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É a Globo que dá ao Brasil uma nota de mau pagador

Por J. Carlos de Assis

Entre todas as patifarias ideológicas vomitadas pela Grande Mídia, sobretudo pela TV Globo, relativamente às decisões das chamadas agências de risco, a mais sórdida é a que define a nota emitida por elas como um atestado de bom ou mau pagador. Ora, como se pode dar atestado de mau pagador antes que se saiba que a empresa ou país pagaram suas obrigações? Seria um atestado de não pagamento futuro? Se é assim, é melhor para o país que não pague agora; assim, ficará com algum dinheiro em caixa para eventualidades!

É claro que isso tudo é um absoluto nonsense. Não há a mais remota possibilidade de o Brasil suspender o pagamento de suas dívidas em função do que dizem as agências de risco. Temos reservas internacionais de quase 400 bilhões de dólares. É verdade que, sobretudo por erros acumulados na política cambial do passado, e sobretudo por causa da estúpida taxa de juros, temos também muitas dívidas externas de curto prazo. Contudo, o balanço nos é ainda favorável. E não precisamos, para isso, de nota de bom pagador de agências de risco.

O mais repugnante, porém, não é o conceito em si de mau pagador que se atribui ao país por causa da agência mas o fato extraordinário de que não é a agência, em si, que usa essa terminologia – ela libera apenas uma nota -, mas a forma como a TV Globo, por sua conta e risco, “explica” a nota. São os jornalistas da Globo, como Bonner, que dizem que a nota é um “atestado de mau pagador”. Como consequência, caindo a nota, perdemos o status de bom pagador mesmo que nada nos tenha sido cobrado e a economia funcione como antes.

A embromação não para aí. A nota das agências é um expediente tremendamente arbitrário. Se tivesse um mínimo de cientificidade não teria havido o desastre de 2008, no qual todas as agências de risco – rigorosamente, todas – haviam dado nota de “bom pagador” AAA a empresas, bancos e títulos que, por suas fraudes, quase destruíram o sistema financeiro mundial. Sob aperto do Congresso para explicar o que, afinal, havia acontecido, todas combinaram a mesma resposta: O que fizemos foi dar nossa opinião, mais nada.

Então qual é a razão para a Grade Imprensa dar tanta atenção às agências? Simplesmente porque elas funcionam como a vanguarda dos interesses financeiros, e são os interesses financeiros que dão suporte à Grande Imprensa. No caso atual, a agência está dando um sinal para que o Governo brasileiro mantenha taxas de juros básicas extorsivas e estrangule o orçamento público para tapar o déficit primário, irrisório em relação ao orçamento como um todo, o qual, caso mantido, não traria qualquer consequência negativa para a economia real.

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José Carlos de Assis é economista, doutor pela Coppe/UFRJ, autor do recém-lançado “Os Sete Mandamentos do Jornalismo Investigativo”, ed. Textonovo, SP. Pode ser adquirido pela Internet.

O Banco Central tornou-se um solista sem maestro

Por Luis Nassif | Via Jornal GGN

Escolha um procurador e lhe entregue uma causa. Seu papel é o de condenar. Por isso tratará de realçar todos os indícios a favor e esconder todos os indícios contra. É da sua natureza.

Mire agora um repórter prestes a publicar a reportagem de sua vida. Ele espancará até a morte qualquer indício que possa, de longe, enfraquecer sua manchete.

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A economia precisa necessariamente de ser vista de forma sistêmica, assim como o organismo humano.

Um nefrologista não pode tratar da doença do seu paciente se não souber analisar as implicações do tratamento sobre seu organismo.

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O equilíbrio econômico é assim, depende da combinação correta de um conjunto de políticas: a tributária-fiscal, a monetária, a cambial, a salarial, todas interdependentes.

Dependendo das circunstâncias, prioriza-se alguma dessas políticas e as demais se ajeitam em torno da prioridade maior.

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Cabe ao Ministro-maestro compatibilizar as diversas políticas, afim de se obter o equilíbrio,

Em alguns momentos, esse papel foi do Ministro da Fazenda. Foi assim no governo Jango, com Celso Furtado, Castelo Branco, com Otávio Gouvêa de Bulhões, Médici, com Delfim Netto. Outras vezes pode ser o Ministro do Planejamento, como foi no governo Figueiredo, com Delfim. Mas tem que ter o maestro.

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O grande nó do governo Dilma é que não existe esse maestro.

