Por Ceci Juruá | Rio de Janeiro, 11/01/2016

Fala-se tanto no lucro dos bancos, de fato elevados, mas não se presta a atenção devida aos lucros dos monopólios. Ou dos quase-monopólios como é o caso da AMBEV, empresa binacional do ponto de vista da origem do capital (Bélgica/Brasil).
Em 2014 a AMBEV auferiu lucro líquido de R$ 12,4 bilhões, montante considerável, equivalente a praticamente 40% do lucro conjunto dos 20 grupos industriais com maiores lucros, segundo dados organizados pela revista Valor “Os 200 Maiores Grandes Grupos” em operação no Brasil, publicado em dezembro de 2015.
Este lucro foi tão excepcional que até superou o dos bancos estatais, BB e CEF, e o do Santander, maior banco estrangeiro operando entre nós.
Aliás, em matéria de rentabilidade patrimonial, os grandes grupos industriais tiveram excelentes resultados em 2014. Destacou-se no topo do ranking o inglês Souza Cruz, com rentabilidade de 68,2%. A Ambev ocupou o 9º lugar, com o percentual de 28,3%.
Note-se ainda que este grupo fabricante de cerveja e outras bebidas classificou-se em 3º lugar, depois de Petrobrás e Vale do Rio Doce, no ranking dos 20 maiores em patrimônio líquido.
Pelo fato de se tratar de empresa com dupla nacionalidade em matéria de origem do capital, há quem considere que a Ambev deveria ser proibida de participar de atividades políticas domésticas, pois nossa Constituição proíbe que estrangeiros se alistem como eleitores (Capítulo IV, Título II). Este é um ponto que se deverá considerar por ocasião de uma futura reforma do sistema político, à luz de comparação com a prática de outros países do nosso hemisfério ocidental.
***
Ceci Juruá é economista e doutora em Políticas Públicas.