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Anatomia de um debate

Por Pablo Villaça | Via Facebook

É preciso aplaudir a consistência de Aécio Neves: se mentiu descaradamente no primeiro debate deste segundo turno, mentiu descaradamente também no último. Aliás, foi além: chegou ao cúmulo de acusar o governo federal pela falta d’água em São Paulo, quando até a ONU fez relatório atribuindo a responsabilidade ao governo tucano do estado.(1)

Aliás, como disse Cynara Menezes: a sorte de Dilma nos debates é que o armário de Aëcio e dos tucanos é repleto de esqueletos; já a sorte de Aécio é que Dilma não tem uma boa oratória: apresenta os dados e os argumentos, sim, mas gagueja e às vezes se perde na construção das frases – uma característica de quem não é político profissional e, portanto, não criou o hábito de participar deste tipo de evento.

Por outro lado, Aécio mais uma vez repetiu inúmeras vezes que Dilma não deveria citar os governos passados de FHC e dele, Aécio, pois é melhor “olhar pra frente”. Aliás, ele chegou a dizer que – pasmem – “quem olha para o passado é porque não quer olhar pro presente e quer fugir do futuro”. A máxima inventada por Aécio vai no oposto do que qualquer historiador diria: que olhar para o passado é FUNDAMENTAL para avaliarmos o presente e evitarmos repetir erros antigos. Além disso, Aécio não quer olhar pra trás porque sabe que, se olharmos, ele se lasca.(2) Curioso, também, é que Aécio é o primeiro a olhar pra trás quando acha que isso lhe convém pra atacar a adversária.

Já no início do debate, Aécio citou a “denúncia” de Veja (que não contém uma linha de prova pra justificar as graves acusações da capa) e disse que o PT queria censurar a revista ao dizer que vai processá-la. Em primeiro lugar, “censurar” seria exigir a retirada da revista das bancas e impedi-la de continuar funcionando; o que Dilma afirmou é que vai PROCESSAR a revista (3) – como é seu DIREITO fazer por ter sido acusada sem provas.

Para piorar, Aécio falar de censura é como a Magali falar de melancia, já que seu governo em MG é NOTÓRIO por calar jornalistas – e eu mesmo já fui vítima de seu espírito censor.(4)(5)(6)(7)

A partir daí, Aécio disparou nas mentiras, oscilando entre a estratégia de reforçar velhos mitos propagados pelo PSDB (como aquele que diz que FHC controlou inflação que era de 900%)(8) e divulgar novos, como ao afirmar que os investidores estrangeiros perderam a confiança no Brasil – sendo que justamente o economista Luiz Carlos Mendonça, ex-ministro de FHC, desmentiu esta falácia ao escrever recentemente que “o Brasil teve uma demanda de US$ 4,8 bilhões para a emissão de US$ 500 milhões de títulos de dez anos de prazo anunciada há poucos dias. Aproveitando-se da situação em que as ofertas de compra representaram mais de nove vezes o valor da emissão, o Tesouro vendeu um total de US$ 1 bilhão, pagando juros anuais de 3,88%, ou seja, 1,4 ponto percentual mais do que o título equivalente do Tesouro americano.”

A seguir, Aécio veio com o papo do “aparelhamento” do Estado pelo PT – outro mito que os tucanos gostam de repetir tanto que até mesmo petistas acabaram comprando como sendo verdade. Porém, não é bem assim, já que os dados apontam, inclusive, uma melhor neste sentido em relação aos governos anteriores.(10)(11) Por outro lado, Aécio chegou até mesmo a empregar lei delegada para empregar PARENTES seus no governo de MG.(12)

Ao entrarmos no ponto seguinte do debate, Educação, já pude ouvir os gritos indignados dos professores mineiros diante dos absurdos ditos por Aécio. E não é para menos: para começo de conversa, Aécio processou a SINDUTE, que representa os professores estaduais, nada menos do que 23 VEZES para impedi-los de denunciar na TV os abusos aos quais eram submetidos pelo governo.(13) Aliás, até o El País fez uma matéria expondo o caos da Educação em MG.(14) Não que os próprios professores mineiros já não tenham alertado o país várias vezes para a destruição causada por Aécio na Educação de MG.(15)(16)(17) Pois o fato é que Aécio não pagou nem o PISO SALARIAL aos professores – como comprova a cópia do contracheque reproduzida na Internet.(18) Isto, claro, para não esquecermos que até MOTEL está sendo usado como sala de aula pelos alunos.(19)

O tema seguinte foi corrupção – e Aécio tenta posar de honesto. A questão é que – denúncias insanas de Veja à parte (que já foram até desmentidas pelo advogado do tal doleiro)(20) – não há denúncia envolvendo Dilma PESSOALMENTE, mas há várias envolvendo Aécio, desde o aeroporto construído no terreno de sua família (e, ao contrário do que ele afirma, o PGR só arquivou denúncia sobre ilícito em esfera FEDERAL, mas encaminhou a denúncia para o PGE pra apurar IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA por parte de sua gestão)(21), até a recém-revelada carteira policial que Aécio usava na juventude mesmo sem jamais ter sido agente.(22) E acho fundamental que se apure o que há por trás do boletim de ocorrência que registrou descoberta de OSSADA HUMANA em fazenda de Cláudio/MG.(23)

Como se não bastasse, é fundamental lembrar que, ao contrário do que ocorreu no governo Dilma, que viu membros de seu partido serem julgados e condenados, o PSDB sempre se esforçou pra livrar os seus de julgamentos – e mesmo considerando todos os escândalos BILIONÁRIOS envolvendo tucanos, TODOS estão soltos.(25) Aliás, aproveito para repetir o link para o post que fiz e no qual listo todas as medidas tomadas pelos governos Lula e Dilma para investigar, denunciar e julgar atos de corrupção.(26)

Em seguida, Aécio acusou o governo federal pela falta d’água em SP – algo que a ONU refutou, como já linkei lá em cima. O pior é que diretores da SABESP revelaram que receberam diretrizes do GOVERNO DE SP para – atenção – ESCONDER A SITUAÇÃO da população, o que configura estelionato eleitoral.(27) Agora imaginem se isto tivesse envolvido Dilma?

