Arquivos da categoria: Soberania

Dilma veta a auditoria da dívida pública

ESCÂNDALO: DILMA VETA A REALIZAÇÃO DE AUDITORIA DA DÍVIDA PÚBLICA COM PARTICIPAÇÃO DE ENTIDADES DA SOCIEDADE CIVIL

Via Auditoria Cidadã da Dívida

Veto prejudica a transparência de gasto que consome mais de 40% do orçamento federal.

Hoje, 14/1/2016, o Diário Oficial da União (Seção 1, pág 9) divulgou o veto da Presidência da República à realização de auditoria da dívida pública com participação de entidades da sociedade civil, no âmbito do Ministério da Fazenda. Essa auditoria havia sido incluída no Plano Plurianual (PPA 2016-2019), por meio de emenda do Deputado Edmilson Rodrigues (PSOL/PA), acatada pela Comissão de Finanças e Tributação, que é o principal Órgão Colegiado da Câmara dos Deputados sobre o orçamento público.

Em sua justificativa, o governo diz:

“O conceito de dívida pública abrange obrigações do conjunto do setor público não financeiro, incluindo União, Estados, Distrito Federal e Municípios e suas respectivas estatais. Assim, a forma abrangente prevista na iniciativa poderia resultar em confronto com o pacto federativo garantido pela Constituição. Além disso, a gestão da dívida pública federal é realizada pela Secretaria do Tesouro Nacional e as informações relativas à sua contratação, composição e custo, são ampla e periodicamente divulgadas por meio de relatórios desse órgão e do Banco Central do Brasil, garantindo transparência e controle social. Ocorrem, ainda, auditorias internas e externas regulares realizadas pela Controladoria Geral da União e pelo Tribunal de Contas da União.”

Tais justificativas não se sustentam. A dívida dos entes federados está profundamente relacionada com o governo federal, sendo que este último é justamente quem cobra a maioria destas dívidas, que precisam ser urgentemente auditadas, e tem causado sérios danos às finanças de estados e municípios.

Além do mais, não há transparência sobre diversos aspectos do endividamento, a começar pelos próprios beneficiários desta dívida, cujos nomes são considerados como sigilosos pelo governo, apesar de se tratar de recursos públicos. A recente CPI da Dívida, realizada na Câmara dos Deputados (2009/2010) teve diversas informações e documentos não fornecidos pelos órgãos do governo.

O gasto com juros e amortizações da dívida pública federal atingiu em 2015 (apenas até 1/12/2015) o valor de R$ 958 bilhões, dos quais grande parte decorre de cobertura de gastos feitos pelo Banco Central com, por exemplo, Operações de Mercado Aberto e de Swap Cambial, da ordem de centenas de bilhões de reais. Não há transparência sobre tais operações, seus beneficiários, e suas reais necessidades para o país, conforme pode ser verificado no artigo “O Banco Central está suicidando o Brasil”, de Maria Lucia Fattorelli.

Destaca-se também a falta de transparência e discussão com a sociedade sobre a real necessidade das altíssimas taxas de juros, responsáveis pelo crescimento da dívida pública e pelo expressivo aumento dos gastos do Tesouro com a dívida. A justificativa de “controle da inflação” não tem se confirmado na prática, dado que a alta de preços não tem sido causada, preponderantemente, por um suposto excesso de demanda, mas sim, por preços administrados pelo próprio governo, como energia, combustíveis, transporte público, planos de saúde, e pela alta de alimentos, em um contexto no qual é priorizada a agricultura para exportação.

Ressalta-se também a importância de se auditar a origem do endividamento atual, desde o Regime Militar, cuja documentação requerida pela CPI da Dívida Pública da Câmara dos Deputados (2009-2010), em grande parte, não foi fornecida pelo Banco Central, a exemplo de contratos de endividamento externo, e valores devidos externamente pelo setor privado assumidos pelo setor público.

A participação de entidades da sociedade civil é fundamental para o processo de auditoria, a exemplo do ocorrido recentemente no Equador, quando a Comisión para la Auditoria Integral del Credito Publico (CAIC), com a colaboração da sociedade civil, permitiu a investigação dos crimes da ditadura, e a consequente anulação de 70% da dívida externa com bancos privados internacionais.

A Auditoria da Dívida Pública no Brasil está prevista na Constituição Federal – na forma de uma Comissão Mista de deputados e senadores – e deveria representar um procedimento normal, com vistas à transparência dos gastos públicos. Portanto, a inclusão da referida iniciativa no âmbito do Ministério da Fazenda, apesar de ainda não representar o cumprimento da Constituição, seria de grande valia para a transparência do maior gasto federal.

Desta forma, garantiria-se a ampla discussão com a sociedade sobre a alocação de centenas de bilhões de reais, sendo injustificável o veto de dispositivo que apenas visa garantir maior transparência aos gastos públicos, e aperfeiçoar a gestão do endividamento.

Agora está nas mãos dos parlamentares derrubar esse escandaloso veto, que impede os passos em direção à almejada auditoria da dívida pública. Afinal, quem tem medo da transparência em relação às operações da dívida pública?

A sociedade, que tem arcado com essa conta, exige AUDITORIA JÁ!

Onde está a inteligência no Brasil?

Via Jornal do Brasil

País virou refém de esquemas montados em torno do capital estrangeiro.

Os últimos acontecimentos levam ao questionamento sobre a atuação da inteligência no Brasil. Aqui, ressalta-se, não se fala da inteligência do povo, mas justamente daquela dos que têm por obrigação resguardar o país e garantir a ordem e o desenvolvimento. Parece haver uma articulação internacional contra os interesses do país e a favor do capital estrangeiro, e a segurança do país não percebe isso.

Vários episódios no cenário político, econômico e social brasileiro evidenciam o processo crescente de desestabilização institucional. Senão, vejamos:

Opinião: Onde está a inteligência no Brasil? País virou refém de esquemas montados em torno do capital estrangeiro.

