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	<title>Caleidoscópio Brasileiro &#187; Rogério Lessa</title>
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		<title>Nas relações com os Estados Unidos, será o Brasil uma economia auxiliar?</title>
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		<pubDate>Wed, 05 Sep 2012 17:53:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Rogério Lessa]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Economia]]></category>
		<category><![CDATA[manchete]]></category>

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		<description><![CDATA[Ceci Juruá (setembro de 2012) Eu me inclino definitivamente a pensar que os Estados Unidos, isto é, o Governo e os conglomerados sediados naquele país, resolveram fazer do Brasil uma economia auxiliar, por eles controlada para suas operações mundiais. Claro &#8230; <a href="http://www.desenvolvimentistas.com.br/blog/caleidoscopiobrasileiro/2012/09/05/nas-relacoes-com-os-estados-unidos-sera-o-brasil-uma-economia-auxiliar/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Ceci Juruá (setembro de 2012)</p>
<p>Eu me inclino definitivamente a pensar que os Estados Unidos, isto é, o Governo e os conglomerados sediados naquele país, resolveram fazer do Brasil uma economia auxiliar, por eles controlada para suas operações mundiais. Claro que ao dizer Estados Unidos, refiro-me também ao bloco de países e grupos econômicos liderados, em particular Israel, Reino Unido e Alemanha. Sobre a Espanha há dúvidas, frente à crise atual que ela atravessa. Mas se poderia também incluir a Coréia do Sul no grupo de liderados.<span id="more-87"></span></p>
<p>Penso ainda que caberia à FIESP fazer um estudo global da indústria brasileira, isto é, aqui instalada, e detectar segmentos e ramos cujo controle está em poder de empresas com maioria de capital estrangeiro. Deveria delimitar ao mesmo tempo a amplitude desse controle. FIESP e as universidades brasileiras, públicas e privadas, deveriam igualmente analisar os efeitos desse controle estrangeiro sobre as perspectivas de longo prazo da economia brasileira. Não me parece que este esforço esteja sendo realizado.</p>
<p>O Governo brasileiro tampouco parece preocupado com a desnacionalização crescente da economia brasileira, nem quando ela atinge setores estratégicos, como a indústria responsável pela Defesa Nacional. Recente artigo de Mauro Santayana advertiu que “estamos desnacionalizando o pouco de indústria bélica de que dispomos, com a entrada maciça de empresas estrangeiras (entre elas, e de forma agressiva, as de Israel) no parque industrial brasileiro &#8230;” (www.jb.com.br/msantayana)[1] . Faz parte da despreocupação oficial o recente anúncio de privatização de portos e de aeroportos, e o envio de uma comitiva ao exterior para contacto com o capital estrangeiro interessado em dominar ou simplesmente participar do controle desses dois segmentos de atividade, ambos estratégicos à defesa nacional e ao controle das fronteiras.</p>
<p>Recentemente a desnacionalização atinge setores que pareciam propícios a serem guardados como bastiões de tecnologia nacional. Um desses setores é o de software. Outro é o do etanol e do biodiesel.</p>
<p>Nesta data, por exemplo, estamos sendo informados que a empresa brasileira “detentora da tecnologia mais avançada” em matéria de desenvolvimento de “softwares para a proteção de transações bancárias realizadas por meio da Internet e de dispositivos móveis” (Valor, B-2, 5-9-2012), criada em 1992, e que foi “uma das primeiras empresas brasileiras a conquistar a qualificação VISA AIS (Account Information Secutiry)”, está sendo repassada integralmente a uma empresa norteamericana.</p>
<p>Trata-se da GAS Tecnologia, responsável por sistemas de blindagem para utilização em transações em meios eletrônicos, destacando-se pelo emprego de “uma ferramenta considerada de alta produtividade, a GAS/Gerador Automático de Sistema, que atingiu a marca dos 300 mil usuários no Brasil e no exterior” (www.gastecnologia.com.br).</p>
<p>A empresa compradora é uma subsidiária da norteamericana DIEBOLD, fabricante de equipamentos de automação. Esta empresa posicionou-se no mercado brasileiro graças à compra da brasileira PROCOMP, em 1999. Anuncia-se hoje que a DIEBOLD, em seu processo de expansão internacional, resolveu comprar a GAS, em vista do “ fato de a GAS responder pela proteção de cerca de 70% das transações de internet banking realizadas no Brasil (&#8230;), 24% do total de transações bancárias no Brasil (&#8230;) ” (Valor, B-2, 5-9-2012).</p>