No bloco seguinte, Aécio fala em reforma política e resume o problema a acabar com a reeleição – reeleição que seu partido aprovou ao COMPRAR VOTOS(28). (E é bom lembrar que ele quer o fim da reeleição só em 2022, quando, se eleito, ele poderia ter concorrido mais uma vez, o que é muito conveniente.)(29)

Por outro lado, Dilma defende o fim do financiamento empresarial, o que coibiria a corrupção. (Vale dizer que, durante o debate, Aécio tentou confundir os eleitores ao trocar “financiamento empresarial” por “financiamento privado”, que são coisas completamente diferentes.) Lembrando também que Dilma enviou este projeto para o congresso no ano passado, mas ele foi rejeitado – daí seu esforço para fazer um plebiscito.(30) O mais grave: Aécio tentou culpar DILMA pelo fato de nenhum tucano ter sido condenado, dizendo que ela estava no governo e poderia ter mandado investigar – ou seja: num ato falho, Aécio revelou não ver problema no USO POLÍTICO DA POLÍCIA FEDERAL, algo que Dilma não fez.

A partir daí, o nível de cinismo de Aécio começou a escalar. Primeiro, ao dizer que defendia dignidade aos trabalhadores do campo, sendo que ele foi o único dos principais candidatos a não assinar a carta-compromisso contra o trabalho escravo.(31)(32)

Minutos depois, Aécio posou de bom administrador e falou de seu famoso “choque de gestão”. Esqueceu só de mencionar que este “choque” QUEBROU Minas Gerais, que hoje tem uma das maiores dívidas públicas do país, tendo sido até alvo de matérias no exterior sobre o caos provocado no estado.(33)(34) E o mais hilário: na mesma resposta, afirmou que o Plano Real foi o “maior programa de redistribuição de renda do país”. Errado.(35)

(Aliás, logo depois de Aécio dizer que o país estava quebrado, houve um intervalo no debate e o Jornal da Globo anunciou matéria sobre “recorde de compras dos brasileiros no exterior”. Claro que alguns quiseram dizer que isso era por ser mais barato comprar lá fora, ignorando que, sem dinheiro, não há como o turista pagar passagens e compras no exterior – especialmente com o dólar elevado em função da especulação eleitoreira feita pelo mercado.)

Logo em seguida, Aécio cometeu sua maior falha no debate: prometeu a um eleitor indeciso que faria obras de infra-estrutura nas cidades – e passou vergonha quando Dilma disse apenas: “Ele não pode fazer isso, porque a Constituição determina que isto é atribuição do município e do estado, não da União. Se ele fizesse, responderia a crime de Responsabilidade Fiscal”. Ou seja: Aécio parece não conhecer nem mesmo a CONSTITUIÇÃO. A propósito: Aécio também disse que vai reduzir a maioridade penal, o que juristas consideram como cláusula pétrea da Constituição. No entanto, se considerarmos que Aécio também defende a privatização dos presídios, surge a possibilidade assustadora de ver um candidato praticamente tratando menores como mercadoria. Como se não bastasse, há vários estudos indicando que a diminuição da maioridade penal NÃO reduz criminalidade.(36)(37)(38)(39)(40)

Para completar, Aécio citou um tal de Ministério do Desenvolvimento Econômico – que não existe – e afirmou que há mais de 7 milhões de domicílio sem banheiro no Brasil. Nope. Este número é de 2000. Hoje, são 3,8 milhões.(41)

Claro que para quem mora em MG, como eu, ver Aécio conseguir mentir tanto no espaço de menos de duas horas não é novidade. Mas é sempre bom alertar aqueles que não estão habituados com a figura.

Porque, como dizem por aqui, quem viveu sob o governo de Aécio não aperta 45 nem no microondas.

Uma boa eleição para todos! E, claro, a partir de agora tendo a diminuir meus posts políticos e devo me concentrar mais no Cinema (embora não abandone a política, claro). Espero poder continuar a contar com o prestígio de vocês não só por aqui, mas também lá no Twitter (http://www.twitter.com/pablovillaca)

Abraço grande!

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FONTES:

1.http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2014/08/1508504-falta-de-agua-e-culpa-do-governo-de-sp-afirma-relatora-da-onu.shtml

2.http://plantaobrasil.com.br/news.asp?nID=82131

3.https://www.youtube.com/watch?v=th857UxUe8Y

4.https://www.facebook.com/pablovillaca01/posts/574509329320964

5. http://www.diariodocentrodomundo.com.br/como-funciona-o-trafico-de-noticias-da-imprensa-mineira-censurada/

6.https://www.youtube.com/watch?v=3rfPwnJ9iE4

7.https://www.youtube.com/watch?v=BixdPe_Jqxw

8.http://www.revistaforum.com.br/blogdaeconomiapolitica/2014/10/12/mentira-psdb-sobre-inflacao-periodo-de-fhc/

9.http://www1.folha.uol.com.br/colunas/luizcarlosmendonca/2014/09/1511233-o-brasil-nao-e-a-venezuela.shtml

10.http://brasildebate.com.br/aparelhamento-do-estado-mito-ou-verdade/

11.http://brasildebate.com.br/aparelhamento-do-estado-mito-ou-verdade-parte-2/

12.http://t.co/rpTGT3TRnn

13.http://t.co/hNGUdZxAuw

14.http://t.co/WaWrjBfYz2

15.http://goo.gl/PnKRL8

16.http://t.co/5HIYxluDrI

17.http://t.co/G8JN5mlFyW

18.http://t.co/Vr3fVnns8L

19.http://t.co/DQWhFNzyYw

20.http://oglobo.globo.com/brasil/veja-doleiro-diz-que-dilma-lula-sabiam-de-tudo-14341970#ixzz3H1iuZFQv

21.http://g1.globo.com/politica/noticia/2014/10/pgr-arquiva-representacao-contra-aecio-por-construcao-de-aeroporto.html

22.http://www.redebrasilatual.com.br/blogs/blog-na-rede/2014/10/aecio-neves-fez-carteira-policial-sem-nunca-ter-sido-agente-1807.html

23.http://goo.gl/Z9tDsl

24.http://www.informacoesemfoco.com/2014/07/os-10-maiores-escandalos-de-corrupcao.html#.VEsP-vnF8fE

