O CERCO DO OCIDENTE À INDÚSTRIA BRASILEIRA DE DEFESA

“A cada ano, devido à Amazônia e ao Pré-sal, entre outras razões, cresce a importância de a Nação aumentar – como acontece na Europa com complexos industriais militares como a EADS, a Navantia e a Finmecannica – a participação direta do Estado na indústria brasileira de defesa, e o grau de conteúdo nacional nas encomendas que estão sendo contratadas junto a empresas estrangeiras.

Não se pode admitir – como ocorre com a projetada fabricação de 2.000 blindados ligeiros Guarani no município mineiro de Sete Lagoas, pela IVECO – que apenas 60% das peças utilizadas sejam fabricadas no Brasil.

Em caso de conflito, ou mera ameaça de confronto, entre o Brasil e qualquer país da OTAN (Europa e Estados Unidos) a produção desses tanques seria descontinuada, e não teríamos como substituir o material perdido em combate. É de se recordar o exemplo da Argentina, que ficou literalmente a ver navios – nesse, caso, britânicos – na guerra das Malvinas.

Por outro lado, há um verdadeiro cerco dos países geopoliticamente identificados como ocidentais à indústria bélica brasileira. Todas as empresas que desenvolveram tecnologia militar nos últimos anos tiveram o seu controle adquirido por grupos internacionais recentemente.

Com isso, essas multinacionais se apossaram do conhecimento desenvolvido por técnicos e engenheiros brasileiros, e agora podem decidir a seu bel-prazer, seguindo a orientação estratégica dos governos de seus países de origem, até que limite essas empresas que antes pertenciam a empresários nacionais poderão chegar, no desenvolvimento de novas tecnologias bélicas.”

por Mauro Santayana _ Artigo completo: http://www.maurosantayana.com/2012/08/o-cerco-do-ocidente-industria_16.html

Sobre Carlos Ferreira

Engenheiro, com especialização em Políticas Públicas e Governo pela EPPG-IUPERJ. Atuando na área de Energia Nuclear. Membro do Conselho Diretor e do Conselho Editorial do Clube de Engenharia. Conselheiro do CREA-RJ, período 2005 a 2007.
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12 respostas a O CERCO DO OCIDENTE À INDÚSTRIA BRASILEIRA DE DEFESA

  1. O governo vive dizendo na imprensa que os empresários brasileiros precisam investir e mete lá uma carga tributária impossível de se tolerar e fecha o seu caixa a novos investimentos. Há um contra senso nessas atitudes ou não?. Precisamos caminhar juntos para que tenhamos condições para financiar novos projetos, senão, ficará sempre nisso: Dependência externa e exportação de matéria prima. O Brasil não anda sozinho se houver uma catástrofe mundial, essa é que é a verdade fria e crua.

  2. O governo abusa de sua inoperância, cobra caro por sua ineficiência em lidar com o dinheiro público e ainda cobra um posicionamento da iniciativa privada. Não há o que responder diante de tamanha defasagem política e institucional. O empresariado responderá à partir do momento em que houver seriedade na governabilidade do país.

