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Sabesp ainda esconde a identidade dos maiores consumidores de água

Por Maria Martin | Via El País

Um boneco de Geraldo Alckmin toma banho durante protesto. / VICTOR MORIYAMA (GETTY IMAGES)

A companhia divulgou o volume consumido pelos 523 grandes clientes, com base na Lei de Acesso à Informação, mas não detalha quem são e nem as tarifas privilegiadas que pagam.

A companhia de saneamento básico de São Paulo enviou, após pedido baseado na Lei de Acesso à Informação, o volume de água consumido e o número total dos clientes que são beneficiados pelos contratos de demanda firme que privilegiam com grandes descontos os maiores consumidores da cidade. A Sabesp, porém, não forneceu os nomes desses clientes nem o preço que eles pagam por cada metro cúbico. Até hoje, só é conhecido o consumo e a tarifa aplicada a 294 desses beneficiários, após EL PAÍS publicar uma lista parcial da própria Sabesp.

Nesta nova lista incompleta há 523 clientes sem identificação, que consomem juntos uma média de mais de 2,25 milhões de metros cúbicos por mês. Esse consumo é equivalente ao gasto mensal de 144.600 famílias de quatro membros e se trataria de 3,88% do total da água faturada pela Sabesp no município de São Paulo, tendo em conta dados fornecidos pela própria companhia à CPI municipal que investiga os contratos da estatal com a prefeitura.

A manutenção dos contratos de demanda firme – desenhados em 2002 para impedir que os consumidores comerciais e industriais optassem pelo uso de poços privados ou caminhões-pipa – entraram na pauta da pior crise de água que já viveu São Paulo. O próprio ex-presidente da Sabesp Gesner Oliveira afirmou em entrevista a este jornal que “existem motivos de força maior para rever” esses contratos e especialistas em recursos hídricos, como o professor José Galizia Tundissi, defendem que a Sabesp deveria renegociar os contratos. “Não há dúvida de que essa negociação deve ser considerada no ápice da crise. Não é questão de que seja justo ou injusto, mas a conta da água deve ser para todos”, afirmou Tundissi em entrevista ao El PAÍS. “Quem gasta mais deveria pagar mais,” disse.

A companhia, porém, não tem se manifestado nessa direção. O principal gesto nesta discussão foi oferecido ao Movimento dos Trabalhadores sem Teto (MTST) que, após uma marcha de mais de 10.000 pessoas contra a falta de água na última quinta-feira, foi recebido pelos chefes da Casa Civil e Militar do Governo de Geraldo Alckmin. Após o encontro, o movimento saiu com o compromisso de uma reunião nesta semana com o diretor metropolitano da Sabesp, Paulo Massato, onde será discutida a logística para distribuir caixas de água na periferia, a construção de poços artesianos, o envio de caminhões-pipa e a avaliação dos contratos de demanda firme.

Apesar do pedido, a Sabesp negou-se a informar as tarifas aplicadas a esses beneficiários que, ao pagarem menos à medida que consomem mais, seguem a lógica contrária à imposta aos clientes comuns, que pagam mais se mais consomem. Para conhecer o preço que esses grandes consumidores pagam pela água, a companhia remete à tabela oficial onde aparecem as tarifas dos clientes de demanda firme. Nela, informa-se que quem consome de 500 a 1.000 m3 por mês gasta 11,67 reais por cada m3, enquanto quem ultrapassa os 40.000 m3 paga 7,72 reais. Os dois valores são menores que os aplicados a clientes comuns, cujas tarifas industriais e comerciais são de 13,97 reais por cada metro cúbico.

Os preços oficiais dessa tabela, porém, diferem dos publicados por este jornal baseados em uma lista enviada pela companhia à CPI municipal. Nessa lista, onde aparecem o volume, a tarifa aplicada e o nome de 294 desses clientes, há contratos beneficiados com tarifas de 3,41 reais por m3, como a fábrica de celulose Viscofan. O shopping Eldorado, outro desses grandes consumidores, paga 6,27 reais por cada metro cúbico, valores menores aos informados na tabela oficial. Procurada, a Sabesp não explicou por que esses dados não batem, antes do fechamento da reportagem.