1) Em sua primeira edição de 2016, a revista semanal britânica The Economist escolheu a crise brasileira como sua matéria de capa. Nela são feitas inúmeras críticas à administração da presidente Dilma Rousseff, com foco na perda dos graus de investimento do país por duas agências de classificação de risco, na previsão de baixo crescimento econômico para o ano, e na demissão de Joaquim Levy do Ministério da Fazenda. A revista chega a afirmar que a queda de Dilma seria necessária para o Brasil retomar seu rumo. Fica a pergunta: por que aThe Economist optou por centrar suas críticas desta forma, pregando até a derrubada do governo? Por que uma revista que fala da economia mundial escolhe o Brasil para a capa, se há tantos países no mundo em situação pior? Como se não bastasse, a reportagem daEconomist mais parece cópia das reportagens de segmentos da mídia nacional que se dedicam a atacar o governo.

Escritórios de assessorias econômicas internacionais, que contrariam os interesses nacionais, já torcem publicamente pela venda do país. Isso é claro. Declarações e análises, orientadas juridicamente, defendem abertamente o capital estrangeiro em nossa política econômica.

2) Apesar de estar em sigilo judicial há muito tempo, justamente em seguida da publicação da reportagem de capa do The Economist foi divulgado o conteúdo da delação do ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró. Claramente o objetivo foi desestabilizar ou tentar desestabilizar, através de acusações de recebimento de propina, um graduado funcionário do governo, hoje interlocutor da classe política.

3) Suspeita também foi a nomeação relâmpago de um importante ex-integrante do Palácio do Planalto por um órgão que centraliza a economia mundial. Foi uma clara afronta ao país, principalmente quando se leva em consideração que, durante sua passagem pelo governo, este ex-integrante travou confrontos com a Câmara dos Deputados, que é a própria casa do povo e da democracia, apontado-a como o principal responsável pela crise política e econômica que o país atravessa. Vindo de alguém que sempre serviu a órgãos estrangeiros, não surpreende.

4) Israel praticamente impôs ao Brasil, no final do ano passado, a nomeação de Dani Dayan como embaixador do país em Brasília. O que se viu não foi uma solicitação, uma indicação, com base em relações diplomáticas cordiais, mas sim uma afronta à autoridade política brasileira. Dayan, longe de ser um diplomata qualquer, foi um influente líder do movimento de assentamentos judaicos, condenados pela política externa brasileira, que defende a criação de um Estado palestino. A aceitação de seu nome seria a aceitação de uma grosseira afronta aos direitos humanos.

A vice-ministra de Relações Exteriores de Israel, Tzipi Hotovely, chegou a adotar um tom de ameaça ao comentar o problema: “O Estado de Israel deixará o nível de relacionamento diplomático com o Brasil a um nível secundário se o apontamento de Dani Dayan não for confirmado”, afirmou. Deveria o país, por acaso, se curvar novamente?

5) Na manifestação contra o aumento das tarifas de ônibus que ocorreu na última sexta-feira (8), em São Paulo, houve confrontos entre mascarados black blocs e a Polícia Militar, que, incompreensivelmente, optou por prender os cidadãos comuns e não os verdadeiros vândalos que enfrentava, talvez por serem mais difíceis de serem identificados. Os responsáveis pelo caos estarão livres para atentar contra a segurança pública no próximo protesto.

6) Como se não bastasse, o país assiste também à premeditada tentativa de desmonte da maior empresa estatal brasileira, responsável por 60% da economia nacional, que custou ao seu criador, Getúlio Vargas, a própria vida.

A política e a economia brasileiras se tornaram reféns de esquemas estrangeiros que corroem a democracia e o funcionamento adequado das instituições. Se a inteligência não percebe o que está sendo feito com o país, o povo tem mesmo é que esperar pelo carnaval!

Petrobras provoca debate ao propor transferir engenharia básica do Cenpes para a área de serviços

Via Clube de Engenharia

Convés de navio visualizado em sala 3D no Cenpes. Foto: Agência Petrobras/Divulgação.

Por alguns anos a Petrobras divulgou, com orgulho, a gestão tecnológica feita de maneira compartilhada entre o seu Centro de Pesquisas e Desenvolvimento (Cenpes), onde concentra atividades de pesquisa, desenvolvimento (P&D) e engenharia básica (E), e os segmentos de negócios da empresa. O país tem comemorado a excelência tecnológica e o reconhecimento internacional com os prêmios recebidos pelas tecnologias pioneiras desenvolvidas para o Pré-Sal. Em 2015 a Petrobras recebeu, pela terceira vez, o OTC-“Distinguished Achievement Award for Companies, Organizations, and Institutions”, o maior reconhecimento tecnológico que uma empresa de petróleo pode receber como operadora offshore. Apesar da excelência em diversas áreas, circulam informações de que na reestruturação em curso as atividades de engenharia básica serão deslocadas do Cenpes para a área de engenharia responsável pela implantação dos empreendimentos da companhia.

Guilherme Estrella, conselheiro do Clube de Engenharia, assume posição radicalmente contrária. Entende que a transferência da engenharia básica do Cenpes para a área de serviços “é um salto para trás, um monumental retrocesso que certamente trará risco para a trajetória de extraordinário e, como tal, mundialmente reconhecido êxito nas atividades fins da companhia”. Para o ex-diretor de Exploração e Produção (E&P) da Petrobras a medida “não encontra sustentação no campo conceitual do desenvolvimento/inovação tecnológica endógeno da Petrobrás nem do ponto de vista das atribuições específicas e fundamentais da engenharia-serviços”. São posições e avaliações que já são compartilhadas com a Associação de Engenheiros da Petrobras (Aepet), na perspectiva de que uma profunda reflexão seja feita para evitar o grave retrocesso.

Como Estrella, a Aepet define a mudança proposta, caso se concretize, como um “erro colossal”. “É de conhecimento público que a Petrobras está promovendo a reestruturação da sua organização corporativa. A bem-vinda reestruturação deve preservar acertos históricos e a organização do trabalho pode ser aperfeiçoada. Notadamente, o conceito de Pesquisa, Desenvolvimento e Engenharia Básica (P&D+E) do Cenpes deve ser preservado e aprimorado”, afirma a Aepet em documento datado de novembro de 2015.

Ainda segundo a AEPET, “ao ser incorporada no CENPES, a Engenharia Básica (E) transformou o centro de pesquisas em Centro de Pesquisas, Desenvolvimento e Engenharia (P&D+E), passando a promover vínculos entre os pesquisadores e os projetistas dos equipamentos, facilitando a aplicação de inovações nos projetos”.

