Arquivos da categoria: Manchete

Eduardo Cunha e o extremo centro brasileiro

Por Rennan Martins | Vila Velha, 04/02/2015

Charge de Aroeira

Foi uma derrota acachapante do governo. No domingo, Eduardo Cunha elegeu-se presidente da Câmara, o terceiro na linha do poder, com o apoio de 267 parlamentares, quase o dobro do candidato petista Arlindo Chinaglia, que obteve somente 136 votos.

O discurso de campanha sobre independência e o tom conciliador que assumiu na posse não disfarçam suas opiniões, que constituem oposição ferrenha a propostas de grande apelo popular como o fim do financiamento de campanhas por pessoas jurídicas e a democratização dos meios de comunicação. Pode ser também esquecida a intenção de tornar lei o casamento igualitário já reconhecido pelo judiciário, Cunha é autor do curioso projeto de criminalização da “heterofobia”, que cá entre nós, só existe na cabeça dos inseguros.

A vitória do político-empresário Eduardo Cunha é também uma lição – que provavelmente não será compreendida – ao governo. Diante da guinada conservadora do legislativo, fruto da aderência dos eleitores ao cínico discurso único da imprensa hegemônica, houve uma capitulação do Planalto, que a fim de obter aliados distribuiu ministérios a figuras contestadíssimas como Joaquim Levy, Kátia Abreu, entre outros. O apoio não foi concretizado, o que se obteve é um dos maiores entusiastas do antipetismo num cargo chave para a dita governabilidade.

Alguns comentaristas ressaltaram o caráter oposto das propostas da Fazenda, de cortes orçamentários e superavit, as de Cunha, que fala de Pacto Federativo e Orçamento Impositivo. Suspeito que os dois conseguirão chegar a um denominador comum de “populismo” e corporativismo para o baixo clero parlamentar, conjugado ao arrocho nos setores que afetam a sociedade em geral. O perfil dos dois é de alinhamento aos poderosos, estão, portanto, a meio caminho do entendimento.

Mais relevante que a conjuntura é entender o significado deste apoio esmagador que recebeu o peemedebista. O brilhante escritor paquistanês, Tariq Ali, há muito diagnostica um fenômeno que ocorre nas democracias liberais, a formação do que ele batizou de “extremo centro”. Este bloco político é constituído por figuras originárias tanto da esquerda quanto da direita que aderem a uma gestão política empresarial onde negociam suas decisões de forma a obter o maior ganho pessoal ou partidário em todas elas.

Ali sustenta que conforme o capitalismo amadurece, o poder econômico avança sobre o sistema político e passa a cooptá-lo, resultando numa homogeneização de posições defensoras dos interesses dos principais financiadores de campanha, no caso do Brasil, as empreiteiras e bancos.

É sintomático deste processo o fato de Eduardo Cunha ser um campeão no recebimento de doações para campanha, tendo declarado ao TSE a arrecadação da bagatela de R$ 6,8 milhões no último pleito, chegando inclusive a formar uma bancada particular por conta da ajuda financeira prestada aos colegas na corrida eleitoral.

A corrupção das instituições democráticas pelo lobby acelera a deslegitimação da política frente a população, o que pode alimentar perigosamente as forças antidemocráticas já em ascendência nos últimos tempos.

A adesão cada vez maior a agenda neoliberal acelera o desgaste da frente trabalhista encabeçada por Dilma Rousseff, o extremo centro assume o controle e quem perde é a democracia e a sociedade civil, que se verão bloqueados por um congresso regressivo e servil a interesses privados.

Petrobras recebe maior prêmio da indústria de petróleo e gás offshore mundial

Via Portal Brasil

Prêmio será concedido em reconhecimento ao conjunto de tecnologias desenvolvidas pela empresa para a produção da camada Pré-Sal.

Em maio de 2015, em Houston (EUA), a Petrobras receberá pela terceira vez o prêmio OTC Distinguished AchievementAward for Companies, Organizations, and Institutions em reconhecimento ao conjunto de tecnologias desenvolvidas para a produção da camada Pré-Sal.

Esse prêmio é o maior reconhecimento que uma empresa de petróleo pode receber na qualidade de operadora offshore.

Em 1992, a Petrobras recebeu o prêmio por conquistas técnicas notáveis relacionadas ao desenvolvimento de sistemas de produção em águas profundas relativas ao campo de Marlim e, em 2001, por avanços nas tecnologias e na economicidade de projetos de águas profundas, no desenvolvimento do campo de Roncador.

Em carta comunicando a premiação à Petrobras, o Presidente da Offshore Technology Conference (OTC), Edward G. Stokes, destacou: “Este prêmio é um reconhecimento das conquistas notáveis, significativas e únicas alcançadas pela Petrobras, e das grandes contribuições para a nossa indústria (óleo e gás offshore). O comitê de seleção (da OTC) ficou extremamente impressionado com esta nomeação. As conquistas que a Petrobras fez na perfuração e produção desses reservatórios desafiadores são de classe mundial. A indústria aprendeu muito a partir das informações compartilhadas pela Petrobras sobre o Pré-Sal nos artigos e sessões apresentados na OTC. Nós todos nos beneficiamos do seu sucesso.”

Produção no Pré-Sal

O recente recorde de produção de óleo na camada Pré-Sal, de 713 mil barris diários de petróleo, obtido em 21/12/2014, demonstra a robustez das tecnologias aplicadas.

