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O fascismo não é nacionalista, mas racista

Por Adriano Benayon

Algumas vezes fiz comentários sobre o fato de a associação que se costuma fazer de nacionalismo com fascismo é fruto, na maior parte, da lavagem cerebral que impingem aos povos os meios de comunicação social controlados pelo império mundial.

Na realidade, não só são linhas diferentes de pensamento e posicionamento político, mas até opostas.

Isso porque o nacionalismo é posição de resistência ao império globalizante, que faz de todos os povos, até mesmo o das metrópoles imperiais, um mero objeto, enquanto que o fascismo tem sido historicamente um movimento a serviço desse império.

De fato, não é de ignorar que supostas democracias como os EUA e o Reino Unido encobrem realidade fascista, pois se trata de Estados que usam e abusam de manipulações financeiras, comerciais etc. apoiadas por formidáveis forças militares, para explorar as nações, à base de intervenções e/ou chantagem militar, além da permanente intervenção por outros meios, dirigidas por seus serviços secretos e n outras entidades.

Querem coisa mais fascista que os Estados criados pelo império britânico no Oriente Médio, como a Arábia Saudita e os diversos reinos petroleiros, que esmagam os povos árabes da região. Ou que os degoladores do ISIS, Al Qaeda e n outros grupos suscitados e alimentados pelas potências angloamericanas?

Tenho mencionado, em relação à história do fascismo na Europa dos anos 20, 30 e 40 do século XX, a espantosa ignorância, fomentada pelas universidades famosas e por outras menos badaladas, de como Hitler chegou ao poder, através da chantagem exercida pela oligarquia financeira junto ao presidente Marechal Hindenburg, para nomear Hitler, já em declínio eleitoral, em janeiro de 1933, para a Chancelaria (primeiro-ministro) da República de Weimar.

Isso, inclusive, com o claro objetivo de promover a 2ª Guerra Mundial, conforme a intenção, nunca escondida, de Hitler.

Esse sempre foi racista, inclusive admirador fanático, do império britânico. A Alemanha não era o importante para ele, mas sim a raça nórdica, os germânicos, de que fazem parte os ingleses, originários dos anglos (da região entre a Dinamarca e norte da Alemanha) e dos saxões (da Saxônia, região do centro –norte, onde está Hannover). Além disso, os britânicos descendem dos normandos, povo originário do Norte (principalmente Noruega), que trouxeram o francês, para misturar com o anglo-saxão, pois ficaram falando francês antes de conquistarem as Ilhas Britânicas, no ano 1066.

A admiração pelos ingleses certamente decorria de o Império britânico exercer a supremacia da raça, espezinhando os povos considerados inferiores, com toda a crueldade e arrogância que se pudesse imaginar.

Bem, há provas do amor de Hitler pelos britânicos, maior do que pela Alemanha.

Entre outros:

a) Deu ordem de alto (Halt), por 36 horas, ao Exército alemão (evidentemente contra a opinião dos generais), quando a Wehrmacht, já na Bélgica, a caminho da invasão da França, no verão europeu de 1940, havia cercado a força expedicionária da Inglaterra, permitindo-lhe fugir na famosa retirada de Dunquerque (Dunkirk), salvando-a assim de ser destroçada e aprisionados seus combatentes;

b) Mandou seu braço-direito, Rudolf Hess saltar de pára-quedas na Inglaterra em missão de paz; seu objetivo era concentrar-se totalmente na invasão da União Soviética, iniciada no verão de 1941, o que praticamente ocorreu pois nesse ataque (Operação Barbarossa), foram engajados 90% das divisões alemãs, sendo 100% das de elite.

Frente Parlamentar contra o PL 4330 é lançada em São Paulo

Por Érica Aragão | Via CUT

Foi com o auditório lotado, com mais de 400 pessoas, entre parlamentares, militantes e dirigentes sindicais, que nesta quinta-feira (25), no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, foi lançada oficialmente a Frente Parlamentar contra o Projeto de Lei (PL) 4330. O projeto que tramita agora no senado como Projeto de Lei da Câmara (PLC) 30/2015 regulamenta e amplia a terceirização nas relações de trabalho. Coordenada pelo Deputado Estadual do Partido dos Trabalhadores (PT), Teonílio Monteiro, o Barba, a frente tem como objetivo ampliar as mobilizações dos trabalhadores com debates e ações contra este projeto de terceirização.

