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O ISIS e os interesses geopolíticos: Entrevista com Marcelo Zero

ISIS, ou IS em formação. Eles possuem o hábito de divulgar as atrocidades que cometem para fazer propaganda e espalhar o medo. Telegraph/Reprodução

Por Rennan Martins

E eis que, pouco mais de dois anos após encerrar formalmente a última intervenção no Iraque, os EUA se lançam a mais uma de suas empreitadas sangrentas, dessa vez contra os fundamentalistas sunitas do ISIS (Islamic State of Iraq and Syria {ou Levante}- Estado Islâmico do Iraque e da Síria), ou simplesmente IS. O grupo consolidou seu domínio em um terço do território sírio, e um quarto do iraquiano nos últimos meses, sem encontrar grande resistência. Possuem sob controle diversos poços de petróleo – usados para o financiamento da Jihad – e ainda a maior hidrelétrica do Iraque, que fornece água e eletricidade para uma vasta porção do país.

Mapa que mostra a área sob controle do ISIS, uma grande região do Iraque e da Síria. The Economist/Reprodução

As ofensivas iniciaram na sexta-feira e supostamente são direcionadas a infraestrutura de guerra dos militantes do IS no sentido de deter avanços sobre áreas estratégicas e defender minorias religiosas intoleradas pelos jihadistas. Obama sinalizou que não pretende retomar missões por terra, mas que esta operação é de “longo prazo”, o que levanta dúvidas sobre as reais motivações de Washington.

A BBC informa que no sábado (9) os militares alegaram ter destruído tanques e veículos blindados por meio de bombardeios com caças e drones, e que estes ataques visavam libertar a minoria religiosa Yazidi, a qual estava encurralada nas montanhas próximas a cidade de Sinjar, sem água ou comida.

Considerando o quão complexas são as questões étnicas que envolvem o Oriente Médio e que o jogo de interesses geopolíticos norte-americanos passa ao largo do discurso dos direitos humanos e da democracia, resolvi conversar com o sociólogo e especialista em relações internacionais, Marcelo Zero. Nesta pequena entrevista ele nos esclarece – traçando também um panorama maior – que os aliados dos EUA no Oriente Médio, como por exemplo a Arábia Saudita, financiaram largamente o IS no objetivo de derrubar Assad na Síria, o que indica que estão intervindo agora por terem perdido o controle daqueles que antes serviam a seus propósitos.

Confira:

O que é o ISIS? Que políticas este movimento pretende implantar no Oriente Médio?

O ISIS (Islamic State of Iraq and Syria {ou Levante}- Estado Islâmico do Iraque e da Síria) é uma organização que nasceu, declaradamente, em abril de 2013, na Síria. Esse grupo emergiu como uma dissidência da Al-Qaeda iraquiana e síria. É liderado por Abu Bakr al-Baghdadi, um iraquiano sunita de aproximadamente 40 anos, nascido em Samarra, norte de Bagdá.

Logo após a invasão dos EUA ao Iraque, em 2003, Baghdadi se juntou aos jihadistas que passaram a combater a invasão e, posteriormente, o governo xiita do primeiro-ministro Al-Maliki, lá colocado pelos EUA.

Ao princípio, Baghdadi e seu grupo permaneceram fiéis à Al-Qaeda. Mas, ao longo da guerra civil na Síria, na qual ele se envolveu intensamente, suas habilidades táticas e militares o fizeram destacar-se. Tais habilidades tornaram a sua liderança mais atraente para os jovens jihadistas que a liderança tradicional da Al-Qaeda iraquiana de Ayman al-Zawahiri, um teólogo islâmico que não tem habilidades militares semelhantes.

Em março de 2013, ele conseguiu tomar a capital provincial de Raqqa, uma importante cidade síria e a primeira capital de província que caiu nas mãos dos rebeldes sírios. Esse notável êxito militar o catapultou como uma grande referência entre os jihadistas. A partir daí, passou a fazer seu voo solo, independente da Al-Qaeda.

A agenda do Estado Islâmico é, como o próprio nome indica, a criação de um estado islâmico no Levante, regido por uma sharia fundamentalista estrita.

Seu objetivo é radical e seus métodos são drásticos. São fundamentalistas sunitas que rejeitam xiitas, curdos, cristãos, yazidis, turcomenos e quaisquer outros grupos religiosos e étnicos que existem no Iraque e na Síria. Em suas regiões ocupadas, exigem a conversão ao sunismo e às suas leis, sob pena de morte. Também não se acanham em executar sumariamente aqueles que opõem alguma resistência ao seu avanço. Gostam de exibir essas execuções na internet, como forma de difundir terror e pânico.

E quanto à guerra civil na Síria. O ISIS está envolvido?

