Os impasses do lulismo

Da CartaCapital, artigo de Vladimir Safatle

O governo Dilma alcançou a metade de seu mandato. Eis um bom momento para colocar questões a respeito dos rumos que o Brasil tomou desde o primeiro governo Lula. Rumos próprios à mais longa experiência de continuidade programática dos períodos democráticos.

Há tempos, procuramos o tom adequado para avaliações dessa natureza. A experiência do PT no poder suscita reações muito apaixonadas e pouco analíticas. Por um lado, vemos aqueles que não se cansam de assumir um tom laudatório, insistindo na genialidade política de Lula, no novo protagonismo brasileiro na cena internacional, no caráter bem-sucedido de seu “capitalismo de Estado” e na inegável constituição de uma nova classe média. Por outro, temos a negação absoluta na qual as conquistas do governo seriam meros fenômenos “naturais” advindos de decisões tomadas por governos anteriores, as negociações políticas teriam alcançado um nível de corrupção “nunca visto”, assim como o aparelhamento do Estado. Tais análises usam, na maioria das vezes, esquemas liberais que, em plena crise econômica global, continuam a ver o Estado como “mau gerente” (como se empresas como Citibank, Lehman Brothers e GM, salvas pelo Estado, fossem bem gerenciadas) e ter uma perspectiva, no mínimo, seletiva a respeito das indignações causadas pela corrupção.

Essas avaliações parciais nos impedem de tentar compreender o modelo representado por aquilo que o cientista político André Singer chamou de “lulismo” com seus resultados concretos e suas limitações. Compreendê-lo é tarefa importante neste momento, porque talvez estejamos assistindo, com o governo Dilma, ao esgotamento do lulismo. Um esgotamento cujo sintoma mais evidente é o fato de Dilma Rousseff parecer encaminhar-se para ser a gerente de um lulismo de baixo crescimento.

Talvez a pergunta que mais se coloque atualmente é: o que significam esses dois últimos anos de baixo crescimento? Um erro de dosagem nas políticas macroeconômicas, uma inflexão sem maiores significados resultante do mau cenário internacional ou a prova de que o modelo em vigor no panorama brasileiro chegou a um impasse?

Sabemos o que foi o acordo que produziu o lulismo. Ele consistiu na transformação do Estado em indutor de processos de ascensão por meio da consolidação de sistemas de proteção social, do aumento real do salário mínimo e incentivo ao consumo. Na outra ponta do processo, o governo Lula autocompreendeu-se como estimulador da reconstrução do empresariado nacional em seus desejos de globalização. Para tanto, a função do BNDES como grande financiador do capitalismo nacional consolidou-se de vez.

No campo político, o lulismo baseou-se, por um lado, na transformação de grandes alianças heteróclitas em única condição possível de “governabilidade”, retirando da pauta dos debates políticos toda e qualquer modificação estrutural nos modos de gestão do poder. Ele ainda referendou um modo de gestão de conflitos políticos que encontra suas raízes brasileiras na Era Vargas. Trata-se da transposição dos conflitos entre setores da sociedade civil para o interior do Estado. Assim, durante o governo Lula, o conflito entre os monetaristas e desenvolvimentistas encontrou guarida na briga entre o Banco Central e o Ministério da Fazenda. A luta entre ruralistas e ecologistas incrustou-se nos embates entre o Ministério da Agricultura e o Ministério do Meio Ambiente. Do mesmo modo, as querelas entre os militares e os defensores dos direitos humanos expressaram-se na colisão entre o Ministério da Defesa e a Secretaria Nacional de Direitos Humanos.

O que seria, em situações normais, sintoma de esquizofrenia política foi, graças à posição de Lula como “mediador universal”, uma oportunidade para o governo “ganhar em todos os tabuleiros”, sendo, ao mesmo tempo, o governo e sua própria oposição. Assim, por “fagocitose de posições” o governo Lula conseguiu o feito de esvaziar tanto as oposições à direita quanto à esquerda. Contribuiu para isso a inanição intelectual completa da oposição à direita (PSDB, DEM e PPS) com seus acordos tácitos com os setores mais atrasados do debate de costumes e suas cruzadas moralizadoras feitas por frequentadores de escândalos de corrupção.

