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Dilma e a República dos Economistas

Por Rodrigo Vianna | Via Escrevinhador

DCI

Comandada por Levy, a República dos Economistas quer interditar o debate. Quer fazer crer que a “única saída” é fazer (de novo?!) a “lição de casa” liberal. Ora, o Mundo entrou em crise em 2008 porque os países centrais do capitalismo aceitaram a desregulamentação total – sob domínio do mundo financeiro.

O Brasil já teve sua “República dos Bacharéis”. Durante a primeira fase republicana (1889-1930), o ambiente político era dominado pelo vocabulário jurídico e recheado de frases pomposas em latim – forjadas nas “Academias” de Direito (especialmente, a Faculdade do Largo São Francisco, em São Paulo).

Era um saber disponível para poucos. Era a marca distintiva do poder.

Numa aproximação simplista, penso nos bacharéis e suas frases barrocas ao deparar-me com o ambiente que vai dominando o debate político no Brasil nesse início do segundo mandato de Dilma. Em vez de “República dos Bacharéis”, vivemos sob uma espécie de “República dos Economistas”.

Reparem nos símbolos, nas operações poucos sutis – escancaradas pela capa de “Veja”. A revista conservadora paulista contrapõe Dilma e Joaquim Levy, sob o título: “O Poder e o Saber”. É como se a legitimidade não estivesse nas mãos de quem elegemos pelo voto. Mas no “saber” de poucos escolhidos – que sabem adotar a “verdadeira” cartilha econômica.

É um saber disponível para poucos. É a marca distintiva do poder.

FGVs, PUCs do Rio, UFRJs e FEAs/USP substituem a velha academia do Largo São Francisco. Só há hoje um vocabulário aceitável no trato das coisas de Estado. O poder está nas mãos dos economistas e consultores. É uma questão “técnica”.

O “mercado” e seus consultores são os únicos ouvidos pelo Banco Central antes de definir a taxa Selic. A razão de Estado está seqüestrada por um saber “técnico” que encobre interesses claros: os consultores que pedem juros mais altos trabalham para bancos que ganham com os juros.

Simples, mas bem disfarçado.

Habilidoso, Levy usou no discurso de posse como novo Ministro da Fazenda o conceito de “patrimonialismo” – que, segundo ele, é preciso combater. Trata-se da apropriação clara, por uma visão anti-Estado, de um conceito forjado pela sabedoria de Raimundo Faoro, no precioso livro “Os Donos do Poder”.

Levy é festejado pela velha mídia (em tudo – ela mesma – patrimonialista, familiar e conservadora) como um bom “liberal”, capaz de se contrapor aos excessos estatistas da era Guido Mantega.

Estamos salvos pela sabedoria de Levy!

Somos informados que alguns dos escolhidos pelo novo ministro estudaram em Chicago – que há tempos substituiu a velha Coimbra, como meca acadêmica para onde a elite envia seus filhos e netos. Afonso Arinos de Melo Franco Neto (reparem na grandiloquencia do sobrenome) é um dos neo-sábios assessores de Levy; carrega o nome de um senador udenista dos velhos tempos (e carrega o mais importante: a chancela de Chicago e da FGV-RJ).

Em verdade, desde a redemocratização, em 1985, o debate político vinha sendo dominado pelos economistas. Mesmo aqueles nem tão liberais -como Sayad e Bresser, nos idos do governo Sarney…

Foi, aliás, o mais medíocre dos “economistas” sarneyzistas quem virou dono da principal “Consultoria” econômica liberal: o ex-ministro Mailson da Nóbrega criou a “Tendências” – com escritório (sintomaticamente) na rua Estados Unidos, em São Paulo. Nos anos 90, jovem repórter da Globo, era na “Tendências” que eu colhia as entrevistas de “especialistas” que endossavam a política neoliberal de Malan/FHC.

Reparem: Maílson – um funcionário público de carreira, um quadro forjado no Estado brasileiro e que chegou quase por acaso a Ministro da Fazenda com Sarney – colocou-se alguns anos depois a serviço de um projeto que defendia o desmonte do Estado.

Naquela época, Gustavo Franco, Malan e Armínio Fraga – secundados pela rapaziada das “consultorias”, e pelos “colunistas” ligados ao mercado – fizeram crer que só havia uma saída para o país: “fazer a lição de casa” (expressão que ainda hoje me revira o estômago).

Os economistas sabiam o que era melhor para o Brasil: privatizar, financeirizar, reduzir o tamanho do Estado, abrir o país, “enterrar a Era Vargas” (como ousou dizer FHC – o arrogante sociólogo que chefiava a tropa de economistas liberais).

