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A grande mídia não se importa com a corrupção

Por Rennan Martins | Niterói, 29/12/2014

A Operação Lava Jato tem revelado a população o que aparenta ser o mais longo e abrangente esquema de corrupção já atuante no Brasil. Iniciado desde no mínimo a década de 90, o propinoduto organizou grandes empreiteiras e seus executivos, funcionários de carreira da Petrobras e políticos em torno de um cartel que fraudava licitações bilionárias.

As reportagens da velha imprensa não explicam claramente, porém, o modus operandi era relativamente simples. Grandes empreiteiras se articulavam em torno dos contratos públicos de forma a combinar os vencedores das licitações e superfaturar os preços das obras. Os recursos drenados do sobrepreço, por sua vez, beneficiavam operadores internos da estatal e partidos coniventes.

Somente alguns políticos e partidos são destacados pelas editorias e a impressão inicial é de que alguns agentes públicos, ao chegarem ao poder, iniciaram os mal feitos, obrigando empresários e funcionários da Petrobras a aderir. Uma análise mais apurada descarta essa tese e demonstra uma corrupção entranhada, inerente ao sistema político brasileiro. A tabela das 750 obras de Yousseff e o alerta de Paulo Roberto Costa, declarando a CPI mista que “Não se iludam. Isso que acontece na Petrobras acontece no Brasil inteiro. Em ferrovias, portos, aeroportos. Tudo. Acontece no Brasil inteiro.”, são sérias pistas da magnitude do conluio entre o alto empresariado e políticos corrompidos/lobistas.

Alguns ingênuos, outros mal intencionados, logo trataram de pintar o poder econômico corruptor – encarnado nas empreiteiras e seus executivos – como vítimas, pobres cidadãos que assaltaram aos cofres públicos somente por não terem como trabalhar de outra forma. O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, rechaçou a tese em entrevista à Folha de S. Paulo, “Como a concussão te obriga a fazer um cartel, fraudar uma licitação e ganhar um dinheirão? Está sendo extorquido para ganhar dinheiro? Para ter que botar US$ 100 milhões no bolso?”, questionou.

Temos ainda os felizardos que dispõem de blindagem. Aécio Neves, senador e presidente do PSDB, é praticamente esquecido na hora das explicações. Há pouca ou nenhuma cobrança em torno no da suposta propina de 10 milhões que o ex-presidente do partido tucano e falecido, Sérgio Guerra, teria recebido para abafar uma CPI em 2009. Ainda menos comentada são as anotações apreendidas num escritório da UTC Participações. Segundo elas o principal líder da oposição e segundo colocado nas últimas eleições presidenciais foi procurado pela Odebrecht com o pedido de “não aprofundar” na CPI da Petrobras. Nelas também se lê que seus companheiros Álvaro Dias e Mário Couto teriam sido escalados para “fazer circo”.

Assim como na eleição, a cobertura dos desdobramentos da Lava Jato se dá de forma politicamente enviesada. A narrativa hegemônica lança cortina de fumaça sobre a realidade da corrupção estrutural do capitalismo e de nosso sistema político. Propagandeiam valores de livre mercado ao mesmo tempo que escondem que a ideologia do capital é o lucro máximo e o acúmulo, e que se pra isso for necessário cooptar Estados e governos, assim será.

O elemento de maior simbolismo, prova de que o financiamento milionário de campanhas por parte das grandes empresas é uma forma de cooptar agentes públicos para fins privados são as planilhas que a Polícia Federal apreendeu na sede da Queiroz Galvão. A empreiteira elaborava-as associando valores recebidos por obras públicas as correspondentes doações eleitorais a candidatos e partidos. Esses documentos evidenciam o círculo vicioso da corrupção, o dinheiro público saqueado pela cartelização e superfaturamento que beneficia tanto o empresariado quanto os políticos aderentes.

Mesmo com todos os elementos apontando para o fato do financiamento de campanhas por empresas corromper toda a República, o que se vê é o jornal O Globo defendê-lo em seus editoriais, ao mesmo tempo que dá amplo espaço a militância reacionária do ministro do STF Gilmar Mendes, que pediu vistas e esqueceu da ação de inconstitucionalidade que extingue as doações de pessoas jurídicas a campanhas eleitorais. Detalhe, os votos de seus colegas marcam o placar de 6 a 1, suficiente para decidir pela proibição.

O quadro expõe que a grande mídia não debate seriamente a corrupção no país, somente usa e fabrica escândalos a fim de atacar seus inimigos políticos. Quem assim atua não se importa com os roubos, só deseja trocar os saqueadores.

Até quando o governo vai bancar um comediante que insulta até a parteira de Dilma?

Por Paulo Nogueira | Via DCM

Em que planeta Danilo Gentili vive?

Considere esta frase que ele colocou no Twitter: “Desde quando eu era financeiramente um pé rapado, em todos os passos que tentei dar o governo esteve lá para atrapalhar, bloquear, extorquir.”

Quer dizer: ele não parece fazer a mais remota ideia de que é sustentado pelo dinheiro público.

O SBT, onde ele trabalha, simplesmente falece sem a publicidade do governo federal.

São cerca de 150 milhões de reais por ano para alimentar pessoas como Danilo Gentili, que se dedica o tempo todo a tentar destruir o governo que, afinal, garante seu emprego.

Gentili estende seu combate sem tréguas ao PT a todas as mídias. Pelo Twitter, ele escreveu nestes dias o seguinte sobre o Natal em casa de José Genoino.

“Genoino é ateu e trabalha pra uma agenda que combate a família tradicional mas quis indulto para celebrar o Natal com a família.”

É a chamada burrice desumana. Desde quando Genoino combate a “família tradicional”? Algumas das mais pungentes cenas ligadas a Genoino depois de ser preso foram protagonizadas por sua filha Miruna.

