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Até a Folha ridiculariza tentativa tucana de tapetão

Por Miguel do Rosário | Via Tijolaço

A tentativa patética do PSDB de tentar impedir a diplomação de Dilma Rousseff e o seu pedido, insano, de exigir que o TSE diplomasse Aécio Neves como presidente da república, causaram estupefação até mesmo na mídia pró-tucana.

Seria bom acrescentar que a tradição do tapetão, por parte do PSDB, vem de longe: afinal, o que foi a articulação para aprovar a emenda da reeleição, no primeiro governo FHC, senão um tapetão muito bem estruturado? Aprovar reeleição para si mesmo, sem fazer plebiscito, sem mudar constituinte, é golpe. Comprando votos ou não.

Confira o artigo de Bernardo Mello Franco.

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Choro de perdedor

Por BERNARDO MELLO FRANCO, na Folha

BRASÍLIA – O PSDB pediu à Justiça Eleitoral que anule os votos de Dilma Rousseff e entregue a faixa de presidente ao candidato derrotado Aécio Neves. A ação tem 54 páginas e um início espantoso. Afirma que a petista teve uma “pífia vitória nas urnas” e que sua legitimidade é “extremamente tênue”, apesar da vantagem de 3,4 milhões de votos. Por dever de ofício, continuei a leitura.

O primeiro argumento tucano é que Dilma abusou do poder político ao convocar cadeias de rádio e TV para se promover. É verdade, mas ela já foi condenada e multada por isso.

Os exemplos citados são de março, no Dia da Mulher, e maio, no Dia do Trabalho. A campanha só começou em julho, e depois Marina Silva e o próprio Aécio chegaram a ultrapassar a petista nas pesquisas. Atribuir sua reeleição a dois pronunciamentos no primeiro semestre é uma ofensa ao eleitor, que já foi punido com a overdose de exposição dos três candidatos na propaganda obrigatória.

Algumas páginas adiante, o PSDB afirma que sindicatos apoiaram a candidata do PT. É uma acusação tão ociosa quanto dizer que bancos cerraram fileiras com o tucano.

Como provas, o texto enumera outdoors espalhados por professores mineiros em endereços como a rua 33, em Ituiutaba, e a avenida Pau Furado, em Uberlândia. Se Aécio pensa ter encontrado aí a razão do fracasso em seu próprio Estado, o PT já pode gelar o champanhe para 2018.

A ação ainda enfileira irrelevâncias como a publicação de notícias simpáticas à presidente em um site oficial e o transporte gratuito de eleitores para um comício em Petrolina.

Por fim, o PSDB cita Paulo Roberto Costa, o ex-diretor da Petrobras, para sustentar que Dilma foi bancada por empreiteiras corruptas. Muitas também financiaram Aécio, mas isso é o de menos. Se as denúncias forem confirmadas ao fim do processo, a oposição poderá até defender o impeachment da presidente. Tentar impedir sua posse agora, no tapetão, parece apenas choro de perdedor.

Putin: “Ocidente quer transformar o urso russo em um troféu de caça”

Via Agência Efe

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, disse nesta quinta-feira que o Ocidente “decidiu que é um império e que todos os demais são vassalos”, aos quais é preciso achatar, e opinou que querem transformar o “urso russo” em um “troféu de caça”.

Em sua entrevista coletiva anual, Putin acusou os parceiros ocidentais de querer erguer um novo Muro de Berlim, desta vez “virtual”, com suas medidas contra a Rússia.

Putin acusa parceiros ocidentais de querer erguer um novo Muro de Berlim. EFE/Maxim Shipenkov

“Por acaso não é um muro o escudo antimísseis ao lado de nossas fronteiras? Por acaso não é um muro (…) a ampliação da Otan para o Leste, algo que nos prometeram que não aconteceria depois da queda do muro de Berlim?”, perguntou o líder do Kremlin.

Putin voltou a se referir às sanções do Ocidente contra Moscou, adotadas pelo papel da Rússia na crise da Ucrânia, como uma nova tentativa dos Estados Unidos e Europa de “arrancar as garras e os dentes do urso” russo para que se transforme “em um troféu de caça”.

