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A linha levítica. Ou leviana?

Por Mino Carta | Via Carta Capital

Há quem vaticine que Dilma, a bem do mercado (com m pequeno), ainda vai mudar seu ministro da Fazenda.

Que dirá Lula se a recessão chegar? Adriana Spaca / BRAZIL PHOTO PRESS/AFP

Diz o Oráculo de Delfos: “À vista do que se delineia, até setembro o empresariado vai pedir a Dilma que tire Joaquim Levy do Ministério da Fazenda”. Por que setembro? Tento entender: até lá a recessão seria inevitável ao sabor da política monetarista que caracteriza a atual gestão da economia brasileira. A se considerar que a opção do País nesta atribulada situação é crescer e crescer, nada mais daninho do que a orientação levítica. Ou leviana?

O Oráculo, como se sabe, é originário da Grécia antiga, mas ao longo dos séculos deu para se encarnar em figuras distintas e devidamente influentes. Refiro-me, portanto, a alguém merecedor de respeito. Veremos o que veremos, embora o Oráculo não costume errar.

À indústria cabe protagonizar crescimento. O Conselheiro Acácio concorda. Seu êxito depende do mercado nacional e internacional, aquele que não se confunde com o Mercado, com M grande, já há décadas alçado à condição de Moloch global. Aquele é habitado por quem consome, este faz a felicidade de banqueiros e especuladores. Não há como enganar-se quanto ao fato de que Joaquim Levy está na Fazenda para agradar ao Mercado.

Falha gravíssima do primeiro mandato de Dilma Rousseff foi o descaso com que a indústria brasileira foi abandonada ao seu destino. Convém insistir no erro? Em um primeiro momento, não faltou quem se regozijasse quando a presidenta faz exatamente o que faria a turma da casa-grande caso ganhasse a eleição de outubro passado. Procuro interpretar o vaticínio oracular: com o tempo, e em meio ao recrudescer da crise, o empresariado irá render-se à voz da razão, a bem de todos. O almejado bem geral da Nação. Geral? Nem tanto, a turma do privilégio gostaria que tudo ficasse como está.

Em um país forçado à devoção do neoliberalismo, o investimento dará lugar ao rentismo no seu exercício mais desbragado. Outras as demandas recomendadas pelo momento difícil. Em primeiro lugar, esforço concentrado para renovar os objetivos do PAC em obras de infraestrutura, em um Brasil aflito por imperdoáveis crises, uma energética, outra hídrica, sem contar o desastre da administração tucana de São Paulo, a exibir o leito da Cantareira crestado como as secas das terras nordestinas de outros tempos.

Outro empenho decisivo diz respeito à recuperação do prestígio da Petrobras, quarta maior empresa petrolífera do mundo, hoje em risco insustentável vítima de escândalos que ferem a credibilidade do próprio Estado brasileiro. A ação exige, obviamente, determinação e firmeza, sem tergiversações, e muito menos leniência, na punição dos culpados e no reacerto das rotas.

O que preocupa é a mediocridade dos conselheiros da presidenta, enquanto a distância entre a própria e Lula repete neste momento as dimensões do primeiro mandato. Está certo, dirá o ex-presidente, sempre disposto a entender, desde a vitória de Dilma em 2010, a justa aspiração da criatura de afirmar independência em relação ao criador, dizer a que veio e deixar seu legado.

Lula também sublinhará jamais ter pressionado a favor da nomeação de qualquer ministro, embora seja do conhecimento até do mundo mineral não apreciar vários entre os mais chegados a Dilma. Resta ver o que acontecerá se os maus agouros vingarem. Ou seja, se a recessão chegar em um Brasil que não cresce. Qual haverá de ser, se assim for, a postura de Lula?

O Brasil carregou, por mais de um século, a tradição de votar em pessoas em lugar de partidos, aspecto de óbvia explicação em um país onde partidos, na acepção democrática, desde sempre não passaram de clubes recreativos fundados por senhores da casa-grande. Com o PT desenhou-se a possibilidade de uma mudança. Não foi mantida. No poder o PT portou-se como todos os demais, com a agravante de ter prometido para não cumprir.

