QUEREMOS CONDUZIR COM INDEPENDÊNCIA NOSSO DESTINO

Reproduzo a seguir o Editorial da Edição 514, do Jornal do Clube de Engenharia, em defesa da consolidação de um parque industrial genuinamente nacional. E

Encontra-se também disponível o link da edição completa do Jornal.

 

QUEREMOS CONDUZIR COM INDEPENDÊNCIA NOSSO DESTINO

Ao revogar toda a legislação de proteção e estímulo à criação de tecnologia brasileira e de proteção à empresa brasileira de capital nacional até então existente, os governos Collor e Fernando Henrique Cardoso encerraram a era da política desenvolvimentista de substituição de importações.

Caía por terra um tempo no qual o Brasil cresceu a taxas que se assemelham às experimentadas hoje pela China. A indústria nacional já era bastante diversificada e sólida e o parque industrial possuía grandes empresas produtoras de bens de capital. A Petrobras e o BNDES incentivaram a criação de 5.000 fornecedores de equipamentos e 3.000 fornecedores de serviços para a indústria de petróleo.

O setor de consultoria de engenharia gerava milhares de empregos de alta qualidade para engenheiros e outros profissionais da área tecnológica. A garantia da contratação de serviços de consultoria de engenharia pelo setor público para empresas nacionais permitia o desenvolvimento autóctone de capacidade técnica e de gerenciamento na implantação da nossa infraestrutura e na formação bruta de capital fixo.

A política econômica de juros altos, com consequente valorização do câmbio, reivindicação do mercado financeiro, foi danosa à indústria nacional. As empresas perderam competitividade e não puderam resistir. A maior parte das médias e pequenas indústrias desapareceu. As grandes fecharam ou foram absorvidas por multinacionais do setor.

Todo esse quadro é preocupante, para não dizer dramático, se pensarmos estrategicamente. As decisões de investimento das empresas são pouco influenciadas pelos reais interesses nacionais, na medida em que o planejamento das matrizes na Europa ou nos Estados Unidos da América, decidem aonde vão se dar os investimentos, quais tecnologias adotar e aonde serão realizadas as compras dos insumos para a produção, entre outra ações.

Mais preocupante ainda é constatar que nossa pauta de exportações é cada vez mais composta por produtos básicos como commodities dos setores agrícolas e minerais.

Os profissionais que militam de forma voluntária no Clube de Engenharia, debatendo, trocando informações técnicas e procurando soluções para os problemas locais e nacionais, estão dando um brado de alerta: não queremos retornar aos ciclos de exportação de produtos básicos, como os ciclos do café e da cana de açúcar, que ao final só deixaram a pobreza e os passivos ambientais.

Queremos poder conduzir com independência nossos destinos. Queremos um desenvolvimento que sirva ao bem-estar do povo brasileiro. Queremos um desenvolvimento que permita o fim da pobreza e a preservação do meio ambiente.

Para tanto, em 28/11/2011, o Clube de Engenharia lançou o Manifesto em Defesa da Engenharia e da Empresa Brasileira de Capital Nacional. Nele, listamos 12 medidas que consideramos essenciais para atingir os objetivos declarados no parágrafo anterior.

Esta é uma bandeira de luta prioritária para o Clube de Engenharia. Em nossos veículos de comunicação, editoriais, informes, seminários, palestras e em todos os espaços disponíveis estamos e estaremos atentos às propostas, encaminhamentos e projetos em defesa da consolidação de um parque industrial genuinamente nacional.

A Diretoria

Edição Completa: http://www.clubedeengenharia.org.br/novo/PDF/jornal514.pdf

Sobre Carlos Ferreira

Engenheiro, com especialização em Políticas Públicas e Governo pela EPPG-IUPERJ. Atuando na área de Energia Nuclear. Membro do Conselho Diretor e do Conselho Editorial do Clube de Engenharia. Conselheiro do CREA-RJ, período 2005 a 2007.
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