Na lista publicada pelo EL PAÍS, a Viscofan era a campeã do consumo com um gasto de 60.000 m3/mês, o equivalente à quantidade de água utilizada por mais de 3.800 famílias de quatro membros, considerando que cada um deles gaste 130 litros por dia. Nesta nova lista, quem mais gasta atinge os 98.322 m3/mês, o consumo mensal de mais de 6.300 famílias.

Dos 523 nomes, há 101 clientes que consomem de 5.000 a 100.000 metros cúbicos por mês; 118 cujo consumo encaixa entre os 2.000 e os 5.000 m3/mês; e 304 clientes que gastam de 500 m3/mês – o consumo mínimo para assinar esses contratos – a 2.000 m3/mês.

Medidas de contenção

Até março de 2014, o modelo dos contratos incentivava ainda mais o consumo. Até a data, ele poderia ser comparado ao de um pacote de telefonia e internet, em que o cliente paga um valor cheio por um volume (de dados ou de água) acordado previamente. Se usava menos água, portanto, pagava o mesmo valor, mas se ultrapassava a quantidade contratada pagava uma diferença.

Com o agravamento da crise hídrica, a Sabesp modificou essa obrigatoriedade de consumo mínimo, liberou os clientes a usarem fontes alternativas de água e os incluiu no programa de multas pelo aumento de consumo até os mananciais se recuperarem.

Com essa liberação, 70% dos clientes adotaram fontes alternativas e reduziram seu consumo com a companhia, segundo o documento enviado à Câmara.

A companhia não inclui seus clientes fidelizados no Programa de Redução de Consumo – que premia com 30% de desconto quem economizar 20%. Assim, uma grande redução do consumo não significaria necessariamente um grande alívio na conta desses clientes.

A Sabesp ainda está no prazo para responder ao recurso interposto na Corregedoria Geral da Administração pela Agência Pública por conta da negativa da estatal de divulgar informações sobre esses clientes. O veículo pediu duas vezes os dados completos de esses contratos à Sabesp por meio da Lei de Acesso à Informação e a companhia negou apelando à privacidade dos seus clientes.

A era FHC e as contas no HSBC da Suíça

Por Eduardo Guimarães | Via Blog da Cidadania

Ficou curioso sobre a razão de nenhum parlamentar do PSDB ter assinado o pedido de instalação de Comissão Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do SwissLeaks-HSBC protocolado pelo senador Randolfe Rodrigues (PSOL) na quinta-feira (26) no Senado Federal? Bem, talvez o Blog da Cidadania possa ajudá-lo a entender o “fenômeno”.

No dia 19 do mês passado, este Blog publicou o post Abertura de contas brasileiras no HSBC suíço teve pico durante privatizações de FHC. A matéria revelou que as 6.606 contas de 8.667 brasileiros abertas naquela instituição desde 1970 tiveram picos de abertura em três períodos. O gráfico abaixo foi extraído do site do The International Consortium of Investigative Journalists (Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos) e mostra a movimentação.

No site oficial do Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos, ao passar o mouse sobre os pontos de intersecção entre os anos marcados no gráfico reproduzido acima, aparece quanto aumentou o número de contas abertas por brasileiros naquela instituição desde 1988. O que se descobre nessa pesquisa é o que o Blog passa a demonstrar abaixo.

Em 1988, foram abertas 8 contas

Em 1989, foram abertas 419 contas

Em 1990, foram abertas 378 contas

Em 1991, foram abertas 582 contas

Em 1992, foram abertas 120 contas

Em 1993, foram abertas 43 contas

Em 1994, foram abertas 12 contas

Em 1995, foram abertas 24 contas

Em 1996, foram abertas 4 contas

Em 1997, foram abertas 65 contas

Em 1998, foram abertas 54 contas

Em 1999, foram abertas 81 contas

Em 2000, foram abertas 25 contas

Em 2001, foram abertas 43 contas

Em 2002, foram abertas 49 contas

Em 2003, foram fechadas 63 contas

Em 2004, foram fechadas 63 contas

Em 2005, foram fechadas 84 contas

Em 2006, foram abertas 20 contas

Em 2007, foram abertas 187 contas

Desses dados, extrai-se que houve três períodos de pico de abertura de contas de brasileiros na instituição suíça:

De 1988 a 1991, foram abertas 1387 contas

De 1997 a 2001, foram abertas 317 contas

De 2006 a 2007, foram abertas 207 contas

Estranhamente, a grande mídia brasileira comenta apenas o pico de 2006 e 2007 como período suspeito por terem sido criadas 207 contas após terem sido fechadas 210 contas de 2003 a 2005, mas a mesma mídia não comenta um pico muito maior de 1997 a 2002, quando foram abertas 317 contas.