Por sua “família tradicional”, portanto.

Gentili é o clássico analfabeto político que foi intoxicado pelas ideias simplistas e arquiconservadoras de Olavo de Carvalho, o maior fabricante de imbecis do Brasil moderno.

No SBT, Gentili usa seu programa para promover causas extremamente reacionárias e, claro, atacar o PT.

Para tanto, ele vive convidando seus iguais para ampliar a propaganda direitista. Há poucas semanas, lá estava Reinaldo Azevedo.

Num tuíte no Natal, ele convidou Diogo Mainardi para vir ao Brasil para participar do The Noite. Você pode imaginar o conteúdo dessa futura conversa.

Em outro tuíte, ele diz que foi assassinado jornalista que denunciava irregularidades da prefeitura do PT.

O PT não é apenas corrupto para ele, portanto. É também assassino.

Sobre Dilma, especialmente, ele se esmera em trolagens. Num tuíte da conta de Dilma em que ela dizia que é preciso “apurar com rigor tudo de errado que foi feito”, ele acrescentou: “Comece por sua parteira.”

O estranho nisso, a rigor, não é a pregação incessante de Gentili, a campanha que ele faz em regime de 24 por 7.

O que realmente chama a atenção é que tudo isso é financiado pelo objeto do ódio de Gentili.

Gentili pode dizer o que quer, dentro dos limites da lei, é certo. E Sílvio Santos, no SBT, pode também contratar quem quiser.

Mas há um complemento: o governo não é obrigado a patrocinar alguém que diz que a parteira errou ao trazer à luz Dilma, e nem, muito menos, o dono de uma emissora que povoou seu jornalismo e até entretenimento de pessoas que visceralmente odeiam a pessoa que recebeu 54 milhões de votos há pouco tempo.

O SBT estaria fora do ar, apenas para lembrar, se o banco de Sílvio Santos não tivesse sido socorrido por este mesmo governo.

Sílvio Santos, pelas contratações que faz, deixou claro há muito tempo o que gostaria que acontecesse com o governo nestes últimos doze anos.

O que não entendo, racionalmente, é que este mesmo governo financie a ele e seus capangas como Gentili.

Porto de Mariel: o que tucanos e aliados têm a dizer sobre isso?

Por José Augusto Valente | Via Carta Maior

A cada dia que passa, fica mais claro o que representavam as candidaturas presidenciais em 2014. De um lado, Dilma com visão de estadista, com protagonismo internacional, com independência em relação aos EUA e com um programa progressista.

Do outro lado, candidaturas de Aécio e Marina navegando ao sabor de ventos e correntes conservadoras, pensando no imediato, sem visão estratégica, com projeto de dependência aos EUA e com programa conservador e, em alguns casos, reacionário.

Um dos pontos que marcou esse confronto foi o financiamento de empresa brasileira, pelo BNDES, para construção do Porto de Mariel, em Cuba.

Neste vídeo de campanha, que foi ao ar no dia 25/9/2014, Aécio comete duas barbaridades: mentir sobre o financiamento da obra do Porto de Mariel, em Cuba, dizendo que se destinava ao governo cubano, quando o destino era a empresa brasileira Odebrecht; mostrar uma situação de caos portuário brasileiro inexistente, para “justificar” que o governo brasileiro priorize investir aqui e não lá.

O ataque ao financiamento da Odebrecht, na construção do porto, mostrou a pequenez daquele que se apresentava como projeto de estadista. O que estava em jogo, nesse ataque à Dilma, era consolidar sua posição com a direita conservadora que consegue ser mais realista do que o rei.

Sim, nos EUA, o empresariado quer as relações comerciais com Cuba e elas já ocorrem há tempos. Com o impedimento – para Cuba – de fazer suas trocas comerciais com crédito para pagamento a prazo. Tem que ser tudo à vista, por causa do embargo que, acredito, será suspenso em breve.

Se o empresariado dos EUA é a favor de relações comerciais com Cuba, o que impede então a suspensão do embargo? Pelo que pude apurar, quem não aceita a suspensão é a colônia de cubanos que mora nos EUA, que tem muito voto.

Na banalização ideológica desse tema, Aécio mostrou que não seguiu, sequer, a avaliação da FIESP, que congrega uma boa parte do empresariado brasileiro.

Para fundamentar o que estou escrevendo, ouça o que disse Thomaz Zanotto, diretor de infraestrutura da Fiesp, em entrevista concedida à Record News. Nesta entrevista, Zanotto explica em detalhes por que o financiamento do BNDES à Odebrecht, para construção do Porto de Mariel, foi um golaço estratégico do Brasil.

Segundo o site da EBC, as obras no Porto de Mariel, tocadas pela Odebrecht, exigiram investimento de US$ 957 milhões, financiado pelo BNDES. Do montante, US$ 682 milhões foram aportados pelo Brasil. Como contrapartida, houve exigência de que pelo menos US$ 802 milhões do total fossem gastos na compra de bens e serviços comprovadamente brasileiros. Isso foi insuficiente para comover o candidato tucano.

A retomada das relações de Cuba com os EUA, estabelecida ontem (17/12/14) pelo presidente Obama, mostra o quanto Lula e Dilma são verdadeiramente estadistas e líderes mundiais e o quanto Aécio não é, nem nunca chegará a ser.

O que se espera, a partir de hoje (18/12), é uma declaração de autocrítica de Aécio e seus aliados, em relação às duras críticas feitas ao apoio do governo brasileiro ao porto cubano de Mariel. Terão grandeza para isso?

José Augusto Valente é especialista em infraestrutura de transportes.