Gestão estratégica e tecnológica

Guilherme Estrella esclarece que o êxito da Petrobras na implantação da gestão estratégica e das atividades de desenvolvimento tecnológico não se concretizou sem disputas. O não entendimento integral do próprio conceito de tecnologia, por exemplo, estava incluído entre as causas dos conflitos. A Petrobras implantou a gestão estratégica e tecnológica plena com a criação, no Cenpes, da área da engenharia básica, primeiro do refino e depois do E&P. O “E” de engenharia básica, foi finalmente adicionado ao “P&D” na designação das atividades do Cenpes.

A inquestionável e difícil conquista do modelo de “gestão compartilhada” foi implantada no Cenpes em meados da década de 80, com o planejamento completamente integrado das atividades do Centro com os chamados órgãos operacionais – órgãos que vão operar as tecnologias – do E&P, do refino e da petroquímica, registra Estrella.

“Operamos desta forma um enriquecedor processo de feedback contínuo aos projetos básicos na medida em que dificuldades ou novos desafios e necessidades operacionais são trazidos aos projetistas do Cenpes, que por sua vez introduzem nos novos projetos as inovações/avanços destinadas a superá-los. É neste momento que surge como imperativa a junção da engenharia básica com o “P&D”, integralizando-se então o conceito de P&D+E, e de tecnologia. Esquartejar esta integração – sob qualquer argumento – é desconhecer um modelo de gestão universalmente reconhecido”, conclui Guilherme Estrella.

Na mesma linha, contrário à mudança em pauta, o vice-presidente do Clube de Engenharia, Sebastião Soares, consegue sintetizar sua visão em uma única e lapidar frase: “O Cenpes é a Embrapa da indústria”.

A solução para o CO2 do pré-sal

Por Paulo Cesar Ribeiro Lima | Via Editora Brasil Energia

No pré-sal, ao contrário de outras províncias petrolíferas, felizmente o CO2 está disponível, comenta o consultor da Câmara dos Deputados Paulo Cesar Ribeiro Lima.

O dióxido de carbono – CO2 tem sido apresentado como contaminante e como um grande problema na província petrolífera do pré-sal. No entanto, o CO2 não deve ser visto como um contaminante; ele deve ser visto como “solução”. Na verdade, a injeção de CO2 é o principal mecanismo de recuperação terciária do mundo. Normalmente, o CO2 é injetado em campos de petróleo já desenvolvidos e que tiveram a injeção de água como método de recuperação secundária.

Atualmente, a maior parte do CO2 utilizado na recuperação avançada de petróleo é proveniente de domos naturais de CO2. O CO2 também pode ser capturado de plantas de geração de energia e de unidades industriais, como por exemplo, unidades de produção de fertilizantes, de etanol, de cimento, de aço etc. Essa captura, pelas tecnologias convencionais, exigem caros e complexos sistemas, grandes consumidores de energia. Uma vez capturado, o CO2 tem que quer comprimido e transportado para os campos de petróleo, o que também envolve grandes custos.

A injeção de água, na recuperação secundária, deixa de 50% a 70% do petróleo no reservatório, já que a maior parte do petróleo é “bypassada“ pela água. Na recuperação terciária, o CO2 é o principal fluido utilizado. Ele “reage” com o petróleo e modifica suas características. A injeção de CO2 chega a remover 15% do petróleo in place original.

As reservas de petróleo da província do pré-sal representam as maiores descobertas na indústria do petróleo das últimas décadas. Nessa província, os percentuais de CO2 no gás produzido são elevados, conforme mostrado a seguir:

−    Lula:  10% – 20%;

−    Sapinhoá: 15% – 20%;

−    Búzios: 22% – 25%;

−    Libra: 45%; e

−    Júpiter: 79%.

Também muito altas são as Razões Gás-Óleo – RGO nas acumulações do pré-sal. No caso de Libra, a RGO é superior a 400 Nm3/m3; no campo de Lula a RGO é superior a 200 Nm3/m3. Isso implica uma grande produção de gás nos campos do pré-sal. São muito altos, ainda, os Fatores Volume de Formação do Óleo – Bo, que chegam a ultrapassar 1,5 stb/Rb. Dessa forma, são necessárias altas vazões de água de injeção nos reservatórios.

No pré-sal, tem sido utilizada a técnica de injeção alternada de água e gás – WAG (Water Alternating Gas). No entanto, além do CO2, está sendo injetado o gás natural junto com o CO2. No mês de novembro de 2015, os poços da Bacia de Santos produziram 33,4 milhões de normais MMNm3/dia. Desse total produzido, 2,4 MMNm3/dia foram consumidos e 19,8 MMNm3/dia foram reinjetados. Foram transportados para terra apenas 10,3 MMNm3/dia.  Assim, um importante energético, que poderia substituir com vantagens o óleo combustível, o óleo diesel e a gasolina, não está sendo disponibilizado para a sociedade brasileira. Ao contrário do gás natural, os combustíveis líquidos podem ser facilmente exportados ou podem deixar de ser importados.

No caso de Libra, a situação é ainda pior. Segundo o Gerente-Geral da Unidade de Operações de Exploração e Produção da Bacia de Santos, a Petrobras ainda carece de uma solução para monetizar as grandes reservas de gás natural de Libra, conforme a matériaSeparar ou reinjetar, eis a questão, da Brasil Energia Petróleo de novembro de 2015 .  Ele disse: “Vamos reinjetar até desenvolvermos uma solução”. Essa reinjeção vai envolver altíssimas vazões de gás e altíssimas pressões, da ordem de 550 bar. São altíssimos os custos de capital e os custos operacionais da reinjeção total, principalmente pelo alto consumo de energia.

Na província do pré-sal, a “solução” para o “problema” já está disponível: grande capacidade das bombas de injeção de água, linhas de injeção com revestimento interno de aço inoxidável, poços de injeção adequados a ambientes corrosivos e alta capacidade de compressão do gás produzido. Como as bombas e os compressores já estão disponíveis, basta, então, misturar o gás produzido com a água de injeção, de modo a dissolver o CO2 na água a ser injetada. Os gases não dissolvidos devem apenas ser desidratados antes do transporte para terra. Essa é a solução proposta, conforme pedido de patente protocolado, em novembro de 2015, no Instituto Nacional de Propriedade Industrial – INPI. Esse pedido está disponível para comercialização.

