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Nenhuma das razões para o bombardeio no Iraque é “humanitária”

Por Nazanín Armanian, via Publico.es

Barack Obama não pôde resistir a tentação (ou as pressões de seus adversários) e tornou-se o quarto presidente dos EUA a bombardear o Iraque, utilizando-se dos mesmos pretextos “benevolentes” e com o mesmo objetivo principal: manter o controle norte-americano sobre o petróleo iraquiano. É o que nos revela a cronologia dos acontecimentos, que os terroristas do Estado Islâmico – chamados “rebeldes sírios”, a quem o Ocidente, a Turquia e a Síria financiou –, invadiram o Iraque, semeando pânico e morte entre a população, desde dezembro último. Desde a semana passada, já há algumas respostas a pergunta “Porque Obama não lutou contra a Al Qaeda no Iraque?”.

Vejamos como a inação dos EUA, assim como a atual agressão militar, foram intencionais e bem calculadas:

– No natal de 2013, os jihadistas atentaram contra a Igreja da Virgem Maria de Bagdá, matando 35 cristãos. Washington nada fez.

– Janeiro de 2014, invadem Fallujah e Ramadi, matando centenas de pessoas. EUA não intervém.

– Entre 10 e 29 de junho, o EI tomou controle de várias zonas das províncias de Kirkuk, Saladino, Tikrit, Al Adhim, Tal Afar e de Mosul, e apesar de obrigarem mais de 8.000 cristãos a fugir no evento, o ocidente não lhes socorre, e então o mais novo homem do Pentágono, um tal Abu Bakr al Bagdadi, proclama um califato nos territórios conquistados no Iraque e na Síria.

– 13 de junho. Obama declara que ajudaria a conter os jihadistas sob a condição de renúncia as políticas sectárias por parte de Nuri al Maliki.

– Nos dias 2 e 3 de agosto o EI ocupa as cidades curdas de Sinjar e Zumar, forçando a fuga de centenas de yazidis.

– No dia 7/08 tomam a cidade cristão de Qaraqosh, e só então Obama declara sua disposição em mandar drones para “proteger” os civis encurralados e os americanos residentes.

– 8 de agosto, quando as ações das petroleiras ocidentais passam a cair pelo segundo dia consecutivo, por conta das ameaças dos jihadistas e da evacuação de parte dos funcionários das companhias Afren, Genel Energy e Chevron, as bombas tornam a cair no solo do Iraque, aparentemente para neutralizar o EI, e matando centenas de civis. Os eternos danos colaterais dos interesses infames.

O “casus belli” dos EUA é uma farsa

O governo norte-americano anunciou que iria “resgatar” os 40.000 yazidis refugiados na montanha Sinjar. A farsa se revela quando dias depois anuncia-se que haviam “muito menos refugiados na montanha Sinjar e é muito menos provável que ocorra o resgate”. Na realidade, existiam em torno de mil yazidis nesta montanha que é habitada há séculos por humanos. Obviamente tinham ciência disso, e no caso de não saber, então porque Obama afirma que a agressão militar durará meses? Sem dúvida, estão exagerando o poderio do EI (no caso de que não estejam obedecendo ao Pentágono, operando livremente) como quando mentiram, dizendo que eram necessários 40 países comandados pelos EUA para conter alguns talibãs que não possuíam nem sequer aviões. Tampouco há explicação “humanitária” do porque os piedosos homens dos EUA e União Europeia não movem sequer um dedo para ajudar aos palestinos, os líbios que estão em fogo cruzado depois da intervenção que realizaram, ou as milhares de pessoas que estão morrendo de fome no sul do Sudão. Mas o Iraque eles escancaram para “salvar” a população cristão.

Não há como verificar se realmente o EI roubou 420 milhões de dólares dos bancos de Mosul, nem se controlam sete campos de petróleo e duas refinarias no norte do Iraque, como afirma a imprensa ocidental, justificando assim a envergadura da nova missão bélica.

A macabra estratégia de Obama

A aposta pessoal de Barack Obama em manter a unidade do Iraque e evitar sua balcanização nunca agradou a Irael nem aos republicanos, que optam por desmembrar Estados fortes e criar pequenas colônias controláveis: Iugoslávia e Sudão são o retrato, Síria e Iraque estão no mesmo processo.

Obama, ao formar seu governo, deu ao vice-presidente Joe Biden a missão de pôr ordem no Iraque. Biden, que quando senador defendeu uma confederação de etnias e religiões no país invadido, logo retirou essa proposta, que é respaldada inclusive por setores do Partido Democrata. O último intento de Obama em evitar o fim oficial do Estado iraquiano (porque não quer que seu país seja acusado de desmembrar países do Sul) foi pedir ao primeiro ministro Nuri Al Maliki que forme um que governo que incluísse as minorias étnicas e religiosas. Obama é incapaz de entender que pedir tolerância a uma teocracia – reacionária, sectária, injusta e corrupta – em um país de longa tradição laica, é como pedir uvas e um espinheiro.

Então, Washington elaborou outra estratégia: deixar que o EI arrase o norte do país, matando a centenas de inocentes, chegando a poucos quilômetros de Bagdá, para então intervir e seguir manipulando a política em Bagdá.

Porque Erbil?

O mandatário norte-americano deixou claro: ordenou que os ataques aéreos detivessem o avanço do EI em Erbil, capital do GRK. A cidade de 8.000 anos de história, protegida pela deusa suméria Ishtar (Esther/Estrella em castelhano, Setaré em persa) que chegou a ser parte do Império Persa, sendo conquistada por Alexandre Magno, hoje vive uma autêntica febre do Ouro. Ouro Negro que mancha a atual decisão de Obama, que tem os seguintes objetivos:

Proteger o status quo no Curdistão e sua ampla autonomia. Consolidar o poder nesta região, podendo convertê-la num trampolim para seguir adiante seu plano do Novo Oriente Próximo.

Garantir o domínio de suas petroleiras sobre o óleo curdo – que corresponde a 0.5% da oferta mundial –, e também sobre 89% das reservas de gás natural do Estado que se encontra sob domínio do GRK, onde operam ExxonMobil e Chevron. Os EUA se apossaram do óleo curdo, já que este não era explorado antes da invasão de 2003.

Impedir o corte na produção e refino do petróleo, que afetaria a recuperação econômica do Ocidente.

Segundo os líderes curdos, nas proximidades de Erbil se encontra grande parte da reserva mundial do petróleo. Mais, o gás de Erbil poderia substituir o russo para os europeus.

Deter a subida do preço do petróleo e o pânico nos mercados.

Tirar Israel do cerco de acusações que se encontra em nível mundial, por suas ações em Gaza, com a cortina de fumaça criada no Iraque.