<p>Como que tripudiando frente à nossa permissividade, o artigo do Valor informa que a empresa norteamericana tem a idéia de “usar o Brasil como um laboratório e depois estabelecer um departamento global para que a tecnologia seja exportada para o mundo todo”.</p>
<p>Somos ou não uma economia auxiliar dos conglomerados norteamericanos? Se a resposta for positiva, nosso futuro será sombrio. É abismal a diferença entre as culturas norteamericana e brasileira e o preço desta dominação econômica, consentida e até incentivada pelas elites dirigentes, não será fácil de suportar. Apesar do know how de que dispomos, adquirido durante um século de dominação britânica, o fardo será pesado e cairá nas costas da grande maioria da população brasileira.</p>
<p>[1]Artigo O cerco à industria brasileira de defesa. Na contramão da tendência mundial, o Brasil desnacionaliza sua indústria bélica.</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Em defesa da reindustrialização do Brasil</title>
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		<pubDate>Sun, 22 Apr 2012 18:24:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Rogério Lessa]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Economia]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[manchete]]></category>

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		<description><![CDATA[Celebrando a memória de Tiradentes Ceci Juruá * O desenvolvimento econômico, nas condições adversas atuais, dificilmente se fará sem uma atitude participativa de grandes massas da população.  &#8230; Toda medida que se venha a tomar,  no sentido de enfraquecer os &#8230; <a href="http://www.desenvolvimentistas.com.br/blog/caleidoscopiobrasileiro/2012/04/22/em-defesa-da-reindustrializacao-do-brasil/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Celebrando a memória de Tiradentes</strong></p>
<p><em>Ceci Juruá *</em></p>
<p><strong><em>O desenvolvimento econômico, nas condições adversas atuais, dificilmente se fará sem uma atitude participativa de grandes massas da população.  &#8230; Toda medida que se venha a tomar,  no sentido de enfraquecer os governos  como centros políticos capazes de interpretar as aspirações nacionais e de aglutinar as populações em torno de ideais comuns, resultará na limitação das possibilidades de autêntico desenvolvimento na região</em></strong><strong> </strong>(C. Furtado,  Raizes do subdesenvolvimento, p.41)</p>
<p>Mais uma vez o Brasil se encontra frente a uma encruzilhada fatal, um daqueles momentos históricos em que a escolha entre dois caminhos apresenta riscos diferenciados,  resultados indefinidos e efeitos relevantes, qualquer que seja a solução retida. <span id="more-82"></span></p>
<p>A grande escolha no momento se dá entre preservar o modelo econômico neoliberal -  o (sub) desenvolvimento agro-exportador (ou agro-negocial exportador) – e a troca de direção no leme da economia, objetivando a reindustrialização, por exemplo, como propõe o economista e professor Luiz Gonzaga Belluzzo.</p>
<p>Acredito que esta mudança de direção não precisa ter planejamento de longo prazo mas deve apoiar-se no esboço de cenários que a prospecção de curto e médio prazo nos permite.  O cálculo probabilístico pode ajudar muito no desenho de alternativas.</p>
<p>Algumas decisões são cruciais.  Em primeiro lugar é preciso reconhecer que o neoliberalismo e o modelo que o acompanhou – a volta ao primarismo exportador – deram errado. Voltamos às armadilhas clássicas de nossa história, centradas no desequilíbrio das contas externas e no déficit orçamentário, seguir por esta trajetória é suicídio.  Em seguida, é preciso determinar o ponto de partida para a reversão de modelo desejada, uma decisão que, sendo irreversível, é a de menor custo e com maior probabilidade de sucesso.</p>
<p>Uma idéia, colocada aqui para o debate, é iniciar a troca do modelo econômico pela retirada de todos os subsídios e isenções tributárias à exportação de produtos minerais.  No solo,  os minerais representam uma riqueza e um patrimônio do povo brasileiro.  Exportados, são trocados por bens de consumo suntuário para as elites endinheiradas.  Do ponto de vista da maioria dos brasileiros, esta troca desigual só apresenta desvantagens, ficamos duplamente mais pobres – por alienar um patrimônio insubstituível e por favorecer o consumo suntuário de reduzidíssima elite,  ampliando assim os diferenciais de renda e consumo entre o estrato superior e o estrato inferior da população brasileira.</p>