Na técnica WAG em uso no pré-sal, antes de o CO2 presente no gás de injeção entrar em contato com o petróleo no reservatório, ele acaba sendo dissolvido na água dentro do reservatório. A frente de água forma, de fato, uma barreira para esse contato. A dissolução do CO2 na água, dentro do reservatório, faz com que os gases injetados não dissolvidos tenham que ser contidos, de modo a evitar a sua irrupção nos poços produtores. Uma alternativa mais eficiente é a injeção de água com CO2 dissolvido, conforme proposto.

A injeção de água com CO2 dissolvido apresenta uma série de vantagens. É como se ocorressem simultaneamente as recuperações secundária e terciária do petróleo. Além disso, essa injeção permite o contato imediato do CO2 com o petróleo no reservatório, o que não ocorre na técnica WAG em uso no pré-sal. O petróleo no reservatório, ao entrar em contato com a água com CO2 dissolvido, adsorve facilmente grande parte do CO2, pois a solubilidade do CO2 no petróleo é maior que na água. Sendo o CO2 dissolvido no petróleo, ocorre uma diminuição da viscosidade e o inchamento do óleo, além de haver uma redução da tensão interfacial. Dessa forma, maior será o fator de recuperação dos gigantescos campos do pré-sal.

Mostra-se, a seguir, a aplicação da patente proposta ao campo de Búzios. São admitidas as seguintes características para esse campo:

−    teor de CO2: 24% em volume no gás produzido;

−    RGO: 200 Nm3/m3;

−    Fator Volume de Formação – Bo: 1,5 stb/Rb.

Assim sendo, para cada metro cúbico de petróleo produzido serão produzidos 200 Nm3 de gás, sendo 48 metros cúbicos de CO2, e deve ser injetado 1,5 metro cúbico de água. A uma pressão de 150 bar e a uma temperatura de 25oC, esse volume de água é capaz de dissolver 48,5 metros cúbicos de CO2. Dessa forma, se a água de injeção for misturada com os gases produzidos em Búzios, todo o CO2 poderá ser dissolvido na água a ser injetada. Os gases não dissolvidos na água de injeção podem simplesmente passar por um processo de desidratação, antes de serem transportados para unidades de tratamento de gás natural em terra.

Em suma, a presença do CO2 no pré-sal pode ser tratada praticamente sem custos adicionais e com aumento do fator de recuperação das gigantescas reservas dessa província. No pré-sal, ao contrário de outras províncias petrolíferas, felizmente o CO2 está disponível. O CO2 não é problema; é solução!

***

Funcionário da Petrobras por 17 anos, Paulo Cesar Ribeiro Lima é consultor legislativo da Câmara dos Deputados desde 2002.

O governo dos EUA é a mais completa organização criminosa da História da humanidade

Por Paul Craig Roberts | Via Resistir

Único entre os países da Terra, o governo dos EUA insiste em que as suas leis e ditames têm prioridade sobre a soberania das nações. Washington assevera o poder de tribunais estado-unidenses sobre estrangeiros e reclama jurisdição extra-territorial de tribunais dos EUA em relação a atividades estrangeiras que Washington ou grupos de interesses americanos desaprovam. Talvez o pior resultado do desdém de Washington para com a soberania de países seja o poder que tem exercido sobre estrangeiros unicamente com base em acusações de terrorismo destituídas de qualquer evidência.

Considere alguns exemplos. Washington primeiro forçou o governo suíço a violar as suas próprias leis bancárias. A seguir forçou a Suíça a revogar as suas leis de segredo bancário. Alegadamente a Suíça é uma democracia, mas as leis do país são determinadas em Washington por pessoas não eleitas pelos suíços para representá-las.

Considere o “escândalo do futebol” que Washington cozinhou, aparentemente para embaraçar a Rússia. A sede da organização do futebol é a Suíça, mas isto não impediu Washington de enviar agentes do FMI à Suíça para prender cidadãos suíços. Tente imaginar a Suíça a enviar agentes federais suíços aos EUA para prender americanos.

Considere a multa de US$9 bilhões que Washington impôs a um banco francês por deixar de cumprir plenamente as sanções de Washington contra o Irã. Esta afirmação do controle de Washington sobre uma instituição financeira estrangeira é ainda mais audaciosamente ilegal tendo em vista o fato de que as sanções que Washington impôs ao Irã e que exige que outros países soberanos obedeçam são ela próprias estritamente ilegais. Na verdade, neste caso temos uma tríplice ilegalidade pois as sanções foram impostas com base em acusações cozinhadas e falsificadas que eram mentiras.

Ou considere que Washington afirmou sua autoridade sobre o contrato entre um estaleiro naval francês e o governo russo e forçou a companhia francesa a violar um contrato com um prejuízo de bilhões de dólares para a empresa francesa e de grande número de empregos para a economia do país. Isto fazia parte do ensinamento de Washington aos russos, uma lição por não seguirem as ordens de Washington na Crimeia.

Tente imaginar um mundo em que cada país afirme a extra-territorialidade das suas leis. O planeta seria um caos permanente com o PIB mundial gasto em batalhas legais e militares.

A Washington dos neocons afirma que como a História escolheu a América para exercer a sua hegemonia sobre o mundo, nenhuma outra lei é relevante. Só a vontade de Washington é que conta. A própria lei não é sequer necessária pois Washington muitas vezes substitui ordens por leis, como quando Richard Armitage, vice-secretário de Estado (uma posição não eletiva) disse ao presidente do Paquistão para fazer como ele lhe dizia ou “nós o bombardearemos até [levá-los] à idade da pedra ”.

Tente imaginar os presidentes da Rússia ou da China a darem uma tal ordem a uma nação soberana.

De fato, Washington bombardeou grandes áreas do Paquistão, assassinando milhares de mulheres, crianças e idosos aldeões. A justificação de Washington era a afirmação da extra-territorialidade de ações militares dos EUA em outros países com os quais Washington não está em guerra.

