Porque votei no PT? Porque leio jornais…*

(Mensagem de Natal)
Os textos acadêmicos que vem sendo produzidos na Academia sobre o ‘Lulismo’ não me convencem.  São teóricos e distanciados da realidade brasileira, são visões da elite que ganha 50 ou mais salários mínimos por mês.
Na ocasião do pleito eleitoral, eu perguntava aos mais pobres, aos trabalhadores desqualificados, porque apoiavam a ‘candidata do Lula’.  Entre as respostas mais freqüentes cito:  -porque hoje nós podemos comer, -porque o salário aumentou, -porque a qualidade das escolas melhorou, -porque Lula fez o Brasil ser respeitado lá fora, e assim por diante.  Este era o sentimento do povo, no Rio de Janeiro onde vivo.  Lula melhorou a vida de todos, Lula impôs respeito ao Brasil, esta pátria de ex-escravos, de índios trucidados, e de mestiços que assumem com orgulho sua história e trajetória de sucesso.  É um país que vai em frente, devagar, é verdade, mas sem perder o ritmo e o horizonte de suas aspirações.
A classe média, a verdadeira, dos textos clássicos de Sociologia, também votou em Lula.  E o fez algumas vezes com o pé atrás, abalada pelo discurso falso mas eficaz, da pretensa moralidade dos que promoveram a maior pilhagem dos nossos recursos naturais e patrimoniais.  A classe média votou em Lula porque antecipou que sem ele a pilhagem continuaria, e se concentraria agora nos direitos sociais e, sobretudo, naqueles poucos direitos a que a classe média, a verdadeira, tem acesso.
Votou corretamente, convenço-me a cada dia que passa.  Vejam a seguir alguns trechos da entrevista de Edmar Bacha, um dos pais do Plano Real, publicada no jornal O Valor de hoje, p.A12 (22-12-2010).
-Sobre a Previdência:
Gastamos 11% do PIB com Previdência quando o normal seria 5%.  Dentro da Previdênica, o equivalente a 3,5 pontos percentuais são gastos com pensões, quando o normal seria 1% do PIB.  Temos esses privilégios adquiridos (grifo meu)…
-Sobre a Universidade:
Na educação, o grosso dos gastos públicos vai para universidades gratuitas.  Não tem a mínima razão para as universidades serem gratuitas no Brasil.
-Sobre a Saúde:
Uma coisa era resolver o problema da vacinação e da mortalidade infantil, algo razoavelmente simples, mas dar SUS para todos é muito mais complicado.
-Sobre o Estado, respondendo à questão ‘o que deve fazer o Estado?’:
Precisa fazer coisas básicas (grifo meu), como ocupar o Morro do Alemão (RJ).  Esse é um caso quase patético de como o Estado deve agir.  É como quando acabamos com a inflação, havia todo um mundo novo (grifo meu) à nossa frente.
-Sobre erros do governo Lula:
Quando o governo resolveu fazer as reformas… resolveram utilizar o método tradicional (grifo meu), mais fácil, de comprar os parlamentares…  [a partir do estouro do escândalo do mensalão] Lula resolveu desistir de passar reformas.Ter abandonado as reformas foi algo muito ruim. …
… o Brasil não vai conseguir fazer a Copa do Mundo do jeito que os aeroportos estão.  Quantas PPP’s o governo fez?  Não sei se a Dilma vai ter a capacidade de fazer as coisas de outra forma (grifo meu).
Eu fiquei escandalizada, até um pouco aterrorizada, com o que emana nos trechos assinalados acima.  Em matéria de moral  e bons costumes.  Em matéria de solidariedade.  Em matéria de respeito às aspirações do povo.  A classe média que se cuide.  Está de volta a artilharia dos oligarcas.  Querem um país tradicional, das duas classes não sociológicas – há os que mandam e os que obedecem, há os que têm e os que não têm, os que desperdiçam em consumo supérfluo e os que apenas sobrevivem precariamente.
Tenho saudades de Lula por tudo o que fez e o que não deixou fazer.  Que Deus o ilumine para que continue lutando por todos nós, os brasileiros, como fez até agora. Para Lula deixo aqui meus votos de Feliz Natal, na paz do Senhor, aquela paz de só podem gozar os que tem consciência tranquila do dever cumprido.  Como ele, Lula, eminente Brasileiro, o melhor presidente das últimas tres décadas do Brasil.
__________________  Ceci Juruá, economista  (RJ, Natal de 2010)

