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Após 200 feridos, Assembleia aprova por 31 votos a 20 confisco da poupança previdenciária dos servidores

Via Blog do Esmael

O Centro Cívico de Curitiba, no Paraná, foi transformado nesta quarta (29) em praça de guerra pelo governador tucano.

Tudo foi meticulosamente planejado e — pior — anunciado antecipadamente.

De acordo com dados da Prefeitura de Curitiba, que foi transformada em hospital de primeiros socorros, mais de 200 professores ficaram gravemente feridos devido aos ataques de bombas, cães, tiros, etc.

O governador quer confiscar R$ 150 milhões mensais do fundo de previdência dos servidores públicos, que poderão ficar sem aposentadorias e pensões num futuro próximo. Ao ano, Richa quer meter a mão em R$ 2 bilhões da Paranáprevidência.

“Helicópteros disparavam a esmo bombas contra o povo”, testemunhou horrorizada a senadora Gleisi Hoffmann (PT), em missão oficial do Senado, ao atravessar a Praça Nossa Senhora Salete.

Em discurso em frente à Assembleia Legislativa, o senador Roberto Requião (PMDB) disse que pedirá intervenção federal no Paraná. Segundo o peemedebista, o governador ficou doido ao utilizar a força policial contra o povo.

Vanderlei Numnes, cinegrafista da TV 15 e do Blog do Esmael, foi alvo de um disparo de bomba de helicóptero. A transmissão ao vivo do confronto foi interrompida devido ao ferimento do profissional, que foi atacado covardemente pelo ar. O equipamento foi completamente destruído.

Um CMEI (Centro Municipal de Educação Infantil) da Prefeitura de Curitiba, que fica no Centro Cívico, teve que ser evacuado porque as crianças estavam sendo afetadas pela fumaça do gás lacrimogêneo lançado contra manifestantes.

As cenas da covardia de Beto Richa circularam pelas principais agências de notícias do mundo.

Afinal, Richa tem condições de governar o Paraná?

Latino-americanos “de pele mais escura” têm menos oportunidades

Por José Baig | Via El País

Para ter menos acesso à educação, mais possibilidades de morrer durante o parto ou nos primeiros meses de vida, ganhar menos dinheiro ou ter praticamente vetada a participação na política, na América Latina basta uma única condição: ter a pele mais escura.

Segundo dados das organizações internacionais, os afrodescendentes da América Latina têm uma probabilidade duas vezes menor de ter acesso a escolas secundárias que as pessoas de raça branca.

No Brasil, as mulheres afrodescendentes são o segmento com menor ingresso de toda a população. Sua participação na vida política é mínima, e só uma pequena fração foi escolhida alguma vez como representante no parlamento.

No Equador, a taxa de mortalidade infantil na cidade de Esmeraldas (de maioria afrodescendente) é o dobro da média nacional. Na costa do Pacífico da Colômbia, onde também é predominante a população de descendência africana, esta taxa é quatro vezes maior que a média nacional.

As mulheres afro-brasileiras têm uma probabilidade três vezes maior de morrer durante o parto que as de raça branca. Cerca de 57% dos bebês de mães afro-colombianas nascem de maneira prematura.

Estas estatísticas sempre existiram, mas agora organizações defensoras dos afrodescendentes voltaram a divulgá-las pelo início do Decênio Afrodescendente (2015-2024), uma iniciativa da Organização das Nações Unidas para que este coletivo seja considerado um grupo específico cujos direitos humanos devem ser promovidos e defendidos.

“Algo está mal”

“A América Latina é a região de maior paz, a de mais democracia, na qual mais se reconheceram os direitos dos povos originários nas constituições e nas leis, mas os afrodescendentes desfrutam muito pouco dessas vantagens, temos que reconhecer que algo está mal”, disse Romero Rodríguez, embaixador itinerante do governo do Uruguai para Assuntos Afrodescendentes.

Rodríguez e outros responsáveis de temas afrodescendentes em governos da América Latina estiveram em Washington para participar das atividades oficiais de início do Decênio Afrodescendente na região.

Durante um evento na sede do Banco Mundial, os participantes debateram como enfrentar a clara exclusão dos afrodescendentes na vida dos países, especialmente no que concerne ao trabalho da instituição anfitriã: o desenvolvimento e a erradicação da pobreza.

Pastor Murillo, assessor de Assuntos Afrodescendentes do vice-Ministério para a Participação e Igualdade de Direitos da Colômbia, destacou que um dos problemas são os censos da população, pois nem sempre as pessoas são contadas como afrodescendentes.

Destacou que, embora em seu país, o último censo oficial revela que há cerca de dois milhões de afrodescendentes na Colômbia, acha que a cifra pode ser seis vezes superior, quer dizer, quase 1/3 da população colombiana.

O pior, assegura, é que por não estarem contados como tais nos censos da população, os afrodescendentes ficaram fora dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio e afirma que todos os envolvidos no tema precisam trabalhar juntos na solução. “O reconhecimento diferenciado dos direitos dos afrodescendentes é um desafio regional”, afirmou.

Racismo, um mal negócio

Além das políticas diferenciadas para os afrodescendentes, os governos da região já estão tomando algumas medidas específicas como no Uruguai, onde os organismos públicos devem cumprir uma cota de contratação de pessoas afrodescendentes e as culturas africanas tradicionais fazem parte do programa escolar.

