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Ex-Marina defende interromper exploração do pré-sal. Sabe o que significa?

Por Renato Rovai | Via Revista Fórum

Cenário Tocantins/Reprodução

O Globo de hoje anuncia em primeira página que a candidata do PSB, Marina Silva, planeja reduzir a importância do pré-sal na produção de combustíveis. Num encontro com produtores de etanol, na Feira Internacional de Teconologia Sucroenergética (Fenasucro), em Sertãozinho, Marina, para foi ovacionada quando disse: “temos que sair da idade do petróleo”. E também quando prometeu disse vai revigorar o álcool, dando incentivo para os produtores do setor.

O governo estima que em dez anos o Brasil extrairá US$ 112,5 bilhões em recursos para a área de saúde e educação com o pré-sal. E que em pouco tempo o país se tornará um exportador de petróleo.

Isso significará não apenas a nossa auto-suficiência energética, mas o Brasil também se tornará um país mais importante do ponto de vista geopolítico.

É isso que está em jogo e que incomoda profundamente os falcões americanos. Eles não querem o desenvolvimento do Brasil e muito menos o nosso fortalecimento internacional.

Um Brasil forte não interessa aos EUA. Desde sempre.

E por isso, sempre houve pressão para que a extração nas camadas de pré-sal fosse entregue a grandes empresas privadas, se possível americanas. E não fosse realizada pela Petrobras.

Os gringos querem o pré-sal para eles.

Mas como a campanha de Marina vai lidar com o assunto, segundo o Globo. Ela vai criar um grupo de especialistas para avaliar os riscos envolvidos na exploração do pré-sal e vai apresentá-los à sociedade.

Que especialistas, cara-pálida? A turma do Eduardo Gianetti da Fonseca, que defende a cobrança de mensalidade para “estudantes que podem pagar” nas universidades públicas.

O Globo procurou um especialista que pelo jeito não é da turma do Gianetti e a resposta à consulta foi óbvia. Nivaldo de Castro, coordenador do setor Elétrico da UFRJ disse que “seria uma decisão estratégica que alteraria substancialmente a capacidade de investimentos do país em duas áreas fundamentais para o Brasil entrar numa rota de desenvolvimento social, a Educação e a Saúde”.

Castro ainda acrescenta que diminuir investimento não seria uma boa estratégia porque o país perderia a liderança tecnológica na exploração da camada do pré-sal.

Mas aí vem a pergunta. Não seria uma boa estratégia para quem interromper os investimentos da Petrobras no pré-sal para o Brasil perder a liderança tecnológica neste setor?

Só não seria uma boa estratégia para o Brasil, os brasileiros e a Petrobras. Para os EUA e para suas empresas de exploração, como a Exxon isso seria lindo e maravilhoso.

Mesmo que depois de interromper a exploração por um determinado tempo o Brasil decidisse voltar a explorar o pré-sal, já estaríamos defasados tecnologicamente. E superados. E aí teríamos de terceirizar a exploração.

É um jogo absolutamente bruto que está por trás dessa decisão. Em nome de uma causa em tese ecológica, vamos entregar nossas reservas e abrir mão do nosso futuro.

Ao mesmo tempo que promete interromper o pré-sal para discutir as consequências da exploração, Marina diz que nunca foi contra os transgênicos.

E ainda está se comprometendo a priorizar acordos bilaterais em detrimento do Mercosul.

Marina está virando ex-Marina. É muita mudança em pouquíssimo tempo.

PS: A defesa do Banco Central independente e da interrupção da exploração do pré-sal vão ajudar muito a campanha do PSB a arrecadar. Por isso o tesoureiro Márcio França já disse que não tem essa de não aceitar recursos de empresas de armas ou qualquer outra área. Vale tudo, desde que seja legal, segundo ele. Vai chover dinheiro na hortinha do PSB com esses novos compromissos que passam a a ser assumidos agora. Não vai ser necessário nem usar semente transgênica para multiplicar os recursos.

Santayana: O Brasil e os próximos anos

Por Mauro Santayana | Via JB

À medida que estamos mais perto da eleição, se evidencia também a necessidade de avaliar as opções estratégicas que aguardam o Brasil nos próximos anos.

Hoje, muita gente acha que se nos aproximarmos muito do mundo em desenvolvimento, como a América do Sul, África e as potências emergentes às quais estamos unidos no BRICS – Rússia, Índia, China, África do Sul – estaremos nos afastando cada vez mais da Europa e dos EUA.

Há, entre certos tipos de brasileiros, os que continuam cultuando apenas o que existe em Nova Iorque, Miami ou Paris, como se não existisse mais nada neste mundo, e os arranha-céus mais altos do planeta não estivessem sendo construídos – para ficar apenas no símbolo de modernidade e pujança das “skylines” que fizeram a fama dos EUA – em cidades como Moscou, Dubai, ou Xangai.

