE – O desmantelamento da indústria nacional e essa suposta falta de mão de obra em engenharia no Brasil possuem alguma relação? Como esse processo de desnacionalização se deu?

CF - Nossas mazelas começaram lá atrás, em 1995, com a famigerada Emenda Constitucional número 6 que destruiu o artigo 171 da Constituição da República. Ali foram criados os meios para a destruição da indústria nacional que faceamos até hoje. Criou-se uma bola de neve no processo, exacerbado nos últimos 12 anos, por incrível que pareça com o apoio de bancos e entidades de fomento estatais, que fiz com que praticamente toda a economia brasileira, incluindo a área de serviços, fosse desnacionalizada. Essa absurda desnacionalização, com um mercado interno em expansão, levou à geração de um lucro brutal para as empresas estrangeiras que aqui operam, grande parte dele remetido para o exterior e o restante reinvestido na compra de outras empresas nacionais, repetindo assim esse ciclo perverso na nossa economia.

JCE – Qual o impacto disso na economia do país?

CF - Para termos uma ideia da ordem de grandeza, em 2013 as exportações brasileiras geraram 242 bilhões de dólares. As importações foram da ordem de 239 bilhões. Já a remessa de lucros para o exterior foi de 42 bilhões de dólares, verdadeira hemorragia, afetando toda a estrutura da balança de pagamentos do país, com o déficit recorde nas transações correntes com o exterior de US$ 81,4 bilhões em 2013.

JCE – Você acredita que esse processo pode ser transformado em prol da indústria nacional?

CF - Da mídia não se pode esperar grande coisa. Agora mesmo vi a maior organização midiática do país falando sobre balanços, desequilíbrios e déficits na conta corrente e ninguém aborda a questão da gigantesca remessa de lucros. Dois presidentes tentaram controlar isso. Um se suicidou e outro foi deposto. Trata-se da sobrevivência da empresa nacional, da possibilidade soberana de se fazer uma Política Industrial para o Brasil, hoje interditada pelo nível da desnacionalização a que levaram o País.

JCE – Quais são as propostas de ação para o Clube frente a esse problema?

CF – Proponho, inicialmente, além da carta ao ministro, em tom de manifesto, e já encaminhada, um seminário onde possamos discutir a questão em seu conjunto mais amplo e avançar no debate.

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Dominação cultural e outras dominações

Artigo reproduzido do blog: http://paulometri.blogspot.com.br

Dominação cultural e outras dominações

(Veiculado pelo Correio da Cidadania a partir de 31/01/14)

 Paulo Metri – conselheiro do Clube de Engenharia e colunista do Correio da Cidadania

 Dá-me angústia ver dirigentes de um país que não conseguem enxergar a grandiosidade e a responsabilidade dos cargos galgados. Muitos chegam ao alto cargo, unicamente, com um projeto de satisfação máxima dos grupos políticos que representa e do seu orgulho próprio. Estes são os corruptos e os desprezíveis. Outros, bem intencionados, querem contribuir socialmente e conseguem fazer muita coisa. Mas, em certos aspectos, fraquejam, pois, para fazer mais, é preciso enfrentar grupos muito poderosos, principalmente externos.

Neste ponto, lembro-me do ex-governador Leonel Brizola, que combatia as “perdas internacionais”, que eram a razão para não se conseguir atingir o máximo bem-estar social. Ele era criticado por não elencar estas perdas, mas, na verdade, quem o criticava tinha medo que a população viesse a conhecê-las. A intuição do sagaz político era perfeita. Algumas das possíveis perdas internacionais, em caráter de exemplo, são as seguintes. Ao se aceitar a antiga dívida externa sem uma auditoria pública, ao se assinar hoje as concessões petrolíferas danosas da lei 9.478, ao se possuir uma política mineral entreguista, ao não se proteger desde 1995 as empresas nacionais genuínas, ao se financiar com recursos públicos grupos estrangeiros, ao se concordar a partir de data recente com um novo registro de patente de desenvolvimento antigo, que já deveria estar em domínio público, devido a um suposto novo uso, e ao se colocar em condição subalterna em negociações internacionais, restam para a sociedade brasileira perdas internacionais incomensuráveis.

