No Império existiram pessoas no papel de testa de ferro e outras como procuradoras, do capital estrangeiro. São figuras social e comercialmente distintas. O historiador Evaldo de Mello chama-os de caçadores de concessões. São fontes de variadas ilicitudes, a Corte virou um centro de negócios, a advocacia administrativa dava muito dinheiro. E o ambiente foi se degradando, corrupção é um ambiente de degenerescencia e de deshumanização, a tendência é sempre crescente até a ruptura. A ruptura no Império demorou muitos anos, e foi em duas etapas, primeiro a República (que não conseguiu segurar a onda), depois a Revolução de 1930 com a inesquecível liderança de Getúlio Vargas.
Como biombo das desnacionalizações havia um fato social – o abolicionismo – e um objetivo retórico – o progresso. É o que eu chamo POPULISMO DE DIREITA – mistificador e entreguista. Os brasileiros quatrocentões, os trabalhadores livres, os mestiços, não mereceram nenhuma distinção, eram los olvidados. Não eram excluídos não, deles dependia a produção de alimentos.
Emtre os testas de ferro, nas ferrovias, destacou-se JOÃO TEIXEIRA SOARES (mineiro de Formiga), um aliado provável do capital norte-americano e franco-belga, aquele que alimentou as ilusões de Percival Farqhuar de ser o grande imperador do Brasil. Sua sede era Chicago e nos associados já estava lá o City.. Como procurador destacou-se HUGH WILSON, que procurou açambarcar as ferrovias de Pernambuco e Bahia. E conseguiu. O Conde Wilson, que não consegui situar como parente de Hugh Wilson, havia sido premiado pelo imperador, em 1858, com concessões de áreas de turfa (hulha) na Bahia. Eles já estavam atrás dos minerais de sempre, e do ouro preto. Ingleses e belgas, e alemães, já haviam mapeado nossas riquezas minerais, as concessões nem sempre eram para exploração, muitas vezes eram apenas reservas de direitos de propriedade (caso do carvão e do petróleo).
Tenho o feeling que Eike é mais um desses testas de ferro (há outros, como João Cavalcanti, baiano ao que parece). Há algum tempo suas empresas, do Eike - seu império – vem sendo repassado a conglomerados internacionais. Abaixo envio notícia recente sobre este tema.
Abraço, Ceci
OGX e Petronas fecham acordo
Data: 07/05/2013
A OGX deve anunciar hoje a venda de uma participação de 40% no campo de Tubarão Martelo, na Bacia de Campos, para a estatal Petronas, da Malásia. O negócio, antecipado pelo Valor PRO, serviço de informações em tempo real do Valor dia 21 de fevereiro, sairá por US$ 850 milhões. Do total, US$ 250 milhões serão pagos à vista e US$ 500 milhões no primeiro óleo. Outros US$ 100 milhões vão depender dos volumes de produção diária desse campo, cuja entrada em operação está prevista para o terceiro trimestre.
O Valor apurou com fontes próximas das negociações que a Petronas terá uma opção de compra (call) de ações da OGX, que poderão ser adquiridas por preço menor que o valor de mercado da companhia. A aquisição marca a entrada da Petronas no Brasil às vésperas do leilão da ANP e a OGX pode ser sua parceira estratégica.
As negociações de Eike Batista para capitalizar sua petroleira (ele tem 61,1% das ações) incluem pelo menos mais duas empresas: a russa Lukoil e a japonesa Sumitomo. Com a Lukoil, o objetivo é vender uma participação direta na companhia, nos moldes da operação entre sua geradora de energia MPX e a alemã E.ON.