“Às vezes penso se não seria melhor que o urso ficasse tranquilo, comendo favas e mel. Talvez assim o deixassem em paz. Não o deixarão! Porque sempre tentarão colocar uma corrente nele. E quando o prenderem, lhe arrancarão os dentes e as garras, que hoje são (nossa) força de contenção nuclear”, disse o líder russo.

Ao mesmo tempo, reconheceu que as sanções ocidentais já prejudicaram a economia russa, e são causadoras de “em torno de 25% a 30% dos problemas econômicos que o país sofre”.

Por outro lado e após admitir a presença de voluntários russos no leste da Ucrânia, combatendo o bando rebelde, Putin reiterou que “na consciência social” da Rússia, o conflito armado nas regiões rebeldes ucranianas “é uma operação de castigo realizada pelas atuais autoridades de Kiev”.

“Não foram os milicianos do leste que enviaram suas unidades a Kiev, mas as autoridades de Kiev que levaram suas forças armadas para o leste”, ressaltou o chefe do Kremlin, que voltou a qualificar de “golpe de Estado” a reviravolta de poder vivida na Ucrânia no início deste ano.

A mão que alimenta a mídia

Por Luciano Martins Costa | Via OI

A Folha de S. Paulo e o jornalista Fernando Rodrigues, do UOL, venceram a ação movida contra a Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom), e o jornal paulista publica na edição de quarta-feira (17/12) reportagem sobre a evolução dos gastos do governo federal e empresas estatais com publicidade.

O tema é motivo de polêmica, não apenas pela falta de transparência na destinação desses recursos, mas também pelo questionamento da validade da propaganda oficial. Com a decisão do Superior Tribunal de Justiça, a Secom é obrigada a abrir suas contas, e o público fica sabendo que o orçamento de comunicação do Executivo e das empresas que controla teve aumentos quase ininterruptos desde o ano 2000, período alcançado pelo levantamento.

Há uma explicação simples e convincente para alguns números: nesse período, cresceu o protagonismo de instituições como o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal, que se tornaram grandes concorrentes no mercado de crédito. O que alimenta as polêmicas é o gasto do próprio governo com publicidade, e o critério para a distribuição das verbas.

Oficialmente, a Secretaria de Comunicação Social justifica a partilha de recursos com o conceito de maior audiência, o que explica o maior volume de dinheiro destinado à Rede Globo de Televisão. Nos últimos 14 anos, a Globo recebeu R$ 4,2 bilhões dos cofres públicos. Em seguida, vêm a TV Record, com R$ 1,3 bilhão, o SBT, com R$ 1,2 bilhão, e a Band, com R$ 1 bilhão.

No grupo das empresas de mídia que não possuem emissoras de televisão como seu principal negócio, a Abril Comunicações, que edita a revista Veja, recebeu R$ 298 milhões nesse período, seguindo-se a empresa Folha da Manhã, que edita a Folha de S.Paulo, com R$ 206 milhões, e o Estado de S.Paulo, que recebeu R$ 188 milhões nesses 14 anos.

Apesar de a Secom não divulgar as quantias destinadas a cada veículo, pode-se observar que a verba para a mídia regional é pequena e que o total pago aos chamados “alternativos” não passa de 2% do que foi entregue nesse período a grandes empresas.

Claramente, essa política favorece a concentração do setor.

Uma questão polêmica

A principal mudança observada na política de comunicação do governo federal, no período mais recente, é a ampliação do número de veículos beneficiados e a maior diluição das verbas, apesar de os grandes grupos concentrarem o grosso do dinheiro. A Secom se refere a mais de 10 mil empresas, mas não especifica setores nem as regiões onde atuam. A quantidade dos destinatários desses recursos praticamente dobrou desde a posse de Dilma Rousseff, mas a concentração continua nas empresas dominantes.

Os maiores anunciantes entre as estatais são a Petrobras, que dispendeu R$ 429 milhões em publicidade em 2013 e R$ 4,6 bilhões desde o ano 2000, seguindo-se a Caixa Econômica Federal, com R$ 420 milhões no ano passado e R$ 4,5 bilhões no longo prazo; o Banco do Brasil, que gastou R$ 353 milhões no ano passado e R$ 4,2 bilhões desde 2000; e os Correios, que investiram em publicidade R$ 204 milhões no ano passado e R$ 1,3 bilhão entre 2000 e 2013. Esses valores não contemplam os patrocínios a projetos esportivos ou culturais.