Krugman: Grécia põe Europa à prova

Por Paul Krugman | Via El País

Para poder fazer o que é certo, o continente deve deixar de substituir análises por moralização.

O ministro de Economia grego, Yanis Varoufakis. / KOSTAS TSIRONIS (REUTERS)

Nos cinco anos que se passaram desde o início da crise do euro, a lucidez escasseou consideravelmente. Mas essa falta de clareza tem que acabar imediatamente. Os últimos acontecimentos na Grécia representam um desafio crucial para a Europa: será que o continente é capaz de deixar para trás os mitos e a moralização e enfrentar a realidade de uma maneira que respeite seus valores essenciais? Caso contrário, todo o projeto europeu – a tentativa de consolidar a paz e a democracia através de uma prosperidade compartilhada – sofrerá um golpe terrível, talvez mortal.

Falemos primeiro desses mitos: muita gente parece acreditar que os empréstimos recebidos por Atenas desde o início da crise serviram para financiar a dívida grega.

A realidade, no entanto, é que a imensa maioria do dinheiro emprestado à Grécia foi utilizada simplesmente para pagar os juros e a parte principal de sua dívida. De fato, ao longo dos dois últimos anos, uma quantidade superior ao total enviado à Grécia foi reciclada da seguinte maneira: o Governo grego obtém mais rendimentos do que gasta em coisas que não são juros, e entrega os fundos adicionais a seus credores.

Ou, para simplificar as coisas um pouco mais, seria possível pensar que a política europeia representa um resgate econômico não apenas para a Grécia, mas também para os bancos dos países credores, e que o Governo grego simplesmente atua como intermediário (enquanto os cidadãos gregos, que viram seu nível de vida despencar, são exigidos ainda mais sacrifícios para que também possam aportar fundos a esse resgate).

Uma maneira de ver as exigências do recém-eleito Governo grego é que este quer que se reduza o valor desse aporte. Ninguém diz que a Grécia gasta mais do que recebe; a única coisa que se discute é a possibilidade de gastar menos em juros e mais em coisas como saúde e benefícios aos indigentes. E ao fazê-lo, a consequência seria uma redução enorme da taxa de desemprego grega, de 25%.

Mas a Grécia não teria obrigação de pagar as dívidas que seu próprio Governo decidiu contrair? É aí que entra em jogo a moralização.

É verdade que a Grécia (ou, para ser mais exato, o Governo de centro-direita que comandou o país entre 2004 e 2009) pegou emprestado de maneira voluntária uma quantia enorme de dinheiro. Mas também é verdade que os bancos da Alemanha e do resto do mundo emprestaram todo esse dinheiro para a Grécia de maneira voluntária. Em condições normais, seria de se esperar que as duas partes responsáveis por esse erro de julgamento pagassem por ele. Mas as entidades credoras privadas foram, em grande medida, resgatadas (apesar do “corte” de suas demandas em 2012). Enquanto isso, espera-se que a Grécia continue pagando.

Bem, a verdade é que ninguém acredita que a Grécia possa pagar tudo o que deve. Portanto por que não admitir essa realidade e reduzir os pagamentos a um nível que não imponha aos cidadãos um sofrimento eterno? Por acaso o objetivo é que a Grécia sirva de exemplo para outros países endividados? Se for assim, como se compatibiliza isso com os valores daquela que, supostamente, é uma comunidade de países democráticos e soberanos?

A pergunta sobre os valores ganha ainda mais força quando se leva em conta o motivo pelo qual os credores da Grécia continuam tendo poder. Caso se tratasse apenas de um problema de financiamento público, a Grécia poderia simplesmente declarar falência; o país não receberia mais empréstimos, mas também deixaria de pagar as dívidas que tem hoje e sua liquidez melhoraria claramente.

O problema da Grécia, no entanto, é a fragilidade de seus bancos, que atualmente (como os bancos de toda a zona do euro) têm acesso ao crédito do Banco Central Europeu. Se esse crédito é fechado, o sistema bancário grego provavelmente viria abaixo em meio ao pânico bancário. Portanto, enquanto continuar com o euro, a Grécia precisa da boa vontade do Banco Central, que por sua vez depende da atitude da Alemanha e de outros países credores.

Mas pensem na maneira como isso influi na negociação da dívida. Será que a Alemanha estaria realmente disposta a dizer a outra democracia da União Europeia: “Pague ou destruiremos seu sistema bancário”?

E pensem no que aconteceria se o novo Governo grego – que, afinal, foi eleito por prometer que vai acabar com a austeridade – não desse seu braço a torcer. É muito provável que esse caminho conduzisse a uma saída forçada da Grécia da zona do euro, com consequências econômicas e políticas que poderiam ser desastrosas para a Europa como um todo.

De um ponto de vista objetivo, resolver essa situação não deveria ser difícil. Ainda que ninguém saiba, o fato é que a Grécia avançou muito na recuperação de sua competitividade; os salários e os custos despencaram, de modo que, neste momento, a austeridade é o principal lastro sustentando a economia. Portanto, o que é preciso fazer é simples: deixar que a Grécia tenha superávits menores, mas positivos, o que mitigaria o sofrimento grego e permitiria ao novo Governo proclamar seu sucesso, o que aplacaria as forças antidemocráticas que aguardam nos bastidores. Enquanto isso, o custo para os contribuintes dos países credores – que nunca vão recuperar o importe total da dívida – seria mínimo.

Entretanto para poder fazer o que é correto seria necessário que outros europeus, mais concretamente os alemães, se esquecessem dos mitos egoístas e deixassem de substituir a análise pela moralização.

