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No segundo turno, a disputa será política

Por Luis Nassif | Via Jornal GGN

O único ponto previsível dessa campanha foi a imprevisibilidade.

As ondas se deram entre quatro públicos distintos:

Um segmento centro-esquerda, representado pela candidatura Dilma, que vota nela por convicção..

Um segmento neoliberal, em torno de Aécio, também por convicção.

Os inconformados – os que não conseguem se ver representados em nenhum candidato.

Os indignados, que acreditam que toda política é corrupta e são fundamentalmente antipetistas.

Movimento 1 – a mídia e a construção da corrupção.

O primeiro divisor de água da campanha, transformando o antipetismo na maior força da oposição. Esse sentimento cresceu exponencialmente com a cobertura intensiva do julgamento do mensalão, com o episódio Paulo Roberto Costa e com Pasadeña – que Dilma jogou, de graça, no caldeirão das suspeitas. A grande vitória da mídia foi ter pregado no PT a máscara da corrupção.

Movimento 2 – a busca do sonho.

No início da campanha, Dilma Rousseff representava o establishment. Eduardo Campos e Aécio Neves não representavam nada – por absoluto desconhecimento junto ao eleitor.

A tragédia de Eduardo Campos empurrou os inconformados para Marina Silva, que acabou soçobrando, não por falta de tempo, mas por excesso. Só quando acabou o sonho Marina, aparentemente parte dos inconformados passou a olhar e a descobrir Aécio.

Movimento 3 – o início da politização.

A campanha permitiu, pela primeira vez, que Dilma exercitasse (ao menos no discurso) um início de politização – de explicar um projeto de governo, em vez de enumerar obras -, assim como Aécio Neves.

O segundo turno

Nos últimos debates, Aécio descontraiu e recuperou a imagem do “moço de família” que não havia conseguido no início. Por outro lado, deixará de ser novidade. Haverá quase um mês para que sejam expostas suas vísceras e as diferenças programáticas com Dilma.

Na outra ponta, a visibilidade do horário gratuito reduziu a rejeição a Dilma. Sua arma estará no discurso político, na explicitação das diferenças programáticas.

Nos últimos tempos, a própria Dilma melhorou o discurso, tornando-o mais redondo e substituindo a evocação de projetos pontuais por uma visão mais politizada e abrangente do modelo político que representa.

Aécio cavalgou a última onda dos inconformados. Continuará com os indignados e provavelmente irá ganhar o apoio de parte do eleitorado de Marina. As mágoas de campanha dificultarão a passagem dos eleitores de Marina para Dilma.

Por outro lado a explicitação dos princípios político-econômicos de Aécio farão os inconformados pensar duas vezes antes de pular para seu barco. E, apesar de Aécio não ter a face macilenta e tenebrosa de José Serra, a perspectiva de se jogar fora um projeto de país em que acreditam deverá mobilizar as forças que hoje em dia apoiam Dilma sem entusiasmo.

O desempate programático

Aguardem baixarias dos grupos de mídia e nas redes sociais, menos na campanha propriamente dita. Se Aécio resolver apelar pelas denúncias, ambos os candidatos serão soterrados por um caminhão de denúncias recíprocas.

A partir de agora, o embate será eminentemente programático.

Dilma conseguirá crescer se expuser de forma clara o que o país poderá perder com o abandono das bandeiras social-desenvolvimentistas por um candidato neoliberal.

De seu lado, Aécio explorará o que o país terá a ganhar com a condução mais competente da macroeconomia. Essa ofensiva em cima do ponto mais vulnerável do governo Dilma a obrigará a atitudes firmes para mostrar que efetivamente o segundo governo será composto por ideias novas.

Antes de demonstrar que a política econômica irá mudar, Dilma terá que convencer os recalcitrantes que ELA mudou.

Assim como ninguém esclarecido acreditará que Aécio ganhará sensibilidade social com a campanha, poucos estão acreditando que a pedagogia da campanha mudará o temperamento e o estilo de Dilma.

Ambos terão enormes desafios para reduzir o ceticismo. Terão que explicitar projetos e programas – e serem confrontados com sua história.

Os modelos em jogo

Assim como nas democracias maduras da Europa, há dois modelos em jogo. Um trabalhista ou socialdemocrata, representado por Dilma; outro neoliberal, representado por Aécio.

Ambos estão calçados em diferenças programáticas significativas.

