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Ex-jurista do Banco Mundial revela como a elite domina o mundo

Via Diário Liberdade

Karen Hudes, ex-informante do Banco Mundial, despedida por ter revelado informação sobre a corrupção no banco, explicou com detalhes os mecanismos bancários para dominar nosso planeta.

Karen Hudes (foto), graduada pela escola de Direito de Yale, trabalhou no departamento jurídico do Banco Mundial durante 20 anos. Na qualidade de ‘assessora jurídica superior’, teve suficiente informação para obter uma visão global de como a elite domina o mundo. Desse modo, o que conta não é uma ‘teoria da conspiração’ a mais.

De acordo com a especialista, citada pelo portal Exposing The Realities, a elite usa um núcleo hermético de instituições financeiras e de gigantes corporações para dominar o planeta.

Citando um explosivo estudo suíço de 2011, publicado na revista ‘Plos One’ a respeito da “rede global de controle corporativo”, Hudes enfatizou que um pequeno grupo de entidades, em sua maioria instituições financeiras e bancos centrais, exerce uma enorme influência sobre a economia internacional nos bastidores. “O que realmente está acontecendo é que os recursos do mundo estão sendo dominados por esse grupo”, explicou a especialista com 20 anos de trabalho no Banco Mundial, e acrescentou que os “capturadores corruptos do poder” também conseguiram dominar os meios de comunicação. “Isso é permitido a eles”, assegurou.

O estudo suíço que mencionou Hudes foi realizado por uma equipe do Instituto Federal Suíço de Tecnologia de Zurique. Os pesquisadores estudaram as relações entre 37 milhões de empresas e investidores de todo o mundo e descobriram que existe uma “super-entidade” de 147 megacorporações muito unidas e que controlam 40% de toda a economia mundial.

Contudo, as elites globais não controlam apenas essas megacorporações. Segundo Hudes, também dominam as organizações não eleitas e que não prestam contas, mas, sim, controlam as finanças de quase todas as nações do planeta. São o Banco Mundial, o FMI e os bancos centrais, como a Reserva Federal Estadunidense, que controla toda a emissão de dinheiro e sua circulação internacional.

O banco central dos bancos centrais

A cúpula desse sistema é o Banco de Compensações Internacionais: o banco central dos bancos centrais.

“Um organização internacional imensamente poderosa da qual a maioria nem sequer ouviu falar controla secretamente a emissão de dinheiro do mundo inteiro. É o chamado Banco de Compensações Internacionais [Bank for International Settlements]. Trata-se do banco central dos bancos centrais, localizado na Basileia, Suíça, mas que possui sucursais em Hong Kong e na Cidade do México. É essencialmente um banco central do mundo não eleito, que tem completa imunidade em matéria de impostos e leis internacionais (…). Hoje, 58 bancos centrais em nível mundial pertencem ao Banco de Compensações Internacionais, e tem, em muito, mais poder na economia dos Estados Unidos (ou na economia de qualquer outro país) que qualquer político. A cada dois meses, os banqueiros centrais se reúnem na Basileia para outra ‘Cúpula de Economia Mundial’. Durante essas reuniões, são tomadas decisões que atingem a todo homem, mulher e criança do planeta, e nenhum de nós tem voz naquilo que se decide. O Banco de Compensações Internacionais é uma organização que foi fundada pela elite mundial, que opera em benefício da mesma, e cujo fim é ser uma das pedras angulares do vindouro sistema financeiro global unificado”.

Segundo Hudes, a ferramenta principal de escravizar as nações e Governos inteiros é a dívida.

“Querem que sejamos todos escravos da dívida, querem ver todos os nossos Governos escravos da dívida, e querem que todos os nossos políticos sejam adictos das gigantes contribuições financeiras que eles canalizam em suas campanhas. Como a elite também é dona de todos os principais meios de informação, esses meios nunca revelarão o segredo de que há algo fundamentalmente errado na maneira como funciona nosso sistema”, afirmou.