  3. 29/08/2012 – 04h31
    Jovem de 17 anos ganha provas internacionais de física, linguística e astronomia
    LAURA CAPRIGLIONE
    DE SÃO PAULO
    Ivan Tadeu Ferreira Antunes Filho, 17, é um prodígio.
    Entre 13 de julho e 14 de agosto, emendando uma competição na outra, ganhou na Estônia a medalha de ouro na Olimpíada Internacional de Física, a prata na Olimpíada Internacional de Linguística, na Eslovênia, e no Rio, a prata na Olimpíada Internacional de Astronomia.
    O garoto disputou com a elite dos estudantes do planeta. A prova individual de linguística, uma das mais interessantes, exigiu a resolução de problemas a respeito de cinco línguas: dyirbal, umbu-ungu, teop, rotuman (diferentes idiomas da Oceania) e basco (da região espanhola). A prova em grupo versou sobre o tai-kadai, do sudeste asiático e do sul da China.
    Antes que alguém se assuste, Ivan já explica: “Não, eu não tinha de conhecer essas línguas previamente”. Ah!
    “É competição de lógica. Você tem de perceber os padrões do uso da língua.” Uma questão clássica: fornecem-se ao estudante duas listas, uma com frases em uma língua desconhecida; outra, uma lista de traduções. “Só que elas não estão ordenadas e uma das traduções está errada”, diz Ivan. O desafio é descobrir qual tradução está errada, fazer a correspondência das traduções e apontar o erro da tradução.
    A medalha de prata que Ivan trouxe é a primeira conquistada pelo Brasil na história dessa competição.
    Filho de médicos de Lins (429 km de São Paulo), Ivan começou a disputar olimpíadas na quinta série. Com 14 anos, foi sem os pais para o Azerbaijão participar de sua primeira prova internacional.
    Visitou dez países graças às competições. A viagem para a Disney com a família estava marcada, mas, na mesma data, apareceu uma semana de matemática em São José do Rio Preto (443 km de São Paulo). Adeus, Disney.
    SOLTEIRO
    Hoje, Ivan vive em São Paulo, em uma pensão vizinha ao Colégio Objetivo Integrado, onde estuda. Está “solteiro”, diz. A família mora em Lins.
    Ivan não se acha superdotado. “Qualquer pessoa que se dedique como eu conseguirá resultados iguais.” A memória também não é excepcional. “Costumo esquecer os nomes das pessoas.”
    O segredo do sucesso? “Ser um campeão olímpico depende de curiosidade, planejamento, interesse e dedicação verdadeira”, afirma.
    O dia começa às 7h10, quando entra na escola. Vai até as 12h50, saída das aulas. À tarde, o jovem estuda por até seis horas. Mas têm dias em que o esforço se limita a ler 20 páginas de algum livro.
    Sem rotinas férreas, recomenda que se tracem objetivos claros. “Tipo: quero acabar esse livro até tal data. Algumas metas têm de ser de longo prazo. Para ir à Internacional de Física, comecei a estudar um ano e meio antes.”
    Para aqueles que se acham modelos de dedicação infrutífera, Ivan tem duas hipóteses: “Ou são pessoas que pensam que se dedicam, mas não se dedicam tanto, ou se dedicam usando estratégias de aprendizado inadequadas.”
    Ele dá um exemplo de “estratégia inadequada”. Durante o treinamento para a Olimpíada de Linguística, Ivan percebeu que estava estagnado. “Os professores diziam que deveríamos conhecer as teorias antes, mas para mim não funcionou.”
    Em vez de desistir, o jovem criou seu próprio método. “Para mim, foi muito melhor fazer as provas passadas, lendo a resolução e anotando todos os pontos importantes.”
    A lição que extraiu: “Existem estratégias que funcionam para algumas pessoas, e outras que funcionam para outras. Você tem de descobrir a que funciona para você”.
    Ivan se preocupa com a fama de “egoístas” que cerca alunos “olímpicos” como ele. Há dois anos, mantém com amigos o endereço http://www.olimpiadascientificas.com, com dicas de estudos. “Também tiramos dúvidas”, diz. “É nossa forma de ajudar.”
    O menino que pensa em estudar em Harvard, Oxford, Princeton, MIT ou Cambridge – “As suas chances de ser aceito aumentam muito se você vencer uma olimpíada internacional”, escreveu ele no site- não tem ainda a menor ideia de qual carreira seguirá. “Eu gosto de tudo, não consigo decidir o que fazer.”

    • Carlos Ferreira disse:

      Grande relato Homero, a nos encher de orgulho. Muito obrigado por compartilhá-lo. É uma lástima que não haja a devida divulgação na mídia para feitos desta magnitude, se a chamada grande imprensa desse visibilidade certamente isto iria estimular outros Ivans escondidos por este nosso imenso País!
      Se voce permitir, eu gostaria de postar este texto para que seja divulgado no Portal em que este blog está hospedado. Se possível envie o link da notícia original.
      Forte abraço,
      Carlos

  4. A partir do momento em que o governo passar a valorizar a educação, será possível vislumbrar um futuro mais ameno ao Brasil. As linhas de pesquisas encontram-se travadas por falta de verbas do CNPQ e isso leva o cientista brasileiro a perder sua fé e buscar outros países que queiram dar continuidade em suas pesquisas. Há inúmeros brasileiros lá fora produzindo tecnologias que o Brasil compra, isso não é um contra-senso? Estamos perdendo cabeças excepcionais para os países de primeiro mundo. No Brasil há poucos centros educacionais que se dedicam a pesquisas e isso torna-o dependente de tecnologias externas. Um estímulo nessa área faria com que o país passasse a produzir cérebros e linhas de pesquisas que pudessem alavancar a indústria nacional. Tudo é questão de uma visão governamental mais progressista e mais situada em termos de produtividade tecnológica.