O socialdemocrata – ou desenvolvimentista apud Dilma -, pressupõe prioridade para a construção do estado do bem estar social e para as políticas econômicas proativas. É mais sensível aos pleitos das minorias (está-se falando do governo como um todo, não especificamente da postura pessoal de Dilma) e para o combate à miséria. Menos sensível para a melhoria do ambiente econômico e para reformas institucionais, embora ambos os objetivos nao sejam conflitantes entre si. Aceita a iniciativa privada mas sem abrir mão do protagonismo da presidência. O erro é muito mais na forma autoritária, que no conteúdo. Muitas vezes é descuidado com a gestão macroeconômica.

O neoliberal concede toda prioridade à melhoria do ambiente econômico. É insensível em relação às políticas sociais – com exceção dos períodos eleitorais – e aos reclamos da sociedade como um todo e a formas de coordenação da economia, como as políticas industriais. E mais sensibilidade para a gestão macroeconômica e para a responsabilidade fiscal.

Essas diferenças explodem em dois ambientes preferenciais.

Orçamento

O desenvolvimento de Dilma utilizou o orçamento arbitrariamente, mas tendo como foco o social e o desenvolvimentismo. Avançou muito no combate à miséria mas contaminou o ambiente econômico com sua imprevisibilidade. A melhoria depende apenas da vontade pessoal, não de dogmas ideológicos.

O neoliberalismo de FHC – que está na matriz de Aécio – entrega todo o ouro ao mercado. O ajuste fiscal proposto visa ganhar espaço para o Banco Central praticar políticas de juros sem restrição fiscal. E julga que, abrindo tudo ao mercado e à economia internacional, o progresso virá por si só. Está firmemente amarrado aos princípios ideológicos do neoliberalismo.

Emprego

Dilma preservou o emprego ainda que à custa de sacrificar o ambiente econômico (não por relação direta com o emprego, mas pela pouca eficácia da área econômica). O ajuste de Aécio-Armínio, por mais que negue, é fundamentalmente recessivo e, sem ter que prestar contas aos eleitores, tratará o pleno emprego como ameaça à estabilidade de preços.

O que queremos ser quando crescer

O terceiro campo é dentro da ideia “o que queremos ser quando crescer”.

O último capítulo do meu livro “Os Cabeças de Planilha” foi uma longa entrevista com FHC. Ele não tinha a menor ideia sobre mecanismos de desenvolvimento, papel das pequenas e micro empresas, da inovação, das políticas sociais, da diplomacia, criação de redes econômicas, arranjos produtivos etc. Sua única proposta era turbinar os grandes grupos financeiros, julgando que eles trariam a reboque a modernização do país.

Dilma sabe como crescer. Sua vulnerabilidade está no seu método centralizador de governar.

Os fatores político-midiáticos

Dois episódios poderão influir com maior ou menor intensidade na campanha:

Os escândalos de Paulo Roberto Costa e Yousseff.

Há um acordo de delação premiada. E a informação de que o sigilo dos relatos é protegido por lei. Mas como a lei – ora, a lei -, os vazamentos continuarão sendo praticados, com direito a cada revista colocar o que quiser no texto – e atribuir a fontes anônimas.

O caso da água em São Paulo.

Nos próximos dias a Sabesp terá que encarar, finalmente, a crise de água. Dependendo da abrangência do rodízio, poderá colocar em xeque as promessas de campanha do PSDB.

A imprensa e a Petrobras no segundo turno

Por Rennan Martins | Brasília, 06/10/2014

Deixo registrado o que está por vir em termos de imprensa nesse segundo turno. Nos próximos dias a Veja fará alguma “denúncia” envolvendo a Petrobras, dirão que tiveram acesso a alguns documentos e/ou gravações, escreverão muitas especulações em cima da corrupção que está sendo investigada pela PF. Não darão uma prova sequer aos leitores.

Em seguida, Jornal Nacional e correlatos reverberarão a matéria da revista Veja. Curiosamente os políticos envolvidos serão só do governo. Tucanos, democratas e a fins são incorruptíveis no mundo mágico de nossa imprensa.

Esse bombardeio será ensurdecedor a ponto da maioria da população nem querer saber se houve provas, julgamento ou algo do tipo. Muitos pedirão a cabeça dos envolvidos. Tentarão de todo jeito emplacar o “Fora Corrupção!” no imaginário da população, no objetivo dos votos debandarem para Aécio Neves, o valoroso.

Não importa se o PSDB é o partido com mais barrados pela lei da Ficha Limpa, não se ouvirá falar do escândalo do metrô que já desviou mais de R$ 500 milhões do erário no Tucanistão, quer dizer, São Paulo. Nem mesmo o fato de Aécio ser réu num processo no qual sumiram a bagatela de R$ 4,6 bilhões da saúde mineira é relevante. A imagem que pintarão dele é a de incorruptível, cruzado da justiça.

