FORJEMOS NOSSAS ARMAS

Décadas de total descaso com as questões associadas à defesa no Brasil, nos levaram a atual fragilidade militar. Dentre os maiores países do mundo, com todas as riquezas naturais e capacidades que dispomos, não podemos continuar a expor tamanha vulnerabilidade, principalmente em um mundo cada vez mais beligerante e com gritantes assimetrias, no qual organismos de governança, visivelmente ultrapassados, não conseguem evitar ações unilaterais dos países centrais, no exercício do poder e conquistas militares de acordo com seus próprios interesses geoeconômicos e estratégicos.

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Há que se ter o engajamento da sociedade no reaparelhamento e treinamento das nossas FFAA, incluindo o estabelecimento e fortalecimento da Base Industrial de Defesa, com P&D + I nacional, como preconizado na Estratégia Nacional de Defesa, documento que deveria ser conhecido de mais brasileiros, discutido nos diversos fóruns, incluindo universidades.

Até para atuar como “soft power” é necessário ser forte, ter capacidades de dissuasão que façam com que eventuais agressores reflitam sobre o preço a ser pago.

Nunca devemos nos esquecer de que na Guerra das Malvinas, a Inglaterra com um único submarino de propulsão nuclear, afundou o principal vaso de guerra argentino e manteve acuada nos portos a armada argentina, ficando praticamente livre para a retomada daquelas ilhas.

Portanto, “Forjemos Nossas Armas”, como brada o Mestre Santayana no artigo a seguir!

Carlos Ferreira

 AstrosFORJEMOS NOSSAS ARMAS

Reproduzido do blog Mauro Santayana

(JB) – O governo da Presidente Dilma Roussef decidiu alterar as leis sobre a indústria bélica e editar normas para a política de defesa, que incentivam a produção nacional de armas e o desenvolvimento de processos tecnológicos autônomos. Os nossos leitores habituais devem recordar-se de matéria sobre o assunto que publicamos neste mesmo Jornal do Brasil sobre o tema em 16 de agosto do ano passado. No texto, citávamos a dramática advertência do general Maynard Santa Rosa: em caso de agressão estrangeira, só dispomos de munição para uma hora de resistência.

Um dos maiores erros dos governos de Fernando Collor e Fernando Henrique Cardoso, se não o mais grave, foi desarmar o Brasil. A doutrina FHC se baseava no falso conformismo de que jamais poderíamos nos defender do poderio bélico norte-americano e seria melhor transformar as forças armadas em corpos policiais destinados ao combate ao tráfico de drogas, sob o comando continental dos Estados Unidos, of course.

Todos os povos que se prezam são obrigados a defender-se dos eventuais inimigos. As nações se formam dentro de espaços naturais, em que devem viver em paz, preocupando-se com seus recursos, com a felicidade e com a defesa de sua liberdade. À soma de espaço e liberdade chamamos soberania, no léxico político moderno. Nas guerras, sempre indesejadas, as nações agredidas, qualquer que seja a sua capacidade bélica, são eticamente obrigadas a resistir.

Churchill, ao opor-se à capitulação de Chamberlain, ponderou que uma nação , quando se defende com a coragem do patriotismo, pode ser derrotada sem perder a honra, mas, ao capitular sem luta, perde o respeito do inimigo e das nações neutras.

O vencedor trata  com natural desprezo os que se entregam sem luta, ainda que em nome da paz. É essa a diferença entre os soviéticos, que perderam rios de sangue na Segunda Guerra Mundial, e puderam hastear sua bandeira no Reichstag, enquanto Hitler se matava – e os franceses de Pétain e Laval, que se entregaram quase sem luta e colaboraram com a repressão nazista dentro de seu próprio território. Ainda bem que, no caso da França, os maquisards salvaram a face de seu povo, na dura resistência contra os ocupantes.