Ataca-se a China por censurar o Google, mas não se atacam os EUA por usarem a internet para espionarem e chantagearem milhões de pessoas em todo o mundo, incluindo nações de quem se dizem “aliados” como é o caso do Brasil e da Alemanha.

Atacam-se os países do MERCOSUL por nos impor barreiras comerciais, mas não a Europa e os Estados Unidos por terem feito conosco exatamente o mesmo, nos últimos 200 anos, bloqueando – sempre que puderam – o desenvolvimento de tecnologia em nosso continente e absorvendo, antes e depois de nossa independência, basicamente matérias-primas.

Muitos esquecem que o MERCOSUL, com todas suas barreiras, continua o maior, e, às vezes, o único destino para nossas manufaturas. Que só para países como a Venezuela temos aumentado nossas exportações nos últimos anos.

Isso, enquanto têm diminuído nossas vendas e nossos ganhos – e os do resto do mundo – com a Europa e os EUA, no esteio das consequências de uma crise que já dura vários anos e que teve sua origem na desorganização e irresponsabilidade de do sistema financeiro que está sediado ao norte da linha do Equador.

A pergunta que cabe que nos façamos nos próximos anos é a seguinte: a que mundo pertencemos?

Ao da Europa e dos EUA, que sempre nos trataram como colônia e cidadãos de segunda classe a ponto de termos tido milhares de brasileiros expulsos de seus aeroportos há pouquíssimo tempo?

Ou ao mundo em desenvolvimento, onde a cooperação e a necessidade de agregar centenas de milhões de pessoas a uma vida mais digna abre a porta para a oportunidade da realização de acordos e negócios que podem influenciar e melhorar também nosso futuro?

Assim como ocorre na área comercial e diplomática, o Brasil precisa melhorar sua condição de negociação com os EUA e a Europa na área de defesa, usando, para isso, a perspectiva e a ameaça, sempre presentes, de nos aproximarmos, também nessa área, cada vez mais dos BRICS.

Os Estados Unidos e a Europa sempre se mostraram refratários a transferir tecnologia sensível ao Brasil e a outras nações latino-americanas.

Os avanços conseguidos nesse campo pelos governos militares foram feitos a fórceps, como ocorreu nas áreas bélica e aeroespacial, depois do rompimento, pelo Governo Geisel, dos acordos de cooperação com os EUA na área militar, e a aproximação com a Alemanha no campo da utilização pacífica da energia atômica.

Os países “ocidentais” só aceitam transferir um mínimo de tecnologia bélica para países como o Brasil, quando a isso se veem obrigados pelas circunstâncias.

Isso ocorre no caso em que estejamos prestes a alcançar certos avanços sozinhos – e aí eles se aproximam para “monitorar” e “medir” nossos avanços- ou se tivermos outros parceiros, como China ou Rússia – dispostos a transferir para nossas empresas, técnicos ou cientistas, esse conhecimento.

Depois do tímido esforço de rearmamento iniciado pelos dois últimos governos, virou moda, nos portais mais conservadores, se perguntar contra quem estamos nos armando, se vamos invadir nossos vizinhos, ou, ridiculamente combater os Estados Unidos.

Muitos se esquecem, no campo da transferência de tecnologia na área de defesa, que sempre fomos tratados pelos Estados Unidos como um inimigo ao qual não se deve ajudar, em hipótese alguma, a não ser vendendo armas obsoletas ou de segunda mão.

No programa FX, de compra de caças para a Força Aérea, a BOEING norte-americana só concordou em transferir tecnologia para a Embraer – acordo que teria, antes de concretizado, de ser aprovado pelo congresso norte-americano – depois que os franceses, com o RAFALE, e os suecos, com o GRIPPEN NG BR, já tinham concordado em fazer o mesmo. E isso quando vários oficiais da Força Aérea brasileira se manifestavam nos fóruns, torcendo abertamente pelo SUKHOI S-35 russo.

O melhor exemplo do que pode ocorrer, em caso de conflito, principalmente com algum país ocidental, se dependermos da Europa ou dos EUA para nos defendermos, é o argentino.

Na Guerra das Malvinas, as mesmas empresas que, antes, forneciam armas e munição para que o Regime Militar massacrasse a população civil, em nome da “guerra interna”, das “fronteiras ideológicas” e do “anticomunismo”, deixaram de fornecer armas e peças de reposição às forças armadas daquele país, para que não fossem usadas contra a Inglaterra.