Também na Colômbia se colocou em marcha uma das demandas mais velhas das comunidades afro-colombianas, que é o reconhecimento da propriedade coletiva das terras, um processo que foi apoiado pelo Banco Mundial.

Na Costa Rica – um país onde boa parte da população afrodescendente é, além disso, falante de inglês – trabalha agora para que a discriminação racial seja considerada delito, algo que agora é apenas uma contravenção cuja multa mais elevada equivale apenas ao custo de dois refrigerantes.

Os assistentes coincidiram que existe na sociedade latino-americana um “racismo estrutural” que deve ser combatido não apenas protegendo os afrodescendentes, mas também conscientizando o resto da sociedade sobre a existência desta discriminação baseada na cor da pele.

Combater o racismo, além disso, não é apenas questão de justiça, mas de simples lógica econômica, segundo Marisela Montiliu-Muñoz, diretora da Prática Global de Desenvolvimento Social, Urbano e Rural do Banco Mundial.

“Vamos imaginar que os 150 milhões de latino-americanos que hoje estão excluídos por sua cor de pele estivessem contribuindo aos mercados, que impacto teria isso na economia?”, se pergunta.

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José Baig é editor on-line do Banco Mundial.

Por trás do racha entre Renan e Cunha pode estar Michel Temer, diz analista

Por Eduardo Maretti | Via RBA

Cartada mais recente no embate iniciado dias antes foi a crítica do presidente do Senado à forma e ao conteúdo do PL da Terceirização aprovado na Câmara.

Embates entre lideranças do Congresso expõem disputas internas no PMDB, do vice da República Michel Temer

São Paulo – As consequências do embate entre os presidentes da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), e do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), ainda são incertas. Mas o movimento de Renan pode ser interpretado como uma não muito sutil influência de Temer, a quem pode interessar isolar e minar a liderança de Cunha, além de refletir a atuação do vice-presidente da República como articulador político de Dilma Rousseff, tarefa que assumiu no início do mês.

O ataque mais recente no embate foi de Renan, que em entrevista na quarta-feira (22) criticou a terceirização tal como aprovada na Câmara dos Deputados. “Não pode ser ampla, geral e irrestrita”, declarou. Depois disso, o senador tem ameaçado retardar a votação no Senado e faz circular a possibilidade de até mesmo engavetar o PL 4.330 até 2017, quando se encerra a gestão de Eduardo Cunha como presidente da Câmara.

Uma das interpretações do movimento de Renan é o de que, diferentemente de Eduardo Cunha, cuja base eleitoral é principalmente o capital privado, o senador alagoano tem uma base mais fragmentada e heterogênea – apesar de sua forte ligação com usineiros e outros setores empresariais –, e portanto mais sensível à terceirização da atividade-fim sem restrições, como prevê o PL 4.330 da forma que saiu da Câmara.

Na opinião da professora Maria do Socorro Sousa Braga, da Universidade Federal de São Carlos (Ufscar), Renan poderia estar sensível à divisão que o PL da Terceirização pode causar a seu eleitorado. “Provavelmente fizeram pesquisas qualitativas que mostram a impopularidade da proposta. É possível também que Renan esteja fazendo algum acordo com Temer. São especulações, mas nessa disputa Renan estaria vendo a aproximação com o Executivo como trunfo”, diz a professora. “Estando junto com Temer, que se fortalece como articulador político, ele também se fortalece”, avalia.

Além disso, uma possível intenção oculta por trás da divisão entre Eduardo Cunha e Renan Calheiros seriam as ambições do próprio Temer, seja como postulante à presidência da República, seja como principal líder do PMDB. Nesse sentido, as posições recentes de Renan poderiam ser influência do vice-presidente e fruto de sua atuação na nova função de articulador do governo.

Embora negue tal intenção, Temer é um nome forte do PMDB para a sucessão de Dilma Rousseff.  Nessa hipótese, Renan seria parte da estratégia de isolar Eduardo Cunha. “Quanto mais apoio Temer tiver, mais perto do consenso, para evitar divisão em torno de outro potencial candidato à presidência, o próprio Cunha. Quanto mais isolar Eduardo Cunha, mais próximo ele fica de ser o candidato. Talvez a intenção de Temer seja atrair Renan para o lado dele”, especula Maria do Socorro.

Para Antônio Augusto de Queiroz, o Toninho, diretor do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap), Renan Calheiros “está querendo estabelecer no Senado a situação sob controle dele”. Renan teria captado os apelos dos trabalhadores, para estabelecer freios a Eduardo Cunha, ‘protegendo” o Congresso do açodamento de Eduardo Cunha, fruto de sua trajetória de compromissos com o setor privado e querer honrar tais compromissos a qualquer custo.

Há outras razões para o conflito entre Cunha e Renan, como a indicação, pela presidenta Dilma Rousseff, de Henrique Alves para o Ministério do Turismo, tirando do posto o afilhado político de Renan, Vinícius Lages. Mas, para Queiroz, a questão do ministério não chega a configurar um rompimento. “Criou um atrito, mas não leva a rompimento. Por enquanto está no plano na disputa.”