O Mercado devia trabalhar. Era isso. Ponto final. A história havia terminado com a derrocada da União Soviética. O resto era “nhem-nhem-nhem”.

Lula aceitou o jogo em 2002. Rendeu-se (ou parecia ter-se rendido) ao discurso da lição de casa. Iniciou o primeiro governo com a dupla Palocci/Meirelles e sob a égide mercadista. Mas, a partir de 2005/2006, mudou a tática, com a preciosa parceria de Guido Mantega.

Nascido em Gênova, próximo do PT desde os anos 80, Mantega – o mais longevo Ministro da Fazenda da história brasileira – no futuro será certamente estudado nas universidades (nas PUCs do Rio e FGVs, seria hoje massacrado): há que se compreender de forma honesta o papel dissonante – e grandioso – que ele cumpriu, ao adotar políticas econômicas em parte antagônicas ao chamado “mercado”.

Economia não é uma ciência pura (aliás, nenhuma ciência o é, nem a Matemática). Há um aparato técnico, evidentemente. Mas há escolhas. E no caso das Ciências Humanas, há injunções e interesses de classe em muitas formulações.

A República dos Economistas quer interditar o debate. Quer fazer crer que a “única saída” é fazer (de novo?!) a “lição de casa” liberal.

O Mundo entrou em crise em 2008 porque os países centrais do capitalismo aceitaram a desregulamentação total – sob domínio do mundo financeiro. O Brasil saiu-se razoavelmente bem da crise porque Mantega/Lula não escolheram a receita liberal diante da crise. Fizeram uma escolha.

Grécia, Espanha e Portugal adotaram a “lição de casa”, e seguem patinando em uma gravíssima crise que já não é “econômica” – mas social e política.

Claro que o Brasil precisa agora de algum ajuste em suas contas (gastou-se demais para incentivar o mercado interno). Claro que a conjuntura externa (com queda do preço das chamadas “commodities”) mudou.

Mas alto lá!

No Brasil, o Estado sempre puxou o desenvolvimento. Com Vargas e o trabalhismo, com a ditadura militar, com Lula/Mantega.

Dilma tentou dar mais um passo, reduzindo juros. Mas emparedada pela mídia financista, e com a falta de apetite para o bom debate público, foi derrotada.

Ganhou a eleição, mas perdeu o debate. É o que parece.

Com Levy, o setor financeiro está agora reocupando as posições estratégicas na gestão econômica – e tenta fazer crer que “não há saída”.

Na República dos Bacharéis, o Parlamento e as posições estratégicas de Estado também eram ocupados por uma elite que esgrimia o típico Liberalismo de fachada. Discurso liberal, prática política baseada no coronelismo e no voto de cabresto (quem quiser mais informação sobre isso, pode ler “Coronelismo, Enxada e Voto”, de Victor Nunes Leal).

O discurso bacharelesco, rococó (que ainda hoje ecoa pelo Poder Judiciário de gilmares e fuxes), encobria a real dominação dos fazendeiros – paulistas e mineiros, sobretudo.

Já naquela época, ouviam-se discursos de que o Estado devia estar a postos para garantir o “bom funcionamento do mercado”. Era um discurso encobridor da realidade.

Quando os fazendeiros perdiam dinheiro com as variações do preço do café no mercado externo, aí o Estado era chamado para acudi-los. Liberalismo de araque: na política e na economia.

Da mesma forma, os ultraliberais da Era FHC/Malan falavam grosso com o “excesso de direitos trabalhistas”, mas aceitavam que os bancos deviam ser salvos pelo Estado para evitar “crises sistêmicas”. O PROER, lembram-se?

Era o ponto cego da política “liberal” de FHC. Uma vez revelado, mostrou que esse discurso de “menos Estado” (seja com os fazendeiros/bacharéis da República Velha, seja com Malan ou com Levy) serve sempre para encobrir a prática de “menos Estado para as maiorias, e mais Estado a serviços dos bancos”.

Votei em Dilma (e votaria de novo, repetidas as condições de 2014). E posso entender que o manejo de um país gigantesco requer concessões variadas. Mas aceitar que o discurso liberal fajuto ganhe de novo a hegemonia no debate é ceder em tudo.

Dilma cedeu, em parte. Mas (até agora) não cedeu tudo – como mostra o pito público recebido por Nelson Barbosa (o novo ministro do Planejamento, que propôs o balão de ensaio de mudar a política de ganhos do Salário Mínimo – um dos alicerces do lulismo).

É preciso travar esse debate. Não aceitar a tese da “lição de casa”. E fazer oposição dura a qualquer tentativa de desmonte do Estado e de redução dos direitos sociais e trabalhistas.