Tão horrendo como tudo isto, o pior dos crimes de Washington contra outros povos, é quando Washington sequestra cidadãos de outros países e transporta-os para Guantânamo em Cuba ou para masmorras secretas em estados criminosos tais como o Egito e a Polônia para serem ali mantidos e torturados em violação tanto da lei estado-unidense como do direito internacional. Estes crimes chocantes provam para além de qualquer dúvida que o governo dos EUA é o pior empreendimento criminal que alguma vez existiu sobre a Terra.

Quando o criminoso regime neoconservador de George W. Bush lançou sua invasão ilegal do Afeganistão, o regime criminoso em Washington precisava desesperadamente de “terroristas” a fim de providenciar uma justificação para uma invasão ilegal que constitui um crime de guerra grave sob o direito internacional. Contudo, não havia quaisquer terroristas. Assim Washington despejou folhetos sobre territórios dos senhores da guerra a oferecer milhares de dólares em prêmios de dinheiro por “terroristas”. Os senhores da guerra respondiam a essa oportunidade e capturavam qualquer pessoa desprotegida, vendendo-as aos americanos em troca do prêmio.

A única evidência de que os “terroristas” eram terroristas é que as pessoas inocentes foram vendidas aos americanos pelos senhores da guerra como sendo “terroristas”.

Ontem Fayez Mohammed Ahmed Al-Kandari foi libertado depois de 14 anos de tortura pela “América da liberdade e da democracia”. O oficial dos EUA, Cor. Barry Wingard, que representou Al-Kandari disse que “simplesmente não há evidência além de que ele é um muçulmano no Afeganistão no momento errado, além de duplas e triplas declarações de rumores, algo que nunca foi visto como justificação para encarceramento”. Muito menos, disse o Cor. Wingard, era causa para muitos anos de torturas num esforço para forçar uma confissão das alegadas ofensas.

Não espere que os media presstitutos do ocidente o informe destes factos. Para descobrí-los deve ir à RT ou ao sítio web de Stephen Lendman ou a este sítio.

Os media presstitutos do ocidente fazem parte da operação criminosa de Washington.

Energia elétrica, “shale gas”, dumping do petróleo e dependência de termoelétricas

Por Ivo Pugnaloni

Pouco se fala no Brasil sobre a estranha maravilha do shale gas, ou gás do fracking cuja produção verdadeira e o real custo de produção parecem manipulados, segundo muitos especialistas que costumo ouvir.

Uma maravilha da natureza e da tecnologia que, fato estranho, até hoje só teria dado certo (não se sabe por que) nos Estados Unidos.

Fracasso total na França, na Inglaterra, em Portugal, na Itália, na Espanha, em Israel, na Austrália, Polônia, na Romênia, na Bulgária, na Rússia e na China.

Inúmeros autores altamente respeitados no setor de petróleo dizem que a produção real parece ser sempre manipulada para cima.

E o custo de produção, manipulado para baixo.

Como engenheiro não consigo acreditar que petróleo ou gás retirado de 3000 metros de profundidade em poços que duram um ano em média, com base em pressurização de 800 atmosferas,  no processo fracking, poderiam ser mais baratos do que o petróleo extraído pela pressão natural da própria jazida, que acontece no processo convencional.

A manipulação de dados é uma coisa muito fácil de ocorrer quando com ela, se quiser ganhar trilhões de dólares no mercado de petróleo, a longo prazo.

Fácil dizer que o preço de produção é baixo, se, como acontece nos EUA, uma lei tiver isentado sua empresa de pagar qualquer custo ou dano ambiental se você usar o fracking (Exceptions Act, de 2005).

E ainda de cumprir qualquer lei ambiental sob a alegação de que “o shale gas vai nos tornar independentes na produção de petróleo”, sob o impacto emocional do ataque às torres gêmeas.

O dumping é outra maneira de “baixar o preço”.

Se você tem o domínio do mercado, (esse é o caso) você baixa seus preços artificialmente até quebrar seus adversários.

E depois sobe…quando as empresas desses países estiverem quebradas ou não tiverem mais investido em aumentar sua produção…

Ou então, baixa-os até que o mercado já tenha optado por usá-los de forma irreversível.

Como por exemplo, fez infelizmente o governo brasileiro desde Fernando Collor deixando de construir hidrelétricas alegando “pressões das O.N.Gs” (sustentadas pelos magnatas do petróleo) para poder fazer o país depender totalmente de térmicas movidas a combustíveis fósseis, para não ter que sofrer com um apagão…

Aí, quando seu petróleo “barato” tiver feito o mercado ter optado por ele, bom aí você sobe o preço de novo…

O dumping do preço do petróleo também é uma excelente arma política quando você quer provocar mudanças na economia de países cujos governos você quer mudar e cuja economia e finanças internas são muito dependentes da exportação de sua produção de petróleo e gás.

Baixando os preços do petróleo no mercado mundial, você reduz os ingressos daquelas economia, a arrecadação de impostos e assim, piora toda as condições de vida da população, que mais facilmente se revoltará contra o governo que você quiser derrubar ou mudar.

Aí você pode substituir esse governo por outro, que concorda em, por exemplo, transferir para seu controle, as jazidas de petróleo do país que você deseja ocupar ou prejudicar. Tudo sem guerra. Limpo.

Ou seja: o dumping dos preços do petróleo é só um investimento para ganhar mais território. Como o é o investimento em porta-aviões, bombas, mísseis, infantaria.

Você reduz o preço do seu petróleo por um tempo, perde um pouco, investe, ganha menos.

Mas em compensação pode ganhar com isso, quase de graça, as jazidas de países inteiros.

Como as do Pré-Sal por exemplo, que já produz mais de um milhão de barris/dia.

Ou ainda, desvalorizar essas jazidas com a desculpa amarela de que “agora, com a baixa do petróleo, sua exploração ficou inviável”…para comprá-las por merrecas…ou desqualificar os presidentes que você quiser enfraquecer, como a Dilma.

Quanto à produção real do shale gas, do fracking, é ainda mais fácil de explicar.

Isso porque nas moléculas do metano e do petróleo, não tem nenhum selo de fabricação, escrito “Metano produzido pelo método fracking” nem “Metano produzido pelo processo convencional”.

As mesmas empresas produzem um e outro. As redes de oleodutos e gasodutos são usadas tanto por hidrocarbonetos produzidos por um método ou por outro.