Os Estados Unidos só concordariam em fornecer armamento avançado ao Brasil, mas nunca no nível do deles, caso aceitássemos nos transformar em seus cães de guarda na América do Sul, como o faz Israel no Oriente Médio; ajudássemos a criar uma OTAN no hemisfério sul; ou concordássemos, como é o caso da Itália ou a Espanha, em participar, sub-alternamente, em “intervenções” como as feitas por Washington em países como a Líbia, o Iraque e o Afeganistão, correndo o risco de indispor-nos com milhões de brasileiros de origem árabe e de virar, de um dia para o outro, alvo de ataques, em nosso próprio território, de organizações radicais islâmicas.

Nos últimos anos, conseguimos desenvolver uma nova família de armas individuais 100% nacional, as carabinas e fuzis IA-2, da IMBEL; uma nova família de blindados leves, a Guarani, dos quais 2.050 estão sendo construídos também em Minas Gerais; desenvolvemos o novo jato militar cargueiro KC-390, da Embraer, capaz de carregar dezenas de soldados, tanques ligeiros ou peças de artilharia; voltamos a fortalecer a AVIBRAS, com a compra do novo sistema ASTROS 2020, e o desenvolvimento de mísseis de cruzeiro com o alcance de 300 quilômetros; estamos construindo no Brasil cinco novos submarinos, um deles a propulsão nuclear e reator nacional, com a França, um estaleiro e uma nova base para eles; desenvolvemos a família de radares SABER; foi fechada, com transferência de tecnologia e desenvolvimento conjunto com a Suécia, a construção em território brasileiro de 36 caças GRIPPEN NG-BR; conseguimos fazer, no Brasil, a “remotorização” de mísseis marítimos EXOCET; foi fechada a transferência de tecnologia e está sendo desenvolvido, com a África do Sul, o novo míssil ar-ar A-DARTER; foram comprados novos navios de patrulha oceânica ingleses; helicópteros e baterias antiaéreas russas; e aumentou-se a aquisição e a fabricação de helicópteros militares montados na fábrica da HELIBRAS.

Esses projetos, que envolvem bilhões de dólares, não podem, como já ocorreu no passado, ser interrompidos, descontinuados ou abandonados, nos próximos anos, pelo governo que assumir o poder a partir de janeiro de 2015.

Vivemos em um planeta cada vez mais multipolar, no qual os Estados Unidos e a Europa continuarão existindo e seguirão tentando lutando para se manter à tona contra uma lógica – e inexorável – tendência à decadência econômica, militar e geopolítica.

Nesse contexto, os EUA e a Europa têm que ser olhados por nós como potências que estão no mesmo plano, militar ou político, que a China, a Rússia, a Índia ou o próprio Brasil.

Como quinto maior país em população e extensão territorial, o Brasil tem a obrigação de negociar, e entrar no jogo, com todas essas potências, de igual para igual, e, nunca mais de forma subalterna. Sob a pena de perder o lugar que nos cabe neste novo mundo e neste novo século.

Gilmar Mendes e sua concepção de nazismo

Gilmar Mendes compara o TSE a um “tribunal nazista” por conta da decisão de impedir a candidatura de José Roberto Arruda. Pragmatismo Político/Reprodução

Por Rennan Martins | Brasília, 28/08/2014

Gilmar Mendes – ministro do Supremo Tribunal Federal e vice-presidente do Tribunal Superior Eleitoral – é uma figura pública controversa, com a carreira marcada por diversos atos no mínimo polêmicos. Ontem, aprontou mais uma.

Na terça-feira, concomitante a transmissão do primeiro debate entre presidenciáveis, o TSE decidia sobre a legalidade da candidatura de José Roberto Arruda (PR) ao governo do Distrito Federal. A decisão, tomada por 6 votos a 1, foi no sentido de negar o registro a Arruda, com base na lei da Ficha Limpa.

Mantendo sua estranha coerência, Gilmar Mendes comparou o TSE a um “tribunal nazista”, por conta da decisão citada. Disse ainda que a medida se enquadra em uma “brincadeira de menino”.

Pra que entendam a estranha coerência do nosso ministro, necessário é listar mais algumas de suas atuações e decisões.

Mendes foi quem concedeu habeas corpus a Roger Abdelmassih, o médico cirurgião acusado de dezenas de estupros e condenado a 278 anos de prisão, em 2010. Abdelmassih fugiu, só sendo preso novamente no último dia 19 deste mês.

Uma de suas vítimas, a escritora Teresa Cordioli, alegou que “O maior estupro foi feito pelo Gilmar Mendes, que o soltou”.

Mendes também foi solidário a Daniel Dantas, banqueiro preso na Operação Satiagraha. No caso de Dantas, o habeas corpus foi concedido duas vezes, o que gerou críticas por parte do jurista Dalmo Dallari e uma carta aberta de repúdio assinada por nada menos que 42 procuradores da República.