Sim, esteve e está. O ISIS, agora chamado simplesmente de Estado Islâmico, nasceu e se fortaleceu na guerra civil da Síria. Eles, assim como outros grupos de jihadistas, receberam armas e dinheiro de países aliados dos EUA na região, como Qatar, Arábia Saudita e Kuweit. Ademais, em seus avanços na Síria eles capturaram bancos e poços de petróleo no leste do país. Estima-se que, antes de iniciar a sua campanha no centro do Iraque, o Estado Islâmico já tinha ao redor de U$ 900 milhões. Entretanto, depois de capturar Fallujah, Ramadi e, principalmente, Mosul, segunda cidade do Iraque, o Estado Islâmico teria hoje, segundo algumas estimativas, cerca de US$ 2 bilhões para financiar suas atividades. A maior parte desses recursos vem de poços de petróleo por eles dominados.

É possível afirmar que o financiamento dos EUA aos insurgentes na Síria também auxiliou o ISIS?

Apesar de não haver evidências de um envolvimento direto significativo dos EUA no financiamento e apoio aos jihadistas que combatem Al-Assad, é evidente que os países aliados dos EUA que comprovadamente financiam a guerra civil na Síria o fizeram e fazem com a concordância e o apoio dos EUA, que, até pouco tempo, estavam muito empenhados em derrubar o governo sírio alauíta.

Quem atualmente está a frente do governo do Iraque? Como podemos caracterizar este governo?

O Iraque tem hoje o governo do primeiro–ministro Al-Maliki. Ele chegou ao poder em 2006, numa manobra patrocinada pelos EUA. Após as eleições parlamentares de dezembro de 2005, ganhas pela Aliança do Iraque Unido, foi escolhido primeiro-ministro Ibrahim Al-Jaafari, uma grande liderança xiita. Contudo, os EUA consideraram Al-Jaafari muito próximo à Teerã e acabaram forçando, em abril de 2006, a escolha de Al-Maliki, após uma investigação da CIA que teria revelado que ele era suficientemente independente do Irã.

No entanto, Al-Maliki sempre despertou as antipatias de curdos e sunitas e nunca foi capaz de unir o Iraque. Sua fama de corrupto não ajudou.

Os curdos do norte do Iraque acabaram constituindo uma região independente. As tribos sunitas do centro do Iraque também não se submeteram ao domínio de Al-Maliki. Aos poucos, os sunitas que aceitaram participar do governo do Iraque foram se afastando de Al-Maliki, acusando-o de favorecer os xiitas. Além disso, Al-Maliki nunca conseguiu ter uma relação muito boa com Moqtada al-Sadr’s, uma liderança xiita chave do sul do país, chefe da Mahdi Army, um forte grupo de milícias xiitas armadas.

Assim, quando o Estado Islâmico começou a avançar pelo Iraque, os sunitas, inclusive membros de polícias e do exército, acabaram não se opondo. Muitos até aderiram ao jihadistas.

Na realidade, o avanço do Estado Islâmico à Bagdá foi detido fundamentalmente pelas milícias xiitas da Mehdi Army, e não pelo exército regular iraquiano.

Agora, o Estado Islâmico avança sobre os curdos do norte do Iraque e persegue outras minorias como a dos yazidis, grupo que tem uma religião muito própria, mistura de islamismo com zoroastrismo. Turquia e EUA já estão bombardeando essa região, procurando deter os jihadistas.

Porque os EUA pretendem manter o atual governo iraquiano? Que interesses possuem?

Na realidade, os EUA vêm pressionando Al-Maliki a sair. Ele não serve mais aos propósitos dos EUA no país e na região. Uma opção poderia ser Moqtada al-Sadr’s, que tem o apoio do Irã. Ironicamente, o Irã virou um aliado importante para que os EUA mantenham algum controle sobre o Iraque.

O Iraque, riquíssimo em petróleo (tem a terceira reserva mundial de hidrocarbonetos), é, obviamente, um país-chave do grande Oriente Médio. Os EUA precisam controlá-lo, caso contrário não terão mais influência no Levante, que ficará à mercê dos jihadistas sunitas, de um lado, e do Irã, de outro.

Porque Washington intervém em alguns países dizendo ser eles ditaduras, como por exemplo a Síria, enquanto apoiam outros regimes autoritários como o da Arábia Saudita?