Depois de alguns anos de hibernação, a retomada neoliberal

Por Márcio Pochmann | Via RBA

Depois de autorizar entrada de dinheiro estrangeiro na saúde e a formação de oligopólios no ensino privado, Legislativo tenta, com a lei da terceirização, fazer o país andar para trás.

Projeto da terceirização seria a maior e mais profunda reforma neoliberal do trabalho

Após sua hibernação por mais de uma década, o neoliberalismo vem registrando sinais recentes de seu reaparecimento. Para ser introduzido ainda no início dos anos 1990, durante a passagem do governo Sarney para o de Collor de Mello, o neoliberalismo contou com três condições fundamentais. A primeira, provocada pela recessão econômica no início da década de 1990, que buscou enfraquecer seus opositores, como os sindicatos, diante da inexorável elevação do desemprego e da redução no poder aquisitivo dos salários.

A segunda condição foi revelada pelos constrangimentos impostos pela revisão do papel do Estado através das transferências de funções públicas ao setor privado viabilizadas pela privatização de empresas estatais e corte generalizado no gasto público. A terceira condição ocorreu constituída pela implementação de várias medidas de flexibilização das regras nas áreas financeira, comercial, produtiva e trabalhista.

Essas três condições estruturadoras do neoliberalismo dos anos 1990 no Brasil encontram-se, guardada a devida proporção, retomadas no período recente, o que pode contribuir, ao que parece, para a reversão da posição governamental que até então se movia majoritariamente contrária. Inicialmente, pelo reaparecimento de um novo quadro recessivo, capaz de alterar a trajetória positiva de elevação no nível de emprego e de ampliação salarial. Na sequên­cia, a abertura para o crescimento da presença do setor privado em paralelo à contenção do Estado em ­algumas atividades.

Exemplo disso pode ser observado pela aprovação da legislação que incentiva a entrada de capital estrangeiro na saúde, responsável, até o momento, pela aquisição de quase meia centena de hospitais no país. Um movimento comparável localiza-se também na educação, com o estabelecimento de oligopólios privados no ensino superior e participação importante do capital estrangeiro. A contenção no gasto público em todos os níveis imposta pela retomada do programa de austeridade fiscal permanente, assim como a possibilidade de haver novas rodadas de concessões no serviço público, pode apontar para uma nova fase de apequenamento do Estado no Brasil.

Por fim, o atual vigor legislativo expresso pelo rápido avanço da pauta patronal e antilaboral estabelecida pela condução de votações sobre a terceirização e o Simples trabalhista. De um lado, o projeto de lei da terceirização tal como apresentado poderá representar o rebaixamento das condições de trabalho e remuneração dos empregados não terceirizados ao precarizado já vigente entre os terceirizados.

Em síntese, o trabalhador terceirizado no Brasil recebe remuneração que equivale, em média, à metade da percebida pelo empregado não terceirizado. Além disso, a rotatividade do terceirizado é duas vezes maior que a do empregado não terceirizado. De outro lado, o encaminhamento das proposições estabelecidas em torno do projeto do Simples trabalhista poderá permitir redução sensível na proteção que o empregado assalariado possui por meio da Consolidação das Leis do Trabalho. Ou seja, a maior e mais profunda reforma neoliberal do trabalho que o Brasil conhecerá.

Fazenda requer representante da produção em Conselho Cambial Nacional anti-especulação

Por César Fonseca | Via Independência Sul-Americana

Ministro do Desenvolvimento Armando Monteiro.

A economia exige democracia para ser gerida no momento em que se expandem as forças sociais favorecidas por políticas nacionalistas adotadas no país nos últimos 12 anos, responsáveis por melhor distribuir a renda nacional, sem o que o capitalismo perde pique e abre espaço para a radicalização política.

A luta é essencialmente política e ideológica.

A economia está dominada pelas forças neoliberais estacionadas no Banco Central e no Ministério da Fazenda.