Não está claro até que ponto Lula pode e quer empenhar-se para recolocar seu partido nos trilhos originais. Tampouco estão claras suas intenções na perspectiva de 2018. Nem lhe conviria, agora, uma definição. Certa é sua boa saúde, o que poderia contribuir para apresentar a candidatura na hora oportuna. Trágico para Dilma se ele surgisse como o salvador da pátria. Não menos trágico para a casa-grande. Para os moradores da mansão, e dos seus aspirantes, Lula é a ameaça de longe mais apavorante, com ou sem partido.

Dona de restaurante é condenada a pagar R$ 10 mil por repreender beijo gay

Via SpressoSp

Agência Brasil

Casal teria trocado um beijo rápido enquanto almoçava, quando os dois foram repreendidos de imediato e de maneira desproporcional pela dona do local.

A dona de um restaurante foi condenada a pagar uma indenização por repreender o beijo de um casal gay em São Vicente, litoral sul de São Paulo. Ela deverá indenizar cada um em R$ 10 mil, por danos morais.

Segundo o relato do casal ao juiz, eles trocaram um beijo rápido enquanto almoçavam, quando foram repreendidos de imediato e de maneira desproporcional pela dona do restaurante.”Afasta, afasta, afasta eu não estou brincando, nessa hora me queima, está cheio de peão”, teria dito a mulher na presença de outras pessoas.

O relator Alexandre Bucci justificou seu voto em favor do casal afirmando que “a abordagem preconceituosa e discriminatória, feita de maneira discreta ou não, por si só, gera danos morais, ferindo a dignidade, a imagem e a honra dos autores, justificando plenamente o dever de indenizar”.

Com informações de Folha de S.Paulo

O veto de Dilma e a hora dos cartolas assumirem responsabilidades

Por Glauco Faria | Via Revista Fórum

A queda da proposta generosa de refinanciamento das dívidas dos clubes traz a oportunidade de se fazer uma discussão mais ampla sobre o fortalecimento do futebol brasileiro. É hora dos dirigentes serem cobrados não somente pelo que fazem pelos times que dirigem, mas pelo que podem fazer pelo esporte.

O veto da presidenta Dilma Rousseff à emenda incluída pelo deputado Jovair Arantes (PTB-GO) à Medida Provisória 256, que garantia aos clubes de futebol a possibilidade de pagar suas dívidas com a União em um prazo de 20 anos, sem contrapartidas, é um caso emblemático que diz muito a respeito de como se dão as relações do futebol com a política no Brasil. E também sobre como os cartolas dos times daqui lutam para fugir de suas responsabilidades.

Em 2014, muito em função das críticas em relação à realização da Copa do Mundo no país, Dilma buscou um movimento de aproximação e diálogo que acabou deixando à margem a Confederação Brasileira de Futebol (CBF). Realizou encontro com editores e jornalistas esportivos e também se reuniu com o Bom Senso FC, associação que congrega jogadores de futebol que buscam mudanças na modalidade. O governo também participou das discussões sobre a Lei de Responsabilidade Fiscal do Esporte, que pretende estabelecer uma solução financeira para a crise econômica vivida pelos clubes, contanto que eles se adaptem a determinadas normas de gestão financeira e de responsabilidade fiscal.

Como se trata de uma discussão difícil, que pode resultar em punições como o rebaixamento para clubes que não honram compromissos como o pagamento de atletas e funcionários, por exemplo, a chamada bancada da bola resolveu tentar dar um chapéu no processo de diálogo, empurrando goela abaixo um refinanciamento generoso, sem sanções. Para isso, o deputado Arantes, ex-presidente do Atlético-GO, incluiu a proposta em uma MP que, no Legislativo, se tornou um festival de isenções e benefícios tributários a diversos setores, graças a emendas parlamentares de todo tipo.

O veto é um alento para quem torce por um futebol mais forte no país, que ainda vive sob a sombra dos 7 a 1 da Copa, resultado que deixou à mostra as chagas da desorganização do esporte nacional. Também é positivo o fato de se formar um grupo interministerial que envolve as pastas do Esporte, da Fazenda, da Justiça, da Previdência Social e Casa Civil da Presidência da República, além de se ouvir representantes do Bom Senso Futebol Clube, dando à associação legitimidade para discutir o tema. Trata-se de uma diferença importante em relação ao que já foi feito na área.