Tais intervenções não têm nenhuma relação com os regimes políticos dos países ou com questões relativas a direitos humanos. Isso serve apenas como justificativa. Os EUA apoiam qualquer regime que os favoreça e combatem quaisquer regimes refratários aos seus interesses. Na América Latina, por exemplo, não se acanharam em derrubar regimes democráticos e instituir ditaduras que os favoreciam. No Oriente Médio, combatem algumas ditaduras, como sem dúvida era a de Saddam Hussein, a quem armaram quando queriam que ele combatesse o Irã, mas não se envergonham em apoiar regimes medievais como o da Arábia Saudita, o dos Emirados Árabes ou o do Kuwait, entre vários outros.

É tudo realpolitik. A Pax Americana prescinde de democracia.

O Sionismo, Israel e as políticas genocidas

Israel bombardeia alvos indiscriminadamente em Gaza. Meta é ocupar toda área, a qualquer custo. Malta Today/Reprodução

Por Rennan Martins

O presente artigo tem por finalidade traçar um breve histórico do Sionismo e suas origens, e em seguida analisar a retórica das autoridades israelenses em torno das tensões históricas com o povo palestino na Faixa de Gaza, para então comparar esta com as reais políticas implementadas na localidade.

Sustento nele a tese de que há distorção deliberada da realidade por meio de narrativas favoráveis, primeiramente produzidas pelas autoridades governamentais do Estado de Israel. Estas narrativas são reverberadas acriticamente pelos grandes meios de comunicação ocidentais, principalmente os norte-americanos. A atuação integrada entre os elementos citados fabrica o consenso da opinião internacional acerca da tolerância aos sistemáticos crimes de guerra e de lesa-humanidade praticados por parte do regime sionista.

O Sionismo: histórico e visões

O ensaio de Hanna Braun, datado de 2001 e intitulado A Basic History of Zionism and its Relation to Judaism, traça um histórico esclarecedor do movimento sionista político – o que impulsionou a posterior fundação do Estado de Israel, em 1948. Vejamos algumas informações que nele constam.

Seu fundador foi o jornalista Theodore Herzl (1860 – 1904), judeu nascido em Viena. Herzl foi enviado a Paris em 1894 para cobrir o caso Dreyffus, que trouxe a luz um forte antissemitismo, tanto no alto escalão das Forças Armadas, quanto na imprensa francesa.

Ao se deparar com esta pesada carga de antissemitismo, Herzl chegou a conclusão de que os judeus só teriam paz quando formassem seu próprio Estado, e assim passou a divulgar a causa denominada sionista.

Na época ganhou projeção, o que o aproximou de diversas autoridades e diplomatas. O resultado foi o Império Britânico, maior potência mundial daqueles tempos, oferecendo a Uganda ou a Argentina como possíveis locais para construção de um país judeu.

Porém, já no primeiro Congresso Sionista, realizado em 1897, na cidade de Basle, Herzl deparou-se com a majoritária parte do movimento – a dos judeus ortodoxos do leste europeu – aliados em torno da ideia de não aceitar outra terra que não a de Sião. Esta corrente iniciara a ocupação por meio da compra das terras palestinas e se guiavam mais por valores religiosos do que por um sentimento nacionalista.

Herzl aderiu a tese da volta a Sião antes mesmo do congresso citado, e em seu livro Der Judenstaat (O Estado Judeu) deu o tom, declarando que o futuro país seria “uma trincheira da Europa contra a Ásia, da civilização contra a barbárie”, conclamava ainda que os sionistas deveriam se negar a cooperar e trabalhar com não-judeus após ocupação da Palestina.

Estes princípios norteadores prevaleceram, mesmo sob os protestos das lideranças árabes, que denunciavam as políticas de não contratação e boicote ao comércio que sofriam. Em 1919, o primeiro-ministro britânico, Lord Balfour, assim escreveu: “Na Palestina, nós nem mesmo propomos consultar os habitantes. As propostas e anseios imediatos (dos sionistas) para seu futuro são muito mais importantes que as demandas e prejuízos dos 700.00 árabes que hoje vivem na Palestina.”

Os primeiros levantes palestinos se deram na terceira década do século XX. O pior destes fora o de 1929, quando massacrou-se 65 judeus. Estas revoltas foram alimentadas, principalmente, pelas hostilidades praticadas pelos judeus do leste Europeu que para lá migraram.

A autora, que exilou-se na Palestina em 1937 para escapar da Alemanha Nazista e em 1958 emigrou para a Inglaterra, desiludida com o Estado israelense, prossegue relatando muito do que vivenciou, chegando a alegar que Hitler foi simpático com o sionismo “assim como outros movimentos da direita antissemita”. Concluiu ela que Israel caminha para uma perigosa teocracia “muito parecida com o Talibã”.

Com análises também pertinentes e corroborantes com a visão de Braun, temos Hannah Arendt, filósofa alemã de origem judia, que na década de 40 diagnosticou diversas contradições da doutrina sionista, estas observáveis ainda hoje.