Não se trata, aliás, de “Estado x Mercado”. Não! A disputa central no governo Dilma é outra: mais Estado para muitos ou mais Estado para atender aos interesses de poucos.

A Caixa continuará sendo a Caixa com a abertura de seu capital?

Por Jorge Mattoso | Via Brasil Debate

Para que o Brasil continue a assegurar crescimento com distribuição de renda e seja capaz de enfrentar crises internacionais e de crédito, é preciso manter um banco público forte e competitivo como a Caixa, capaz de dar conta tanto da concorrência bancária quanto de suas responsabilidades sociais.

Colocar ações da Caixa Econômica Federal no mercado poderia ajudar o processo de ajuste fiscal de curto prazo proposto pelo novo Ministério da Fazenda. Cerca de R$ 20 bilhões seriam destinados ao Tesouro Nacional – como inicialmente aventado. Mas poderia ser mais, dependendo dos resultados de novos estudos e da efetiva proporção do banco a ser destinada às ações.

Em contrapartida, a abertura de capital da Caixa levaria ao seu fim como banco público, até agora capaz de gerar políticas inovadoras, criar novos mercados, favorecer ações sociais e alavancar políticas anticíclicas quando do agravamento da crise econômica no mundo.

E tudo isso mantendo ao longo dos últimos doze anos bons níveis de lucratividade e assegurando significativos repasses de dividendos ao Tesouro Nacional.

Não seria irônico que isto ocorresse justo agora, quando vários países no pós-crise lamentaram não dispor de agentes capazes de alavancar políticas anticíclicas?

Caixa ontem e hoje

Para quem não se lembra, vale a pena recordar que, depois da incorporação do BNH em 1986 e durante os anos 1990, a Caixa foi mantida aos trancos e barrancos.

O resultado foi uma reestruturação financeira e patrimonial realizada em 2001 com o intuito de privatizá-la.

Formou-se uma “cultura de privatização” por meio de várias decisões tomadas, tais como: a venda da Datamec – empresa da Caixa que tratava da informática, a entrega dos serviços lotéricos a uma empresa privada (Gtech), a separação das atividades bancárias daquelas próprias às áreas de desenvolvimento urbano e de pagamento de benefícios sociais, a ampliação do número de empregados terceirizados, o desmantelamento da estrutura interna e da capacitação e treinamento dos empregados.

Neste período de hegemonia neoliberal, a Caixa deixou de ser utilizada como instituição financeira capaz de executar políticas públicas e perdeu espaço em um mercado bancário crescentemente competitivo, dado o descaso com a parte física – agências superlotadas, lotéricos desmotivados e escassos correspondentes bancários – e com a geração de produtos e serviços com tecnologia e qualidade.

Com isso, teve sua imagem comprometida junto à população, que passou a vê-la apenas como uma instituição destinada a depósitos de poupança e que sempre ocupava os primeiros lugares na lista de reclamações do Banco Central.

E mais, depois do ajuste patrimonial em 2001, a Caixa concentrou seus recursos em operações de Tesouraria direcionadas ao carregamento de títulos públicos, gerando daí quase todo o seu resultado líquido.

Assim, não apenas as políticas públicas foram abandonadas, mas o negócio de crédito comercial era visto como secundário – ou até mesmo desnecessário – nas operações da instituição.

A partir de 2003 este quadro foi amplamente revertido. A Caixa passou novamente a agir como banco público e participou de forma exemplar de um conjunto de políticas como a criação do crédito consignado, a ampliação do crédito para PF e PJ além do financiamento habitacional (mesmo antes do Minha Casa Minha Vida), a bancarização e ampliação do acesso aos bancos, os pagamentos mensais aos beneficiários do Bolsa Família, a realização de Feirões e as políticas de redução do spread bancário e de sustentação do crédito no País, quando do agravamento da crise internacional.

Mas buscou sempre assegurar, ao mesmo tempo, a sua rentabilidade e o desempenho econômico financeiro. Ampliou o crédito mantendo baixas taxas de inadimplência, e seu lucro líquido e os dividendos pagos ao Tesouro dispararam.

Apoiando as políticas públicas, mas de forma eficiente e como indutora do desenvolvimento do País, a Caixa cresceu nos últimos doze anos e se tornou a terceira maior instituição em ativos no Brasil – atrás apenas do Banco do Brasil e do Itaú.

Para termos uma ideia, em 2002 o ativo da Caixa era de R$ 128,4 bilhões e em setembro de 2014 seu ativo alcançou mais de R$ 1 trilhão. O lucro líquido obtido pela Caixa foi três vezes maior, se comparado a 2002.