A reportagem permite desvincular as verbas administradas pelas empresas estatais e os gastos diretos da Presidência da República e ministérios. No ano passado, a verba oficial para propaganda chegou a R$ 2,3 bilhões, sendo que, desse total, as estatais bancaram 64%, e o governo dispendeu o restante, ou seja, R$ 800 milhões.

O relatório da Secom, divulgado pela Folha, é diferente dos levantamentos do Ibope (ver aqui dados de 2013), que apontam números muito superiores porque se baseiam nas tabelas oficiais de preços dos veículos, que costumam dar grandes descontos conforme a fidelidade dos anunciantes.

Uma das questões centrais, não abordada pela Folha, se refere à utilidade do investimento direto da Presidência e seus ministérios em publicidade. Outra questão é o critério de distribuição desses valores.

Em vários grupos de debate, como o Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação, atualmente controlado pela CUT, discute-se a validade de verbas oficiais para a mídia hegemônica, que atua claramente contra as políticas públicas que o governo procura divulgar em sua publicidade. Em outros grupos, o centro do debate é a legitimidade dessa propaganda.

O cenário é curioso: a imprensa ataca o governo, o governo se defende com a propaganda que alimenta o caixa da mídia.

Sheherazade tenta de novo, e agora omite informação para defender Bolsonaro

Por Luís Nassif, em seu blog

Na versão da jornalista, Bolsonaro é um exemplo no combate aos crimes de estupro e Maria do Rosário deveria ser processada por “calúnia e difamação”.

“Se Maria não merece ser estuprada, Bolsonaro não merece ser taxado [sic] de estuprador”, escreveu a jornalista Rachel Sheherazade – depois de alertada nas redes sociais, corrigiu por “tachado” – em mais um artigo que sai em defesa de Jair Bolsonaro (PP) no episódio polêmico envolvendo a deputada Maria do Rosário (PT).

Nesta terça (16), a jornalista publicou um artigo intitulado “Bolsonaro e o sexismo”, no qual omite uma informação importante para defender o parlamentar dos pedidos de cassação por quebra de decoro parlamentar e pelo crime de incitação ao estupro.

Após ter pecado por compartilhar uma notícia falsa para defender Bolsonaro, Sheherazade agora argumentou que Bolsonaro é um “defensor” do combate a estupradores, inclusive “menores de idade”. No texto, ela denota que Bolsonaro afirmou que “jamais estupraria Maria do Rosário porque ela não merece”, como nenhuma outra mulher merece.

Mas o que o deputado disse foi que a parlamentar petista não merece ser estuprada porque é “feia”, não faz o “tipo” dele – denotando que mulheres precisam dar um motivo para serem vítimas desse tipo de crime. A fala foi registrada por um jornal impresso após o episódio de 2003, e serviu de base para a ação que a Procuradoria-Geral da República encaminhou na noite de segunda (15) ao Supremo Tribunal Federal, mas os leitores de Sheherazade não tiveram conhecimento.

Na versão da jornalista, Bolsonaro disse “jamais”, e “jamais”, em bom português, significa nunca, e nunca é negação, é não! Bolsonaro recusa o rótulo de estuprador, imposto por Rosário em 2003, e ainda diz: você não merece ser estuprada. Nem ela nem ninguém.” Para Sheherazade, se Maria do Rosário recebeu uma resposta “mal criada” de Bolsonaro, foi porque ela “provocou e depois não aguentou o tranco”.

“(…) os opositores de Bolsonaro querem distorcer suas palavras e manchar sua reputação para desacreditá-lo como homem, militar e parlamentar. É inaceitável. Se querem processar Bolsonaro por incitação ao crime, aproveitem e processem Maria do Rosário por calúnia e difamação”, concluiu ela.