    • Carlos Ferreira disse:

      Wilson, tudo isto é verdade, mas o empresariado brasileiro não investe em P&D + Inovação, não se associa à centros de pesquisas universitários para melhorar seus produtos, agregar valor e inovar. De uma maneira geral, vive de renúncia fiscal, subsídios,financiamentos de bancos públicos com juros camaradas e protecionismos. Por outro lado, a desnacionalização do parque industrial brasileiro, incluindo empresas de engenharia e agora até a área de varejo (supermercados), foi e continua sendo brutal, restanto muito poucas empresas que podem ser consideradas genuinamente nacionais. Sugiro a leitura do post: Inovação tecnológica e fortalecimento da indústria nacional .
      Forte abraço,
      Carlos

  5. Pouco se fez ao Brasil nesses últimos anos, onde a situação foi substituída pela oposição. Pensava-se, pelas constantes críticas, que haveria uma governabilidade ostensiva e dotada de um planejamento incomum, mas hoje, nota-se claramente que houve um retrocesso e um descuido com o país. Todas as áreas estão necessitando de uma revitalização. Há falhas conjunturais preocupantes e desafios que jamais foram concretizados. Há uma desconexão dos três poderes que deixa tudo às claras quanto a incapacidade administrativa de se governar com objetividade e precisão. Como podemos dizer que o governo e o empresariado falam a mesma língua? Como podemos dizer que a classe média e baixa são bem assistidas? Como podemos dizer que houve realmente o combate à corrupção, conforme foi prometido pelo governo anterior? Nossas forças armadas são o reflexo dessa desorganização política. Infelizmente o Brasil não está nos trilhos como disse o Ministro Guido Mantega e não tão seguro quanto se pensa em termos econômicos. O Ministro Celso Amorim não é um mágico, não poderá fazer muita coisa senão houver consenso e responsabilidades em relação a soberania nacional. O Congresso Nacional precisa caminhar de acordo com as necessidades estruturais do país e deixar que se produzam sustentabilidade em todos os setores da economia brasileira. A aprovação de verbas para os setores básicos como a educação, a saúde e o saneamento básico é condição indispensável ao crescimento nacional.O diálogo entre todos os setores administrativos é condição importante para que se priorize os setores de importância capital ao país e determine uma diretriz evolutiva.

  6. 13/08/201200h03
    Forbes ironiza preços da Chrysler no Brasil e quem busca status em carro caro1603

    Do UOL, em São Paulo (SP)

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    Divulgação

    Jeep Grand Cherokee: nos EUA é carro de classe média baixa; no Brasil, só o bacana tem…
    Um jornalista da versão online da revista americana Forbes, especializada em finanças e muito conhecida por compilar listas das maiores fortunas do mundo, escreveu um artigo em que ataca o preço excessivo cobrado no Brasil por modelos da Chrysler. Especificamente, citou o Jeep Grand Cherokee, já à venda no país, e antecipou crítica ao futuro preço do Dodge Durango, que só deve ser mostrado no Salão do Automóvel de São Paulo, em outubro.

    Jeep e Dodge são marcas do grupo Chrysler, hoje controlado pela Fiat.

    “Alguém pode imaginar que pagar US$ 80 mil por um Jeep Grand Cherokee significa que ele vem equipado com rodas folheadas a ouro e asas. Mas no Brasil esse é o preço de um básico”.

    É assim, em tradução literal, que começa o texto de Kenneth Rapoza, jornalista que cobre os países BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China) para a Forbes. O título original é “Brazil’s ridiculous $80,000 Jeep Grand Cherokee”, que, vertido ao pé da letra, fica “O Jeep Grand Cherokee brasileiro de ridículos US$ 80 mil”. O termo ridiculous, quando usado em frases construídas assim, serve para sublinhar o exagero daquilo a que se refere (no caso, o preço), em vez de simplesmente significar “ridículo”. Mas a crítica continua duríssima.

    Rapoza centra sua argumentação nos modelos da Chrysler e não comenta, por exemplo, que mesmo os carros fabricados no Brasil também são relativamente caros. O jornalista aponta os culpados de sempre pelos preços inflados (ele prevê o Durango a R$ 190 mil): impostos sobre importados e outras taxas aplicáveis a produtos industriais. “Com os R$ 179 mil que paga por um único Grand Cherokee, um brasileiro poderia comprar três, se vivesse em Miami”, escreve Rapoza. O valor é o da versão Laredo; a Limited custa R$ 204,9 mil.

    Mas a questão principal, para ele, é mostrar que o brasileiro que gasta esse dinheiro todo num modelo Jeep não deveria acreditar que está comprando um produto que lhe dê status. “Sorry, Brazukas” (sic), escreve Rapoza. “Não há status em comprar Toyota Corolla, Honda Civic, Jeep Cherokee ou Dodge Durango; não se deixe enganar pelo preço cobrado”.