Mas como o governo Dilma administrou tal nova situação? No plano – econômico, tudo se passou como se o governo acreditasse que a continuidade bastasse. No entanto, a despeito dos avanços ligados à ascensão social de uma nova classe média, o Brasil continuava um país de níveis brutais de desigualdade. Por isso, seu crescimento só poderia trazer problemas como os que vemos em outros países emergentes de rápido crescimento (como Rússia, Angola etc.).
Como uma larga parcela da nova riqueza circula pelas mãos de um grupo bastante restrito com demandas de consumo cada vez mais ostentatórias, como o governo foi incapaz de modificar tal situação por meio de uma rigorosa política de impostos sobre a renda (impostos sobre grandes fortunas, sobre consumo conspícuo, sobre herança etc.), criou-se uma situação na qual a parcela mais rica da população pressiona o custo de vida para cima. Não por acaso, entre as cidades mais caras do mundo encontramos atualmente: Luanda, Moscou e São Paulo. Ou seja, o governo parou de pensar a desigualdade como o problema central da sociedade brasileira.

Acrescenta-se a isso o fato de os salários brasileiros continuarem baixos e sem previsão de grandes modificações. A maioria absoluta dos novos empregos criados nos últimos dez anos tem salários de até um e meio salário mínimo. Uma opção para a melhoria dos salários seria a diminuição dos itens que devem ser pagos pelas famílias. Uma família da nova classe média brasileira deve gastar, porém, quase metade de seus rendimentos com educação e saúde privada. Se o governo tivesse um programa para a universalização da educação e saúde pública de qualidade, poderia contribuir, por meio do fortalecimento do serviço público, para a minimização dos efeitos perversos da desigualdade. Mas o governo Dilma será lembrado, em 2012, pela sua desconsideração soberana com os professores em greve por melhores condições de trabalho e infraestrutura. Diga-se de passagem, é notória a relação problemática do governo com os sindicatos.

Como se não bastasse, a política lulista de financiamento estatal do capitalismo nacional levou ao extremo as tendências monopolistas da economia brasileira. O capitalismo brasileiro é hoje um capitalismo monopolista de Estado, onde o Estado é o financiador dos processos de oligopolização e cartelização da economia. Exemplo pedagógico nesse sentido foi a incrível história da transformação do setor de frigoríficos em um monopólio no qual uma empresa comprou todas as demais se utilizando de dinheiro do BNDES. Em vez de impedir o processo de concentração, o Estado o estimulou. Como resultado, atualmente não há setor da economia (telefonia, aviação, produção de etanol etc.) que não seja controlado por cartéis, com seus serviços de péssima qualidade e seus preços extorsivos.

Ou seja, economistas pagos regiamente por bancos e consultorias entoam, de maneira infinita, o mantra do alto custo da produção por causa dos impostos, do alto custo da mão de obra em razão dos direitos trabalhistas e da intervenção estatal (como se esquecessem de que as nações que mais crescem, como China, Rússia e Índia, são países de forte intervenção estatal na economia). Melhor seria se eles se perguntassem sobre o impacto da desigualdade e dos processos de oligopolização no baixo crescimento brasileiro.

No plano político, a situação é também digna de profunda preocupação. Por não poder encarnar o papel de “mediadora universal”, Dilma optou por um governo com menos bipolaridade e mais centralizado. Com isso, selou-se de vez a incapacidade do governo em formular e discutir alternativas. Todos falam em uma única voz, mas ela não diz muito mais do que se espera na gestão cotidiana. Por isso, os quadros do governo são marcados por uma tendência a certo “gerencialismo”, onde grandes modificações saíram completamente do debate. Contribuiu para isso a trajetória do PT de afastamento definitivo dos núcleos de debate da sociedade civil (universidades, movimentos sociais etc.).

Essa saída de cena das grandes modificações encontra, na vida partidária brasileira, sua expressão mais bem-acabada. No governo Dilma consolidaram-se dois partidos que têm, como grande característica, não ter característica alguma. PSD e PSB são “partidos-curinga”, ou seja, podem estar em qualquer jogo, fazer qualquer tipo imaginável de alianças, até porque não representam, de maneira estruturada, setor algum da sociedade civil. Eles parecem indicar o futuro da política brasileira, isso enquanto não ocorrer uma radicalização paulatina dos extremos, talvez a única condição para que voltemos a pensar politicamente.