<p>As exportações brasileiras de minerais situaram-se,  nos anos recentes, em torno de  35 bilhões de dólares.   O maior percentual, cerca de 80%, é constituído por minério de ferro, sendo a China o maior comprador do ferro brasileiro.  A China foi também, em 2010  o primeiro produtor mundial de ferro (500 milhões de toneladas), ocupando o Brasil o segundo lugar (370 milhões de toneladas), segundo dados do Instituto Brasileiro de Mineração.</p>
<p>Na continuidade da mudança de trajetória do modelo econômico, que é a nossa proposta central nesse texto, deveríamos promover a retirada de todo e qualquer  subsídio e isenção tributária que hoje favorecem os produtos não-industrializados,  até a revogação total da Lei Kandir (1996) e das normas que a complementaram.   Teríamos então a oportunidade de reservar tais favores e benefícios, na exportação, apenas para produtos industrializados, como determinou a Constituição de 1988.  Qualquer outro produto, semi-industrializado ou agrícola, só teria acesso a incentivos do gênero depois de longo e minucioso estudo comprovando sua oportunidade e conveniência mediante, é claro, análise dos custos de produção e de distribuição, bem como do lucro e outros rendimentos do capital integrantes da cadeia de valor em questão.</p>
<p>A responsabilidade por esta mudança de trajetória não pode ser imputada exclusivamente ao Governo ou aos demais Poderes da República.  A responsabilidade é nossa, isto é, dos setores da sociedade civil, de pensar livremente o Brasil e de lutar politicamente por sua adequação aos objetivos históricos da sociedade brasileira.  Conforme apontou Celso Furtado, no parágrafo em epígrafe, <em> o desenvolvimento econômico, nas condições adversas atuais, dificilmente se fará sem uma atitude participativa das grandes massas da população</em>.</p>
<p>Que as condições atuais são adversas não temos dúvida.  Recente artigo do jornalista Mauro Santayana,  intitulado <em>Novo cerco ao Brasil</em>, observa que, <em>nas diferentes ocasiões históricas em que as circunstâncias eram favoráveis ao desenvolvimento brasileiro, o cerco estrangeiro se fechava sobre o Brasil, e sobre os países do continente</em>.  A maior vítima da geopolítica imperial de cerco ao Brasil foi o Barão de Mauá, cujo bicentenário de nascimento deveremos comemorar no próximo ano, 2013.  Finalizando sua reflexão fundamentada em exemplos históricos,  diz Santayana:</p>
<p><strong><em>É preciso fechar as nossas portas  aos estrangeiros, interessados em retirar o seu butim dos conflitos internos, como fazem no Iraque, no Afeganistão, na Líbia – e se preparam para fazer na Síria e no Irã </em></strong>(blog de Mauro Santayana)<strong><em>.</em></strong></p>
<p>Sem a mudança do modelo econômico, e afastamento desta estratégia suicida, dificilmente poderemos contribuir para a construção de uma nação digna, soberana e justa.  A modernização dependente que acompanha tal estratégia, <em>export led</em>, não requer, e até despreza, qualquer esforço nesse sentido,  pois o objetivo é que nos ajustemos aos projetos e aos interesses das nações imperiais.  Sob o rótulo desqualificador de países emergentes, sinalizam eles que podem nos retirar a qualquer momento, as bóias que, eles imaginam,  nos permitem sobreviver.</p>
<p>A reindustrialização, segundo Belluzzo, implica <em>usar de forma inteligente as vantagens que se revelaram recentemente&#8230; e desenvolver um conjunto de políticas voltado para o objetivo de expansão do mercado interno sem incorrer nas restrições de balanço de pagamentos</em> (BELLUZZO, in Carta Maior).</p>
<p>Assumindo um novo caminho é provável que possamos garantir desde já, escola de tempo integral para 50% das crianças entre 6 e 15 anos, retirando-as, pelo menos durante o dia, das vizinhanças do crime organizado e das drogas.  Temos hoje aproximadamente 40 milhões de crianças nessa faixa etária,  a educação em tempo integral para a metade mais pobre, 20 milhões de crianças, poderia custar apenas 100 bilhões de reais, é a minha estimativa.</p>
<p>Recuperando e valorizando a produção industrial,  e garantindo a todos os brasileiros uma educação básica de qualidade que, a par de conhecimentos técnicos e culturais, seja capaz de incutir nos jovens princípios éticos e morais, estaremos trilhando um bom caminho, um caminho capaz de devolver aos brasileiros a autoconfiança e a autoestima, ingredientes essenciais à valorização e ao uso da inteligência humana.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>*Ceci Juruá, economista, pesquisadora, mestre em desenvolvimento e planejamento econômico (Rio, 21 de abril de 2012).</p>
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		<title>&#8220;Portugal está a ser assassinado, como muitos países do terceiro mundo já foram&#8221;</title>