Arendt considerava impossível a construção da paz em um país que encara seus vizinhos como inimigos, enxergava o nacionalismo sionista como dependente de uma potência estrangeira, considerando que este só conseguia agir pela força bruta.

Em 1944, em seu livro Zionism Reconsidered, alertava: “Judeus que conhecem sua história sabem que esta situação gerará uma nova e inevitável onda de ódio aos judeus; o antissemitismo de amanhã notará que os judeus não somente lucraram com a presença de uma grande potência estrangeira como a premeditaram e, por isso, são culpados das consequências…”

Arendt previu, em 1948, que o futuro de Israel seria algo como a cidade de Esparta, em que a cultura judaica seria desprezada, e o país giraria em torno das estratégias militares.

O conflito em Gaza: retórica e fatos

A mais nova investida israelense na Faixa de Gaza teve início depois do assassinato de três jovens israelenses, que tiveram seus corpos encontrados no dia 30 de junho, em Hebrom. Este crime rapidamente foi retaliado por grupos judeus radicais os quais queimaram vivo um rapaz palestino.

O governo do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu se prontificou a imputar a autoria do crime contra seus cidadãos ao Hamas, conseguindo pretexto pra mais uma brutal intervenção militar que já deixou 1865 palestinos mortos, 408 deles crianças. Em meio ao conflito, descobriu-se que o Hamas não tinha parte no crime em questão, mas esse é um mero detalhe para os sionistas.

Por trás da retórica da autodefesa e do combate ao terrorismo, o que se encontra é a intenção de sufocar a existência dos palestinos em Gaza, para assim ocupar todo o território com colonos etnicamente compatíveis a um Estado judeu.

O argumento do combate ao terrorismo é repercutido pela mídia ocidental sem o mínimo de reflexão. Este não se sustenta, tendo em vista que a lei internacional reconhece que a resistência a uma ocupação estrangeira é legítima e não configura terrorismo. Os atos terroristas são isolados se levarmos em conta essa questão.

É também extremamente incompatível com a realidade alegar que Israel pratica autodefesa. Enquanto a imensa maioria dos foguetes do Hamas nem sequer atinge o solo israelense, o que vemos é Israel bombardear 6 escolas da ONU nos últimos ataques, destruindo até mesmo a única usinade energia palestina. Tudo isso com a cumplicidade dos Estados Unidos, que aprovaram nos últimos dias uma ajuda de 225 milhões de dólares, ajuda esta que visa recompor os sistemas de misseis “de defesa”.

Outra distorção que praticam, em conjunto com os meios de comunicação é declararem-se uma democracia contra o autoritarismo dos muçulmanos. Israel não possui nem mesmo constituição, está a mercê de qualquer arbitrariedade das autoridades sionistas. A atuação da imprensa é submetida a censura, que advertiu até mesmo o New York Times no último dia 2. Pouco se fala sobre este extremo autoritarismo, porém, trata-se de autocensura dos veículos favoráveis, pois, quando questionada sobre esta prática, a chefe da polícia federal israelense, Jodi Rudoren, alegou que todos devem submeter-se a ela “assim como as leis de trânsito ou qualquer outra lei do país”.

Temos também a falácia que diz que o Hamas usa civis como “escudo humano”. Esta cai por terra quando constatamos o bombardeio a escolas citado, mas fica ainda mais evidente se lembrarmos do ataque de mísseis que matou 4 crianças palestinas que brincavam numa praia em Gaza, no último dia 15. Este foi testemunhado e relatado pelo correspondente do The Guardian, Peter Beaumont.

Mas, por vezes, os articulistas escalados na promoção e defesa das práticas sionistas pecam pela sinceridade, e acabam nos expondo a verdade. No último dia 1, o Times of Israel publicou artigo intitulado When Genocide is Permissible, no qual o autor Yochanan Gordon defende que em circunstâncias específicas o genocídio não é somente permissível mas necessário. A publicação foi tirada do ar, mas o cache está disponível.

A real razão desta nova investida se dá na histórica aliança entre Fatah e Hamas, que formaram no início do ano uma coalizão governamental. Este ganho de força e representatividade palestina não pode ser tolerado por Israel e suas políticas colonialistas e higienistas.

Israel procura inviabilizar de todas as formas a existência dos palestinos e um dos principais meios para isto é o bloqueio econômico, vigente desde 2006. Qualquer entrada ou saída de mercadoria da Faixa de Gaza está sujeita a primeiramente o arbítrio das autoridades israelenses quanto a pertinência e conveniência da transação, se aprovada, inserem nela ainda os impostos.

O desemprego na região é de 40% e a população local precisa de constante ajuda humanitária. Além disso, Israel controla os recursos hídricos de Gaza, que não tem acesso ao mínimo per capita necessário para uma vida digna.