O Brasil é um dos poucos países do mundo capazes de viver com autonomia dentro de suas próprias fronteiras, o que o dispensa da sedução de conquista de espaços alheios. É um dos maiores do mundo em extensão territorial contínua, em que se fala a mesma língua, com invejável insolação e imensos depósitos de água potável. E exatamente por isso é obrigado a manter forças armadas capazes de dissuadir os eventuais cobiçosos.

A experiência continental nos adverte de que não podemos manter alinhamentos internacionais automáticos. Não cabe discutir aqui se a Argentina agiu bem, ao tentar recuperar, pela força, o que pela força perdera, ou seja, a soberania sobre as Malvinas. O fato é que Washington não interveio em favor da paz: colocou-se inteiramente ao lado de Mme. Thatcher, sem ir mais fundo na discussão da soberania argentina, reconhecida por todos os seus vizinhos da América do Sul.

A nova doutrina brasileira busca estabelecer parcerias não só comerciais, mas estratégicas. E, para que não ocorra a pressão sobre os nossos parceiros, é melhor negociar com países emergentes – no caso, os BRICS.

Cometemos um erro estratégico ao assinar o famoso Tratado de Não Proliferação Nuclear. A decisão de não usar determinado instrumento bélico não nos deve tolher o processo de sua fabricação e a técnica de seu emprego.

Armemo-nos todos, ou nos desarmemos todos, sem exceção.

por Mauro Santayana

Sobre Carlos Ferreira

Engenheiro, com especialização em Políticas Públicas e Governo pela EPPG-IUPERJ. Atuando na área de Energia Nuclear. Membro do Conselho Diretor e do Conselho Editorial do Clube de Engenharia. Conselheiro do CREA-RJ, período 2005 a 2007.
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9 respostas a FORJEMOS NOSSAS ARMAS

  1. Carlos, bom dia! Espetacular as colocações de Mauro Santayana nesse blog. Realmente o que ele disse aqui é o que todo o cidadão consciente e focado na soberania nacional, pensa e deseja, que o Brasil assuma a sua maioridade e abandone os pensamentos de adolescente. Armar-se é um fato que devemos encarar não como um agravante ou como uma atitude agressora e sim, uma forma pacifista, consciente e responsável de se dizer ao mundo moderno que ali há disposição em se manter a integridade territorial. Existem em todos os hemisférios nações pacifistas, principalmente na Europa e nem por isso encontram-se desarmadas, a Suécia é um bom exemplo disso. No atual contexto mundial não há lugar para nações destituídas de salvaguardas, que não defendam sua soberania, que deixem sua população desguarnecida e abrindo possibilidades de invasões inimigas. O Brasil necessita armar-se sim, com cuidado, com os pés no chão, escolhendo bem suas bases de proteção territorial. A Argentina teve muito recentemente, às nossas caras, a experiência desagradável de perder para a Inglaterra as Ilhas Malvinas. Exemplos não faltam de desajustes nos setores militares, principalmente na América Latina. Não houve quaisquer observação internacional quanto a essa invasão territorial ou soberania argentina, simplesmente se fez a anexação do arquipélago à Inglaterra, sem que houvesse muito estardalhaço ou repressões. O Brasil tentou ajudar, mas é outro despreparado para esse tipo de dissuasão. A Inglaterra foi objetiva, focada e não deixou por menos, somou mais uma conquista territorial ao seu curriculum.

  2. Ruy Feitosa disse:

    Produção nacional dos helicópteros EC-725 impulsionará indústria de defesa, diz Amorim.
    Fonte: Revista das Forças Armadas.

    O ministro da Defesa, Celso Amorim, afirmou hoje que o início da produção dos helicópteros EC-725 na fábrica da Helibras, em Itajubá (MG), representa um grande impulso para o desenvolvimento da indústria nacional e para absorção de tecnologia por profissionais brasileiros. “Pude observar aqui, com grande satisfação, um compromisso no desenvolvimento da tecnologia brasileira, da nossa capacidade de realizar o projeto e não apenas absorver o que vem de fora”, disse.

