Salário e investimentos estagnados nos EUA há 25 anos

Por Ceci Juruá

Com base nos estudos que vem sendo realizados pelo Fundo Monetário Internacional, o jornal Le Monde publicou, há dois dias, alguns comentários sobre a economia norte-americana, que merecem ser cotejados com os rumos da política econômica brasileira após a crise de 2008. Vejamos:

1. A primeira constatação é que o salário real mediano nos Estados Unidos está praticamente estagnado há 25 anos. Mesmo assim, o consumo doméstico aumentou após a crise de 2008, graças a dois fatores principalmente: forte aumento do endividamento, aumento das transferências fiscais . Em 1970, por exemplo, apenas 1 entre 50 norte-americanos recebia ajuda alimentar, a relação hoje é de 1 entre 6.

2. Os lucros aumentam mas os investimentos declinam ou ficam estagnados. Isto se deve, segundo a notícia citada à redução relativa do preço dos bens de capital, fazendo com que a manutenção da taxa de investimento em volume (quantidades físicas) corresponda uma redução em valor (unidades monetárias). Este fato se observa principalmente nos equipamentos resultantes das novas tecnologias de comunicação. Em matéria de construções e fábricas há efetivamente declínio da taxa de investimentos.

Ao se alinhar com as medidas de proteção à economia adotadas por norte-americanos, crédito e transferências assistenciais, o governo brasileiro conseguiu até agora manter o nível de emprego e da renda no Brasil. Merece aplausos em lugar das críticas que lhe tem sido dirigidas. Se a eficácia de tais medidas se esgota, como acreditam alguns, outras medidas poderão e deverão ser providenciadas. Cabe ainda constatar que a política praticada não só evitou uma crise social de grandes proporções no Brasil, como também que ela seguiu, estritamente, o figurino desenhado nos Estados Unidos. A diferença é que não emitimos moeda sem lastro, porque não dispomos de moeda com circulação universal, como é o caso dos Estados Unidos.

Sobre Rennan Martins

Jornalista e analista político. Duvida da tese da narrativa isenta. Contato: rennan.m.martins@gmail.com
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