Já os repasses ao Tesouro como dividendos eram inexistentes em 2002, mas foram de mais de R$ 4 bilhões em 2013, tendo alcançado o maior repasse da história em 2012 (cerca de R$ 7,7 bilhões).

A Caixa hoje e amanhã

Num primeiro momento, políticas destinadas a alterar lógicas de curto prazo do mercado bancário, efetivar políticas sociais visando a reduzir a desigualdade, ampliar o acesso a bens públicos e privados ou adotar medidas anticíclicas temporárias, podem exigir algum ajuste da lucratividade no curto prazo de um banco público como a Caixa.

Com o tempo, porém, a consolidação dessas políticas e a dinâmica da concorrência interbancária fortalecida – sobretudo quando outros bancos passavam a reconhecer e também participar dessas ações -, o ajuste era até mesmo transformado em maior lucro, como atestam os números apresentados pela Caixa ao longo dos doze últimos anos.

Para que o Brasil continue capaz de assegurar crescimento econômico com distribuição de renda e enfrentar crises internacionais e de crédito, precisamos continuar com um banco público forte e competitivo como a Caixa, capaz de enfrentar – ao mesmo tempo e em pé de igualdade – a concorrência bancária e suas responsabilidades sociais.

No entanto, na hipótese de efetivação de um IPO, como recentemente foi aventado, tornar-se-ia inevitável o domínio da lógica dos acionistas privados, mesmo que minoritários, no futuro da Caixa – que não poderia mais agir como o importante banco público que foi na maior parte de sua longa história de quase 154 anos.

De fato, considerando que a lógica do curto prazo se tornaria dominante, dificilmente a Caixa poderia continuar como instrumento de implementação de políticas públicas (sejam sociais, de incentivo ao mercado ou anticíclicas).

Se confirmada a abertura de capital, a Caixa deixaria de ser um banco público para se transformar apenas em mais um banco, funcionando plenamente na lógica das outras instituições bancárias.

Assim, a Caixa viveria um novo tempo, crescentemente desnecessária enquanto banco de propriedade majoritária do Estado, dado que deixaria de atuar como agente de políticas públicas.

Como consequência, muito possivelmente deixaria de existir enquanto Caixa, pois seria incorporada pelo Banco do Brasil ou vendida a algum banco privado.

Jorge Mattoso é professor do Instituto de Economia da Unicamp (aposentado), foi secretário municipal em São Paulo (2001-2002) e S.B.C. (2009) e presidente da Caixa Econômica Federal (2003-2006).

Líder do PMDB, Eduardo Cunha é citado na Lava Jato

Via Congresso em Foco

Segundo a Folha, procurador-geral da República vai pedir ao STF abertura de inquérito contra o peemedebista, candidato à presidência da Câmara. Deputado nega ter recebido dinheiro de esquema.

Eduardo Cunha: “Ele não afirma que se trata de mim, mas que apenas ouviu dizer. E a localização não tem nada a ver comigo”

Considerado favorito à eleição da Câmara, o deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) é um dos políticos citados na Operação Lava Jato e será alvo de pedido de investigação no Supremo Tribunal Federal (STF) por parte do procurador-geral da República, Rodrigo Janot. A informação é da Folha de S. Paulo. Líder do PMDB, Eduardo Cunha nega qualquer envolvimento em irregularidades e diz que a suspeita é “frágil”.

De acordo com a reportagem, o peemedebista é suspeito de ter recebido dinheiro do esquema por meio do policial federal Jayme Alves de Oliveira Filho, o Careca, apontado como um dos responsáveis por entregar dinheiro a políticos a mando do doleiro Alberto Youssef, que fazia a triangulação entre empreiteiras e agentes públicos envolvidos em esquema de cartel e corrupção na Petrobras.

Segundo a Folha, Janot deve pedir, no início de fevereiro, a abertura de inquéritos e apresentar denúncias contra os envolvidos no esquema que só podem ser julgados pelo Supremo, como parlamentares e ministros. Nesse caso haverá uma distinção: as denúncias serão apresentadas no caso daqueles que têm provas contra si; já os inquéritos, contra quem há somente indícios – caso de Eduardo Cunha, de acordo com o jornal. Caberá ao ministro Teori Zavascki, relator da Lava Jato no STF, decidir pelo andamento das investigações.

