O carro elétrico da Gurgel

luisnassif /por Gilberto, 09/10/2011

A falta de memória: Vejam em http://bestcars.uol.com.br/classicos/gurgel-1.htm a história que poderia ter dado ao Brasil 37 anos de avanço nesta pesquisa. 

Em 1974 foi lançado o Gurgel Itaipú

 Especificações técnicas

Carroceria

Em fibra de vidro e tubos de aço, do tipo Plasteel, patente Gurgel, com dois lugares

Chassi
Tubular de aço integrado a carroceria

Suspensão

Traseira do tipo barra de torção; dianteira, independente, de molas helicoidais, do tipo Mc-Pherson; amortecedores telescópicos

Direção

Do tipo pinhão e cremalheira

Freios

A tambor nas quatro rodas, de acionamento hidráulico; de estacionamento, mecânico, com ação nas rodas traseiras

Motor

Elétrico de 3.000 Watts/120 Volts e 4,2 HP, colocado longitudinalmente embaixo no centro do carro; com enrolamento de campo em série e paralelo

Transmissão

Caixa de engrenagens com redução final de 1:4,35

Baterias

Dez de 12 Volts cada uma, ligadas em série (total de 120 Volts), com capacidade de 84 Ah

Sistema de aceleração

Controle eletrônico de aceleração de corrente secionada, com voltagem média de 2 a 120 Volts

Rodas e pneus

Rodas de magnésio, aro 13 polegadas e tala 6. Medida dos pneus 165×13

Desempenho

No protótipo, 30 Km/h; no carro de série velocidade máxima de 60 Km/h

Autonomia

De 50 a 60 Km

Tempo de recarga

Baterias descarregadas a zero, 10 horas; a 50%, 2 horas e 30 minutos; a 10%, 30 minutos

Sistema elétrico

Faróis, lanternas, limpador de pára-brisas têm alimentação suplementar por uma bateria de 12V/36Ah

Dimensões

Comprimento: 2,65 m; largura: 1,40 m; altura: 1,45 m; distância entre eixos: 1,62 m

Pesos

Carro, 460 Kg; baterias, 320 Kg; total 780 Kg

Sobre Carlos Ferreira

Engenheiro, com especialização em Políticas Públicas e Governo pela EPPG-IUPERJ. Atuando na área de Energia Nuclear. Membro do Conselho Diretor e do Conselho Editorial do Clube de Engenharia. Conselheiro do CREA-RJ, período 2005 a 2007.
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2 respostas a O carro elétrico da Gurgel

  1. É bom lembrarmos do passado, não por nostalgia, ou para chorar o leite derramado. Mas para constarmos quer as mesmas forças do atraso imperam em nosso país (e no mundo) hoje, alheios a nosso progresso democrático, social, cultural e tecnológico. Penso que a cada ano que andarmos para a frente no presente poderemos recuperar dez. Penso que todas as supostas barreiras tecnológicas, estruturais e culturais para a adoção dos veículos elétricos, ou melhor, para o abandono da tecnologia de explosão são inexistentes, mais do que isso, verdadeiras oportunidades de desenvolvimento para nossa Nação. Penso que se todos os setores políticos, econômicos e sociais perderem o medo de perder ganharão em abundância, pois o que precisamos, todo o mundo hoje, é de riqueza nova, a maquiagem de produtos e de conceitos não engana a mais ninguém, a eletricidade apenas trará a luz, com o perdão do trocadilho, para que as trevas deixem de sufocar o sol, as pessoas, as empresas e Nações, nesse verdadeiro efeito estufa criador de guerras, diferenças, corrupção e atraso em que vivemos há tantas décadas para o benefício de poucos países, pessoas, empresas e culturas unidas pelo atraso! Os que tentam frear o progresso perderão como sempre. Os que se unirem a eles traindo a sociedade afundarão juntos, e novas organizações, alinhadas com o presente, haverão de predominar!