Um Estado fragmentado

Por Motta Araújo | Via Jornal GGN

Quando o PT ascendeu ao poder, em 2003, o Partido passou a agir como pobre em festa de rico, com todo cuidado para se mostrar comportado e educado, carregando no subconsciente o pavor da Casa Grande, das elites poderosas, da carga histórica do caudilhismo, das capitanias e camarilhas traquejadas que de um golpe poderiam tirá-lo do Poder. Nasceu dessa fragilidade, por ser um partido desvinculado do poder tradicional das elites, o “republicanismo” , uma postura de conferir ABSOLUTA independência a certos órgãos do Estado que, nas grandes democracias, nunca tiveram a capacidade soberana de exercer PODER POLÍTICO.

Os governos tradicionais que assumiram desde Sarney até FHC controlavam a Polícia Federal, o Ministério Público Federal e em certo sentido a Justiça Federal através de cuidado nas nomeações de juízes nos tribunais superiores e da escolha política de Procuradores Gerais e Diretor Geral da Polícia.

Há uma diferença conceitual entre o PODER POLÍTICO ELEITO e o PODER ADMINISTRATIVO.

O PODER ELEITO é o único que tem legitimidade de operar Política de Estado. O poder administrativo EXECUTA a política de Estado mas jamais poderá ser a fonte dessa política, porque este não é o seu papel.

A França nos dá um exemplo admirável dessa construção de um grande Estado. Desde 1792, quando Luis XVI foi guilhotinado, a França teve doze regimes.

1. Uma República de curta duração que culminou com o Terror de Robespierre;

2. Veio em seguida, 1795, uma espécie de República constitucional sob um Diretório que durou até 1799;

3. O Diretório foi sucedido por um Primeiro Consul, Napoleão Bonaparte;

4. Napoleão se constitui como Imperador em 1804. Seu Império termina em 1814;

5. Uma Restauração Bourbon, com Luis XVIII sucedendo Napoleão, com a sequência de Carlos X, os Bourbons novamente perdem o poder em 1830 em favor de seus primos, os Orleans;

6. Luis Felipe de Orleans vai de 1830 a 1848 quando acaba a Monarquia e nasce a Segunda República;

7. Luis Napoleão, sobrinho do Imperador é eleito Presidente da República, depois se alça em Imperador como Napoleão III;

8. O Segundo Império Napoleônico vai de 1852 a 1870 quando acaba na Guerra Franco Prussiana;

9. Nasce a Terceira República, a mais longa, que vai de 1870 até sua derrota vergonhosa para os nazistas em 1940;

10. Desaparecendo a Terceira República nasce o Estado Nacional, conhecido como França de Vichy que governa apenas a metade, o sul da França, sob o Marechal Petain, que se apresenta como Chefe do Governo e não Presidente;

11. Com a derrota alemã e o fim da Segunda Guerra nasce a Quarta República de 1946 que vai até 1958, quando De Gaulle proclama seu fim; e

12. Nasce a Quinta República, a de hoje, com uma Presidência forte e um Primeiro Ministro fraco, o figurino gaullista.

Qual a razão dessa longa lista? A França sempre separou magistralmente o PODER POLÍTICO da ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. O primeiro faz política, a Administração executa a política que vem do PODER POLÍTICO.

Por essa perfeita divisão, a França SEMPRE FUNCIONOU através de tantos regimes. A ADMINISTRAÇÃO não se mete em política e o PODER utiliza a Administração de carreira, permanente, para administrar o País sob quaisquer circunstâncias.

O Brasil do PT admitiu uma inédita fragmentação do PODER POLITICO que deveria ser EXCLUSIVO DO ESTADO e não da Administração e da Justiça, corporações cujo papel não é fazer politica.

A Polícia Federal executa operações de enorme efeito político sem avisar o Governo e muito menos pedir sua autorização, o Ministério Público Federal e os Estaduais não seguem linha alguma, cada um faz o que bem entender, interferem no trânsito das cidades, na educação e saúde, determinam fornecimento de água e luz, como se esses serviços por mágica dependessem de um despacho, pior ainda, dentro dessas corporações não há um COMANDO ou uma LINHA CENTRAL, cada procurador ou delegado cria seu próprio Reinado e pratica ATOS DE ADMINISTRAÇÃO que saem só de suas cabeças.

O Poder Judiciário já entrou definitivamente na POLÍTICA, cria novas leis e extingue outras, inventa jurisprudência, aplica doutrinas exógenas. Só falta fazer politica externa.

Um País com as dimensões do Brasil é INGOVERNÁVEL com um poder completamente fragmentado e um arquipélago de ilhas de poder paralelo e ilegítimo, sem a soberania do voto popular, cada qual com sua agenda própria.

O caso do Mensalão foi emblemático, fizeram com o PT o que não se faz com um morador de rua, o Partido foi fustigado e aceitou com atitude masoquista ser açoitado, o Juiz Relator inventou doutrinas alemãs que nunca ninguém viu antes aplicadas aqui, só foi utilizada nesse caso e depois foi para o arquivo, os tradicionais princípios garantistas de nossa jurisprudência foram para a lata do lixo, na maior democracia do mundo, o Presidente sempre cuidou de controlar a Suprema Corte PARA PODER GOVERNAR, Roosevelt chegou ao desplante de tentar aumentar o numero de Juízes de 11 para 16 para poder ter a maioria dele, ninguém o chamou de ditador por isso.

Governo precisa ter força, a eleição dá legitimidade, o Governo não pode temer essas corporações como se fossem Estados Soberanos, um concurso publico não é titulo de nobreza e nem dá poder de Príncipe.