Temer é aliado do novo ministro do Turismo, Henrique Alves (PMDB-RN), que por sua vez teve a nomeação aprovada por Eduardo Cunha, com o qual tem ótima relação. Embora o presidente da Câmara tenha se manifestado favoravelmente à indicação, sua atuação na Câmara continua a ser hostil ao governo na Câmara depois dela.

No Planalto

Se Temer é o vice-presidente da República, no tabuleiro estariam claramente colocados, também, os interesses de Dilma Rousseff. Para a professora da Ufscar, a divisão das duas principais lideranças peemedebistas no Congresso fortaleceria o Executivo, num momento conjuntural difícil.

Se houver qualquer mudança no Senado, o PL da Terceirização volta à Câmara, que tem a palavra final. Sendo assim, vai sobrar para Dilma sancionar ou vetar o PL total ou parcialmente. Ao contrário de avaliações segundo as quais isso seria um ônus, a professora acredita que pode ser uma oportunidade para o Palácio do Planalto recuperar parte da popularidade perdida no início deste segundo mandato.

“Penso que, para Dilma, é um trunfo. Porque seria uma forma de ela se reaproximar do eleitorado mais à esquerda, dos trabalhadores. Ela tomaria uma decisão que vai desagradar setores do empresariado que estão fazendo lobby por trás de Eduardo Cunha, mas, de outro lado, ela ganha ao se reaproximar dos trabalhadores.”

Segundo Maria do Socorro, essa “especulação” poderia equilibrar o desgaste que Dilma terá com o ajuste fiscal, “do qual o PSDB se apropria para criticar o governo”. “Entendo que Dilma está sendo realista ao assumir o ajuste, mas sabe que isso afetará os setores de médios para baixo, os trabalhadores. Também por isso, penso que ela não sanciona o PL 4.330 como está”, diz.

Porém, se sancionar no atual formato, ela não terá como justificar-se  ao seu eleitorado. ‘Se ela soma a terceirização ao ajuste fiscal, aí acho que é dar adeus a qualquer projeto petista de continuidade.”

‘A terceirização degrada as condições de trabalho’ diz Ruy Braga

Por João Pedro Soares | Via Brasil Econômico

Especialista em Sociologia do Trabalho, Ruy Braga diz que PL vai promover desmonte da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).

Com a aprovação do PL 4330, 15 milhões de brasileiros estarão ganhando 30% menos até 2020. A análise é de Ruy Braga, especialista em Sociologia do Trabalho. O professor da USP se baseia no quadro atual da terceirização e em estatísticas dos últimos anos para demonstrar que o projeto de lei irá promover um desmonte da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), além de precarizar as condições trabalhistas e reduzir a arrecadação da União. Para Braga, o PL só é comparável a uma lei promulgada durante a ditadura militar.

O senhor trabalha com uma projeção de 20 milhões de brasileiros ganhando 30% menos até 2020. Em quê ela se baseia?

Se o PL for aprovado, com suas características principais, haverá uma inversão estrutural do mercado de trabalho brasileiro, na qual a maior parte dos trabalhadores serão terceirizados e, a menor parte, contratada diretamente. Entre 2003 e 2014, o número de trabalhadores terceirizados cresceu de 4 milhões para 12,7 milhões. Ao longo desse período, foram criados cerca de 20,5 milhões de empregos com carteira de trabalho assinada. Se a gente desconta esses 8,7 milhões, tem algo em torno de 12 milhões de postos de trabalho de contratação direta criados. Destes, 11,3 milhões pagam até 1,5 salário mínimo.

Esses 11,3 milhões de empregos criados foram majoritariamente ocupados por jovens, mulheres, não brancos e trabalhadores de baixa qualificação – exatamente aquele público que é preferencialmente terceirizado. A gente tem um período econômico difícil pela frente, e é óbvio que as empresas vão terceirizar esses 11,3 milhões de trabalhadores. Você tem que somá-los aos 12,7 milhões que já são terceirizados, e chegará a 24 milhões de trabalhadores. Nos próximos cinco anos, cerca de 2,5 milhões de trabalhadores irão se aposentar. Na recontratação, você terá uma ampla maioria de trabalhadores terceirizados contratados para ocupar esses postos aposentados. Ou seja, em um período de cinco anos, você vai ter algo em torno de 27 milhões de trabalhadores terceirizados para um volume de 20 milhões de trabalhadores contratados, que são, predominantemente, do serviço público; trabalhadores muito qualificados e concentrados em setores monopolistas da economia e empresas estatais; ou representados por sindicatos muito fortes com condição de barrar a terceirização no setor.

A baixa qualificação dos trabalhadores brasileiros amplia, então, os impactos do PL?