Em entrevista à Folha, Eduardo Cunha disse que já tinha conhecimento da citação de seu nome por parte do policial. O deputado relata que, no depoimento, Careca afirma que entregou determinado valor em um condomínio na Barra da Tijuca, no Rio, e que “teria ouvido dizer” que se tratava de seu endereço. “É um fato absolutamente conhecido. Ele não afirma que se trata de mim, mas que apenas ouviu dizer. E a localização não tem nada a ver comigo, o endereço não bate com o meu endereço. Estou absolutamente tranquilo”, disse o peemedebista aos repórteres Severino Motta e Gabriel Mascarenhas.

Putin aproveitou queda do Rublo para recuperar papéis de petróleo nas mãos de EUA e Europa

Via Opera Mundi

Em coletiva em meados de dezembro, Putin garantiu que quedo rublo não afetará população do país. Efe

Com manobra, país recuperou 30% dos ativos do petróleo e, em apenas alguns dias, lucrou mais de US$ 20 bilhões.

Diante da forte queda do rublo verificada no final de 2014, o presidente da Rússia, Vladmir Putin, aproveitou o momento de desvalorização da moeda e recuperou os 30% de ativos do petróleo e gás que estavam nas mãos de empresas financeiras internacionais norte-americanas e europeias, conseguindo lucros de mais de US$ 20 bilhões em apenas alguns dias.

Em dezembro, o rublo começou a cair vertiginosamente e começaram rumores de que a Rússia não tinha fundos suficientes para contornar a situação. O preço das ações das companhias energéticas russas então caíram ainda mais e os investidores começaram a vendê-las com o receio de que seguissem se depreciando.

Diante do cenário, Putin esperou uma semana e “se limitou a sorrir em coletivas de imprensa. Quando o preço das ações caiu drasticamente, ordenou que fossem comprados todos os ativos que estavam nas mãos norte-americanas e europeias”, escreveu o jornal independente InSerbia.

Com a medida, os lucros de petróleo e gás permanecerão na Rússia e a moeda poderá crescer por si mesma, sem ter que gastar as reservas de divisas e ouro.

“Os tubarões financeiros europeus ficaram como tontos: em alguns minutos, a Rússia comprou com preço baixo os ativos de gás e petróleo que valem milhões de dólares. Uma operação inédita desde o aparecimento da bolsa de valores”, afirmou o jornal.

Partidos e movimentos sociais articulam-se para formação de frente de esquerda

Por Hylda Cavalcanti | Via RBA

Movimento pretende atuar nas ruas e no Congresso pela aprovação de agenda progressista, em contraponto às manifestações que pedem volta do governo militar e ideais direitistas.

Uma das mobilizações será para pedir que o deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ) seja punido por quebra de decoro

Brasília – O ano de 2015, além das mudanças no Executivo e Legislativo, será marcado também pela formalização de uma nova frente de esquerda, de caráter nacional, a ser formada por movimentos sociais diversos, centrais sindicais e partidos políticos. As articulações, que já estão adiantadas, têm sido realizadas entre algumas das principais centrais, lideranças de ao menos sete entidades e os partidos PT, PSOL, PCdoB e PSTU, conforme informaram organizadores do movimento.

A ideia partiu de um dos coordenadores do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), Guilherme Boulos, estimulado por declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre a necessidade de ser retomado o trabalho de mobilização dos movimentos sociais e partidos da esquerda, no último mês.

O intuito é trabalhar conjuntamente por objetivos em comum, como a reforma política, por exemplo, e o combate a agressões que envolvam qualquer tipo de discriminação ou atentado a direitos humanos e projetos como a democratização da mídia. Por conta disso, uma das mobilizações que já está sendo organizada é para pedir que o deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ) seja punido por quebra de decoro parlamentar. Em pronunciamento no plenário da Câmara, Bolsonaro – que em 2015 dará início ao seu sétimo mandato – disse que não estupraria a deputada Maria do Rosário (PT-RS) “porque ela não merece”.

Contraposição

A frente prepara uma série de atos públicos a serem realizados em vários estados. E o trabalho tem o intuito, também, de se contrapor ao avanço de grupos conservadores e de direita não só nas ruas, mas no Congresso e no governo federal.

Para se ter uma ideia, a primeira reunião a discutir a formação do grupo, além do MTST, contou com lideranças da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), Central de Movimentos Populares (CMP), Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), Levante Popular da Juventude, Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) e Via Campesina, entre diversas outras entidades. Além, claro, de representantes dos quatro partidos e integrantes de pastorais sociais católicas.

“Vamos atuar nas ruas e no Congresso, como contraponto ao avanço da direita, e ao mesmo tempo atuar para a aprovação de projetos importantes para o país”, contou o representante da CMP, Raimundo Bonfim. “Queremos criar uma frente popular que aglutine forças progressistas e amplie mobilizações sobre temas democráticos e que há anos esperamos para serem consolidados, como é o caso da reforma política”, completou Eduardo Cintra, do PT no Distrito Federal.