25.http://t.co/sGrPoCPLNz

26.http://t.co/aMKZDSktyG

27.http://goo.gl/U9r3NE

28.http://t.co/xHoM6h2maI

29.http://www1.folha.uol.com.br/poder/2014/10/1529056-programa-de-aecio-defende-fim-da-reeleicao-so-em-2022.shtml

30.http://goo.gl/nA1SQE

31.http://t.co/pAh9hXsdPM

32.http://t.co/UYCFXlyQBF

33.http://t.co/ioByArKd9N

34.http://brasil.elpais.com/brasil/2014/10/20/politica/1413825305_366624.html

35.http://goo.gl/ljt4JV

36.http://www.portugues.rfi.fr/geral/20141024-reducao-da-maioridade-penal

37.http://18razoes.wordpress.com/quem-somos/

38.http://www1.folha.uol.com.br/folha/dimenstein/asneiras/gd190702.htm

39.http://www.ambito-juridico.com.br/site/?n_link=revista_artigos_leitura&artigo_id=14107

40.http://www.revistaforum.com.br/blog/2014/04/paises-que-reduziram-maioridade-penal-nao-diminuiram-violencia/

41.http://www.ibge.gov.br/english/estatistica/populacao/censo2010/caracteristicas_da_populacao/resultados_do_universo.pdf

Datafolha e Ibope mostram Dilma à frente de Aécio pela 1ª vez no 2º turno

Via Eleições Uol

Pesquisas do Datafolha e do Ibope divulgadas nesta quinta-feira (23) mostram pela primeira vez a presidente Dilma Rousseff (PT), que concorre à reeleição, à frente do senador Aécio Neves (PSDB), fora da margem de erro.

Considerando os votos válidos, Dilma está com 53% das intenções de voto contra 47% de Aécio, segundo o Datafolha. Já de acordo com o Ibope, a petista está com 54%, e o tucano, 46%. Nas duas pesquisas a margem de erro é de dois pontos percentuais.

Nas pesquisas anteriores dos dois institutos, divulgadas no início desta semana, a petista aparecia em vantagem numérica, mas dentro da margem de erro (52 a 48).

No início da semana anterior, Aécio é quem estava numericamente à frente, com 51% das intenções contra 49% de Dilma.

Segundo o Ibope, Dilma cresceu cinco pontos percentuais em uma semana (de 49% para 54%). Já Aécio caiu cinco pontos (51% para 46%) no mesmo período.

Já o Datafolha aponta crescimento de quatro pontos para Dilma (49% a 53%) e queda de cinco para Aécio (51% para 46%).

Votos totais

Considerando os votos totais, Dilma obteve 48%, e Aécio, 42%, no Datafolha divulgado hoje; 5% declararam-se indecisos e outros 5% pretendem votar em branco ou anular.

No Ibope, a petista alcançou 49% das intenções contra 41% do tucano. Há 3% de eleitores indecisos e 7% que pretendem anular ou votar em branco.

Rejeição e avaliação de Dilma

O Datafolha aponta que a rejeição de Aécio atingiu 41% dos entrevistados –em duas semanas subiu sete pontos (era de 34%). Já a rejeição de Dilma é de 37% do eleitorado, seis pontos a menos do que há duas semanas (43%).

Já de acordo com o Ibope, a rejeição do tucano subiu de 35% para 42% do eleitorado em uma semana. Enquanto isso, a da candidata do PT manteve-se em 36%

Segundo o Datafolha, 44% dos entrevistados consideram a administração de Dilma “boa ou ótima”, o maior patamar desde junho de 2013, quando a aprovação da petista caiu de 57% para 30%, em meio aos protestos de daquele mês.

O Datafolha ouviu 9.910 pessoas entre quarta (22) e hoje (23). A pesquisa foi encomendada pelo jornal “Folha de S. Paulo” e pela TV Globo. O levantamento foi registrado no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) sob o número BR-1162/2014.

O Ibope entrevistou 3.010 eleitores, entre segunda (20) e quarta-feira (22), em 203 municípios. A pesquisa foi encomendada pelo jornal “O Estado de S. Paulo” e pela TV Globo. O número de registro da pesquisa no TSE é BR-1168/2014.

A decisão a ser tomada

Por Rennan Martins | Brasília, 23/10/2014

Domingo os brasileiros decidirão entre dois projetos de país. Duas visões político-econômicas que divergem muito nas prioridades, na concepção do que é melhor para a população e o mundo.

Dilma e o PT enxergam o Estado como um agente importante na condução econômica, consideram que este deve impulsionar setores estratégicos e atuar onde o mercado deixa a desejar.

Aécio e o PSDB creem que a esfera pública deve ser ao máximo reduzida, que as forças de mercado sozinhas dão conta de alocar os recursos de forma eficiente.

O atual governo vê na expansão da classe média um importante fator de aquecimento do mercado interno, um dinamizador das atividades produtivas nacionais.

A oposição propõe que esta deve contentar-se com ganhos proporcionais à produtividade, que a desigualdade não pode ser atacada e que resta aos cidadãos esperar que as benesses da globalização atinjam as bases da pirâmide. Não importando quanto tempo isso leve.

O PT considera que as riquezas nacionais precisam ser exploradas estrategicamente, vinculadas a investimentos na saúde e educação de forma a garantir que haja ganhos de capital social interno e qualidade de vida.

O PSDB acredita que devemos nos integrar às ditas “cadeias globais de produção”, que nossos recursos serão mais bem aproveitados se inseridos num contexto de franca abertura de mercado, ainda que em condições desiguais perante os desenvolvidos.

Dilma prioriza as relações comerciais com os parceiros do Sul Global, o BRICS e o Mercosul. Entende que a integração entre economias semelhantes gera maiores ganhos e evita que os fortes explorem os mais fracos.

Aécio acredita que devemos nos voltar para a Europa e os EUA. Julga que o comércio integrado a eles nos trará mais conveniências, mesmo que tenhamos de suportar os efeitos deletérios que a competição desigual traz a produção e emprego nacionais.

O governo vê os bancos públicos como fundamentais no processo de financiamento dos projetos de longo prazo, de desenvolvimento do país. Considera que há questões as quais não devem ser deixadas ao sabor do setor financeiro internacional.

A oposição pensa que a atuação dos bancos públicos emperra as dinâmicas do mercado e que isso gera ineficiência. Não se importam de sujeitar o desenvolvimento e bem-estar da população aos mandos da agiotagem institucional.