No último dia 5, a alta comissária das Nações Unidas, Navi Pillay, declarou que Israel tem “a necessidade agora mais do que nunca para que se assumam responsabilidade pelas crescentes evidências de crimes de guerra e um número nunca visto de vítimas civis, incluindo crianças”.

Fidel Castro pronunciou-se em artigo publicado originalmente no Granma, também no dia 5, com uma interessante reflexão: “O genocídio dos nazistas contra os judeus colheu o ódio de todos os povos da terra. Por que acredita o governo desse país que o mundo será insensível a este macabro genocídio que hoje está cometendo contra o povo palestino? Por acaso se espera que ignore quanto há de cumplicidade por parte do império norte-americano neste massacre desavergonhado?”

Israel e EUA mantinham a opinião pública concordante ao massacre em Gaza por meio da censura israelense concomitante ao circo midiático que fabricava o consenso. Passaram a ser derrotados moralmente pela divulgação de informações reais que a massificação das tecnologias de mídia tornou possível. Esse é o início da queda da tirania.

Aeroporto de Cláudio pode ter servido ao tráfico de drogas

Via Poços 10

O aeroporto do município de Cláudio (MG) vinha sendo administrado, entre outros, pelo empresário Tancredo Aladim Rocha Tolentino, um dos presos numa operação da Polícia Federal (PF) realizada em 2012, sob a suspeita de integrar uma quadrilha especializada na compra e venda de sentenças em Minas Gerais. Um dos objetivos da quadrilha era obter a libertação de traficantes de drogas.

Tancredo Tolentino ou Quêdo, como o empresário é conhecido na região de Cláudio, é um dos filhos de Múcio Guimarães Tolentino, tio-avô do senador Aécio Neves (PSDB), o dono das terras desapropriadas pelo governo de Minas Gerais, nas quais foi construído o aeroporto da cidade mineira. A obra foi concluída no último ano da administração Aécio (2010) e custou aos cofres do Estado a bagatela de R$ 14 milhões (valor de 2010).

Além de todo o debate já gerado do ponto de vista da ética da gestão pública, pelo fato de o aeroporto ter beneficiado a família do então governador de Minas Gerais, Aécio Neves, e de nele ter sido investido tanto dinheiro público, a ligação de Quêdo com o aeródromo chamou a atenção da polícia.

Passou-se a suspeitar que a pista de Cláudio tenha sido usada também como rota do tráfico de drogas. Reforça a tese policial o fato de que o helicóptero da Limeira Agropecuária, empresa que pertence aos filhos do senador Zezé Perrella (PDT), e que foi apreendido também pela PF transportando 445 quilos de cocaína pousou na região de Cláudio para abastecer antes de seguir para o Espirito Santo.

A quadrilha na qual Quêdo estaria envolvido contava também com os serviços de um desembargador do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), Hélcio Valentim de Andrade Filho, da 7ª Vara Criminal (afastado pelo Conselho Nacional de Justiça – CNJ), e um total de 13 investigados. O caso está na Justiça.

Com R7

Rússia fecha mercado aos países que lhe impuseram sanções

Via RT

Telegraph/Reprodução

O presidente da Rússia, Vladímir Putin, firmou um decreto o qual proíbe ou restringe, por um ano, a entrada de produtos dos países que estão impondo sanções contra a Rússia.

O decreto que trata “da aplicação de determinadas medidas econômicas especiais, para garantir a segurança da Federação da Rússia”, entrou em vigência ontem (6), segundo o site do Kremlin.

É previsto que as medidas aprovadas vigorem por um ano.

Desde esta quarta (6) está proibida ou restringida a entrada em território russo, de produtos agrícolas, alimentos e matérias-primas originários dos países que se uniram as políticas de sanções de Washington e Bruxelas.

As medidas tomadas por Putin aplicam-se aos Estados que “decidiram impor sanções econômicas contra pessoas jurídicas ou físicas russas, ou se uniram a decisão”, segundo o documento. Desta forma, Rússia fecha seu mercado aos produtos dos EUA, União Europeia, Noruega, Austrália e Canadá.

O presidente russo instruiu ao governo que determine os produtos que não podem ser importados dos países que adotaram sanções contra Moscou. A listagem dos produtos agrícolas e alimentícios cuja entrada será proibida em território russo já está em realização, segundo a porta-voz do primeiro-ministro russo, Natalia Timakova.

O setor agrário russo deve assumir a produção de mercadorias que antes eram importadas

A agroindústria russa tem suficiente capacidade para compensar os produtos que a Rússia proibiu de importar, provenientes dos EUA, UE, Noruega, Austrália e Canadá, países que estão embargados devido a sanções aplicadas contra a Rússia, afirmou a Itar-Tass, o diretor da Associação de Produtores e Provedores de Produtos Alimentares, Maxim Protásov.