O caso dessa Operação Lava Jato é emblemático. O Judiciário, a Procuradoria e a Policia são independentes MAS em operações e processos que tem GRANDES EFEITOS POLÍTICOS, o PODER ELEITO não pode ser acuado ou acossado ou pego de surpresa. Assim é na França, nos EUA, na Alemanha. Essa preponderância do PODER ELEITO não é para seu proveito e sim para a GOVERNABILIDADE DO ESTADO, o Estado é um valor mais amplo que o interesse de um processo, o Estado é o Pais no passado, no presente e no futuro, uma operação como a Lava Jato ACUA O CONGRESSO, A PRESIDÊNCIA, LIQUIDA EMPRESAS E EMPRESÁRIOS , causa muito mais danos que benefícios para regozijo de um salvacionismo que tem custos muito mais altos que seus eventuais benefícios.

Um País por mais democrático que seja tem que ter um PODER CENTRAL com autoridade maior , o PODER EXECUTIVO corre riscos muito maiores que os outros Poderes e precisa estar mais protegido do que esses, o PODER EXECUTIVO vê o Pais como um todo, os efeitos e consequências de atos que geram repercussão em múltiplos setores.

Na França uma operação que vá por exemplo prender o presidente da TOTAL ou da DASSAULT não se faz sem consulta e aprovação do Presidente da Republica, exatamente porque quem pode avaliar o dano ao Estado é o Presidente e não um juiz isolado e um delegado de policia.

Nos EUA o empresario Marc Ruch, dono da Glencore, maior trading de commodities do mundo, fugiu para a Suíça por causa de um processo fiscal de US$300 milhões, no qual poderia ser preso, lá ficou por anos, quando sua mulher Denise passou por Nova York e foi ameaçada de prisão, o Presidente Clinton foi avisado e baixou Ordem Executiva PERDOANDO o débito fiscal e extinguindo o processo, na prática uma anistia fiscal especial, fez porque podia fazer, teve algumas criticas e o assunto se encerrou, Clinton julgou que uma prisão desse casal prejudicaria uma grande empresa que mesmo estando na Suíça era vinculada aos EUA.

A Presidente Dilma deveria ter indultado todos os réus do Mensalão, o Pais sairia lucrando.

Os danos da Lava Jato vão impactar o crescimento nos próximos anos, vão levar parte das empreiteiras à quebra, perda de milhares de empregos, essas empreiteiras eram as locomotivas de muitas PPP, concessões e obras do PAC, empresários que não estão na Lava Jato vão deixar de fazer novos negócios porque agora tudo é perigoso e arriscado no Brasil, executivos e empresários podem ser presos as 6 da manhã sem que exista processo formado, é tudo secreto antes da prisão, como fazia a NKVD ao tempo de Stalin, criou-se um clima de terror policial entre os empresários do Pais, evidentemente que os operadores da Lava Jato não estão nem um pouco preocupados com isso, só lhes interessa o processo, o resto não é problema deles, é só do País.

A reaproximação EUA/Cuba é parte da dominação de amplo espectro norte-americana

Por Rennan Martins | Vila Velha, 18/12/2014

O histórico episódio não se contradiz com a intenção dos EUA de impor uma ordem unipolar no mundo.

Obama e Raúl Castro surpreenderam o mundo ontem (17), entrando para a história ao anunciar a reaproximação entre Washington e Havana, depois de 53 anos. Nas conversações mediadas pelo Papa Francisco, pavimentou-se o caminho para a normalização das relações entre os países. Houve troca de prisioneiros acusados de espionagem e o anúncio de uma série de medidas que flexibilizam o bloqueio a ilha.

Dentre as mudanças mais representativas temos que as remessas financeiras de indivíduos residentes nos EUA para Cuba serão ampliadas de US$ 500 para US$ 2 mil trimestrais. A lista de produtos autorizados a serem exportados para a ilha aumentará, principalmente os equipamentos de agricultura e materiais de construção civil. Empresas norte-americanas poderão abrir contas em instituições financeiras cubanas e bandeiras de cartão de crédito ianques terão seu uso habilitado no país socialista.

No campo diplomático, temos que o secretário de Estado norte-americano Jhon Kerry foi instruído a retomar as relações com Cuba. Ocorrerá também a revisão do status do país caribenho, hoje incluso na lista de nações que promovem o terrorismo. Por fim, a mais importante das mudanças, a embaixada americana será reaberta em Havana.

O observador desatento talvez interprete essa atitude do presidente Obama como um gesto humanitário, um reconhecimento de que o embargo é ilegítimo e que o povo cubano tem de ter respeitada sua autodeterminação. No entanto, ao analisarmos o quadro internacional e a postura de Washington em relação a outros players, principalmente no que se refere a região eurasiática, fica evidente que a retomada dos diálogos é uma medida pragmática, condizente com a doutrina de dominação de amplo espectro norte-americana.

Desde o final do ano passado a Ucrânia está numa crescente de desestabilização promovida pelos EUA, por lá financiaram mais uma de suas “revoluções” coloridas. Assistimos então o golpe de Estado que retirou da presidência Viktor Yanukovich, oligarca alinhado à Moscou. Kiev passou a ser controlada por uma junta cleptocrata submissa à Washington. Por lá já iniciaram as reformas austeras/liberalizantes receitadas pelo FMI.

Putin, ao notar o Tio Sam expandindo sua presença militar por meio da OTAN, prontamente incorporou a Crimeia, região ucraniana estratégica de população etnicamente russa que se opôs ao golpe promovido pelas forças da ultradireita apoiadas pelo Ocidente. Atualmente algumas regiões do leste ucraniano declararam independência e estão batalhando pela separação em relação ao oeste, onde está a frente do executivo o magnata Petro Poroshenko, colaborador da CIA desde 2006.