O PT propõe que o mercado precisa vincular-se à produção da economia real, que a riqueza precisa ser materializada em prosperidade a ser disponibilizada a toda a população.

O PSDB enxerga o mercado como uma entidade racional que por si só consegue alocar os recursos da melhor forma possível. Ignoram que desde a desregulação iniciada por Pinochet, Thatcher e Reagan o que assistimos é o aumento da concentração da riqueza a nível mundial.

Por fim, são essas as opções. De um lado, um projeto que pretende que o crescimento econômico não se opõe ao combate a desigualdade e ao investimento social, este é o projeto de Dilma. Do outro estão os velhos partidários da ideia de que a melhor forma de conduzir a economia é deixar o bolo crescer para um dia, quem sabe, ele ser dividido. Isto é o que propõe Aécio.

Datafolha: Dilma ultrapassa Aécio pela primeira vez no 2º turno

Via Pragmatismo Político

Dilma Rousseff ultrapassa Aécio Neves pela primeira vez, revela pesquisa Datafolha para a eleição presidencial. A atual presidente tem 52% dos votos válidos, contra 48% do candidato tucano.

O instituto Datafolha divulgou nesta segunda-feira (20) a sua mais nova pesquisa para a disputa do segundo turno da eleição presidencial. De acordo com o levantamento, Dilma Rousseff (PT) aparece com 46% e Aécio Neves (PSDB) tem 43% dos votos totais. Brancos e nulos são 5% e 6% estão indecisos.

Em votos válidos, quando são descartados brancos, nulos e indecisos, Dilma está com 52% e Aécio soma 48%. Em relação ao levantamento anterior, a atual presidente cresceu três pontos percentuais, enquanto o candidato tucano oscilou dois pontos para baixo. O procedimento dos votos válidos é o mesmo utilizado pela Justiça Eleitoral para divulgar o resultado oficial da eleição.

Essa é a primeira vez que a candidata petista aparece à frente do presidenciável tucano em um levantamento do Datafolha neste segundo turno.

REJEIÇÃO

Também pela primeira vez, Aécio Neves aparece na condição de candidato mais rejeitado pelos eleitores. O tucano tem 40% de rejeição, contra 39% de Dilma.

VOTO CERTO

Em relação à taxa de convicção, 45% (eram 42%) afirmam que votariam com certeza em Dilma Rousseff; os eleitores que garantem voto certo em Aécio Neves são 41% (eram 42%).

AVALIAÇÃO DE GOVERNO

O governo Dilma é considerado bom/ótimo por 42%, um crescimento de dois pontos em comparação ao último levantamento. Os que consideram o governo regular são 37% e os que desaprovam são 20%.

O Datafolha ouviu 4.389 eleitores no dias 20 de outubro. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos. O nível de confiança é de 95%.

14 escândalos de corrupção envolvendo Aécio, o PSDB e aliados

Por Najla Passos | Via Carta Maior

Os muitos os escândalos de corrupção que lançam suspeitas não apenas sobre o candidato Aécio Neves, mas também sobre seus colegas tucanos e aliados.

O candidato do PSDB à presidência, Aécio Neves, se apresenta como o candidato da ética e da moralidade, mas são muitos os escândalos de corrupção que lançam suspeitas não apenas sobre ele, mas também sobre seus colegas tucanos e aliados. Escândalos esses em torno dos quais o PSDB opera para que não tenham destaque da mídia e não sejam investigados. Confira aqui 14 deles:

1 – Escândalo da Petrobrás: valor ainda não contabilizado

O candidato do PSDB à presidência da República, Aécio Neves, adora criticar a candidata do PT à reeleição, Dilma Rousseff, pelo suposto envolvimento de petistas no escândalo da Petrobrás. As investigações, entretanto, apontam também para o possível envolvimento de lideranças tucanas. Em depoimento, o ex-diretor da estatal, Paulo Roberto Costa, afirmou ter pago propina ao ex-presidente do PSDB, Sérgio Guerra, que morreu este ano, para ele ajudar a esvaziar uma CPI criada em 2009 para investigar a Petrobrás.

2 – Desvio das verbas da saúde mineira: R$ 7,6 bilhões

Na última terça (14), no debate da Band, a presidenta Dilma acusou Aécio Neves de desviar R$7,6 bilhões da saúde quando foi governador de MG. O tucano disse que ela estava mentindo e, então, Dilma convidou os eleitores a acessarem o site do Tribunal de Constas do Estado (TCE). Naquela noite, o site saiu do ar, segundo o TCE devido à grande quantidade de acessos. Nesta quarta (15), o site voltou, mas os documentos citados por Dilma desapareceram por cerca de 4 horas, até a imprensa denunciar a manobra. A presidenta do TCE, Adriane Andrade, foi indicada por Aécio e é casada com Clésio Andrade (PMDB), seu vice-governador no primeiro mandato.

3 – Aecioporto de Cláudio: R$ 14 milhões

Quando era governador de Minas Gerais (2003-2010), Aécio construiu cinco aeroportos em municípios pequenos, todos eles nas proximidades das terras de sua família. O caso mais escandaloso foi o de Cláudio, com cerca de 30 mil habitantes e que já fica próximo a outro aeroporto (o de Divinópolis, há apenas 50 Km). A pista, que foi construída a 6 Km da fazenda do presidenciável, fica nas terras do tio-avô de Aécio, desapropriadas e pagas com dinheiro público. Quem cuida das chaves do portão são os primos de Aécio. Custou R$ 14 milhões aos cofres mineiros.

4 – Relações com Yusseff : R$ 4,3 milhões

O doleiro Alberto Yousseff ficou conhecido nacionalmente devido ao seu envolvimento no escândalo da Petrobrás. Mas a Polícia Federal também investiga os serviços prestados palas empresas de fachada do doleiro para uma outra estatal, a mineira Cemig, controlada há anos pelo PSDB de Aécio Neves, principal líder do partido no Estado. As suspeitas é que a Cemig tenha sido usada para engrossar o caixa do grupo, através da parceria com a empresa Investminas, uma sociedade de propósito específico, criada para construir e operar pequenas hidrelétricas, cuja única operação comercial foi uma parceria firmada com a Cemig. Vendida à Light, a participação na sociedade rendeu à Investminas, em poucos meses, R$ 26,586 milhões, um ágil surpreendente de 157%. Três semanas depois, R$ 4,3 milhões foram depositados pela Investminas na conta MO Consultoria, empresa de fachada usada por Yousseff. As suspeitas é que tenham sido destinados a pagar os agentes públicos envolvidos na operação. O caso ainda está sob investigação.