Ambos defendem o mesmo ponto de vista do mercado financeiro.

É preciso contrabalançar: na Fazenda, um homem da produção; no Banco Central, um das finanças; e no Ministério do Trabalho, um dos trabalhadores.

Os três têm que ter forças relativas adequadas para conduzir a economia em sua totalidade.
BC e Fazenda, dominados por representantes dos banqueiros, nacionais e internacionais, desequilibram; favorecem os especuladores e a agiotagem em prejuízo das forças produtivas, empresários e trabalhadores.

Como destaca o economista, Bresser Pereira, ex-ministro da Fazenda do governo Sarney, faz-se necessária criação de Conselho Cambial Nacional, para distribuir, equitatiamente, as perdas que o processo de ajuste impõe de modo a garantir estratégia de vendas das mercadorias nacionais tanto no mercado interno quanto internacional.

Como o ajuste, que precisa ser feito, impõe restrições ao consumo interno, a criação das vantagens comparativas, para aumentar a exportação, exige política cambial que implica distribuição dos ônus entre os rentistas(juros, dividendos e alugueis), assalariados, pensionistas e industriais.

Se o peso recair, apenas, sobre os assalariados e pensionistas, como é o caso do ajuste proposto pelo ministro Joaquim Levy, acirra-se a luta de classes.

Haverá resistência nesse sentido no Congresso, no momento, dominado por orientação política parlamentarista, sob comando do PMDB, sobrepondo-se ao seu maior aliado, o PT.

O governo Dilma Rousseff tentou se equilibrar ente trabalhadores e empresários.
Para tanto, garantiu aos primeiros tarifas públicas congeladas em meio à política salarial progressistas; e aos segundo, deu-lhes vantagens fiscal, desonerando custos salariais.

Como os juros continuaram subindo, para enxugar excesso de entrada de dólares, provenientes de políticas monetárias expansionistas praticadas pelos governos dos países ricos(EUA, Europa, Japão e, agora, China), tornou-se impossível garantir aos empresários câmbio competitivo.

A apreciação cambial inviabilizou exportações, enquanto não se mostrou suficiente como arma de combate à inflação.

O custo de sustentação do endividamento público, proveniente de pressões monetárias externas, garroteou a capacidade do governo de continuar, de um lado, bancando preços administrados(gasolina, gás, energia elétrica, transportes, diesel etc), para manter poder de compra dos salários, e, de outro, custos baixos de contratação trabalhista, para os empresários.

Agora, depois das eleições, o governo, para pagar a conta do ajuste, toma dos trabalhadores; eleva preços das tarifas, que diminui poder de compra dos salários, além de eliminar direitos sociais conquistados; tenta fazer o mesmo com os empresários, beneficiados pela eliminação dos custos fiscais implícitos no pagamento das folhas de salários; poderosos, eles resistem a essa investida.

Enquanto isso, os juros, sob pressão do mercado financeiro, continuam subindo, impondo custos crescentes sobre o endividamento do tesouro.

Ou seja, o BC, puxando os juros, no peito e na raça, sobrevaloriza o câmbio e inviabiliza o próprio ajuste, pois impede que as forças produtivas reajam ao arrocho, abrindo mercado externo contra as restrições internas.

Como coordenar o desentendimento geral, se na Fazenda e no Banco Central o poder está com o mercado financeiro?

O tripé macroeconômico se transformou em barreira geral ao entendimento entre as forças políticas e econômicas.

A meta inflacionária de 4,5%, nesse ambiente em que não se deixa espaço para a produção respirar, jamais será alcançada, porque o câmbio flutuante, sob determinação de forças externas, que elevam a oferta de dinheiro na circulação capitalista global, sobrevaloriza o real frente ao dólar.

Com isso, aumenta o endividamento público, tornando impossível alcançar superavit primário de 1,2% do PIB, salvo se for colocada, nas ruas, polícia para barrar reações democráticas contra o sucateamento dos salários e dos empregos.