Soma-se a isso as ascendentes sanções econômicas contra a Rússia, instituídas usando-se de pretexto o conveniente abate ao boeing 777, voo MH17, da Malaysia Airlines, o qual a imprensa adestrada não mais comenta por conta dos fortes indícios de que o acontecido fora uma operação de falsa bandeira. Estas sanções estão atingindo fortemente a economia russa, que se viu obrigada a subir os juros básicos de 10,5% à 17%, medida emergencial adotada pelo Banco Central local no intuito de proteger o valor do rublo e conter a inflação.

No Oriente Médio o que vemos é a consolidação do Estado Islâmico, movimento dissidente da Al-Qaeda que foi instrumentalizado pelos EUA a fim de que conseguissem a derrubada do presidente sírio Bashar Al-Assad. Os que antes eram “guerreiros da liberdade” lutando contra a “ditadura brutal” do alauita Assad tornaram-se a escória da humanidade e perigo número um ao Ocidente, mas somente a partir do momento que resolveram dominar regiões do Iraque e Curdistão, de alta importância geopolítica e econômica para o cartel transnacional do petróleo.

Há de se levar em conta também a guerra de preços que a Arábia Saudita, eterno aliado dos EUA, está bancando. A monarquia sunita tem inundado o mercado de petróleo num momento de baixa demanda, o que resulta em uma queda sem precedentes no preço do barril, a qual prejudica diretamente diversos regimes não alinhados.

Esta agressiva atuação norte-americana na Eurásia objetiva controlar os fluxos energéticos da Ásia/Oriente Médio para a Europa e ainda desmantelar a cooperação sino-russa, vista como ameaçadora pelas lideranças neoconservadoras ianques.

É nesse contexto que se insere a mudança radical de rumos dos EUA em relação a Cuba. Há muito que a comunidade internacional condena o embargo a ilha e desde a chegada de Raúl Castro ao poder o regime tem mudado suas diretrizes econômicas, visando a integração com a América Latina e o aumento das trocas comerciais internacionalmente. Símbolo desse giro cubano é o porto de Mariel, projeto financiado pelo BNDES que envolveu mais de 400 empresas brasileiras.

Washington se encontrava isolada em sua posição intransigente em relação a Havana, e inclusive assistindo outros países se aproveitando das oportunidades oferecidas pela abertura cubana. Tomou então a decisão de normalizar paulatinamente as relações com a ilha castrista, no intuito de tutelar as mudanças que ocorrem em “seu quintal” e ainda legitimar de certa forma as intervenções supracitadas na Eurásia.

“Tudo deve mudar para que tudo fique como está”, a célebre frase do escritor Giuseppe Tomasi di Lampedusa nos dá a exata compreensão da postura dos EUA frente ao mundo.

A grande farsa do gás de xisto

Por Nafeez Mosaddeq Ahmed | Via Le Monde Diplomatique

Energia barata versus poluição prolongada: nos EUA, o dilema da exploração de gás e petróleo de xisto não atormentou industriais nem o poder público. Em menos de uma década, essas novas reservas recolocaram o país no crescimento, doparam o emprego e restabeleceram a competitividade. Mas e se for apenas uma bolha?

Se crermos nas manchetes da imprensa norte-americana anunciando um boom econômico graças à “revolução” do gás e do petróleo de xisto, o país logo estará se banhando em ouro negro. O relatório de 2012, “Perspectivas energéticas mundiais”, da Agência Internacional de Energia (AIE), informa que, por volta de 2017, os Estados Unidos arrebatarão da Arábia Saudita o primeiro lugar na produção mundial de petróleo e conquistarão uma “quase autossuficiência” em matéria energética. Segundo a AIE, a alta programada na produção de hidrocarbonetos, que passaria de 84 milhões de barris/dia em 2011 para 97 milhões em 2035, proviria “inteiramente dos gases naturais líquidos e dos recursos não convencionais” – sobretudo o gás e o óleo de xisto –, ao passo que a produção convencional começaria a declinar a partir de… 2013.

Extraídos por fraturamento hidráulico (injeção, sob pressão, de uma mistura de água, areia e detergentes para fraturar a rocha e deixar sair o gás), graças à técnica da perfuração horizontal (que permite confinar os poços à camada geológica desejada), esses recursos só são obtidos ao preço de uma poluição maciça do ambiente. Entretanto, sua exploração nos Estados Unidos criou várias centenas de milhares de empregos, oferecendo a vantagem de uma energia abundante e barata. Conforme o relatório de 2013, “Perspectivas energéticas: um olhar para 2040”, publicado pelo grupo ExxonMobil, os norte-americanos se tornarão exportadores líquidos de hidrocarbonetos a partir de 2025 graças aos gases de xisto, num contexto de forte crescimento da demanda mundial do produto.

Mas e se a “revolução dos gases de xisto”, longe de robustecer uma economia mundial convalescente, inflar uma bolha especulativa prestes a explodir? A fragilidade da retomada, tanto quanto as experiências recentes, deveria convidar à prudência diante de tamanho entusiasmo. A economia espanhola, por exemplo, outrora tão próspera – quarta potência da zona do euro em 2008 –, está hoje em maus lençóis depois que a bolha imobiliária, à qual ela se agarrava cegamente, explodiu sem aviso prévio. A classe política não aprendeu muita coisa com a crise de 2008 e está a ponto de repetir os mesmos erros no campo das energias fósseis.

Em junho de 2011, uma pesquisa do New York Times já revelava algumas fissuras no arcabouço midiático-industrial do boom dos gases de xisto, atiçando assim as dúvidas alimentadas por diversos observadores – geólogos, advogados, analistas de mercado – quanto aos efeitos da publicidade das companhias petrolíferas, suspeitas de “superestimar deliberadamente, e mesmo ilegalmente, o rendimento de suas explorações e o volume de suas jazidas”.1 “A extração do gás do xisto existente no subsolo”, escreveu o jornal, “poderia se revelar menos fácil e mais cara do que afirmam as empresas, como se vê pelas centenas de e-mails e documentos trocados pelos industriais a esse respeito, além das análises dos dados recolhidos em milhares de poços.”