5 – Favorecimento aos veículos da Família Neves: valor não contabilizado

Nem Aécio Neves e nem o governo de MG divulgam qual a fatia da publicidade oficial do estado foi parar nos meios de comunicação da família do presidenciável, de 2003 até agora. E a falta de transparência, claro, gera suspeitas. A família Neves controla a Rádio Arco Íris, retransmissora da Jovem Pan em Belo Horizonte, e as rádios São João e Colonial, de São João del Rei, além do semanário Gazeta de São João del Rei. Aécio é sócio da Arco Íris com a mãe e irmã mais velha, Andrea que, quando ele foi governador, era coordenadora voluntária do grupo de assessoramento do governo que tinha como atribuição estabelecer as políticas de comunicação do governo e aprovar os gastos em publicidade.

6 -Nepotismo em Minas

Aécio diz que é a favor da meritocracia, mas, além de receber pelo gabinete do pai, em Brasília, quando morava no Leblon, de 1980 a 1983, não deixou de empregar parentes quando governou Minas. A lista é longa. Oswaldo Borges da Costa Filho, genro do padrasto do governador, foi presidente da Companhia de Desenvolvimento Econômico e Minas Gerais. Fernando Quinto Rocha Tolentino, primo, assessor do diretor-geral do Departamento de Estradas e Rodagem (DER/MG). Guilherme Horta, outro primo, assessor especial do governador. Tânia Guimarães Campos, prima, secretária de agenda do governador. Frederico Pacheco de Medeiros, primo, era secretário-adjunto de estado de Governo. Ana Guimarães Campos e Júnia Guimarães Campos, primas, servidoras do Servas. Tancredo Augusto Tolentino Neves, tio, diretor da área de apoio do Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG). Andréia Neves da Cunha, irmã, diretora-presidente do Serviço de Assistência Social de Minas Gerais (Servas). Segundo Aécio, o trabalho da irmã era voluntário.

7 – Mensalão tucano: pelo menos R$ 4,4 milhões

Trata-se do esquema de desvio de verbas de empresas públicas armado em Minas Gerais, em 1998, para favorecer a reeleição do então governador tucano Eduardo Azeredo. Além dos políticos tucanos, os acusados são os mesmos responsabilizados pelo chamado “mensalão petista”: o publicitário Marcos Valério e os diretores do Banco Rural. Entretanto, embora tenha acontecido antes, o esquema tucano ainda não foi julgado. E mais, não o será pelo STF,

mas pela justiça comum. O processo está engavetado há tanto tempo que vários envolvidos já se beneficiaram pela prescrição. Pela denúncia feita pelo Ministério Público, foram desviados pelo menos R$ 4,4 milhões. Mas os valores são discutíveis: como as operações de algumas empresas públicas, como a Cemig, ficaram de fora da denúncia, há quem defenda que possa ser bem maior.

8 – Mensalão tucano II: R$ 300

As conexões dos tucanos com o esquema de Marcos Valério são profundas. O candidato derrotado ao governo de Minas Gerais pelo PSDB nas eleições deste ano, Pimenta da

Veiga, é alvo de um inquérito da Polícia Federal que investiga porque ele recebeu, em 2003, um total de R$ 300 mil de agências de publicidade de Marcos Valério.

9 – Máfia do Cachoeira: valor não contabilizado

Em 2012, o Congresso instalou uma CPI para investigar as relações entre a máfia do bicheiro Carlinhos Cachoeira com agentes públicos e privados. Entre os públicos, estavam o ex-senador Demóstenes Torres (à época filiado ao DEM), o então governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB) e o então procurador-geral da República, Roberto Gurgel, acusado de prevaricar ao descontinuar as investigações da Polícia Federal. Entre os agentes privados, destacaram-se veículos de imprensa, como a revista Veja, e empreiteiras, como a construtora Delta. Em função da pressão política dentro do parlamento, para aprovar seu relatório final, o deputado Odair Cunha (PT-MG) teve que retirar os pedidos de indiciamento de jornalistas e do ex-procurador geral. O mandado de Demóstenes no Senado foi cassado, mas, por decisão do ministro do STF, Gilmar Mendes, o mais afinado com o ideário tucano, ele teve o direito de reassumir sua vaga de promotor em Goiás.

10 – Cartel dos metrôs de SP e DF: pelo menos R$ 425 milhões

O escândalo vem de longa data, mas até agora nenhum político foi punido. Envolvem dois casos diferentes, mas com relações entre si: o Casol Alston, a multinacional francesa que teria subornado políticos ligados ao governo Alckmin para ganhar o contrato da expansão do metrô de SP, e o Caso Simiens, a empresa que admitiu ter formado cartel com outras 13 para fraudar as licitações do metrô de SP e do DF. A Simens entregou ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) uma série de documentos que comprovam que o governo tucano tinha conhecimento da formação do cartel. Reportagem da Istoé estimou em R$ 425 milhões de reais os prejuízos para os cofres públicos. No Caso Alston, a PF indiciou, por corrupção passiva, o vereador Andrea Matarazzo (PSDB), ex-ministro do governo FHC.

11 – Privataria tucana: R$ 124 bilhões

Registradas e documentadas no livro “A Privataria Tucana”, de Amaury Ribeiro Junior, as denúncias revelam os descaminhos do dinheiro público desviado pelos tucanos na era das privatizações, instaurada pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e seu então ministro da Fazenda, José Serra. Resultado de 12 anos de investigação do ex-jornalista da Isto É e de O Globo, o livro irritou o ninho tucano. Serra o classificou como “lixo”. FHC, como “infâmia”. Aécio Neves, como “literatura menor”. Pelos cálculos do deputado Protógenes Queiroz (PCdoB-SP), delegado da Polícia Federal que atuou no caso, o montante desviado dos cofres públicos pelos tucanos para paraísos fiscais chega a R$ 124 bilhões.