No limite, o Plano Levy abala a democracia.

A oposição ganha com isso, é claro.

E a candidatura Lula, para 2018, dança.

O complexo processo de ajuste fiscal

Por Rodrigo Medeiros | Via Jornal GGN

A importante discussão vigente sobre o ajuste fiscal em curso no Brasil tem ocorrido publicamente de forma razoavelmente qualificada. Não se trata de um processo isento de controvérsias e contradições, pois ainda não superamos o subdesenvolvimento e as históricas desigualdades socioeconômicas (clique aqui). Portanto, as divergências intelectuais situam-se para além do tom do ajuste planejado. Vejamos brevemente alguns pontos do debate.

Grandes déficits fiscais e em conta corrente do balanço de pagamentos sinalizam a necessidade, em algum momento, de ajustes para um país. As variáveis desses ajustes podem se processar pelas vias do câmbio e/ou da retomada do crescimento econômico (investimentos). Há também quem defenda a redução de gastos públicos em um contexto de retração econômica, algo que Paul Krugman ironicamente chamou de “a fada da confiança” (clique aqui). Afinal, quem irá efetivamente investir em um contexto de retração ou recessão econômica?

A composição do ajuste é capaz de fazer uma grande diferença. Em um relatório intitulado “Por que menos desigualdade beneficia a todos”, a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) destaca que “a diferença entre ricos e pobres nunca esteve tão alta”. A disparidade aumentou durante a crise em países como a Espanha, entre outras razões, pelos ajustes fiscais, pelo aumento dos impostos e pelos cortes de benefícios sociais (clique aqui). Para a OCDE, a desigualdade crescente inibe o crescimento e ela já retirou 4,7 pontos percentuais do PIB entre 1990 e 2010 nos países que compõem o grupo. Ademais, alguns estudos constatam a presença de um novo tipo de trabalhador: “o precariado” (clique aqui). O Brasil seria um campo fértil para a proliferação do precariado desde os anos 1980.

Hoje existem muitas políticas capazes de aumentar o crescimento e a equidade, como maior acesso à educação. A tributação progressiva e transparente, por exemplo, também se mostra útil. Com uma maior propensão marginal ao ato de poupar, essa virtude individual dos mais abastados pode se transformar em “tirania” nos tempos de recessão ou depressão econômica para uma coletividade. Como disse Minsky, “o maior defeito da economia capitalista é ser instável. Isso não se deve a choques externos ou à ignorância dos policymakers, mas sim a processos inerentes a ela (..) isso pode ser evitado ou pelo menos minimizado por meio de instituições e políticas apropriadas” (clique aqui).

A economia brasileira se desindustrializou prematuramente nos últimos anos, algo que já afeta o seu crescimento potencial, e a grande parte dos postos formais de trabalho foi gerada em setores de baixa produtividade. Segundo o estudo de Andre de Queiroz Brunelli: “Apesar de o crescimento populacional da classe média ser consideravelmente maior do que o da classe mais rica, o gasto total e sua fração em serviços da classe mais rica foi suficientemente grande de modo que esta classe responde mais do que a classe média pelo crescimento dos gasto total das famílias com serviços (…) as pressões de demanda serão derivadas especialmente de serviços pessoais e transportes uma vez que o consumo destes agrupamentos do IPCA concilia tanto uma alta fração do consumo total de serviços quanto alta sensibilidade a aumentos de renda das famílias brasileiras” (clique aqui).

Conforme aponta o estudo, a continuidade do processo de inclusão social entre nós tenderá a manter a inflação sob constante pressão, a menos que seja contrabalançada por ganhos de produtividade em setores comercializáveis capazes de reduzir outros preços na economia brasileira. Essas questões não se limitam ao campo do economicismo. Precisamos de estadistas, do bom debate de ideias, do aperfeiçoamento institucional e não gastar mais tanto tempo debatendo as mesquinharias de uma polarização político-partidária que não foi capaz de nos levar além da difícil situação que hoje nos encontramos.