Muitas categorias de produtores russos estão dispostos a aumentar a capacidade de produção para atingir este objetivo, assegurou Protásov.

Além disso, o decreto de Putin fomenta indiretamente o consumo de produtos orgânicos do mercado local, segundo o presidente do Comitê da Duma, a Estatal de Questões Agrícolas, Nikolái Pankov.

Ainda segundo o político, as medidas aprovadas pelo presidente russo também estimularão a produtividade da agricultura, atraindo maiores investimentos nas empresas dos ramos agrícolas correspondentes, resultando em aumento dos postos de trabalho no setor agroindustrial.

Na última terça, o chefe do Estado russo transmitiu ao governo instruções no sentido de preparar uma resposta “cautelosa” as sanções do Ocidente. “Devemos atuar com muito cuidado a fim de apoiar aos produtores nacionais e não prejudicar os consumidores”, sublinhou o presidente.

No último dia 29, a União Europeia impôs sanções econômicas a Rússia, estas afetam os setores da indústria petroleira e da Defesa, produtos de duplo uso e tecnologias sensíveis. As sanções entraram em vigor dia 1 de agosto.

Tradução: Rennan Martins

Império na ofensiva

Por Igor Fuser, via Brasil de Fato

Na América Latina, o imperialismo se encontra em ple­na ofensiva para destruir o campo político progressista que tem como expressões mais importantes a Venezue­la, a Argentina e o Brasil

Em 1992, no contexto do fim da Guerra Fria e da vitória militar dos Estados Unidos sobre o Iraque na 1ª Guerra do Golfo, um grupo de altos funcionários do go­verno estadunidense, coordenado por Paul Wolfowitz, elaborou um texto com as linhas mestras para a estraté­gia de Washington após a dissolução da União Soviética.

O Relatório Wolfowitz, como ficou conhecido, estabele­ceu duas prioridades centrais. A primeira: prevenir o sur­gimento de uma nova potência capaz de desafiar os EUA em escala global. A segunda: dissuadir “potenciais com­petidores” de contrariar os interesses estadunidenses em qualquer região do planeta.

Passados mais de vinte anos, essas metas continuam a nortear a política externa dos EUA. Elas explicam a atual ofensiva do imperialismo em cenários tão dife­rentes quanto a Ucrânia, a América Latina e o Orien­te Médio.

O governo de Barack Obama agiu de modo delibera­do ao romper o equilíbrio político da Ucrânia a fim de in­cluir aquele país na Otan, com vistas a debilitar a Rús­sia (potência regional refratária aos ditames de Washing­ton), manter a União Europeia sob o controle do Tio Sam e bloquear o projeto de integração da Eurásia impulsiona­do pela Rússia e pela China (única potência em condições de rivalizar com os EUA).

Na América Latina, o imperialismo se encontra em ple­na ofensiva para destruir o campo político progressista que tem como expressões mais importantes a Venezue­la, a Argentina e o Brasil. Tanto a campanha de desesta­bilização do presidente Nicolás Maduro quanto a cum­plicidade de Washington com o ataque dos “fundos abu­tres” à Argentina obedecem à mesma lógica, de dobrar a região do mundo que mais tem se mostrado insubmissa aos EUA.

A campanha contra o Irã (outra possível potência regio­nal) e o apoio incondicional às ações genocidas de Isra­el (o pit bull de estimação do Império) estão igualmente a serviço dessa estratégia mais geral que o cientista político Immanuel Wallerstein definiu como “a tentativa de res­taurar o irrestaurável: a hegemonia estadunidense no sis­tema-mundo”. Segundo ele, “isto faz dos Estados Unidos um ator muito perigoso”.

Crise do setor é maior desafio para novo presidente, diz Belluzzo

Por Vanessa Jurgenfeld, via Valor Econômico

A indústria é o maior problema a ser enfrentado em 2015 pelo presidente eleito, diz Luiz Gonzaga Belluzzo, o professor do Instituto de Economia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). “Nós caímos no conto de que a manufatura não tinha importância. O Brasil está abrindo mão da sua manufatura, esse é um problema estrutural da economia brasileira e é o maior problema que o próximo presidente vai ter que enfrentar.”

A afirmação foi feita durante a palestra “Diagnóstico da Economia Brasileira e Recomendações para o Próximo Presidente”, ontem à noite na Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (Fespsp). “Mudar a orientação da política econômica, de modo a recuperar e promover um processo de industrialização, mesmo que em bases modestas do ponto de vista temporal, de modo que o Brasil não se transforme simplesmente em um produtor de commodities”, esse é o desafio, segundo o economista.