No ano passado, a OAB e a CNBB entraram com uma Ação Direta de Inconstitucionalidade junto ao STF, questionando o financiamento de campanhas eleitorais por parte de empresas. No dia 2 de abril deste ano, após 6 de 11 votos favoráveis a extinção deste tipo de financiamento – o que maioria e decisão – Gilmar pediu vista do processo, na intenção clara de protelar a vigência da medida.

E pra deixar clara sua predileção pelo poder econômico, oligárquico, não poderíamos deixar de lembrar que Gilmar Mendes concedeu habeas corpus a Cristina Maris Menick Ribeiro, denunciada pelo Ministério Público Federal por ter sumido com o processo impetrado contra a Globo pela sonegação de mais de 615 milhões de reais.

Somente pelos fatos listados neste pequeno artigo, nota-se o quanto é nefasta a figura do excelentíssimo na história de nosso país.

Diante da envergadura moral que exibe vossa excelência, pergunto. Qual é sua concepção de nazismo? Penso ser um conceito deveras intrigante.

Seminário internacional na Argentina reafirma: “Soberania ou abutres”

Por Leonardo Wexell Severo, via Brasil de Fato

Sindicalistas se mobilizam em apoio à decisão da presidenta Cristina Kirchner de enfrentar os abusos e atropelos do capital financeiro. Brasil de Fato/Reprodução

O seminário internacional “O contexto político mundial, a América Latina, o neoliberalismo e os novos cenários a partir da ação dos fundos abutres” reuniu no dia 21, em Buenos Aires, lideranças sindicais de 15 centrais de todo o mundo.

De acordo com Hugo Yasquy, presidente da Central de Trabalhadores da Argentina (CTA), entidade promotora do evento, “esta foi a primeira manifestação de apoio ao governo e ao povo argentino contra a especulação e pela libertação das garras do imperialismo”.

No dia 21, a presidenta Cristina Kirchner anunciou em cadeia de rádio e televisão o envio de um projeto de lei ao Congresso Nacional para reabrir a troca de títulos, trazendo para o país vizinho a jurisdição sobre bônus da dívida que se encontravam em mãos do Banco de Nova Iorque. A expectativa do governo é que a lei entre em vigor já em setembro, quando vence uma nova parcela da dívida de US$ 200 milhões.

Documento assinado pelas centrais denuncia que a decisão do juiz Thomas Griesa, do tribunal de Nova Iorque, permite que cerca de 7% dos portadores de títulos da dívida pública argentina, que não aceitaram a negociação realizada entre 2005 e 2010, agora recebessem as ações com um ágio que sangraria o país. Indicado pelo ex-presidente Richard Nixon, Griesa é vinculado ao “megainvestidor” estadunidense Paul Singer, um dos maiores financiadores do Partido Republicano.

“Esta é uma atitude injusta e irresponsável que privilegia e convalida os desmedidos apetites dos abutres financeiros em detrimento dos interesses soberanos da Argentina e castiga uma nação que desde há uma década, e com muitíssimo esforço, cumpre fielmente com seus compromissos internacionais”, assevera o manifesto das entidades. Desde 2005, a Argentina já desembolsou 190 bilhões de dólares para pagar suas “obrigações”.

Estas atitudes dos tribunais dos EUA, destaca o documento, são, além de tudo, “irresponsáveis”, porque “desprezam os enormes riscos que trazem à ordem mundial”, num contexto de “crise que afeta a muitos países centrais”, para “validar a ambição dos grupos financeiros por cima da soberania argentina e de qualquer outra nação do planeta”.

E mais: “Chegam hoje ao absurdo de impedir que 92,4% dos credores da Argentina possam efetivar a cobrança e receber suas dívidas, quando nosso país já efetuou o pagamento das mesmas através do Banco Correspondente, que retém os fundos, por ordem judicial, descumprindo seus compromissos com nosso país e com quem renegociou bônus”.

Prostíbulos da especulação

Painelista do seminário, o professor Emir Sader saudou “a heroica negociação e o exemplo do povo argentino, que se enfrenta contra a hegemonia imperial do capitalismo financeiro internacional”. “Nosso inimigo central é o capital especulativo”, enfatizou Emir, denunciando que os abutres utilizam os “paraísos fiscais, verdadeiros prostíbulos para o mercado de drogas e de armas”, para se manter à margem da lei.

“Por isso, a Argentina é um mau exemplo para países como a Grécia e a Espanha, que caíram na armadilha do Fundo Monetário Internacional (FMI) e passaram a privatizar o patrimônio e a expropriar os direitos dos trabalhadores”, disse.

“Respondemos com unidade e mobilização aos ataques desses vampiros. A luta da Argentina contra os fundos abutres representa a resistência dos povos de todo o mundo, que não aceitam ser saqueados para enriquecer cada vez mais uma ínfima minoria”, declarou João Antonio Felicio, presidente da Confederação Sindical Internacional (CSI).