Neutralizar as críticas sobre sua política exterior, e não somente as do Tea Party: Hillary Cliton o acusou publicamente de ser “demasiado prudente”. Já que não se atreveu a “dar uma bofetada militar” na Rússia por conta da Crimeia e a Ucrânia. No Iraque ele desafoga.

Forçar mudanças políticas em Bagdá: eliminado do cenário e sem respeito aos preceitos legais, Nuri Al Maliki, ligado ao Irã, foi quem manobrou a permanência de suas forças no Iraque. Porém, a explosão de uma bomba próximo a sua casa e as recordações das terríveis mortes de Saddam e Gaddafi foram suficientes para que abrisse espaço para Haidar Al Abadi, o novo administrador da colônia.

Assim, Obama atinge o Irã em seus “princípios estratégicos” no Iraque e na Síria. Talvez Washington não esperasse uma entusiasmada declaração de apoio de Teerã ao seu novo homem na capital iraquiana.

Dar uma lição aos jihadistas, como fez Bush com seus sócios da Al Qaeda, Muyahedines e os Talibãs afegãos: que cumpram o que Washington manda, e deixem de atuar por conta própria quando o assunto é poços de petróleo.

Estes pontos somam-se as 23 observações sobre a nova guerra líquida dos EUA no Iraque. Os curdos, principais beneficiários da nova intervenção ocidental, retomaram o controle de várias cidades, receberam muitas armas, se livraram de Al Maliki, e veem Washington mudar de ideia no tocante a permissão de um Estado curdo, ainda que seja usando da retórica de “federalizar o Iraque”, considerada uma opção menos danosa a seus interesses.

França defende sua parte

Outro país que evita a chegada de ajuda humanitária – que não sejam armas – da Rússia aos ucranianos do leste, mas envia armas aos curdos perseguidos pelos islamitas, é a França, que não perde uma oportunidade de reviver sonhos napoleônicos de sua época imperialista. Os pishmargas, serão a bola do canhão dos interesses da companhia Total, que tinha se retirado do Iraque pois só tinha garantido uma pequena participação na exploração do petróleo em Halfaya do sul. A petroleira francesa negocia agora com a Exxon Mobil, para que ela ceda sua licança nos campos de Pulkhana e Taza, disputados pelo governo central e a GRK. Makili ameaçou a Exxon, dizendo que se o fizesse se arriscava a perder o contrato do campo West Qurna-1. Por trás da visita da GRK a Paris, em dezembro do ano passado, está a Total, aspirando ser a principal companhia petroleira do Curdistão iraquiano.

Certo é que os senhores do mundo não podem usurpar a vida de milhares de pessoas, levando ainda suas riquezas, sem contar com seus agentes locais: os líderes árabes e curdos do Iraque, que miseravelmente prestam serviço aos EUA e a UE, sem nunca exitar em sacrificar seu próprio povo, em nome do poder pessoal, tribal, ou de um nacionalismo reacionário e cego.

Este é o Iraque democrático, o mesmo modelo que exportaram para a Líbia e que desejam para a Síria e a Rússia, por conta de suas imensas reservas de recursos naturais.

Pergunto, então, onde está a ONU? Uma equipe internacional de personalidades amantes da paz e da justiça, representada na Espanha por don Federico Mayor Zaragoza, propõe a refundação da ONU, para que evitemos as guerras que não param de crescer, e acabar também com a indescritível dor e sofrimento que provocam a milhões de pessoas.

*Nazanín Armanian é iraniana, residente em Barcelona desde 1983, cidade em que se exilou. Licenciada em Ciências Políticas. Ministra cursos on-line pela Universidad de Barcelona e é colunista do jornal on-line Publico.es.

Tradução: Rennan Martins

Equador “não pedirá permissão” a ninguém para fazer negócios com a Rússia

Via RT

O presidente do Equador, Rafael Correa, assegurou que “não pedirá permissão” a ninguém para vender alimentos a “países amigos”, se referindo ao esforço que a União Europeia vem fazendo no sentido de impedir que países latino-americanos se aproveitem do embargo russo a produtos europeus.

Interpelado numa coletiva de imprensa sobre o eventual mal-estar que poderia gerar a postura do Equador frente a União Europeia, Correa disse não estar ciente de queixas das instituições europeias sobre o tema, pontuando que, caso ocorram, receberam a resposta oportuna. “Até onde sei a América Latina não é parte, ao menos até hoje, da União Europeia”, assinalou.

Essa semana a Financial Times publicou, citando alguém do alto escalão da União Europeia, que a possibilidade da América Latina tomar o lugar da União Europeia no mercado de alimentos da Rússia causa preocupação a Bruxelas, que planeja manter negociações políticas para dissuadir a algum dos países latino-americanos de aumentar suas exportações a Rússia.

O ministro equatoriano do Comércio Exterior, Francisco Rivadeneira, considera que seu país tem uma grande oportunidade de aumentar suas exportações para a Rússia depois que Moscou tomou a “decisão de comprar da América Latina”. Nesse sentido, o funcionário adiantou que quito pode oferecer a Moscou hortaliças, frutas e produtos marinhos, e que a lista específica das possíveis propostas se encontra em estudo.

A Rússia proibiu por um ano a importação de carnes de boi, porco e aves, verduras, hortaliças, frutas, pescado, queijos, leite e produtos lácteos provenientes dos EUA, da União Europeia, Austrália, Canadá e Noruega, em resposta as sanções que estes países lhe impuseram.

Tradução: Rennan Martins

Ministra das Relações Exteriores do Reino Unido pede demissão em Gaza

Via Channel 4

A baronesa Sayeeda Warsi, ministra sênior das Relações Exteriores, pediu demissão do governo por discordar das decisões tomadas em torno da crise de Gaza.

tweetbaronesa

A Baronesa Warsi escreveu ao primeiro-ministro do Reino Unido, David Cameron, seu pedido de demissão. O Channel 4 News já havia revelado na semana passada as profundas discordâncias da ministra em torno da abordagem do governo ao conflito em Gaza, o qual vitimou 1.834 palestinos, a maioria civis, e 64 israelenses, quase todos militares.

15 minutos após postar um tweet no qual anuncia sua demissão, este foi retweetado 2.630 vezes.

Sua demissão é um dos maiores protestos internos contra as políticas governamentais em Gaza.

Na carta de demissão, a ex-ministra alega que “a abordagem (governamental) e sua narrativa durante toda a crise em Gaza são moralmente indefensáveis, não condizem com os interesses britânicos e terão um impacto representativo na reputação do país, internacional e domesticamente”.

Na carta ela ataca também o novo secretário do exterior Philip Hammond, dizendo que seu predecessor, William Hague, tinha “restaurado o poder de decisão e a dignidade do gabinete das relações exteriores” , e que atualmente existe uma “grande apreensão” entre “os ministros e oficiais do governo com ‘as recentes decisões’”.