O PL 4330 foi desengavetado neste ano pelo Presidente da Câmara, Eduardo Cunha, mas a ideia de tirar direitos trabalhistas é antiga, relembra o Presidente da CUT São Paulo, Adi dos Santos Lima. “A primeira vez foi em 2001. Já tentaram tirar o artigo 618 da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), uma forma de precarização dos direitos básicos do trabalhador como férias, 13º, Fundo de Garantia, entre outros.  O Presidente da República era o Fernando Henrique Cardoso (PSDB) e o Presidente da câmara Aécio Neves.  Mas a CUT, outras centrais e movimentos sociais lutaram para que isso não acontecesse. Se não fosse a mobilização dos trabalhadores, hoje nós não teríamos mais carteira assinada no Brasil”, conta Adi. “Agora veio com o PL 4330, com o mesmo objetivo, porque os empresários insistem tanto em retirar nossos direitos?”, questiona o presidente da CUT.

A mobilização com apoio de vários segmentos da sociedade podem fazer com que o senado vete o PLC 30, mas se não vetar a mobilização deve ser maior ainda pra que a Presidenta Dilma Rousseff vete. “Em nome da CUT eu afirmo, nós não iremos aceitar nenhum direito a menos”, disse emocionado Adi.

Ele também destacou a ausência da população nas galerias da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (ALESP) quando um deputado que representa os trabalhadores, como Barba, leva ao plenário debates como este. “Nossos guerreiros e guerreiras que estão na ALESP, para nos defender, precisam dos nossos respaldos, temos que lotar a assembleia para ajuda-los a enfrentar os outros projetos que não beneficiam os trabalhadores e apoiá-lo nos projetos que garantam direitos aos trabalhadores. É importante que esta frente seja multiplicada em todos os estados brasileiros”, finaliza Adi.

A frente parlamentar tem este objetivo, ampliar os debates e mobilizar mais trabalhadores para enfrentar esse retrocesso nos direitos trabalhistas. Para Barba o debate tem que ir também além da ALESP. “A nossa intenção é ampliar o debate sobre o tema, fazer audiências públicas no estado de São Paulo, nas câmaras municipais, em universidades contando sempre com apoio de instituições, como a Central Única dos Trabalhadores (CUT), Sindicatos, Organizações da Sociedade Civil, Movimentos Sociais, Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do trabalho (ANAMATRA), Ministério Público do Trabalho e Emprego (MPTE), Tribunal Superior do trabalho (TST), entre outras que são contra o PL4330”, destaca o Barba, que também é metalúrgico e militante das causas dos trabalhadores. “É um projeto que vai reduzir o salário, benefício, direitos e a organização sindical. Para nós ter conseguido instalar esta frente parlamentar contra o PL 4330 foi muito importante. Esse projeto da terceirização é o maior processo de flexibilização das leis trabalhistas no país, não podemos descansar enquanto este projeto não for engavetado”, finaliza ele.

O Presidente do Sindicato dos Metalúrgico do ABC, anfitrião do evento, afirmou a importância de São Paulo debater esse assunto, já que é o segundo maior parlamento do país, ficando atrás somente da Câmara de Deputados Federais e é governado por uma política neoliberal há mais de 20 anos. “É um ano fundamental de muito ativismo em defesa de causas importantes do modelo de país e das relações de trabalho que queremos. Mexeu com os terceirização mexeu com os trabalhadores, mexeu com os direitos, mexeu com os trabalhadores” afirma Rafael.

Entidades da advocacia dizem que Moro pune quem pensa diferente dele

Via Conjur

O Instituto de Defesa do Direito de Defesa, o Instituto Brasileiro de Ciências Criminais e o Movimento de Defesa da Advocacia declararam nesta quinta-feira (25/6) que o juiz federal Sergio Fernando Moro usa a prisão preventiva “para penalizar a livre manifestação de pensamento divergente do seu”.

As entidades divulgaram nota com críticas a uma decisão proferida na última quarta (24/6), quando o juiz decidiu manter atrás das grades Alexandrino de Salles Alencar, apontado por delatores da “lava jato” como operador de um esquema criminoso que fraudaria contratos da Petrobras. Ele atuaria representando a petroquímica Braskem, controlada pelo grupo Odebrecht.

Em seu despacho, Moro disse que a Odebrecht publicou comunicados em veículos de comunicação para “confundir” a opinião pública. O texto “apenas reforça a convicção deste juízo acerca da necessidade, infelizmente, da prisão preventiva”, pois a empreiteira “não tem qualquer intenção de reconhecer a sua responsabilidade pelos fatos, o que seria um passo necessário para afastar o risco de reiteração das práticas criminosas”, escreveu o juiz.