		<link>http://www.desenvolvimentistas.com.br/blog/caleidoscopiobrasileiro/2012/03/07/portugal-esta-a-ser-assassinado-como-muitos-paises-do-terceiro-mundo-ja-foram/</link>
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		<pubDate>Wed, 07 Mar 2012 19:23:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Rogério Lessa]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Economia]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>

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		<description><![CDATA[por John Perkins entrevistado por Sara Sanz Pinto Em tempos consultor na empresa Chas. T. Main, John Perkins andou dez anos a fazer o que não devia, convencendo países do terceiro mundo a embarcar em projectos megalómanos, financiados com empréstimos &#8230; <a href="http://www.desenvolvimentistas.com.br/blog/caleidoscopiobrasileiro/2012/03/07/portugal-esta-a-ser-assassinado-como-muitos-paises-do-terceiro-mundo-ja-foram/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>por John Perkins</p>
<p>entrevistado por Sara Sanz Pinto</p>
<p>Em tempos consultor na empresa Chas. T. Main, John Perkins andou dez anos a fazer o que não devia, convencendo países do terceiro mundo a embarcar em projectos megalómanos, financiados com empréstimos gigantescos de bancos do primeiro mundo. Um dia, estava nas Caraíbas, percebeu que estava farto de negócios sujos e mudou de vida. Regressou a Boston e, para compensar os estragos que tinha feito, decidiu usar os seus conhecimentos para revelar ao mundo o jogo que se joga nos bastidores financeiros.</p>
<p>Como se passa de assassino económico a activista?</p>
<p>Em primeiro lugar é preciso passar-se por uma forte mudança de consciência e entender o papel que se andou a desempenhar. Levei algum tempo a compreender tudo isto. Fui um assassino económico durante dez anos e durante esse período achava que estava a agir bem. Foi o que me ensinaram e o que ainda ensinam nas faculdades de Gestão: planear grandes empréstimos para os países em desenvolvimento para estimular as suas economias. Mas o que vi foi que os projectos que estávamos a desenvolver, centrais hidroeléctricas, parques industriais, e outras coisas semelhantes, estavam apenas a ajudar um grupo muito restrito de pessoas ricas nesses países, bem como as nossas próprias empresas, que estavam a ser pagas para os coordenar. Não estávamos a ajudar a maioria das pessoas desses países porque não tinham dinheiro para ter acesso à energia eléctrica, nem podiam trabalhar em parques industriais, porque estes não contratavam muitas pessoas. Ao mesmo tempo, essas pessoas estavam a tornar-se escravos, porque o seu país estava cada mais afundado em dívidas. E a economia, em vez de investir na educação, na saúde ou noutras áreas sociais, tinha de pagar a dívida. E a dívida nunca chega a ser paga na totalidade. No fim, o assassino económico regressa ao país e diz-lhes &#8220;Uma vez que não conseguem pagar o que nos devem, os vossos recursos, petróleo, ou o que quer que tenham, vão ser vendidos a um preço muito baixo às nossas empresas, sem quaisquer restrições sociais ou ambientais&#8221;. Ou então, &#8220;Vamos construir uma base militar na vossa terra&#8221;. E à medida que me fui apercebendo disto a minha consciência começou a mudar. Assim que tomei a decisão de que tinha de largar este emprego tudo foi mais fácil. E para diminuir o meu sentimento de culpa senti que precisava de me tornar um activista para transformar este mundo num local melhor, mais justo e sustentável através do conhecimento que adquiri. Nessa altura a minha mulher e eu tivemos um bebé. A minha filha nasceu em 1982 e costumava pensar como seria o mundo quando ela fosse adulta, caso continuássemos neste caminho. Hoje já tenho um neto de quatro anos, que é uma grande inspiração para mim e me permite compreender a necessidade de viver num sítio pacífico e sustentável.</p>
<p>Houve algum momento em particular em que tenha dito para si mesmo &#8220;não posso fazer mais isto&#8221;?</p>
<p>Sim, houve. Fui de férias num pequeno veleiro e estive nas Ilhas Virgens e nas Caraíbas. Numa dessas noites atraquei o barco e subi às ruínas de uma antiga plantação de cana-de-açúcar. O sítio era lindo, estava completamente sozinho, rodeado de buganvílias, a olhar para um maravilhoso pôr-do-sol sobre as Caraíbas e sentia-me muito feliz. Mas de repente cheguei à conclusão que esta antiga plantação tinha sido construída sobre os ossos de milhares de escravos. E depois pensei como todo o hemisfério onde vivo foi erguido sobre os ossos de milhões de escravos. E tive também de admitir para mim mesmo que também eu era um esclavagista, porque o mundo que estava a construir, como assassino económico, consistia, basicamente, em escravizar pessoas em todo o mundo. E foi nesse preciso momento que me decidi a nunca mais voltar a fazê-lo. Regressei à sede da empresa onde trabalhava em Boston e demiti-me.</p>