Sem dúvida. É claro que há, também, a terceirização dos trabalhadores qualificados via PJ, o famoso “pejotismo”. No entanto, ela é menor, evidentemente, porque, para a empresa que depende de trabalho qualificado, não interessa a rotatividade. Pelo menos, do ponto de vista de qualidade do produto ou serviço. É essa a realidade da ampla maioria de empresas do país, que emprega uma força de trabalho semi-qualificada ou não qualificada, porque os postos de trabalho estão acantonados no setor de serviços; indústria da construção civil, construção pesada; agronegócio. São aqueles setores que cresceram muito nos últimos 13 anos. Pelas características desses setores, é muito mais comum criar empregos que remuneram mal porque não exigem, propriamente, qualificações escassas. Você tem uma situação em que a própria característica do modelo de desenvolvimento brasileiro gera muitos empregos, ao mesmo tempo em que cria muitos empregos não qualificados ou semi-qualificados. O importante é que essa dinâmica se choca com uma outra tendência do mercado de trabalho brasileiro, que é o aumento da escolarização formal. Isso não representa o aumento da qualificação para o trabalho. Naturalmente, essa massa jovem que está entrando no mercado de trabalho tem expectativas mais elevadas em relação ao emprego e, consequentemente, aos salários, o que cria uma área de atrito.

A quem interessa o PL?

Basicamente, à classe empresarial. A não ser pela emenda segundo a qual o trabalhador terceirizado seria representado pelo sindicato da categoria contratante e um ou outro detalhe da lei, o espírito do projeto é de proporcionar às empresas um ganho adicional de lucro, que é exatamente o avanço sobre os direitos trabalhistas. Notoriamente, além de serem menores, as empresas terceirizadas deixam de repassar tributos para o governo. Como elas atuam em um mercado muito estrito, do ponto de vista do lucro, é muito comum que ela pressione o salário para baixo e, ao mesmo tempo, não repasse o tributo. Geralmente, ela fecha e abre com outra razão social. Isso faz com que a fiscalização se torne muito complexa. Por todas essas razões, os principais interessados na aprovação do PL são os empresários. Eu diria que não é uma classe empresarial que trabalha com o consumo popular, porque, notoriamente, o trabalho terceirizado paga 27% menos, de acordo com dados do Dieese. Consequentemente, haverá impacto no consumo.

E gera um aumento de lucro desvinculado do ganho na produtividade.

Não tenha dúvida. O trabalho terceirizado não aumenta a produtividade, pelo contrário. Geralmente, é um trabalho não qualificado, o que significa, por exemplo, um aumento dos acidentes, mortes e adoecimento. É um tipo de trabalho que não preza pela qualificação ou aumento da produtividade, se você pensar em termos de investimento em P&D, centros de tecnologia de renovação da base técnica das empresas e coisas do gênero. O trabalho terceirizado serve para enxugar salários, aumentar a jornada de trabalho e economizar com os direitos trabalhistas.

O que explica a união de PT e PSDB no requerimento pelo adiamento da votação?

Para entender o que está acontecendo, a gente tem que levar em consideração vários fatores. Principalmente, o que diz respeito ao açodamento que foi a aprovação do texto-base na Câmara. Os deputados votaram na tendência do Eduardo Cunha, mas não perceberam o impacto que isso teria nas relações de trabalho reais e no dia a dia das pessoas. Quando a mensagem começa a circular e as pessoas se dão conta da importância do que estava sendo discutido pelo Congresso, a opinião pública avança em uma posição crítica ao projeto. Consequentemente, aqueles setores mais sensíveis a essa opinião pública mais estruturada, mesmo classes médias, dão um passo atrás. Essa foi a declaração do Carlos Sampaio (PSDB-SP), inclusive, dizendo que o PT tinha ganhado a batalha da informação neste caso. E é correto dizer que a opinião pública se coloca muito crítica com relação ao projeto de lei, o que tem, evidentemente, impacto sobre a disposição de votação dos deputados. Afinal de contas, eles têm que prestar contas para suas bases eleitorais. No entanto, é muito provável que o aspecto chave da lei, que a torna tão ameaçadora, do ponto de vista dos direitos do trabalho, que é o fim da separação entre atividades-meio e atividades-fim nas empresas, não vá ser alterado.

O senhor é pessimista com a reversão do quadro por conta da pressão das redes e das ruas?

Do ponto de vista da lógica política, acho possível. Mas se você soma essa lógica com a conjuntura econômica, acho pouco provável. Porque a conjuntura atual é marcada por um ajuste no interior de um regime de acumulação, que transita, prioritariamente, da exploração da força de trabalho assalariada barata para uma situação de acumulação prioritária por espoliação, que significa aumento da precarização, contenção de gastos públicos, uma intensificação da financeirização da economia. Ou seja, tem um ajuste estrutural acontecendo no país hoje, e o governo é parte disso ao propor o ajuste fiscal. Mas você tem essa dinâmica nas empresas, a taxa de juros e, agora, essa ofensiva contra os direitos dos trabalhadores. No agregado, tudo isso me faz reticente de haver um veto cabal a esse projeto. Porque isso tem a ver com a retomada do crescimento econômico nos moldes previstos pelas empresas ou pelo governo.

Como você não tem, no Brasil, ganhos importantes de produtividade e esse modelo de exploração do trabalho assalariado barato já mostrou seus limites, que basicamente esbarram no aumento do endividamento das famílias, etc., essa lógica do endividamento, do crédito, do trabalho que paga salário mínimo esgota ou está claudicando nitidamente, não é mais capaz de dinamizar a economia como foi no último período, você tem que colocar outro modelo, que basicamente se apoia na diminuição dos custos unitários do trabalho. Então, vai se avançar nos direitos dos trabalhadores como regra. Porque as empresas vão querer economizar em alguma ponta, que é, aparentemente, a legislação trabalhista. O governo federal deu essa senha com a edição das MPs 664 e 665 no final de 2014. Você tem uma nova era de precarização do trabalho como condição para retomada do investimento e do crescimento econômico. Por isso sou um pouco cético.