Ocorre que o período que vai de 1997 a 2002 marcou também o pico de privatizações no Brasil, a dita “privataria tucana”, que até virou livro do jornalista Amaury Ribeiro Jr, um best-seller com mais de 200 mil cópias vendidas.

A mídia brasileira pode noticiar o que quiser, mas o fato é que tanto a CPI que está praticamente aberta no Senado quanto a investigação que o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, mandou abrir na Polícia Federal por certo não vão escolher um único período para investigar e, devido ao grande volume de abertura de contas durante as privatizações de Fernando Henrique Cardoso, o Estado brasileiro irá querer saber quem são os titulares das contas abertas naquele período.

A recusa do PSDB em assinar a CPI do HSBC suíço torna-se extremamente eloquente diante dos dados acima, não acha, leitor?

MTST bota medo no ‘Estadão’

Por Altamiro Borges | Via Blog do Miro

Na quinta-feira passada (25), o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) mobilizou 12 mil pessoas na “Marcha pela Água”, que percorreu vários quilômetros do Largo da Batata até o Palácio dos Bandeirantes, na zona sul da capital paulista. O protesto teve o apoio da CUT, CTB, MST, UNE e de militantes do PT, PCdoB e PSOL. Foi um ato pacífico e irreverente, com direito a uma banheira para o governador Geraldo Alckmin (PSDB), principal culpado pela falta de água que prejudica 6,5 milhões de moradores da Grande São Paulo. Mas a marcha não agradou a mídia tucana, que deu pouco destaque na sua cobertura “jornalística”. O veículo mais irritado, porém, foi o oligárquico Estadão.

Em editorial publicado no sábado (28), o jornalão voltou a explicitar seu pavor diante do povo nas ruas na luta por seus direitos. Desde a Copa do Mundo, em junho do ano passado, o Estadão não esconde seu medo frente à capacidade de mobilização do MTST – que virou o alvo principal do seu ódio. No editorial intitulado “O MTST ataca de novo”, o diário da decadente famiglia Mesquita atacou de novo. Para o jornal, o movimento dos sem-teto devia ser tratado na base da repressão pura e simples, sem dó nem piedade. Daí a sua indignação colérica:

“Muito bem tratado pelas autoridades e por líderes políticos das mais variadas tendências, apesar de atropelar a lei com frequência – uns por simpatia ou conivência, outros por temerem suas bravatas –, não surpreende que o Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST) e seu líder Guilherme Boulos continuem de vento em popa e, cada vez mais, diversificando as suas atividades. Tratam de questões que vão muito além da moradia. Atiram para todos os lados. Com seu conhecido oportunismo e inegável faro para problemas que podem mantê-los em evidência, na quinta-feira o seu alvo foi a falta d’água”, esbraveja o editorial.

O Estadão chega ao cúmulo de criticar o governo tucano – seu fiel aliado e generoso anunciante – por ter recebido os líderes da marcha. “O MTST teve êxito em sua demonstração de força, pois uma comissão de manifestantes foi recebida por representantes do governo do Estado, aos quais apresentaram várias reivindicações… Boulos, como sempre, foi agressivo”. Para o jornal oligárquico, que no seu nascimento já pregava repressão contra as greves lideradas pelos anarquistas e comunistas, o MTST não respeita “as regras do jogo democrático, que exigem, antes de mais nada, o respeito à ordem legal e excluem, portanto, toda tentativa de impor sua vontade pela força, de ganhar o jogo ‘no grito’”.

Para o truculento Estadão – que armazenou armas em sua sede para derrubar Getúlio Vargas e redigiu o primeiro manifesto dos generais golpistas de 1964 –, o MTST é “truculento”, “como provam suas repetidas invasões de áreas privadas e públicas, para que sejam construídas moradias populares”. O jornalão exige dura repressão ao movimento e critica as autoridades, principalmente “a inacreditável boa vontade sempre demonstrada por Fernando Haddad”, que estimula “as invasões feitas pela tropa de Boulos”. O editorial conclui com um apelo fascistóide: “Já está mais do que na hora de os que não concordam com seus sonhos revolucionários agirem com a mesma clareza e a mesma dureza que ele. Apenas aplicando a lei”. Haja ranço autoritário e arrogância de um jornal falido e decadente!