    Amorim participou pela manhã da inauguração do novo hangar da Helibras, construído na cidade mineira para abrigar a linha de montagem dos novos helicópteros militares. Considerado um dos projetos estratégicos da Defesa Nacional, as condições de aquisição e produção das aeronaves no Brasil foram definidas por meio de contrato assinado em 2008 entre a empresa, subsidiária do grupo franco-alemão-espanhol Eurocopter, e o Ministério da Defesa.

    O contrato prevê a produção e a entrega de 50 unidades, que serão distribuídas entre as três Forças Armadas — 16 para cada uma — e a Presidência da República, que receberá duas aeronaves. Quatros helicópteros do total previsto já foram recebidos pela Presidência e pelos comandos militares. Outros três serão entregues até o fim do ano à Marinha, Exército e Aeronáutica.

    Cumprindo o estabelecido na Estratégia Nacional de Defesa (END), o contrato para produção dos helicópteros prevê transferência de tecnologia francesa e índice de nacionalização de 50% das aeronaves. “Nós vamos, ao longo do tempo, continuar acompanhando de perto o projeto para ter certeza de que isso (transferência de tecnologia) ocorra”, disse o ministro da Defesa.

    Antes de discursar para uma concorrida plateia formada por empresários, trabalhadores, políticos e comandantes militares, Amorim visitou as instalações na Helibras, onde conheceu parte dos 70 engenheiros brasileiros que trabalham na fábrica.

    Ele manifestou satisfação em perceber que começa a se concretizar o compromisso firmado pela Eurocopter de realização e desenvolvimento do projeto das aeronaves no Brasil. “Não somente transferindo tecnologia, mas aproveitando a capacidade dos nossos engenheiros de inovarem, de serem donos, efetivamente, dos projetos que serão aqui criados”, disse o ministro.

    Transferência de tecnologia:

    O contrato para fabricação dos 50 helicópteros é da ordem de € 1,9 bilhão, com investimento de R$ 420 milhões realizados na construção do novo hangar e de todas as instalações auxiliares, como um banco de testes, além de treinamento, implantação do simulador de voo, produção de ferramental e contratação das empresas que fornecerão partes, peças e serviços para a nova aeronave, a qual terá 50% de conteúdo nacional, de acordo com o contrato assinado entre o Governo e o consórcio Helibras/ Eurocopter.

    Além do crescimento físico, a Helibras informa que vai triplicar o número de empregados por conta deste programa, que capacitará também a empresa para produzir a versão civil deste mesmo novo helicóptero, chamada EC-225 e utilizada em operações offshore (transporte entre o continente e as plataformas de petróleo). De 300 trabalhadores quando da assinatura do contrato, em 2008, a empresa deverá chegar a 1 mil pessoas em 2017, sendo que atualmente já conta com mais de 700 profissionais — a maioria de perfil técnico.

    Outro resultado importante que este projeto trará, segundo a Helibras, é a qualificação da empresa para que, dentro de dez anos, esteja capacitada para conceber, projetar e construir totalmente no país um helicóptero, já que todo o know-how que está sendo adquirido transformará a unidade brasileira em um dos pilares globais de produção e comercialização do Grupo Eurocopter.

    Participaram da cerimônia de inauguração do novo hangar o governador de Minas Gerais, Antônio Anastasia; o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel; o senador Jorge Viana (PT-AC); os comandantes da Marinha, almirante Julio Moura Neto; do Exército, general Enzo Peri; e da Aeronáutica, brigadeiro Juniti Saito; o chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas, general José Carlos De Nardi; além do CEO do grupo Eurocopter, Lutz Bertling, e o presidente da Helibras, Eduardo Marson.

  3. Exército receberá modelo revitalizado da Helibrás
    Por Roberto Godoy | Agência Estado

    Clipping: O Comando do Exército vai receber formalmente em março o primeiro de um lote de 34 helicópteros Pantera, na versão K2, revitalizados na fábrica da Helibrás, em Itajubá (MG). O contrato de R$ 347 milhões foi firmado em 2009. A segunda unidade também está pronta e será entregue em julho. O processo ainda depende da assinatura, nos próximos dias, do termo aditivo de aprovação da configuração modernizada.