<p>E qual foi a reacção deles?</p>
<p>De início ninguém acreditou em mim. Mas quando se aperceberam de que estava determinado tentaram demover-me. Fizeram-me propostas muito interessantes. Mas fui-me embora à mesma e deixei por completo de me envolver naquele tipo de negócios.</p>
<p>Diz que os assassinos económicos são profissionais altamente bem pagos que enganam os países subdesenvolvidos, recorrendo a armas como subornos, relatórios falsificados, extorsões, sexo e assassinatos. Pode explicar às pessoas que não leram o seu livro como tudo isto funciona?</p>
<p>Basicamente, aquilo que fazíamos era escolher um país, por exemplo a Indonésia, que na década de 70 achávamos que tinha muito petróleo do bom. Não tínhamos a certeza, mas pensávamos que sim. E também sabíamos que estávamos a perder a guerra no Vietname e acreditávamos no efeito dominó, ou seja, se o Vietname caísse nas mãos dos comunistas, a Indonésia e outros países iriam a seguir. Também sabíamos que a Indonésia tinha a maior população muçulmana do mundo e que estava prestes a aliar-se à União Soviética, e por isso queríamos trazer o país para o nosso lado. Fui à Indonésia no meu primeiro serviço e convenci o governo do país a pedir um enorme empréstimo ao Banco Mundial e a outros bancos, para construir o seu sistema eléctrico, centrais de energia e de transmissão e distribuição. Projectos gigantescos de produção de energia que de forma alguma ajudaram as pessoas pobres, porque estas não tinham dinheiro para pagar a electricidade, mas favoreceram muito os donos das empresas e os bancos e trouxeram a Indonésia para o nosso lado. Ao mesmo tempo, deixaram o país profundamente endividado, com uma dívida que, para ser refinanciada pelo Fundo Monetário Internacional, obrigou o governo a deixar as nossas empresas comprarem as empresas de serviços básicos de utilidade pública, as empresas de electricidade e de água, construir bases militares no seu território, entre outras coisas. Também acordámos algumas condicionantes, que garantiam que a Indonésia se mantinha do nosso lado, em vez de se virar para a União Soviética ou para outro país que hoje em dia seria provavelmente a China.</p>
<p>Trabalhou de muito perto com o Banco Mundial?</p>
<p>Muito, muito perto. Muito do dinheiro que tínhamos vinha do Banco Mundial ou de uma coligação de bancos que era, geralmente, liderada pelo Banco Mundial.</p>
<p>Sugere no seu livro que os líderes do Equador e do Panamá foram assassinados pelos Estados Unidos. No entanto, existem vários historiadores que defendem que isso não é verdade. O que acha que aconteceu com Jaime Roldós e Omar Torrijos?</p>
<p>Não existem provas sólidas quer do que aconteceu no Equador, com Roldós, quer do que se passou no Panamá, com Torrijos. Porém, existem muitas provas circunstanciais. Por exemplo, Roldós foi o primeiro a morrer, num desastre de avião em Maio de 1981, e a área do acidente foi vedada, ninguém podia ir ao local onde o avião se despenhou, excepto militares norte-americanos ou membros do governo local por eles designados. Nem a polícia podia lá entrar. Algumas testemunhas-chave do desastre morreram em acidentes estranhos antes de serem chamadas a depor. Um dos motores do avião foi enviado para a Suíça e os exames mostram que parou de funcionar quando estava ainda no ar e não ao chocar contra a montanha. Isto é, existem provas circunstanciais tremendas em torno desta morte, e além disso todos estavam à espera que Jaime Roldós fosse derrubado ou assassinado porque não estava a jogar o nosso jogo. Logo depois de o seu avião se ter despenhado, Omar Torrijos juntou a família toda e disse: &#8220;O meu amigo Jaime foi assassinado e eu vou ser o próximo, mas não se preocupem, alcancei os objectivos que queria alcançar, negociei com sucesso os tratados do canal com Jimmy Carter e esse canal pertence agora ao povo do Panamá, tal como deve ser. Por isso, depois de eu ser assassinado, devem sentir-se bem por tudo aquilo que conquistei.&#8221; A verdade é que os EUA, a CIA e pessoas como o Henry Kissinger admitiram que o nosso país tinha derrubado Salvador Allende, no Chile; Jacobo Arbenz, na Guatemala; Mohammed Mossadegh, no Irão; participámos no afastamento de Patrice Lumumba, no Congo; de Ngô Dinh Diem, no Vietname. Existem inúmeros documentos sobre a história dos EUA que provam que fizemos estas coisas e continuamos a fazê-las. Sabe-se que estivemos profundamente envolvidos, em 2009, no derrube no presidente Manuel Zelaya, nas Honduras, e na tentativa de afastar Rafael Correa, no Equador, também há não muito tempo. Os EUA admitiram muitas destas coisas e pensar que eles não estiveram envolvidos nos homicídios de Roldós e Torrijos&#8230; Estes dois homens foram assassinados quase da mesma forma, num espaço de três meses. Ambos tinham posições contrárias aos EUA e às suas empresas e estavam a assumir posições fortes para defender os seus povos – é pouco razoável pensar o contrário.</p>