Em 2007, o presidente Lula instituiu a Timemania, uma nova loteria que tinha como objetivo auxiliar os clubes no pagamento de suas dívidas com a União. Em troca do uso de sua imagem, os times passaram a receber 22% do valor das apostas para honrar pendências previdenciárias e tributárias. No entanto, com a arrecadação mais baixa do que o esperado e sem exigir contrapartidas mais efetivas em relação à governança, a Timemania teve pouco efeito prático. No início do ano passado, dos 55 clubes que haviam aderido à loteria, 20 estavam excluídos por inadimplência e atraso.

Um primeiro passo de muitos

Os 12 maiores clubes brasileiros de futebol devem, juntos, R$ 1,59 bilhão à União, o que não incluiu débitos de outra ordem com o poder público, como tributos estaduais e municipais. De acordo com estimativas do governo federal, o total devido por todos os clubes pode chegar a R$ 3,7 bilhões.

Mas, obviamente, não é a União a única credora dos times. Segundo dados da consultora BDO referentes ao ano de 2013, o total devido pelos 24 maiores clubes era de R$ 5,682 bilhões de reais. E se boa parte desse endividamento foi feito no passado, em função de gestões temerárias de dirigentes, outro número mostra que os atuais cartolas não são exemplo de bons gastos. De 2009 a 2013, os clubes aumentaram suas dívidas em R$ 2,8 bilhões, quase metade do montante apurado.

Ou seja, um refinanciamento sem qualquer tipo de compromisso por parte dos clubes não tende a melhorar a situação deles e do futebol de uma forma geral.

Sob o comando da CBF, o futebol brasileiro continua com competições quase sem visibilidade no exterior, com público abaixo de campeonatos nacionais como o dos EUA e de outros países com pouca tradição na modalidade. Também nesse cenário, os dirigentes de clubes têm responsabilidade direta.

Ainda que tenha havido aumento de receitas vindas de outras fontes, como licenciamento de produtos, utilização de estádios para outros fins que não o esportivo e programas de sócios e sócios-torcedores, à medida que as receitas têm aumentado, também crescem em maior grau as despesas. Práticas de gestão destinadas ao fracasso também persistem, como dirigentes emprestando dinheiro para seus próprios clubes, o que se torna um problema quando se troca o grupo que está no comando.

Os direitos de transmissão de televisão também aumentaram em valor nos últimos anos, mas menos do que poderiam. Com a dissolução do Clube dos Treze, movida pela ganância de alguns cartolas e também pela subserviência à Globo e à CBF, os times se enfraqueceram como coletivo, e a ideia de formação de uma liga, que poderia fortalecer o conjunto das equipes, não é algo que se vê no horizonte.

O que a visão limitada dos dirigentes não alcança é que o fortalecimento do futebol passa pelo empoderamento dos principais clubes, mas também dos médios, que hoje se distanciaram ainda mais dos grandes por conta da assimetria que se agravou com as negociações individuais. Sem que se leve em conta o mérito desportivo, no caso, a classificação de um time em uma competição como fator de aumento do recebimento dos direitos de TV, ainda que sejam bem sucedidos em competições, equipes de menor expressão estão fadadas a não repetir o desempenho, já que não haverá recursos para “segurar” seus principais atletas.

Ao mesmo tempo em que a fórmula fortalece as principais camisas do futebol brasileiro em relação às demais, ela não os favorece diante dos grandes ou mesmo médios da Europa. A associação com empresários e grupos econômicos que se tornam “parceiros” de clubes na aquisição de direitos federativos de atletas faz com que o lucro nas negociações de jogadores para o exterior diminua. E que não se culpe a Lei Pelé, resultado da adequação obrigatória da legislação brasileira ao fim da Lei do Passe, em função do caso Bosman. Como disse aqui o consultor de marketing e gestão esportiva Amir Somoggi, “a lei foi publicada em 1998 e entrou em vigor em março de 2001, ou seja, houve tempo para os clubes se prepararem, mas eles não o fizeram”.

É hora de os dirigentes de clubes assumirem suas responsabilidades. E de serem cobrados não somente pelo que fazem pelos times que dirigem, mas pelo que fazem – ou deixam de fazer – pelo futebol.

Governo anuncia medidas para reforçar geração de energia

Por Sabrina Craide | Via Agência Brasil

Depois dos desligamentos de energia ocorridos ontem (19), em 11 estados e no Distrito Federal, o governo vai tomar medidas para reforçar a geração de energia no país. Segundo o ministro de Minas e Energia, Eduardo Braga, serão adicionados 1,5 mil megawatts (MW) ao sistema elétrico da Região Sudeste.