  2. PAULO TIMM disse:

    AUTOMOVEL – MEU BEM…MEU MAL…
    A indústria automobilística é o verdadeiro centro de poder no Brasil
    O automóvel destrói o planeta, entope as cidades e nada mais é do que o símbolo sensual de um novo ciclo na História Econômica do Brasil
    Participo de um grupo de economistas que discute a pauta para um novo padrão de desenvolvimento no país. Trata-se de uma espécie de rede, mas sem rede, apenas com um site – http://www.desenvolvimentistas.com.br – que publica todo mês uma Carta dos Desenvolvimentistas. Quem quiser ver a do corrente mês pode acessar dentro um ou dois dias que lá estará ela postada. Hoje tivemos um debate neste grupo: a indústria automobilística no Brasil. Afinal, ela faz bem ou mal ao país?

    A indústria automobilística instalou-se, no Brasil, durante o Governo de JK (1955-60) e foi a pílula dourada daqueles dourados anos. O Brasil, depois décadas de hesitação, afirmava-se no caminho da industrialização e começava sua trajetória rumo ao desenvolvimento. Até ali, ainda havia um grande debate entre os economistas. Os mais conservadores insistindo que deveríamos produzir e exportar aquilo que fazíamos bem: produtos agrícolas; os desenvolvimentistas, Celso Furtado à frente, advogando o salto industrial, mesmo enfrentando as tensões de uma estrutural inflação que o acompanharia. Depois de JK, mesmo sob o regime militar que se instalou em 64 contra as forças políticas que sustentaram a industrialização, esse debate ficou soterrado. Afinal, a criança já havia nascido…Curiosamente, seu símbolo não era um Fusca, então principal produto da indústria, mas Brasília, Nova Capital, como expressão da esperança num novo tempo, a qual, também, foi sustentada pelos militares. Os tempos, enfim, selam o destino.

    A verdade é que a indústria automobilística, com mais de 50 anos, não parou de crescer e, embora já fabriquemos até aviões, produto mais emblemático da era eletrônica, ela é ainda o centro nevrálgico das cadeias produtivas no Brasil. Há um estudo do Ipea ,de 2010, que demonstra este fato , evidenciando, ainda, que seus salários pagam acima dos 80% dos empregos gerados formalmente Brasil, em torno de dois salários mínimos . Acima, ainda , da renda da esmagadora maioria da proclamada nova classe média. Foi em torno desta industria que surgiu o novo sindicalismo brasileiro, cujo produto mais acabado não foi apenas o Lula como líder deste movimento, mas o fato de que ele se transformou no primeiro Presidente operário eleito por forças de esquerda, as mesmas que haviam sido desalojadas em 1964. Pode-se, pois, dizer que a indústria automobilística é o centro de Poder no Brasil, projetando suas energias a todos os campos da vida social.

    Tudo isso é indiscutível. Mas algumas verdades devem ser reveladas.

    Rigorosamente, a indústria automobilística é um produto da ultrapassada era metal-mecânica, embora venha incorporando em seus produtos alguma sofisticação eletrônica. Mas ela é intrínsecamente, um produto já velho, de baixa densidade tecnológica. O produto , por excelência da nossa era, com projeções no futuro são as aeronaves. Calcar, portanto, um processo de industrialização no automóvel é o mesmo que planejar para o passado. Insistir nele, como estamos fazendo, erradamente, há alguns anos, um lamentável retrocesso. Recursos e energias do país estão sendo empenhados num rumo errado. Além disso, o automóvel, símbolo da liberdade individual no século XX , tornou-se um trambolho nas nossas grandes metrópoles. Como se não bastasse, essa industria que aí está, com eixo no ABC de S.Paulo, é um sarcófago.

    Como assim?

    Não temos nenhuma auto-suficiência tecnológica para produzir um só automóvel. Até hoje o design e o engeneering , seu núcleo duro, continuam no exterior. Uma tristeza! Tenho acompanhado pessoalmente este assunto , até com alguns líderes desta Industria, que se envergonham do (mal)feito. Dizem: “Que fazer, o próprio Governo não exige nada…! ? Assim, não temos nem argumento para levar às matrizes para tentar reverter este processo…”

    Ninguém discute, pois, o peso relativo da cadeia automobilística na indústria e no emprego.