    “A revitalização dos 34 Pantera do Exército brasileiro abriu novas possibilidades de negócios para a Helibrás”, segundo Eduardo Marson, presidente da empresa. “Foram agregadas novas tecnologias à Helibrás que, desta forma, não está voltada somente à manutenção e fabricação de helicópteros, podendo atuar também em projetos novos, por meio de seu centro de engenharia”, disse.

    Marson aponta para o pacote de recuperação das aeronaves de médio porte Cougar e Super Puma, em operação no País desde a década de 80, “que poderão atuar, sem restrições, até 2035 apenas com a troca de sistemas antigos por outros, de última geração”.

    O rejuvenescimento das tecnologias da variante K2 do Pantera, principal vetor armado do comando de aviação do Exército, implicou a adoção de motores 40% mais potentes, permitindo maiores autonomia e velocidade. Os pilotos dispõem agora de telas digitais e capacidade de uso de capacetes com óculos de visão noturna. A vida útil do equipamento foi estendida até, pelo menos, 2039.

    Gigante:

    O principal programa da fabrica de Itajubá é o do grande helicóptero EC 725. O projeto começou em 2008, quando foi assinado o contrato de cerca de € 1,9 bilhão, envolvendo 50 EC725 e 22 projetos de cooperação industrial e outros sete referentes à transferência de tecnologia da Eurocopter. O contrato do EC725 prevê a entrega de 16 aeronaves para cada uma das Forças Armadas e duas em versão executiva para a presidência da República.

    Os investimentos diretos da Helibrás/Eurocopter são de R$ 420 milhões voltados a instalações da área industrial e treinamento da equipe. A Helibrás está “trabalhando com a perspectiva de atender o segmento da Defesa, em toda a América do Sul”, diz Marson.

    Segundo ele, o mercado civil brasileiro está absorvendo a capacidade integral da planta de Itajubá. Uma só empresa operadora em regime offshore, que cumpre as rotas de transporte entre o continente e a rede de plataformas marítimas para a extração de petróleo, “formalizou cartas de intenção para aquisição de 14 helicópteros do tipo Puma EC225”.

    Marson aposta também na revitalização da frota em atividade no País. Ele estima que esse mercado represente aproximadamente 650 unidades, das quais 75% correspondem aos usuários governamentais não militares e o público privado. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

    FONTE: Agência Estado

  4. O ASTROS II é um Sistema Universal de Foguetes de Artilharia para Saturação de Área que começou a ser produzido em 1983 sendo fabricado pela empresa brasileira Avibras.

    É o primeiro sistema de artilharia a foguete, com uma lançador modular, que permite disparar foguetes de diferentes calibres pela simples mudança dos contentores dos foguetes.

    O ASTROS dispõe de início de um sistema de controle de tiro Field Guard de origem suíça e fabricação nacional. Esse sistema analisa a trajetória de um foguete de teste que explode no ar, longe do alvo, para não alertar o inimigo e calcula automaticamente a posição dos lançadores.

    O sistema ASTROS é a resposta da AVIBRÁS à necessidade do exército brasileiro, do fim da década de 70, de um sistema de foguetes de saturação mais eficiente que o lançador rebocado para foguetes, pois seu alcance era limitado a 9Km.

    Nos últimos anos, parte dos ASTROS II brasileiros estiveram distribuidos ao 6º e 8º Grupos de Artilharia de Costa Motorizados, em São Paulo e no Rio de Janeiro. Segundo a ultima reestruturação do exército, essas unidades ASTROS II foram transferidas para o estado de Goiás, próximo de Brasilia, exatamente em Formosa-GO, onde se vão concentrar todos os equipamentos junto com um centro de formação para artilharia a foguete.

    O maior elogio ao sistema ASTROS foi feito pelas forças americanas quando da primeira guerra do golfo. Nessa altura, quando se tentava encontrar as posições dos tanques e carros de combate do Iraque, era da maior importância, para os militares norte-americanos, ter a garantia de que o Iraque não poderia utilizar os seus ASTROS, ou que a sua capacidade para os utilizar estava muito debilitada.