Diálogos Desenvolvimentistas: Reflexões sobre o encurralamento nacional

O essencial artigo intitulado Momento decisivo, do doutor em economia e colaborador do portal Desenvolvimentistas, Adriano Benayon, teve boa repercussão e gerou alguns questionamentos por parte de Nelson Prata, integrante do nosso grupo de discussões via e-mail.

Por serem considerações relevantes para interpretação política e histórica do Brasil, principalmente levando-se em conta o momento chave que vivemos, reproduzimos o debate travado entre as partes para o público em geral.

Segue a íntegra:

Nelson Prata – Concordo que o momento é decisivo. Pergunto ao senhor onde está a esquerda, o centro e até mesmo a direita nacional?

Adriano Benayon – Em todos os partidos representados no “governo”, na “oposição”, bem como nas correntes de opinião influentes na academia, no Judiciário, no MP e em outras instituições, prevalece a falta de comprometimento com os interesses nacionais o desconhecimento dos reais problemas do País e, sobre tudo, das causas desses problemas. Não faz diferença significativa, se essas agremiações e pessoas se consideram de direita, de centro ou de esquerda. O império investe, há mais de 80 anos, em alienação e ignorância, e está colhendo os frutos.

Nelson Prata – Digo a direita, pois a desindustrialização crescente do Brasil, na prática, atinge-os diretamente, não é? Temos também, pelo menos na teoria, um partido de esquerda no poder.

Adriano Benayon – Não necessariamente os empresários devem ser de direita, e muitos não o são nem foram. Por outro lado, a divisão esquerda/direita é uma das mais manipuladas pelos serviços secretos estrangeiros e seus agentes locais.

Lula, por exemplo dividiu a esquerda, competiu e tirou espaço da esquerda nacionalista, que tinha dois expoentes pelo menos: Leonel Brizola e Miguel Arraes, ambos dotados de boa visão dos interesses nacionais e conscientes de que nosso verdadeiro inimigo é o império angloamericano.

Nelson Prata – Qual a razão da vergonhosa capitulação do governo?

Adriano Benayon – Trata-se apenas de mais um engodo, um dos muitos que se têm sucedido desde a derrubada de Vargas em 1954. Eu diria que o PT, desde o início, é o produto de uma negociação com a oligarquia: ele finge ser de esquerda, mas apenas negocia com a oligarquia, concedendo-lhe quase tudo, em troca de esta lhe permitir expandir suas bases e apoio popular, mediante algumas medidas que, necessariamente, são positivas para a economia do País.

Mas isso agora está indo pelo ralo, porque os líderes do PT nunca tiveram a clarividência para compreender que, com as estruturas econômicas que se consolidavam e ampliavam (desnacionalização, desindustrialização, concentração), a economia – com qualquer política macroeconômica – daria com os burros n’água, e eles (os petistas) seriam colocados no banco dos réus para pagar o pato, como responsáveis por esse fracasso e pelo caos que se instala no País.

Nelson Prata – Se um governo, que sempre, quando oposição, denunciou, prometeu mudanças, e, quando no poder se omite, ou se encolhe, como esperar do povo uma reação? A esquerda está paralisada há anos. Não cuidou, nem ao menos de ter uma imprensa alternativa e de porte, para fazer o contraponto.

Adriano Benayon – O imperativo de sobrevivência de uma nação e de um povo não pode (e não deve) ficar dependente da ação do governo, mesmo porque se trata de um falso governo, impotente diante da lógica de poder do sistema político em que pretendeu – e conseguiu até há um tempo – florescer.

A essência do ser, como ensina Spinoza, é o esforço, energia ou élan de perseverar no ser (conatus sese preservandi).

Se, em toda a história da humanidade, não tivessem existido senão bons governos, nunca teria havido revolução alguma que se justificasse.