Então, o senhor entende o PL como a primeira de outras medidas econômicas desfavoráveis aos trabalhadores?

Não tenho a menor dúvida. Se você analisar as movimentações das forças de mercado, todas as medidas do governo caminham nessa direção. Desde a taxa de juros à recomposição com os setores empresariais e financeiros. Hoje, o homem forte do governo é o Joaquim Levy, uma figura muito pró-mercado. As forças do trabalho assalariado é que vão, efetivamente, sofrer. Esse tipo de ofensiva deve se aprofundar em um período próximo.

Se aprovado, o PL representa o fim de um ciclo de valorização do trabalhador no Brasil?

Infelizmente, sim. Essa dinâmica de uma certa desconcentração de renda entre os que vivem dos rendimentos do trabalho, a massa trabalhadora que entra na base e incrementa sua renda em um ritmo mais acelerado que os setores médios e diminui um pouco o abismo social entre classes… Essa dinâmica de valorização do salário mínimo e formalização do mercado de trabalho, de uma certa estruturação do mercado de trabalho que vimos no último período tende a claudicar e ser substituída por uma outra que é, basicamente, regressiva do ponto de vista do mercado de trabalho.

Qual é a ligação desse processo com a correlação de forças atual do Congresso?

Basta você identificar qual é a pauta do Congresso, as composições das bancadas e, principalmente, o papel e importância dos setores empresariais nessas bancadas. Para você eleger um vereador em São Paulo, precisa de R$ 4 milhões; um deputado estadual, R$ 10 milhões; um deputado federal, R$ 15 milhões. Quer dizer, o modelo de financiamento empresarial de campanha produz esse efeito perverso sobre a representação democrática. Só aqueles candidatos ou forças políticas que conseguem, efetivamente, alavancar esses milhões têm uma participação muito expressiva na cena política do Congresso, e assim por diante. É como diz o ditado: quem paga a banda escolhe a música. Então, haverá uma pressão grande sobre os deputados para que aprovem o PL. Por isso, estou um pouco reticente sobre a essência da lei. Acho que existe um movimento para mitigar alguns impactos, principalmente fiscais, que advirão dessa aprovação. No entanto, o que deve acontecer é, de fato a aprovação da essência da lei.

É curioso que esse desmonte de leis trabalhistas ocorra justamente em um governo do Partido dos Trabalhadores. O PT virou refém da governabilidade?

Esta é a grande tragédia. É uma situação complicada. Acredito que a fragilidade política do governo tenha influenciando na celeridade da aprovação do PL. No entanto, desde o primeiro governo Dilma, essa derrota dos direitos trabalhistas tem sido preparada, na medida em que ela adota uma agenda identificada com os interesses do mercado, fundamentalmente. A gente não pode esquecer que a onda de privatizações brancas tem acontecido desde 2012. Além disso, o governo tem emprestado uma massa enorme de dinheiro subsidiado para projetos de duvidosa importância. No entanto, ele ainda tentava preservar o emprego, a renda e, de alguma maneira, salvar essa situação do mercado de trabalho. Ainda apresentava uma certa dinâmica virtuosa. No entanto, com essa fragilidade sistêmica do governo federal, o governo simplesmente cede. Ao ceder, abre essa porta para que os interesses empresariais se afirmem com radicalidade e contundência. A Dilma tem se manifestado contra o PL, tem preocupações com a arrecadação. O PT percebeu, efetivamente, que é um risco enorme para os direitos históricos dos trabalhadores no país. Mas eu diria que essa derrota não é improvisada, tem sido construída nos últimos anos.

Em um contexto histórico, qual é a dimensão do PL frente a outras medidas semelhantes?

Do ponto de vista de retirada de direitos, o PL coroa o ciclo de reforma trabalhista iniciado no governo FHC, em meados dos anos 90, e só tem um paralelo recente na história brasileira, que foi a aprovação da lei do fundo de garantia em 1966, que elimina a estabilidade do emprego, também uma garantia da CLT. Ou seja, só é comparável com uma lei promulgada durante a ditadura militar. Acredito que, por essas razões, é uma derrota histórica para os interesses dos trabalhadores no país. O importante é que se o espinho dessa lei for aprovada, acabou a CLT no Brasil. É muito fácil identificar isso. O trabalho terceirizado tem taxas de rotatividade duas vezes superior ao trabalho diretamente contratado. Você vai ter a generalização daquela contratualização que faz com que o trabalhador seja contratado por ciclos mais curtos e, no intervalo desses ciclos fique desempregado, vivendo ou não do seguro-desemprego, encostado no SUS, aquela coisa que a gente conhece. Assim, esse trabalhador se afasta, progressivamente, do pagamento do 13º, porque se ele não trabalha os doze meses ininterruptos, o 13º tende a se diluir nessa trajetória mais intermitentes.