Ontem, o deputado conservador Crispin Blunt pediu maiores pressões em todas as partes envolvidas no conflito, afirmando também que o bombardeio a escola das Nações Unidas por parte de Israel foi um “ato criminoso”.

Na última quinta, a também deputada conservadora, Margot James, escreveu ao secretário Philip Hammond, apelando para uma reflexão em torno da questão de Gaza.

Esta demissão se dá enquanto o último acordo de cessar fogo vigora e com o anúncio da retirada das tropas do território de Gaza por parte de Israel.

Tradução: Rennan Martins

Queda do voo MH17 na Ucrânia: 16 questões centrais que não podem ser ignoradas

Por Julie Lévesque, via Global Research

IB times/Reprodução

Quando tentamos estabelecer quem está por trás do abate ao voo MH17, temos algumas questões centrais e evidências factuais as quais não podem ser ignoradas:

1. A Malaysia Airlines confirmou que o piloto foi instruído a voar a uma altitude mais baixa pela torre de controle de Kiev, quando entrou em espaço aéreo da Ucrânia (Malaysian Airlines MH17 Was Ordered to Fly over the East Ukraine Warzone)

2. A rota do voo foi modificada. Ainda não se sabe de quem partiu esta ordem, mas já se sabe que não foi a Eurocontrol:

O MH17 foi deslocado de sua rota usual a qual passa pela região sudeste, acima do mar de Azov, e então sobrevoou a região de Donetsk. Oblast. (The Flight Path of MH17 Was Changed. July 17 Plane Route was over the Ukraine Warzone)

De acordo com a Malaysia Airlines “A rota de voo usual (acima do mar de Azov) foi declarada segura horas antes pela Organização Internacional de Aviação Civil. A Associação Internacional de Transporte Aéreo também informou que aquele espaço aéreo não estava sujeito à restrições.”

A rota regular do MH17 (e outros voos internacionais) passou mais a sudeste, por cima do mar de Azov, durante um período de 10 dias antes do 17 de julho (dia do desastre). É sabido que a ordem pra mudança da rota não partiu do controle aéreo europeu, o Eurocontrol, enquanto isto, a gravação das comunicações entre o MH17 e a torre de controle de Kiev foi confiscada pelo governo da Ucrânia. A ordem de mudança da rota partiu da torre de controle de Kiev? O piloto foi instruído tomar outra rota? (Malaysian Airlines MH17 Was Ordered to Fly over the East Ukraine Warzone)

3. A presença de uma aeronave militar a jato ucraniana foi confirmada pelo controlador de tráfico aéreo espanhol “Carlos” no aeroporto Borispol, em Kiev, logo após o boeing 777 ter sido abatido, testemunhas locais de Donetsk também confirmaram a informação. (How American Propaganda Works: “Guilt By Insinuation”, Spanish Air Controller @ Kiev Borispol Airport: Ukraine Military Shot Down Boeing MH#17)

O controlador aéreo espanhol usou o twitter pra relatar os acontecimentos em tempo real. Em sua versão, a tragédia não se tratou de acidente, ele afirma que as autoridades ucranianas abateram o MH17 e queriam fazer parecer um ataque dos “separatistas pró-Rússia”. Sua conta do twitter foi derrubada logo em seguida a tragédia. Ainda que as informações por ele prestadas carecem de averiguação, algumas declarações foram confirmadas pela Malaysia Airlines e as autoridades russas.

Houve relatos de que os relatos do controlador espanhol eram falsos e que a conta do twitter residia em Londres. Mesmo com estas informações desencontradas, “Carlos” prestou diversas entrevistas nos últimos 2 a 3 meses, confira a que ele prestou ao RT (Spanish Air Controller @ Kiev Borispol Airport: Ukraine Military Shot Down Boeing MH#17)

4. A Rússia tornou públicas as imagens de satélite e evidências que possui. Estas sugerem que:

a) A junta de Kiev movimentou sistemas antiaéreo Buk em Donetsk e nas regiões próximas a do atentado;

b) Um avião de guerra ucraniano SU-25 voou próximo ao MH17;

c) O relatório apontou a possibilidade de um ataque ar-ar ao MH17;

d) Este relatório apontou ainda inconsistências por parte dos relatos da torre de controle da Ucrânia;

As autoridades russas não chegaram a uma conclusão no tocante a culpa pelo abate da aeronave. (MH17 Show & Tell: It’s the West’s Turn – Russian Satellites and Radars Contradict West’s Baseless Claims)

5. Os EUA, a despeito de seu aparato global de espionagem, não mostrou nenhuma imagem de radar ou satélite a fim de corroborar com suas acusações de que a Rússia, apoiando a oposição do leste ucraniano, foram os responsáveis pelo atentado ao MH17.

Estão os EUA simplesmente lendo blogs? Ou são estes blogs os norteadores da inteligência norte-americana? Ou esses blogs são fabricação da inteligência de Washington para tentar culpar a Rússia? Um deles em particular, o “Ukraine at War”, não passa de uma coleção de informação manipulada e propaganda viciada. As informações por lá veiculadas parecem preceder as declarações da “inteligência norte-americana”. (Assigning Blame to East Ukraine Rebels: US Appeals to “Law of the Jungle” in MH17 Case)

6. “O Ministro da Defesa russo confirmou que no momento do abate ao MH17 havia um satélite dos EUA sobrevoando a área”:

O governo russo apela à Washington que divulgue as fotos e dados capturados pelo seu satélite. (How American Propaganda Works: “Guilt By Insinuation”)

7. Uma fonte da inteligência norte-americana afirma que “Nossas agências de inteligência possuem imagens de satélite que expõem em detalhes a bateria antiaérea que disparou o míssil, porém o sistema parece ter sido operado por tropas do governo ucraniano, vestidos no que parecem ser uniformes ucranianos”. Estas imagens poderiam confirmar as evidências apresentadas pela Rússia as quais mostram a movimentação de sistemas antiaéreos ucranianos na região de Donetsk e proximidades, local da queda do MH17. (Fact number 4, Whistleblower: U.S. Satellite Images Show Ukrainian Troops Shooting Down MH17)

8. A Rússia defendeu a formação de uma equipe de especialistas independes para investigação:

O presidente Putin declarou reiteradas vezes que o trabalho de investigação requer “um grupo representativo de especialistas respondendo as instruções da Organização Internacional da Aviação Civil (ICAO)”. Os pedidos de uma investigação independente especializada, coordenada pela ICAO não demonstram alguém que tenha algo a esconder. (How American Propaganda Works: “Guilt By Insinuation”)

9. Os EUA afirma, sem prova alguma, mas “com confiança”, o envolvimento da Rússia:

No dia 20 de julho, o secretário de Estado John Kerry confirmou que os separatistas pró-Rússia estão envolvidos no atentado a aeronave da Malaysia Airlines, dizendo também que estava “bem clara” a parte da Rússia no caso. Estas são as palavras que usou: “Está bem claro que o sistema (antiaéreo) foi transferido da Rússia para os separatistas. Sabemos disso confiantemente. Sabemos com confiança, com confiança, que os ucranianos não possuíam este sistema nas proximidades, então, obviamente que o dedo aponta para os separatistas.” (Ibid.)