A irracionalidade desta lógica, apontou, fica clara quando “vemos que apenas financeiro1% recebe 65 vezes mais do que a metade da população mundial”.

Submetidos à cartilha neoliberal, denunciou João Felicio, “muitos governos, em aliança com os empregadores, fazem reformas para atacar e retirar direitos, agudizando a concentração de renda e de poder”. Exemplo disso, esclareceu, “no grande império, os Estados Unidos, em que a diferença salarial entre os maiores e menores salários era de 30 vezes há 20 anos, hoje é de 300 vezes”.

Mídia manipula e mente

O presidente da CSI também atacou o caráter manipulador da grande mídia, “que mente abertamente em favor do capital internacional, respaldando ações como a do juiz Thomas Griesa contra a soberania e o desenvolvimento das nações”.

Manifestando a “mais ampla e efetiva solidariedade brasileira contra os fundos abutres”, Antônio Lisboa, secretário de Relações Internacionais da Central Única dos Trabalhadores (CUT), frisou que “o ataque sofrido pela Argentina é feito contra todos os que não se dobram à ingerência externa”.

Roberto Franklin de Leão, presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), declarou que chegou o momento de “decisões firmes, de enfrentamento à exploração das altas finanças”.

“Chega de dominação, de colonização, de intromissão. Chega de abutres”, ressaltou. Ao descrever a magnitude da devastação causada pelos fundos especulativos, Paulos Antonopoulos, dirigente da Federação dos Servidores Públicos da Grécia, citou, por sua vez, “o desemprego de 27%, que já chega a 62% entre os jovens gregos, a profunda regressão salarial e de direitos, além da privatização dos portos”, entre outras medidas para atender a Troika (Banco Mundial, Banco Central Europeu e Fundo Monetário Internacional)”.

Ao final do evento, Hugo Yasky entregou ao ministro de economia da Argentina, Axel Kicillof, uma declaração firmada por todos os delegados internacionais em apoio à luta contra os fundos abutres.

 

Ibope: Dilma tem 34%; Marina, 29%; Aécio, 19%

Via Uol

A Redação/Reprodução

Pesquisa Ibope divulgada nesta terça-feira (26) mostra a ex-senadora Marina Silva (PSB) em segundo lugar na corrida presidencial, com 29% das intenções de voto.

É a primeira pesquisa que o instituto faz depois da morte do ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos e da definição de Marina como candidata a presidente pelo partido. Também é o primeiro levantamento feito após o início do horário eleitoral gratuito na TV e no rádio.

A presidente Dilma Rousseff (PT), que busca a reeleição, lidera a disputa, com 34%. O senador Aécio Neves (MG), candidato pelo PSDB, caiu do segundo para o terceiro lugar e tem 19%. A margem de erro do levantamento é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.

O resultado reforça a tendência verificada pela pesquisa Datafolha divulgada em 18 de agosto. No levantamento da semana passada, Marina já aparecia numericamente à frente de Aécio, com 21% contra 20%, mas havia empate técnico entre os dois, levando em consideração a margem de erro. Agora, a ex-senadora está com vantagem de dez pontos percentuais sobre Aécio e somente cinco pontos abaixo de Dilma.

Na pesquisa Ibope divulgada hoje, o pastor Everaldo Pereira, candidato pelo PSC, e Luciana Genro, do PSOL, estão com 1%. Somados, os outros candidatos têm 1%.

A proporção de eleitores dispostos a votar em branco ou anular é de 7%. Os indecisos representam 8%.

Na última pesquisa Ibope, divulgada em 7 de agosto, Dilma aparecia com 38%, Aécio tinha 23% e Eduardo Campos, então candidato do PSB, estava com 9%.

O resultado de hoje indica que a eleição deve ir para o segundo turno já que Dilma não tem mais do que a soma dos demais candidatos.

O Ibope testou dois cenários de segundo turno. Em uma eventual disputa entre Dilma e Marina, a candidata do PSB aparece à frente, com 45%, contra 36% da petista. Neste cenário, são 11% de indecisos e 9% de eleitores dispostos a votar em branco ou nulo.

No outro cenário, Dilma lidera com 41% contra 35% de Aécio, 12% de votos nulos ou brancos e 11% de indecisos.

O instituto entrevistou 2506 pessoas entre o dia 23 e hoje. Contratada pela Rede Globo, a pesquisa foi registrada no TSE com o número BR-00428/2014.

Rejeição e avaliação do governo

O Ibope também mediu a rejeição aos candidatos. A presidente Dilma é a mais rejeitada. A proporção de eleitores que dizem não votar na petista de jeito nenhum é de 36%. Marina é rejeitada por somente 10%; e Aécio, por 18%.