Globo mentiu sobre “triplex de Lula”

Por Altamiro Borges, em seu blog

Na semana passada, O Globo fez alarde com a suposta compra de um triplex pelo ex-presidente Lula. O diário da famiglia Marinho, famoso por sua história golpista e por suas práticas suspeitas (como no caso da sonegação do imposto de renda), nunca fez estardalhaço contra o apartamento de FHC em Paris ou contra Joaquim Barbosa, ex-presidente do STF, que adquiriu de forma misteriosa um imóvel em Miami. No seu ódio de classe, o jornalão preferiu destilar seu veneno contra o ex-operário que foi eleito e reeleito presidente e ainda ajudou a eleger e reeleger a ex-presa política Dilma Rousseff.

A “reporcagem” do jornal O Globo foi corrosiva. “O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva já pode passar o “reveilon” na Praia das Astúrias, no Guarujá, área nobre do litoral Sul de São Paulo. De sua ampla sacada, poderá ver a queima de fogos, que acontece na orla bem defronte do seu prédio, feito pela OAS, empresa investigada pela Operação Lava-Jato. É que na semana passada terminaram as obras de reforma do apartamento triplex no Edifício Solaris, que ele e dona Marisa Letícia, sua mulher, compraram por meio da Bancoop — a Cooperativa Habitacional dos Bancários de São Paulo —, ainda na planta, em 2006″.

A “reporcagem” mentirosa, agora desmentida pelo Instituto Lula, alimentou o ódio nas redes sociais. Será que a famiglia Marinho fará nova autocrítica do seu “equívoco”, como fez do seu apoio ao golpe e à ditadura militar? Na dúvida, o ex-presidente poderia abrir mais um processo contra esta máfia midiática!

O Instituto Lula divulgou na final da tarde desta sexta-feira (12) uma nota em que desmente os boatos sobre o apartamento comprado pelo ex-presidente no Guarujá, no litoral paulista. Durante vários dias, alguns fascistóides alimentaram nas redes sociais esta falsa boataria. Eles foram insuflados por uma “reporcagem” do jornal O Globo, que até poderia ser processado por calúnia. Leia a íntegra da nota:

Nota sobre suposto apartamento de Lula no Guarujá

12/12/2014 – 18:04

Dona Marisa Letícia Lula da Silva adquiriu, em 2005, uma cota de participação da Bancoop, quitada em 2010, referente a um apartamento, que tinha como previsão de entrega 2007. Com o atraso, os cooperados decidiram em assembleia, no final de 2009, transferir a conclusão do empreendimento à OAS. A obra foi entregue pela construtora em 2013. Neste processo, todos os cooperados puderam optar por pedir ressarcimento do valor pago ou comprar um apartamento no empreendimento.

À época, Dona Marisa não optou por nenhuma destas alternativas esperando a solução da totalidade dos casos dos cooperados do empreendimento. Como este processo está sendo finalizado, ela agora avalia se optará pelo ressarcimento do montante pago ou pela aquisição de algum apartamento, caso ainda haja unidades disponíveis. Qualquer das opções será exercida nas mesmas condições oferecidas a todos os cooperados.

Assessoria de Imprensa do Instituto Lula

Globo amplia pressão para abrir Pré-Sal a gringos

Via Brasil 247

Um dia depois de defender, em editorial, que empresas internacionais, como Shell, BP, Exxon e Chevron, assumissem a liderança da exploração das reservas brasileiras de petróleo no pré-sal, o jornal O Globo agora produz reportagem sobre a mudança iminente nas regras, em razão dos problemas vividos pela Petrobras; “essa reflexão vai acontecer”, disse, em off, uma suposta fonte governamental ao governo; não se sabe ainda nem quem será o novo ministro de Minas e Energia, mas O Globo já vende a tese de que o segundo governo Dilma adotará o programa de Aécio Neves no petróleo.

Um dia depois de produzir um editorial defendendo a abertura do pré-sal a empresas estrangeiras, o jornal O Globo, dos irmãos Marinho, produziu reportagem sobre uma suposta mudança nas regras da exploração de petróleo no País.

De acordo com o jornal, o modelo de partilha, que obriga os consórcios exploradores, sempre liderados pela Petrobras, a dividir parte da receita com a União (o que se explica pelo menor risco exploratório, uma vez que as reservas já estão comprovadas), seria substituído pelo de concessões.