10. As declarações do secretário de Estado John Kerry as quais alegam envolvimento da Rússia no atentado são contraditas por diversas fotos de satélite e testemunhas locais. (Ibid.)

11. Os oficiais de inteligência norte-americanos indicam que não há evidências de que o governo russo envolveu-se no atentado. (US Intelligence on Malaysian Flight MH17: Russia Didn’t Do It. “US Satellite Photos do not Support Obama’s Lies”, O autor refere-se a esta reportagem da Associated Press: US INTELLIGENCE: No ‘Direct’ Russian Involvement In Downing Of MH17)

12. Algumas horas após a queda, as autoridades de Kiev apresentaram um vídeo no qual os separatistas admitem o abate da aeronave, este foi submetido a análise de especialistas os quais concluíram ser o material uma fabricação:

“O segundo fragmento da fita é apresentado como se fosse único, porém, na realidade trata-se de uma emenda de três peças. Uma análise espectral e temporal demonstrou que o diálogo consistiu de cortes de fragmentos unidos. A fita possui algumas pausas curtas que indicam a manipulação: o arquivo de áudio consistiu na gravação de diversos diálogos diferentes”. (Ibid.)

A codificação do vídeo indica que o arquivo foi criado no dia 16 de julho, um dia antes da aeronave ser abatida. Essa informação precisa de maiores confirmações, mas, se mostrar-se acurada, indicaria claramente que as autoridades ucranianas realizaram o atentado e fabricaram as evidências a fim de culpar a oposição. (Did Ukraine Fabricate Evidence to Frame Russia for MH17 Shoot Down?)

13. John Kerry “referiu-se a um vídeo que os ucranianos tornaram público o qual expõe uma unidade SA-11 se dirigindo de volta à Rússia após a queda do boeing 777”. O vídeo foi “postado via facebook na conta do Ministro do Interior da Ucrânia”.

Um outro vídeo do “Buk russo” disponibilizado sugere que os ucranianos estariam exibindo equipamento próprio. (Key Piece of Video “Evidence” for Russian Responsibility for Malaysian Plane Shootdown Debunked)

14. O Promotor Geral da Ucrânia Vitaly Yarema afirmou que os separatistas não possuem sistemas antiaéreos Buk:

“O Ministro do Interior Anton Gerashchenko declarou no dia 17 de julho que o boeing 777 da Malaysia Airlines foi abatido por um sistema de mísseis Buk… Enquanto o Promotor Geral Vitaly Yarema disse, na sexta, ao jornal ucraniano Pravda que: “Após o abate do avião de passageiros, os militares reportaram que os terroristas não possuem sistemas de defesa antiaéreos Buk e os S-300… Estes armamentos não nos foram roubados” (Militias Do Not Have Ukrainian Buk Missile System — Ukraine General Prosecutor)

15. O MH17 está sendo usado para atacar a Rússia economicamente. Ocorreu um aumento nas sanções a despeito da ausência de evidências que culpem o país. Estas medidas objetivam enfraquecer a moeda russa (rublo) e desestabilizar o sistema monetário russo. (The Malaysian Airlines MH17 Crash: Financial Warfare –against Russia, Multibillion Dollar Bonanza for Wall Street)

16. Em 1962, o órgão executivo norte-americano denominado Joint Chief of Staff planejou a Operação Northwoods, que tratou-se de uma missão secreta de “operação de falsa bandeira” na qual uma aeronave civil seria abatida no intuito de culpar o governo cubano. Esta operação objetivava fabricar pretexto pra declarar guerra contra Cuba. (A Implementação desta trapaça foi vetada pelo Presidente John F. Kennedy)

A queda do voo MH17 e as reações das autoridades dos EUA e da grande mídia são fortemente similares ao cenário projetado pela Operação Northwoods. De acordo com o escritor R. Teichmann:

“Entre outras coisas, os documentos apontam o seguinte. Eu (Teichmann) inseri comentários entre parênteses para ilustrar porque o incidente com o MH17 pode ser uma reformulação da proposta da Operação Northwoods:

É possível criar um incidente o qual demonstrará convincentemente que os armamentos cubanos (ou um sistema antiaéreo de mísseis Buk fornecido pela Rússia aos separatistas) atacaram e abateram uma aeronave civil (ou o voo MH17 malaio) em rota, proveniente dos EUA, em direção à Jamaica, Guatemala, Panamá ou Venezuela (ou, atualmente, para Kuala Lumpur).

É possível que criemos um incidente o qual parecerá que os comunistas cubanos (ou dos separatistas do leste ucraniano) tenham abatido um avião civil norte-americano (ou o boeing 777 malaio) em região de águas internacionais (no leste da Ucrânia), que será retratado como um ataque sem motivação. (Framing Russia? Fabricating a Pretext to Wage War: Flight MH-17 and “Operation Northwoods”)

Tradução: Rennan Martins

O mundo tem quase 2,2 bilhões de pobres

Via IHU

Hype Science/Reprodução

Crises financeiras, desastres naturais e políticas públicas ineficazes podem aumentar a pobreza no mundo, ao passo que mais de 2,2 bilhões de homens e mulheres, quase um terço da humanidade, estão na pobreza ou sob o risco de cair na pobreza.

A reportagem está publicada no jornal Le Monde, 24-07-2014. A tradução é de André Langer.

É o que alarmou o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) em seu relatório 2014, divulgado na quinta-feira, 24 de julho, citando especialmente os preços dos alimentos e os conflitos violentos como outras fontes agravantes da pobreza.

Entre os números mais chocantes do relatório estão os seguintes:

1,2 bilhão de pessoas vivem com o equivalente a 1,25 dólar ou menos por dia;

1,5 bilhão de pessoas em 91 países em desenvolvimento estão vivendo “na pobreza, com sobreposição de privações em saúde, educação e padrão de vida”;

800 milhões de pessoas estão sob o risco de voltar à pobreza.

Círculo vicioso

O PNUD insiste sobre o círculo vicioso que constitui a pobreza, sinônimo de desemprego, muitas vezes acompanhado por um aumento da criminalidade, da violência, do uso de drogas e dos suicídios.