Existem administradores da nação bem intencionados que mergulham em labirintos, alguns maquiavelicamente plantados, e se perdem em conceitos e tecnicidades, criadas por quem quer que a riqueza saia do país e vá para o exterior. Por exemplo, entendo a razão explicada para a existência das agências classificadoras de risco. Contudo, entendo também que elas prestam um papel essencial para o capital internacional, ao serem utilizadas como ferramenta de controle de países dominados, visando obrigá-los a fazer o que é de interesse do capital. No ato de seguir o receituário externo, pode até não existir corrupção, sendo somente o caso de simples “dominação cultural” dos administradores.

Nas relações internacionais, não há amizades, nem inimizades, há unicamente interesses. A atual coalisão de partidos que governa o Brasil, liderada pelo PT, não atua conscientemente com relação às relações internacionais. No meu entendimento, a entrega do campo de petróleo de Libra, no governo Dilma, para receber R$ 15 bilhões de bônus e, com isso, aliviar as contas do país, representou a total alienação deste governo com relação à importância, sob o ponto de vista da política internacional, de se ter o controle da produção e da destinação do petróleo nacional.

Para compreender a importância deste recurso natural, a voracidade das empresas petrolíferas internacionais e o apoio dado por países desenvolvidos às suas empresas, o leitor deve assistir a quatro vídeos, intitulados como “O segredo das sete irmãs: a vergonhosa história do petróleo”, que estão em vários sites na internet, inclusive, por exemplo, em: http://www.youtube.com/playlist?list=PL65E3B3A3DC9AEBD0

Estes vídeos, produzidos por Frédéric Tonolli e Arnaud Hamelin, têm a participação da France Télévisions e são dirigidos por Frédéric Tonolli. Muitas das suas afirmações são encontradas também no livro “O Petróleo: uma história mundial de conquistas, poder e dinheiro”, de Daniel Yergin, presidente da Cambridge Energy Research Associates (CERA).

Dentre as várias informações importantes obtidas destes vídeos, observa-se que muitos genocídios contra homens e mulheres negros têm ocorrido na África em torno da exploração do petróleo. Observa-se, também, que as empresas estrangeiras que ganharam Libra são, exatamente, as responsáveis por alguns dos genocídios ocorridos na África. A atuação da Shell e da Elf (atual Total) na Nigéria, da Total no Gabão e das empresas chinesas no Sudão levou à morte mais de dois milhões e meio de negros.

O genocídio contra qualquer grupo é ato abominável que desmerece a espécie humana. Contudo, o que torna os genocídios africanos aberrações de grandeza superior é a fragilidade do exterminado. Ele é politicamente inocente e desprovido de qualquer mecanismo de defesa. É inimaginável que humanos instiguem outros humanos a matarem sua própria espécie e etnia para que os primeiros recebam riquezas. Enfim, constatando-se a veracidade das informações, em respeito à etnia negra, que com orgulho é uma das constituintes do povo brasileiro, peço que haja um movimento para a rescisão do contrato de Libra, assinado com uma rapidez incrível pelo governo brasileiro, por essas empresas e pela Petrobras.

Do mesmo grupo de vídeos, obtém-se que o líder Ken Saro-Wiwa, pertencente ao povo Ogoni, lutava contra a degradação ambiental, causada por petrolíferas, especialmente a Shell, na exploração de petróleo na região do delta do rio Níger, na Nigéria. O governo ditatorial deste país nos anos 90 e o sistema judiciário corrupto de então prenderam, “julgaram”, condenaram à morte e assassinaram o líder e mais oito companheiros. A Shell, para melhorar sua imagem neste país, pagou US$ 15,5 milhões às famílias das vítimas, o que significa um reconhecimento da culpa. Devido ao passado dessas empresas de descuido com o meio ambiente, os ambientalistas podem se juntar à luta pela rescisão do contrato de Libra.

As grandes petrolíferas estrangeiras não citadas não o foram simplesmente porque estava me atendo àqueles que ganharam o campo de Libra. Mas elas também têm seus passados vergonhosos. Não há santo neste setor, a não ser estatais que, em seus próprios países e dependendo do governo, tendem a se comportar bem melhor.