Embora o governo ainda não tenha definido quem será o futuro ministro de Minas e Energia, cargo para o qual aparece cotado o senador Eduardo Braga (PMDM-AM), O Globo se ancora em fontes “em off” para tratar da suposta mudança. “Essa reflexão vai acontecer”, diz a suposta fonte.

Pelo novo modelo, empresas internacionais, como Shell, Exxon, BP e Chevron poderiam arrematar concessões para, assim, explorar as reservas descobertas pela Petrobras ao longo dos últimos anos. O Globo aposta na tese de que a Petrobras, que ainda não conseguiu publicar seu balanço, ficará fragilizada financeiramente, será rebaixada por agências internacionais de risco e não conseguirá captar recursos para tocar seu plano de investimentos. Assim, a abertura aos grupos internacionais seria inevitável.

Este modelo era exatamente que vinha sendo defendido pelo senador Aécio Neves (PSDB-MG) durante a campanha presidencial. “Acho que nós temos que discutir o que é melhor para o Brasil, se em determinados casos não é melhor o modelo de concessão. É uma discussão que nós vamos fazer lá na frente, obviamente respeitando os contratos vigentes”, disse o senador, durante a campanha presidencial.

Lições da Transparência Internacional para acabar com a corrupção

Por J. Carlos de Assis | Via Jornal GGN

O diretor da Transparência Internacional veio ao Brasil nos ensinar como combater a corrupção. O Jornal Nacional da tevê Globo lhe deu uns cinco minutos corridos ontem. E a lição que ele ministrou, do alto de sua experiência e sabedoria, deve entrar para os anais do combate à corrupção em escala universal: primeiro, segundo ele, não se deve receber suborno; segundo, não se deve pagar suborno. Há outros três pontos de que me esqueci. Acho que é um lapso de memória grave. Talvez perdoável porque se esses dois primeiros pontos forem cumpridos o problema está resolvido e os outros se tornam irrelevantes.

O problema com temas políticos que entram na onda é que sempre aparece um cretino para se aproveitar da situação com o único objetivo de aparecer. É claro que, para tanto, é necessário que haja cumplicidaade da mídia, que é louca por quem fala inglês. E a má fé de parte da mídia, que é apenas um pouco inferior que sua imbecilidade, leva a situações como essa de dar amplo espaço a um oportunista que não sabe sequer falar português, tratando de uma questão na qual os nossos promotores e investigadores estão dando um show de competência sem qualquer comparação, por exemplo, com o sistema jurídico corrupto e venal norte-americano.

Onde estão os condenados pela maior crise financeira da história, com o assalto aos tesouros americano e europeu da ordem de uns 7 trilhões de dólares para evitar a debacle do capitalismo mundial? Sim, promotores americanos descobriram fraudes de bilhões de dólares no mercado imobiliário praticadas pelo Bank of America e pelo Citigroup. Entretanto, eles pagaram, cada um, multas de 20 bilhões de dólares a fim de evitar a ação penal. Não há nada mais estimulante da corrupção do que esse sistema jurídico no qual o réu, tendo suficiente dinheiro, paga para não ser preso. No caso, foram os acionistas dos bancos que pagaram.

Não sei por que diabos Transparência Internacional não rastreia a cadeia de fraudes que aconteceu nos países desenvolvidos avançados no curso da crise financeira. A Libor, a taxa que regula todos os contratos bancários em Londres, foi fraudada. O Deutch Bank e o UBS fraudaram o mercado de câmbio, no qual são o primeiro e o segundo operador. Mais incompressível ainda é que Transparência Internacional não denuncia mundialmente essa excrescência que são os paraísos fiscais, sem os quais a corrupção seria reduzida a zero. Aliás, na reportagem do Jornal Nacional, o assunto é mencionado com a explícita ressalva de que os paraísos fiscais prestam serviços legais para o pagamento de menos impostos.

Sim. Tudo isso é simplesmente repugnante!

J. Carlos de Assis – Economista, doutor pela Coppe/UFRJ, professor de Economia Internacional da UEPB.