12 – Emenda da reeleição de FHC: valor não contabilizado

Em 1997, durante o governo FHC, a Câmara aprovou a emenda que permitiria a reeleição presidencial. Poucos meses depois, começaram a pipocar as denúncias de compra de votos pelo Executivo para aprovação da matéria. Um grampo revelou que os deputados Ronivon Santiago e João Maia, ambos do PFL do Acre, receberam R$ 200 mil cada um. Na gravação, outros três deputados eram citados de maneira explícita e dezenas de congressistas acusados de participação no esquema. Nenhum foi investigado pelo Congresso nem punido. Apesar das provas documentais, o então procurador-geral da República, Geraldo Brindeiro, engavetou as denúncias. No ano seguinte, FHC se reelegeu para um novo mandato. Brindeiro foi nomeado para um segundo mandato no cargo.

13 – O caso da Pasta Rosa: US$ 2,4 milhões

Em 1995, servidores do Banco Central que trabalhavam em uma auditoria no Banco Econômico encontraram um dossiê com documentos que indicavam a existência de um esquema ilegal de doação eleitoral, envolvendo a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) e Antônio Calmon de Sá, dono do Econômico e ex-ministro da Indústria e Comércio da ditadura. O esquema apontava a distribuição ilegal de US$ 2,4 milhões dos bancos a 45 políticos que se candidataram nas eleições de 1990, entre eles o José Serra (PSDB), Antônio Magalhães (do antigo PFL, hoje DEM) e José Sarney (PMDB). O ex-banqueiro Ângelo Calmon de Sá foi indiciado pela Polícia Federal por crime contra a ordem tributária e o sistema financeiro, com base na Lei do Colarinho-Branco. Nenhum político foi punido por causa do escândalo.

14 – Caso Sivam: valor não contabilizado

Primeiro grande escândalo de corrupção do governo FHC, o Caso Sivam, que estourou em 1995. envolve denúncias de corrupção e tráfico de influência na implantação do Sistema de Vigilância da Amazônia. O ponto alto foi quando o vazamento de gravações feitas pela Polícia Federal expôs uma conversa entre o embaixador Júlio César Gomes dos Santos, à época chefe do cerimonial de FHC, e o empresário José Afonso Assumpção, representante da empresa norte-americana Raytheon no Brasil, em que ambos defendiam os interesses dessa última no Sivam. E foi justamente a Raytheon que arrematou, sem licitação, o contrato de US$ 1,4 bilhão. O escândalo também envolvia ministros e outros assessores de FHC, além de empresas brasileiras. Em 1996, o deputado Arlindo Chinglia (PT-SP) protocolou pedido de instalação de uma CPI, que só saiu em 2001, mas de forma esvaziada. Como tinha maioria no parlamento, o governo FHC conseguiu abafar as denúncias. Ninguém foi punido.

Armínio Fraga: ‘guru anticrise’ ou ‘vassalo dos mercados’?

Por Ruth Costas | Via BBC

Ex-presidente do Banco Central conquistou prestígio e reconhecimento, mas também detratores ferrenhos

O ano era 1999 e o economista Armínio Fraga, participava de uma sabatina no Congresso antes de assumir a presidência do Banco Central (BC).

“Então quer dizer que você é o ‘gênio do mal’?”, perguntou o senador Saturnino Braga. “Não sou gênio, mas sou do bem”, garantiu o economista, com a calma fria que lhe é característica.

Na época, Fraga era a aposta do governo de Fernando Henrique Cardoso (PSDB) para tentar evitar uma volta à hiperinflação, após a desvalorização do real e abandono do regime de câmbio fixo.

Seus críticos, porém, destacavam o fato de ele ter trabalhado nos Estados Unidos com o investidor George Soros – que ganhou fama por especular com moedas estrangeiras.

“Será uma raposa tomando conta do galinheiro”, diziam uns. “Um vampiro guardando o banco de sangue”, atacou o senador Lauro Campos, do PT.

Quinze anos depois, a reputação e as propostas de Fraga voltam ao centro do debate nacional.

O candidato do PSDB a presidência, Aécio Neves, já anunciou que, se vencer, o ex-presidente do BC será seu ministro da Fazenda. Ou seja, nesse caso recairá sobre seus ombros a tarefa de retomar o crescimento da economia.

O anúncio, porém, também fez com que Fraga se tornasse alvo da campanha da presidente Dilma Rousseff, do PT, que o retrata como um inimigo dos programas sociais e do pleno emprego, ou um “vassalo” do mercado financeiro.

“Com ele no comando do BC, as taxas de juros chegaram a 45% ao ano, a inflação passou dos 12% e o Brasil foi duas vezes de joelhos pedir dinheiro ao FMI”, diz uma propaganda petista, antes de arrematar: “Armínio Fraga: Aécio quer, mas ninguém merece.”

Em resposta, o candidato tucano acusou Dilma de ter “obsessão” por Fraga no debate da última quinta-feira.

“Felizmente eu já tenho um nome, o que sinaliza para a previsibilidade e credibilidade da nossa política econômica. Tenho o meu futuro ministro da Fazenda e a senhora tem apenas um ex-futuro ministro, porque conseguiu demitir no cargo o atual ministro (Guido Mantega)”, disse Aécio.

Trajetória

Fraga nunca foi filiado a partidos políticos e em 2008 chegou a assessorar Fernando Gabeira, do PV, na disputa pela prefeitura do Rio.

De certa forma, é visto como um conciliador: no final do governo Fernando Henrique Cardoso, por exemplo, chamou os principais candidatos à presidência para conversar sobre a situação financeira do país.

Oscilando entre o setor público e o privado – e sempre com um pé no mundo acadêmico – o ex-presidente do BC teve uma carreira fulminante, que lhe conquistou respeito dentro e fora do Brasil, além de detratores ferrenhos.

Após a passagem pelo BC, por exemplo, ele foi cotado até para presidir o Banco Central americano e o prêmio Nobel Joseph Stiglitz chegou a sugerir seu nome para a presidência do Banco Mundial.

Filho de uma americana com um dermatologista brasileiro, Fraga frequentou o colégio Santo Inácio, um colégio de elite do Rio. É amante de golfe e hoje vive em um condomínio de luxo no Leblon.

Na juventude, chegou a se matricular em uma faculdade medicina, mas na última hora optou pelo curso de economia da PUC-Rio – frequentado também por boa parte dos economistas ligados ao Plano Real.