E mesmo se globalmente a pobreza está caindo no mundo, o PNUD adverte contra as crescentes desigualdades, assim como contra as “vulnerabilidades estruturais” que persistem.

“Erradicar a pobreza extrema não significa apenas chegar a zero, mas permanecer neste nível. É preciso, especialmente, proteger aquelas e aqueles que são ameaçados por desastres naturais, mudanças climáticas ou choques financeiros.”

“Colocar no centro da nossa agenda de desenvolvimento a redução dessas vulnerabilidades constitui a única maneira de proporcionar que o progresso seja sustentável e duradouro. Proporcionar benefícios básicos de seguridade social para os pobres do mundo custaria menos de 2% do PIB mundial”.

“Um pacote básico de proteção social é acessível desde que os países de baixa renda realoquem fundos e aumentem os recursos domésticos, juntamente com o apoio da comunidade internacional de doadores.”

“A maioria dos problemas são o resultado de reformas inadequadas e de instituições ineficientes”, diz Khalid Malik, principal autor do estudo, que também observa que, atualmente, as 85 pessoas mais ricas do mundo têm tanto quanto os 3,5 bilhões mais pobres.

O livre mercado é uma utopia impraticável

Por Henry Farrel, via The Washington Post

Fred Block – pesquisador e professor de sociologia da Universidade da Califórnia, em Davis – e Margaret Somers – professora de sociologia e história da Universidade de Michigan – lançaram um novo livro. “The Power of Market Fundamentalism: Karl Polanyi’s Critique” (O Poder do Fundamentalismo de Mercado: A Crítica de Karl Polanyi, tradução livre). Este livro defende a tese de que as ideias de Karl Polanyi, o autor da obra “The Great Transformation” (A Grande Transformação), um clássico da política econômica do século XX, são cruciais quando se pretende compreender a recessão e suas consequências. Seguem alguns questionamentos que fiz aos autores.

HF – Seu livro argumenta sobre a relevância do trabalho de Karl Polanyi, em especial o livro “The Great Transformation”. Quais são as principais ideias de Polanyi?

FB & MS – A tese central de Polanyi é a de que não há algo como o livre mercado; que nunca o alcançaremos, que é algo que inexiste. De fato, o que ele sustenta é que uma economia independente do Estado e das instituições políticas é uma “utopia severa” – é utópico porque é irrealizável, e o esforço no sentido de fazê-lo nos levará inevitavelmente a consequências distópicas. Sem desvencilhar da premissa de que mercados são necessários a uma economia funcional, Polaniy defende que a tentativa de criar uma sociedade toda baseada nas leis de mercado é em si ameaçador aos humanos e ao bem comum. Em primeira instância, o mercado é somente uma das diversas instituições sociais; no segundo momento, quando se aplica o esforço de submeter não somente as commodities reais (computadores e widgets) aos princípios de mercado, mas virtualmente a tudo o que faz a vida social possível, incluindo o ar puro, a água, a educação, a saúde, o sistema legal, a segurança social e o direito de ter uma vida digna. Quando estes bens públicos e necessidades sociais (o que Polanyi define como “commodities fictícias”) são tratados como algo que produzimos visando a venda no mercado, e não como direitos, nossas bases sociais são abaladas e advém a crise.

A doutrina do livre mercado tenta liberar a economia das “interferências” estatais, Polanyi, por sua vez, contesta a ideia de que os mercados e os Estados são entidades autônomas separadas. A ação estatal não constitui um tipo de “interferência” na esfera autônoma da atividade econômica; simplesmente porque não há economia sem Estado, leis e instituições. Não é somente a sociedade que depende de estradas, escolas, um sistema de justiça, e outros bens públicos os quais só o poder público pode prover. Se trata de que todos os elementos-chave numa economia – terras, trabalho e moeda – são criados e sustentados por ações governamentais. O sistema de emprego, os arranjos de compra e venda de patrimônio, os suplementos de moeda e crédito são organizados e mantidos pelo exercício de regras estatais, regulações e poderes.

E então, Polanyi sustenta que os que pedem o livre mercado são os verdadeiros utopistas, explana que o livre mercado tem um apelo enganoso: Ele projeta um mundo ideal, perfeito, onde não há coerção nas atividades econômicas, enquanto ignora que o próprio mercado possui poder e força coerciva.

HF – De que maneira estas ideias nos ajudam a entender os desconcertantes problemas econômicos os quais enfrentamos hoje?

FB & MS – Pondo o governo e a política no centro das análises econômicas, Polanyi torna claro que nossos atuais problemas econômicos são majoritariamente de ordem política. Esta tese tem o poder de mudar radicalmente o debate político moderno: A esquerda e a direita foca hoje na dita “desregulação” – para a direita, trata-se de uma batalha contra os impedimentos do governo; para a esquerda, é a chaga por trás dos problemas econômicos. Enquanto diferem dramaticamente no que projetam, as duas posições assumem a possibilidade de um mercado “não-regulado” ou “não-político”. Polanyi rejeita veementemente a ilusão de uma economia “desregulada”. O que aconteceu, em nome da “desregulação” foi, na verdade, uma “reregulação”, desta vez por meio de regras e políticas radicalmente diferentes das do New Deal. Ainda que comprometidas pelo racismo, estas regulações deram o subsídio para uma maior igualdade e uma grande classe média. O Estado continua a regular, porém, em vez de proteger os trabalhadores, consumidores e cidadãos, as novas políticas favorecem as grandes corporações e as instituições financeiras, maximizando seus ganhos por meio da revisão das leis anti-truste, salvando os bancos da falência, e dificultando a atuação dos sindicatos.

As implicações desta ideia no discurso político são cruciais: Se a regulação é sempre necessária aos mercados, a discussão não gira mais em torno da regulação versus desregulação mas sim que tipo de regulação preferimos. As projetadas para a riqueza e o capital? Ou as que visam o público e o bem comum? Similarmente, considerando de que os direitos ou a falta dele aos empregados são sempre designados pelo sistema legal, não devemos perguntar se a lei deve ou não regular o mercado de trabalho, mas sim que tipo de regras e direitos devem ser definidos nas leis – as que reconhecem os atributos e talentos dos empregados e tornam a firma produtiva, ou as que tornam o jogo favorecedor aos empregadores e aos lucros privados?

HF – Polanyi se levanta contra a linha de pensamento que ele define como “fundamentalismo de mercado”, que talvez tenha iniciado na argumentação de Malthus, há dois séculos. Porque o pensamento malthusiano continua a ressoar nos debates políticos norte-americanos quando se trata de bem-estar e “reforma” econômica?