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Rodrigo Medeiros é professor do Ifes (Instituto Federal do Espírito Santo)

Câmara aprova criação do banco dos Brics

Por Lucas Pordeus Leon | Via Rádio EBC

Assinado em julho do ano passado, o acordo para criação do banco do Brics foi aprovado nessa quinta-feira (21) pelo Plenário da Câmara dos Deputados. O Brics é o grupo formado pelo Brasil, China, Rússia, Índia e África do Sul.

O objetivo do banco é financiar projetos públicos ou privados de infraestrutura e de desenvolvimento sustentável dos membros do bloco e de outras economias emergentes. O banco também poderá fornecer assistência técnica.

O relator do projeto, deputado Raul Jungmann, do PPS/PE, explica que o banco é uma alternativa ao FMI, Fundo Monetário Internacional, e ao Banco Mundial.

O banco vai ser aberto a qualquer país membro das Nações Unidas. Mas os sócios-fundadores vão manter um poder de voto conjunto de pelo menos 55%. No total, o acordo autoriza o banco a operar com um capital de US$ 100 bilhões.

O deputado do PSB do Piauí, Heráclito Fortes, alerta que é preciso cumprir os compromissos.

A Câmara ainda aprovou nessa quinta-feira (21) um acordo de ajuda financeira entre os Brics. O Decreto permite que um dos países seja socorrido pelos demais em casos de não conseguir honrar compromissos internacionais. Os projetos do banco e da ajuda financeira agora seguem para o Senado.

 

Indicador de valores sonegados no país chega à marca de R$ 200 bilhões em 2015

Via Jornal do Brasil

Soma inclui desvios de caixa-dois, uso de laranjas e dinheiro da Operação Zelotes.

Pelo menos R$ 200 bilhões em impostos deixaram de ser pagos ao governo 2015, segundo o site Sonegômetro, que faz uma estimativa do quanto o país perde com sonegações por ano. A campanha, organizada pelo Sindicato Nacional dos Procuradores da Fazenda Nacional (Sinprofaz) inclui também os desvios de dinheiro deflagrados pela Operação Zelotes, além de prejuízos com “laranjas” e caixa dois. Quantia corresponde a 25% do que já foi pago pelos brasileiros em impostos de janeiro a maio.

Com painel instalado no Largo da Carioca, no Centro do Rio de Janeiro nesta quinta e sexta-feiras (21 e 22), a campanha passa por diversas capitais alertando para os males que o desvio de impostos pode causar ao país. Apenas os valores deste ano, ressalta Heráclio Camargo, presidente da Sinprofaz, já somam mais que o dobro do que o governo pretende arrecadar com o projeto do ajuste fiscal, que gira em torno de R$ 80 bilhões.

Site do Sonegômetro atingiu a marca de R$ 200 bi em desvios às 19h56 desta quinta.

Apenas a Operação Zelotes, deflagrada no início deste ano pela Polícia Federal, foi responsável por desviar 10% deste valor, com estimativas de sonegações em torno de R$ 19 bilhões. “Com certeza uma parte dos desvios (da Zelotes) está computado na estimativa. Entretanto, o crime é resultado de anos de sonegação, e devem ter feito parte das outras edições do Sonegômetro, que existe desde 2013″, afirma Heráclio.

Os criadores do indicador enfrentam uma dificuldade constante de mensurar valores subtraídos através de crimes fiscais, mas utilizam de elaborada metodologia para que a estimativa seja a mais precisa. Os especialistas utilizam de dados de contas bancárias, pesquisas de orçamento domiciliar e comportamento do contribuinte, além de métodos indiretos como estimativas sobre a economia informal. Mesmo com esses valores, “o estudo trata-se de uma estimativa conservadora”, explica o presidente da Sinprofaz. No ano passado, o valor sonegado apontado pelo site atingiu a marca de R$ 502 bilhões.