Será que conseguirão? É o que veremos em breve.

***

Paul Krugman é ganhador do prêmio Nobel de Economia e professor de Economia e Relações Internacionais na Universidade de Princeton.

Petrobras: a grande sabotagem

Por Bento Araújo

A mídia noticiou recentemente uma “suposta redução da produção na Petrobrás”, com a qual discordo e julgo descabido.

Foi noticiado internamente na empresa e no blog Desenvolvimentistas, e ainda continua sendo publicado, o que, na verdade, é um “Plano de Total Desinvestimento no Exterior”, ou seja, desde 2012, o que mais se fala na empresa, é a mudança radical do cenário que ele representa, pois tudo o que tudo o que foi comprado no exterior naquele “Plano de Internacionalização de FHC”, foi, na época, um ato intencional de vender a preços ínfimos ações na Bolsa de NY (NYSE) para propiciar uma drástica mudança de foco da empresa para o exterior, – uma espécie de “privatização branca” da gigantesca estatal petrolífera, pois naquela época, março de 1999, a Petrobras foi classificada pelo Forbes como a sexta empresa do mundo.

Esse programa de FHC teve várias denominações “programa desnacionalização”, “programa de internacionalização”, e, desde 2012, dada a importância da descoberta do Pré-sal, como mudou o cenário e também os planos, a Petrobras precisa vender essas unidades antigas no Exterior, compradas desde o início desse programa de FHC de internacionalização (desnacionalização), cujos resultados serão totalmente revertidos nos próximos anos. A Petrobras venderá a médio prazo, todas essas antigas unidades operacionais, pois muitas são antigas e obsoletas, e seu custeio para mantê-las seria muito alto. Todas essas unidades, seis compradas na era FHC no Exterior, pertencentes a multinacionais inglesas, espanholas e americanas na América Latina, mais as duas compradas pelo governo Lula (Okinawa e Pasadena) serão colocadas à venda, assim como as seis refinarias e unidades de produção, sendo uma delas a refinaria de Bahia Blanca.

O caso de Bahia Blanca foi uma negociata vergonhosa, feita com a empresa espanhola REPSOL, sete meses depois do afundamento da P-36, causado pelas ingerências do governo. Esse negócio foi um escândalo, que gerou perdas financeiras enormes para a Petrobras, coisa que a mídia e os políticos sequer comentam; tal sucata foi objeto de uma troca absurda, entregando-se uma refinaria de porte considerável, a moderna e eficiente REFAP – Canoas/RS, e mais o “brinde” de dez por cento das reservas do campo gigante de Albacora Leste (P-50). Todo esse patrimônio, que vale mais de três e meio bilhões de dólares foi trocado por uma bandeira de postos da Repsol – que valia muito pouco, – incluiu a obsoleta, minúscula refinaria de baixa complexidade de Bahia Blanca, a qual, além de não valer mais que 40 milhões de dólares, nunca deu lucro, e só amargou prejuízos para a Petrobras.

Tal negociata foi feita pelo genro do FHC, então chefe da ANP, sr David Zilbersztajn e pelo presidente estrangeiro da Petrobras, Monsieur Henry Phillipe, em dezembro de 2001, através de entendimentos com um parente de Carlos Menem, dono de um cassino de Buenos Aires, e antigo dono da Refinaria de Bahia Blanca.

As perdas financeiras provocadas por essa troca da Refap pela Refinaria de Bahia Blanca se agravaram depois da explosão ocorrida na unidade em 2012. Essa explosão causou mortes, e obrigou a unidade a permanecer fechada, sem condições de operar por muito tempo, com prejuízos enormes. Além disso, a Petrobrás ainda teve que pagar multas milionárias determinadas pela Justiça Argentina.

Portanto, esse acertado “Programa de Desinvestimento no Exterior”, anunciado em maio de 2012, foi amplamente divulgado no blog público da Petrobrás, logo após a demissão de Costa, em 30 de abril de 2012, e a demissão de Nestor Cerveró, que era diretor da Area Internacional. Ao assumir a presidência em 2012, a senhora Graça Foster exonerou o Cerveró da área internacional criada por FHC logo após a demissão de Costa, pois, além ser mudado o foco da empresa do mercado nacional para o Exterior, eles ainda realizaram, em março de 1999, uma absurda venda de um lote bilionário de ações (quase metade da Petrobras – 40% das ações OP PETR4), por um bilhão de dólares.

O governo brasileiro de então fez essa venda no pregão de Nova Iorque, ao mega-especulador norte-americano Sr George Soros, da Soros Fund Management e patrão de Armínio Fraga, então ministro do Banco Central (!) Na época, o comprador pagou com moedas podres do mercado imobiliário norte-americano, que nominalmente valiam 40 bilhões de dólares,– que pagou com moedas podres do mercado imobiliário americano, arrastados esses títulos na crise de alguns anos após. Esse negócio significou um enorme prejuízo para a Petrobrás, que deixou no NYSE a metade de seus lucros desde o ano 2000. George Soros, desde então já embolsou , apenas com a Petrobrás, mais de 90 bilhões somente no jogo de compra/vende aproveitando as altas e baixas das ações.

O patrimônio do Soros Fund Management” supera o PIB de muitos países, sendo ele o maior mega-especulador e mega-agiota do mundo. Armindo Fraga, que trabalha para Soros, muito ajudou nesses “negócios da China” no Brasil, e a empresa de Soros é o maior sócio privado da Petrobrás. Este foi um golpe de golpe de mestre na Bolsa de NY, pois as ações valiam mais de 45 bilhões de dólares e foram vendidas a um bilhão. Desde 2000, a Petrobras deixa no NYSE uma boa parte de seus lucros.