Na avaliação de Belluzzo, o país vive uma desaceleração muito forte e isso pode levar à recessão econômica (quando a economia registra dois trimestres consecutivos de crescimento negativo no PIB). Ele citou entre os principais fatores para essa situação o desempenho do setor industrial, que apresenta queda relevante de produção, principalmente no setor automotivo, que iniciou demissões.

Belluzzo lembrou que a crise argentina tem dado uma contribuição adicional para os problemas da indústria no que diz respeito à queda da exportação manufatureira brasileira, mas destacou que os problemas da indústria brasileira vêm de mais longo prazo.

Segundo ele, a valorização cambial é um dos s principais elementos negativos para a indústria. Nos últimos 20 anos, desde a estabilização de preços do Plano Real, houve vários períodos de forte valorização da moeda nacional, por isso Belluzzo considera esse um problema de longo prazo estrutural.

“Temos que compreender o longo processo de valorização cambial que a economia brasileira viveu, porque ela é crucial para entender o que a economia vive hoje”, disse. “A indústria sofre há anos a queda do nível de produção. Ela está encolhendo. O setor de bens de capital está praticamente destruído, não só pela valorização cambial, mas por outras razões. Uma das razões do baixo crescimento do país é que a indústria não cresce.” Para Belluzzo, ao se descuidar da indústria, o país cometeu “um erro estratégico de longo prazo, que produz consequências graves da qual é difícil de sair”.

Segundo o economista, o efeito que a medida teria sobre a inflação é um dos motivos que leva o Banco Central a não desvalorizar o real. “Estamos encalacrados nessa situação difícil”, afirmou. “Seria um desastre se a inflação saísse desses 5,7% e 6% em que está e saltasse para 10% ou 12%. Você começaria um processo de reindexação de novo”, alerta Belluzzo.

A valorização cambial, lembrou, deu origem a uma mudança na origem de peças, componentes e bens de capital, com favorecimento desse fornecimento a partir de produção na China, com custos menores do que o Brasil. “A valorização cambial tornou o Brasil um país caro para se produzir. Enquanto isso, a China manteve o yuan desvalorizado pela sua estratégia de industrialização.”

Outro problema para quem for eleito presidente, segundo Belluzzo, é que será preciso enfrentar o reajuste dos combustíveis. “O não reajuste afeta diretamente o caixa da Petrobras. A Petrobras é grande demandante de equipamentos, várias empresas se constituíram para atender à demanda da Petrobras e elas não recebem. Essa questão é muito importante, porque o investimento da Petrobras significa 10% da taxa de investimento hoje da economia brasileira. Temos aí um problema grave.”

Fidel Castro: Holocausto palestino em Gaza

Por Fidel Castro, via Portal Vermelho

Fidel recebe o presidente da Rússia, Vladimir Putin, em Havana, em julho.

Novamente, peço ao Granma que não dedique espaço de primeiro plano a estas linhas, relativamente breves, sobre o genocídio que se está cometendo contra os palestinos. Escrevo-as com rapidez apenas para deixar constância do que requer meditação profunda.

Penso que uma nova e repugnante forma de fascismo está surgindo com notável força neste momento da história humana, no qual mais de sete bilhões de habitantes se esforçam pela própria sobrevivência.

Nenhuma destas circunstâncias tem a ver com a criação do Império Romano há cerca de 2.400 anos, ou com o império norte-americano que, nesta região do mundo, há apenas 200 anos, foi descrito por Simón Bolívar quando exclamou que: “(…) os Estados Unidos parecem destinados pela Providência a infestar a América com misérias em nome da Liberdade”.

A Inglaterra foi a primeira real potência colonial que usou seus domínios sobre grande parte da África, do Oriente Médio, da Ásia, Austrália, América do Norte e muitas das ilhas antilhanas, na primeira metade do século 20.

Não falarei, nesta ocasião, das guerras e dos crimes cometidos pelo império dos Estados Unidos ao longo de mais de cem anos, mas só registrarei o que quis fazer com Cuba, o que fez com muitos outros países no mundo e só serviu para provar que “uma ideia justa desde o fundo de uma caverna pode mais do que um Exército”.

A história é muito mais complicada do que tudo o que foi dito, mas foi assim, em grandes traços, como a conheceram os habitantes da Palestina e, é lógico, igualmente, que nos meios modernos de comunicação se reflitam as notícias que diariamente chegam; assim ocorreu com a vexatória e criminosa guerra na Faixa de Gaza, um pedaço de terra onde vive a população do que restou da Palestina independente até apenas meio século atrás.