Os analistas do Banco Central foram acometidos do mesmo fenômeno que afeta procuradores, delegados ou repórteres atrás do seu furo: não importa a busca da verdade (no caso da economia, do equilíbrio econômico) mas garantir o seu furo, a preponderância da política monetária.

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O pensamento dominante no Copom (Comitê de Política Monetária) é que se deve colocar a inflação na meta (4,5% em 2016) independentemente do custo fiscal e dos efeitos sobre o nível de atividade econômica.

Selic em 14,5%, em meio a um quadro recessivo que está apontando para uma queda do PIB próxima a 3%, cria a seguinte situação:

  1. A receita fiscal vai para as profundezas, comprometendo qualquer veleidade de equilíbrio fiscal.

  2. A relação dívida bruta/PIB explode.

  3. Qualquer tentativa de reduzir o déficit, via cortes, aprofundará a recessão e colocará mais lenha na fogueira política.

O que o BC têm a oferecer a perder de vista é a redução do custo de rolagem da dívida quando a inflação cair. Os mortos que ficarem pelo caminho – dentro os quais o próprio governo Dilma – agradecerão.

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O problema é quem está acima, o maestro responsável pela coordenação de todos os instrumentos econômicos.

O Ministro da Fazenda Joaquim Levy não rege. Nem ousa discutir com o BC, como se a política monetária não tivesse nenhuma relevância para as metas fiscais.

E como Levy espera o início da recuperação da economia em alguns meses? Pela fé. Se o empresário acreditar que o governo conseguirá equilibrar as contas fiscais, imediatamente voltará a investir.

No primeiro semestre do ano, o número de consultas ao BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social) caiu 47% devido às incertezas quanto à demanda futura.

Ou seja, ao empresário não basta acreditar que o ajuste fiscal será alcançado: o que o move é a convicção de que a demanda será recuperada.

Embraer: US$ 22,9 bilhões em pedidos no segundo trimestre

Por Erica Ribeiro | Via Brasil Econômico

A carteira de pedidos firmes de aeronaves a entregar (backlog) da Embraer no segundo trimestre deste ano chegou ao patamar de US$ 22,9 bilhões, número considerado pela fabricante brasileira de aviões o maior da sua história. No final do trimestre anterior, em 31 de março de 2015, a carteira de pedidos firmes totalizava US$ 20,4 bilhões. No período de janeiro a maio, a Embraer entregou 27 jatos para o mercado de aviação comercial e outros 33 para o de aviação executiva, totalizando 60 aeronaves, ante 58 entregues no mesmo período no ano passado.

O principal destaque do trimestre foram os US$ 2,6 bilhões em pedidos firmes anunciados durante o Paris International Air Show. O valor inclui sete aeronaves modelo E190 para a chinesa Colorful Guizhou Airlines; oito E175 para a americana SkyWest Airlines, que serão operadas pela Alaska Airlines; dez E175 para a United Express; além de 15 E190-E2 e dez E195-E2 para a empresa de leasing americana Aircastle, sem considerar as opções e direito de compra previstos nos contratos.

Em maio, a Embraer já havia anunciado pedidos da Tianjin Airlines para 22 aeronaves (20 E195 e dois E190-E2), o que tornou a companhia a primeira aérea chinesa a adquirir os E-Jets E2. No mesmo período, outro contrato havia sido anunciado com a Azul Linhas Aéreas para a venda firme de 30 jatos E195-E2.

Na avaliação do analista Felipe Martins, da Coinvalores, no caso da aviação comercial, principal segmento da Embraer, a recuperação econômica americana e a elevada competitividade da segunda geração de E-Jets (E2-Jets) torna o cenário de vendas favorável. A expectativa, segundo o especialista, é que o segmento encerre o ano de 2015 com cerca de 100 entregas, em linha com o que havia sido reportado nos últimos anos. “Um dos principais catalisadores de vendas se baseia no custo operacional das aeronaves; com uma redução de 5% no consumo de combustível frente à geração anterior, e ainda mais econômico frente a seus principais concorrentes”, informa o relatório de Martins pela Coinvalores. Para ele, com o enfraquecimento da demanda por aeronaves executivas na China , o foco da Embraer deverá se voltar cada vez mais para a sua unidade de produção nos Estados Unidos. Na China, a Embraer tem uma planta em Harbin, desenvolvida por meio de uma parceria com o governo chinês.