Entre as medidas está a antecipação da entrada em operação de usinas termelétricas da Petrobras, que estão em manutenção preventiva. Até o dia 18 de fevereiro, serão adicionados 867 MW ao sistema. Também será feita a transferência adicional de 300 MW da Usina de Itaipu, o repasse de mais 400 MW de energia para as regiões Sudeste e Centro-Oeste e a ressincronização da Usina Nuclear Angra 1, com despacho parcial entre 100 MW e 200 MW. “Estamos fortalecendo o sistema para que intercorrências como a de ontem tenham ainda um nível maior de segurança”, disse.

O ministro explicou que o problema registrado ontem começou quando houve variação de geração de um gigawatt na linha de transmissão que liga o Nordeste ao Sul do país. Depois disso, várias usinas foram desativadas, sendo que a primeira foi a Usina Governador Ney Braga, no Paraná, administrada pela Copel, com 1,2 mil MW de potência, que foi desligada por atuação indevida da proteção de potência reversa. No entanto, ainda não é possível identificar se esse desligamento foi ocasionado por falha técnica ou humana.

Eduardo Braga ressaltou que se não tivessem sido registrados atrasos em grandes projetos de hidrelétricas como Belo Monte, no Pará, Jirau e Santo Antônio, em Rondônia, a situação atual seria diferente. “Se Belo Monte já estivesse funcionando, se não tivessem tocado fogo no canteiro de Jirau, se não tivesse acontecido nada em Santo Antônio, se todas as obras estivessem funcionando dentro do cronograma, nada disso estaria acontecendo.”

Ele também ressaltou que o país enfrenta um momento de alto rigor no ritmo hidrológico e lembrou que nos dois últimos anos os reservatórios das hidrelétricas trabalharam em regimes extremos. “Em 2015, eles entraram [em funcionamento] com menos água ainda, e as chuvas em janeiro foram extremamente raras, principalmente onde deveriam ocorrer. Mas Deus é brasileiro, temos que contar que ele vai trazer um pouco de chuva para que possamos ter mais tranquilidade ainda”, avaliou o ministro.

O secretário executivo do Ministério de Minas e Energia, Márcio Zimmermann, disse que a falta de energia que ocasionou a paralisação do metrô, em São Paulo, não foi ocasionada pela ocorrência que resultou no desligamento da energia em vários estados. “Foi um problema local, que não tem nada a ver com essa ocorrência”. Segundo ele, quem define as cargas que devem ser desligadas quando há algum problema são as distribuidoras.

Mistério cerca ação de Alckmin contra empresas do cartel do Metrô

Por Eduardo Baretti | Via RBA

Processo rejeitado em 2013 por juíza foi aberto depois de mais de um ano, mas continua em segredo de Justiça, embora trechos do despacho tenham sido publicados por jornal.

Atual presidente da CPTM, Mário Manuel Bandeira, está entre os 33 indiciados pela PF e deve deixar o cargo

São Paulo – A ação que a Justiça de São Paulo abriu na semana passada, a pedido do governo de Geraldo Alckmin em 2013, contra 15 empresas acusadas de fazer parte do cartel do Metrô e da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), fraude em licitações e pagamento de propina a agentes públicos, continua envolta em mistério. O esquema teria funcionado entre 1998, no governo Mário Covas, e 2008, com José Serra, ambos do PSDB. A juíza Celina Toyoshima, da 4ª Vara da Fazenda da capital, deu início à ação em despacho datado do último dia 8.

A ação foi rejeitada ainda em 2013 pela mesma magistrada, sob a alegação de que o governo não apontava nela o valor que as empresas participantes do cartel deveriam devolver aos cofres públicos. Na ação original, o valor pedido a título de indenização era simbólico, de R$ 50 mil. Na decisão do dia 8, a juíza acabou concordando que não fosse atribuído valor no processo.

A ação corre em segredo de Justiça, como quase todas as que dizem respeito ao cartel. No entanto, o jornal Folha de S. Paulo divulgou, em matéria de quarta-feira (14), trechos inteiros do despacho da juíza. De acordo com o jornal, ela ressalta o teor “genérico” do pedido do governo, o que, segundo o novo entendimento, não inviabiliza o processo. “Frise-se que a forma genérica de descrição persiste nas emendas, quiçá diante da dificuldade de quantificação do dano e da participação exata de cada réu incluído no polo passivo, porém, não a ponto de propiciar o indeferimento da inicial”, afirmou em seu texto.

