MINISTRO RUSSO CHEGA AO BRASIL PARA PROPOR PRODUÇÃO CONJUNTA DO CAÇA DE QUINTA GERAÇÃO T-50

Por Mauro Santayana, 14/10/2013

MINISTRO RUSSO CHEGA AO BRASIL PARA PROPOR PRODUÇÃO CONJUNTA DO CAÇA DE QUINTA GERAÇÃO T-50

PAK-FA_T-50_3A possibilidade que aventamos aqui no blog, outro dia, de participação do Brasil no programa PAK-FA, tornou-se oficialmente concreta.
O Ministro da Defesa da Rússia, Serguei Shoigú, que chega a Brasília amanhã, irá propor ao Brasil, não apenas a compra dos caças Sukhoi SU-35, mas também o desenvolvimento e a produção conjunta do caça T-50, de quinta geração.

O projeto do T-50, do Programa PAK-FA, já conta com a participação da Índia, que disponibilizou cerca de US$ 25 bilhões e espera obter a versão de exportação do T-50 até 2018.

A Força Aérea Russa (FAR) receberá os primeiros T-50 de produção em série este ano, e comprará pelo menos 70 aeronaves.

O caça traz toda uma série de inovações para minimizar sua visibilidade aos radares. E também novos materiais estruturais e revestimentos, inteligência artificial  e componentes de hardware que elevam a indústria aeronáutica russa a um patamar completamente novo.

Um dos destaques do T-50 são os novos polímeros de fibra de carbono, com peso duas vezes menor do que o alumínio e quatro vezes menor que o aço. Como mais de 70% do revestimento da aeronave é composto por novos materiais, o resultado é um avião quatro vezes mais leve que os construídos com material comum.

Além disso, o T-50 se destaca por uma visibilidade reduzida aos radares, ópticos e infravermelhos. A área efetiva da superfície refletora da aeronave é de 0,5 m2, enquanto a do Su-30MKI é de 20 m2. Isso significa que, no radar, o Su-30MKI aparece como um objeto metálico de 5 por 4 metros, enquanto o T-50 tem uma imagem 40 vezes menor.

Dezenas de sensores colocados ao longo da fuselagem permitem controlar a situação em torno da aeronave, e trocar informações, em tempo real, com serviços terrestres e dentro de um esquadrão. Se não bastasse, um “piloto automático” oferece ao piloto da aeronave várias opções de ação. O T-50 é capaz de decolar e pousar em uma pista de 300 a 400 metros de extensão.

O caça possui elevada capacidade de manobra e alto nível de monitoramento. Um radar de matriz ativa faseada instalado na aeronave permite ao piloto ver tudo o que acontece a uma distância de várias centenas de quilômetros, e acompanhar vários alvos aéreos e terrestres ao mesmo tempo.

O armamento é transportado dentro de compartimentos internos, como exige a tecnologia Stealth. Esses compartimentos podem acomodar até oito mísseis ar-ar do tipo R-77 ou duas bombas inteligentes de 1.500 kg. A aeronave também pode levar em dois pontos duros sob as asas mísseis com capacidade para atingir  alvos a uma distância de 400 km.

Sobre Carlos Ferreira

Engenheiro, com especialização em Políticas Públicas e Governo pela EPPG-IUPERJ. Atuando na área de Energia Nuclear. Membro do Conselho Diretor e do Conselho Editorial do Clube de Engenharia. Conselheiro do CREA-RJ, período 2005 a 2007.
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2 respostas a MINISTRO RUSSO CHEGA AO BRASIL PARA PROPOR PRODUÇÃO CONJUNTA DO CAÇA DE QUINTA GERAÇÃO T-50

  1. Uau, é isso que o Brasil precisa para fortalecer a FAB em seu poderio de dissuasão!…

  2. Sukhoi aposta em supermanobrabilidade em novo caça
    Escrito por: Rakesh Krishnan Simha, especial para a Gazeta Russa
    Data: 20/01/2014

    Análise mostra como o caça de quinta geração PAK-FA se difere do americano F-22. Os designers da Sukhoi optaram por uma mistura de stealth e manobrabilidade em vez de projetar um avião totalmente invisível.