    Esta atuação por parte dos americanos foi um reconhecimento da capacidade e letalidade do sistema que, podendo ser utilizado, poderia com o seu alcance e enorme capacidade destrutiva, bombardear as grandes unidades que se preparavam para a operação Tempestade no Deserto. Essa operação só teve o seu inicio quando os comandos americanos receberam confirmação da Força Aérea de que não teriam que enfrentar os ASTROS.

    Brasil – O brasil tem cerca de 20 Lançadores Astros II além de outras versões de comando e remuniciamento.

    Arábia Saudita – A Arábia Saudita ainda tem operacionais um total de 60 veículos. Os sauditas têm em operação tanto unidades equipadas com o SS-30 como com o SS-40.

    Malásia – A Malásia foi um dos primeiros clientes da Avibrás, no periodo que se seguiu à recupareção da empresa. Foram adquiridos 18 sistemas ASTROS que estão presentemente ao serviço.

  5. Osório: O Tanque de guerra MBT brasileiro que bateu o M1 Abrams americano

    O EE-T1 Osório foi um carro de combate pesado (MBT – Main Battle Tank), desenvolvido na década de 80 pela empresa brasileira Engesa, produtora dos famosos EE-9 Cascavel e EE-11 Urutu, que estão em uso ainda em vários países.

    Projetado com financiamento próprio para fazer parte de uma concorrência para a Arábia Saudita, em Julho de 1987, um protótipo do Osório com canhão de 120mm competiu com o britânico Challenger, o americano M1 Abrams e o francês AMX-40, derrotando todos os oponentes.

    Em 1988, no Abu Dhabi, o Osório repetiu a façanha, desta vez derrotando também o MBT italiano C-1 Ariete. Quando os Sauditas estavam prestes a fechar negócio, os EUA entraram em campo, alegando que o Brasil não respeitava acordos internacionais e, principalmente, que negociava com nações consideradas inimigas pelos EUA. A Arábia Saudita acabou não fechando o acordo com a ENGESA e terminou por comprar o M1 Abrams mesmo.

    O restante da história quase todo mundo já conhece: a Engesa acabou falindo, porque investiu sozinha no projeto do carro e o Exército Brasileiro não tinha dinheiro para comprá-lo (cada um custava cerca de US$ 1 milhão). Anos depois da falência da empresa, dois dos protótipos do Osório quase viraram sucata, mas hoje estão preservados, aos cuidados do EB.

  6. Após caças, Saab agora vende mísseis ao Brasil
    17 de março de 2014 | 9h 13
    ROBERTO GODOY – Agência Estado

    O Comando do Exército comprou um lote de mísseis antiaéreos RBS70, suecos, fabricados pela Saab. É o mesmo grupo empresarial que fornecerá, a partir de 2018, 36 caças Gripen NG para a Força Aérea Brasileira, um negócio de US$ 4,5 bilhões.

    O contrato dos mísseis é menor, vale R$ 29,5 milhões e inclui lançadores portáteis, suporte logístico, simuladores, equipamentos de visão noturna, ferramental, treinamento de manutenção e cursos de operação, além, claro, do próprio míssil, do tipo Mk2.

    Ao mesmo tempo, prossegue a operação entre o Ministério da Defesa e o governo da Rússia para aquisição dos Igla-S9K38, versão recente do míssil leve de porte pessoal, disparado por só um artilheiro – a rigor, um produto da mesma classe do RBS70. Dirigido por laser, tem capacidade entre 250 m e 8 km.

    A negociação com o fornecedor russo é uma determinação direta da presidente Dilma Rousseff, depois de reunião pessoal em Moscou com o primeiro-ministro Dmitri Medvedev e o presidente Vladimir Putin, em dezembro de 2012. Em nota oficial, o Exército destaca que “não há relação direta entre os temas”.