Nelson Prata – O senhor mesmo é um exemplo de consciência condenada ao “silêncio”, pois não lhe dão espaço na grande mídia. Até mesmo as empresas de comunicação do governo, não dão espaço suficiente a vozes e pensamentos alternativos, parecem, ao contrário, preocupadas em manter um falso diálogo pseudoideológico, sem nenhuma consequência prática. As redes sociais, são as únicas opções libertárias. Porém sabemos serem inócuas em termos de mobilização significativa da população.

Diante desse quadro fica difícil reagir, não?

Adriano Benayon – Se julgarmos uma tarefa difícil, temos duas alternativas: 1) ou a abandonamos, de imediato: 2) tratamos de cumpri-la assim mesmo. Se seguirmos a primeira, já estamos ferrados de antemão. Se adotarmos a segunda, temos alguma chance, e os caminhos só vão sendo encontrados, à medida que seja iniciada a busca.

Planilha da Camargo Correa cita Temer, Serra e Aécio

Via Brasil 247

Documento apreendido durante a Operação Lava Jato, da Polícia Federal, menciona nomes de políticos de praticamente todos os partidos, que teriam recebido contribuições da empreiteira Camargo Corrêa; em relação ao senador eleito José Serra (PSDB-SP) há uma anotação correspondente a R$ 1 milhão; sobre o vice-presidente Michel Temer, do PMDB, há duas anotações referentes a US$ 40 mil; o nome do senador Aécio Neves (PSDB-MG) está na planilha, mas sem indicação de valores.

Reportagem dos jornalistas Ricardo Brandt, Ricardo Chapola e Fausto Macedo, do Estado de S. Paulo, revela uma planilha apreendida pela Polícia Federal na sede da Camargo Corrêa, com nomes de diversos políticos, que, aparentemente, receberam contribuições da empreiteira.

O nome de José Serra, senador eleito pelo PSDB, aparece ao lado de uma anotação que indica R$ 1 milhão. Já o do vice-presidente Michel Temer, do PMDB, ele aparece ao lado de duas anotações de US$ 40 mil. O senador Aécio Neves (PSDB-MG) está na lista, mas sem a indicação de valores.

Por meio de sua assessoria de imprensa, Temer negou qualquer vínculo com a empreiteira e disse ainda que nunca recebeu recursos da Camargo Corrêa “a qualquer título”.

Na mesma tabela, constam nomes de outros deputados, senadores e prefeitos, de praticamente todos os partidos políticos. Confira abaixo os documentos:

O insaciável Capital e a tomada de consciência

Por Nelson Antonio Prata | 27/02/2015

O ótimo artigo de Mauro Santayana intitulado A “nota” da Petrobras e a “nota” da Moody’s acerta na mosca, desmascarando a agência de classificação de risco Moody’s. Algo estranho está acontecendo nos bastidores do grande poder hegemônico. Refiro-me ao programa Sem Fronteiras, exibido no dia 26/02 na Globo News. Uma nova apresentadora, jornalista, Michelle Marinho, abordou o tema dos denominados paraísos fiscais sediados na Europa, que estão sendo objeto de grande escândalo, o Swissleaks e o Luxleaks, a partir da revelação do enorme volume de recursos “investidos” em instituições suíças e luxemburguesas.

Para espanto geral , Luxemburgo, país de apenas 500 mil habitantes opera um volume de recursos da ordem de 3 trilhões de dólares, pasmem, o 2º maior volume de recursos circulantes, atrás apenas dos EUA. Uma em cada 10 multinacionais utilizam as instituições luxemburguesas e de outros paraísos fiscais para cuidar de seus “investimentos”. Isto acontece há décadas.

Porém, quando tratava-se de “investir” recursos provenientes do chamado 3º Mundo, ou emergentes, o silêncio era total. Tudo revestido da maior normalidade. Com a deflagração da crise de 2008, atingindo duramente os países desenvolvidos e hegemônicos, parece que a ficha deles caiu. O feitiço parece ter se virado contra o feiticeiro, ou melhor o tiro parece ter saído pela culatra. Estão a descobrir que o capital não tem pátria.

Os cidadãos ingleses antes fleumáticos, estão agora estupefatos com o fato de que países diminutos como a Suíça e Luxemburgo, estejam blindados, no interior de um “paraíso”, neste caso literal, com recursos inimagináveis, sem produzir quase nada, enquanto o resto chafurda num lodaçal econômico que parece não ter fim.

