Por Ceci Juruá | Rio de Janeiro, 30/06/2015
O Le Monde do último dia 30 expõe dilemas e consequências da transação entre Alston (francesa) e GE (a norte-americana General Electric), envolvendo a venda das atividades de energia do grupo francês à gigante norte-americana.
O artigo, intitulado Alstom : trois questions qui fâchent , relata que, uma vez realizada tal transação, o mercado de grandes turbinas a gás para centrais elétricas ficará nas mãos de apenas três empresas: GE, Siemens (alemã) e Mitsubishi –Hitachi Power Systems (japonesa).
A GE, que já desfruta de uma posição dominante na Europa, absorverá em torno de 50% do mercado mundial. Por isto a Comissão Europeia teme que esta redução da concorrência venha resultar em aumento de preços e redução do ritmo de inovações tecnológicas.
Na origem dessa transação estão acusações de corrupção levantadas pela justiça norte-americana contra a Alstom. Fala-se de um “sofisticado esquema de corrupção entre 2000 e 2011”, em numerosos países. O presidente da Alstom refuta a acusação, embora admita que podem ter havido erros de supervisão, segundo ele a corrupção é marginal frente a negócios que envolveram, no período, 350 bilhões de euros.
Lendo tais fatos, uma primeira pergunta me vem à mente. Não há uma espantosa coincidência entre as acusações feitas pela justiça norte-americana à Alstom, e aquelas dirigidas contra nossa principal empresa brasileira, Petrobras?
Por outro lado, há acusações de que o presidente da Alstom promoveu a venda das atividades de energia à GE com o objetivo de se proteger contra acusações que poderiam atingi-lo, também provenientes da justiça norte-americana. Mas são apenas suposições…
Avaliada em 12,35 bilhões de euros, pouco sobrará à Alstom como recursos financeiros, depois de remunerar acionistas, pagar as multas cobradas pela justiça dos States, as dívidas e outras transações.
Esses recursos, avaliados agora em torno de apenas 1 bilhão de euros, servirão à alavancagem das atividades de transporte da Alstom, outrora um poderoso conglomerado presente em mais de 70 países, atuante nos setores de usinas elétricas, fornecedor de turbinas, geradores e trens de alta velocidade, dispondo de filial dedicada à construção marítima.
Tantas coincidências não nos servirão como pista para entender melhor o momento presente em nosso país e a Operação Lava Jato?