Comparado com outro site de medição, o Impostômetro, que aponta a quantidade de impostos pagos pelos brasileiros anualmente, o valor sonegado corresponde a 25% das contribuições arrecadas em 2015 (cerca de R$ 800 bilhões).

R$ 160 bi escoados com a lavagem de dinheiro

O sindicato revela que, dos R$ 200 bilhões registrados pelo Sonegômetro, do início do ano até agora, 160 bilhões foram escoados com as operações de lavagem de dinheiro. Por isso, ao lado do Sonegômetro, também está posicionada a Lavanderia Brasil, peça publicitária em formato de uma máquina de lavar gigante, que simboliza os valores sonegados com artifícios da lavagem de dinheiro no país.

O objetivo do ato público é chamar a atenção da população para a falta de investimentos na carreira dos procuradores da Fazenda Nacional, responsável pela recuperação dos tributos federais e combate à sonegação fiscal. Com a recuperação desses valores para os cofres públicos, essa atividade dos procuradores poderia evitar, por exemplo, os aumentos reiterados de impostos que recaem sobre a população brasileira. “O investimento na Procuradoria Geral da Fazenda da União (PGFN) traz um retorno imediato ao governo e à sociedade. O órgão  devolve aos cofres públicos 20 reais para cara real investido na procuradoria”, afirma o presidente do Sinprofaz, Heráclio Camargo.

20 bilhões recuperados em 2014

Só em 2014 foram recuperados mais de 20 bilhões pela Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN), com base na perícia e na capacidade de trabalho dos procuradores. “Acreditamos que dobrando o orçamento da Procuradoria da Fazenda Nacional, reverteríamos muito mais dezenas de bilhões de reais para os cofres públicos, evitando o corte de direitos trabalhistas, sociais, a elevação dos combustíveis e as novas ameaças de elevação de tributos”, destaca Heráclio Camargo.

Procuradores entregam 319 pedidos de exoneração na AGU e PGFN

Com o objetivo combater, mais efetivamente, a sonegação e a corrupção na seara tributária e exigir melhores condições de trabalho, os procuradores da Fazenda Nacional entregaram, nesta quinta-feira (21), 319 pedidos de exoneração dos cargos de chefia ocupados até então. Ao todo, a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) conta com 340 cargos de confiança.

Além desta decisão que foi tomada em assembleia na última segunda-feira (18), outros 1553 procuradores da Fazenda Nacional já assumiram compromissos de não assumirem esses cargos que ficarão vagos. Com isso, a adesão atinge quase 90% de adesão da carreira.

A ofensiva anti-trabalhista, a desigualdade e a hegemonia

Rennan Martins | Vila Velha, 21/05/2015

O que uma filósofa e um capitalista tem a nos dizer sobre o trabalho e o sistema financeiro? Hannah Arendt sabia que o poder econômico por si não conseguia manter a exploração do homem pelo homem, enquanto o industrial Henry Ford tinha consciência de que as regras do jogo eram feitas pra favorecer a oligarquia.

Em tempos de quase absoluta hegemonia do Capital, onde vemos os EUA erigir um verdadeiro Estado Policial de defesa da plutocracia, quando a União Europeia se põe a desmantelar direitos historicamente conquistados, ao mesmo tempo em que o Brasil abandona seu breve ciclo de inclusão social para novamente mergulhar na tese mercadista, discutindo até mesmo a “terceirização ampla, geral e irrestrita”, em que o mundo caminha para concentrar nas mãos do 1% mais de 50% de toda a riqueza, Hannah Arendt e sua obra As Origens do Totalitarismo tem muito a nos dizer.

Que leva os homens a tolerar tamanha desigualdade? O que torna possível o exacerbado aumento da concentração de riquezas, num patamar que ultrapassa qualquer nível de bom senso e demonstra ser patética a tese da meritocracia? Arendt nos esclarece o por que ainda existe o mínimo de ordem em meio a guerra declarada dos ricos contra os pobres.