FB & MS – A contribuição malthusiana às políticas sociais se deu tornando o conceito de escassez a primeira necessidade disciplinar quando abordamos a força de trabalho. Polanyi explica que a ideia original de uma economia de mercado funcionando independente ao Estado se encontra primeiramente não no liberalismo de Hobbes, Locke ou Adam Smith, mas sim na nova política econômica de Malthus e Ricardo. Esta forma de pensar, denominada naturalismo social, concebe a sociedade organizada sob as mesmas leis que operam a natureza – o conceito que é necessário pra fazer a ideia de mercado auto-regulado minimamente plausível. O naturalismo social retirou a racionalidade e a moralidade da essência da humanidade, e pôs em seu lugar os instintos biológicos, tornando as motivações humanas algo não diferente do resto do reino animal: Somos incentivados ao trabalho (e as remunerações) somente porque nossos instintos biológicos primários nos levam dão fome; e levados a descansar, em contrapartida, quando satisfazemos a fome.

Nesta perspectiva, são as condições “naturais” de escassez que disciplinam o desempregado a, voluntariamente, aceitar trabalhos mal pagos. Se alguém remove a escassez por meios “artificiais” – por meio de assistência alimentar, seguro-desemprego, e um salário-mínimo adequado – então os incentivos ao trabalho desaparecem. É neste ponto que surge o famoso chavão da eleição de 2012 a qual caracteriza 47% dos americanos como “encostados”, afirmando que o alívio da pobreza inevitavelmente transformará a rede social em algo que os sustenta; acrescentando ainda que programas de segurança alimentar e outras intervenções relacionadas a fome provocam uma “cultura de dependência”. Sem dúvida esta premissa pressionaria alguém a levantar diferenças entre a retórica conservadora atual da que floresceu no século 19 quando Malthus liderou uma campanha contra medidas de segurança social. A realidade é que, assim como hoje, os pobres sempre batalharam contra forças de ordem estrutural as quais não podem fazer frente.

HF – Vocês sugerem que o conceito de “double movement” (impulso duplo, em tradução livre) de Polanyi nos ajuda a entender a união entre o tea party e os conservadores. O que diz o conceito do “double movement” e que forças o levam a ascensão na política norte-americana atual?

FB & MS – Polanyi defende que os devastadores efeitos sociais aos mais vulneráveis trazidos pelas crises de mercado (como na Grande Depressão em 1930) tende a criar contramovimentos de luta por seus padrões de vida, por suas vizinhanças e pelas culturas ameaçadas pelas forças destrutivas da mercantilização. A ocorrência dessas dinâmicas opostas é o dito impulso duplo, que sempre envolve o esforço politico de luta contra as forças do mercado. O grande perigo o qual Polanyi nos chama atenção, é o de que a mobilização política fervorosa pode ter o viés reacionário e conservador, ou o progressista e democrático. Exemplifica ele que o New Deal possuiu caráter democrático, enquanto o fascismo foi um contramovimento reacionário; que promoveu proteções sociais a alguns destruindo as instituições democráticas.

Este entendimento é subsídio o qual nos permite compreender o tea party como um contramovimento frente as mazelas que a globalização trouxe aos americanos brancos, particularmente no sul e no meio oeste. Quando a população se levanta contra o Obamacare dizendo “mantenha seu governo longe do meu seguro” o que eles querem é proteger os seus benefícios de saúde frente a mudanças que interpretam como ameaça ao que possuem. Quando são extremamente hostis a imigrantes e as reformas imigratórias, estão respondendo ao que percebem como uma ameaça a seus recursos – agora consideravelmente menores devido a desindustrialização e as importações. Polanyi nos ensina diante das falhas e instabilidades de mercado devemos ser vigilantes em torno da democracia, que não são imediatamente aparentes nas mobilizações políticas, devido ao impulso duplo.

HF – A moeda única da União Europeia cria diversas tensões entre as leis internacionais e a sociedade doméstica, assim como fez o padrão ouro há um século. Quais são as consequências políticas destas tensões?

FB & MS – Acabamos de assistir as eleições europeias em que a extrema-direita assumiu a ponta na França e no Reino Unido. Esta é uma resposta as contínuas políticas de austeridade da Comunidade Europeia, as quais mantém altos níveis de desemprego e bloqueiam esforços nacionais de estímulo a um crescimento forte. Talvez estes constituam em grande parte votos de protesto – um sinal aos partidos de que eles precisam abandonar a austeridade, criar empregos, e reverter os cortes de gasto público. Porém, a menos que haja sérias iniciativas por parte da Comunidade Europeia em nível global a fim de assumir um novo curso, podemos esperar que a ascensão da direita nacionalista e xenófoba se tornará mais forte.

Tradução: Rennan Martins

O que aconteceu ao avião da Malaysia Airlines?

Por Paul Craig Roberts, via Rede Castor Photo

1ª página do NYTimes de 18/7/2014 já informa que o voo MH17 foi derrubado por míssil. Como?

A máquina de propaganda de Washington está trabalhando em tão alta rotação, que há risco de perdermos os dados e fatos comprovados que já temos.

Um desses fatos é que os federalistas não têm os caros sistemas de mísseis antiaéreos Buk ou não têm pessoal treinado para operá-los.

Outro fato é que os federalistas não têm incentivo ou motivo para, ou interesse em, derrubar avião de passageiros; a Rússia tampouco. Qualquer um sabe ver a diferença em um avião de combate voando baixo e um avião de passageiros a 33 mil pés de altura.

Os ucranianos têm sistemas Buk de mísseis antiaéreos, e uma bateria Buk estava operacional na região e localizada em ponto do qual poderia ter disparado um míssil contra o avião.

Assim como os federalistas e o governo russo não têm incentivo nem motivo para derrubar avião de passageiros, tampouco os tem o governo ucraniano; e, de fato, nem os ensandecidos nacionalistas extremistas ucranianos que formaram milícias para fazer as lutas contra os federalistas que o governo ucraniano não têm interesse em fazer. A menos que haja aí um plano para culpar a Rússia.

Um general russo que conhece o sistema de armas apresentou sua opinião, de que foi erro cometido por militares ucranianos não treinados para usar aquela arma. O general disse que, embora a Ucrânia tenha algumas armas, os ucranianos não foram treinados para usá-las nesses 23 anos desde que a Ucrânia separou-se da Rússia. O general acredita que tenha sido um acidente devido à incompetência.

Sistema de mísseis Buk do exército ucraniano

Essa explicação faz algum certo sentido e com certeza faz muito mais sentido que a propaganda de Washington. O problema com a explicação do general é que não explica por que o sistema Buk de mísseis antiaéreos foi posto próximo de, ou dentro de, território dos federalistas. Os federalistas não têm força aérea. Parece estranho que a Ucrânia mantivesse um caríssimo sistema de mísseis em área na qual não teria uso militar – e em posição na qual poderia ser capturado pelos federalistas.