    A acomodação dos modelos de mísseis na Força foi obtida pela dotação do Igla-S9K38, russo, para a Brigada de Infantaria Paraquedista. Já o RBS70/Mk2, sueco, será encaminhado para uso nos grupos da 1.ª Brigada de Artilharia Antiaérea e das Brigadas de Infantaria Mecanizada.

    Pacote. Essa transação faz parte de um pacote maior, envolvendo três baterias (16 veículos semiblindados) do sistema de médio alcance Pantsir S1, destinado a cobrir alvos aéreos a 15 km de altura e 20 km de distância. É uma engenhosa combinação de mísseis e canhões duplos de 30 milímetros. A discussão abrange dois conjuntos do Igla e eventualmente uma joint venture para produzir a arma no País. Uma cláusula de transferência de tecnologia protege o acesso brasileiro ao conhecimento dos dois modelos. O investimento exige acima de US$ 1 bilhão.

    O Ministério da Defesa enviará a Moscou nas próximas semanas um grupo que fará os ajustes finais na transação. Além dos militares, integram o grupo empresas como Odebrecht Defesa e Tecnologia, Embraer Defesa e Segurança, Avibrás Aeroespacial, Mectron e Logitech. Pelo governo, participaram analistas do Ministério do Desenvolvimento, do BNDES e da Agência de Desenvolvimento da Indústria.

    A rigor, as empresas agregadas à missão que esteve na Rússia poderão receber incumbências de produção de partes e componentes. A fabricação local do Igla-S9K38 pode ficar a cargo da Odebrecht Defesa e Tecnologia, por meio da associada Mectron. Os radares caberiam à Bradar, da Embraer Defesa e Segurança, e propulsão e a fuselagem ficariam por conta da Avibras. Nenhuma das empresas comenta a informação.

  7. Primeiro submarino nuclear brasileiro fica pronto em 2023, diz Almirante
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    Responsável: Jornalista Gorette Brandão

    O primeiro submarino brasileiro com propulsão nuclear deve ficar pronto em 2023, de acordo com almirante de esquadra Gilberto Max Roffé Hirschfeld, coordenador-geral do Programa de Desenvolvimento de Submarinos (Prosub, criado m 2008, a partir de um acordo de cooperação e transferência de tecnologia entre o Brasil e a França.

    Hirschfeld deu a informação durante audiência pública nesta quinta-feira (13), na Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CRE). O debate foi sugerido e coordenado pelo presidente do colegiado, senador Ricardo Ferraço (PMDB-ES).

    Além do submarino nuclear, o programa sob a responsabilidade da Marinha do Brasil prevê ainda a construção de quatro submarinos de propulsão convencional (diesel-elétricos). Serão ainda construídos uma base naval e um estaleiro, em Itaguaí, no Rio de janeiro.

    O almirante defendeu a necessidade de o país desenvolver e manter um forte sistema de defesa. Ao justificar, ele disse que o país é foco de “ambições”, em razão de suas riquezas naturais e capacidades. Diante das incertezas sobre o que acontecerá no mundo em médio e longo prazo, Max Hirschfeld observou que o Brasil precisa estar preparado, com uma Força Armada potente.

    — Não para entrar em guerra, ao contrário, mas exatamente para ter o poder de dissuasão — observou o almirante.

    De acordo com ele, um submarino de propulsão nuclear é ideal, já que é considerada a arma de maior poder de dissuasão que existe. Entre outras vantagens, o almirante destacou o poder de deslocamento e a capacidade de se manterem submersos de forma prolongada. Isso ocorre porque são capazes de gerar oxigênio, dispensando subidas regulares à superfície. Graças a essa característica, eles seriam menos detectáveis, ficando mais protegidos contra ataques inimigos.

    Com o Prosub, disse ainda o coordenador do programa, o Brasil ganha capacidade não apenas para construir, mas também projetar submarinos convencionais e nucleares. Ele explicou que o acordo com o governo francês assegura a transferência de toda a tecnologia necessária para esse ganho de autonomia.

    — Projetar é a palavra chave. Até agora vínhamos construindo, mas nunca projetamos — observou.