De acordo com o instituto, 34% dos entrevistados consideram o governo Dilma ótimo ou bom. Para 36%, a administração é regular. E a proporção dos que a consideram ruim ou péssima é de 29%. Dois por cento dos não souberam responder.

Em defesa do salário-mínimo regional do Paraná

Por Rennan Martins | Brasília, 26/08/2014

No último dia 19, os três principais candidatos ao governo do Paraná – Beto Richa (PSDB), Gleisi Hoffmann (PT) e Roberto Requião (PMDB) – foram sabatinados na Federação das Indústrias do Paraná (Fiep). Cada candidato contou com 30 minutos para falar de suas propostas e mais 30 para responder perguntas da plateia.

O principal objeto de discussão do evento foi o documento “Propostas para a Competitividade da Indústria Paranaense 2015-2025”. Este fora entregue aos candidatos na semana anterior e discorre sobre os chamados “fatores-chave de competitividade”, sendo eles: tributação; relações de trabalho; educação; política e gestão pública; financiamento produtivo; segurança jurídica e burocracia; meio ambiente e sociedade; inovação; infraestrutura; produtividade; mercados e política econômica.

Requião, o primeiro a discursar, pautou suas propostas na desoneração do setor, no forte investimento produtivo e na revitalização dos salários. Lembrou que quando estava a frente do governo o estado saiu da sétima para a primeira colocação em crescimento industrial, e que atualmente caiu duas posições.

Beto Richa falou em seguida, e baseou-se no aumento do diálogo entre o governo e a indústria e maiores investimentos em infraestrutura. Disse ainda que “O setor produtivo sabe que no nosso governo é respeitado, com diálogo permanente, e que suas ideias são acatadas. Minha proposta é aprimorar ainda mais essa boa relação”.

Gleisi Hoffmannn foi a última a se apresentar e explanou que pretende ampliar o ensino profissionalizante, elaborar um Programa de Aceleração do Crescimento estadual e constituir conselhos os quais funcionariam como fóruns de discussão de maneira a integrar todas as regiões.

O ponto polêmico das discussões deu-se em relação ao salário-mínimo regional paranaense. Este é definido em quatro faixas que variam de R$ 948,20 à R$ 1095,60. A Fiep reivindicou que o aumento anual deveria ser revisto – para baixo – relegando ao governo um papel menor nas negociações. Os candidatos Beto Richa e Gleisi Hoffmann se comprometeram com a proposta, Requião, por sua vez, discordou categoricamente da possibilidade, dizendo ainda que ficou “espantado com a proposta da Fiep”.

Análise da proposta

O salário-mínimo regional do Paraná – instituído em 2006 sob o governo de Requião – constituiu um avanço econômico e trabalhista sem precedentes. Quando de sua aprovação, os mesmos empresários que hoje pedem que o baixemos, diziam que o estado quebraria. Pois bem, não somente não quebrou como tornou-se líder nacional em crescimento industrial na época.

Dizem os que querem arrochar o trabalhador que um salário-mínimo alto desestimula a contratação e gera desemprego. É preciso que eles expliquem então como a região sul é a de menor índice de desemprego do país, com somente 3,8% da população desocupada, segundo o IBGE.

O Paraná é a quinta maior economia do país e contava, em 2011, com um PIB per capita de R$ 22,7 mil, 5,58% maior que o índice nacional, de R$ 21,5 mil, dados do IPARDES. A composição do PIB estadual conta com 27,28% de participação da indústria, segmento que mais consegue agregar valor aos produtos.

Nota-se que o salário-mínimo paranaense não só é viável como ainda induz o crescimento econômico, já que aumentar o poder de compra da população aquece as atividades produtivas e comerciais.

É evidente, portanto, que Beto Richa e Gleisi Hoffmann estão desconectados da realidade econômica da região. Deveriam saber que reduzir a renda dos trabalhadores, da maioria, não constitui opção viável nem sensata.

Nenhuma das razões para o bombardeio no Iraque é “humanitária”

Por Nazanín Armanian, via Publico.es

Barack Obama não pôde resistir a tentação (ou as pressões de seus adversários) e tornou-se o quarto presidente dos EUA a bombardear o Iraque, utilizando-se dos mesmos pretextos “benevolentes” e com o mesmo objetivo principal: manter o controle norte-americano sobre o petróleo iraquiano. É o que nos revela a cronologia dos acontecimentos, que os terroristas do Estado Islâmico – chamados “rebeldes sírios”, a quem o Ocidente, a Turquia e a Síria financiou –, invadiram o Iraque, semeando pânico e morte entre a população, desde dezembro último. Desde a semana passada, já há algumas respostas a pergunta “Porque Obama não lutou contra a Al Qaeda no Iraque?”.

