Do BRASIL ECONOMICO, 02/09/2011
Por que os produtores de aço chineses desembolsaram US$ 2 bilhões para comprar 15% da CBMM, da família Moreira Salles
Fabricante de nióbio, insumo estratégico usado na produção de aços especiais, já tinha sido alvo de interesse de um consórcio japonês liderado pela Nippon Steel, que pagou US$ 1,8 bilhão por outros 15% da empresa, dirigida por Tadeu Carneiro.
Família Moreira Salles já cedeu 30% da maior produtora mundial de nióbio, insumo estratégico para o aço, por US$ 3,75 bilhões a grupos siderúrgicos asiáticos
Por Nivaldo Souza,
A Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração (CBMM) deu um novo passo na estratégia de se associar a parceiros dispostos a garantir a compra futura de nióbio mineral empregado na produção de aço.
A empresa do grupo Moreira Salles, um dos principais acionistas do Itaú Unibanco, reportou ontem a venda de parte de seu capital social para cinco companhias chinesas por US$ 1,95 bilhão. “O consórcio adquiriu 15% do capital por meio de uma sociedade de propósito específico”, disse em nota a CBMM.
O grupo inclui o conglomerado financeiro Citic Group e as produtoras de aço Baosteel, Anshan Iron and Steel, Shougang Corporation e a produtora de inoxidável Taiyuan.
As empresas vão injetar capital da CBMM, recebendo em troca o suprimento vital para produzir aços específicos.
O nióbio garante resistência e permite reduzir o peso das peças de aço, facilitando o desenvolvimento de produtos. O mineral é muito usado para produzir chapas de carro que, cada vez mais fina, reduzem o consumo de combustível.
O crescimento da siderurgia chinesa na última década elevou o consumo mundial de nióbio em10%. Com isso, o preço da tonelada saltou de US$ 12,8 mil, em 2002, para US$ 23 mil em 2010. O insumo chegou ao pico de US$ 33 mil em 2008.
A China compra mais de 30% das exportações da CBMM. O país, que havia comprado 1.570 toneladas da companhia em 2002, consumiu cerca de 22 mil toneladas em 2010. As exportações brasileiras de nióbio somaram US$ 1,5 bilhão no ano passado, após o país embarcar 66,9 mil das 80 mil toneladas produzidas.
Além da CBMM, Anglo American, Mineração Taboca e Pirocloro produzem nióbio como subproduto mineral.
Venda estratégica
De capital fechado desde a criação, em 1955, a empresa continuará sob o comando da família Moreira Salles. O controle será por meio da holding Brasil Warrant, que administra os bens da família, com 70% da CBMM.
Em março, a Warrants repassou outros 15% da CBMM às siderúrgicas japonesas JFE e Nippon Steel uma das controladoras da Usiminas, e à sul-coreana Posco – sócia da Vale no projeto da Companhia Siderúrgica do Pecém, no Ceará.
A CBMM passa ter como sócias quatro dos cinco maiores fabricantes mundiais de aço, responsáveis por 138,5 milhões de toneladas em 2010. Com destaque para Baosteeel, Nippon e Bosco, que disputam o segundo lugar do ranking da associação internacional das siderúrgicas (World Steel).
Com o acesso às reservas da CBMM, as empresas garantem o suprimento do concentrado ferro-nióbio, mineral essencial para produzir aço com mais tecnologia. “Eles podiam ter buscado um sócio interno como a Vale e não entregado o ouro para os chineses”, critica o analista Pedro Galdi, da SLW Corretora. “O preço do nióbio vai crescer nos próximos anos como o das terras-raras”, diz.
A CBMM também aposta que a “demanda futura continuará a crescer mais rápido do que a produção de aço devido à contínua inserção tecnológica do nióbio na produção siderúrgica”, conforme registrou em nota. A empresa investe R$ 800 milhões para elevar a capacidade de produção da mina mantida em Araxá (MG) de 90 para 160 mil toneladas anuais até 2015. A mina é a maior em operação no mundo.