Leia também: Brasília e a engrenagem

Sobre Carlos Ferreira

Engenheiro, com especialização em Políticas Públicas e Governo pela EPPG-IUPERJ. Atuando na área de Energia Nuclear. Membro do Conselho Diretor e do Conselho Editorial do Clube de Engenharia. Conselheiro do CREA-RJ, período 2005 a 2007.
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18 respostas a Os impasses do lulismo

  1. LULISMO é sinônimo de crise institucional. Não houve reformas; não houve combate a corrupção como foi dito em campanha; não foi feito nada que se somasse aos outros governos a favor do Brasil; instituiu-se a CORRUPÇÃO ATIVA no Planalto; quadruplicou-se a dívida interna e externa; atropelou-se a CONSTUIÇÂO FEDERAL; triplicaram-se as TRIBUTAÇÕES e TAXAÇÕES; abriu-se um precedente inexistente no Planalto: “O que é mesmo SANEAMENTO BÁSICO?”. A GOVERNABILIDADE jamais foi tão desdenhada nesse período. O Brasil jamais sofreu tanto como nesse período. TOCOU-SE o Brasil, diferentemente de GOVERNOU-SE o mesmo. A CARA DE PAU é tão grande que ao invés de SENTIREM VERGONHA de tudo isso, atiraram-se pedras bem antes com o intuito de confundirem a imprensa e a população. NINGUÉM INCRIMINA NINGUÉM, isso é desnecessário diante de tantas evidências. O Ministro Gurgel está de parabéns pela entrevista que deu dizendo que o “O MENSALÃO É MUITO MAIS PROFUNDO E AMPLO DO QUE SE POSSA IMAGINAR…” e isso é a pura expressão da verdade, houve e há muito a se apresentar, a sujeira é muito além de nossos narizes e fede, fede feio de verdade. O PT PERDE MUITO POR NÃO FICAR QUIETO. A cúpula desse partido deveria permanecer calada para não produzir TANTOS DEGETOS. Parabéns Ministro JOAQUIM BENEDITO BARBOSA GOMES! Nós brasileiros reverenciamos a suas ações. Que Deus o abençoe inúmeras vezes! Não nos esqueceremos jamais de sua pessoa. Um exemplo de caráter, de honestidade e cumprimento do dever.Um verdadeiro ícone brasileiro.

  2. Até nas máscaras de carnaval estão os componentes do mensalão e lá se encontra o Lula, indício claro que a população não tem dúvidas de seu envolvimento, apesar da estúpida negação. Infelizmente foram 08 anos em que o Brasil não teve o desenvolvimento que necessitava e simplesmente parou no tempo. A preocupação do governo em só encher o caixa com a maior tributação do mundo, fez com que a indústria perdesse o seu potencial de investimento e competitividade, rendendo um PIB vergonhoso. O GOVERNO se tornou um SÓCIO MAJORITÁRIO da produção nacional e essa inversão de valores trouxe sérias conseqüências ao país. Vários índices econômicos internacionais demonstram que o brasileiro precisa trabalhar 04 a 05 vezes mais que os indivíduos de países desenvolvidos para obter o mesmo objeto, um verdadeiro massacre. O CUSTO BRASIL é altíssimo e a população perde o seu poder de compra dia a dia e consequentemente sua qualidade de vida. Se não houver uma mudança urgente de paradigmas as engrenagens pararão, não há como tocar uma indústria ou um comércio dessa forma. É necessário que haja lucro e competitividade, senão a falência é clara. O governo está matando sua galinha de ovos de ouro, para ficar apenas com os ovos. A Educação, a Saúde, a Previdência e o Saneamento Básico se encontram a bancarrota e precisam de uma saída de urgência. O Brasil precisa produzir.