Quem tem tecnologia para hackear o e mail da Merkel, tem tecnologia para fraudar qualquer registro de produção de um e de outro metano.

Ainda mais se me interessar dizer que a “produção aumentou devido ao shale gas para justificar o dumping

Ou será que esse setor de petróleo é dirigido por padres, freiras, irmãs Teresas de Calcutá?

E o que dizer do petróleo a US$ 10 dólares vendido na Turquia pela empresa de Bilal Erdogan, filho do presidente,roubado pelo Estado Islâmico, dos poços da Síria e do Iraque?

Provavelmente, ajudam a justificar o preço baixo do dumping também…

Porque o preço do petróleo é tão baixo?

Via Informação Incorrecta

Em Junho de 2014, o preço do barril de petróleo tinha atingido 106 Dólares.

“Nunca mais teremos um preço abaixo dos 100 Dólares, os tempos do petróleo barato acabaram” foram as palavras dos especialistas. De facto, o barril tinha chegado até 144 Dólares e nada fazia prever uma queda significativa: todo o mundo económico começou a fazer previsões tendo como base um preço acima dos 100 Dólares.

Ontem o barril foi vendido em troca de 30 Dólares. O que aconteceu?

Na verdade aconteceram não uma mas várias coisas. E, como sempre acontece em casos como estes, nada é tão simples como parece.

Arábia: o peão enlouquecido

Ou na Arábia Saudita enlouqueceram ou estão a interpretar um papel: guerra no Yemen, financiamentos para o Estado Islâmico, pacto secreto com o arqui-inimigo israel e, claro está, preço do petróleo ridiculamente baixo.

Apenas duas possíveis explicações? Talvez, vamos vê-las.

1. a Arábia decidiu aproveitar do particular momento de incerteza vivido nos Estados Unidos para desenvolver um papel de protagonista no Oriente Médio.

E que haja incerteza nos EUA é evidente: até poucos anos atrás, o caso-Síria teria sido resolvido à boa maneira americana, com botas no terreno, tropas de “manutentores de Paz”, implementação dum regime “democrático”, depois retirada para deixar atrás um País no caos. Foi exactamente isso que aconteceu no Iraque, no Afeganistão, na Líbia. Mas com a Síria a coisa está diferente: há quatro anos que Washington “quer” mas “não pode”.

Somarmos a isso um Presidente que desiludiu e que em breve será substituído (eleições em Novembro): Obama não fará grandes coisas nestes últimos meses de Casa Branca. Eis portanto que a família real de Riad decidiu jogar as suas cartas: afundo contra os xiitas da região (Yemen e Irão) e preço baixo do petróleo para…? Pois, para quê? Para estrangular a Rússia? Mas a Rússia não é o alvo da Arábia. Para estrangular o Irão? O Irão não se estrangula só com o petróleo barato. Não, o preço baixo neste alegado protagonismo de Riad não encaixa no quadro geral. Então pode ser que a explicação possa ser a sucessiva.

2. a Arábia actua como peão dos Estados Unidos, baixando o preço do crude para pôr em dificuldade a Rússia, verdadeiro objectivo desta guerra de preços.

Isso faz muito mais sentido. E as aventuras bélicas de Riad fazem parte da bem conhecida estratégia do caos tipicamente americana.

A Arábia faz o trabalho sujo: traz o Isis na Síria para desestabilizar o regime local, traz as tropas de radicais islâmicos até as fronteiras do Irão, traz o Isis no interior dum Iraque que estava a afastar-se de Washington, ataca um País (o Yemen) que é miserável mas que está do lado político errado (perto do Irão) e num ponto geográfico errado (às portas do Mar Vermelho). Miserável e azarado.

Definitivamente, a segunda hipótese parece fazer bem mais sentido.
Mas que tal um mix das duas explicações? Um desempenho (talvez provisório e/ou aparente) dos Estados Unidos da região, concordado com uma Arábia que ao mesmo tempo está desejosa de desenvolver um papel central no Oriente Médio, começando com a eliminação da oposição xiita (condição que satisfaz também os EUA): uma casa real já não apenas fornecedora de petróleo mas também entidade agregadora política e religiosa. Afinal, os três protagonistas regionais (Arábia, EUA e israel) têm muito em comum e, sobretudo, têm inimigos em comum: um Irão apoiado pela Rússia (e aqui faz sentido o petróleo barato como arma).

Se o joguinho funcionar, boa parte do Oriente Médio ficará suficientemente “ocidentalizado” e controlado, mesmo permanecendo islâmico (sunita). Tudo sem que um único soldado de Washington tenha que sujar as botas com a areia (a não ser aqueles enviados no Iraque para apanhar as moscas do Isis).

Se o joguinho funcionar… mas será mesmo assim? E ao longo de quanto tempo a Arábia pode permitir-se preços tão baixos? Porque a moeda tem dois lados.

Com preços como estes, a China adquire cada vez mais petróleo saudita (bem barato) e abandona aquele russo, um pouco mais caro. Os Russos perdem? Depende do ponto de vista: perdem (temporariamente) vendas, mas ganham em armazéns, que ficam cheios. Tentamos ver a coisa numa outra óptica: os Sauditas vendem petróleo com uma margem de lucro praticamente nula, os Russos acumulam crude que poderá ser vendido a preços bem melhores uma vez passada a tempestade.

Será que em Washington não sabem disso? Sabem, sabem… Significa isso que Washington espera “arruinar” Moscovo no prazo de poucos meses? Altamente improvável: a Rússia não é a Venezuela, há mais do que petróleo. Há o gás, por exemplo, e muito. Uma imensidade de gás que a Europa, por exemplo, continua a comprar.

O que Washington pode esperar é pôr em algumas dificuldades Moscovo, não mais do que isso. Mas, em troca, arrisca matar no berço a sua mais querida criatura, o shale oil: vale a pena?

Outsider: o fracking

Simpática a explicação não é? Simpática mas um pouco “simples”, porque pressupõe a existência de grandes amigalhaços, com os mesmos projectos e em perfeita sintonia. Assim não é.

A Arábia Saudita é petróleo e tâmaras. Enquanto é possível condicionar o resto do planeta com a produção de petróleo, com a exportação de tâmaras a coisa já é mais complexa.