<p>Algumas pessoas acusam-no de ser um teórico da conspiração. O que tem a dizer sobre isso?</p>
<p>Bem, não sou, de modo nenhum, um teórico da conspiração. Não acredito que exista uma pessoa ou um grupo de pessoas sentadas no topo a tomar todas as decisões. Mas torno muito claro no meu último livro, &#8220;Hoodwinked&#8221; (2009), e também em &#8220;Confessions of an Economic Hit Man&#8221; (2004) – editado em Portugal pela Pergaminho em 2007 com o título &#8220;Confissões de Um Mercenário Económico: a Face Oculta do Imperialismo Americano&#8221; –, que as multinacionais são movidas por um único objectivo que é maximizar os lucros, independentemente das consequências sociais e ambientais. Estes últimos são novos objectivos que não eram ensinados quando estudei Gestão, no final dos anos 60. Ensinaram-me que havia apenas este objectivo entre muitos outros, por exemplo tratar bem os funcionários, dar-lhes uma boa assistência na saúde e na reforma, ter boas relações com os clientes e os fornecedores, e também ser um bom cidadão, pagar impostos e fazer mais que isso, ajudar a construir escolas e bibliotecas. Tudo se agravou nos anos 70, quando Milton Friedman, da escola de economia de Chicago, veio dizer que a única responsabilidade no mundo dos negócios era maximizar os lucros, independentemente dos custos sociais e ambientais. E Ronald Reagan, Margaret Thatcher e muitos outros líderes mundiais convenceram-se disso desde então. Todas estas empresas são orientadas segundo este objectivo e quando alguma coisa o ameaça, seja um acordo de comércio multilateral seja outra coisa qualquer, juntam&#8211;se para garantir que o mesmo é protegido. Isto não é uma conspiração, uma conspiração é ilegal, isto que fazem não é. No entanto, é extremamente prejudicial para a economia mundial.</p>
<p>Também escreveu que o objectivo último dos EUA é construir um império global. Como vê a recente estratégia norte-americana contra a China e o Irão?</p>
<p>Actualmente, podemos dizer que o novo império não é tanto americano como formado por multinacionais. Penso que a ditadura das grandes empresas e dos seus líderes forma hoje a versão moderna desse império. Repito, isto não é uma conspiração, mas todos eles são movidos por esse objectivo de que falámos anteriormente.</p>
<p>Mas vários especialistas defendem que estamos num cenário de terceira guerra mundial, com a China, a Rússia e o Irão de um lado e os EUA, a União Europeia (UE) e Israel do outro. E que toda a conversa de Washington em torno do programa nuclear iraniano não passa de uma grande mentira.</p>
<p>Não acredito que todo este conflito seja motivado por armas nucleares. Na verdade, vários estudos recentes, alguns deles das mais respeitadas agências de informações norte-americanas, mostram que não existem armas nucleares no Irão. E acredito que tudo isto não se deve apenas aos recursos iranianos mas também à ameaça de Teerão de vender petróleo no mercado internacional numa moeda que não o dólar, uma ameaça também feita por Muammar Kadhafi, na Líbia, e Saddam Hussein, no Iraque. Os norte-americanos não gostam que ameacem o dólar e não gostam que ameacem o seu sistema bancário, algo que todos esses líderes fizeram – o líder do Irão, o líder do Iraque, o líder da Líbia. Derrubaram dois deles e o terceiro ainda lá está. Penso que é disto que se trata. Não tenho dúvidas de que a Rússia está a gostar de ver a agitação entre a UE e o Irão, porque Moscovo tem muito petróleo e, se os fornecedores iranianos deixarem de vender, o preço do petróleo vai subir, o que será uma grande ajuda para a Rússia. É difícil acreditar que qualquer destes países queira mesmo entrar numa terceira guerra mundial. No fundo, o que querem é estar constantemente a confundir as pessoas, parecendo que querem entrar em conflito e ajudar a alimentar as máquinas de guerra, porque isso ajuda uma série de grandes empresas.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Como durante a Guerra-fria?</p>