    O almirante fez questão de esclarecer, contudo, que o país já domina todo o ciclo tecnológico para a construção do reator de propulsão nuclear a ser utilizado no projeto, de responsabilidade da estatal Nuclebrás Equipamentos Pesados S.A (Nuclep), que está sendo desenvolvido em São Paulo. A França entra com a parte de “interface” para aplicação no submarino e seu projeto, além das tecnologias de operação e manutenção do equipamento.

    Prosub-Os-futuros-submarinos-brasileiros

    Respeitabilidade

    A partir dessa conquista, previu o almirante, o país será visto com muito mais respeitabilidade no cenário internacional. Ele acredita que, como parte do seleto grupo de nações com capacidade de projetar e construir esses equipamentos uma das contribuições será reforçar o poder de garantir o antigo pleito do Brasil por um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU.

    O almirante Max Hirschfeld observou, contudo, que o alcance do Prosub vai muito além da questão de defesa. Ele explicou que o programa — com custo estimado em cerca de R$ 21 bilhões, em todas as suas etapas — tem amplo potencial para irradiar conhecimentos e capacitação em favor dos centros de pesquisa, das universidades e da indústria brasileira.

    Para que os ganhos sejam permanentes, porém, ele observou que o país não pode se acomodar após a construção dos submarinos já projetados. Se isso acontecer, conforme explicou, os conhecimentos se perderão.

    — Não podemos parar de fazer, não temos o direito de perder um programa dessa envergadura — apelou.

    Sobre os investimentos projetados pelo Prosub no orçamento federal para 2014, de quase R$ 2,5 bilhões, ele disse que ficaram um pouco aquém do necessário. Porém, disse estar seguro de o governo não deixará de fazer as complementações necessárias.

    Aramar2008-08-31

    Empregos

    Ricardo Ferraço confirmou a importância estratégica do programa, tendo em vista os ganhos para o desenvolvimento científico-tecnológico e o fortalecimento da indústria. Ele observou que a indústria de defesa é um setor que multiplica conhecimento e gera renda, emprego e desenvolvimento como poucos, sendo responsável por parcela importante do PIB em países desenvolvidos.

    O presidente da CRE também registrou que, no auge de sua capacidade, o Prosub deverá gerar 9 mil empregos diretos e outros 32 mil indiretos. Por tudo isso, observou, os investimentos são totalmente justificáveis, mesmo “num país que não é assombrado pelo fantasma da guerra, em que falta dinheiro para áreas essenciais”. Ainda para o senador, o desenvolver um submarino não é só “uma questão de prestígio internacional”.

    — Um submarino nuclear vai nos dar, com certeza, retaguarda e poder de dissuasão em águas profundas. Vai nos permitir, também, disputar em melhores condições um assento no Conselho de Segurança da ONU — avaliou Ferraço.

    Parceria

    Em resposta a questão feita por um telespectador, encaminhada por meio do senador Cristovam Buarque (PDT-DF), o almirante reforçou esclarecimento dado anteriormente, sobre a escolha da França, como parceiro do Brasil. Segundo ele, apenas esse país e a Rússia dispunham à época de tecnologia para construção de submarino com propulsão nuclear (hoje o time integra a China, os Estados Unidos e a Inglaterra). Porém, apenas a França aceitou o compromisso de transferir a tecnologia.

    Também rebateu a afirmação de que o Chile e a Índia, por meio de acordo com a Alemanha, tivessem conseguido acesso à mesma tecnologia, em bases econômicas mais vantajosas. Ele assegurou que, nos dois casos, foram contratos totalmente diferentes, sem abrangência do acordo brasileiro em termos de tecnologia. Além disso, observou que a Alemanha, ainda que domine a tecnologia, nunca construiu um submarino do tipo.

    O almirante também contestou o comentário de que a construção da nova base naval em Itaguaí era dispensável, já que as operações com os submarinos poderiam ser feitas no arsenal da Marinha na capital fluminense. Ele assegurou que esse arsenal não comportaria tais operações, inclusive pela reduzida profundidade das águas. Apontou ainda a inconveniência de operar equipamento com propulsão nuclear junto a uma grande metrópole.

