Em matéria de energia, transportes e comunicações, a República Velha foi mais entreguista dos que os representantes das familias européias que governaram o País a partir de 1841. Nos anos 1890, Joaquim Murtinho declarou alto e bom som que o Estado não deveria intervir na produção, pois era manifestamente incapaz de reger e custear indústrias. Logo depois, como Ministro de Viação e Obras Públicas declarou que estava abrindo concorrência internacional para privatizar os serviços de viação férrea. A Central do Brasil escapou por pouco, mas ainda não sei as razões de a conservarem na esfera estatal.
A farra – de britânicos, norte-americanos, belgas e franceses – só terminou quando Getúlio chegou ao poder. E por isto ele é tão vilependiado até hoje.
FHC reencarnou Joaquim Murtinho e procedeu de forma similar. Ainda estamos no auge da farra, há indícios de que pode piorar. Hoje o Brasil é mais rico, a população é dez vezes maior, logo um excelente campo de geração de lucros (pilhagem?). Como nunca antes na história deste país.
Leio no Valor de hoje
<<<<< BT – BRITISH TELECOM OF BRAZIL – assina contrato milionário para interligar agencias dos Correios >>>>>>>>>>
Trata-se de uma filial da empresa britânica, British Telecom, e da BT Global Services, que oferece serviços gerenciados de TI em rede para empresas e organizações governamentais (sic), Organizações governamentais, é o que está escrito. Ela já tem contrato com a operadora de TV a cabo SIM, do grupo Bandeirantes de Comunicação, e é responsável, lá no Centro, pela infraestrutura de comunicações das Olimpiadas 2012, em Londres.
Ela ganhou agora no Brasil um contrato – que é o maior de seu portfólio -. pois:
<<<<< Os Correios bateram o martelo e assinaram com a British Telecom do Brasil o contrato relativo à licitação pública para prestação do serviço de transmissão de dados para interligação das agências postais no país, em 12 meses.>>>>>>>
O valor oferecido pela BT of Brazil foi inferior ao teto estipulado na licitação. Haja teto !
Esta Global Services já serve, entre outros, a Caixa Econômica Federal e a Fundação Bradesco.
Quando leio notícias ‘desse porte e com tal dimensão geopolítica’ sempre me pergunto – em que mundo vivem aqueles que exigem do governo uma política industrial ? Não leram Celso Furtado sobre o poder dos conglomerados mundiais ? Desconhecem que em casos similares os centros de decisão – sobretudo em matéria de decisões estratégicas – estão situados fora do Brasil, ao não alcance do governo brasileiro ? Porque será que cada governador ‘brasileiro’ visita o Reino Unidos e os States assim que assume o picolo poder regional ?
É preciso cair no real. Mais uma vez.
Ceci