Vejamos como a inação dos EUA, assim como a atual agressão militar, foram intencionais e bem calculadas:

– No natal de 2013, os jihadistas atentaram contra a Igreja da Virgem Maria de Bagdá, matando 35 cristãos. Washington nada fez.

– Janeiro de 2014, invadem Fallujah e Ramadi, matando centenas de pessoas. EUA não intervém.

– Entre 10 e 29 de junho, o EI tomou controle de várias zonas das províncias de Kirkuk, Saladino, Tikrit, Al Adhim, Tal Afar e de Mosul, e apesar de obrigarem mais de 8.000 cristãos a fugir no evento, o ocidente não lhes socorre, e então o mais novo homem do Pentágono, um tal Abu Bakr al Bagdadi, proclama um califato nos territórios conquistados no Iraque e na Síria.

– 13 de junho. Obama declara que ajudaria a conter os jihadistas sob a condição de renúncia as políticas sectárias por parte de Nuri al Maliki.

– Nos dias 2 e 3 de agosto o EI ocupa as cidades curdas de Sinjar e Zumar, forçando a fuga de centenas de yazidis.

– No dia 7/08 tomam a cidade cristão de Qaraqosh, e só então Obama declara sua disposição em mandar drones para “proteger” os civis encurralados e os americanos residentes.

– 8 de agosto, quando as ações das petroleiras ocidentais passam a cair pelo segundo dia consecutivo, por conta das ameaças dos jihadistas e da evacuação de parte dos funcionários das companhias Afren, Genel Energy e Chevron, as bombas tornam a cair no solo do Iraque, aparentemente para neutralizar o EI, e matando centenas de civis. Os eternos danos colaterais dos interesses infames.

O “casus belli” dos EUA é uma farsa

O governo norte-americano anunciou que iria “resgatar” os 40.000 yazidis refugiados na montanha Sinjar. A farsa se revela quando dias depois anuncia-se que haviam “muito menos refugiados na montanha Sinjar e é muito menos provável que ocorra o resgate”. Na realidade, existiam em torno de mil yazidis nesta montanha que é habitada há séculos por humanos. Obviamente tinham ciência disso, e no caso de não saber, então porque Obama afirma que a agressão militar durará meses? Sem dúvida, estão exagerando o poderio do EI (no caso de que não estejam obedecendo ao Pentágono, operando livremente) como quando mentiram, dizendo que eram necessários 40 países comandados pelos EUA para conter alguns talibãs que não possuíam nem sequer aviões. Tampouco há explicação “humanitária” do porque os piedosos homens dos EUA e União Europeia não movem sequer um dedo para ajudar aos palestinos, os líbios que estão em fogo cruzado depois da intervenção que realizaram, ou as milhares de pessoas que estão morrendo de fome no sul do Sudão. Mas o Iraque eles escancaram para “salvar” a população cristão.

Não há como verificar se realmente o EI roubou 420 milhões de dólares dos bancos de Mosul, nem se controlam sete campos de petróleo e duas refinarias no norte do Iraque, como afirma a imprensa ocidental, justificando assim a envergadura da nova missão bélica.

A macabra estratégia de Obama

A aposta pessoal de Barack Obama em manter a unidade do Iraque e evitar sua balcanização nunca agradou a Irael nem aos republicanos, que optam por desmembrar Estados fortes e criar pequenas colônias controláveis: Iugoslávia e Sudão são o retrato, Síria e Iraque estão no mesmo processo.

Obama, ao formar seu governo, deu ao vice-presidente Joe Biden a missão de pôr ordem no Iraque. Biden, que quando senador defendeu uma confederação de etnias e religiões no país invadido, logo retirou essa proposta, que é respaldada inclusive por setores do Partido Democrata. O último intento de Obama em evitar o fim oficial do Estado iraquiano (porque não quer que seu país seja acusado de desmembrar países do Sul) foi pedir ao primeiro ministro Nuri Al Maliki que forme um que governo que incluísse as minorias étnicas e religiosas. Obama é incapaz de entender que pedir tolerância a uma teocracia – reacionária, sectária, injusta e corrupta – em um país de longa tradição laica, é como pedir uvas e um espinheiro.

Então, Washington elaborou outra estratégia: deixar que o EI arrase o norte do país, matando a centenas de inocentes, chegando a poucos quilômetros de Bagdá, para então intervir e seguir manipulando a política em Bagdá.

Porque Erbil?

O mandatário norte-americano deixou claro: ordenou que os ataques aéreos detivessem o avanço do EI em Erbil, capital do GRK. A cidade de 8.000 anos de história, protegida pela deusa suméria Ishtar (Esther/Estrella em castelhano, Setaré em persa) que chegou a ser parte do Império Persa, sendo conquistada por Alexandre Magno, hoje vive uma autêntica febre do Ouro. Ouro Negro que mancha a atual decisão de Obama, que tem os seguintes objetivos:

Proteger o status quo no Curdistão e sua ampla autonomia. Consolidar o poder nesta região, podendo convertê-la num trampolim para seguir adiante seu plano do Novo Oriente Próximo.