Para o deputado estadual Luiz Claudio Marcolino (PT), autor de um pedido de CPI (não aprovado) para apurar as denúncias na Assembleia Legislativa, a ação sozinha não é suficiente para proteger os cofres públicos. “O que teria de ser feito é que os contratos de todas as empresas fossem suspensos. E, fora isso, quando o governo faz a cobrança do ressarcimento, é com um valor irrisório”, diz o parlamentar.

Segundo ele, cálculos feitos pelo partido apontam para desvios que chegam a R$ 13 bilhões. “Mas indenização não basta. Além dela e da suspensão dos contratos, é preciso haver apuração de corrupção de agentes públicos e de políticos”, afirma Marcolino.

As empresas que entram como rés na ação do governo estadual são: Siemens, Siemens AG (Alemanha), Alstom Brasil, Alstom Transport (França), CAF do Brasil, CAF (Espanha), Bombardier, Tejofran, Mitsui, TTrans, Temoinsa, MGE, Balfour Beatty, Iesa e MPE.

A reportagem da RBA tentou ouvir o procurador-geral do Estado, Elival da Silva Ramos, cuja assessoria havia pré-agendado uma entrevista que, posteriormente, foi suspensa. A PGE é o órgão responsável pelas ações do governo.

Em novembro de 2013, o procurador-geral recebeu a reportagem e justificou o valor de apenas R$ 50 mil dado à causa pela inicial da ação: “(É de R$ 50 mil) Porque nós não temos o valor do dano, o valor do dano só será apurado em liquidação de sentença. Diariamente, no Fórum de São Paulo, você tem centenas de ações propostas exatamente assim. A maior parte das coisas que a juíza levantou está com interrogação. Agora, aí é questão processual, eu não vou revelar aqui o que nós vamos fazer em relação ao despacho dela porque é estratégia nossa e também porque corre em segredo de Justiça”, afirmou Ramos na ocasião.

“É preciso apurar a participação de pessoas próximas ao governador no esquema do cartel, como o presidente da CPTM (Mário Manuel Bandeira), o então secretário de Energia (José Aníbal), e o de Transportes Metropolitanos (Jurandir Fernandes), entre outros”, defende o petista.

Em dezembro, a Polícia Federal concluiu inquérito sobre o esquema do cartel entre 1998 e 2008 e indiciou 33 pessoas. O processo foi encaminhado à Justiça Federal. Mário Manuel Bandeira está entre os indiciados.

Em depoimento de 24 de setembro de 2013, prestado na reunião conjunta das comissões de Transportes e Comunicação e de Infraestrutura da Assembleia Legislativa de São Paulo, Jurandir Fernandes foi cobrado por parlamentares para dar explicações sobre as 73 vezes em que teria se encontrado com representantes de empresas do cartel. Fernandes justificou dizendo que sua agenda teve 2.238 compromissos no período de sua gestão e que reuniões com executivos de empresas do setor de transportes fazem parte da rotina de um secretário de Transportes.

O então secretário de Transportes Metropolitanos disse na ocasião não poder evitar que as empresas denunciadas participem de novas licitações. Também afirmou ser difícil, juridicamente, suspender contratos em andamento. Para isso, teria de haver sentença condenatória e transitada em julgado. “Não é simples rescindir contratos”, declarou.

STF

José Aníbal e Jurandir Fernandes não fazem parte do secretariado de Alckmin nomeado para seu novo mandato. Mário Bandeira, presidente da CPTM, deve sair do cargo nas próximas semanas.

Em setembro de 2014, os ministros Marco Aurélio e Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, votaram pelo arquivamento do inquérito que apura suposta participação de José Aníbal (PSDB) e Rodrigo Garcia (DEM) em possíveis irregularidades em licitações do Metrô. Até abril de 2014 eles eram secretários de Energia e de Desenvolvimento Econômico do governo Alckmin, respectivamente.

O ministro Luís Roberto Barroso pediu vista do processo em julgamento na Primeira Turma da corte. Em novembro, Barroso votou pelo prosseguimento do inquérito, entendendo cabíveis realizações de novas diligências. “O trancamento do inquérito deve ser reservado a situações excepcionalíssimas, nas quais não é possível nem vislumbrar a ocorrência de crime”, afirmou.

