Por Ceci Juruá | Rio de Janeiro, 18/12/2015
1 – Nas entrevistas que tem vindo a público na Globo News passa-se a ideia que o Brasil é um país de privilegiados, e o exemplo é a Universidade Pública. Que não é privilégio algum, é o único serviço público ao qual a classe média assalariada, a que mais paga imposto de renda, tem acesso.
Mas não dizem nada sobre a ISENÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA SOBRE DIVIDENDOS, este sim um enorme privilégio que não existe em nenhum país desenvolvido. Foi um presentinho dado no governo FHC aos que fazem parte dos 0,001 % mais rico do país. Segundo Piketty, este é um elemento favorável à concentração de renda, secular no Brasil.
2 – Passa-se, na mesma emissora, através de entrevistas, a ideia que a produtividade no Brasil é baixa, por causa dos salários “altos”. Salário alto no Brasil? 200 euros, o salário mínimo, é alto? E a remuneração média dos trabalhadores brasileiros, de 400 euros, é alta? Comparem com o salário mínimos de países europeus, em torno de 800 euros…
Além do mais, para quem não sabe, é bom aprender que há a produtividade do trabalho e a produtividade do capital. A produtividade do capital desviado para operações rentistas é … ZERO!
3 – Difundem também a inverdade que a competitividade da economia brasileira é baixa por causa dos salários… Francamente! Analisando bem, o problema da baixa competitividade decorre dos juros extorsivos que impedem o investimento privado e se apropriam de parcelas crescentes da renda das famílias. Procurem os blogs dos profs Ladislau Dowbor e Fernando Nogueira da Costa. Acompanhem o debate atual sobre o sistema financeiro.
Vamos à luta. Precisamos enfrentar o atual debate sobre a economia brasileira, usando conhecimento do real, do concreto. Com fatos, números e estatísticas, em vez do apego a ideologias e teses alienígenas.