O grande Capital, agigantado na segunda metade do século passado, cevou-se no crescimento da economia americana do pós-guerra, onde a ciência, a tecnologia, o conhecimento financiado pelo povo americano do norte, do centro e do sul, bem como pelos povos explorados do globo, foi apropriado pelas chamadas oligarquias, inflando as transnacionais e os grandes conglomerados que passaram a se espraiar pelo planeta, no bojo da Pax Americana.

Durante a Guerra Fria, por óbvia conveniência, permitiram uma distribuição de resultados, construindo o American Way of Life. Terminado o conflito o grande capital revelou sua verdadeira face, seu apetite insaciável cujo objetivo único é o de se reproduzir e acumular, tal qual Leviatã. Assim, o capital, abandonou sua sede, em busca de maiores vantagens e menores custos, deixando um rastro de cemitérios industriais, desemprego e fome, experimentada apenas em 1929, pelos cidadãos do chamado 1º Mundo.

Diferentemente do passado, hoje a reação tende a tornar-se cada vez mais consciente, pois os cidadãos dão-se conta de que a expertise de gerenciamento financeiro prima pela redução das obrigações fiscais devidas pelas transnacionais. A elas interessa pagar menos impostos, se possível nada pagar. Danem-se o povo e seu trabalho. Do povo, esperam, seja apenas uma massa passiva e subserviente de consumo. Mas o, nível de informação hoje, não é o mesmo de 1929. Os europeus estão reagindo e ao que tudo indica também os americanos. O surpreendente é que não só o povo, mas também governos estão cada vez mais dando-se conta de que foram e estão sendo usados para a reprodução capitalista desenfreada e via de consequência sofrendo todo o desgaste social e político decorrente da política de terra arrasada deixada pelo capital, ao migrar sem rumo ao sabor das manipulações dos experts.

Economistas, cientistas políticos e intelectuais, ao estudarem o fenômeno, descobriram, por exemplo o engenhoso mecanismo para permitir a livre circulação financeira. Trata-se de uma técnica camaleônica utilizada no ambiente jurídico-legislativo, que do lado dos paraísos flexibiliza a legislação de modo a facilitar a circulação dos volumes financeiros globais (liberdade de entrada e saída de capitais), sob o manto do sigilo. Do lado dos centros de geração de recursos e riquezas, (os espoliados), um verdadeiro arsenal jurídico-legislativo facilita a drenagem destas riquezas e recursos, como exemplo temos as famosas contas CC-5, no Brasil, além de uma parafernália legal, inclusive constitucionalizada (Artigos 164 e 166 da CR), geradora de uma espécie de monopólio no controle da emissão e circulação de moedas.

Os exemplos da Argentina e da Rússia, são emblemáticas amostras da tomada de consciência de governos. Outro fato também emblemático é o da criação dos BRICS e do seu Novo Banco de Desenvolvimento. O século XXI, tem tudo para ser eletrizante, veremos no que vai dar.

Grécia: Presidente do Parlamento anuncia auditoria da dívida

Via Esquerda.net

Serão formadas três comissões: além da auditoria, serão investigadas as responsabilidades pela assinatura do primeiro resgate, e também o pedido de reparação à Alemanha pela Segunda Guerra Mundial.

A presidente do Parlamento da Grécia, Zoe Konstantopoulou. Foto left.gr

A presidente do Parlamento da Grécia, Zoe Konstantopoulou, anunciou a constituição de uma comissão de auditoria da dívida grega. Para Zoe Konstantopoulou, a auditoria será “uma ferramenta que permitirá reparar uma grande injustiça cometida para com o povo grego”.

Além dessa comissão de auditoria, o Parlamento deverá constituir outras duas comissões: uma para investigar a situação que deu origem ao primeiro plano de resgate à Grécia de maio de 2010; e outra para examinar os pedidos de reparação à Alemanha pela Segunda Guerra Mundial.

O anúncio foi feito depois de um encontro entre a presidente do Parlamento e o seu homólogo cipriota, Yiannakis Omirou, em que Zoe Konstantopoulou afirmou que os memorandos da troika levaram os Parlamentos de ambos os países a serem chantageados. Konstantopoulou prometeu ajuda ao Parlamento cipriota para levantar a verdade sobre as causas que levaram ao memorando para Chipre.