Garantir o domínio de suas petroleiras sobre o óleo curdo – que corresponde a 0.5% da oferta mundial –, e também sobre 89% das reservas de gás natural do Estado que se encontra sob domínio do GRK, onde operam ExxonMobil e Chevron. Os EUA se apossaram do óleo curdo, já que este não era explorado antes da invasão de 2003.

Impedir o corte na produção e refino do petróleo, que afetaria a recuperação econômica do Ocidente.

Segundo os líderes curdos, nas proximidades de Erbil se encontra grande parte da reserva mundial do petróleo. Mais, o gás de Erbil poderia substituir o russo para os europeus.

Deter a subida do preço do petróleo e o pânico nos mercados.

Tirar Israel do cerco de acusações que se encontra em nível mundial, por suas ações em Gaza, com a cortina de fumaça criada no Iraque.

Neutralizar as críticas sobre sua política exterior, e não somente as do Tea Party: Hillary Cliton o acusou publicamente de ser “demasiado prudente”. Já que não se atreveu a “dar uma bofetada militar” na Rússia por conta da Crimeia e a Ucrânia. No Iraque ele desafoga.

Forçar mudanças políticas em Bagdá: eliminado do cenário e sem respeito aos preceitos legais, Nuri Al Maliki, ligado ao Irã, foi quem manobrou a permanência de suas forças no Iraque. Porém, a explosão de uma bomba próximo a sua casa e as recordações das terríveis mortes de Saddam e Gaddafi foram suficientes para que abrisse espaço para Haidar Al Abadi, o novo administrador da colônia.

Assim, Obama atinge o Irã em seus “princípios estratégicos” no Iraque e na Síria. Talvez Washington não esperasse uma entusiasmada declaração de apoio de Teerã ao seu novo homem na capital iraquiana.

Dar uma lição aos jihadistas, como fez Bush com seus sócios da Al Qaeda, Muyahedines e os Talibãs afegãos: que cumpram o que Washington manda, e deixem de atuar por conta própria quando o assunto é poços de petróleo.

Estes pontos somam-se as 23 observações sobre a nova guerra líquida dos EUA no Iraque. Os curdos, principais beneficiários da nova intervenção ocidental, retomaram o controle de várias cidades, receberam muitas armas, se livraram de Al Maliki, e veem Washington mudar de ideia no tocante a permissão de um Estado curdo, ainda que seja usando da retórica de “federalizar o Iraque”, considerada uma opção menos danosa a seus interesses.

França defende sua parte

Outro país que evita a chegada de ajuda humanitária – que não sejam armas – da Rússia aos ucranianos do leste, mas envia armas aos curdos perseguidos pelos islamitas, é a França, que não perde uma oportunidade de reviver sonhos napoleônicos de sua época imperialista. Os pishmargas, serão a bola do canhão dos interesses da companhia Total, que tinha se retirado do Iraque pois só tinha garantido uma pequena participação na exploração do petróleo em Halfaya do sul. A petroleira francesa negocia agora com a Exxon Mobil, para que ela ceda sua licança nos campos de Pulkhana e Taza, disputados pelo governo central e a GRK. Makili ameaçou a Exxon, dizendo que se o fizesse se arriscava a perder o contrato do campo West Qurna-1. Por trás da visita da GRK a Paris, em dezembro do ano passado, está a Total, aspirando ser a principal companhia petroleira do Curdistão iraquiano.

Certo é que os senhores do mundo não podem usurpar a vida de milhares de pessoas, levando ainda suas riquezas, sem contar com seus agentes locais: os líderes árabes e curdos do Iraque, que miseravelmente prestam serviço aos EUA e a UE, sem nunca exitar em sacrificar seu próprio povo, em nome do poder pessoal, tribal, ou de um nacionalismo reacionário e cego.

Este é o Iraque democrático, o mesmo modelo que exportaram para a Líbia e que desejam para a Síria e a Rússia, por conta de suas imensas reservas de recursos naturais.

Pergunto, então, onde está a ONU? Uma equipe internacional de personalidades amantes da paz e da justiça, representada na Espanha por don Federico Mayor Zaragoza, propõe a refundação da ONU, para que evitemos as guerras que não param de crescer, e acabar também com a indescritível dor e sofrimento que provocam a milhões de pessoas.

*Nazanín Armanian é iraniana, residente em Barcelona desde 1983, cidade em que se exilou. Licenciada em Ciências Políticas. Ministra cursos on-line pela Universidad de Barcelona e é colunista do jornal on-line Publico.es.

Tradução: Rennan Martins