Como Washington, Kiev e a imprensa-empresa press-tituta [orig. presstitute] também estão obrando na propaganda de que Putin é culpado, ninguém encontrará na mídia norte-americana qualquer informação aproveitável. Teremos de procurar e de construir nós mesmos nossa própria informação aproveitável.

Um modo de fazer isso é perguntar: por que aquele sistema de mísseis estava onde estava? Por que pôr em risco um caríssimo sistema de mísseis, pondo-o num ambiente conflagrado, no qual não teria nenhuma serventia? Incompetência, sim, é uma das respostas; outra resposta é que o sistema de mísseis foi posto ali, para ser usado, porque seria usado.

Seria usado para quê? Noticiosos e provas circunstanciais têm fornecido duas respostas. Uma delas é que os extremistas ultranacionalistas anti-Rússia e pró-EUA & Europa tinham planos para derrubar o avião presidencial de Putin; e teriam confundido o avião malaio e o avião russo.

Como os EUA (e o Wall Street!) “sabiam” que o MH17 havia sido derrubado por míssil no mesmo dia?

A agência Interfax, citando fontes anônimas, aparentemente controladores de tráfego aéreo, noticiou que o avião malaio e o avião de Putin estariam em rotas quase idênticas, com poucos minutos de intervalo entre um e outro. Interfax cita sua fonte:

O que posso dizer é que o avião de Putin e o Boeing malaio cruzaram-se no mesmo ponto no mesmo degrau. Foi perto de Varsóvia, no degrau 330-m, altura de 10.100 metros. O jato presidencial estava nesse ponto às 16h21 hora de Moscou, e o avião malaio, às 15h44 hora de Moscou. Os perfis das aeronaves são semelhantes, as dimensões lineares são muito semelhantes, e as cores, observadas em grande distância, são quase idênticas.

Não encontrei nenhum desmentido oficial russo, mas, segundo noticiários russos, o governo russo informou, em resposta às notícias da agência Interfax, que o avião presidencial de Putin já não voa a antiga rota da Ucrânia desde o início das hostilidades.

Antes de aceitar essa negativa, é preciso ter bem claro que qualquer tentativa pelos ucranianos de assassinar o presidente da Rússia implica guerra – exatamente a guerra que a Rússia quer evitar. Implica também a cumplicidade de Washington na tentativa de assassinato, porque é altamente improvável que os fantoches de Washington em Kiev arriscar-se-iam a cometer ato tão perigoso, se não contassem com o apoio dos EUA.

O governo russo, que é inteligente e racional, com certeza negaria todas as notícias sobre uma tentativa, por Kiev e Washington, de assassinarem o presidente russo. Se não negar, a Rússia fica obrigada a tomar alguma providência – quer dizer: também implica guerra.

A segunda explicação é que os extremistas pró-Europa-EUA que operam por fora do aparelho militar ucraniano oficial tenham concebido um atentado para derrubar um avião de passageiros, para inculpar a Rússia. Se houve um atentado, o mais provável é que tenha sido gerado pela CIA ou por algum braço operativo de Washington; e visaria a forçar a União Europeia a parar de opor-se às sanções de Washington contra a Rússia, além de contribuir para romper valiosos laços econômicos que conectam a Rússia à Europa. Washington está frustrada por suas sanções continuarem a ser unilaterais, sem apoio dos fantoches dos EUA na OTAN, nem de qualquer outro país no planeta, exceto talvez do cachorrinho-de-madame e primeiro-ministro britânico.

David Cameron e Barack Obama

Há muitas provas circunstanciais a favor dessa segunda explicação. Há o vídeo em Youtube apresentado como de uma conversa entre um general russo e federalistas, que falam sobre terem derrubado, por erro, um avião de passageiros. Segundo o noticiário,especialistas que examinaram o vídeo já sabem que foi gravado na véspera, um dia antes de o avião malaio cair.

Outro problema com esse vídeo é que, por mais que se possa crer que os federalistas tivessem confundido um avião de passageiros a 33 mil pés de altitude, com um jato militar de ataque, o general russo jamais os confundiria. A única conclusão é que, ao fazer falar um militar russo (verdadeiro ou falso), para tentar dar credibilidade a um vídeo falso, os falsários erraram e desacreditaram-se, eles mesmos.

A prova circunstancial que o público não especialista pode entender mais facilmente está na sequência de noticiários de televisão produzidos para culpar a Rússia… antes de que se conheça qualquer fato.

Em meu artigo anterior falei de um noticiário da BBC ao qual assisti e que, com certeza, foi integralmente produzido para culpar a Rússia. O programa concluía com um correspondente da BBC, ofegante, dizendo que acabava de assistir ao vídeo em YouTube, e que ali estava a prova do crime e “não resta dúvida alguma” – dizia o jornalista. A prova do crime apareceu para o jornalista da BBC, antes de o governo da Ucrânia e Washington saberem das coisas.

A prova de que Putin fez tudo seria um vídeo filmado antes do ataque ao avião malaio. Todo o noticiário produzido pela BBC e distribuído pela [rede] National Public Radio foi orquestrado para a exclusiva finalidade de “provar”, antes de haver qualquer prova, que a Rússia teria sido responsável.

A 1ª página do Daily News já em 18/7/2014 acusa Putin diretamente

Verdade é que toda a imprensa-empresa ocidental falou como uma só voz: foi a Rússia! E todas as press-titutas/press-titutos continuam a dizer sempre a mesma coisa.

O mais provável é que essa opinião única e uniforme apenas reflita o treinamento pavloviano da imprensa-empresa ocidental que, sempre, automaticamente, se alinha com Washington. Nenhuma “fonte” quer ser criticada por “antiamericanismo” ou quer ver-se isolada da opinião geral, a única que se ouve, a única que se admite, a única que não pode ser contestada, sob pena de o “especialista” receber “nota vermelha” no boletim.

Como ex-jornalista e colaborador dos mais importantes veículos da imprensa-empresa nos EUA, sei muito bem como funcionam.

Por outro lado, se se descontam os condicionamentos pavlovianos – que gera o “jornalismo” de repetição automática – a única conclusão que resta é que todo o ciclo de notícias sobre o avião malaio está sendo orquestrado para inculpar Putin.

Romesh Ratnesar, vice-editor de Bloomberg Businessweek, oferece prova convincente de que, sim, tudo está sendo orquestrado, com o que publicou dia 17/7/2014.

O título da coluna de Ratnesar é “Derrubada do avião malaio atrai desastre para Putin”. Ratnesar não está dizendo que Putin pode estar sendo vítima de um complô. O que ele diz é que antes de Putin ter derrubado o avião malaio,

Romesh Ratnesar

(…) para a vasta maioria dos norte-americanos o comprometimento da Rússia na Ucrânia parecia só ter importância periférica para os interesses dos EUA. Esse cálculo mudou (…). Talvez demore meses, talvez anos, mas a crueldade de Putin voltará a desabar sobre ele. Quando acontecer, a derrubada do MH 17 será afinal vista como o começo do fim de Putin.