    O jornalista acrescenta que “um professor de escola primária pública no Bronx [bairro de Nova York]” pode comprar um Grand Cherokee pouco rodado, enquanto no Brasil trata-se de carro de bacana. A citação de Civic e Corolla é importante porque, nos Estados Unidos, estes são considerados carros baratos, de entrada — mas no Brasil, mesmo fabricados localmente, custam mais de R$ 60 mil (cerca de US$ 30 mil).

    SE É CARO, É MELHOR
    O que Kenneth Rapoza diz, no fundo, é que o consumidor brasileiro confunde preço alto com qualidade, e/ou atribui status a qualquer coisa que seja cara. O jornalista reconhece que vê esse “valor de imagem” em carros de Audi, BMW, Mercedes-Benz e grifes esportivas italianas, mas jamais em modelos do grupo Chrysler.

    Essa tese é explicada exaustivamente por Rapoza nas respostas aos comentários de leitores, que, até a publicação desta reportagem, eram 88 — muitos deles postados por pessoas usando nomes brasileiros.

    Ali, o próprio Rapoza arrisca algumas palavras em português. Em seu perfil no site da Forbes, o jornalista relata que cobriu o país “pré-Lula e pós-Lula”, sendo que nos últimos cinco anos trabalhou como correspondente aqui para o Wall Street Journal e a agência Dow Jones. Agora está baseado em Nova York.

  7. O PAÍS DAS OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS

    O compromisso da União de racionalização do sistema tributário, desde o início da implantação do Sistema Público de Escrituração Digital, vem caindo por terra com a criação de novas exigências fiscais. De acordo com estudo feito com 183 países pelo Banco Mundial e a PricewaterhouseCoopers, o Brasil conquistou o último lugar em tempo gasto no cumprimento delas: 2,6 mil horas anuais. Este panorama é reflexo da tendência do governo em criar novas obrigações acessórias.
    A última veio com Instruções Normativas 1.277/12 e 1.281/12, que criou e implantou nova declaração para os prestadores de serviços que negociam com estrangeiros: o Sistema Integrado de Comércio Exterior de Serviços – Siscoserv, que veio para se juntar ao grande emaranhado de exigências como DIPJ, DIRF, DACON, DCTF, DIMOB, DMED, GFIP/SEFIP, DITR, PER/DCOMP, EFD-Contribuições, EFD, ECD, FCONT, DIMOF, DNF, MANAD, só para citar as de âmbito Federal.
    “Como se já não bastasse o insuportável peso da obrigação principal: o pagamento dos tributos, o contribuinte ainda precisa arcar com o ônus das obrigações acessórias, que demandam cada vez mais tempo e gastos”, explica o presidente do SESCON-SP, José Maria Chapina Alcazar.
    A inversão do papel fiscalizador, que é do Estado, mas vem sendo transferido para o contribuinte, segundo o líder setorial, só traz prejuízos. “Além de se desviar de sua atividade, o empreendedor precisa decifrar a complexa legislação brasileira, gastar tempo e dinheiro com o preenchimento de declarações e, caso tenha cometido algum erro, ainda fica sujeito ao pagamento de altíssimas multas, que podem até levar o negócio à falência”, destaca. “Tudo isso para municiar o Fisco de informações, ajudá-lo na fiscalização”, acrescenta.
    Para o empresário contábil, este comportamento do governo deve condenar, em pouco tempo, o crescimento do País, tendo em vista suas consequências como a desindustrialização, a inibição de empregos, a falta de competitividade das empresas nacionais no contexto mundial, além do aumento do Custo Brasil.
    O SESCON-SP tem cobrado insistentemente da Receita Federal do Brasil e de outros órgãos a simplificação do sistema tributário, com medidas como a descentralização dos prazos de entregas de declarações e a extinção de obrigações redundantes. Chapina Alcazar cita como exemplo o recém-criado Siscoserv, que solicitará informações semelhantes às constantes na DIPJ e na DIMOF.
    No intuito de contribuir, o Sindicato fez um mapeamento de obrigações acessórias nas três esferas governamentais e entregou à RFB. “O empreendedorismo está no seu limite, imerso em tantas obrigações e elevada carga tributária. Agora é o momento de o rigor e estrutura tecnológica destinados à fiscalização e ao controle serem empregados também em benefício dos contribuintes”, argumenta Chapina Alcazar, frisando que disto dependente o desenvolvimento de um País forte, estruturado e sustentável.