Constituinte

O primeiro encontro está programado para o início deste mês, com atos pedindo a convocação de uma constituinte exclusiva para a reforma política. Também está sendo organizado para fevereiro ato no Congresso Nacional para pedir pela cassação de Bolsonaro pelas ofensas verbais proferidas contra Maria do Rosário, que se configuraram como quebra de decoro parlamentar.

“O trabalho busca unidade, uma vez que temos muitos objetivos em comum e o primeiro semestre de 2015 deve ser de instabilidade política”, enfatizou o deputado Renato Simões (PT-SP). “Mais do que tudo, a frente ajudará a conscientizar a população para a importância destes projetos que vão ajudar no amadurecimento da democracia e no fortalecimento da República”, completou Geraldo Sampaio, da CMP.

O petróleo, a Petrobras e a geopolítica: Entrevista com Paulo Metri

Por Rennan Martins | Niterói, 03/01/2015

O ano de 2014 foi marcado por dois acontecimentos que afetam frontalmente a Petrobras, maior e mais importante estatal brasileira. Foram estes a enorme queda no preço do petróleo e a vinda à tona do já antigo cartel e propinoduto que azeitava executivos de empreiteiras, altos funcionários e partidos políticos.

Chamado de “petrolão” por razões puramente propagandísticas, o que vimos foi o uso indiscriminado deste esquema para explicar todo e qualquer fato negativo que envolvesse a Petrobras. Bastante clara também foi a tentativa de emplacar no atual governo federal toda a culpa por esse esquema atuante desde no mínimo a década de 90.

A fim de trazer uma informação contextualizada e menos influenciada por interesses escusos, entrevistei o conselheiro do Clube de Engenharia e colunista do Correio da Cidadania, Paulo Metri. Atento a toda a movimentação nacional e internacional do setor, Metri enxerga uma estratégia geopolítica em torno da baixa no preço do barril, considera que o risco de sanções judiciais influencia nas ações da estatal e diz ainda que os últimos governos – tanto tucanos quanto petistas – erraram em fazer tantos leilões de áreas de reservas petrolíferas e de gás natural.

Confira:

Este ano ocorreu uma queda substancial no preço do barril de petróleo. Como explicar este fato?

Paulo Metri. Globo/Reprodução

Metri: Trata-se de uma manobra de países grandes exportadores de petróleo para forçar uma baixa no preço do barril. A pergunta que todos fazem no momento é: “Por que os grandes exportadores estão inundando o mercado mundial de petróleo?”

Não se trata da entrada de um novo país exportador querendo colocar seu produto e, assim, induzindo a baixa. Também, petróleo não é um produto com alto grau de elasticidade que, com o barateamento do preço do barril, seu consumo passa a ser maior e, desta forma, os países exportadores não sofrem grande perda nas suas receitas.

Por outro lado, a OPEP existe desde os anos 1960 e é um cartel dos grandes exportadores atuando às claras. Ela sabe atuar para segurar o preço do barril a um nível escolhido. Fizeram isto muito bem em 1973 e 1979.

Então, restam, como explicações plausíveis para o aumento da oferta mundial de petróleo, que resultou na queda do preço do barril, duas hipóteses: (1) “dumping” promovido para matar a concorrência do óleo e gás de xisto e (2) jogada estratégica para criar grande dificuldade econômica a países com forte concentração da receita do petróleo no total das exportações.

Que países sentem os efeitos dessa baixa?

Metri: Sentem, como efeito positivo, todos os grandes importadores de petróleo do mundo. Por exemplo: Estados Unidos, China, Alemanha, Japão, Índia e França. Inclusive, esta queda no preço do barril deverá ajudar a recuperação da economia mundial.

Sentem, como efeito negativo, como já foi dito no item anterior, os exportadores nos quais a receita do petróleo é preponderante no total das exportações. Como exemplo, creio que todos que compõem a OPEP: Angola, Argélia, Líbia, Nigéria, Venezuela, Equador, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Irã, Iraque, Kuwait e Catar. Além destes, a Rússia, que não é membro da OPEP.

A variação de preços do petróleo cru de 14 de janeiro à 14 de novembro. Market Realist

Porque a OPEP está mantendo a superprodução? Que países a bancam? Quem são os beneficiados dessa medida?

Metri: Houve uma reunião recente da OPEP, na qual foi decidido, por maioria, que os países continuariam com as cotas de exportação que levaram à queda do preço do barril. Existia, nesta reunião, uma proposta da Venezuela para reduzir estas cotas de forma a segurar o preço do barril em torno de US$ 100. Ela foi derrotada.