A ministra Rosa Weber votou com Barroso. Em seguida, o ministro Luiz Fux pediu vista e o julgamento foi novamente suspenso.

Cai a confiança na imprensa

Por Luciano Martins Costa | Via OI

Uma reportagem no Estado de S. Paulo comenta resultado de um estudo global sobre o nível de confiança das sociedades nacionais em governos, empresas, ONGs e mídia. O Edelman Trust Barometer, em sua 14ª edição, faz um levantamento em 27 países, por meio de 33 mil entrevistas, sendo 27 mil do público em geral e 6 mil no grupo composto por uma seleção de pessoas com educação superior, hábito de consumir notícias diversas vezes por semana e que acompanham temas sociais e políticos. Portanto, pode-se dizer que esse estrato específico de 6 mil entrevistados representa o cliente típico da imprensa.

Os dados referentes ao Brasil serão divulgados em fevereiro, em dois seminários marcados para o Rio de Janeiro e São Paulo, e prometem ser muito úteis para os estudiosos das relações entre mídia e sociedade. O texto publicado pelo Estado se refere apenas ao grau de confiança que o público em geral deposita em empresas familiares, em comparação com a credibilidade das empresas de capital aberto e as estatais.

No resumo distribuído pela Edelman, a análise é mais ampla: por exemplo, observa-se que a confiança na mídia caiu 4 pontos de 2013 para 2014, em todo o mundo. Mas o mais interessante é observar como os novos meios digitais e outros processos de comunicação desvinculados da mídia tradicional passaram a contar com muito mais credibilidade, avançando no campo antes dominado por aquilo que chamamos classicamente de imprensa.

O estrato da amostragem considerado como “público informado” declara que, ao buscar informações sobre qualquer assunto, confia tanto na mídia tradicional quanto nos sistemas de busca online. No Brasil, esse aspecto é ainda mais diferenciado: as ferramentas de busca como o Google têm a confiança de 81% dos consultados.

Em um ano, a mídia tradicional perdeu 7 pontos na classificação da credibilidade, com 74% de citações, seguida de portais, blogs e congêneres, com 65%, e mídias sociais e outras fontes digitais, com 63% cada. A pesquisa permite associar o nível de confiança nos meios à formação da opinião sobre marcas de produtos e serviços, indicando que cresce a influência de funcionários e cidadãos comuns em relação às fontes institucionais, como dirigentes de empresas.

Estratégia equivocada

Observando-se apenas esse contexto do estudo, pode-se constatar uma importante mudança no comportamento dos indivíduos, tanto em seu papel de cidadãos como na qualidade de consumidores.

A análise que acompanha os dados da pesquisa indica que as pessoas ainda consideram importante a qualidade específica daquilo que lhes é entregue em troca de seu dinheiro ou de seus impostos, mas aumenta a expectativa quanto a outras questões, como a conduta de empresas e instituições em geral, ou seja, atributos éticos tornam-se tão valiosos quando os aspectos operacionais.

Esses indicadores explicam em grande parte o distanciamento, quase animosidade, que se nota, no Brasil, entre grandes parcelas da população e o conjunto das instituições. De certa forma, também justificam, parcialmente, o nível maior de confiança nas empresas que têm uma face – a cara do dono –, em comparação com as organizações sem rosto. Torna-se interessante, por exemplo, observar como o empresário Abílio Diniz, que era o retrato do grupo Pão de Açúcar, vai transferir sua reputação para o novo grupo empresarial a que está se associando.

No campo político, a pesquisa mostra como pode ser um erro estratégico grave a opção da maioria dos governantes, inclusive no âmbito federal, de buscar o poder no voto para exercê-lo no ambiente restrito das instituições partidárias. Se, como mostra o estudo, a sociedade quer ver a face que personifica a instituição, as estratégias de comunicação que despersonalizam empresas e outras entidades podem estar seriamente equivocadas.

A observação diária da imprensa revela que a mídia tradicional se dirige preferencialmente às instituições, e que tanto governos quanto empresas também se fecham nessa conversação que exclui o cidadão comum.

O retrato pintado pelo Edelman Trust Barometer indica um novo caminho: se as pessoas tendem a confiar mais em seus pares do que na imprensa ou nas instituições, a sucessão de crises que testemunhamos só será sustada se houver um redirecionamento na comunicação, visando mais o ser humano do que suas representações formais.