A mesma coisa com as férias e outros benefícios. Não nos esqueçamos que, pela dificuldade de representação sindical, os trabalhadores terceirizados não têm acesso àqueles benefícios negociados nas datas-base da categoria, que são produto de negociação coletiva, jornadas de trabalho mais curtas, benefícios de vale alimentação, etc. Esses trabalhadores não são representados por sindicato e, consequentemente, não têm alcance aos benefícios trabalhistas, o que coloca em xeque uma série de garantias. Por esse e outros fatores, a aprovação implica o fim da CLT. É uma conclusão lógica: se a maioria do mercado de trabalho passa a ser terceirizado, a terceirização afasta os trabalhadores dos direitos, é evidente que a aprovação implica, pelo menos, um aprofundamento tão radical dessa dualidade do mercado de trabalho entre aqueles que terão e não terão acesso, que a CLT perde importância.

Ocorreram processos semelhantes em outros países?

A experiência mexicana recente também aprovou um modelo que aponta para a flexibilidade total, ou seja, empresas que não têm funcionários, terceirizam ou subcontratam toda a sua força de trabalho. Hoje, no México, você deve ter em torno de 16% a 17% da população economicamente ativa terceirizada. Não houve criação de novos empregos nesse período. Ao contrário, houve uma contração da renda do trabalho. Existem todos esses efeitos do aumento de jornada, acidentes e mortes no trabalho. A partir de 2008, começa essa desconstrução da relação salarial tradicional em Portugal, também. Ou seja, essa associação entre trabalho e direitos trabalhistas adquiridos. Isso se intensifica em 2011 e, em 2012, vem a lei que flexibiliza a contratação e admissão. A partir de então, você tem 100 mil trabalhadores jovens emigrando todo ano em Portugal. Um estudo do Banco de Portugal para 2014 mostra que, para cada dez empregos gerados na economia portuguesa no ano passado, seis foram ocupados por estagiários ou trabalhadores subcontratados, precarizados. Você tem inúmeros exemplos para ilustrar o que vai acontecer no país: jornadas mais longas, trabalhos menores e dificultação do acesso a direitos. Não há muita controversa. Quem tem mínimo compromisso com a verdade sabe disso.

Como é a situação atual dos trabalhadores terceirizados no Brasil?

Os dados são contundentes. Em comparação com os trabalhadores diretamente contratados, os 12,7 milhões de terceirizados no país, hoje, trabalham, em média, três horas a mais por semana; ganham 27% a menos; concentram 70% dos acidentes de trabalho que ocorreram no Brasil nesse último período; 80% das mortes decorrentes de acidentes e a maior parte dos adoecimentos. Nos últimos três anos, o Ministério Público do Trabalho fez inúmeras operações de libertação de trabalhadores em condição análoga à escravidão. Nelas, foram libertados cerca de 3.500 trabalhadores em condições análogas à escravidão. Deles, 3.100 eram de empresas terceirizadas. Isso demonstra, cabalmente, que o universo de trabalho terceirizado degrada as condições de trabalho; remuneração; o acesso desses trabalhadores a direitos; suas condições de representação sindical, e isso não é bom para o país e para a sociedade. Ela precisa estar bastante informada sobre o que está sendo decidido no Congresso, porque a gente está diante da possibilidade de escolher entre uma sociedade que oferece, predominantemente, isso como ocupação no futuro ou lutar para que o mercado de trabalho seja mais estruturado, haja uma ampliação do acesso a direitos, as condições sejam mais protegidas e o trabalhador possa, a partir daí, desempenhar sua função com maior produtividade.

Por que os parlamentares que defendem o PL utilizam o argumento de modernização do país?

Basicamente, eles têm em mente aquilo que significa modernização para os setores empresariais. Ou seja, aumento do lucro das empresas, ou então, uma certa retomada de investimentos. No entanto, aquilo que é compreensível na esfera microeconômica, como você terceirizar para diminuir a folha salarial, no agregado, para a sociedade, é irracional. Porque você comprime a massa salarial e, consequentemente, constrange a demanda agregada. Você diminui a massa de dinheiro disponível para fazer compras. Ou seja, para voltar às empresas. Aquilo que é racional do ponto de vista microeconômico se torna irracional do ponto de vista macroeconômico. As empresas vão ter queda. Se a lei for aprovada, a própria competição entre as empresas vai obrigá-las a terceirizar para acompanhar o ritmo da concorrente. Mesmo que uma loja varejista veja na terceirização uma oportunidade de diminuir os encargos trabalhistas, economizar com os salários, vai perder na outra ponta, porque vai ter menos gente indo comprar sapatos, roupas, etc. Você ganha em uma ponta, mas perde na outra. Aquilo que é interessante na esfera individual da empresa é muito deletério do ponto de vista social.

O senhor defende a aprovação da lei contra a demissão imotivada para fazer frente ao PL. O que seria essa lei e como poderia se contrapor ao projeto?

Quem estuda mercado de trabalho no Brasil sabe que você tem uma aceleração muito acentuada no ritmo de rotatividade do trabalho. Isso significa que as empresas estão contratando e demitindo muito rapidamente. Como as empresas não têm ganhos de produtividade apoiados em tecnologia e precisam continuar crescendo, a única maneira de fecharem essa equação é intensificar o trabalho do ponto de vista do despotismo fabril ou empresarial. Você tem sempre que colocar metas mais elevadas e cobrar um desempenho ainda mais intenso do seu funcionário. Isso produz um efeito de rotinização e adoecimento. É notório o aumento do adoecimento nos últimos 12 anos, mais do que dobrou, consequência do regime de mobilização permanente da força de trabalho, que deteriora as condições de trabalho. Você tem um aumento da rotatividade como o principal efeito disso. Se você tivesse essa lei, a empresa teria que comprovar o porquê da demissão do trabalhador. No Brasil, praticamente não há custo na contratação e demissão. E o governo exonerou nesse último período, diga-se de passagem.