Esses vídeos mostram também uma gama maior de ações aéticas dessas empresas, capazes de tramar a deposição de mandatários, instigar revoluções, assassinar lideranças e muito mais, não só na África negra, mas no Norte da África, no Oriente Médio, no Cáucaso, na Ásia Central, na América Latina, enfim, onde houver países com petróleo e passíveis de serem dominados. No Brasil atual, estas empresas atuariam, se já não estão atuando, seguindo outro modelo. Mandariam prepostos dos governos de seus países de origem declarar ao presidente brasileiro o quanto é importante abrir as portas para ela, contribuiriam para campanhas políticas, cooptariam muitos órgãos da administração pública, corromperiam legisladores, influenciariam na nomeação de diretores das estatais brasileiras do setor, conseguiriam a aprovação de frequentes rodadas de leilões em bacias escolhidas, dentre outras atuações.

Os governos FHC, Lula e Dilma, com suas naturezas privatistas do petróleo nacional, já fizeram 13 rodadas de leilões de áreas para busca de petróleo, já assinaram cerca de 1.000 contratos, sendo um, o da partilha amofinada, e os demais, os de concessão. “Partilha amofinada” porque o governo criou tantos benefícios para as empresas na lei, no edital e no contrato, que, para a sociedade, sobrou pouco. Em outras palavras, estes governos entregaram-se ao mercado.

O remédio natural contra a imposição dominadora estrangeira é a nossa reação soberana. Infelizmente, vários setores da economia brasileira já estão com alto grau de dominação externa e nossos governos nada fazem, como se a entrega do país fosse algo natural. Este modelo subalterno só serve aos países onde estão as sedes das empresas multinacionais, para onde vão o lucro, os pagamentos de royalties, assistência técnica e outras formas de remessa. Isto explica, por exemplo, a desnacionalização da economia brasileira, a desindustrialização e o crescimento pífio do PIB.

A China só atinge altas taxas do PIB graças às suas posições soberanas. O setor do petróleo brasileiro ainda é um dos menos dominados, graças à Petrobras, que tem atrapalhado a entrega do petróleo nacional, devido ao seu arremate de muitos blocos nas diversas rodadas. No entanto, muito tem que ser feito para protegê-lo, inclusive parar os leilões, não ceder quanto à Petrobras ser a operadora única do Pré-Sal, entregar os barris adicionais de Franco à Petrobras por cessão onerosa e rescindir o contrato de Libra.

 

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A hora da verdade se aproxima

A hora da verdade se aproxima, por Arnaldo Mourthé*

Não há como ocultar mais que há uma grave crise em gestação no Brasil.

DinheiroVivemos um momento de perplexidade, muitos questionamentos e poucas respostas. Há um descompasso entre o que queremos e o que a sociedade nos oferece. Há mais conflitos que harmonia, mais frustrações que realizações, mais ansiedade que serenidade, mais temores que esperança. Há, portanto, algo grave que nos atinge. Para tornar ainda mais grave esse quadro, há muita mentira e pouca verdade no que nos dizem nossos políticos e nossas “elites”, daí as aspas na última palavra. Vivemos também um momento de grande alienação, proposital, dirigida para esconder-nos a verdade. Há que compreender o que se passa conosco, com nossa sociedade. Que mundo é esse? Por que ele é assim? Para onde ele nos leva? Há alternativa? Qual?