Casou-se com uma colega de faculdade e teve dois filhos – Mariana e Sylvio, que acabou seguindo um ramo bem diferente do pai: é poeta e músico.

Na universidade, Fraga sempre teve uma atuação destacada. Fez doutorado na Universidade de Princeton, nos EUA, e chegou a dar aula na Universidade de Columbia e na Wharton School, nos EUA, além de na PUC e na FGV.

Depois de formado, começou a trabalhar no Banco de Investimentos Garantia e em dois anos já era vice-presidente da Salomon Brothers, em Wall Street.

A associação com Soros ocorreu após um período como diretor de assuntos internacionais do Banco Central, no início dos anos 90, e ajudou o economista a amealhar uma vasta fortuna.

No total, Fraga passou seis anos como diretor-gerente no Soros Investment Fund, em Nova York, de onde foi chamado às pressas para presidir o Banco Central.

Assumiu o cargo em 1999 e ficou até 2003, quando Lula chegou à presidência. Desde então, está a frente da Gávea investimentos, da qual é sócio-fundador, embora o controle da empresa tenha sido vendido para o JP Morgan em 2010 – por mais de R$ 1 bilhão.

“Essa parte de sua carreira, em que ele atuou junto a investidores e agentes financeiros, sempre foi alvo de críticas, mas também lhe permitiu ter um conhecimento profundo sobre como funcionam os mercados – o que é útil tanto no BC como na Fazenda”, opina Otto Nogami, professor de economia do Insper.

André Biancarelli, economista da Unicamp, é mais crítico. Para ele, o ex-presidente do BC de fato é muito associado ao mercado financeiro, o que faz com que possa adotar políticas “que não respondem a interesses industriais ou do setor produtivo como um todo”.

Leia mais: O que Aécio e Dilma propõem para reformar o sistema tributário?

No Banco Central

No Banco Central, a passagem de Fraga foi marcada por turbulências. Em 1999, quando ele foi convidado para assumir o cargo, o governo havia acabado de permitir a flutuação da moeda, o que provocou sua desvalorização.

O real circulava há apenas cinco anos e até então o câmbio fixo fora usado como garantia de sua estabilidade.

O sistema, porém, começou a ruir em função de problemas na balança comercial e da redução das reservas – sucumbindo na esteira das crises provocadas pelas moratória da Rússia (em 1998) e de Minas Gerais (início de 1999).

À frente do BC, Fraga foi um dos arquitetos da adoção do regime de metas de inflação, que funcionou como um novo garante da estabilidade.

E o resultado de sua gestão pode ser considerado um sucesso ou um fracasso, dependendo de quem analisa a questão.

Por um lado, de fato conseguiu-se evitar uma volta da hiperinflação e o descontrole cambial. Foi só depois de superada essa crise que muitos se convenceram da sustentabilidade da nova moeda.

Por outro, os instrumentos utilizados para impedir uma desestabilização foram amargos – alguns diriam, amargos demais.

Como ressalta a campanha de Dilma, os juros de fato chegaram a 45% ao ano na gestão Fraga. E o aperto, certamente não favoreceu a criação de empregos no curto prazo.

“Mas a medida também precisa ser analisada em seu contexto, já que foi uma tentativa desesperada de atrair dólares em um momento em que as reservas estavam historicamente baixas”, opina Nogami.

Para o cientista político Carlos Melo, também do Insper, em função desse histórico, pode ter sido uma estratégia arriscada do PSDB dar tanta ênfase a Fraga na campanha.

“Mas para entendermos essa escolha é preciso lembrar que ela foi feita em um momento em que Aécio disputava com o PSB (de Eduardo Campos e Marina Silva) a simpatia dos mercados e empresários.”

Leia mais: FMI diz que Brasil não vai cumprir meta de superávit primário

Propostas atuais

Hoje, entre as propostas de Fraga para a economia estão uma redução da meta de inflação de 4,5% para 3% – que seria alcançada por meio de um ajuste fiscal e monetário.

O economista critica o que considera um abandono do tripé composto por metas de inflação, câmbio flutuante e superavit primário. E propõe um “choque de credibilidade” para estimular o crescimento.

Com o desaquecimento da economia, a receita vem sendo apoiada por muitos economistas e associações empresariais. Mas está longe de ser unanimidade.

Biancarelli, por exemplo, admite que a campanha de Dilma “está exagerando um pouco” em suas críticas a Fraga, “como é típico de confrontações eleitorais”.

“Mas se o PSDB chegar ao poder e tentar replicar essa solução de juros altos e cortes de gastos para fazer um ajuste na economia, não haverá como evitar um aumento do desemprego e ainda correremos o risco de acabar de vez com o dinamismo do mercado interno.”

Para ele, os tucanos estão confiando demais que o “choque de credibilidade” será suficiente para impulsionar os investimentos.

“Ninguém investe simplesmente porque a inflação está dentro da meta. Os empresários investem quando sabem que haverá consumidores e se há desemprego as pessoas não compram”, diz.

O argumento dos que estão ao lado de Fraga não é que o ajuste não vai gerar desemprego, mas que terá de ser feito uma hora ou outra para que o crescimento possa ser retomado – e adiá-lo apenas faz com que seus custos aumentem.

Como prova da “deterioração” do cenário econômico atual, eles mencionam, além da desaceleração do PIB, a piora nas contas públicas e o fato de a inflação já estar no teto da meta definida pelo BC (mesmo com o que consideram uma represa de preços administrados).

“Nos últimos anos, crescemos impulsionando a demanda e agora temos de fazer reformas que ampliem a oferta no médio e longo prazo. Não dá mais para empurrar com a barriga”, diz o economista da FGV Samuel Pessoa, que vem assessorando o PSDB.

“Por outro lado, é totalmente falso dizer que isso significa que precisamos cortar programas ou gastos sociais. A agenda de combate a pobreza é da sociedade brasileira, não desse ou daquele partido.”

 

Globo: o escorpião da democracia brasileira

Por Alberto Kopittke | Via Sul 21

Conta uma conhecida fábula, ao ser salvo de um incêndio o escorpião picou o sapo que o carregava nas costas até a outra margem do rio. O sapo atordoado só teve tempo de perguntar por que o escorpião o atacara ao que o escorpião respondeu: é o meu instinto.