No início de 2012, dois consultores norte-americanos soaram o alarme na Petroleum Review, a principal revista britânica da indústria petrolífera. Incertos quanto à “confiabilidade e durabilidade das jazidas de gás de xisto norte-americanas”, eles observam que as previsões dos industriais coincidem com as novas regras da Security and Exchange Commission (SEC), o organismo federal de controle dos mercados financeiros. Adotadas em 2009, essas regras autorizam as empresas a calcular o volume de suas reservas como bem entendam, sem precisar da verificação de uma autoridade independente.2

Para os industriais, superestimar as jazidas de gás de xisto permite pôr em segundo plano os riscos associados à sua exploração. Ora, o fraturamento hidráulico não apenas tem efeitos prejudiciais sobre o meio ambiente como coloca um problema estritamente econômico, uma vez que gera uma produção de vida muito curta. Na revista Nature, um ex-consultor científico do governo britânico, David King, esclarece que o rendimento de um poço de gás de xisto diminui de 60% a 90% após seu primeiro ano de exploração.3

Uma queda tão significativa torna evidentemente ilusório qualquer objetivo de rentabilidade. Depois que um poço se esgota, os operadores devem escavar imediatamente outros para manter seu nível de produção e pagar suas dívidas. Sendo a conjuntura favorável, essa corrida pode iludir durante alguns anos. Foi assim que, combinada com uma atividade econômica decrescente, a produção dos poços de gás de xisto – frágil a longo prazo, vigorosa por algum tempo – provocou uma baixa espetacular dos preços do gás natural nos Estados Unidos: de US$ 7 ou 8 por milhão de BTU (British Thermal Unit) para menos de US$ 3 ao longo de 2012.

Os especialistas em aplicações financeiras não se deixam enganar. “A economia do fraturamento é destrutiva”, adverte o jornalista Wolf Richter na Business Insider.4 “A extração devora o capital a uma velocidade impressionante, deixando os exploradores sobre uma montanha de dívidas quando a produção cai. Para evitar que essa diminuição engula seus lucros, as companhias devem prosseguir bombeando, compensando poços esgotados com outros que se esgotarão amanhã. Cedo ou tarde esse esquema se choca com um muro, o muro da realidade.”

Arthur Berman, um geólogo que trabalhou para a Amoco e a British Petroleum, confessa-se surpreso com o ritmo “incrivelmente acelerado” do esgotamento das jazidas. E, dando como exemplo o sítio de Eagle Ford, no Texas – “É a mãe de todos os campos de óleo de xisto” –, revela que “a queda anual da produção ultrapassa os 42%”. Para garantir resultados estáveis, os exploradores terão de perfurar “quase mil poços suplementares, todos os anos, no mesmo sítio. Ou seja, uma despesa de US$ 10 bilhões a 12 bilhões por ano… Se somarmos tudo, isso equivale ao montante investido para salvar a indústria bancária em 2008. Onde arranjarão tanto dinheiro?”.5

A bolha do gás já produziu seus primeiros efeitos sobre algumas das maiores empresas petrolíferas do planeta. Em junho último, o diretor-presidente da Exxon, Rex Tillerson, queixou-se de que a queda dos preços do gás natural nos Estados Unidos era sem dúvida uma boa notícia para os consumidores, mas uma maldição para sua companhia, vítima da diminuição drástica dos lucros. Se, diante dos acionistas, a Exxon continuava fingindo que não perdera um centavo por causa do gás, Tillerson desfiou um discurso quase lacrimoso diante do Council on Foreign Relations (CFR), um dos fóruns mais influentes do país: “Logo, logo, perderemos até as calças. Não ganhamos mais dinheiro. As contas estão no vermelho”.6

Mais ou menos na mesma ocasião, a companhia de gás britânica BG Group se via às voltas com “uma depreciação de seus ativos referentes ao gás natural norte-americano da ordem de US$ 1,3 bilhão”, sinônimo de “queda sensível em seus lucros intermediários”.7 Em 1º de novembro de 2012, depois que a empresa petrolífera Royal Dutch Shell amargou três trimestres de resultados medíocres, com uma perda acumulada de 24% em um ano, o serviço de informações da Dow Jones divulgou essa notícia funesta, alarmando-se com o “prejuízo” causado ao conjunto do setor de ações pela retração do gás de xisto.

Da panaceia ao pânico

A bolha não poupa sequer a Chesapeake Energy, que, no entanto, é a pioneira na corrida aos gases de xisto. Esmagada por dívidas, a empresa norte-americana precisou vender parte de seus ativos – campos e gasodutos a um valor total de US$ 6,9 bilhões – para honrar seus compromissos com os credores. “A empresa está indo um pouco mais devagar, muito embora seu CEO a tenha transformado num dos líderes da revolução dos gases de xisto”, deplorou o Washington Post.8

Como puderam cair tanto os heróis dessa “revolução”? O analista John Dizard observou, no Financial Times de 6 de maio de 2012, que os produtores de gás de xisto haviam gasto quantias “duas, três, quatro ou mesmo cinco vezes superiores aos seus fundos próprios a fim de adquirir terras, escavar poços e levar a bom termo seus projetos”. Para financiar a corrida do ouro, foi necessário pedir emprestadas somas astronômicas “em condições complexas e exigentes”, lembrando que Wall Street não se afasta nunca de suas normas de conduta habituais. Segundo Dizard, a bolha do gás deveria, porém, continuar crescendo por causa da dependência dos Estados Unidos desse recurso economicamente explosivo. “Considerando-se o rendimento efêmero dos poços de gás de xisto, as perfurações devem prosseguir. Os preços acabarão por se ajustar a um nível elevado, e mesmo muito elevado, para cobrir não apenas dívidas antigas, mas também custos de produção realistas.”