A informação de quais países da OPEP bancaram esta decisão não é conhecida. Mas, fala-se que foram principalmente os países do Oriente Médio, sob a liderança da Arábia Saudita.

Quanto aos beneficiários desta medida, já foi respondido na pergunta anterior.

Uma pergunta que pode ser feita é: “Se os países-membros da OPEP, do Oriente Médio, saem prejudicados também, com menores receitas de exportação, porque eles forçaram a queda do preço do barril?” A única resposta plausível é que se trata de uma jogada geopolítica, envolvendo potências mundiais para aumentar seus poderios a nível internacional. E os países do Oriente Médio teriam compensações. Eventualmente, as compensações seriam dadas somente às oligarquias dominantes destes países.

Assim, os países alvo, que sairão muito prejudicados desta possível articulação, são Rússia, Irã e Venezuela, “casualmente” países desafetos dos Estados Unidos.

Em relação ao fracking. O petróleo de xisto tem potencial de fazer frente ao tradicional? Que efeitos geopolíticos são esperados com a massificação dessa prática?

Metri: No artigo de André Garcez Ghirardi, intitulado “Petróleo: a virada nos mercados globais e o pré-sal”, é dito que, tomando um preço médio do barril de US$ 85 nos próximos quatro anos, “estima-se que ainda permanecem claramente viáveis os melhores empreendimentos petroleiros fora da OPEP – a exemplo do Golfo do Texas nos EUA – assim como a produção brasileira na Bacia de Campos e no pré-sal de Santos, e ainda as áreas não convencionais (xisto) mais produtivas dos EUA, a exemplo da bacia de Bakken”. Ele continua dizendo: “Mas o preço de 85 dólares seria insuficiente para viabilizar a produção de petróleos mais caros como o não convencional (xisto) de áreas menos produtivas dos EUA (Woodford no Oklahoma) ou o pré-sal de Angola, ou as areias betuminosas canadenses, ou mesmo o petróleo ultra-pesado da Faixa do Orinoco na Venezuela.”

Uma das conclusões destas afirmações é que cada reserva é um caso específico, que deve ser analisada isoladamente. Grandes generalizações não são recomendáveis.

Como ficam a Petrobras e o Pré-Sal neste quadro? A exploração do Pré-Sal permanecerá viável?

Metri: É preciso fazer análises também para valores menores que US$ 85/barril. Fala-se até que o barril pode se estabilizar em US$ 60.

A Petrobras, por razões empresariais, não divulga o custo do barril do Pré-Sal. Entretanto, conhece-se como custo médio o valor de US$ 45. Além das condições de cada reservatório, os tributos (royalties, participação especial, contribuição para o Fundo Social e outros), dependem se a área foi concedida, cedida onerosamente ou entregue através de contratos de partilha. Então, estes US$ 45 podem variar muito. Mas, mesmo para o pior caso, o barril não deve ultrapassar US$ 60.

Quanto aos campos da bacia de Campos, o custo médio do barril está em US$ 15 e, assim, não há a mínima preocupação.

Como e em que medida os escândalos da Lava-Jato contribuem com a desvalorização da Petrobras?

Metri: A desvalorização das ações da Petrobras é, no meu entendimento, relacionada com a possibilidade dela ter que pagar altas indenizações da Justiça, a dúvida se o governo brasileiro conseguirá sustar a avalanche de roubos (que a nova diretoria de Governança não vai sustar) e, também, a manipulação de grandes investidores. Um destes investidores, quando compra uma ação da Petrobras, é porque a perspectiva de lucros futuros e de crescimento do patrimônio justificará a permanência do dinheiro nela aplicado. E ela, ainda hoje, se sai muito bem nesta avaliação. Os grandes investidores sabem que, quando as massas, sem fazer esta análise, em movimento emocional, passam a vender, é o momento de comprar.

Quanto ao caixa da empresa. É verdade que a Petrobras está numa situação financeira dificultosa?

Metri: Está, sim, em uma situação financeira apertada porque os governos FHC, Lula e Dilma já colocaram mais de 1.000 áreas do território nacional, propícias a terem reservas de petróleo e gás, em leilão através de 12 rodadas da ANP, e graças a um esforço gigantesco da Petrobras, para não deixar nosso petróleo ser usufruído por petrolíferas estrangeiras, ela arrematou muitas destas áreas. A Petrobras, com as reservas conhecidas até 2007 (ano da descoberta do Pré-Sal), abastece o Brasil durante 17 anos. Com as reservas do Pré-Sal pertencentes à Petrobras, o país estará abastecido por mais de 50 anos. Então, não havia necessidade de tantos leilões.