    Max abordou na audiência os cuidados ambientais e as ações de responsabilidade associadas ao projeto em Itaguaí. Em março do ano passado, a presidente Dilma Rousseff inaugurou uma unidade de fabricação de estrutura metálica que integra o programa, onde serão construídas peças de alta resistência para os submarinos.

    O secretário-geral do Ministério da Defesa, Ari Matos Cardoso, também participou da audiência. Ao reconhecer a necessidade de mais recursos para o setor, ele observou ressaltou os esforços do atual governo. Ele observou que de 2003 até 2007, “antes da aprovação da Estratégia Nacional de Defesa, as necessidades do setor foram atendidas em 35% do que foi solicitado”. No período de 2008 a 2013, no entanto, esse percentual foi aumentado para 65% evidenciando o empenho do governo para aumentar os investimentos em projetos como o Prosub.

    Participaram ainda da audiência o senador Eduardo Suplicy (PT-SP) e Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM).

    FONTE: Senado Federal via Resenha do Exército

  8. POR QUE NÃO UM FUZIL NACIONAL?

    O IMBEL MD97L é um projeto brasileiro que visa substituir o FAL em uso pelas Forças Armadas e Forças Policiais brasileiras. Ele já é usado pela Força Nacional de Segurança, polícias e também por unidades de testes do Exército Brasileiro. Segundo algumas fontes, o lote do MD97L enviado ao Exército Brasileiro não foi aprovado, devido a defeitos de fabricação. O IMBEL MD97 visa a introdução do calibre 5,56x45mm como padrão nas Forças Armadas, além de ter a possibilidade de ter funcionamento semi-automático(Semi), rajada de três tiros (burst) e rajada completa(Full).

    Calibre: 5,56x45mm
    Cadência do Tiro: 950tpm
    Alcance eficaz: 600m
    Peso: 3,71 quilos
    Comprimento total: 1,01mm
    Comprimento do cano: 437mm

    • Carlos Ferreira disse:

      Lucas, o Exército Brasileiro (EB) já adotou o fuzil Imbel IA2 como arma padrão, conforme a portaria abaixo. Trata-se efetivamente de uma vitória da tecnologia nacional e mais um passo para a consolidação da Base Industrial de Defesa (BID).
      Forte abraço,
      Carlos Ferreira

      PORTARIA Nº 211-EME, DE 23 DE OUTUBRO DE 2013.

      O CHEFE DO ESTADO-MAIOR DO EXÉRCITO, no uso da atribuição que lhe confere o inciso VIII do art. 5º, do Regulamento do Estado-Maior do Exército (R-173), aprovado pela Portaria do Comandante do Exército nº 514, de 29 de junho de 2010, e em conformidade com o item 9) do art. 6º das IG 20-11, aprovadas pela Portaria Ministerial nº 270, de 13 de junho de 1994, e com o Bloco nº 71, do art. 15, das IG 20-12, aprovadas pela Portaria Ministerial nº 271, de 13 de junho de 1994, resolve:

      Art. 1º Adotar, para o Exército Brasileiro, o Fuzil de Assalto calibre 5,56mm IMBEL A2, fabricado pela INDÚSTRIA DE MATERIAL BÉLICO DO BRASIL (IMBEL).

      Parágrafo único. A referida adoção é decorrente da decisão tomada na Reunião Decisória Especial à Distância encerrada em 18 de outubro de 2013.

      PQD-2

      Art. 2º Determinar ao Departamento de Ciência e Tecnologia, ao Comando Logístico, ao Comando de Operações Terrestres e às Áreas de Doutrina, Instrução e Logística do Estado-Maior do Exército, que tomem as providências decorrentes da adoção do material em questão, previstas nas IG 20-12.

      Art. 3º Determinar que esta Portaria entre em vigor na data de sua publicação.

      Publicado no Boletim do Exército Nr 44, de 1º NOV 13.

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