Dando certo, os articulistas de aluguel entram em cena. Senhores como Reinaldo Azevedo, Rodrigo Constantino e Ricardo Noblat usarão de suas penas pra propaganda privatista. Segundo a mídia – a mesma que apoiou a ditadura e que sonega milhões – a solução pro problema será vender nossa mais valiosa empresa pras petroleiras internacionais.

A difamação e calúnia da Globo, Folha, Veja e cia já é prática antiga. A imprensa brasileira serve a interesses que estão muito longe de ser os do bem público.

No caso da Globo, desde antes da ditadura já se tentava denegrir a Petrobras, usando de todo e qualquer artifício pra desmoralizá-la. Neste artigo compreende-se bem o modus operandi dessa organização. Sugiro darem uma olhada.

“Não queremos fantasmas do passado”

Por Rodrigo Vianna | Via Escrevinhador

“Não queremos os fantasmas do passado:a recessão e o arrocho. O povo não quer mais aqueles que chamavam aposentado de vagabundo. Não quer mais racionamento de energia, nem aqueles que se ajoelhavam para o FMI” (Dilma, abrindo a disputa com Aécio Neves: FHC x Lula).

O primeiro balanço a se fazer da eleição é o institucional. E esse é bastante contraditório. O PT (Dilma) termina o primeiro turno com cerca de 5 pontos a menos do que conquistou em 2010: teve quase 47% dos votos há quatro anos; e agora ficou com cerca de 42%. Aécio teve os mesmos 33% de Serra em 2010 (parte do eleitorado tucano, que ensaiou uma revoada em direção a Marina depois da morte de Eduardo, voltou para o ninho original). Já Marina teve 21% agora – contra 19% em 2010.

Fora isso, o PSOL praticamente dobrou a votação. Luciana Genro colheu algum resultado pela coragem de enfrentar temas dos quais o PT foge. Mas é um crescimento ainda residual, que mal chega à casa de 2% dos votos.

Na disputa efetiva pelo poder, a conta para o segundo turno, de saída, é a seguinte…

- Aécio (segundo as pesquisas, que até agora erraram demais) deve ficar com ao menos 60% dos votos de Marina. Ou seja, dos 21% de Marina, 13% devem seguir para o tucano – são os votos marineiros do Sul e Sudeste, principalmente. Ele também deve garantir mais cerca de 2% dos nanicos conservadores(Pastor Everaldo e Levy Fidelix). Resumo/Aécio: 33% do primeiro turno + 13% de Marina + 2% dos nanicos = 48%.

- Dilma, que teve quase 42%, deve herdar pouco mais de um terço dos votos de Marina (especialmente os votos do Nordeste e Norte), além de capturar boa parte do eleitorado que votou no PSOL. Resumo/Dilma: 42% do primeiro turno + 8% de Marina + 2% da esquerda = 52%.

Essa é minha aposta inicial: 52% a 48%. O segundo turno será duríssimo. E a distância pode encurtar ainda mais, já que Dilma terá contra si a oposição cerrada da mídia e o discurso de ódio que avança em São Paulo, Brasília e outras cidades brasileiras.

“Um quadro venezuelano de disputa”, foi assim que resumi o cenário para um colega jornalista. Ele riu, e concordou.

Venezuelano não só pela disputa apertada. Mas pelo grau de conflagração verbal e política. Dilma deu uma pista do que será essa disputa, no discurso aqui em Brasília – neste domingo à noite. Agradeceu centrais sindicais, partidos, exaltou a figura de Lula e a militância. Depois, atacou: “não queremos os fantasmas do passado, a recessão e o arrocho. O povo não quer mais aqueles que chamavam aposentado de vagabundo. Não quer mais racionamento de energia, nem aqueles que se ajoelhavam para o FMI”.

Dilma não citou FHC. Mas tá na cara que a estratégia petista será comparar: FHC x Lula. Qual projeto beneficiou mais gente no Brasil?

Estamos diante de uma situação curiosa, e perigosa. O PT, que ao longo de 12 anos apostou em ganhar terreno sem politização e sem confronto aberto, agora será obrigado ao confronto. É uma questão de sobrevivência. Ou Dilma parte para o confronto, ou perde. O eleitorado aceitará essa estratégia, para a qual não vem sendo preparado nos últimos anos?

O PT terá que arriscar. A redução da bancada na Câmara (o PT recuou para 70 deputados, e o PCdoB perdeu um terço dos parlamentares) dá uma pista de que a falta de apetite para o combate simbólico está custando caro demais para a esquerda.

