EDF anuncia que primeiro EPR da França atrasará mais dois anos

Fontes: Nucnet e World Nuclear News, 25 de julho de 2011

A operadora francesa Électricité de France (EDF) anunciou que a conclusão da usina nuclear Flamanville 3 atrasará mais dois anos. Dessa forma, a unidade só começará a operar comercialmente em 2016, quatro anos depois da data originalmente prevista. A
usina de 1.630 megawatts que está sendo construída na Normandia, na França  será a primeira no país com a tecnologia EPR (Reator Europeu de Água Pressurizada, na sigla em inglês), da Areva. A construção teve início em maio de 2006 e a expectativa inicial era de que terminasse em 2012.

O atraso está ligado tanto a fatores estruturais, quanto econômicos. Em comunicado, a empresa afirma que precisou reavaliar a extensão do trabalho que ainda precisa ser feito em termos de gerenciamento industrial, especialmente no que diz respeito à parte de
engenharia civil. Os trabalhos de reforço das placas-âncora e de concreto, por exemplo,
estão demandando bem mais tempo do que se previa.

A EDF também destaca que decidiu introduzir, juntamente com suas empresas parceiras, “uma nova abordagem” em relação à organização do empreendimento, em resposta a eventos recentes que diminuíram o progresso da obra. Isso inclui medidas como a
definição de um cronograma industrial mais confiável, a realização de reuniões públicas
regulares para avaliar o avanço da construção da usina, além de novas práticas de gerenciamento e supervisão.

Custos de Flamanville 3 quase dobraram, e atraso na conclusão da usina será de quatro anos

Acidente fatal paralisou obra em janeiro

Segundo a empresa, um progresso considerável foi feito nos meses recentes, e cerca de 80% das obras civis estão completas. Entretanto, houve acidentes sérios em janeiro e junho desse ano que resultaram na morte de dois trabalhadores. O primeiro acarretou a
interrupção dos trabalhos de engenharia civil durante semanas. Isso retardou o empreendimento consideravelmente no primeiro semestre.

Também houve problemas de coordenação com as nove empresas principais que estão trabalhando no projeto. A EDF espera que a nova abordagem resolva essas questões. Além disso, a empresa teve que fazer uma análise ampla de segurança no empreendimento, o que contribuiu ainda mais para o atraso. A medida foi solicitada pela Autoridade de
Segurança Nuclear (ASN), órgão regulador do setor no país, após o acidente de Fukushima.

Outro problema foi o aumento da projeção de custos do empreendimento. Em 2005, a estimativa era de que a usina custasse 3,3 bilhões de euros. Agora, estima-se que vá custar em torno de 6 bilhões de euros.

Primeira usina nuclear em 15 anos

Existe uma grande expectativa em relação à usina nuclear, pois será a primeira a ser construída no país nos últimos 15 anos. Flamanville 3 também é o segundo EPR a ter sua
construção iniciada no mundo, depois de Olkiluoto 3, na Finlândia, que deve entrar em operação em 2013. De acordo com a EDF, a unidade francesa será uma referência para a construção de reatores EPRs futuros, especialmente no Reino Unido.

Depois das usinas em Olkiluoto e Flamanville, dois outros EPRs começaram a ser construídos na China. Quatro reatores do mesmo modelo já estão planejados para o Reino Unido e outro adicional está previsto para a própria França.

 

Sobre Carlos Ferreira

Engenheiro, com especialização em Políticas Públicas e Governo pela EPPG-IUPERJ. Atuando na área de Energia Nuclear. Membro do Conselho Diretor e do Conselho Editorial do Clube de Engenharia. Conselheiro do CREA-RJ, período 2005 a 2007.
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2 respostas a EDF anuncia que primeiro EPR da França atrasará mais dois anos

  1. Guilherme Genuncio disse:

    Flamaville 3 tem de servir como “lições aprendidas” para o desenvolvimento de Angra 3, bem como para a continuidade do projeto nuclear brasileiro. Apesar de se tratar de uma nova tecnologia de usina nuclear, a AREVA é mais do que capacitada para tal desenvolvimento. Mas, esses 2 anos devem custar caro para a empresa na atual retomada Nuclear mundial.

  2. pperez disse:

    Se os atrasos também estão atrelados a uma concepção tecnica de segurança de operação da usina mais eficaz,considerando como parametro o recente acidente ocorrido no japão com Fukushima, acho que a relação custoxbeneficio é compativel.

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