O país poderia, através da Petrobras, produzir petróleo para exportação. Mas, a exportação só deveria acontecer se o fluxo de caixa da empresa gerasse os recursos necessários para a implantação dos novos campos de exportação. Ou seja, a velocidade de leilões e da implantação de campos requerida pela ANP devia se adequar à disponibilidade financeira da Petrobras. Implícito está que fazer leilão para entregar o petróleo para empresas estrangeiras que irão exportá-lo é o pior dos mundos.

Finalmente, registre-se, por tudo que foi explicado, que a corrupção não é a causa principal para a Petrobras estar com dificuldade financeira de curto prazo.

Porque a retórica da crise na nossa mais importante estatal é tão explorada? A que interesses ela serve?

Metri: Ao capital internacional, principalmente às petrolíferas estrangeiras, e aos seus aliados no país, verdadeiros traidores do povo brasileiro. Serve, também, para a direita conseguir ludibriar incautos para, eventualmente, passar a deter o poder político do país.

A grande mídia reverbera a propaganda privatista? Porque?

Metri: A grande mídia é parte integrante do grande capital, principalmente daquele internacional.

O setor privado é menos corrupto que o público?

Metri: O corruptor, em todas as denúncias que nos chegam, é sempre um ente privado. Nunca vi um corruptor estatal. O corruptor (o agente ativo da corrupção) é tão corrupto quanto o agente passivo da corrupção, que é um funcionário do Estado.

No entanto, há roubos também dentro de empresas privadas. Quantas vezes ouve-se dizer que um sócio roubou o outro sócio? E o contador que rouba a empresa? O caso mais didático de roubo dentro de empresas privadas, que conheço, foi o dos CEO de empresas americanas, durante a crise de 2008, que deixaram suas empresas à beira da falência, mas eles tiveram excelentes remunerações.

Manteremos prioridade para América do Sul, Latina e Caribe, diz Dilma em discurso de posse

Via Opera Mundi

Petista assumiu segundo mandato nesta quinta-feira; ela falou em dar ênfase em relações com África, Ásia e países árabes.

A presidente do Brasil, Dilma Rousseff (PT), foi empossada pelo Congresso Nacional no segundo mandato no cargo nesta quinta-feira (01/01). No discurso de 42 minutos, feito após assinar o termo de posse, Dilma afirmou que manterá a prioridade na política externa para América do Sul, Latina e Caribe e sinalizou “ênfase” nas relações com África, Ásia e mundo árabe.

“Manteremos a prioridade para a América do Sul, a América Latina e Caribe, que se traduzirá num empenho de fortalecer o Mercosul, a Unasul e a Comunidade dos Países da América Latina e Caribe, a Celac, sem discriminação de ordem ideológica”, disse.

“Da mesma forma, será dada ênfase às nossas relações com a África, com os países asiáticos e com o mundo árabe. Com os Brics, nossos parceiros estratégicos globais, avançaremos no comércio, na parceria científica e tecnológica, nas ações diplomáticas e na implementação do Banco de Desenvolvimento dos Brics e a aplicação do acordo contingente de reservas.”

A presidente indicou também uma melhoria das relações com os Estados Unidos, desgastadas desde a revelação de que o Washington estava espionando o governo brasileiro.

“É de primordial importância aprimorar nossas relações com os EUA, por sua importância econômica, política científica e tecnológica, sem falar no volume de nosso comércio bilateral. (…) O mesmo é válido para nossas relações com a União Europeia e o Japão”, afirmou.

A mandatária brasileira apontou que vai insistir pela reforma dos principais organismos multilaterais, “cuja governança não reflete, hoje, a correção de forças global”.

A petista tem mandato até 1º de janeiro de 2019. Representantes de pelo menos 136 nações e 14 organizações internacionais vieram a Brasília nesta quinta para a posse. Além de ministros, enviados especiais e embaixadores de vários países, pelo menos 12 chefes de Estado e Governo representaram seus países durante a cerimônia.

Novo ministro

No último dia de 2014, apresentou o embaixador Mauro Vieira como novo ministro das Relações Exteriores, em substituição a Luiz Alberto Figueiredo, que assume o antigo posto de Viera em Washington.

Nascido no Rio de Janeiro, Vieira tem 62 anos e sucedeu Antônio Patriota na liderança da embaixada do Brasil nos Estados Unidos em janeiro de 2010. Antes de Washington, ele foi embaixador brasileiro na Argentina de 2004 a 2009.