A direita avança: na sociedade, nas telas da TV e do rádio, no discurso do ódio, e agora também no Parlamento. A despolitização cobra seu preço. A água bate no pescoço. É confrontar ou morrer.

Aliás, mesmo que Dilma consiga vencer (a batalha será duríssima, repito), sofrerá muito no Senado (Serra, Tasso Jereissati, Aloysio, Alvaro Dias, Caiado, Lasier da RBS, Ana Amélia – o núcleo duro e ideológico da direita se reorganiza por ali) e na Câmara – (onde vai imperar a absoluta dispersão de bancadas). Uma direita tacanha, moralista, que mistura hipocrisia religiosa com arreganhos facistas, avança na mesma velocidade em que a esquerda vira o demônio a se eliminar.

Tempos difíceis nos aguardam.

Mas há resultados contraditórios também para a oposição. Aécio chegou – sim – com força para o segundo turno, mas perdeu Minas. Um baque considerável. Pela primeira vez, o PT elegeu um governador no Sudeste.

O PT ganhou também Bahia, Piauí, e deve vencer no Ceará – em aliança com os irmãos Gomes (Cid e Ciro); o PCdoB venceu no Maranhão.

O núcleo mais atucanado do PMDB (Geddel foi derrotado na Bahia, e Henrique Alves vai suar no segundo turno no Rio Grande do Norte) perdeu força.

Mas, então, quem ganhou? O conservadorismo difuso, a geleia geral da fisiologia.

Junho de 2013 e a tal “nova” Política terminaram nessa miscelânea de Bolsonaros, Malafaias, Russomanos… Por enquanto, é a direita que colhe os melhores resultados do “desencanto” com a Política (desencanto? Com Pezão no Rio e Alckmin em São Paulo?).

O PSOL conseguiu ampliar a bancada de 3 para 5 deputados (incluindo gente muito boa: Ivan Valente de São Paulo, Edmilson Rodrigues do Pará e Jean Willis do Rio). Mas é pouco, pouquíssimo.

De um lado, o país mostrou maturidade ao levar ao segundo turno dois projetos de verdade (PT x PSDB). De outro, deu força para o conservadorismo congressual. Ganhe quem ganhar, o quadro será de paralisia, com dificuldades imensas para governar a partir de 2015.

Artistas e intelectuais manifestam apoio a candidatura de Roberto Requião ao governo do Paraná

Roberto Requião quer chefiar novamente o Palácio Iguaçu. Bem Paraná/Reprodução

Manifesto pró-Requião no governo do Paraná

Nós, intelectuais e artistas, considerando os interesses nacionais, populares e a história política do país, manifestamos por meio dessa. Nosso apoio a candidatura ao governo do Paraná mais comprometida com os interesses nacionais.

Apoiamos o candidato comprometido com uma sociedade onde todos tenham oportunidades. Apoiamos aquele que, quando no governo, levou o Paraná ao primeiro lugar nacional em desenvolvimento industrial e educação.

Entendemos que o mais indicado para governar tão importante estado é aquele que defende os interesses dos trabalhadores, tendo aprovado o maior salário-mínimo regional do país e criado 800.150 postos de trabalho com carteira assinada.

Consideramos que o Palácio Iguaçu precisa ter de volta a sua frente, aquele que investiu 10 bilhões na saúde, quando lá esteve. Aquele que valorizou os professores da rede estadual, pois, tem consciência que a educação é primordial para qualquer sociedade sadia.

Entendemos que a segurança é fundamental para o Paraná e para todo o país, e por isso apoiamos quem construiu 12 penitenciárias quando governador, sem com isso entrar na lógica perversa da privatização delas.

Considerando a cultura como base para a valorização do ser humano e integração da sociedade, nosso apoio é de quem sempre se mostrou comprometido com essa bandeira, tendo criado a biblioteca Mario Lobo, a Semana da Cultura Negra e a Escola Superior Sul-Americana de cinema e TV.

Roberto Requião, o candidato de quem falamos, dedicou toda sua vida a ideais republicanos, tendo provado seu comprometimento com o povo e uma trajetória ilibada na política. Com coragem e desprendimento, defende o interesse nacional e a integração latino-americana.

Pelas razões expostas, considerando que quem já fez pode fazer muito mais, declaramos com orgulho que nosso apoio é de Roberto Requião para o governo do Paraná!

