Por Ceci Juruá*
Comparando os censos de 2000 e 2010, observou-se a seguinte evolução:
-os 1% mais ricos permaneceram com o percentual de 17,2% da renda nacional brasileira
-os 9% seguintes, tiveram modesta perda, passando de 33,9% para 31%
-os 30% do estrato de renda média passaram de 30,8% para 30,3% da renda nacional
-os 60% mais pobres tiveram ganho modesto, pouco maior do que 3 pontos percentuais, passando de 18,1% para 21,5% da renda nacional
As personalidades entrevistadas destacaram que esse resultado foi possível graças a política de aumento real do salário mínimo e às transferências governamentais de renda. Mas também contribuíram a queda da taxa de juros ao longo dos anos, e a relativa estabilidade monetária.
Por conta das correções introduzidas na distribuição de rendimentos, a renda dos mais pobres cresceu 155% entre 2000 e 2010, um ritmo superior ao dos 40% mais bem posicionados, cuja renda média cresceu 106% no mesmo período.
Trata-se de uma evolução bastante singular, no contexto capitalista dos últimos 30 anos. Nos países desenvolvidos “a concentração de renda tem aumentado no topo da pirâmide”. Mas apesar da queda da desigualdade, evidente nos números apresentados, o titulo da matéria em primeira página destaca que os super-ricos mantém sua fatia da renda no país.
Fonte: Valor de 26-06-2014, A-14, reportagem de Denise Newmann
*-Ceci Juruá, economista, pesquisadora, doutora em políticas públicas. Rio de Janeiro, 26 de junho de 2014