Ainda segundo o analista, diante do conturbado cenário fiscal do Governo Federal, o segmento de Defesa e Segurança (D&S), vem sendo prejudicado pelo atraso nos repasses governamentais em diversos projetos em andamento, como o Sisfron (vigilância de fronteiras), o KC-390, o novo cargueiro militar da empresa e a construção de um satélite brasileiro a ser lançado no final de 2016. “Em caso de um agravamento desse cenário, a empresa pode vir a desacelerar consideravelmente tais projetos ou mesmo cancelá- los. Ainda assim consideramos baixa essa probabilidade, em vista do estágio avançado dos projetos”, diz Martins.

De “pedaladas” e déficits orçamentários

Por J. Carlos de Assis

O bombardeio que se faz no Congresso contra a proposta de orçamento deficitário enviada pelo Executivo, assim como a ameaça de impeachment de Dilma pelo TCU por conta do que chamam de “pedaladas” orçamentárias não passam de iniciativas fúteis, frutos exclusivos da imbecilidade ou da má fé. Ganham manchetes de jornais mal informados mas não tem qualquer substância. Ambos os eventos fiscais são plenamente justificáveis e em nenhum deles há, por parte do Executivo, qualquer sentido de irregularidade real.

A Lei de Responsabilidade Fiscal proíbe que o Governo recorra aos bancos públicos, notadamente Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil, para cobrir despesas, mesmo que eventuais e temporárias. Por quê? Por causa da camisa de força do pensamento neoliberal que acha bonito estrangular financeiramente o setor público, em qualquer circunstância. Claro que usar recursos desses bancos para financiar despesas públicas indefinidamente é incorreto. Levaria a sua descapitalização. Mas como expediente temporário não há nenhum mal.

Uma vez fixada uma meta de superávit primário – receitas menos despesas públicas, fora juros  da dívida pública-, o besteirol neoliberal não aceita qualquer variação para baixo. Caso o contrário, alegam, o Brasil perde seu grau de investimento. Perdido o grau de investimento, investidores e credores encarecem imediatamente o crédito para o Brasil. Por quê? Porque as agências de risco exercem atualmente sobre a economia brasileira o mesmo tipo de fiscalização que o FMI exercia no passado, no caso dele sob ameaça de suspender seus financiamentos para sustentação de nossa dívida externa.

A chamada pedalada consistiu em pagar algumas despesas públicas, inclusive bolsa família, com recursos dos bancos públicos. Foi um expediente temporário, pois logo o Tesouro cobriu a dívida correspondente. A rigor, foi mesmo uma bobagem do ministro da Fazenda anterior, Guido Mantega, porque teria sido mais lógico pagar diretamente as despesas com recursos do Tesouro, reconhecendo um pequeno aumento na despesa pública. Para sair bem na foto dos neoliberais, que sempre querem o máximo de superávit primário, Mantega cometeu uma irregularidade formal, longe, porém, de qualquer irregularidade real.

Quanto à proposta de orçamento deficitário, o festival de besteira chega ao infinito. Todo país, em qualquer época, pode recorrer a déficit. Os EUA tiveram um de 1,7 trilhão de dólares em 2009 e desde então tem tido déficits médios de 1 trilhão de dólares por ano. Sem déficit não haveria dívida pública, pois a dívida é uma acumulação de déficits. Claro que há déficits ruins e déficits bons. Ruim é o déficit que não se converte em investimento ou bem estar social. Os financistas, naturalmente, não gostam deles porque podem prenunciar aumento de impostos ou juros mais baixos manejados pelo BC.

Para a sociedade como um todo, um déficit indica que o Estado retira da economia menos do que lhe devolve em compras de bens e serviços. O déficit favorece, pois, o crescimento da circulação da riqueza desde que não haja inflação alta e o Governo não tenha a má ideia de pretender pagá-lo com aumento de impostos, como anunciam líderes governistas muito mal aconselhados por economistas neoliberais. O imposto, quando absorvido na ciranda financeira, contribui para a contração da economia. Assim, a forma canônica keynesiana de reduzir ou eliminar os déficits é pelo crescimento econômico, que aumenta a receita pública sem aumentar as taxas de impostos.

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José Carlos de Assis é economista, doutor pela Coppe/UFRJ, autor do recém-lançado “Os Sete Mandamentos do Jornalismo Investigativo”, ed. Textonovo, SP.

Inquérito que investiga Anastasia na Lava Jato pode ser contra Aécio

Via Jornal GGN

Uma nova denúncia em email diz que a casa destino do montante de R$ 1 milhão não é de Anastasia, mas, na verdade, da prima do senador Aécio Neves.