Se você tivesse uma lei contra a demissão imotivada, você obrigaria as empresas a obter ganhos de produtividade que não fossem apoiados exclusivamente na intensificação da força de trabalho. Ao invés de se acomodarem a essa situação de contratação e demissão em ritmo intenso, explorando basicamente a força de trabalho mais jovem, que entra motivada, elas teriam que investir mais em tecnologia, renovação de sua base técnica, formação, qualificação, porque ela não pode simplesmente demitir o trabalhador para fazer, simplesmente, um ajuste anticíclico por conta de flutuação de mercado. Ela teria que valorizar o seu trabalhador, que significa a garantia de treinamento, qualificação, nesse aspecto que seria o capital humano. A empresa não faz isso no Brasil, hoje, porque pode demitir a seu bel prazer. Ou seja, contrata, intensifica, adoece, demite. É assim que funcionam a maior parte das empresas hoje. Jornadas muito longas, assédio moral, despotismo e assim por diante.

Quais seriam os impactos do PL na arrecadação?

As empresas terceirizadas são menores, então a maioria arrecada pelo simples. Isso significa uma diminuição de arrecadação para o governo. Segundo, pagam menos salários, então os tributos associados à massa salarial tendem a cair. Terceiro, pelo fato de os terceirizados trabalharem jornadas mais longas, isso tem um impacto sobre o desemprego. Ao contrário dos setores empresariais, ela cria o desemprego, não o emprego. Como a jornada é mais longa, do ponto de vista da jornada agregada coletiva de trabalho, você tem um enxugamento do trabalho ofertado. Isso também tem um efeito sobre a arrecadação. E aquilo que, eventualmente, diz respeito ao comportamento da massa salarial. E vai arrecadar menos por outra razão que é muito simples de entender. Como o trabalhador terceirizado tem menos dinheiro no bolso, ele vai comprar menos. Isso tem impacto sobre todos os tributos que se apoiam sobre a circulação de mercadorias.

Ajuda da Petrobras salvou Santos de tragédia tóxica

Por Leandro Mazzini | Via Coluna Esplanada

Foto: UOL

Chamada às pressas, a Petrobras orientou os bombeiros e salvou a população dos bairros da zona portuária de Santos (SP) de uma tragédia tóxica no incêndio que atingiu seis tanques que estocavam combustíveis no pátio da Ultracargo.

Relatórios sigilosos de engenheiros da petroleira citam que as chamas lamberam dois tanques que continham cloro e amônia, e foram resfriados com prioridade, com sucesso e para alívio geral.

Caso fossem atingidos pelo fogo, o cloro, apesar de não inflamável, intensificaria a combustão; e a amônia causaria sérios danos a pessoas que inalassem o produto vazado, com riscos de cegueira, crise respiratória e até queimaduras que poderiam levar à morte.

OPERAÇÃO 

Assim que informada pelo serviço de inteligência, durante o incêndio que durou a Semana Santa, a presidente Dilma ordenou à petroleira que usasse todos os recursos.

O Corpo de Bombeiros de Santos, com atuação tímida – a despeito do reforço de quartéis de São Paulo – não deu conta. Os técnicos da Petrobras foram essenciais nas orientações sobre os produtos químicos ao terem acesso à empresa. A petroleira utilizou dois navios para puxar água do mar, e seis caminhões-tanques para apoio aos bombeiros.

Questionada sobre o cloro e a amônia nos estoques, em nota da assessoria a Ultracargo se limitou a informar que ‘Nas baias atingidas havia apenas combustível – gasolina e etanol’. Informou ainda que seguiu os protocolos para o caso, evacuando a área e evitando tragédia maior com o plano de ajuda mútua.

A profecia que devora o profeta

Por Luciano Martins Costa | Via Observatório da Imprensa

Jornalistas que foram demitidos da Folha de S. Paulo fazem circular uma carta do jornal, assinada pelo editor-executivo, Sérgio Dávila, justificando os  cortes ocorridos na semana passada. Como se sabe, o diário paulista vem reduzindo sua força de trabalho desde janeiro. O Sindicato dos Jornalistas do Estado de São Paulo considera que se trata de uma tática para evitar que se configure uma demissão em massa, caso em que as entidades sindicais precisam ser avisadas com no mínimo 30 dias de antecedência.

Na linguagem peculiar dos momentos de crise, o texto começa assim: “A Folha realizou nos últimos dias ajustes em sua equipe. A redução é efeito da crise econômica que afeta o país e atinge a publicidade”. Esse é o ponto central a ser discutido neste espaço, mas há outras questões levantadas na mensagem que merecem atenção. Por exemplo, informa-se que equipes serão reagrupadas e outras mudanças deverão ser anunciadas.