Não há nada de novo na ​atuação da Rede Globo ​nessas ​eleições. A fórmula repete a atuação que o grupo de comunicações teve em 54, 64, 85, 89, 2002, 2006, 2010 e 2012​​.​​ A tentação autoritária de manipular a informação, em prol dos interesses dos conglomerados da comunicação, até hoje sempre falou mais alto do que qualquer código de ética.

Já faz parte de uma espécie de Padrão Globo de desestabilização da democracia, com o qual o Brasil convive há mais de 60 anos. Entre os meios para tal efeito, o Jornal Nacional pode ser comparado ao instinto incontrolável do escorpião.

Para compreender melhor esta analogia, apresento uma linha do tempo com os fatos marcantes que demonstram a participação nada imparcial da Rede Globo nas decisões políticas do país desde a década de 50.

Década de 50

Em 1954, o jovem Roberto Marinho, então proprietário da Rádio e do Jornal O Globo se soma a Assis Chateaubriand, proprietário da TV Tupi e da Rede de Diários Associados, a Carlos Lacerda e a segmentos golpistas das Forças Armadas para derrubarem Getúlio Vargas do Poder. Durante 30 dias atacaram incessantemente Vargas, afirmando que o Brasil estava enterrado num mar de lama, até conseguirem o golpe militar que levou Getúlio ao suicídio.

Década de 60 – 70

Em 1964, as Organizações Globo lideraram uma campanha pela derrubada do governo de João Goulart, eleito democraticamente, afirmando que o país estava à beira do Comunismo. Em diversos editoriais, Marinho conclamava o golpe e fez um dos mais famosos artigos no dia 01 de abril, comemorando a derrubada do Regime Democrático.

Documentos secretos do Governo americano, recentemente publicados, mostram que ao longo de todo o regime, Marinho foi o principal articulador da continuidade e do endurecimento do regime, atuando diretamente com o embaixador dos EUA, inclusive contra o Ditador Castelo Branco.

Década de 80

Todo esse apoio fez Marinho ser reconhecido como o “mais fiel e constante aliado” pelos dirigentes da Ditadura. Ao final de 20 anos de Ditadura a fortuna da família Marinho ultrapassava os R$ 52 bilhões, angariando dezenas de concessões de rádio e TV em todo o país.

Em 1984, a Rede Globo foi a última emissora nacional a noticiar os Comícios das Diretas Já. A primeira veiculação ocorreu em 25 de janeiro, quando milhares de pessoas estavam na Praça da Sé, mas o Comício foi noticiado como parte das comemorações dos 430 anos da cidade de São Paulo, e por determinação de Marinho, como já relatou o então vice-presidente do Grupo, Boni.

Em 1989, a Rede Globo envidou fortes esforços para eleger Fernando Collor de Mello (dono da TV Gazeta de Alagoas, retransmissora da Globo) especialmente através da manipulação de trechos do último debate entre Collor e Lula, no Jornal Nacional.

Anos 2000

Em 2006, o jornalista encarregado de cobrir as eleições, Luiz Carlos Azenha, denunciou que a ordem era não falar de assuntos de economia, pois estes ajudavam a Lula. Na edição da véspera do primeiro turno, o Jornal Nacional mostrou durante 14 minutos ininterruptos fotos do dinheiro que teria sido usado para comprar um suposto dossiê contra José Serra. Outro jornalista, Rodrigo Vianna, relatou que a direção da emissora barrou reportagens e investigações que envolvessem o PSDB e José Serra.

Em 2010, a emissora lançou sua campanha de aniversário de 45 anos, destacando o número e com um jingle que tinha por refrão “todos queremos mais”, casualmente parecido com o slogan de José Serra, “O Brasil pode mais”. Mas o fato mais notório da cobertura foram as edições do JN que divulgaram que Serra fora “agredido por militantes petistas, passado mal e levado a um hospital”, o que depois foi comprovado ser uma farsa montada após o candidato ser atingido por uma bolinha de papel.

Nas eleições de 2012, em todas as edições do Jornal Nacional durante o 2º turno, a cobertura do julgamento do mensalão teve mais de dez minutos de duração, começando sempre imediatamente após o horário eleitoral.

A mesma receita

Ao longo dos últimos 40 anos, o Jornal Nacional sempre foi o canal por onde a Rede Globo operou suas manipulações da informação. O mais famoso telejornal brasileiro teve um reconhecimento público do mais atroz Ditador brasileiro, Médici, que afirmou em entrevista: “Sinto-me feliz todas as noites quando ligo a televisão para assistir ao jornal. Enquanto as notícias dão conta de greves, agitações, atentados e conflitos em várias partes do mundo, o Brasil marcha em paz, rumo ao desenvolvimento. É como se eu tomasse um tranquilizante após um dia de trabalho”.

Além desses feitos, a emissora nunca dispensou atenção sequer assemelhada a casos como a compra de votos na aprovação da Emenda da reeleição de FHC, as diversas denúncias de corrupção bilionária nas privatizações (estimado em R$ 100 bi) o caso Banestado e Ilhas Cayman (R$ 42 bi), dos vampiros da saúde (R$2,4 bi), dos anões do orçamento (R$ 800mi), do Tremsalão tucano (R$ 570 mi), da Sudan (R$ 214 mi), nem do Mensalão tucano de MG, todos ligados a políticos ou governos do PSDB.

No auge das manifestações do ano passado, quando milhares de jovens protestavam em frente a Rede Globo, em São Paulo, contra suas formas de cobertura (o que obviamente nunca foi noticiado), a emissora fez um editorial pedindo desculpas pelo apoio que havia dado ao Regime Militar. Parecia um compromisso de que dali em diante, as novas gerações que controlam a empresa não sucumbiriam mais à tentação de manipular a informação para influenciar a política brasileira.

Mas desculpas à parte, a incapacidade da Rede Globo em realizar coberturas eleitorais de forma imparcial parece estar encravada em seu DNA. Ao invés de assumir publicamente uma posição em prol de determinada candidatura, como é comum nas grandes redes de comunicação dos EUA e da Europa, a Organização disfarça uma pretensa neutralidade e coloca em curso sua obsessão por influenciar as eleições.

​Por isso, quando sentar para assistir o Jornal Nacional, saiba que o instinto do escorpião é incontrolável.