Para o IDDD, o IBCCRIM e o MDA, “causa perplexidade que, em pleno caminhar das investigações, o juiz que ainda deverá sentenciar os investigados já se mostre convencido de uma versão, e, pior, tome como afrontosa qualquer manifestação cujo conteúdo contrarie sua convicção”. “Triste do país que precisa lançar mão de ataques tão violentos ao Estado de Direito para combater males que historicamente nos assolam, como a corrupção”, dizem as entidades.

Leia a íntegra da nota:

O Instituto de Defesa do Direito de Defesa – IDDD, o Instituto Brasileiro de Ciências Criminais – IBCCRIM e o Movimento de Defesa da Advocacia – MDA vêm a público repudiar a decisão da Justiça Federal do Paraná desta quarta-feira que decretou prisão preventiva de investigado com fundamento em comunicado feito à imprensa no qual a empresa onde ele trabalhava oferece sua versão dos fatos.

Na decisão, o juiz expressamente afirma que o comunicado “apenas reforça a convicção deste Juízo acerca da necessidade, infelizmente, da prisão preventiva pois a Odebrecht, com todos os seus amplos e bilionários recursos e com equivalente responsabilidade política e social, não tem qualquer intenção de reconhecer a sua responsabilidade pelos fatos”.

Causa perplexidade que, em pleno caminhar das investigações, o juiz que ainda deverá sentenciar os investigados já se mostre convencido de uma versão, e, pior, tome como afrontosa qualquer manifestação cujo conteúdo contrarie sua convicção.

Não satisfeito, ainda usa métodos coercitivos, como a prisão, para penalizar a livre manifestação de pensamento divergente do seu.

Parece importante lembrar as palavras do ministro Celso de Mello, de que “o juiz há de ser um estranho ao conflito” (STF, HC 95009, Órgão Pleno), sobretudo quando a causa ainda se encontra em plena fase investigatória.

Triste do país que precisa lançar mão de ataques tão violentos ao Estado de Direito para combater males que historicamente nos assolam, como a corrupção.

Conformismo com o ajuste “frouxo” e a recessão prolongada

Por Fabrício Augusto de Oliveira | Via Brasil Debate

Com razão, o professor Celso Pastore, ex-presidente do Banco Central, não está nada satisfeito com o ajuste fiscal que está sendo realizado pelo governo. Em entrevista à Folha de São Paulo, no dia 14 de junho, considera o ajuste necessário para evitar a perda do grau de investimento, mas que o “país foi colocado num círculo vicioso em que a recessão reduz a arrecadação do governo, elevando a necessidade de mais cortes de gastos e aumento da carga tributária, gerando mais recessão”.

Um ajuste que, para ele, vai manter a economia asfixiada por um bom tempo, porque novas medidas da mesma natureza serão necessárias mais à frente, correndo-se o risco de não se atingir o seu principal objetivo que é o de trazer o crescimento da dívida para uma trajetória sustentável.

A insatisfação do professor Pastore não parece ser tanto com a qualidade do ajuste, que considera necessário, mas com a insuficiência de seu tamanhopara este objetivo. Isso porque, devido à política do Banco Central de persistir no aumento dos juros para trazer a inflação para o centro da meta, e redimir-se de sua negligência dos anos anteriores, mantendo o juro real no patamar de 4-5% ao ano, o déficit nominal está batendo na casa dos 8% do PIB, e não será com um superávit primário de 1,2% do PIB, e ainda assim sem nenhuma garantia de que será alcançado, que se conseguirá reverter a trajetória de crescimento da relação dívida/PIB.

Como, além disso, já se projeta que o PIB deve encolher 2% no ano, diminuindo, portanto, o denominador dessa relação, não será nenhuma surpresa se essa der um grande salto, considerando a dívida em termos brutos, para a casa dos 70% do PIB. Por isso, para ele, seria necessário um superávit primário de pelo menos 3% do PIB para garantir sua estabilização.

Isso corresponderia, de fato, a um ajuste global de 3,6%, dado o déficit primário de 0,63% gerado pelo setor público em 2014. Para Pastore, qualquer ajuste das contas públicas abaixo deste nível significa procrastinar sua solução, e submeter a sociedade a pagar um custo bem mais alto do que seria necessário.

Lamenta, assim, que o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, tenha feito a opção por um ajuste gradual e que, por essa razão, o país vai ter de continuar fazendo novos ajustes fiscais nos próximos anos, sem dar condições à economia para sair do estado de letargia em que se encontra.

A única saída que aponta para isso seria a realização de reformas que recuperassem a confiança no governo e acelerassem o crescimento econômico, permitindo a redução dos juros.

Como as receitas fiscais estão despencando com a recessão, e as alternativas com que o governo conta para aumentá-las – concessões de infraestrutura, venda de ações da Seguridade da Caixa Econômica Federal etc. – são limitadas.