<p>Sim, como durante a Guerra-fria, porque isso é bom para os negócios. No fundo, estes países estão todos a servir os interesses das grandes empresas. Há algumas centenas de anos, a geopolítica era maioritariamente liderada por organizações religiosas; depois os governos assumiram esse poder. Agora chegámos à fase em que a geopolítica é conduzida em primeiro lugar pelas grandes multinacionais. E elas controlam mesmo os governos de todos os países importantes, incluindo a Rússia, a China e os EUA. A economia da China nunca poderia ter crescido da forma que cresceu se não tivesse estabelecido fortes parcerias com grandes multinacionais. E todos estes países são muito dependentes destas empresas, dos presidentes destas empresas, que gostam de baralhar as pessoas, porque constroem muitos mísseis e todo o tipo de armas de guerra. É uma economia gigante. A economia norte-americana está mais baseada nas forças armadas que noutra coisa qualquer. Representa a maior fatia do nosso orçamento oficial e uma parte maior ainda do nosso orçamento não oficial. Por isso tanto a guerra como a ameaça de guerra são muito boas para as grandes multinacionais. Mas não acredito que haja alguém que nos queira ver de facto entrar em guerra, dada a natureza das armas. Penso que todas as pessoas sabem que seria extremamente destrutivo.</p>
<p>Como avalia o trabalho de Barack Obama enquanto presidente dos EUA?</p>
<p>Penso que se esforçou muito por agir bem, mas está numa posição extremamente vulnerável. Assim que alguém entra na Casa Branca, sejam quais forem as suas ideias políticas, os seus motivos ou a sua consciência, sabe que é muito vulnerável e que o presidente dos EUA, ou de outro país importante, pode ser facilmente afastado. Nalgumas partes do mundo, como a Líbia ou o Irão, talvez só com balas o seu poder possa ser derrubado, mas em países como os EUA um líder pode ser afastado por um rumor ou uma acusação. O presidente do FMI, Dominique Strauss-Kahn, vê a sua carreira destruída por uma empregada de quarto de um hotel, que o acusou de violação, foi um aviso muito forte a Obama e a outros líderes mundiais. Não estou a defender Strauss-Kahn – não faço a mínima ideia de qual é a verdade por trás do que aconteceu, mas o que sei é que bastou uma acusação de uma empregada de quarto para destruir a sua carreira, não só como director do FMI mas também como potencial presidente francês. Bill Clinton também foi afastado por um escândalo sexual, mas no tempo de John Kennedy estas coisas não derrubavam presidentes. Só as balas. Porém, descobrimos com Bill Clinton que um escândalo sexual – e não é preciso ser uma coisa muito excitante, porque aparentemente ele nem sequer teve sexo com a Monica Lewinsky, fizeram uma coisa qualquer com um charuto que já não me lembro – foi o suficiente para o descredibilizar. Por isso Obama está numa posição muito vulnerável e tem de jogar o jogo e fazer o melhor que pode dentro dessas limitações. Caso contrário, será destruído.</p>
<p>No fim do ano passado escreveu um artigo onde afirmava que a Grécia estava a ser atacada por assassinos económicos. Acha que Portugal está na mesma situação?</p>
<p>Sim, absolutamente, tal como aconteceu com a Islândia, a Irlanda, a Itália ou a Grécia. Estas técnicas já se revelaram eficazes no terceiro mundo, em países da América Latina, de África e zonas da Ásia, e agora estão a ser usadas com êxito contra países como Portugal. E também estão a ser usadas fortemente nos EUA contra os cidadãos e é por isso que temos o movimento Occupy. Mas a boa notícia é que as pessoas em todo o mundo estão a começar a compreender como tudo isto funciona. Estamos a ficar mais conscientes. As pessoas na Grécia reagiram, na Rússia manifestam-se contra Putin, os latino-americanos mudaram o seu subcontinente na última década ao escolher presidentes que lutam contra a ditadura das grandes empresas. Dez países, todos eles liderados por ditadores brutais durante grande parte da minha vida, têm agora líderes democraticamente eleitos com uma forte atitude contra a exploração. Por isso encorajo as pessoas de Portugal a lutar pela sua paz, a participar no seu futuro e a compreender que estão a ser enganadas. O vosso país está a ser saqueado por barões ladrões, tal como os EUA e grande parte do mundo foi roubado. E nós, as pessoas de todo o mundo, temos de nos revoltar contra os seus interesses. E esta revolução não exige violência armada, como as revoluções anteriores, porque não estamos a lutar contra os governos mas contra as empresas. E precisamos de entender que são muito dependentes de nós, são vulneráveis, e apenas existem e prosperam porque nós lhes compramos os seus produtos e serviços. Assim, quando nos manifestamos contra elas, quando as boicotamos, quando nos recusamos a comprar os seus produtos e enviamos emails a exigir-lhes que mudem e se tornem mais responsáveis em termos sociais e ambientais, isso tem um enorme impacto. E podemos mudar o mundo com estas atitudes e de uma forma relativamente pacífica.</p>