  3. 15/01/2013 – 04h00
    Ex-chefe de gabinete da Presidência pediu favor a diretor da PF
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    FERNANDO MELLO
    DE BRASÍLIA
    A ex-chefe de gabinete da Presidência da República em São Paulo Rosemary Noronha pediu favores até para o diretor-geral da Polícia Federal, Leandro Daiello -chefe do órgão que a investigava e que faria apreensões em seu escritório semanas depois.
    O pedido ocorreu na sede presidencial na capital paulista, menos de um mês antes de a PF deflagrar a Operação Porto Seguro, que desarticulou um esquema de venda de pareceres e indiciou Rosemary sob a acusação de tráfico de influência, corrupção passiva e formação de quadrilha.
    Daiello estava na cidade para uma reunião sobre segurança pública. Rosemary não participou do encontro, mas, ao final, procurou o policial e se apresentou como assessora desde a época do ex-presidente Lula.
    Segundo descreveram à Folha dois policiais que atuaram na Porto Seguro, ela pediu ao diretor da PF ajuda para seu marido, João Oliveira.
    Ao policial Rose contou que o marido entrava com facilidades nos Estados Unidos só quando desembarcava em Nova York. Reclamou que ele sempre era revistado quando desembarcava por Miami.
    Rose pediu que o diretor da PF entrasse em contato com autoridades norte-americanas para tentar resolver a questão -sem detalhar como.
    Ele ficou receoso porque poderia ser uma tentativa de Rose para descobrir se estava sob investigação ou porque poderia acabar gerando alguma repercussão.
    Daiello sugeriu que ela enviasse o pedido por e-mail, para deixar registrado o possível tráfico de influência.
    FOTOS E CURRÍCULOS
    Os policiais ouvidos pela Folha contaram que Daiello avisou os investigadores sobre a mensagem -que poderia eventualmente servir para apurar evasão de divisas. O e-mail foi enviado e está nos autos do processo.
    Na mensagem, Rose diz a Daiello que, como combinado, enviava dados de seu marido: nome, RG, CPF e passaporte. Ela mandou o pedido por meio da conta oficial da Presidência para o endereço de e-mail do diretor da PF.
    Procurado pela reportagem, Daiello disse que não comentaria a investigação.
    A PF fez busca e apreensão no escritório de Rosemary na sede da Presidência. Lá, havia fotos dela com Lula, inclusive em encontros informais, como um churrasco.
    Outro local em que a polícia fez busca foi o gabinete de José Weber Holanda, ex-advogado-geral-adjunto da União, também indiciado. Na sala dele havia ao menos dez currículos de juízes que se colocavam como nomes ao Supremo Tribunal Federal -entre eles o de Teori Zavaski, recentemente nomeado.
    A AGU é um dos órgãos que analisam nomes de futuros ministros do STF. Alguns currículos eram acompanhados de cartas de parlamentares.
    OUTRO LADO
    O advogado de Rosemary Noronha, Celso Vilardi, disse ter visto o e-mail no material apreendido pela PF, mas afirmou que o e-mail não tinha relevância criminal.
    Segundo Vilardi, o próprio delegado Ricardo Hiroshi “não deu relevância para a mensagem” e não a destacou entre as provas. Ele disse que ainda analisa o material da PF para apresentar a defesa.

    • Carlos Ferreira disse:

      Gabriel,
      “Há uma ebulição no cenário político, transformações profundas com a mudança de guarda nos dois principais partidos políticos pós-redemocratização – PT e PSDB -, a busca de protagonismo por agentes oportunistas – especialmente o STF (Supremo Tribunal Federal) e mídia, também ela submetida a grandes transformações.
      Há dois cenários possíveis para o Brasil:……”
      Texto completo: Para entender o jogo político
      Abs,
      Carlos

  4. Um partido político deveria estar em primeiro lugar comprometido com a população brasileira e não com ditadores fora do país e ter ainda ligações revolucionárias. Pensou-se que a chance de encher os cofres seria aquela. Resultado de tudo isso: O presidente não governou; houve a maior corrupção ativa da história; a população ficou na mão, sem os serviços essenciais e nem sei como está administrando palestras no exterior após essa gestão desastrosa. Isso é excentricidade ou simplesmente a busca de um labirinto para se jogar? Suas desculpas e posteriormente a condenação ainda seriam honrosas se viessem no tempo certo e mesmo tendo feito sujeiras como essas. A honra passou longe e o descrédito é parte desse contexto. Preferiu passar o tempo como um contraventor inconfesso do que ir a público e reconhecer que errou. Faltou caráter; faltou responsabilidade; faltou a vergonha; faltou a verdade; faltou discernimento; faltou berço…08 (oito) anos de enganação ao povo brasileiro. Chefiou uma “quadrilha da pesada” para no fim dizer que a população tem memória curta, que ele não sabia de nada e que não lembrarão mais disso tudo daqui a algum tempo. Um falastrão inconseqüente. O Brasil de nosso coração não se esquecerá disso. Honraremos nossa pátria até os fins dos tempos. Faremos nossa escolha política com os olhos de Deus. Adeus Lula, tenha bom proveito de suas inconseqüentes mentiras e artimanhas. Isso tudo ainda poderá se tornar amargo no decorrer de sua vida e tenho fé que você ainda se arrependerá de ter exercido seu cargo com os olhos fora do Brasil. Poderia ter sido uma gestão presidencial irrepreensível, mas cada cabeça uma sentença não é verdade? Até um dia companheiro!…

    • Carlos Ferreira disse:

      Os adversários creditam à mídia a tarefa de desqualificar a maior conquista progressista deste ciclo, sem o quê tudo o mais fica um tanto difícil: a redução superlativa da fome, da miséria e da pobreza.