Bom mesmo é ser rico no Brasil e gastar nos EUA

Por Ricardo Kotscho, em seu blog

Se já tinham alguma desconfiança, os ricos brasileiros e seus blogueiros de estimação agora é que vão ter certeza mesmo de que Barack Obama é comunista.

Na contramão das medidas econômicas recessivas que vêm sendo estudadas pelo governo Dilma 2, o presidente dos EUA vai anunciar nesta terça-feira, em seu discurso anual sobre o Estado da União, que enviará projeto ao Congresso com proposta que prevê aumentar os impostos dos mais ricos e dos bancos e, ao mesmo tempo, desonerar a carga tributária da classe média.

O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, novo “czar” da economia brasileira, poderia aproveitar sua viagem esta semana a Davos, na Suíça, onde representará nosso país no Fórum Econômico Mundial, para perguntar aos seus colegas americanos como é possível fazer um “ajuste fiscal”, tirando de quem tem mais e vive da especulação financeira, para beneficiar quem vive apenas do seu trabalho, ao contrário do que o ministro vem planejando por aqui.

O “Plano Robin Hood” de Obama prevê um aumento da arrecadação de US$ 320 bilhões nos próximos dez anos, com a maior taxação de grandes bancos, casais que ganham mais de US$ 500 mil por ano e cobrança de impostos sobre heranças _ algo simplesmente fora de cogitação dos ajustes de Dilma-Levy.

De outro lado, a proposta do governo americano prevê uma desoneração de US$ 175 bilhões dos impostos pagos pela classe média no mesmo período, segundo notícia publicada nesta segunda-feira no New York Times, venerável publicação que, perto dos jornalões brasileiros, deve parecer um perigoso porta voz do socialismo, a ameaçar a liberdade de expressão em todo o mundo.

O principal jornal americano já prevê que Obama “vai enfrentar forte resistência num Congresso agora controlado pelo Partido Republicano”, o equivalente, mal comparando, ao nosso PSDB.

O mais curioso e triste para nós é que Obama, que perdeu as últimas eleições parlamentares nos Estados Unidos, mostra coragem para enfrentar a oposição republicana, mesmo estando em minoria, enquanto Dilma Rousseff, que acabou de vencer as eleições gerais no Brasil, com ampla maioria no Congresso Nacional, faz exatamente o contrário, para agradar ao mercado.

Até agora, mesmo com a presidente se mantendo em ensurdecedor silêncio desde que tomou posse no segundo mandato, há 19 dias, seus ministros e assessores só vêm anunciando medidas que oneram a classe média, como o aumento dos impostos de profissionais liberais e prestadores de serviço que formaram pequenas empresas na forma de pessoas jurídicas, mais conhecidos por “PJ”, além de restringir o acesso a benefícios sociais e liberar o aumento de tarifas.

Chega agora a cheirar a ironia a ameaça feita por tucanos emplumados, às vésperas da eleição de outubro, de que deixariam o Brasil se Dilma se reelegesse. Para quê?

Bom mesmo é ficar rico no Brasil, ir às compras e investir em imóveis nos Estados Unidos, sem nenhuma ameaça de taxação das suas fortunas. Tem lugar melhor no mundo para ser banqueiro ou herdeiro que vive de rendas? Quando começa a faltar água e luz, é só pegar um avião, de preferência um jatinho particular, e ir para suas casas em Punta ou Miami. Seu rico dinheirinho estará garantido pelo nosso fisco camarada, e não tem nenhum Obama que o ameace.

E vamos que vamos.

Em tempo (atualizado às 11h30) _ Acabo de ler na manchete do UOL: “Riqueza de 1% deve ultrapassar a dos outros 99% no mundo até 2016, diz ONG”.

Estudo da organização britânica Oxfam informa que a “explosão da desigualdade” está dificultando a luta contra a pobreza global. “Apesar de o assunto ser tratado de forma cada vez mais frequente na agenda mundial, a lacuna entre os mais ricos e o resto da população continua crescendo a ritmo acelerado”, advertiu a diretora executiva da Oxfam Internacional, Winnie Byanyma.

A presidente Dilma e o ministro Levy bem que poderiam ler este estudo antes de apresentar as propostas brasileiras em Davos.

Barack Obama já está fazendo sua parte para evitar que este abismo entre ricos e pobres cresça ainda mais.

E nós?