Não se descarta, contudo, que diversas companhias petrolíferas de grande porte se vejam simultaneamente na iminência da ruína financeira. Caso essa hipótese se confirme, diz Berman, “assistiremos a duas ou três falências ou operações de compra de enorme repercussão; cada qual resgatará seus papéis, os capitais se evaporarão e teremos o pior dos cenários”.

Em suma, o argumento segundo o qual os gases de xisto protegeriam os Estados Unidos ou a humanidade contra o “pico do petróleo” – nível a partir do qual a combinação das pressões geológicas e econômicas tornará a extração do produto bruto insuportavelmente difícil e onerosa – não passa de um conto de fadas. Diversos relatórios científicos independentes, divulgados há pouco, confirmam que a “revolução” do gás não trará nenhum alívio nessa área.

Num estudo publicado pela revista Energy Police, a equipe de King chegou à conclusão de que a indústria petrolífera superestimou em um terço as reservas mundiais de energia fóssil. As jazidas ainda disponíveis não excederiam 850 bilhões de barris, enquanto as estimativas oficiais falam de mais ou menos 1,3 trilhão. Segundo os autores, “imensas quantidades de recursos fósseis permanecem nas profundezas da terra, mas o volume de petróleo explorável pelas tarifas que a economia mundial tem o costume de suportar é limitado, devendo além disso diminuir a curto prazo”.9

A despeito dos tesouros em gás arrancados do subsolo por fraturamento hidráulico, a diminuição das reservas existentes prossegue num ritmo estimado entre 4,5% e 6,7% por ano. King e seus colegas repelem, pois, categoricamente a ideia de que o boom dos gases de xisto poderá resolver a crise energética. Por sua vez, o analista financeiro Gail Tverberg lembra que a produção mundial de energias fósseis convencionais não aumentou depois de 2005. Essa estagnação, na qual ele vê uma das causas principais da crise de 2008 e 2009, anunciaria um declínio suscetível de agravar ainda mais a recessão atual – com ou sem gás de xisto.10 E não é tudo: numa pesquisa publicada em conjunto com o relatório da AIE, a New Economics Foundation (NEW) prevê que o pico do petróleo será alcançado em 2014 ou 2015, quando os gastos com a extração e o abastecimento “ultrapassarão o custo que as economias mundiais podem assumir sem causar danos irreparáveis às suas atividades”.11

Submergidos pela retórica publicitária dos lobistas da energia, esses trabalhos não chamaram a atenção da mídia nem dos políticos. É lamentável, pois podemos entender perfeitamente sua conclusão: longe de restaurar a prosperidade, os gases de xisto inflam uma bolha artificial que camufla temporariamente uma profunda instabilidade estrutural. Quando ela explodir, provocará uma crise de abastecimento e um aumento de preços que talvez afetem dolorosamente a economia mundial.

Referências:

1 “Insiders sound an alarm amid a natural gas rush” [Especialistas soam um alarme em meio a uma corrida de gás natural], New York Times, 25 jun. 2011.

2 Ruud Weijermars e Crispian McCredie, “Inflating US shale gas reserves” [Inflando as reservas de gás de xisto dos EUA], Petroleum Review, Londres, jan. 2012.

3 David King e James Murray, “Climate policy: oil’s tipping point has passed” [Política climática: o ponto de inflexão do petróleo passou], Nature, Londres, n.481, 26 jan. 2012.

4 Wolf Richter, “Dirt cheap natural gas is tearing up the very industry that’s producing it” [Gás natural sujo e barato está destruindo a indústria que o produz], Business Insider, Portland, 5 jun. 2012.

5 “Shale gas will be the next bubble to pop. An interview with Arthur Berman” [O gás de xisto será a próxima bolha a estourar. Entrevista com Arthur Berman], 12 nov. 2012. Disponível em: <www.oilprice.com>.

6 “Exxon: ‘losing our shirts’ on natural gas” [“Exxon: ‘perdendo as calças’ no gás natural”], Wall Street Journal, Nova York, 27 jun. 2012.

7 “US shale gas glut cuts BG Group profits” [O excesso de gás de xisto nos EUA reduz lucros do BG Group], The Financial Times, Londres, 26 jul. 2012.

8 “Debt-plagued Chesapeake energy to sell $6,9 billion worth of its holdings” [Pressionada pela dívida de energia, a Chesapeake vende US$ 6,9 bilhões de valor de suas participações], Washington Post, 13 set. 2012.

9 Nick A. Owen, Oliver R. Inderwildi e David A. King, “The status of conventional world oil reserves – hype or cause for concern?” [O estado das reservas de petróleo convencional do mundo – publicidade exagerada ou motivo de preocupação?], Energy Policy, Guildford, v.38, n.8, ago. 2010.

10 Gail E. Tverberg, “Oil supply limits and the continuing financial crisis” [Limites do abastecimento de petróleo e a continuação da crise financeira], Energy, Stanford, v.35, n.1, jan. 2012.

11 “The economics of oil dependence: a glass ceiling to recovery” [A economia da dependência do petróleo: um teto de vidro para a recuperação], New Economics Foundation, Londres, 2012.

Ilustração: Daniel Kondo

*- Nafeez Mosaddeq Ahmed é cientista político, é diretor do Institute for Policy Research and Development, Brighton, Reino Unido.

Após 53 anos, EUA e Cuba anunciam conversas para ‘normalizar’ relações diplomáticas

Por Vanessa Martina Silva, Felipe Amorim e Rafael Targino | Via Opera Mundi

Um ano atrás, Obama e Raúl se cumprimentaram durante o enterro do ex-presidente sul-africano Nelson Mandela, em Johanesburgo. Agência Efe

Ainda nesta quarta, Washington e Havana trocaram prisioneiros: Alan Gross e os três restantes do grupo dos Cinco Cubanos foram libertados.