Beth Carvalho:

Requião é um nacionalista, um brasileiro autêntico como o samba, um guerreiro em defesa do nosso povo. Quero vê-lo como governador do Paraná, para o bem dos paranaenses e do Brasil!

João Vicente Goulart:

Requião é um político que nos une em torno das grandes lutas Janguistas. Sem dúvidas é ele que representa a esquerda nacionalista no Estado do Paraná.

Sua obstinação em defesa dos humildes e sua coragem inconteste de desafiar os poderosos que tudo querem em detrimento dos trabalhadores o faz sem dúvidas um porta-voz da proposta das “Reformas de Base”; agraria, tributaria, educacional, das remessas de lucros, da luta nacional pelo patrimônio público da Nação e de uma distribuição de renda mais equitativa entre nosso povo brasileiro, com idênticas oportunidades para todos.

Fernando Morais:

Não tenho eleitores no Paraná, mas tenho leitores. Muitos, dezenas e dezenas de milhares. É a estes que me dirijo para recomendar: para governador, Roberto Requião. Nacionalista e internacionalista, corajoso, não tem papas na língua na hora de enfrentar os poderosos. Se eu fosse paranaense, votaria em Roberto Requião para governador.

Adriano Benayon:

É de inestimável importância para o Brasil que o senador e ex-governador Requião volte ao governo do Paraná. Ele está, há 30 anos, na política. No caso dele, isso significa excepcional experiência acumulada em mandatos exercidos com probidade, competência e comprometimento com os interesses nacionais.

Coerência, austeridade e coragem caracterizaram a vida política de Roberto Requião. Olhando as candidaturas a governador, não se vê outra, mesmo em outros estados, que nos dê a perspectiva de uma administração exemplar, capaz de abrir novos rumos para o País.

Paulo Metri:

É importante, neste momento, para o crescimento do Brasil como país que garantirá alto nível de bem-estar social, democrático e soberano, que a sociedade brasileira se mobiliza para buscar influenciar eleitores do Paraná visando eleger Roberto Requião como governador deste estado.

É um político no qual você identifica claramente a compreensão da importância das questões geopolíticas.

Entretanto, se eu fosse obrigado a escolher só uma característica, que marca o político Requião, eu diria sem pestanejar, coragem.

Conceição Oliveira:

Votaria em Roberto Requião se fosse eleitora do Paraná.

Requião tem um quê do velho Brizola em sua luta pela democratização das comunicações do país, em seu combate ao monopólio sonegador de impostos e informações como o da Globo.

Requião foi um governador que apoiou a educação, respeitado por movimentos sociais como o MST, também é um combatente pela reforma agrária.

Sua passagem no senado, sempre em defesa dos interesses nacionais e de um projeto político de um país soberano tem todo o meu respeito.

Samuel Pinheiro Guimarães:

Roberto Requião é um patriota, nacionalista, defensor da soberania e do desenvolvimento do Brasil, de um Brasil mais democrático, mais justo, mais igual. No Paraná, voto em Requião!

Rogério de Cerqueira Leite:

Apoio a candidatura do Senador Roberto Requião pela sua história de lutas em pro da redução da disparidade de rendas e da melhoria das condições dos menos favorecidos e pela sua luta em benefício dos interesses nacionais.

Rogério Lessa Benemond:

Apoio Requião outra vez governador do Paraná pelo seu histórico nacionalista, por sua luta contra a liberação dos transgênicos e pelo seu desempenho, enquanto senador, na articulação de um Mercosul mais forte.

Poderia citar muitas outras qualidades de Roberto Requião. O Brasil precisa de políticos com esse perfil íntegro e coerente.

Osvaldo Maneschy:

O Senador Roberto Requião é um nacionalista de todas as lutas em defesa do Brasil. Votar nele é votar em um homem que tem opinião, tem lado e nunca se preocupou com o tamanho de seus adversários. O que mostra a sua verdadeira dimensão como homem público.

Flavio Lyra:

Há muitos anos acompanho a carreira política do Senador Roberto Requião. Ainda que residente em Brasília, sempre senti-me representado por ele em sua sua atuação como político sério e dedicado à defesa de todas as causas relevantes para o fortalecimento da Nação Brasileira e a redução das profundas desigualdades sociais que marginalizam grande parte da população brasileira.

Não teria a menor dúvida em sufragar seu nome como candidato à Presidência, noutras circunstâncias em que seu partido, o PMDB, fosse capaz de defender as bandeiras já mencionadas.

Sou inteiramente solidário com a campanha que ele realize para ocupar o governo do Paraná, numa disputa acirrada com o representante do PSDB, partido que hoje representa as forças sociais mais conservadoras do país.