O executivo chama o adensamento de grupos editoriais menores em equipes maiores – caso de Ciência e Saúde, que se agrega ao caderno Cotidiano – de “mudanças morfológicas”. O jornal promete que essas futuras movimentações “não envolverão novos ajustes” – expressão que ameniza a dureza das demissões. O objetivo, afirma, “é tornar o jornal mais eficiente para atender as demandas do leitor bem como otimizar o funcionamento da redação”.

O comunicado assegura que a Folha “continua líder em seu segmento, seja em circulação, audiência ou fatia publicitária, faz parte de uma empresa sem dívidas, que integra o segundo maior grupo de mídia do país, e preserva sua capacidade de investimentos editoriais”. Portanto, é de se concluir que se trata de dificuldades circunstanciais. Na lógica do negócio, quem paga pela circunstância desfavorável é sempre o jornalista, não o executivo que errou na estratégia ou na gestão da empresa.

No caso das empresas jornalísticas, pode-se afirmar que um dos elementos mais interessantes desse jogo é o fato de que a imprensa tradicional tem se dedicado, ano após ano, a convencer o leitor de que a economia brasileira está no caminho errado. Quando o anunciante, diante de tanto pessimismo, resolve poupar seu dinheiro, cumpre-se a profecia.

O viés negativo

Há sempre mais de uma maneira de dar uma notícia, como se diz na velha anedota sobre o gato que subiu no telhado. Por exemplo, se o leitor procurar o mesmo assunto em duas fontes distintas, poderá encontrar duas versões diferentes do mesmo fato, apesar da grande homogeneidade que se observa nos principais veículos de comunicação do Brasil. No caso do noticiário econômico, predomina um viés negativo, mas mesmo nesse contexto pode-se fazer interpretações variadas.

Vejamos, seletivamente, como os principais diários de circulação nacional abordam nesta sexta-feira (24/4) um mesmo assunto: o índice de emprego.

Globo coloca o tema no rodapé da notícia sobre o projeto de terceirização, com o seguinte subtítulo: “País volta a gerar empregos formais”. O Estado de S. Paulo traz reportagem de tamanho médio, na parte inferior de uma página onde o destaque é também a terceirização. Diz o título: “Economia brasileira cria 19 mil vagas de emprego em março”.

Observe-se, agora, como a Folha de S. Paulo trata os mesmos indicadores. No alto da página, com dois infográficos que mostram a queda da oferta de empregos no trimestre e a recuperação ocorrida no mês de março, o leitor se depara com o título: “Emprego formal tem pior 1o. trimestre desde 2002″. Em termos de comparação, leia-se que o especialista Valor Econômico publica o seguinte título: “Mesmo com março melhor, emprego é negativo no 1o. trimestre” – e a reportagem, mais equilibrada, registra uma diversidade maior de interpretações de analistas e autoridades.

Não se está aqui a dizer que a imprensa deve sempre procurar o lado mais otimista dos acontecimentos, porque uma de suas funções é manter a sociedade alerta tanto para oportunidades como para riscos ao seu bem-estar. O que, sim, se pode conjecturar, é que tem razão o ministro do Trabalho, citado nas reportagens, quando afirma que o discurso de que o País está em crise, repetido desde a campanha eleitoral do ano passado, afeta a criação de empregos.

Se o leitor tiver acesso aos três diários de circulação nacional, mais o Valor Econômico, vai entender o seguinte: a oferta de empregos caiu no terceiro trimestre mas se recuperou em março; os contratos para grandes obras estão sendo retomados, o que pode conter os cortes na construção civil; a publicação do balanço da Petrobras é vista pelo mercado com otimismo; o setor de serviços segue em pleno crescimento. Nas redações, as profecias catastrofistas devoram os profetas.

Brasil conseguiu praticamente erradicar extrema pobreza, diz relatório do Banco Mundial

Via Portal R7

Estudo mostra que cerca de 60% dos brasileiros passaram a um nível de renda maior.

Brasil conseguiu praticamente erradicar a extrema pobreza no País. Getty Images

Análises do novo relatório do Banco Mundial mostram que o Brasil conseguiu praticamente erradicar a extrema pobreza. O País também conseguiu fazer isso mais rápido do que os países vizinhos.

Além disso, o Brasil também melhorou o desempenho de toda a região da América Latina e do Caribe. O estudo mostra que entre os anos de 2001 e 2013, o percentual da população vivendo em extrema pobreza caiu de 10% para 4%.

Ainda segundo o estudo, de 1990 a 2009, cerca de 60% dos brasileiros passaram a um nível de renda maior. Ao todo, 25 milhões de pessoas saíram da pobreza extrema ou moderada.

Até o ano de 1999, os índices de extrema pobreza no Brasil e do resto da região eram semelhantes: em torno de 26%. Em 2012, aconteceu uma redução maior no percentual do Brasil, atingindo 9,6%, ante 12% da região.

Em relação à mobilidade social, o Brasil está em terceiro lugar. Ficando atrás, apenas, de Chile e Costa Rica. A melhora no desempenho do País se deve ao crescimento econômico do Brasil a partir de 2001, às políticas públicas como o Bolsa Família e o Brasil sem Miséria e ao aumento das taxas de emprego.

A evolução do salário mínimo também é destacada pelo estudo, que fortaleceu o poder de compra dos brasileiros.