<p>Mas as próprias empresas deviam ver que a ditadura das multinacionais é um beco sem saída.</p>
<p>Bem, penso que está absolutamente certa. Há alguns meses estive a falar numa conferência para 4 mil CEO da indústria das telecomunicações em Istambul e vou regressar lá, dentro de um mês, para uma outra conferência de CEO e CFO de grandes empresas comerciais, e digo-lhes a mesma coisa. Falo muitas vezes com directores-executivos de empresas e sou muitas vezes chamado a dar palestras em universidades de gestão ou para empresários e também lhes digo o mesmo. Aquilo que fizemos com esta economia mundial foi um fracasso. Não há dúvida. Um exemplo disso: 5% da população mundial vive nos EUA e, no entanto, consumimos cerca de 30% dos recursos mundiais, enquanto metade do mundo morre à fome ou está perto disso. Isto é um fracasso. Não é um modelo que possa ser replicado em Portugal, ou na China ou em qualquer lado. Seriam precisos mais cinco planetas sem pessoas para o podermos copiar. Estes países podem até querer reproduzi-lo, mas não conseguiriam. Por isso é um modelo falhado e você tem razão, porque vai acabar por se desmoronar. Por isso o desafio é como mudamos isto e como apelar às grandes empresas para fazerem estas mudanças. Obrigando-as e convencendo-as a ser mais sustentáveis em termos sociais e ambientais. Porque estas empresas somos basicamente nós, a maioria de nós trabalha para elas e todos compramos os seus produtos e serviços. Temos um enorme poder sobre elas. Por definição, uma espécie que não é sustentável extingue-se. Vivemos num sistema falhado e temos de criar um novo. O problema é que a maior parte dos executivos só pensa a curto prazo, não estão preocupados com o tipo de planeta que os seus filhos e os seus netos vão herdar.</p>
<p>Podemos afirmar que esta crise mundial foi provocada por assassinos económicos e rotular os líderes da troika como serial killers?</p>
<p>Penso que é justo dizer que os assassinos económicos são os homens de mão, nós, os soldados, e os presidentes das grandes multinacionais e de organizações como o Banco Mundial, o FMI ou Wall Street, os generais.</p>
<p>Ainda há dias o Financial Times divulgou que os gestores financeiros de Wall Street andavam a tomar testosterona para se tornarem ainda mais competitivos. Isto faz parte do beco sem saída de que está a falar?</p>
<p>A sério?! Ainda não tinha ouvido isso, mas não me surpreende nada. No entanto, aquilo que precisamos hoje em dia é de um lado feminino, temos de caminhar na direcção oposta e livrar-nos dessa testosterona. Precisamos de mais líderes mulheres, mulheres reais – não homens vestidos com roupas de mulher, por assim dizer – para trazerem com elas os valores de receptividade e do apoio e encorajarem os homens a cultivar isso neles próprios. Nós, homens, temos de estar muito mais ligados ao nosso lado feminino.</p>
<p>Se fôssemos apresentar esta crise económica à polícia, quem seriam os criminosos a acusar?</p>
<p>Pense em qualquer grande multinacional e à frente dessa multinacional estará alguém responsável pela ditadura empresarial, seja a Goldman Sachs, em Wall Street, seja a Shell, a Monsanto ou a Nike. Todos os líderes dessas empresas estão profundamente envolvidos em tudo isto e, da mesma forma, estão os líderes do FMI, do Banco Mundial e de outras grandes instituições bancárias. Detesto estar a dar nomes, estas pessoas estão sempre a mudar de emprego, por isso prefiro apontar os cargos. Eles estão sempre em rotação, por exemplo, o nosso antigo presidente, George W. Bush, veio da indústria petrolífera. A sua secretária de Estado, Condoleezza Rice, também veio da indústria petrolífera. Já Obama tem a sua política financeira concebida por Wall Street, maioritariamente pela Goldman Sachs. Mudaram-se da empresa para a actual administração norte-americana. A sua política de agricultura é feita por pessoas da Monsanto e de outras grandes empresas do sector. E a parte triste é que assim que o seu tempo expirar em Washington voltam para essas empresas. Vivemos num sistema incrivelmente corrupto. Aquilo a que chamamos política das portas giratórias é só uma outra designação de corrupção extrema.</p>
<p>03/Março/2012</p>
<p>Ver também: http://resistir.info/eua/perkins_hit_man_port.html , 01/Jan/2005</p>
<p>O original encontra-se em www.ionline.pt/mundo/&#8230;</p>
<p>Esta entrevista encontra-se em http://resistir.info/ .</p>
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