Ele, numa atitude corajosa e consciente sempre mostrou-se um ativo defensor do governo de Dilma Rousseff, realizando vários pronunciamentos no Senado, que revelam a clara compreensão do grave momento vivido pelo país, em que as forças da oligarquia empresarial e financeira, (nacional e internacional) e da classe média alienada, buscam por todos os meios recuperar o poder.

Requião à frente do governo do Paraná será uma importante fonte de apoio para dar sustentação a um novo período de governo de Dilma Roussef, que depois do aprendizado da atual campanha certamente vai levar o país a trilhar uma rota que vai aprofundar a democracia e realizar as mudanças necessárias para a retomada do crescimento econômico subordinado ao interesse maior do desenvolvimento social do país.

Pedro Antonio D Rezende:

Roberto Requião foi um dos pioneiros, desde 1999 pelo Senado, na luta por mais transparência no processo de informatização do voto no Brasil. Em 2006, como governador, foi a única autoridade que apoiou nossa investigação acadêmica sobre as fraudes praticadas na constituinte de 1988, as quais ainda geram enormes danos econômicos à nação, através do jornalismo da TV Educativa do Paraná. Ele conta portanto com nossa confiança, como alguém que tem atuado e pode atuar na política movido por nobres ideais cívicos.

***

PS Desenvolvimentistas: A Associação Desenvolvimentista Brasileira, que mantém o projeto deste portal, já declarou seu apoio ao candidato Roberto Requião. Diferente da grande mídia que finge ser imparcial, nós nos posicionamos, somos transparentes. O processo de coleta de declarações e apoio ao candidato continua e se você é intelectual ou artista e deseja ser signatário desse manifesto, envie sua declaração, nome e breve currículo para que o incluamos. O e-mail de destino é: rennan.m.martins@gmail.com.

Dr. Rosinha e irmão de Requião presos pela polícia de Richa; assista aos vídeos

Via Blog do Esmael

O coordenador jurídico da coligação Paraná com Governo, Luiz Fernando Delazari, atende à imprensa em frente ao barracão do PSDB no bairro Portão. Segundo informações preliminares, o deputado federal Dr. Rosinha (PT) e o ex-secretário da Educação, Maurício Requião, foram presos na tarde desta quinta-feira (2) pela polícia política do governador Beto Richa (PSDB).

O deputado federal Dr. Rosinha (PT) e o ex-secretário da Educação, Maurício Requião, foram presos na tarde desta quinta-feira (2) pela polícia política do governador Beto Richa (PSDB).

O irmão do candidato do PMDB e o parlamentar petista foram a um “mocó” do candidato do PSDB, onde se estocava materiais apócrifos contra os adversários Gleisi Hoffmann (PT) e Roberto Requião (PMDB). O objetivo era cuidar para que os panfletos apócrifos não fossem retirados do comitê de Richa.

Assista ao vídeo 1:

Rosinha é coordenador suprapartidário do comitê da presidenta Dilma Rousseff no Paraná.

O ex-secretário de Educação havia denunciado ontem no Blog do Esmael que aloprados tucanos o procuraram pedindo R$ 500 mil para revelar o local da “fábrica de maldades” de Richa. Maurício acionou a Polícia Federal para investigar o caso (clique aqui).

O peemedebista e o petista foram presos em flagrantes porque não queriam evacuar o local. Eles queriam que a imprensa tivesse acesso ao barracão, pois temiam que a polícia política tucana limpasse a cena do crime eleitoral.

Assista ao vídeo 2:

A coordenação da campanha do PMDB deverá pedir à Polícia Federal a prisão do comando das polícias Militar e Civil, bem como do secretário da Segurança que autorizaram a “operação abafa” em favor de Richa.

O eterno déjà-vu dos programas liberais

Por Bruno Conti | Via Brasil Debate

Ao longo de 12 anos, o diagnóstico que fazem para o País é o mesmo, assim como as políticas propostas são as mesmas. Uma coerência quase religiosa em torno do ideário do liberalismo econômico, que revela certo desapego em relação à análise concreta de uma realidade em transformação

Ler o programa econômico dos candidatos à Presidência não é exatamente uma tarefa prazerosa. De toda forma, em meio a esses calhamaços repletos de palavras bonitas e vãs, existem propostas importantes, reveladoras da maneira como o candidato pensa o Brasil e de suas estratégias.

Para perceber como os candidatos do PSDB pensam o País desde o início do século até hoje, resolvi ler os programas de suas últimas quatro candidaturas presidenciais. Não sei nem se isso é motivo de espanto, mas os programas revelam que eles continuam enxergando um mesmo Brasil – como se estivéssemos congelados no tempo – e propondo as mesmas coisas ano após ano, eleição após eleição.

