Por Bruno Galvão
O pós-guerra é conhecido como o período do desenvolvimento, tanto do ponto de vista da política econômica, quanto da teoria. As décadas de 1940 e 1950 são marcadas por profusão de teorias de desenvolvimento da periferia[1], pelo otimismo quanto à possibilidade de superação de desenvolvimento e pela adoção sistemática de políticas com o objetivo de acelerar o crescimento econômico. De fato nos anos 50 e 60, o conjunto dos países subdesenvolvidos registraram a maior expansão da renda per capita já registrada e os casos mais bem sucedidos de convergência – os milagres japoneses, europeus e o surgimento dos Tigres Asiáticos – são desse período ou iniciam nele. Contudo, no conjunto, os resultados ficaram muito aquém do esperado. A taxa média de expansão da renda per capita era insuficiente frente ao nível de atraso e era inclusive, menor do que os países desenvolvidos. Quase todos os esforços de industrialização fracassaram – parcial ou totalmente. E os casos de maior sucesso fora do Extremo Oriente, Brasil e México, foram sucumbidos pela crise da divida dos anos 80. No final do século XX, as diferenças de renda per capita entre países subdesenvolvidos, excluindo o Leste Asiático, e as nações desenvolvidas eram maiores do que no início do período desenvolvimentista.
No final dos anos 90, as condições para uma nova era desenvolvimento pareciam bastante adversa:
- as instituições internacionais – FMI, Banco Mundial e OMC – eram muito avessas à políticas keynesianas e de industrialização;
- a ideologia neoliberal dominavam a teoria econômica e os executores de política;
- o pessimismo quanto à possibilidade de crescer a taxas elevadas e de que isso pudesse melhorar a qualidade de vida da população faziam com que o desenvolvimentismo não tivesse qualquer força significativa na política.
Contudo, a primeira década do século XXI foi o período de maior crescimento acelerado dos países subdesenvolvido e a explicitação do caso mais radical e de maior sucesso do desenvolvimentismo – a China.
[1] Os clássicos de Prebisch, Baran, Rostow, Kuznets, Nurkse, Furtado, Singer, Lewis, Chenery, Rosentein-Rodan, Myrdal, Hirschman são dessa época.