    • Carlos Ferreira disse:

      Roberto, você tem toda razão, a estrutura tributária no Brasil é uma Hidra quase impossível de ser abatida, pois há muitos interesses envolvidos .
      Há impostos por dentro, por fora, efeito cascata, um cipoal de legislações em níveis federal, estadual e municipal, muitas conflitantes e/ou sobrepostas, que se tornou um enorme desafio até mesmo para especialistas. Tudo isto é parte importante do chamado “Custo Brasil”. Contudo, a Reforma Tributária é “empurrada com a barriga” há décadas, sem qualquer perspectiva de que entre na agenda do Congresso Nacional. Um das maiores resistências vem dos governos estaduais. Assim, embora eu não tenha ilusões quanto ao sucesso, para se tentar algo seria necessária uma forte mobilização da sociedade, mas quem irá liderar tal movimento?
      Forte abraço,
      Carlos

  8. 25/09/2012 – 15h54
    Do UOL, em São Paulo

    Apesar de avanço, Brasil continua entre os 12 países mais desiguais, segundo Ipea.

    O Brasil atingiu em 2011 o menor nível de desigualdade social já verificado desde o início das séries históricas, em 1960. Mesmo assim, a desigualdade brasileira está entre as 12 mais altas do mundo. Os dados foram divulgados nesta terça-feira (25) pelo Instituto de Política Econômica Aplicada (Ipea).
    O estudo “A década inclusiva”, apresentado pelo presidente do Ipea, Marcelo Neri, usou dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
    “Não há, na história brasileira estatisticamente documentada desde 1960, nada similar à redução da desigualdade de renda observada desde 2001″, disse Neri.
    “Assim como a China está para o crescimento econômico, o Brasil está para o crescimento social.”
    A diminuição da desigualdade é medida pelo coeficiente de Gini, que passou de 0,594 em 2001 para 0,527 em 2011. No índice, quanto mais perto de zero menor a desigualdade entre os mais ricos e os mais pobres do país. “O Brasil está no ponto mais baixo da desigualdade, embora ela ainda seja muito alta”, ressaltou o presidente do Ipea.
    O salário dos 10% mais pobres da população brasileira cresceu 91,2% entre 2001 e 2011. O movimento engloba cerca de 23,4 milhões de pessoas saindo da pobreza. Já a renda dos 10% mais ricos aumentou 16,6% no período, de forma que a renda dos mais pobres cresceu 550% sobre o rendimento dos mais ricos.

    Crescimento dos salários e peso do Bolsa Família

    O crescimento dos salários é o principal indicador para a melhoria, aponta o estudo. É o que responde por 58% da diminuição da desigualdade. Em segundo lugar vem os rendimentos previdenciários, com 19% de contribuição, seguido pelo Bolsa Família, com 13%. Os 10% restantes são benefícios de prestação continuada e outras rendas.
    Neri ressaltou que, dentre todos os vetores para a diminuição da desigualdade, o Bolsa Família é o mais eficaz, do ponto de vista fiscal.
    “Se todos os recursos pudessem ser canalizados à mesma taxa para o Bolsa Família, ao invés da previdência, a desigualdade teria caído mais 362,7%”, exemplificou Neri no estudo.
    A disparidade de renda entre brancos e negros também se alterou. Segundo os dados apurados pelo Ipea, a parcela da população que se declara como negra teve crescimento da renda de 66,3% nos 10 anos. Maior variação foi apurada entre os pardos (85,5%). Entre os brancos, o crescimento foi de 47,6%.
    O recorte por regiões mostra que no Nordeste a renda subiu 72,8%, enquanto no Sudeste cresceu 45,8%, sempre no mesmo período de comparação. O estudo conclui que houve queda de 3,2% no coeficiente de Gini entre junho de 2011 e o mesmo mês de 2012, tendo como base dados da Pesquisa Mensal de Emprego (PME) do IBGE.

    Imagem de Belíndia continua

    “A imagem da Belíndia continua exata”, disse Neri, referindo-se ao termo cunhado por Edmar Bacha. O neologismo tentava demonstrar que os ricos brasileiros viviam em um país semelhante à Bélgica, enquanto os mais miseráveis estavam em situação semelhante à população pobre da Índia.
    “A diferença é que agora os pobres brasileiros crescem a taxas indianas, enquanto os ricos crescem como os países europeus.”

    • Carlos Ferreira disse:

      Roberto, excelente contribuição, com um ótimo texto, bem embasado e em perfeita sintonia com o momento, quando da publicação do IPEA. O trabalho do IPEA mostra de forma clara, sem possibilidade de contestação, que o monumental trabalho feito nos últimos 10 anos efetivamente esta dando resultado. É o começo do resgate de séculos, implementado em uma década.
      Se voce permitir, eu gostaria de postar este seu artigo no blog, com a identificação do autor. Acho importante que saia no portal. Aguardo sua resposta.
      Abração,
      Carlos

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