Porque votei no PT?  Porque leio jornais…*
(Mensagem de Natal)

Os textos acadêmicos que vem sendo produzidos na Academia sobre o ‘Lulismo’ não me convencem.  São teóricos e distanciados da realidade brasileira, são visões da elite que ganha 50 ou mais salários mínimos por mês.
Na ocasião do pleito eleitoral, eu perguntava aos mais pobres, aos trabalhadores desqualificados, porque apoiavam a ‘candidata do Lula’.  Entre as respostas mais freqüentes cito:  -porque hoje nós podemos comer, -porque o salário aumentou, -porque a qualidade das escolas melhorou, -porque Lula fez o Brasil ser respeitado lá fora, e assim por diante.  Este era o sentimento do povo, no Rio de Janeiro onde vivo.  Lula melhorou a vida de todos, Lula impôs respeito ao Brasil, esta pátria de ex-escravos, de índios trucidados, e de mestiços que assumem com orgulho sua história e trajetória de sucesso.  É um país que vai em frente, devagar, é verdade, mas sem perder o ritmo e o horizonte de suas aspirações.
A classe média, a verdadeira, dos textos clássicos de Sociologia, também votou em Lula.  E o fez algumas vezes com o pé atrás, abalada pelo discurso falso mas eficaz, da pretensa moralidade dos que promoveram a maior pilhagem dos nossos recursos naturais e patrimoniais.  A classe média votou em Lula porque antecipou que sem ele a pilhagem continuaria, e se concentraria agora nos direitos sociais e, sobretudo, naqueles poucos direitos a que a classe média, a verdadeira, tem acesso.
Votou corretamente, convenço-me a cada dia que passa.  Vejam a seguir alguns trechos da entrevista de Edmar Bacha, um dos pais do Plano Real, publicada no jornal O Valor de hoje, p.A12 (22-12-2010).
-Sobre a Previdência:
Gastamos 11% do PIB com Previdência quando o normal seria 5%.  Dentro da Previdênica, o equivalente a 3,5 pontos percentuais são gastos com pensões, quando o normal seria 1% do PIB.  Temos esses privilégios adquiridos (grifo meu)…
-Sobre a Universidade:
Na educação, o grosso dos gastos públicos vai para universidades gratuitas.  Não tem a mínima razão para as universidades serem gratuitas no Brasil.
-Sobre a Saúde:
Uma coisa era resolver o problema da vacinação e da mortalidade infantil, algo razoavelmente simples, mas dar SUS para todos é muito mais complicado.
-Sobre o Estado, respondendo à questão ‘o que deve fazer o Estado?’:
Precisa fazer coisas básicas (grifo meu), como ocupar o Morro do Alemão (RJ).  Esse é um caso quase patético de como o Estado deve agir.  É como quando acabamos com a inflação, havia todo um mundo novo (grifo meu) à nossa frente.
-Sobre erros do governo Lula:
Quando o governo resolveu fazer as reformas… resolveram utilizar o método tradicional (grifo meu), mais fácil, de comprar os parlamentares…  [a partir do estouro do escândalo do mensalão] Lula resolveu desistir de passar reformas.Ter abandonado as reformas foi algo muito ruim. …
… o Brasil não vai conseguir fazer a Copa do Mundo do jeito que os aeroportos estão.  Quantas PPP’s o governo fez?  Não sei se a Dilma vai ter a capacidade de fazer as coisas de outra forma (grifo meu).
Eu fiquei escandalizada, até um pouco aterrorizada, com o que emana nos trechos assinalados acima.  Em matéria de moral  e bons costumes.  Em matéria de solidariedade.  Em matéria de respeito às aspirações do povo.  A classe média que se cuide.  Está de volta a artilharia dos oligarcas.  Querem um país tradicional, das duas classes não sociológicas – há os que mandam e os que obedecem, há os que têm e os que não têm, os que desperdiçam em consumo supérfluo e os que apenas sobrevivem precariamente.
Tenho saudades de Lula por tudo o que fez e o que não deixou fazer.  Que Deus o ilumine para que continue lutando por todos nós, os brasileiros, como fez até agora. Para Lula deixo aqui meus votos de Feliz Natal, na paz do Senhor, aquela paz de só podem gozar os que tem consciência tranquila do dever cumprido.  Como ele, Lula, eminente Brasileiro, o melhor presidente das últimas tres décadas do Brasil.
__________________  Ceci Juruá, economista  (RJ, Natal de 2010)

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