    Manobrabilidade do PAK-FA auxilia piloto nos momentos de ataque Foto: Press Photo
    O documento de patente do PAK-FA, publicado pelo Serviço Federal para Propriedade Intelectual mostra que o projeto do caça de quinta geração é fortemente influenciado pela necessidade de baixa visibilidade de radar.

    De acordo com o documento, o objetivo é “criar uma aeronave com baixa visibilidade de radar e supermanobrabilidade em grandes ângulos de ataque, aproximando-se de 90°, além de simultaneamente preservar a alta eficiência aerodinâmica em velocidades subsônicas”.

    Os russos também estão dispostos a sacrificar algumas características comuns a aviões steath (quase invisíveis aos radares) em troca dessa supermanobrabilidade e excelentes características de voo.

    Nas telas do radar:

    O documento afirma que a intenção dos designers é reduzir o grau de detecção do avião a um radar (RCS, Radar cross section) a um “valor médio de 0,1-1 metros quadrados”. A essa medida, a aeronave se assemelha a um pássaro no radar inimigo e torna-se difícil – mas não impossível – detectá-la.

    O Sukhoi pode ser facilmente comparado ao caça americano F-22, que segundo especialistas em aviação, tem RCS de 0,1 metro quadrado. Os caças de quarta geração, como o Sukhoi-27/30 e F-15E tem um RCS na faixa de 10 a 15 metros quadrados. Reduzir a visibilidade da aeronave é possível pela combinação de design e tecnologia, especialmente reformulando os contornos da estrutura.

    Versatilidade:

    Os dois motores do PAK-FA são posicionados bem distantes entre si em compartimentos isolados, criando espaço para um compartimento de carga amplo entre os dois. As entradas de ar ficam afastadas dos motores, criando uma curvatura que esconde o compressor e reduz a visibilidade de radar da parte da frente da aeronave.

    Os motores também estão posicionados em um ângulo agudo em relação ao plano vertical, o que permite a vetorização de impulso – uma área na qual a Sukhôi se destaca – nos canais longitudinais, transversais e de viagem.
    Os bicos do motor são voltados para fora, transferindo uma porção significativa do controle da aeronave para eles, mesmo em baixas altitudes. Isso melhora consideravelmente a segurança de voo.

    O aerofólio móvel acima e na frente das entradas de ar do motor são uma característica exclusiva do PAK-FA, típica do russo. Os aerofólios podem girar para baixo em torno de sua extremidade traseira. Semelhante às lâminas das asas, eles ajudam no controle quando a aeronave está em ângulos de ataque elevados. As entradas de ar estão localizadas nos dois lados da estrutura são chanfradas em dois níveis, para manter o fluxo mesmo em ângulos altos.

    Longa espera:

    Comparar o PAK-FA com o F-22 Raptor ou F-35 Lightning II é uma tarefa difícil, pois a maioria das especificações dessas aeronaves de ponta são altamente secretas. De acordo com os dados disponíveis, a aeronave russo não é tão furtiva como o F-22, avaliado em US$ 420 milhões.

    Mas a vantagem do F-22 não parece preocupar os russos O PAK-FA parte de um princípio de combate totalmente diferente, no qual supermanobrabilidade é considerada uma arma vital. Os americanos apostam tudo na quase invisibilidade para atacar os alvos e capacidade de domínio no ar. Em outras palavras, ver o inimigo primeiro, evitando a detecção.

    O ponto de vista russo, pelo contrário, recorre às habilidades de combate. Em algum momento, o caça deve se mostrar para o ataque, e esse momento exige excelente manobrabilidade. Um caça lento, pesado e com armamento fraco, como o F-35, tem mais chances de ser abatido.

    O novo caça vai provar com o tempo qual das duas filosofias é melhor. Mas os pilotos da Força Aérea russa vão ter que esperar para colocar as mãos no caça.
    De acordo com o Programa Nacional de Armamento da Rússia, os 60 caças PAK-FA serão entregues entre 2016 e 2020.

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