Gigante espacial AEDS cresce com satélites no país

Martha San Juan França_Brasil Econômico - 19/07/2011O
Código Florestal, seja qual for o desdobramento do debate no Congresso, deve afetar positivamente os negócios da Astrium, subsidiária do grupo EADS, líder mundial no segmento aeroespacial. Distribuidora das imagens dos satélites
Spot,com sensores óticos capazes de produzir imagens com resolução espacial de 5, 10 e 20 metros, há anos a companhia apoia as políticas públicas de preservação ambiental, em particular na Amazônia, a Astrium Geo Information Services aposta no fortalecimento do Cadastro Ambiental Rural (CAR), certificado que dá segurança jurídica às propriedades, e primeiro passo para se obter uma licença ambiental. “Haverá mais demanda por imagens de
satélites”, constata Pierre Duquesne, diretor-geral da Astrium Geo-Information, responsável pelas operações da empresa no país.
O CAR, que consiste no registro dos imóveis rurais, necessita de ferramentas de geoprocessamento, como imagens de satélite, para que os órgãos governamentais façam o controle, monitoramento e fiscalização das áreas de reserva legal e
preservação permanente das propriedades.
O prazo para que produtores rurais façam o registro dessas áreas em cartório, para não ficarem em situação irregular e serem notificados ou multados, terminou em junho. Mas a presidente Dilma Rousseff prorrogou o registro até dezembro, com a expectativa de que, até lá, o Congresso Nacional conclua as discussões e aprove o novo Código Florestal.
Segundo Duquesne, independentemente dos contratos já assinados com estados como Mato Grosso, Acre e Rondônia, o Brasil poderia realizar um acordo semelhante àquele assinado com a Agência Francesa de Desenvolvimento (AFD), que financia o acesso a imagens de satélite para 13 países da Bacia do Congo para mapear o desmatamento. “Um acordo deste tipo poderia ser assinado no âmbito do programa Mais Ambiente, para facilitar o cadastramento das mais de 4 milhões de propriedades do país”, diz. “Dispomos de um mosaico de imagens em alta resolução cobrindo todo o território nacional.”
Demanda internacional
“Temos imagens do mundo inteiro, o que varia são as aplicações, demandas e programas de governo para os quais elas servem”, acrescenta Duquesne. Além das fotos da família Spot, a empresa tem um acordo com a espanhola Elecnor Deimos para distribuir no Brasil as imagens e produtos gerados pelo satélite Deimos, que faz cobertura semelhante ao do Landsat e do Cbers (já com vida útil prolongada) e sensores por radar (TerraSAR-X e TanDEM-X).
A Astrium Geo-Information, que está no Brasil há dois anos, possui cerca de cem clientes, sendo mais de 70% do setor público e o restante de empresas e organizações não-governamentais. Entre os seus clientes está o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), para o fornecimento de imagens radar do satélite Envisat (da Agência Espacial Europeia), para aplicações em monitoramento de exploração de petróleo na costa brasileira, além de empresas de mineração e agronegócio. “Nossa expectativa é investir também em novos negócios nas áreas de defesa e segurança pública, de grande potencial no país”, continua Duquesne. Ele espera expandir os serviços também para as áreas urbanas. “Esperamos crescer algo como 20% em 2011″, afirma. Duquesne explica que a filial brasileira responde por cerca de 5% da receita mundial da Astrium que, em 2010, foi da ordem de E 5 bilhões.
Conglomerado quer parceria em programa brasileiro.
A Astrium detém participação na Equatorial, que fabrica componentes de satélites O Brasil tem tudo para ser uma potência espacial competência, recursos humanos e experiência. Só falta vontade política para levar adiante esse capital de conhecimento. Quem afirma é o vice-presidente de Desenvolvimento de Negócios da Astrium no Brasil, Jean Noel Hardy. “Quando o programa espacial deslanchar, queremos estar presentes e ter uma participação efetiva no processo”, afirma.
Essa participação se daria, segundo os cálculos da Astrium, pela Equatorial Sistemas, pequena empresa de alta tecnologia de São José dos Campos (SP), já envolvida em projetos de construção de satélites.
Hardy é um conhecedor da realidade da política aeroespacial brasileira, desde que foi presidente da Helibras, subsidiária da francesa Eurocopter, maior fabricante mundial de helicópteros e parte do grupo EADS (European Aeronautic Defense and Space Company).
A proposta do grupo é dominar todo o espectro de atividades ligadas ao espaço, desde os lançadores, satélites de comunicação, meteorológico, sensoriamento remoto, científico e militar.

Leque amplo
O grupo garante ser líder mundial no setor, com receita de E 45,8 bilhões e 122 mil empregados em dezenas de países. Além da Astrium, que detém a Astrium Geo Information Services, e da Eurocopter, inclui a Airbus e a Cassidian, divisão da área de segurança e defesa. “Somos a única empresa europeia que tem esse leque amplo de atividades”, diz Hardy, acrescentando que a Astrium está presente até mesmo no programa da estação espacial internacional e nos
ônibus espaciais recém-aposentados.
É da Astrium o veículo de carga Automated Transfer Vehicle (ATV), capaz de levar suprimentos, água e oxigênio para a estação e lá ficar acoplada por seis meses.
No Brasil, a Equatorial ganhou a licitação do Inpe para a construção da câmara WFI, com ângulo maior de cobertura – 800 quilômetros e resolução de 60 metros, uma das que serão levadas pelo Cbers-3, além de equipamento de gravação digital de dados do Amazônia 1, o primeiro satélite de observação da Terra que será desenvolvido no país.

Sobre Carlos Ferreira

Engenheiro, com especialização em Políticas Públicas e Governo pela EPPG-IUPERJ. Atuando na área de Energia Nuclear. Membro do Conselho Diretor e do Conselho Editorial do Clube de Engenharia. Conselheiro do CREA-RJ, período 2005 a 2007.
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