      É um osso duro de roer.

      Os avanços acumulados desde 2003 são inegáveis. Em certa medida, épicos.

      A desigualdade brasileira ainda grita alto em qualquer competição mundial.
      Mas, exceto no caso da China, foi a que registrou o maior queda em plena crise do capitalismo, quando dois terços das nações viram crescer a distancia entre ricos e pobres.

      No Brasil deu-se o inverso.

      A linha da exclusão que antes figurava como o eletrocardiograma de um morto passou a se mexer.

      Inquieta, alterou o metabolismo de toda a nação.

      Chega a ser paradoxal. A narrativa conservadora desconsidera a dinâmica vigorosa embutida nesse degelo social.

      Mas incendeia as manchetes com o esgotamento (real) da infra-estrutura, a saturação dos aeroportos, a pressão da demanda sobre a oferta elétrica.

      Ou isso, ou aquilo. Ou se reconhece os novos aceleradores do desenvolvimento ou o alarde dos gargalos é descabido.

      Ambos são reais.

      A década do PT tirou da miséria e propiciou a ascensão na pirâmide de renda a uma população equivalente a da Argentina.

      Dados do IPEA ignorados pelo jornalismo conservador fornecem detalhes preciosos de um país em mutação inconclusa, mas dificilmente reversível a frio.É em torno do passo seguinte desse processo que se trava a guerra politica atual.

      Fatos:

      a) de 2003 a 2011, a economia brasileira cresceu a uma taxa acumulada de 40,7%; o PIB per capita aumentou 27,7%; mas a renda nos domicílios cresceu mais de 40%. A diferença evidencia o peso das transferências sociais -Bolsa Família, aposentadorias e benefício de prestação continuada, como a aposentadoria rural;

      b) a renda per capita dos 10% mais pobres avançou 91,2% em termos reais nesse período –e 16,6% entre os 10% mais ricos;

      c) a dos 10% mais pobres cresceu 550% mais rápido que a dos 10% mais ricos.

      d) os 20% mais ricos tiveram um aumento de renda inferior ao de seus pares dos BRICS.

      e) mas o crescimento da renda dos 20% mais pobres superou o dos BRICs, exceto China.

      f) a renda do Nordeste cresceu 72,8% entre 2003 e 2011 — variou 45,8% no Sudeste.

      g ) similarmente, cresceu mais nas áreas rurais pobres, 85,5%, contra 40,5% nas metrópoles e 57,5% nas demais cidades.

      g) a dos pretos e pardos teve um salto de 66,3% e 85,5%, respectivamente — ficou em 47,6% no caso dos brancos.

      h) a renda das crianças de 0 a 4 anos avançou mais de 60%.

      i) sem as políticas redistributivas do Estado, a desigualdade teria caído 36% menos que os 57% efetivamente registrados.

      j) a renda média precisaria ter aumentado quase 89%, em vez dos 32%, para que a pobreza tivesse a mesma evolução, sem a intervenção direta do Estado.

      Ao contrário do que assevera o balanço da mídia isenta, portanto, o modelo não é insustentável.

      Ele é avassalador por conta das massas de forças que despertou, sacudiu, agregou e conflitou.

      Seu principal impulso, ao contrário do que pontifica a tese do assistencialismo insustentável, decorre predominantemente da renda do trabalho.

      Ela representa mais de três quartos da renda total que lubrifica a economia — e é preciso impedir que o seu efeito multiplicador vaze para fora, nutrindo-se de importações que geram empregos e investimentos de qualidade lá e não aqui.

      A constatação não altera a essência política do jogo em andamento: o Brasil foi o país que melhor utilizou o crescimento econômico dos últimos anos para elevar o padrão de vida e o bem-estar da população. Isso, graças às políticas públicas deliberadamente voltadas ao mais pobres, entre elas a decisão de elevar o poder de compra do salário mímimo em 60% em termos reais.

      Não é propaganda eleitoral do PT.