A indústria americana do fracking projectou os seus investimentos tendo como base a previsão de que o petróleo iria permanecer na faixa de 70 – 130 Dólares por barril: os EUA gastaram mais de 5.000 bilhões para exploração e desenvolvimento. Isso produziu uma enxurrada de petróleo, o que reduziu a quota dos produtores da OPEP no mercado. A Arábia Saudita estava a perder terreno em relação aos seus concorrentes, tanto da OPEP quanto do fracking.

Hoje, na base do colapso dos preços do petróleo, podem estar factores económicos: o excesso de oferta da matéria-prima face a desaceleração económica global e o valor do Dólar. O aumento do valor do Dólar tem sido especular face a diminuição dos preços do petróleo, porque o petróleo é negociado em Dólares. Isso é: os Países com outras moedas, para comprar petróleo, devem primeiro comprar Dólares, que desta forma se torna uma moeda mais procurada e portanto aumenta o seu valor.

Dólar mais caro significa petróleo mais caro: então a procura do petróleo desce e os produtores têm que reduzir a extracção para manter o preço estável. Em tempos de estagnação económica, como acontece nestes anos, seria normal reduzir a produção. Mas isso não aconteceu: na verdade, a produção de petróleo bruto aumentou apesar da recessão. Porquê? Porque a Arábia Saudita elaborou um plano para eliminar os produtores de óleo de xisto (shale oil) e recuperar a parte de mercado perdida.

Seria um grave erro subestimar este factor: do ponto de vista da Arábia o petróleo é tudo. Além das tâmaras, claro. Com o preço atingido ontem, 30 Dólares por barril, a industria do shale oil ficaria exterminada ou quase (extrair petróleo com o fracking é bem mais caro do que com o método clássico dos poços), mas os Sauditas também têm os problemas deles: a margem de lucro por cada barril cai de forma abrupta, até o ponto que a casa de Riad  precisa de abrir os cofres para atingir as reservas após ter destruído o seu orçamento.

Já 80 Dólares por barril seria conveniente do ponto de vista saudita mas continuaria a conceder margem de manobra para o fracking. Solução optimal? Entre 50 e 60 Dólares por barril. Esta seria a faixa de preço que eliminaria o shale oil mas não sobrecarregaria demais as finanças árabes.

Todavia há um problema. Por causa do preço reduzido, mais de mil torres de fracking foram eliminadas nos EUA (e adeus autonomia petrolífera proclamada pelo simpático Obama), todavia a produção de óleo de xisto ainda não parou. E nem vai parar. Por qual razão? Porque o agricultor que descobriu ter petróleo debaixo do seu campo antes recebia 50.000 Dólares por mês da companhia petrolífera, hoje recebe apenas 5.000 Dólares (porque a companhia teve que cortar os preços para sobreviver): mas do ponto de vista dele são sempre 5.000 Dólares que entram em caixa sem mexer um dedo. As companhias continuam a produzir, com uma margem mínima e sacrificando a pesquisa, no entanto sobrevivem à espera de tempos melhores.

Resultado: preço nos 30 Dólares e Arábia Saudita que queima dois bilhões de Dólares por semana para cobrir os buracos orçamentais. É uma situação que a casa de Riad não pode manter ao longo de muito tempo: a guerra contra o shale oil parece ter sido parcialmente perdida.

Também porque nestes dias Teherão apresentou, perante uma plateia de 137 empresas estrangeiras, novos modelos contratuais para a exploração das reservas de petróleo e gás que as autoridades locais pretendem aplicar já em 2016. Com termos contractuais mais favoráveis (em particular, a duração dos contratos que passa de 5 para 25 anos), o Irão tem o objectivo de aumentar a sua produção de petróleo de 2.9 milhões de barris por dia para 4.7 milhões de barris (isso também explica toda a pressa que a Arábia tem tido para abater o regime iraniano).

Perdida (parcialmente) a guerra contra o shale oil, com o Irão a dobrar a produção atraindo investidores estrangeiros, é normal que o preço do petróleo volte na casa dos tais 50-60 Dólares por barril já neste ano. Isso permitiria ganhos aos produtores tradicionais mantendo em sofrimento os novos produtores de petróleo de xisto. O que parece a solução optimal, apesar desta representar uma derrota do ponto de vista da Arábia, disso não há dúvida.

A China

Arábia, Irão, Estados Unidos, Rússia… não estamos a esquecer alguém? Ah, pois: a China!

Como já realçado, a China atravessa um momento de dificuldade. E a China é o maior importador mundial de petróleo. O que aconteceria nesta altura se o barril voltasse aos “clássicos” 100 ou mais Dólares? Falamos dum País que já enfrentou dificuldades para encontrar gasóleo suficiente para pôr em marcha os seus camiões.

A verdade é que a China está sedenta de petróleo, precisa desesperadamente dele para que a sua máquina de produção continue a funcionar. Máquina de produção “sua”? Não: máquina “nossa”. Façam um inventário mental para lembrar quantas empresas ocidentais investiram (e de que maneira!) no mercado chinês; espreitem nas lojas, na parte debaixo dos objectos à venda, e vejam quantas vezes aparece o “Made in China”. Pensem na miríade de importadores, nas unidades de produção lá deslocadas.

A simples verdade é que o preço baixo do barril tem ajudado até agora Pequim a atravessar uma das piores alturas económicas dos últimos anos. Uma ajuda muito, muito preciosa. Ninguém deseja que a máquina chinesa se parta, nem os Americanos (sobretudo eles), porque o resultado seria catastrófico. Numa economia doentia e globalizada como a nossa, a falha da fábrica do mundo poderia trazer consequência inimagináveis.

Pode ter sido esta uma das razões do preço baixo do petróleo? Difícil responder, ninguém fala do assunto. Mas a ideia dum barril barato para fazer falir a Rússia parece algo um pouco …”naif”. A Rússia não irá dobrar-se por causa do preço do petróleo, pois a Rússia não é só petróleo (a Arábia sim, é só isso). O Irão, como acabamos de ver, está a preparar-se para aumentar a produção e pôr em dificuldades os Árabes com ofertas bem mais aliciantes. O shale oil sobrevive (mal e apenas por enquanto). E, no meio disso, a Aramco está a ser vendida e passará nas mãos de Wall Street (toda não, custa demais). Talvez seja o caso de não subestimar a situação económica chinesa para justificar também um barril tão barato.