Sendo um antigo aplicador do mercado imobiliário norte-americano, Georges Soros percebeu ou antecipou o futuro colapso daquele sistema (que ocorreu em 2008) , e através de seu assistente ou assessor , o economista Arminio Fraga, passou a comprar os “negócios da China”, as “privatarias” de 65 empresas estatais brasileiras, 45 empresas estatais mexicanas e mais de 20 estatais na Argentina. Todos esses “negócios”, foram feitos respectivamente nos governos de FHC, Salinas e Menem. Esses verdadeiros “China Business” foram amplamente anunciados na imprensa internacional pelos bancos das privatizações, desses país, incluindo o BBA (Banco Bracher e Arida, pertencente aos senhores Fernão Bracher e Pérsio Arida), e o Banco Opportunity, do banqueiro Daniel Dantas, que teve sua prisão diligenciada pelo delegado Protógenes, e por cuja causa, para abafar o caso, Protógenes foi exonerado de suas funções na Polícia Federal.

Embora aposentado há dois anos na Petrobrás, lembro que em meus últimos anos passados na empresa esta já operava em muitos campos do Pré-Sal, reserva descoberta em julho de 2007, estimada em 80 bilhões de barris, que quintuplicou as reservas do Brasil. Acho que essa é a única explicação para os ataques ferozes do maior império consumidor de petróleo do mundo (EUA e Inglaterra). Todos esses campos do Pré-Sal estão batendo recordes diários e já estavam em operação inúmeros TLDs (Testes de Longa Duração) e FPSOs (Float Production Storage Operation), gigantesco navio-plataforma, que produz, no caso da Petrobras, cerca de 180 mil barris por dia e estoca mais de um milhão de barris. Essa carga é depois transferida para navios petroleiros, que leva o óleo para os Terminais da Petrobras.

Insisto, todas essas unidades estão em plena operação no Pré-sal, batendo recordes impressionantes a cada dia, e, na maioria das unidades com uma dezena de “poços produtores” e “poços de teste” – muitos uma com vazão surpreendente média de 40 a 45 mil barris por dia por poço, cada um capaz de abastecer uma refinaria.

Os TLDs são as unidades que operam na fase inicial do campo. Há 30 anos, essas unidades de produção inicial eram chamadas SPAs (Sistemas de Produção Antecipada) cujo objetivo, num prazo médio de 2 a 3 anos, é obter os dados da Geologia do petróleo, tais como viscosidade e grau API médio, para adequar a operação das futuras unidades definitivas.

No Brasil, novas regras legais surgiram desde 1997 com a criação da ANP (Agência Nacional do Petróleo), quando elas passaram a ser denominados TLDs (teste de longa duração), geralmente “unidades fretadas” disponíveis no mercado para operar na fase de testes. Essa é a maneira como atuam em todo o mundo, existindo grandes fretadoras de FPSOs de pequeno porte (SBM, Modec, BW, etc). Aqui no Brasil temos uma “limitação legal” criada pela ANP, pois em função dos “prazos prazos legais diferenciados” determinados pela ANP durante a sua criação em 1997, foi estabelecido para a Petrobras, um “prazo legal de três anos antes do início da operação após a “declaração da descoberta e da comercialidade do campo”. Esse prazo pode ser considerado arbitrário, porque para as petrolíferas estrangeiras, esse prazo é dilatado para oito anos.

Isso fez com que a Petrobras desde 1997, partisse para a opção dos “afretamentos” (aluguel de unidades na “fase de teste”, principalmente após o acidente da P-36, pois a pressa, a pressão e a ingerência da ANP, obrigaram a Petrobras, logo na descoberta do gigantesco Campo de Roncador em 1997, a fazer “contrato turn-key” para reduzir o prazo da obra, e atender aquela limitação legal absurda de apenas 3 anos para inicio da operação.

Se, no caso das grandes unidades, somarmos o prazo do “projeto conceitual e da Base de Projeto”, geralmente de um ano, e mais o prazo do “Projeto Básico”, que dura em média 18 meses nos casos de grandes unidades, considerando ainda o prazo do ‘Projeto de Detalhamento”, que demora na média, uns 24 meses e o prazo da obra que se inicia após o detalhamento, mais a fase de “pré-operação”, o prazo imposto não tem sentido, quando deveria, no mínimo, para cumprir com todas essas etapas, de 5 anos para a implantação de uma grande plataforma petrolífera. Também não se justifica que os prazos sejam diferentes para a empresa nacional e as estrangeiras privilegiadas. Tais regras foram estabelecidas pelos burocratas e advogados ligados aos senhores FHC e a seu genro, sr David Zilbersztajn, que nada entendem de obras de Engenharia.

Essa improvisação foi uma das causas do acidente e desastre da P-36. A ANP em concordância com a diretoria da época da empresa, Barusco e Duque, promoveram o contrato turn key, que não permite sequer uma eficiente fiscalização e controle. Nessa modalidade, a contratada assume todos os riscos, e o documento foi assinado com a Marítima em 1997. Tal empresa pertencia a um amigo de Zilbersztajn, sem qualquer experiência em plataformas petrolíferas. O acidente contou com outras causas coadjuvantes: falhas de construção pela inexperiência da empresa Marítima (o dono dessa empresa que construiu a P-36 é o Senhor German Eframovitch, um “testa-de-ferro” de Zilbersztajn, sendo que, com os lucros da P-36, ele pôde criar a empresa de aviação Oceanair, além de comprar a AVIANCA.