Há uma tendência, dos governos e das “elites”, em buscar soluções a seus problemas com reformas, segundo eles necessárias para enfrentarmos nossas dificuldades. Só que essas reformas estão sempre orientadas para salvar o dinheiro do rico e diminuir o ganho dos que produzem as riquezas, dos que trabalham. São reformas das leis trabalhistas e sociais, reduzindo a segurança dos assalariados e os direitos do cidadão, sempre a favor do empregador e do mandatário. São isenções de impostos que favorecem multinacionais que lucram mais e exportam seus lucros ou, com eles, compram novas empresas aumentando os lucros que são exportados. São reformas para abrir nossas fronteiras, que deveriam defender o que é nosso, para mercadorias e capitais, facilitando sua movimentação a favor do estrangeiro, mais capitalizado e com mais tecnologia, em competição desigual com nossa indústria que, encurralada, aos poucos é transferida para eles. Vendemos todos os dias nosso patrimônio nacional, público ou privado, para equilibrar nossas contas externas e do governo. Esta sofre uma sangria de mais de duzentos bilhões de reais por ano com juros que, por falta de recursos para pagá-los faz aumentar uma dívida que já ultrapassa os dois trilhões de reais, tendo se tornada impagável. Mesmo assim o governo julga correto subsidiar as empresas estrangeiras sediadas no Brasil com isenção de tributos, como fez recentemente com a indústria automobilística.

Esse quadro torna-se mais dramático quando vemos cortes nos serviços públicos para economizar recursos para juros da dívida pública que nenhuma autoridade ousa explicar como e porque surgiu. Sofrem a educação, a saúde, e todos os serviços necessários aos cidadãos. A moradia cada vez representa maior custo para os inquilinos, por seus salários subirem menos que a inflação e os aluguéis muito mais que ela, resultado da especulação gerada pelos dólares das empresas estrangeiras que trazem seus técnicos para ocupar suas novas fábricas, administrar serviços concedidos e explorar nosso petróleo.

Quando a população foi às ruas para denunciar isso, houve um choque que abalou os nervos das autoridades, dos responsáveis pela mídia, dos donos de empresas e investidores. Do susto, não escaparam nem os que se dizem defensores do povo, a “esquerda” organizada em partidos e sindicatos. Isso mostra que a alienação é muito maior do que se poderia imaginar. As multidões ganharem as ruas com reivindicações simples, mas contundentes, como menor tarifa dos transportes e melhores serviços públicos, especialmente de saúde, educação e transporte, surpreendendo os alienados.

A reação do governo federal foi ridícula. Ele esquivou-se do conteúdo das reivindicações e enveredou pelo caminho de seus interesses menores, um plebiscito improvável e uma reforma política questionável, enquanto manteve e ativou suas ações que estão na base do problema, como as privatizações e o culto aos juros da dívida pública. Ele vendeu patrimônios valiosíssimos como o Pré-sal, e privatizou o que pode da infraestrutura dos transportes, reforçando a própria política que é causa da crise que levou a população para as ruas. Agora debate-se com o pífio desempenho de suas contas externas e com sua dívida crescendo, mesmo já sendo impagável.

Mas, esse caos não está apenas no Brasil. Ele está por toda parte. Em toda a América Latina, que sofre dos mesmos males que nós, com as peculiaridades de cada país. Na África, que sangra com seus conflitos armados e com intervenções diretas de países europeus, que padece da fome e de endemias escandalosas como a AIDS. Sua esperança esvai-se com as dificuldades de décadas de uma independência apenas formal. De alguns países da Europa, como Grécia, Espanha, Portugal e Itália, que enredados no euro como moeda comum da União Europeia, não dispõem de tecnologia e produção em escala para competir com as grandes nações.  Eles se atolam no endividamento que submete seus governos, colocados a serviço do capital financeiro e contra seu povo indefeso que já não tem a quem apelar. Se continuarmos assim chegaremos à tirania. Que mundo é esse, meu Deus!

Alguns intelectuais e muitos cidadãos de boa vontade que já sentem a gravidade da situação que vivemos, querem compreender o que aí está para agir na busca de soluções. Há boa vontade, mas soluções não são encontradas. Aqueles mais coerentes trabalham no sentido da resistência às políticas governamentais que geraram as mazelas de hoje e que anunciam a tragédia que será a culminância da crise amanhã. Mas isso é pouco, a crise já faz encolher e degradar nossos serviços públicos e nossa indústria. Ela está provocando a alienação do nosso patrimônio, público e privado, a favor do capital estrangeiro, e inviabiliza uma política de desenvolvimento nacional que melhoraria as condições de vida da nossa gente. Esse quadro de degradação de nossa economia e de nossa sociedade é uma advertência sobre os riscos incalculáveis para nosso país em curto prazo. Só não vê quem não quer. O que fazer? Repare que voltamos às questões do primeiro parágrafo deste artigo.