Mas quanto petróleo há?

Mas num mundo como o nosso, que queima petróleo duma forma assustadora, quanto petróleo em excesso existe actualmente? A resposta varia consoante as fontes. Não só: mas é preciso também considerar o actual nível de produção (que não depende apenas da Arábia) e o andamento da procura ao longo dos próximos meses. O que é “excesso” hoje pode ser “escassez” amanhã ou até “hiper-excesso”.

Tentamos fazer duas contas.

No total, dizem os analistas, há um excedente de 2 milhões de barris de petróleo por dia. Isso é: a cada dia são produzidos 2 milhões de barris de petróleo que ultrapassam a procura mundial. Toda culpa da Arábia? Até um certo ponto: é verdade que os Sauditas estão a bombear como desgraçados (e são os maiores produtores agora), mas também é verdade que:

  • o Irão não corta a sua produção; pelo contrário, como vimos tenciona duplica-la, ou quase, no prazo de alguns meses;
  • no período Janeiro-Agosto do ano passado a produção de Rússia, Canada e Brasil cresceu 2%: para 2016 as previsões indicam que Brasil e Reino Unido (este com o brent) continuarão o crescimento até meados do ano;
  • no Canada e nos EUA começa a ser visível o efeito do preço demasiado baixo: menos 1 milhão de barris de shale oil por dia neste ano (em 2015, com o petróleo de xisto, os EUA tinham-se tornado os primeiro produtores mundiais de petróleo).
  • a procura de petróleo nos Países Ocidentais está em queda, e não desde hoje. A Europa consumia 671 milhões de toneladas de crude em 2004, 10 anos depois o nível é de 549 milhões: -20% em 10 anos. Mesmo discurso nos EUA.

Para que o excesso de petróleo (que é real: os armazéns das reservas – 1.400 milhões de barris – estão cheios ate os limites) desapareça, é precisa pelo menos uma das duas seguintes condições:

  1. que alguém corte na produção
  2. que a procura aumente.

Acerca do segundo ponto o discurso parece estar fechado. Com a China em dificuldade (maior comprador mundial), não se vê ninguém que possa substitui-la.

Acerca do primeiro ponto a questão é mais complexa. EUA e Canada já baixaram a produção (e não de forma voluntária: simplesmente, o investimento já não compensa) e isso terá os seus efeitos (- 1 milhão barris/dia). Para a segunda metade de 2016, como afirmado, é previsto que apenas Brasil e Reino Unido (e talvez a Rússia, mas é improvável) continuem nos actuais níveis, pelo que a oferta deverá ser mais reduzida e o preço deverá subir (esta não é nenhuma notícia “censurada”, é suficiente ler um qualquer relatório, como o da Morgan Stanley).

Subir quanto? Não muito, provavelmente em volta de 50 Dólares/barril. Não mais, porque caso contrário oshale oil dos EUA poderia tornar-se competitivo. E, em qualquer caso, só na segunda parte do ano. Portanto, e por enquanto, prováveis ainda 6 meses de preços baixos, talvez até 20 Dólares/barril (parecia um disparate esta previsão da Goldman Sachs feita no final do ano passado, mas pelo visto…). Por qual razão 20 Dólares ao barril? Porque algumas empresas americanas de shale oil poderiam resistir até a fasquia dos 25-20 Dólares.

Possíveis mais de 6 meses de preços tão baixos? Não. Com preços como estes entra em risco a finança: 50% dos títulos emitidos pelas companhias energéticas podem ficar sem coberturas e falamos aqui de 180 biliões de Dólares. Seria o montante mais elevado após a crise de 1939.

Resumindo…

Resumindo: neste artigo podem encontrar tudo e o contrário de tudo. Arábia contra o shale oil americano, Americanos cúmplices da Arábia para manter o preço baixo, Rússia em dificuldades, Rússia que ganha… lamento, pessoal, esta é a nossa sociedade, é assim que funciona.

Queremos fazer um pouco de luz? E vamos a isso. Mas para que tal aconteça, esqueçam a história do preço baixo para fazer falir a Rússia: esta não pode ser (e não é) a única explicação, em jogo aqui há muito mais do que isso.

A Arábia Saudita quer eliminar a concorrência porque sabe que os próximos tempos serão muito complicados. O objectivo é o Irão, contra o qual está a atirar não apenas petróleo barato mas armas com jihadistas em anexo. Neste aspecto, a Arábia tem pressa, uma pressa danada porque o acordo sobre o nuclear entre Irão e EUA (e o fim das relativas sanções) arrisca ser um golpe muito duro.

Outro objectivo é o shale oil: em 2015 Riad perdeu o primeiro lugar como produtor mundial de petróleo e isso mina o seu papel de (quase) monopólio no mercado do crude.

Os EUA? Esperam. Afinal só podem ganhar duma luta entre “inferiores”. Perdem o shale oil? Pouco mal, quem sabia (Rothschild, Blackrock, etc.) já tinha retirado o seu dinheiro dos activos petrolíferos, quem perde agora são os peixes pequenos. E o shale oil não desaparece, fica sempre aí, debaixo da terra. Quando a situação melhorar, será extraído outra vez. Entretanto os Sauditas são obrigados a vender as joias de família, como a Aramco. Wall Street agradece, isso bem vale o coma do shale oil.

Entretanto encaixam uma Rússia em temporária dificuldade (isso sim, vende menos petróleo do que antes).

A Rússia? Não irá falir por um barril vendido em troca de 30 Dólares, nem 25 ou 20. A situação é parecida com aquela dos EUA: fica à janela e observa. A China compra dos Sauditas? Sim, por enquanto sim. Mas voltará a tocar a campainha, é só questão de alguns meses: e os armazéns russos estão cheios, será só fazer caixa.

E a propósito da China: se a Arábia tem pressa, Pequim não brinca. Desvalorizar o Yuan pode funcionar ao longo duns tempos, mas não muito. Ou encontra uma saída e bastante rápida ou quando o petróleo voltar a subir (final do ano?) serão dores. Para todos.

Ipse dixit.