A produção na camada Pré-Sal, é portanto de alta produtividade em razão das características geológicas do petróleo leve da camada. Quando eu embarcava para resolver assuntos técnicos, os Geplats (Gerentes das plataformas) comentavam muito essa alta produtividade dos poços na camada Pré-Sal, que se estende numa faixa de 200 km da costa brasileira desde Santa Catarina até o sul da Bahia, na Bacia do Espirito Santo.

O que tenho acompanhado no blog da Petrobras, e nos sites do Sindipetro, é justamente o contrário da antipropaganda de “desinvestimento”: todos os investimentos da Petrobrás “no Brasil” serão mantidos, até porque os projetos estão adiantados, muitos já em fase de detalhamento e construção, incluindo os FPSOs “Replicantes” da Bacia de Santos, e os FPSOs da Cessão Onerosa. É interessante anotar que a empresa teve que pagar em dinheiro para a ANP, 5 bilhões de reais em 2011, para que não fosse leiloado.

Portanto, a notícia da redução dos investimentos da Petrobras só pode ser um equívoco ou uma interpretação equivocada da divulgação no blog da Petrobras sobre o Plano de Desinvestimento no Exterior, anunciado desde a demissão de Costa e Cerveró em março de 2012. Na mesma época, outros ex-diretores nomeados por FHC, ferozmente alinhados aos desmontes da internacionalização e extinção dos departamentos, e o fatiamento da empresa pela criação das Unidades de Negócio, foram demitidos (dois) e os outros se desligaram da Petrobrás para trabalhar em mercados privados ou para se aposentarem.

É importante também entender o desastre provocado pelo desmonte das 65 estatais lucrativas que foram privatizadas, sendo duas no governo Collor ( Usiminas e Acesita) e as outras 63 no governo FHC, incluindo o negócio mais lucrativo do mundo: as seis petroquímicas da Holding Petrobras que foram construídas pela Petrobras nas décadas de 1960 e 1970. Elas geram lucros exorbitantes para a Nação e agora esses lucros exorbitantes vão para os “bolsos privados” que as compraram a preços ínfimos em outros tantos “negócios da China”, ou seja, negociatas feitas por FHC em 1995 e 1996 como favores ao capital privado. Portanto todas as estatais lucrativas incluindo a metade das ações da Petrobrás e suas petroquímicas subsidiárias foram vendidas a preços ínfimos, além das 26 empresas de telecomunicações da Telebras, vendidas a “preço de banana” e com concessão de empréstimos, na maior parte para os espanhóis da Telefonica, crimes que se podem considerar de “lesa-pátria”.

Se as estatais fossem vendidas a preços corretos, na remuneração justa do capital, forneceriam recursos para construir e equipar vinte mil hospitais públicos, construir dez mil escolas, duas para cada cidade brasileira, e ainda sobraria para reconstruir as ferrovias brasileiras, sucateadas mais ferozmente também nos governos Collor e FHC.

Por essa razão, FHC criou uma REDE DE PROTEÇÃO, no “apagar das luzes” do governo em 2002, que proíbe por trinta anos (portanto até 2032) investigar todos os processos de privatização feitos no seu governo e ainda tornam sigilosos todos os documentos das privatizações, incluindo a venda das ações preferencias da Petrobras para o patrão de Armínio Praga, digo, Armínio Fraga, o megaespeculador George Soros dono da empresa de fomento que detém hoje o maior controle acionário privado da Petrobrás e ainda ele controla outras 25 empresas estatais de energia elétrica privatizadas no México, Argentina, Leste Europeu e Ásia.

Fernando Collor inclusive, contratou a consultoria de um banco estrangeiro para propor um maquiavélico Plano de Desnacionalização e Privatização das Estatais Brasileiras. O plano vazou na mídia empresarial por ser altamente lesivo aos interesses públicos, foi publicado na íntegra no jornal RR (Relatório Reservado – edição de Julho de 1990), com o título do relatório “Preliminary ideas for a privatization master plan in Brail of Petrbrás Group, Eletrobras Group, Telebras Group, Siderbras Group and Infraero Group – The First Suisse Bank of Boston – april 1990”.

O documento propôs centenas de ações governamentais e políticas “passo a passo” para fazer os desmontes nas 65 estatais brasileiras mais lucrativas, incluindo, o fatiamento dessas empresas em “Asets”, Unidades de Negócio, extinção de departamentos estratégicos e de todas as subsidiárias lucrativas, provocar sindicatos para fomentar “greves desgastantes”, internacionalizar a petroleira brasileira e vender ações no Exterior para tirar o foco nacional, desnacionalizar as empresas, nomear “aliados internos”, com algumas promoções “meteóricas” e muitas outras maldades.