      É o que afirma um levantamento feito pela consultoria Boston Consulting Group (BCG), que comparou indicadores econômicos e sociais de 150 países, nos últimos cinco anos.

      Sua conclusão :

      “Se o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro cresceu a um ritmo médio anual de 5,1% entre 2006 e 2011, os ganhos sociais obtidos no período são equivalentes aos de um país que tivesse registrado expansão anual de 13%. O desempenho brasileiro deve ser creditado principalmente à distribuição de renda. O Brasil diminuiu consideravelmente as diferenças de rendimento entre ricos e pobres na década passada, o que permitiu reduzir a pobreza extrema pela metade.”

      Não é algo que se despreze,como teimam as manchetes conservadoras.

      Leia o artigo completo.

  5. Não costumo “meter o pau” em ninguém, afinal somos humanos e sujeitos aos erros, mas, essa atitude do Lula frente a esse mensalão foi simplesmente grotesca e vergonhosa. Será que ele pensa que está enganando alguém com esse papo de “NÃO SEI DE NADA”? Como pode existir no mundo uma pessoa desse tipo? Eu chamo a isso de COVARDIA. Medo de dar à mão a palmatória e doer. Será que ele pensou em seus “COMPANHEIROS” como sempre dizia? Tirou o dele da reta e fim, o resto que se f….
    Existe HONRA nessa atitude? De um indivíduo dessa índole pode se esperar tudo. Infelizmente esse mesmo cara foi nosso presidente da república. É importante que conheçamos a face desse sindicalista para não repetirmos o mesmo erro. O melhor: O BRASIL SOBREVIVEU A TUDO ISSO. Abraços. Parabéns pelo Blog!…

  6. A arrogância não deixou que Lula falasse a verdade. Para a população brasileira não ficou nenhuma dúvida, a corrupção ativa enveredou pelo Palácio do Planalto. Não houve rigor na apuração dos fatos pelo STF, senão certamente teríamos um novo impeachment. Para o Brasil foi uma imensa perda e omitiu-se a grande chance de se passar tudo a limpo. A pizza foi servida a quem desejar saboreá-la. Meus reverentes pêsames à todos!…

    • Carlos Ferreira disse:

      Para os saudosos do período neoliberal:
      Publicado em 22-Jan-2013

      Uma comparação simples entre os governos de Fernando Henrique Cardoso (PSDB) e Lula/Dilma Rousseff (PT), em torno de uma dúzia ou pouco mais de pontos – não precisa mais que isto – mostra o quanto é diferente o jeito de governar dos tucanos e dos petistas. A comparação em cima dos resultados obtidos por um e por outro prova, também, o quanto é sem sentido e se dá em cima de razões meramente políticas a insistência dos tucanos em dizer que os governos Lula, principalmente no campo econômico, foram continuidade dos dois mandatos do presidente FHC.

      1) Taxa de inflação (IPCA):
      FHC (1995-2002) – 100,6;
      Lula (2003-2010) – 50,3%;

      2) Taxa de Desemprego (IBGE):
      FHC (Dezembro de 2002) – 10,5%;
      Dilma (Dezenbro de 2011) – 4,7%;

      3) Taxa Selic (Banco Central):
      FHC (Dezembro de 2002) – 25% a.a.;
      Dilma (Agosto de 2012) – 7,5% a.a.;

      4) Salário Mínimo (IBGE):
      FHC (Dezembro de 2002) – R$ 200 (US$ 56);
      Dilma (Agosto de 2012) – R$ 622 (US$ 306);

      5) Investimentos Públicos (Banco Central):
      FHC (2002) – 1,5% do PIB;
      Lula (2010) – 2,9% do PIB;

      6) Dívida Pública Líquida (Banco Central):
      FHC (Dezembro de 2002) – 51,5% do PIB;
      Dilma (Julho de 2012) – 34,9% do PIB.