Em 2002, o programa do candidato José Serra bradava pela manutenção do tripé macroeconômico; defendia um “choque de eficiência na administração pública”; dizia que a legislação trabalhista deveria se adaptar às “novas tendências da economia e do mercado de trabalho”, dando liberdade para negociações entre trabalhadores e empresas; fazia um apelo ao empreendedorismo. No campo externo, prometia a implementação da ALCA, a Área de Livre Comércio das Américas.

Quatro anos depois, em 2006, o programa de Geraldo Alckmin, ironicamente fazendo ode ao período 1930-80, dizia ser necessário retomar as bases do crescimento.

Para tanto, a receita seria: o ajuste das contas públicas, já que “o Estado é grande e ineficiente”; a modernização da legislação trabalhista; e o aprofundamento da abertura ao comércio exterior, para impor a “disciplina do mercado”. Para a política externa, dizia que os BRICS “não são aliados naturais” e propunha novamente a ALCA.

Passam-se mais quatro anos e, em 2010, José Serra propõe de novo uma “gestão fiscal eficiente”, com austeridade e a criação de um Conselho de Gestão Fiscal. No setor externo, defende menos conivência com a China e os países sul-americanos e acordos preferenciais com os grandes mercados (leia-se EUA).

Outros quatro anos se seguem e, em 2014, Aécio Neves, em suas diretrizes, defende austeridade fiscal, “Estado eficiente”, reformas micro, incentivo ao empreendedorismo, aprofundamento da abertura comercial etc. Afirma, inclusive, que serão “lançadas as bases para um acordo preferencial com os Estados Unidos” – ou seja, até mesmo a ALCA, reiteradas vezes rejeitada nas ruas pelo povo brasileiro, continua a fazer parte da receita.

Não bastasse essa repetição quadrienal do programa econômico do PSDB e, na atual eleição, ele se desdobra em dois! A candidatura Marina Silva – como repetidamente indicado por seus assessores – tem elevadíssima convergência com o programa econômico de Aécio: reforço do tripé macro; austeridade nos gastos públicos, com a criação de um Conselho Fiscal; flexibilização do mercado de trabalho e estímulo ao empreendedorismo.

A diferença é que o programa de Marina é menos despudorado que o dos tucanos, radicalizando os argumentos liberais e propondo um Banco Central independente e o fim dos empréstimos compulsórios.

É impressionante como ao longo de 12 anos e quatro eleições o diagnóstico que eles fazem para o País é exatamente o mesmo e as políticas propostas são exatamente as mesmas.

Alguns dirão que isso se trata de coerência. Concordo em parte. Por um lado, trata-se de uma coerência quase religiosa em torno ao ideário do liberalismo econômico. Por outro lado, revela certo desapego em relação à análise concreta de uma realidade em transformação.

Será que nada mudou de 2002 a 2014?

No cenário internacional, esse período inclui uma fase de elevado dinamismo econômico, uma crise de dimensões globais e o esforço de todos os países do mundo por enfrentar as consequências dessa crise – na Europa, a propósito, a tentativa de enfrentá-la por meio da austeridade fiscal, regra de ouro dos programas supracitados, tem se revelado desastrosa.

No Brasil, algumas coisas também aconteceram. À maioria da população brasileira os números são desnecessários, já que ela percebe, a despeito dos inúmeros problemas que ainda enfrenta, que sua vida melhorou nos últimos 12 anos.

Àqueles que precisam de números, eles mostram, por exemplo, que a dívida líquida do setor público era de 60,4% do PIB em 2002 e de 35% do PIB em 2014. Em 2002, a taxa de desemprego era de 11,7% do PIB e em 2014 está em torno de 5%. Em 2002, a taxa de pobreza era de 34,4%, tendo caído para menos da metade em 2014.

Esses números são evidentemente restritos e as análises não podem parar aí. De toda forma, eles levantam algumas questões: por que o mantra da austeridade, se as contas públicas estão controladas? Por que a obsessão pela flexibilização do mercado de trabalho, se os empregos estão sendo criados? E assim por diante.

Marina e Aécio criticam o programa de Dilma por seu pretenso caráter retrógado. Colocando-se como os arautos da modernidade, dizem que a coordenação estatal da economia é algo do passado, devendo ser substituída pelo ágil Estado (Mínimo) do século 21.

O que não percebem é que o século 21 já está a pleno vapor, com todos os seus conflitos e transformações e eles continuam com o mesmo discurso.