Desejando-se conhecer o que sobrou após esses desmontes, digite-se o título no Google “Georges Soros e a Petrobrás”, e lá se encontrarão as últimas movimentações de Soros. Em 1999, ele ganhou a “raspadinha” do lote bilionário de quase metade das ações preferenciais da Petrobrás (PETR4) vendidas no NYSE por FHC e seu genro, a preços ínfimos. Soros pagou a bagatela de um bilhão de dólares com moedas podres do mercado imobiliário, depois ainda revendeu uma parte para outros investidores americanos em agosto de 2007, quando as ações tiveram a maior alta da história. Elas explodiram após a descoberta do Pré-Sal em julho de 2007, e agora, mais recentemente, durante todo o ano de 2014, com os ataques políticos no Brasil e o dumping mundial do preço do petróleo, iniciado em janeiro de 2014 – o qual fez cair pela metade o valor do barril de petróleo – golpe do Império para afetar os países produtores não-alinhados (Irã e Venezuela). As ações de 20 petrolíferas caíram desde janeiro do ano passado, e Soros aproveitou para recomprar as ações que ele vendeu na alta em 2007, recomprando agora na baixa.

***

Bento Araújo, professor e engenheiro, tem uma carreira de 45 anos na indústria, sendo que 26 anos na Petrobrás. Anteriormente trabalhou (19 anos) em outros setores da área de infra-etrutura, como o Setor Elétrico, pela subsidiária SBE da Eletrobras; na construção e ampliação da ACESITA, empresa siderúrgica produtora de aços especiais; e na Cia Vale do Rio Doce – obras de ampliação da Mina Conceição e Mina do Campestre, em Itabira.

É preciso enfrentar o lobby do mercado livre de energia: Entrevista com Roberto D’Araújo

Por Rennan Martins | Vila Velha, 02/02/2015

Vertedouro da UHE Três Marias

O ano de 2014 trouxe à tona a crise do setor energético brasileiro. A estiagem deste verão comprometeu ainda mais a geração hidrelétrica e as caras termelétricas estão ligadas praticamente todo o tempo. As perspectivas são negativas e o debate sobre a política de geração de energia nacional é mais que oportuno.

A fim de pensar esta questão estratégica evitando as fáceis respostas que culpam São Pedro por nossos problemas, o Desenvolvimentistas conversou com Roberto D’Araújo, engenheiro e diretor do Instituto Ilumina. D’Araújo critica com veemência o modelo de livre mercado adotado para o setor, tido como mimetista e importado de realidades alheias a brasileira. Aponta o grande desperdício que se dá na distribuição e enxerga na fragmentação do sistema um dos principais problemas a ser enfrentado.

Confira a íntegra:

Nos últimos meses a geração de energia no país tem se mostrado dificultosa. Como explicar este quadro? Que fatores nos fizeram chegar a este ponto?

Na realidade, a crise de garantia, atributo pelo qual pagamos uma das mais altas tarifas do planeta, já estava mostrando seus sinais desde 2009. Quem acompanha os indicadores do setor já sabia disso há pelo menos 5 anos. O desespero dos últimos meses na verdade são consequências da inação e equívocos anteriores.

Temos também a baixa hidrologia, atraso em obras, operação otimista e omissões do governo. Por exemplo, ao avaliar erradamente a aceitação da intervenção da medida provisória 579/2012 e o equilíbrio do sistema, deixou de fazer leilões absolutamente necessários para a contratação das distribuidoras. O resultado é um quadro regulatório confuso, judicializado e contas bilionárias para serem pagas pelos consumidores.

És um grande crítico da atual política para o setor. De que forma o atual modelo de política energética influencia na geração? Quais são seus principais defeitos?

Quem conhece o singular sistema físico de produção de energia elétrica sabe que o que foi imaginado pelo governo FHC, mas efetivamente implantado pelos governos Lula-Dilma é uma adaptação mimetizada de modelos mercantis implantados em sistemas de base térmica. Não há como não ser crítico. Todos os problemas foram relatados ao governo Lula em 2003, mas a política resolveu ouvir o “mercado” e desprezar os avisos.

O modelo, além de mimetismo de realidades alheias, é totalmente fragmentado. O planejamento precisa simular a operação, mas os critérios são distintos do real. Um parâmetro do operador vira paradigma de preço de mercado e gera variações de preço que alcançam 7.000 %, algo inédito e vergonhoso em qualquer mercado de energia. Os leilões de novas fontes são feitos através de um índice custo-benefício subjetivo só para dizer que “o mercado resolve”. O resultado foi a contratação de um número espantoso de térmicas a óleo combustível e diesel. Essas usinas caras são computadas na oferta, mas quem gera no lugar delas são as hidráulicas. Ao contrário do senso comum, elas esvaziam reservatórios.

Até que ponto a estiagem deste verão compromete o sistema? A seca não era prevista?

Compromete porque o sistema já estava fragilizado. O ano de 2014 não é o pior ano do histórico de vazões. Portanto, a base de dados do setor mostra situações piores para as quais deveríamos estar preparados. Isso não quer dizer que não se reconheça mudanças de longo prazo no clima. Muito ao contrário. O Rio S. Francisco mostra hidrologias declinantes há mais de 10 anos. Ou se atua sobre a bacia para tentar reverter essa tendência ou se incorpora a perda hídrica à base de dados reconhecendo a perda energética e o desequilíbrio. O que é enganoso é nada fazer.

A matriz energética brasileira é realmente muito dependente da água? No que isso acarreta?

É dependente da água, mas isso não é uma desgraça como as autoridades querem fazer crer para se postar de vítimas. O Canadá e Noruega também são. Uma gestão adequada faz com que na imensa maioria do tempo essa característica se reverta em enormes benefícios para a economia. Nós conseguimos fazer o contrário.

Que usinas estão comprometidas? Permanecendo a seca haverá necessidade de desligá-las?

Nesse momento, Furnas e Três Marias. Pode parecer pouco, mas elas estão nas cabeceiras dos Rios Grande e S. Francisco. São caixas d’água importantíssimas.