A agência francesa AFP informou, no sábado (2): “A guerra entre o movimento islamita palestino Hamas e Israel causou a morte de cerca de 1.800 palestinos (…), a destruição de milhares de lares e a ruína de uma economia já debilitada”, ainda que não assinale, à partida, quem iniciou a terrível guerra.

Depois adiciona: “(…) no sábado, ao meio-dia, a ofensiva israelense havia matado 1.712 palestinos e ferido 8.900. As Nações Unidas puderam verificar a identidade de 1.117 mortos, majoritariamente civis. (…) A Unicef contabilizou ao menos 296 menores [de idade] mortos”.

“As Nações Unidas estimaram (…) (cerca de 58.900 pessoas) sem casas na Faixa de Gaza.”

“Dez dos 32 hospitais fecharam e outros 11 foram afetados.”

“Este enclave palestino de 362 quilômetros quadrados não dispõe tampouco das infraestruturas necessárias para os 1,8 milhão de habitantes, sobretudo em termos de distribuição de eletricidade e de água.”

“Segundo o Fundo Monetário Internacional, a taxa de desemprego ultrapassa 40% na Faixa de Gaza, território submetido, desde 2006, a um bloqueio israelense. Em 2000, o desemprego afetava cerca de 20% e, em 2011, cerca de 30%. Mais de 70% da população depende da ajuda humanitária em tempos normais, segundo o Gisha [Centro Legal para a Liberdade de Movimentação].”

O governo de Israel declara uma trégua humanitária em Gaza às 07h00 (hora de Greenwich) desta segunda-feira (4), entretanto, às poucas horas rompeu a trégua ao atacar uma casa em que 30 pessoas, em sua maioria mulheres e crianças, foram feridas e, entre elas, uma menina de oito anos, que morreu.

Na madrugada deste mesmo dia, 10 palestinos morreram como consequência dos ataques israelenses em toda a Faixa e já subiu a quase dois mil o número de palestinos assassinados.

A matança chegou a tal ponto que o “ministro das Relações Exteriores da França, Laurent Fabius, anunciou nesta segunda-feira que o direito de Israel à segurança não justifica o ‘massacre de civis’ que está perpetrando”.

O genocídio dos nazistas contra os judeus colheu o ódio de todos os povos da terra. Por que acredita o governo desse país que o mundo será insensível a este macabro genocídio que hoje está cometendo contra o povo palestino? Por acaso se espera que ignore quanto há de cumplicidade por parte do império norte-americano neste massacre desavergonhado?

A espécie humana vive uma etapa sem precedentes na história. Um choque de aviões militares ou aeronaves de guerra que se vigiam estreitamente ou outros fatos similares podem desatar uma contenda com o emprego das sofisticadas armas modernas que se converteria na última aventura do conhecido Homo sapiens.

Há fatos que refletem a incapacidade quase total dos Estados Unidos para enfrentar os problemas atuais do mundo. Pode-se afirmar que não há governo nesse país, nem o Senado, nem o Congresso, a Agência Central de Inteligência, o Pentágono, que determinarão o desenlace final. É triste, realmente, que isso ocorra quando os perigos são maiores, mas também as possibilidades de seguir adiante.

Quando houve a Grande Guerra Patriótica, os cidadãos russos defenderam seu país como espartanos; subestimá-los foi o pior erro dos Estados Unidos e da Europa. Seus aliados mais próximos, os chineses, que, como os russos, obtiveram a sua vitória a partir dos mesmos princípios, constituem hoje a força econômica mais dinâmica da terra. Os países querem yuanes, e não dólares, para adquirir bens e tecnologia e incrementar o seu comércio.

Novas e imprescindíveis forças surgiram. Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, cujos vínculos com a América Latina e com a maioria dos países do Caribe e da África, que lutam pelo desenvolvimento, constituem a força que, em nossa época, está disposta a colaborar com o resto dos países do mundo sem excluir os Estados Unidos, a Europa e o Japão.

Culpar a Federação Russa pela destruição, em pleno voo, do avião da Malásia é de um simplismo desconcertante. Nem Vladimir Putin ou Serguei Lavrov, ministro das Relações Exteriores da Rússia, nem os demais dirigentes deste governo fariam, jamais, semelhante disparate.

Vinte e seis milhões de russos morreram na defesa da Pátria contra o nazismo. Os combatentes chineses, homens e mulheres, filhos de um povo de cultura milenar, são pessoas de inteligência privilegiada e espirito de luta invencível, e Xi Jinping é um dos líderes revolucionários mais firmes e capazes que já conheci na minha vida.

Fidel Castro Ruz

4 de agosto de 2014

22h45

Fonte: Granma

Tradução de Moara Crivelente, da Redação do Vermelho