Discurso, aliás, que não retrocede apenas a 2002, mas aos anos 1980, com Thatcher e Reagan; aos anos 1970, com a ditadura Pinochet; e até mesmo ao século 19, na Inglaterra. Se já é estranho ver um mesmo receituário repetido ao longo de mais de uma década no Brasil, mais estranho ainda é vê-lo reiteradamente proposto em países e períodos tão distintos.

A pergunta inevitável é: o que têm a ver o Chile de 1973, os EUA de 1981 e o Brasil de 2014? Bem pouco. Mas, para eles, não importa. O receituário liberal será obstinadamente proposto a qualquer país do mundo e em qualquer momento histórico. Por quê? Porque favorece alguns interesses e classes sociais, em detrimento de outros.

A despeito da sensação de déjà-vu que sempre provoca, esse receituário será reapresentado nas eleições de 2018, 2022 e enquanto houver capitalismo. Cabe, portanto, à população brasileira rejeitá-lo novamente – nas urnas e nas ruas – a cada vez que ele se colocar.

Bruno De Conti é professor do Instituto de Economia da Unicamp e pesquisador do Centro de Estudos de Conjuntura e Política Econômica (CECON/Unicamp)

O samba de uma nota só do Banco Central

Por Luís Nassif | Via Jornal GGN

O Brasilianas.org de 2a feira passada, pela TV Brasil, trouxe uma discussão sobre a independência do Banco Central. Participaram Roberto Troster – ex-economista chefe da Febraban (Federação Brasileira dos Bancos) -, José Ricardo da Costa e Silva – conselheiro do Sindicato dos Funcionários do Banco Central – e André Biancarelli – do Instituto de Economia da Unicamp.

O debate demonstrou alguns pontos da atual ideologia do BC, especialmente a ideia fixa no sistema de metas inflacionárias.

Como lembrou Troster, o conjunto de atribuições do BC é muito mais amplo do que ele chama de “coponização” – o foco recorrente no Copom (Comitê de Política Monetária) e nas discussões sobre metas inflacionárias.

Cabe ao Bacen zelar pela solidez do sistema financeiro, pela melhoria dos canais de crédito, pela desconcentração bancária, por uma estratégia de realocação da poupança privada, saindo do curto prazo para o longo.

Nas últimas décadas, o BC abriu mão de qualquer veleidade estrutural.

Há um mercado de títulos que remonta os períodos de hiperinflação. Nos últimos anos ensaiaram-se algumas tentativas de mercados de títulos privados para financiamento de investimento. Há toda uma poupança empoçada, não avançando para prazos mais longos devido à forma como o BC administra os juros de curto prazo.

Aparentemente, nada disso sensibiliza a diretoria do BC.

Mesmo no corpo técnico, o que dá status não são os grandes temas estruturantes, as discussões sobre o papel do BC em uma economia em profundas transformações, mas o mergulho em análises recorrentes sobre o sistema de metas inflacionárias.

No debate, admitiu-se que a correlação entre BC independente e baixa inflação só vale para países desenvolvidos, com moedas conversíveis e que há tempos convivem com baixa inflação. O que obviamente não é o caso do Brasil.

Mesmo defensores intransigentes do modelo de metas inflacionárias, como Costa e Silva, aceitam que a única relação de causalidade entre o aumento da taxa de juros e a inflação é a apreciação cambial – a valorização do real, com todas as implicações negativas sobre a produção interna. E admitem que as atas do Copom jamais explicitam essas metas cambiais.

No combate à inflação, o fator expectativa é central. Se uma empresa julga que haverá inflação, aumenta seus preços – e a inflação não acontece – poderá perder participação no mercado. Do mesmo modo, se negocia seus preços sem reajuste e ocorre um aumento da inflação, corre o risco de perder rentabilidade.

Por isso, além de choques de oferta ou demanda, o efeito-manada é um dos fatores de estímulo à inflação.

O sistema de metas permite essa coordenação, a um preço extremamente elevado. De um lado, demole a política fiscal e não define limites fiscais para a atuação do BC.

Hoje em dia, há uma razoável concatenação entre as expectativas do mercado e do BC em relação à inflação futura. Os relatórios são minuciosos, assim como as projeções dos diversos preços.

Houvesse um estadista à frente do BC, à esta altura do campeonato os quadros técnicos do banco estariam debruçados em formas alternativas de coordenar as expectativas sem comprometer o câmbio e o orçamento.

Mas, infelizmente, o banco é dominado pelo pensamento burocrático.