A CBMM explora a lavra detida em parceria com a Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais (Codemig), que recebe parte dos resultados da empresa cujo lucro líquido em 2010 foi de R$ 1,9 bilhão.
Siderúrgicas apostam no nióbio para agregar valor
Os sócios da CBMM investem em produtos nobres e devem elevar consumo médio de 25 gramas do minério por tonelada de aço a níveis de mercados avançados, na casa dos 100 gramas.
A chinesa Ansteel (Anshan Iron and Steel Group Corporation) pretende desbancar a brasileira Gerdau do posto de décima maior produtora de aço listada no ranking da associação mundial da siderurgia, a World Steel. A meta é para 2015, mas envolve agora uma investida de bilhões de yuans, a moeda da China, para ganhar musculatura como fornecedora dos aços especiais empregados nos geradores nucleares. Em julho, a Ansteel recebeu certificação para 11 itens usados em reatores.
A Tisco (Taiyuan Iron & Steel Corp) quer destaque em produtos de ponta para as indústrias aeroespacial, petrolífera e química. Parte deles produzidos a partir de tecnologias desenvolvidas no centro de inovação da própria empresa.
Já a Shougang Corporation, dona de minas de ferro no Peru, foca a oferta de aço para as construções modernas da costa chinesa.
Em comum, as novas sócias da Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração (CBMM) querem tecnologia não para produzir, mas para oferecer.
Não à toa, elas trabalham junto com a Universidade de Ciência e Tecnologia de Beijing no Cisri, o instituto de pesquisa do ferro e aço da entidade de ensino. É no Cisri que os chineses estudam como adicionar qualidade ao produto siderúrgico do país. Passo no qual assume papel vital na estratégia das siderúrgicas chinesas, responsáveis pela 626,6 milhões de toneladas no ano passado - nada menos que seis vezes o volume do Japão, segundo no ranking de produção da World Steel.
O nióbio é insumo obrigatório desenvolver ligas especiais, como peças de componentes aeroespaciais que estão no plano estratégico da Ansteel. Ou partes dos reatores nucleares almejados pela Tisco e também as estruturas mais leves para pontes e prédios projetados pela Shougang.
Calcula-se que, em mercados desenvolvidos, a média seja de 80 a 100 gramas de nióbio aplicado em cada tonelada de aço produzida.
Na China, a participação do insumo cai para 25 gramas.
N.S.
NO FOCO DAS SIDERÚRGICAS
Demanda crescente por nióbio atrai parceiros para a maior fabricante mundial do insumo
GIGANTE DO NIÓBIO
CBMM produziu em 2010 80 mil toneladas.
Maior produtora do Brasil respondeu por 96% do total mundial.
Maior mina de nióbio do globo fica em Araxá (MG).
Companhia investe R$ 800 milhões para dobrar capacidade de produção e ir a 160 mil toneladas.
DEMANDA
Consumo de nióbio na última década cresceu 10%.
CLIENTE
China tem a maior participação nas vendas da CBMM, totalizando 30%.
Lucro líquido do ano passado R$ 1,9 bi
BRASIL É LÍDER*
Maior exportador do mundo, produz 90% do volume.
Volume exportado em 2010: 66,9 mil toneladas.
Vendas externas: US$ 1,5 bilhão
Reservas: 842,5 milhões de toneladas
Minas Gerais: 75%
Amazonas: 21,3%
Goiás: 3,7%
Fontes: Ibram, DNPM e Brasil Econômico
*Em 2010
Caro Carlos Ferreira,
Por favor retransmita esta nossa preocupação para os jornais, pois o nióbio é metal nobre usado em construções mecânicas estratégicas até mesmo na indústria atômica e de exploração espacial e deveria ser tratado como de segurança nacional, se é que alguém neste governo sabe o que é isto.
Senhores, seja espertos esta é a garantia do leitinho das criaças dos atuais PoliTicos para sua 4 e 5 geração pois a 2 e 3 já estão garantida com as Telecomunicacoes e Energia do país.