O motivo que sustentaria arquivar a investigação contra o senador Antonio Anastasia (PSDB-MG), de envolvimento no esquema de corrupção da Petrobras, seria a falta de provas de que o policial federal Jayme Oliveira Filho, conhecido como Careca, teria levado a quantia de R$ 1 milhão ao parlamentar. Em depoimento, Careca descreveu uma casa onde teria levado a quantia, a pedido do doleiro Alberto Youssef. Agora, está em investigação um e-mail denunciando que a casa descrita é a de Tânia Guimarães Campos, prima de Aécio Neves.

A informação foi divulgada, inicialmente, em reportagem da Folha de S. Paulo. Contudo, o jornal não menciona a prima do senador e candidato derrotado à presidência da República. Há apenas dados de que o e-mail poderia desfazer o pedido do procurador-geral, Rodrigo Janot, de arquivar a investigação contra Anastasia.

Nesta terça (01), a Polícia Federal enviou ofício ao ministro do STF, Teori Zavascki, relator dos processos da Lava Jato, afirmando que recebeu novas informações que antes não eram de conhecimento de Janot. Apesar de o email não ser conclusivo sobre o envolvimento de Anastasia, a PF ressaltou que as dúvidas precisavam ser esgotadas.

No arquivo, a autora que se identificou como “moradora de Minas Gerais” contou sobre a residência descrita na investigação contra Anastasia.

“O e-mail aponta qual seria a casa de Belo Horizonte em que o policial federal Jayme Oliveira Filho, o Careca, homem ligado ao doleiro Alberto Youssef, teria entregue R$ 1 milhão, em 2010″, restringiu-se a publicar a Folha. “Inicialmente, Careca não soube dizer para qual político entregou o dinheiro. (…) Youssef não confirmou a informação e, em depoimentos posteriores, Careca permaneceu em silêncio”, completou o jornal.

Foi o colunista Lauro Jardim, da Veja, que divulgou que a denunciante afirmou que a casa é da prima de Aécio Neves.

“Os tucanos estão estranhando o pedido da PF para que avance a investigação contra Antonio Anastasia, conforme mostrou hoje a Folha de S. Paulo. A estranheza é causada por um fato objetivo: a nova casa em que o policial Careca teria levado dinheiro é de uma prima de Aécio Neves, Tânia Guimarães Campos”, publica.

Agora, a Polícia Federal aguarda a decisão do ministro Teori Zavascki, se continua ou não com as investigações sobre o inquérito que envolvia Anastasia, mas que em um segundo momento, pode envolver Aécio Neves.

Fiori: Sincronia e transformação

Por José Luís Fiori | Via Valor

José Serra: ”Partamos nesse instante para uma ofensiva e não fiquemos na defensiva porque a defensiva será a vitória de fato dessas forças reacionárias que hoje investem contra o povo brasileiro”.  Pronunciamento ao vivo na Rádio Nacional do R.J., feito na madrugada do dia 1º de abril de 1964,
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Apesar de sua aparente instabilidade, a história política da América do Sul apresenta uma surpreendente regularidade, ou “sincronia pendular”. Alguns atribuem ao acaso, outros, à conspiração política, e a grande maioria, aos ciclos e às crises econômicas. Mas na prática, tudo sempre começa em algum ponto do continente e depois se alastra com a velocidade de um rastilho de pólvora, provocando rupturas e mudanças similares nos seus principais países. Esta convergência já começou na hora da independência e das guerras de unificação dos estados sul-americanos, mas assumiu uma forma cada vez mais nítida e “pendular”, durante o século XX. Foi assim que na década de 30, se repetiram e multiplicaram por todo o continente, as crises e as rupturas de viés autoritário; da mesma forma que na década de 40, quase todo o continente optou simultaneamente pelo sistema democrático que durou até os anos 60 e 70, quando uma sequencia de crises e golpes militares instalou os regimes ditatoriais que duraram até os anos 80, quando a América do Sul voltou a se redemocratizar. Mas agora de novo, na segunda década do século, multiplicam-se os sintomas de uma nova ruptura ou inflexão antidemocrática – a exemplo do Paraguai – com o afastamento parlamentar e/ou judicial do presidente eleito democraticamente. Neste momento, até o mais desatento observador já percebeu esta repetição, em vários países do continente, dos mesmos atores, da mesma retórica e das mesmas táticas e procedimentos. Sendo que no caso brasileiro, estes mesmos sinais se somam a um processo de decomposição acelerada do sistema politico, com a desintegração dos seus partidos e seus ideários, que vão sendo substituídos por verdadeiros “bandos” raivosos e vingativos, liderados por personagens quase todos extremamente medíocres, ignorantes e corruptos que se mantêm unidos pelo único objetivo comum de destroçar ou derrubar um governo frágil e acovardado.