Se o nível cai mais ainda, há inclusive o risco de danos a turbinas por efeitos de cavitação. Será inevitável o desligamento.

O quanto as termelétricas conseguem suprir a demanda nacional? Estamos seguros com elas somente?

As térmicas brasileiras, não foram projetadas para funcionar 100% do tempo, como, aliás, nenhuma térmica. Numa estimativa realista, elas podem garantir apenas 30% da carga. Basta que o resto (hidráulicas + eólicas) não consiga atender o resto para termos racionamento.

Que perspectivas você tem para este ano? Existe possibilidade de um “apagão”?

O brasileiro precisa entender que ter ou não ter apagão ou racionamento é o menos importante. A nossa complacência não entende que a questão é o risco. Nós pagamos para um risco baixo, nos entregam um risco alto e fica tudo por isso mesmo. Parece que essa questão não faz parte da consciência do cidadão. Claro que o risco está altíssimo.

Que medidas podem ser implementadas para uma economia considerável de energia? Onde há mais gordura para ser cortada?

As perdas de kWh na distribuição são enormes. Não há como ter eficiência com a bagunça dos postes visíveis em qualquer cidade brasileira. Ela causa desligamentos e perdas. Enganam-se os que pensam que as distribuidoras perdem receita com interrupções. São mal fiscalizadas e, além disso, a energia que não se consumiu no apaguinho será consumida depois.

Coisas óbvias não funcionam no Brasil. Uma lâmpada dicroica de 50 W pode ser substituída por uma LED de 6W. Ai está uma usina de 44W que não aquece o ambiente. Quanto custa uma LED? Que impostos pagam?

Energia solar distribuída. Preço aproximado com muitos impostos e pouca regulamentação: US$ 4500/kW, o triplo de uma usina hidroelétrica. Pasme! Se a energia produzida na casa do consumidor for para a rede, se consumi-la de volta, paga ICM-S.

Por quê a liberalização do setor não melhorou a geração e distribuição de energia? As regras do mercado não valem neste caso?

É preciso entender que o modelo implantado é bizarro. Quando o sistema está em equilíbrio ou quando a hidrologia é exuberante, o nosso mercado livre pratica preços tão baixos como R$ 16/MWh. Puro efeito da singularidade do nosso parque. Há naturalmente um incentivo em não contratar parte da carga no longo prazo. Exemplo: 2011, véspera da crise, ano úmido. 120% da média. 25% dos contratos no mercado livre eram mensais. Cerca de 28% do total de energia comercializado girou com esse prazo.

O pior é que é a regra do jogo! Não há especuladores mal intencionados. A captura da vantagem é legal e legítima! Insisto: Todas essas características são conhecidas há décadas.

As usinas comercializam uma quantidade de energia chamada “garantia física” que nada tem a ver com a geração real. É um subjetivo cálculo de escritório que faz parte do mimetismo. O que se está vendo é que esses valores estão todos superavaliados. Ou seja, o número, além de não ser físico, nem garantido é.

O que precisa ser feito para sanar os problemas do sistema atual? Quais os principais obstáculos neste caminho?

Dou uma resposta limitada, esquecendo por enquanto a relação que todo esse descaminho tem com a crise brasileira, política e cultural.

É preciso diminuir o grau de fragmentação de responsabilidades com o festival de instituições do setor. ANEEL, MME, ONS, EPE. CCEE, CSME são organizações que veêm um pedaço do problema.

É preciso enfrentar o lobby do mercado livre, onde foi capturada uma enorme vantagem do sistema.

É preciso cancelar a Lei de redução tarifária, que só conseguiu um pífio decréscimo a custa da Eletrobras, que hoje é uma empresa quebrada. Uma conta que mostra o absurdo: Para voltarmos a ter um preço de energia vigente em 2011, antes da desastrada intervenção, só conseguiríamos se as usinas ditas “amortizadas” pagassem pela energia que fornecem. Na realidade, nunca houve um diagnóstico para saber porque a tarifa subiu.

É preciso envolver outros ministérios (são tantos!) no licenciamento de usinas. Hidroelétricas não são meras fábricas de kWh como os governos FHC, LULA, e DILMA tratam. Elas poderiam ser vetores de integração dos diversos problemas regionais e não mais um enclave de uma região sobre outra.

O obstáculo é o próprio governo.

Uma questão de soberania

Por Eduardo Bomfim | Via Vermelho

Ao contrário do que diz a mídia hegemônica global a crise estrutural do capitalismo continua provocando colossal tsunami econômico, social e humanitário com graves reflexos em todas as nações do planeta.

Mesmo o Brics que vinham injetando oxigênio à esquálida realidade financeira internacional mostram sinais evidentes de refluxo econômico, inclusive a China com o “moderado crescimento” de 7,5% ao ano.

A crise da Nova Ordem Mundial, cuja hegemonia consolidou-se há 25 anos e impôs aos povos o draconiano receituário neoliberal econômico, militar, ideológico, social sob a proteção dos Estados Unidos como guarda pretoriana, está no seu auge muito embora seja certo afirmar que ainda não chegou ao fundo do poço porque as coisas continuam a se agravar de maneira galopante.

A lógica do capital não é a racional, é a lógica compulsiva do lucro especialmente do capital rentista que passou a determinar os rumos das finanças impondo ampla desregulamentação em escala planetária.