      7) Reservas Internacionais Líquidas (Banco Central):
      FHC (Dezembro de 2002) – US$ 16 bilhões;
      Dilma (Agosto de 2012) – US$ 372 bilhões;

      8) PIB (Banco Central):
      FHC (2002) – US$ 459 bilhões (2º da América Latina e 15º do mundo);
      Dilma (2012) – US$ 2,4 Trilhões (1º da América Latina, 2º das Américas e 6º do mundo);

      9) Exportações (Banco Central):
      FHC (2002) – US$ 60 bilhões;
      Dilma (2012) – US$ 256 bilhões;

      10) Empregos Formais (Caged-Ministério do Trabalho):
      FHC (1995-2002) – 5 milhões;
      Lula-Dilma (2003-2011) – 17 milhões;

      11) Escolas Técnicas Federais (MEC):
      FHC – 11;
      Lula – 224;

      12) Universidades Federais (MEC):
      FHC – 1;
      Lula – 14;

      13) ProUni (MEC):
      FHC – Não existia;
      Lula-Dilma – 1 milhão de estudantes beneficiados;

      14) Crescimento Econômico:
      FHC (1995-2002) – 2,3% a.a.;
      Lula (2003-2010) – 4,6% a.a..

      15) Balança Comercial (Banco Central):
      FHC (1995-2002) – Déficit de US$ 8,7 bilhões;
      Lula-Dilma (2003-2011) – Superávit de US$ 290 bilhões

  7. O país encontra-se inchado, barrigudo, o que vemos não é a realidade econômica como muitos pensam e sim um cenário virtual. Há quantas indústrias genuinamente nacionais? Um país que se fia em multinacionais para se soerguer não está investindo em seu futuro e sim vivenciando uma grande farsa. O estímulo ao empreendedor inexiste e quando aparece uma luz, o fisco e a burocracia se encarregam de apagá-la. O Brasil de hoje não sobrevive com suas próprias pernas, utiliza-as sem que alguém questione se um dia não haverá quem as tire. O PT inflacionou o país, tanto em sua dívida interna , quanto externa e tenta passar uma imagem irreal de construtividade. Quem acredita é cego.

  8. Parem de puxar o saco, pombas! Vamos ser realistas!. Se desconhecem os caminhos da política, tudo bem, mas dizer que o PT “produziu desenvolvimento sustentável” ao país é demais para meu Q.I.. Esquecem-se do MENSALÃO? É de conhecimento de todos que o PT só se apossou dos números e desenvolvimentos alcançados nas eras passadas, inclusive na era Fernando Henrique. O PT atualmente está apenas fazendo o Brasil crescer a míseros 0,9%, uma vergonhosa catástrofe administrativa.

    • Carlos Ferreira disse:

      Por que o Brasil não avança?

      Por André Nassif e Carmem Feijó
      A julgar pelo crescimento de 0,9% do Produto Interno Bruto (PIB) de 2012, divulgado pelo IBGE, a taxa média de crescimento econômico no Brasil terá sido de apenas 3,2% no período 1999-2012, bem inferior aos 5,7% estimados para os demais países em desenvolvimento. É verdade que, entre 2004 e 2007, o Brasil ensaiou retomar o processo de crescimento sustentado, com taxas mais elevadas de incremento do produto (ainda assim, abaixo de economias de renda média), inflação sob controle, contas fiscais mais ajustadas e superávit em conta corrente, mas esse cenário foi subitamente interrompido pela crise global a partir de 2008.
      Atualmente, o principal enigma da economia brasileira é: por que, a despeito da parafernália de incentivos governamentais do lado da oferta, adotados com os objetivos de impulsionar o crescimento industrial e o investimento privado, bem como de recuperar a produtividade, ainda assim, a demanda efetiva continua baixa, o investimento patina e a variação do produto real não reage? A resposta é simples.

      Texto completo: Por que o Brasil não avança?

  9. O real desvaloriza-se a 11,33% ao ano e dizem por aí que não há inflação. O PIB brasileiro é vergonhoso frente aos países de primeiro mundo. O crescimento do país a 0,9% não poderia ser pior. Ainda há cegos por aí dizendo que houve governabilidade na era PT. Houve sim, a maior corrupção ativa que se teve notícia e o maior descaso com o saneamento básico até então. A economia brasileira afundou nas mãos do PT e isso é mais claro que o sol que queima nossas faces diariamente.

  10. Catastroficamente o PT ficou por mais 04 anos com Dilma Rousseff e não sei até quando pretende ficar mamando nas tetas do Estado e destruindo o país. Uma vergonhosa administração e aqui nesse blog há uma nítida propensão a apagar os feitos de Fernando Henrique Cardoso e enaltecer as falcatruas do PT para que todos passem a pensar que houve um crescimento estrondoso. O crescimento da corrupção, a dívida externa e a interna realmente cresceram, mas os míseros 0,9% de crescimento são vexatórios. Ainda há dúvidas quanto a ineficiência do PT em gerir crescimento econômico?

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