Há que reforçar nossa visão, como fazem os astrônomos e os bacteriologistas. Não há como ver a olho nu as estrelas além do seu brilho, nem os micro-organismos. Os instrumentos intelectuais que usamos para analisar a sociedade, suas instituições e seu processo histórico são insuficientes para compreendermos, como é necessário, o que se passa no mundo atual. Há uma tendência em pedir esclarecimentos aos economistas sobre isso, quando eles são, no momento, os menos preparados para dar as respostas adequadas. Isso porque, com poucas exceções, eles aprenderam apenas a administrar um sistema econômico que está entrando em colapso. Sem reconhecer isso, que seria admitir falta de senso de sua profissão, não é possível compreender o que se passa. Eles só propõem mudanças formais para tentar evitar o colapso do sistema capitalista, que é inexorável e iminente. É preciso outros instrumentos, que essa economia que anda por aí, para abrir nossa visão. São eles a filosofia, a história, a antropologia, a economia verdadeira, vista como arte de administrar nossos recursos e nossas necessidades. Hoje ela tornou-se apenas a arte de obter lucro para o dono do dinheiro, deixando de servir aos que não vivem do lucro ou da renda. É preciso admitir que, para nosso governo, a democracia é apenas uma questão de formalidade, um cenário para enganar as pessoas. Todas suas decisões são para atender os interesses dos investidores, e não à população. Vivemos sob a ditadura dos investidores.

Há que ampliar nossa visão, nosso horizonte. É preciso compreender por que o capitalismo está na sua fase terminal e, sobretudo, nos preparar para lidar com o seu colapso e pensar na sociedade que queremos a partir daí. Mas, é preciso ainda ter a mente aberta para não nos apressarmos em aceitar qualquer receita já pronta, porque nenhuma delas foi construída levando em consideração o colapso do sistema capitalista, de seu modo de produção e da sociedade que ele moldou para ser o criatório ideal para gerar lucro e obedecer cegamente ao seu Laisser faire, ou seja, a supremacia da liberdade do capitalista sobre todos os demais, destruindo o direito fundamental do homem à liberdade, como enunciado na Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão da Revolução Francesa.

O fim do capitalismo não é tão mal quanto alguns temem. Afinal, se ele não vier será muito pior, pois ocorrerá a perda das conquistas sociais arrancadas com muita luta e sacrifício ao longo da história, ou seja, virá o colapso da civilização.

Rio, 25/01/2014

*Autor do livro “História e colapso da civilização”.

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Gripen NG é o novo caça da FAB

Grippen NG

Celso Amorim acaba de confirmar: Gripen NG é o novo caça da FAB

A escolha se baseou no melhor equilíbrio entre três fatores, um deles a transferência de tecnologia (os outros dois foram performance e custo). O ministro deixou claro, porém, que agora se inicia um novo processo, que é de negociação do contrato (com duração prevista de 8 a 10 meses), cujo valor informado foi de 4,5 bilhões de dólares, que não deverão impactar o orçamento de 2014.

Amorim também informou que a oferta sueca inclui total abertura dos códigos-fontes do sistema de armas, para integração de armamentos, como solicitado pela Força Aérea Brasileira (FAB) e que, na avaliação técnica da Aeronáutica, foi a melhor oferta. A transferência de tecnologia envolve a propriedade intelectual do que for transferido, dentro de um conceito de desenvolvimento conjunto, o que foi destacado como grande vantagem da proposta sueca, já que a aeronave ainda está em desenvolvimento, com um protótipo / demonstrador em voo.

Segundo o comandante da Aeronáutica, tenente-brigadeiro do ar Juniti Saito, quarenta e oito meses (4 anos) após a assinatura do contrato deverá ser recebida a primeira aeronave. A expectativa é a entrega de cerca de cerca de 12 aeronaves por ano. Até a entrega do primeiro Gripen de nova geração para a FAB, a Defesa Aérea deverá ser feita pelos caças F-5M da FAB, cujos últimos exemplares em serviço deverão dar baixa em 2025. Também se estuda a entrega antecipada de caças Gripen de versão anterior para cobrir a lacuna até a chegada das aeronaves novas de fábrica.