    Mas trata-se de colocar em discussão o círculo vicioso de PODER que esta indústria encerra, através mesmo da manipulação de partidos de esquerda, forçando a manutenção do mesmo modelo industrial , antigo e dependente ETERNAMENTE. A esquerda espanhola, aliás, no bojo da globalização , virou administradora do turismo, como apêndice da “Zona”do Euro. A portuguesa , gerente o reflorestamento do pequeno país, em prejuízo, até de suas lendárias quintas de pequena propriedade. A grega pendura seu patrimônio em monumentos históricos e ilhas paradisíacas nos Bancos credores. A esquerda, enfim, com esta falta de iniciativa e espírito crítico está se degradando no mundo inteiro e acabará no IRAJA, como Greta Garbo…

    Rigorosamente, não precisamos mais de mais automóveis nas grandes cidades. O custo social disto é imenso. E se não vamos desmantelar esta indústria, também não precisamos continuar mantendo-a à custa de incentivos que oneram as finanças públicas. Veja-se o quadro abaixo,já chamado de Bolsa Indústria Automobilística, para se ter uma idéia dos benefícios concedidos à industria automobilística no Brasil.

    AS MONTADORAS DE VEÍCULOS E OS INCENTIVOS

    Empresa
    Local da fábrica
    Investimento
    Incentivos

    RENAULT
    S.J. dos Pinhais (PR)
    R$ 1 bilhão
    R$ 353 milhões*

    GM
    Gravataí (RS)
    R$ 600 milhões
    R$ 759 milhões

    MERCEDES
    Juiz de Fora (MG)
    R$ 695 milhões
    R$ 690 milhões

    FIAT
    Goiana (PE)
    R$ 4 bilhões (estimado)
    R$ 5,8 bilhões**

    Fonte – http://carros.uol.com.br/ultnot/2011/12/05/governo-e-o-maior-financiador-das-multinacionais-do-carro-no-brasil.jhtm

    Esta imenso esforço de sustentação da indústria automobilística é um atraso. Administra-se o PASSADO, pelo peso que ele tem na VIDA ECONOMICA DO PAIS, não pelo que possa fazer para as próximas gerações.

    Assim fazendo, nosso bis-netos aprenderão na Escola :

    “A economia brasileira evoluiu, por 500 anos, através de CICLOS. Tivemos o ciclo do açúcar, o ciclo do ouro, o da borracha, o do café , todos eles com elevada produtividade, grande capacidade de exportação, formadores das nossas primeiras cidades e primeira formações sociais complexas, até que, em meados do século XX, quando tudo parecia perdido, tivemos mais dois grandes ciclos, felizmente complementares , que deram a nova fisiononomia do Brasil naquela época: O Ciclo do Automóvel, com epicentro em S.Paulo e pequenos nódulos em pontos selecionados do país e o Ciclo das Commodities , que alargou a fronteira agrícola , embora destruindo o cerrado e parte da Amazônia. Ambos de elevada produtividade e “bons reflexos” no emprego, na renda e nas finanças públicas. Graças a eles nossa população até saltou de 50 para 200 milhões, embora deixando um rastro de miséria nas Grandes Metrópoles, nos quais grassam níveis de informalidade muito elevada até hoje. Por essas razões, aliás dinâmicas, não percebíamos os males enfeixados nesta combinação. Tal como na fase colonial, ou na época dos barões do café, o Brasil crescia e até tinha uma certa projeção internacional, mas sem qualquer conteúdo. Felizmente agora (ano 2100), estamos inaugurando uma nova etapa no rumo do verdadeiro desenvolvimento brasileiro, sepultando essa triste reprodução de CICLOS na nossa história econômica, nos quais jamais se construiu uma verdadeira nação, apenas uma economia de elites globalizadas, uma classe média medíocre e sempre metade da população em estado de miséria. Consta, por exemplo, uma notícia de que surgiam, a cada dia, no nosso país, no ano 2011, 19 novos milionários, mas nunca disseram ao preço de quantos pobres. O Brasil, hoje, felizmente, como disse, domina a energia solar, cessou o desmatamento da Amazônia e estamos colocando o primeiro multimóvel verdadeiramente nacional no mercado asiático, que , aliás, é nosso maior comprador de aeronaves e principal produto de exportação.”

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