Mas a história não precisa se repetir. Mais do que isto, é possível e necessário resistir e lutar para reverter esta situação, começando por entender que esta crise imediata existe de fato, mas ao mesmo tempo ela está escondendo um impasse estratégico de maior proporção e gravidade, que o país está enfrentando, e que não aparece na retórica da oposição, nem tampouco na do governo. Neste exato momento, o mundo está atravessando uma transformação geopolítica e geoeconômica gigantesca, e seus desdobramentos determinarão os caminhos e as oportunidades do século XXI.  E ao mesmo tempo a sociedade brasileira está sentindo e vivendo o esgotamento completo dos seus dois grandes projetos tradicionais: o liberal e o desenvolvimentista. Por isto mesmo, soam tão velhas, vazias e inócuas as declarações propositivas do governo,  tanto quanto as da oposição mais ilustrada.  O mundo bipolar da Guerra Fria acabou há muito tempo, mas também já acabou o projeto multipolar que se desenhara como possibilidade, no início do século XXI.  Esta mudança já vem ocorrendo há algum tempo, mas ficou plenamente caracterizada na reunião realizada na cidade de UFA, na Rússia, no mês de julho de 2015, do grupo BRICS, e logo em seguida, da Organização de Cooperação de Shangai (que já conta com a adesão – como observadores –  da Índia, do Irã, e  Mongólia) configurando uma nova bipolaridade global entre regiões e civilizações, e não entre países de uma mesma cultura europeia e ocidental. É neste contexto que se deve situar e entender a crescente colaboração militar entre a Rússia e a China,  a nova “guerra fria” da Ucrânia, a reaproximação dos EUA com Cuba e Irã e vários outros movimentos em pleno curso neste momento, ao redor do mundo. Da mesma forma que se deve entender a extensão do impacto mundial da crise da Bolsa de Shangai,  e sua sinalização de que está em curso uma mudança da estratégia nacional e internacional da China, envolvendo também sua decisão de entrar na disputa – de longo prazo – pela supremacia monetário-financeira global. A mesma pretensão e disputa que já derrubou vários outros candidatos, nestes últimos três séculos.  Mas seja qual for o resultado desta disputa, a verdade é que o mundo está transitando para um patamar inteiramente novo e desconhecido, e o Brasil precisa se repensar no caminho deste futuro. Neste contexto, atribuir apenas ao Fisco, a causa ou a solução do impasse brasileiro, é quase ridículo, e tão absurdo quanto restringir a discussão sobre o futuro do Brasil a um debate macroeconômico, ou sobre uma agenda remendada às pressas contento velhas reivindicações libero-empresariais, dispersas e desconectadas. O Brasil está vivendo um momento e uma oportunidade única de se “reinventar”, redefinindo e repactuando seus grandes objetivos e a própria estratégia de construção do seu futuro e de sua inserção internacional,  com os olhos postos no século XXI.  Mesmo assim, nesta hora de extrema violência e irracionalidade, se o Brasil conseguir vencer e superar  democraticamente a crise imediata,  já terá dado um grande passo à frente, rumo a um futuro que seja pelo menos democrático.  Mas atenção, porque este passo não será dado se o governo e suas forças de sustentação não passarem à ofensiva, começando pela explicitação dos seus novos objetivos, e de sua nova estratégia, uma vez que seu programa de campanha caducou. Hoje, como no passado, a simples defensiva “será a vitória de fato das forças reacionárias que hoje investem contra o povo brasileiro”.

Sobre pesos, medidas, delações e escândalos

Por Trajano Ribeiro

Como disse o Dr. Janot, pau que dá em Chico dá em Francisco. Se o Sr Youssef serve para incriminar os maiores empresários da construção no Brasil, mais alguns políticos ligados ao PT (aliás foi com ele que começou a lavagem a jato que está em curso) também tem que servir para incriminar tucanos.

Você viu e ouviu mal, perdão! Ele não disse que ouviu alguém que ouviu alguém que ouviu alguém… a pergunta foi direta: o senhor afirma que o Sr. Aécio Neves recebeu um milhão do esquema de Furnas? Afirmo!  A pergunta foi repetida e a resposta afirmativa também.