Haverá também, segundo Saito, participação da Embraer (principal contratada no Brasil) no desenvolvimento da versão de nova geração escolhida pela FAB, como já vem ocorrendo com a brasileira Akaer. Perguntado sobre o fato do Gripen ter componentes norte-americanos, como o motor, o comandante da Aeronáutica informou que o fornecimento dos mesmos (tanto os 36 que equiparão os caças quanto sobressalentes, além de peças) não é motivo de preocupação para a Força Aérea. A grande preocupação era a transferência de tecnologia de itens críticos como os citados códigos-fontes para integração de armas, que estariam garantidos na proposta sueca, que foi escolhida.

Quanto a novas parcerias, o ministro Amorim informou que o País continua aberto a discussões com outros fornecedores a respeito de caças de quinta geração, para o futuro.

O pronunciamento foi transmitido ao vivo pelo canal NBR no momento da edição desta matéria, na qual se atualizou “online” as informações da coletiva de imprensa. Em resumo, caso a negociação do contrato ocorra dentro do prazo previsto (ao longo do ano de 2014), o primeiro Gripen de nova geração deverá ser entregue à FAB em 2019 (quatro anos depois da assinatura do contrato).

Fonte: Poder Aéreo

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OS CORTES NA DEFESA

 

Reproduzindo texto do Blog Mauro Santayana _ OS CORTES NA DEFESA

SBN 01O novo corte no orçamento do Ministério da Defesa, de quase um bilhão de reais, anunciado há uma semana pelos Ministros do Planejamento, Miriam Belchior, e da Fazenda, Guido Mantega – que também teve seu orçamento amputado em 900 milhões – tem que ser visto com muito cuidado pelo governo.

É preciso assegurar que projetos prioritários não venham a ser atingidos, sob pena de interrupção e atraso em áreas estratégicas para a evolução da  indústria bélica e o desenvolvimento tecnológico nacional.

Esse é o caso do jato militar de transporte KC-390, da Embraer, com capacidade de 23,6 toneladas de carga (tanques, artilharia), e que serve também para o transporte de tropas e reabastecimento em vôo, que deve decolar pela primeira vez no ano que vem. Destinado a concorrer com os Hercules C-130 da Lockheed norte-americana, do programa do KC-390 tomam parte também Argentina, Colômbia, Chile, Portugal e República Tcheca, que deverão fornecer peças, e adquirir a aeronave, em um número inicialmente previsto de 60 aviões.

O PROSUB – Programa de Submarinos da Marinha, também não pode ser interrompido. São quatro unidades convencionais, e uma atômica – o reator nuclear será desenvolvido aqui mesmo – mais a construção de uma base e de um estaleiro no Rio de Janeiro.

Temos, ainda, o SISFRON – o Sistema Integrado de Monitoramento de Fronteiras, que exige também o desenvolvimento de vários equipamentos, como novos radares, unidades de artilharia e veículos aéreos não tripulados (VANTS); a família de blindados leves Guarani, e o programa de defesa cibernética.

O país passou anos sem investir em defesa. O  Governo estabeleceu, nos últimos anos, um novo projeto para o setor, com um arcabouço mais estruturado, e criou a figura da empresa estratégica de defesa – certificando 26 delas, na semana passada. Interromper os programas que já estão em andamento traria prejuízo financeiro, técnico e estratégico para o país.

No Congresso Nacional, há deputados da base aliada e do próprio partido do governo que estão trabalhando para reverter a situação – que prevê cortes no custeio das Forças Armadas – já debilitadas em diversas áreas. A Marinha está estudando cortar um dia de trabalho da tropa para se adequar.

Enquanto isso os golpistas de sempre – que desprezam igualmente o PT e o PSDB, e a “democracia que aí está” – comemoram, na internet, mais essa bandeira, dada pelo próprio governo, e se valem do anúncio dos cortes para provocar grupos radicais de direita – alguns deles ligados a segmentos minoritários da reserva das Forças Armadas – jogando-os, mais uma vez, contra o poder civil.

 

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