Os presidentes dos EUA, Barack Obama, e de Cuba, Raúl Castro, anunciaram nesta quarta-feira (17/12) as maiores mudanças nas relações entre os dois países desde a imposição do embargo norte-americano à ilha em 1961. Entre as medidas, estão o início das conversas para a normalização das relações diplomáticas, a flexibilização do bloqueio econômico e a libertação, por parte dos cubanos, de 53 presos políticos.

Ainda nesta quarta, Washington e Havana trocaram prisioneiros: enquanto Cuba libertou o norte-americano Alan Gross, que cumpria pena de 15 anos na ilha por espionagem, Washington soltou também os últimos três dos Cinco Cubanos presos nos EUA, também acusados de espionagem.

As negociações entre os dois países começaram há cerca de 18 meses, no Canadá, e incentivadas pelo papa Francisco. Obama e Castro conversaram na manhã desta quarta pelo telefone – a primeira vez que mandatários dos países o fizeram desde o embargo – e selaram o acordo para a libertação dos prisioneiros.

As medidas anunciadas pelos dois governos incluem:

Diplomacia:

· Secretário de Estado norte-americano, John Kerry, foi instruído para retomar imediatamente os diálogos com Cuba para reatar relações diplomáticas, interrompidas em janeiro de 1961

· Reabrir embaixada norte-americana em Havana para “trocas de alto nível”

· Manter diálogos com Cuba sobre: imigração, direitos humanos, combate às drogas

· EUA participarão da reunião da Cúpula das Américas em 2015, evento diplomático da OEA (Organização dos Estados Americanos) para o qual Cuba recebeu convite expresso do Panamá

· EUA revisarão inclusão de Cuba na lista de países que promovem terrorismo, status que a ilha acumula desde 1982

Viagens:

· Flexibilização das restrições a viagens entre os países: mais vistos serão disponibilizados a famílias, funcionários de governos, jornalistas, pesquisadores, grupos religiosos, ativistas humanitários e outros

Economia:

· Mudanças nas políticas econômicas dos departamentos do Tesouro e Comércio com relação a Cuba

· A permissão para o envio trimestral de remessas financeiras de indivíduos nos EUA para Cuba serão ampliadas de US$ 500 para US$ 2 mil

· Mais produtos dos EUA receberão autorização para serem exportados para Cuba, como material de construção civil e equipamentos de agricultura

· Cidadãos norte-americanos poderão obter licença para importar bens no valor de até US$ 400, mas não mais do que US$ 100 em bebidas alcóolicas e tabaco

· Empresas dos EUA terão permissão para abrir contas em instituições financeiras cubana

· Cartões de crédito e débito de bandeiras norte-americanas poderão ser usados por estrangeiros em Cuba

· Empresas de telecomunicações e internet dos EUA deverão ter mais liberdade para operar na ilha e poderão construir estruturas para intercambiar informação entre Cuba e EUA

Castro

Os discursos de Castro e de Obama foram quase simultâneos.

O cubano ressaltou a importância da retomada nas relações diplomáticas entre Cuba e os Estados Unidos. O líder afirmou que a “decisão de Obama merece respeito e reconhecimento do povo cubano”.

Os três dos Cinco Cubanos, que estavam detidos nos Estados Unidos desde 2001, já estão em solo cubano, afirmou o mandatário, que anunciou também a libertação de outras pessoas “sobre as quais o governo dos EUA demonstraram interesse”.

Cubanos assistem, em Havana, a discurso do presidente Raúl Castro. Agência Efe

Raúl ressaltou ainda que, apesar dos avanços, “o principal ainda não foi resolvido”. Isso porque Obama anunciou medidas para flexibilizar o bloqueio econômico imposto a Cuba desde 1961, mas não seu levantamento total. “O bloqueio econômico, que provoca tantos danos a nosso país, deve cessar”. Na opinião do mandatário, “o governo dos EUA pode modificar a aplicação da lei em uso de suas faculdades executivas”. O discurso do líder cubano foi encerrado ressaltando a necessidade de que o “governo dos EUA adote medidas mútuas para melhorar o clima bilateral e avançar para a normalização dos vínculos entre os países” e exortou o governo dos Estados Unidos a remover os obstáculos que “impedem o vínculo entre nossos povos as famílias e cidadãos de nossos países”.

Por fim, reconheceu as “profundas diferenças em matéria de soberania nacional, democracia e direitos humanos”, ressaltou a continuidade da revolução “sem renunciar aos nossos princípios” e destacou as dificuldades enfrentadas para levar adiante a atualização do modelo econômico do país “para construir um socialismo próspero e sustentável”.

Obama

Obama, por sua vez, falando da Casa Branca, disse que as medidas “criam mais oportunidades para os dois povos”. “50 anos [de embargo] mostram que o isolamento não funcionou. É hora de fazer uma aproximação”, afirmou.

Obama afirmou que política em relação a Cuba mostra que isolamento “não funcionou”. Agência Efe

O norte-americano comparou a situação das relações com Cuba à das com a China e com o Vietnã. “Nós temos relações com a China, que também é um país comunista. Assim como com o Vietnã. É por isso que, quando tomei posse, prometi reexaminar nossa política em relação a Cuba.”

“Nem o povo americano, nem o cubano, são servidos [atualmente] por uma política rígida que tem raízes em eventos que tiveram lugar antes de muitos nós sermos nascidos”, destacou Obama – ele mesmo, lembrou, nascido em 1961, ano em que o embargo à ilha foi imposto pelo então presidente John Kennedy.