Quanto ao caso Collor, Brizola assumiu uma atitude de homem e não de rato. Quem derrubou Collor não foi o povo nas ruas. Quem derrubou Collor foi o Dr. Roberto Marinho que aliás em entrevista ao New York Times disse “eu o coloquei lá e eu o tirei”. E foi isto mesmo.

Você sabe muito bem que Globo armou para colocar o Lula no 2º turno das eleições, para que Collor não tivesse que enfrentar Brizola na televisão. Você sabe muito bem que Lula ganhou as eleições nos grotões de Minas, onde uma “pane” interrompeu as apurações por horas e horas. Voce sabe que uma caminhonetezinha Elba não derruba nem prefeito do interior, muito menos um presidente da República.

Roberto Marinho chamou Collor em Angra dos Reis e pediu a ele que interrompesse a construção das escolas federais de tempo integral, alegando que eram muito caras para o Brasil, que o País não suportaria um investimento desta monta. Diante da negativa de Collor de suspender o programa dos CIACS Dr. Roberto sentenciou: “é pena Presidente que o Senhor não possa interromper esse programa, realmente é uma pena”… Collor voltou para o helicóptero que o levara e disse para o ajudante de ordens (um Coronel da Aeronáutica que me contou o episódio): “- Ele vai me derrubar”.

Quem foi para a rua foram os “caras pintadas”. Eu, a propósito disse ao hoje Senador Linbergh Faria: Lindbergh, fazer passeata com proteção da polícia e cobertura da Globo é mole. Brabo é fazer passeata com a imprensa te chamando de baderneiro e a polícia baixando o cacete, como as que eu participei, nos anos 60/70.

Brizola agiu como um homem porque viu que as forças que passaram a atacar o governo Collor eram as mesmas que atacaram Getúlio, Jango e a ele próprio (lembrem-se da proconsult e da participação da midiona). Não se esqueça meu caro (você seguiu o conselho do FHC e esqueceu não apenas o que ele escreveu,mas também tudo que você defendeu, até os anos 80): os argumentos são sempre os mesmos: O golpe de 64 foi desferido em nome da moralidade, contra a subversão e contra a corrupção. A tentativa de golpe em Getúlio tinha como argumento o famoso “mar de lama”. Jango tinha trazido uma proposta de construção de uma usina hidrelétrica com a mesma capacidade ou maior que Itaipu, só que dez vezes mais barata, e mais, com a preservação de 7 Quedas e sem a ingerência paraguaia e ainda sem afrontar a Argentina. Depois foi o que se viu.

Eu não disse que o caso Lubrax foi a maior traição aos interesses nacionais. A maior traição foram os fatos narrados no livro a Privataria Tucana que você convenientemente finge que não leu. Ou se não leu, finge que não existe e não quer ler. E a pasta rosa? E o escândalo do Banestado que revelou para o mundo o grande Youssef? Foi lá que o Dr. Moro o conheceu, dizem. Só um ingênuo ou mal intencionado pode ignorar que houve uma roubalheira gigante na Petrobras e que os ladrões devem ser julgados e punidos, rigorosamente dentro da lei, mas só os ingênuos ou mal intencionados acreditam que essa roubalheira começou nos governos petistas. Isto vem de longe.

O ódio contra os governos populares, dos quais meu partido faz parte, não decorre desses fatos lamentáveis, cuja apuração tem sido feita sem qualquer cerceamento por parte do governo Dilma, o ódio decorre das posturas populares de distribuição de renda, das posições nacionalistas, de defesa da autodeterminação dos povos, da postura pró sulamericana de concertação dos interesses dos países tradicionalmente explorados ao extremo pelas multinacionais, de eliminação da miséria, de inserção no mercado de consumo de mais de 40.000.000 de pessoas antes marginalizadas do processo econômico, da defesa do pré-sal como patrimônio do povo brasileiro diante da evidente cobiça de certa vizinhança que até providenciou uma frota especial para patrulhar o Atlântico sul, como quem diz “cuidado, estamos de olho…” é só muito ingênuos ou mal-intencionados…

Não sou de abandonar o barco na hora do perigo. Ainda mais vindo esse perigo da banda podre de onde vem. Não vou abandonar o barco enquanto os mesmos mecanismos desestabilizadores sejam usados em todos os países do cone sul e outros vizinhos, denunciando uma ação coordenada que sabemos bem quem controla. Só os ingênuos ou mal intencionados podem entrar na onda das paneleiras de unhas cuidadas e gordas contas em paraísos fiscais.