O que faz com que os homens obedeçam ou tolerem o poder e, por outro lado, odeiem aqueles que dispõem da riqueza sem o poder é a ideia de que o poder tem uma determinada função e certa utilidade geral.

Ou seja, o que temos hoje é a lenda dos “criadores de emprego” da “confiança do investidor” e das vontades do Mercado, amplamente arraigada na população. Se os mais atentos já se deram conta de que o mercado financeiro e seus cartéis nada mais fazem que sugar o trabalho das massas, os que não tem tempo ou instrução suficiente creem piamente que a melhor maneira de ajudar quem está na base da pirâmide é não “importunando” os que em cima estão.

Mas quanto a própria classe dominante. Acreditam eles realmente que a economia, a produtividade e o trabalho depende da confiança com que levantam para investir, do rating atribuído pelas corruptíssimas agências de classificação de risco, ou da “flexibilidade” do mercado de trabalho de um país? O que a realidade nos mostra é que não, que estão bem conscientes de que as regras que lhes favorecem são artificiais. Vejamos o que dizia o industrial Henry Ford a respeito disso:

É bom que as pessoas da nação não entendam nosso sistema bancário e monetário, porque se souberem, acredito que uma revolução aconteceria amanhã mesmo.

Os detentores de privilégios cada dia mais representativos – e deixo bem claro que me refiro aqui a oligarquia, não aos empreendedores pequenos e médios, muito mais próximos dos trabalhadores em termos de recursos – sabem que a ordem socioeconômica é um contrato social que nada tem de inexorável, que é preciso que acreditemos que deles depende a criação de empregos e geração de riqueza.

Nesse ponto entra uma arma de crucial importância: a imprensa. A disseminação da ideologia, a disputa pela hegemonia, é ponto-chave quando falamos da luta de classes. Não é por acaso que o debate sobre a democratização dos meios de comunicação é interditado com violência pela mídia corporativa. Por meio desse jornalismo enviesado, que detém quase todos os espaços de comunicação, somos ensinados que a corrupção que importa é apenas a política, que os esquemas descobertos pela Operação Zelotes, com potencial desvio dez vezes maior que o da Lava Jato, não são dignos de nota. Dizem-nos que a sonegação, evasão e lavagem de dinheiro global do HSBC no caso Swissleaks não se trata de algo repugnante, chegando ao absurdo de alguns think thanks disseminarem a ideia de que esses crimes são “legítima defesa”.

Eis a razão e o motivo do Instituto Millenium estar aí a toda, do empresário Hélio Beltrão, do grupo Ultra, investir pesado no caricato Instituto Mises Brasil, ao mesmo tempo que adquire linhas de crédito no BNDES. A maioria desses figurões tem plena consciência que precisam convencer-nos que as injustiças perpetradas diuturnamente contra os trabalhadores são necessárias. Que, por exemplo, a irrisória economia feita do corte de direitos pelo “ajuste fiscal” trará o crescimento mais a frente. Ou que o rebaixamento de todo o mercado de trabalho a condição de terceirizado – onde a mão de obra é somente mais uma commoditie em negociação – na realidade nos beneficiará. A Fiesp investe absurdamente na campanha de terceirização por saber que a ideia precisa ter poder, de preferência sendo vista como inevitável.

Que fazer diante do fato do Rei estar nu e saber disso? A velha disputa política. Envolva-se num movimento, vá às ruas, converse com as pessoas, elas sentem que algo está errado, mas ainda não notaram o quê exatamente. Considere ainda, se dentro de suas possibilidades, apoiar financeiramente a imprensa alternativa e contra-hegemônica. Estamos num momento decisivo da história da humanidade, e o surgimento de uma sociedade relativamente mais igualitária e democrática só será viável por meio da construção coletiva e engajada de uma nova realidade.