Quem vem regendo a orquestra ao longo desse tempo nefasto de crise civilizacional são as políticas neoliberais mesmo com a resistência dos BRICS, constituindo uma espécie de contrafluxo à Nova Ordem internacional, uma alternativa multilateral a outra realidade geopolítica, econômica, social.

O resultado das eleições gregas com a vitória de uma frente progressista contrária ao brutal arrocho imposto ao povo heleno pelo capital financeiro é fato Histórico que terá sem dúvida desdobramentos políticos na comunidade europeia.

Já a ofensiva do capital financeiro contra o Brics tem sido agressiva, utilizando-se inclusive da grande mídia, com o objetivo de fazer avançar a linha do rentismo, impor a política de rapina às suas riquezas.

No Brasil o que se urde, escamoteado por uma virulenta campanha de desinformação midiática, é a capitulação da nação à ortodoxia neoliberal, uma crise institucional no País.

Ciente que a política é a ação efetiva tendo em conta a análise concreta da realidade concreta, cabe ao governo Dilma e aliados assegurar a governabilidade vital, isolar a ofensiva do capital rentista, manter o leme no rumo do desenvolvimento, as conquistas sociais, trabalhistas, a emergência à cidadania de dezenas de milhões de brasileiros, a defesa da soberania nacional sob graves ameaças.

***

Eduardo Bomfim é advogado

Dilma defende que Celac inclua comércio em sua pauta

Por João Fellet | Via BBC

Bloco dá ênfase a questões políticas mas Brasil quer levar discussão econômica a cúpula

A presidente Dilma Rousseff propôs nesta quarta-feira em San Jose, capital da Costa Rica, que a Comunidade de Estados Latino-americanos e Caribenhos (Celac) amplie suas atribuições e busque incrementar o comércio entre seus países membros para defender a região de turbulências econômicas externas.

Em discurso diante dos outros chefes de Estado do bloco, Dilma defendeu criar um fórum de empresários da Celac, com a presença de governos e empresas da região.

“Seu objetivo será desenvolver o comércio, aproveitando as oportunidades diversificadas que nossas economias oferecem, e estimular a integração produtiva no espaço Celac, promovendo nossas relações com o mundo”, afirmou.

Dilma disse que a proposta busca enfrentar “uma conjuntura econômica mundial complexa”, que atribuiu à “lenta recuperação da economia americana” e à estagnação na Europa e no Japão, além da desaceleração do crescimento na China.

“Diante desse quadro, torna-se urgente nossa cooperação, priorizando o comércio intrarregional e ao mesmo tempo estimulando o desenvolvimento e a integração de nossas cadeias produtivas.”

A presidente afirmou ainda que “os países da Celac devem unir-se para enfrentar os problemas da economia mundial e retomar o crescimento robusto”.

Desde sua fundação, há três anos, a Celac é um fórum voltado principalmente a temas políticos e, diferentemente de outros blocos regionais, como o Mercosul e a Aliança do Pacífico, dá pouca ênfase a questões econômicas e comerciais.

O bloco já vem, no entanto, expandindo sua atuação para outros temas e regiões. No início do mês, os chanceleres de seus países membros participaram pela primeira vez do fórum Celac-China, em Pequim.

A parceria busca atrair mais investimentos chineses para a região e definir diretrizes para as relações da China com os países da Celac.

Ao negociar com latino-americanos e caribenhos, a China traz como bagagem sua grande expansão recente na África, onde na última década difundiu com sucesso um modelo pelo qual financia e executa obras de infraestrutura em troca de matérias-primas.

A Celac em breve também fará sua primeira reunião com a União Europeia, em junho. Segundo Dilma, no encontro serão debatidas “oportunidades de investimento e de comércio”.

A proposta de Dilma sobre o fórum de empresários da Celac se alinha com sua defesa por uma “diplomacia de resultados”, que priorize ganhos econômicos. A visão norteia outras iniciativas externas de seu governo, entre as quais os planos anunciados de usar a Agência Brasileira de Cooperação para estimular a exportação de produtos brasileiros.

Transcendência histórica

Dilma afirmou que embargo dos Estados Unidos a Cuba deve “ser superado” após anúncio de reaproximação dos países

Em seu discurso, Dilma também tratou do anúncio da normalização das relações diplomáticas entre Cuba e Estados Unidos, ocorrido em dezembro e que ela chamou de “um fato de transcendência histórica”.

Segundo ela, com o anúncio, “começa a se retirar de cena o último resquício de Guerra Fria em nossa região”.

“Os dois chefes de Estado (Barack Obama e Raúl Castro) merecem nosso reconhecimento pela decisão que tomaram – benéfica para cubanos e norte-americanos, mas, sobretudo, para todo o continente.”

A presidente ponderou, no entanto, que o embargo econômico, financeiro e comercial dos Estados Unidos a Cuba continua em vigor.

“Essa medida coercitiva, sem amparo no direito internacional, que afeta o bem-estar do povo cubano e prejudica o desenvolvimento do país, deve também ser superada.”

Dilma afirmou que o financiamento do Brasil à reforma do porto de Mariel, em Cuba, simboliza o compromisso do país com “uma integração abrangente” no hemisfério.

A obra, financiada pelo Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), foi executada pela empreiteira brasileira Odebrecht.

Dilma permanece em San José até esta quinta-feira, quando participará de uma reunião fechada com os demais membros da Celac.

Há a previsão de que ela aproveite o evento para se encontrar em privado com os presidentes do Panamá, Juan Carlos Vilela, e da Colômbia, Juan Manuel Santos.