 

Fui editor do Wall Street Journal e, naquele tempo, quem me aparecesse com coluna de merda equivalente a essa teria sido demitido(a). Só insinuações, sem nenhuma prova que apoie qualquer coisa. E a mentira-distorção, descarada, segundo a qual o que foi golpe de estado dado por Washington contra a Ucrânia seria “o comprometimento da Rússia na Ucrânia”!

O que estamos testemunhando é a total corrupção do jornalismo ocidental, pela agenda imperial de Washington. Ou os jornalistas alinham-se com as mentiras, ou são atropelados.

Procurem à volta: onde há jornalistas ainda honestos? Quem são? Glenn Greenwald, que enfrenta ataque constante dos próprios colegas jornalistas, os quais, TODOS, são putas, daquelas que fazem qualquer negócio por qualquer dinheiro. E que outro jornalista haveria, cujo nome nos venha à lembrança? Julian Assange, trancado na Embaixada do Equador em Londres, com a vida por um fio pendente de ordens de Washington. E o fantoche britânico não dá a Assange o direito de livre trânsito [até o aeroporto] para que possa assumir o asilo que o Equador lhe garantiu.

A última vez que se viu tal violência no mundo, foi a União Soviética, que exigiu que o governo-fantoche da Hungria mantivesse o cardeal Mindszenty cercado dentro da embaixada dos EUA em Budapeste durante 15 anos, de 1956 até 1971. Mindszenty recebeu asilo político dos EUA, mas a Hungria, obedecendo ordens dos soviéticos, não honrou o direito de asilo – exatamente como faz hoje o palhaço-fantoche britânico obedecendo ordens de Washington, que não honra o direito de asilo que Assange JÁ TEM. (…)

Edward Snowden e Julian Assange

A única mácula na diplomacia de Putin é que a diplomacia de Putin depende de a boa-vontade e a verdade prevalecerem. Mas não há boa-vontade nos EUA, e Washington não tem interesse algum em que a verdade prevaleça. Para Washington só interessa que Washington prevaleça.

Putin não está enfrentando “parceiros” razoáveis, mas todo um ministério da propaganda que faz mira contra ele.

Compreendo a estratégia de Putin, na qual se veem a razão e a razoabilidade russas, contra as ameaças de Washington – mas é aposta muito arriscada. A Europa já há muito tempo é apêndice de Washington, e não há líderes europeus no poder que tenham capacidade e visão suficientes para separar a Europa, de Washington. Além do mais, os líderes europeus são sobejamente subornados para servirem a Washington. Um ano depois de deixar o governo, e Tony Blair já recebia salário de US $50 milhões.

Depois dos desastres que os europeus conheceram, é pouco provável que seus líderes pensem em qualquer outra coisa que não seja aposentadoria confortável. Para isso, nada como empregar-se como serviçal de Washington. Como a extorsão bem-sucedida contra a Grécia, obrada por bancos, o comprova, o povo europeu está reduzido à impotência.

Em Global Research lê-se a declaração oficial do Ministério de Defesa da Rússia.

O ataque de propaganda de Washington contra a Rússia é uma dupla tragédia, porque contribuiu para desviar as atenções para longe da mais recente atrocidade que Israel comete contra os palestinos sitiados no Gueto de Gaza. Israel diz que o ataque aéreo e a invasão da Faixa de Gaza seriam simples esforços para localizar e vedar supostos túneis pelos quais palestinos contrabandeariam armas para dentro de Israel. Basta olhar pela janela em Israel, para ver que não há ataques de palestinos contra israelenses, nem há palestinos massacrando uma geração inteira, mais uma, de palestinos.

Seria de esperar que houvesse pelo menos um jornalista em algum ponto da imprensa-empresa norte-americana, que perguntasse se bombardear hospitais e matar crianças dentro das próprias casas está(ria) ajudando a fechar supostos túneis que chegariam a Israel. Mas já é pedir demais para as press-titutas/press-titutos da imprensa-empresa nos EUA.

A queda do MH17 é um álibi da imprensa-empresa para disfarçar o GENOCÍDIO de Israel em Gaza

E do Congresso dos EUA, então, esperem ainda menos! A Câmara e o Senado já aprovaram resoluções de apoio ao morticínio de palestinos por Israel. Dois Republicanos – o desprezível Lindsey Graham e o frustrante Rand Paul – e dois Democratas – Bob Menendez e Ben Cardin – apresentaram projeto de Resolução ao Senado de apoio ao assassinato premeditado de mulheres e crianças palestinas, por Israel. A Resolução foi aprovada pelo povo “excepcional e indispensável” do Senado dos EUA, por unanimidade.

Como recompensa pela política de genocídio, o governo Obama já está repassando, imediatamente, US$ 429 milhões do dinheiro dos contribuintes norte-americanos, para Israel: é o pagamento pelo mais recente massacre.

Comparem o apoio que o governo dos EUA garante aos crimes de guerra de Israel, e a massacrante campanha de propaganda contra a Rússia, alimentada de mentiras.

Os EUA estamos de volta aos tempos das MENTIROSAS “armas de destruição em massa” de Saddam Hussein; das “armas químicas” de Bashar al-Assad; das “armas atômicas iranianas”.

Washington mente tanto, há tanto tempo, que já não sabe fazer outra coisa.

Tradução: Vila Vudu

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[*] Paul Craig Roberts (nascido em 3/4/1939) é um economista norte-americano e colunista do Creators Syndicate. Serviu como secretário-assistente do Tesouro na administração Reagan e foi destacado como um co-fundador da Reaganomics. Ex-editor e colunista do Wall Street Journal, Business WeekeScripps Howard News Service. Testemunhou perante comissões do Congresso em 30 ocasiões em questões de política econômica. Durante o século XXI, Roberts tem frequentemente publicado em Counterpunch e no Information Clearing House, escrevendo extensamente sobre os efeitos das administrações Bush (e mais tarde Obama) relacionadas com a guerra contra o terror, que destruíram a proteção das liberdades civis dos americanos da Constituição dos EUA, tais como habeas corpus e o devido processo legal. Tem tomado posições diferentes de ex-aliados republicanos, opondo-se à guerra contra as drogas e a guerra contra o terror, e criticando as políticas e ações de Israel contra os palestinos. Roberts é um graduado do Instituto de Tecnologia da Geórgia e tem Ph.D. da Universidade de Virginia, com pós-graduação na Universidade da Califórnia, Berkeley e na Faculdade de Merton, Oxford University.