O governo, para continuar sustentando o ajuste, ficou prisioneiro da estratégia do corte de gastos e aumento dos impostos, indicadores de que a recessão vai ficando mais longa e mais alto o preço que a sociedade terá de pagar pelos erros cometidos pela política econômica. Não lhe restaria, diante disso, senão “continuar no ajuste até recriar a confiança e pagar o custo político”.

Irritado com o ajuste “frouxo”, mas conformado com a recessão longa, não lhe passou pela mente questionar a qualidade do ajuste e, pelo que se pode entender de sua entrevista, o mal deveria ser feito de uma só vez e de forma desapiedada, mesmo que jogasse mais rapidamente o emprego e a renda do trabalhador no chão e se assistisse ao país retroceder em termos das conquistas sociais e da redução das desigualdades.

No final, o país sairia ganhando por não perder o grau de investimento e poderia retomar novamente o crescimento, como prêmio pelos sacrifícios feitos.

Se o professor Pastore deixasse de olhar a economia com o viés conservador, certamente poderia ter uma leitura melhor dos problemas atuais da economia brasileira e de melhores alternativas para o ajuste.

Independentemente dos fatores que contribuíram para a desaceleração econômica, que está conduzindo o país para uma recessão, o fato é que o motor do crescimento, base para o próprio Estado dispor de condições fiscais mais saudáveis, emperrou. E, neste caso, pretender um ajuste fiscal exitoso, quando as bases para seu sucesso estão sendo crescentemente minadas, é o mesmo que pretender chegar ao paraíso fazendo pacto com o diabo. Não é possível.

Como disse o mestre Belluzzo, em recente entrevista concedida ao Portal da CUT, “se o motor pifou não adianta arrumar a lataria do carro. Não vai fazê-lo funcionar. É preciso consertar ou arrumar outro motor”.

A maior dificuldade para isso está justamente na limitação dos recursos públicos para deslanchar um conjunto de investimentos, especialmente em infraestrutura econômica, com o objetivo de dar um novo impulso ao crescimento, já que os demais fatores de dinamismo da economia se encontram desfalecidos.

Por isso, o segundo pacote de concessões em infraestrutura lançado pelo governo no dia 09 de junho, com investimentos previstos de R$ 198,4 bilhões – R$ 69 bilhões até 2018 –, contando com investimentos privados, representa um passo importante na direção correta.

Mesmo que tardio, com versões recriadas do pacote de 2012, contendo ainda alguns projetos visionários – ferrovia oceânica –, mas sem alguns erros cometidos naquele em termos de modelos excessivamente intervencionistas, pode ajudar o país a começar a ver a porta de saída da crise, caso o investimento privado dê respostas positivas para o projeto.

Mas, o mais grave do ajuste, é que ele tem sido feito em cima do emprego e da renda dos trabalhadores, conduzindo o consumo à inanição e as políticas sociais à míngua de recursos, enfraquecendo ainda mais o tecido econômico e social, enquanto o setor financeiro, o patrimônio e a riqueza, em geral, não só continuam praticamente incólumes aos seus custos como dele têm se beneficiado com a suicida política de altos juros do Banco Central, visando a reverter uma inflação em boa parte de custos, promovendo, com isso, uma brutal transferência de renda para esses setores.

Se dos primeiros pouco há a tirar para ajudar nas finanças do Estado, a não ser a troco de mais recessão que repõe continuamente a necessidade de novas rodadas de ajustes, os segundos, além de praticamente infensos à tributação, são os que empurram, pelo aumento dos juros, o pífio e solitário ajuste fiscal para um maior desajuste, aumentando os riscos da tão temida perda do grau de investimento.

E isto, apesar de serem os últimos os que mais têm condições de efetivamente contribuir para o ajuste e para a saída da recessão. Mas isso, nem de longe, é mencionado na longa entrevista do professor Pastore.

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Fabrício Augusto de Oliveira é doutor em economia pela Unicamp, membro da Plataforma de Política Social e autor, entre outros, do livro “Dívida pública do Estado de Minas Gerais: a renegociação necessária”, de 2012.

STF libera a presença do público durante as votações sobre a maioridade penal

Via Conjur

Ministra Cármen Lúcia ainda permitiu limite no número de pessoas

As sessões de votação que tratam da redução da maioridade penal, a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 171/1993 poderão ser acompanhadas pelo público. A decisão é da ministra do Supremo Tribunal Federal Cármen Lúcia, relatora do Habeas Corpus (HC) 128.883. A próxima votação do tema ocorrerá no dia 30 de junho.

A ação foi movida pela União Nacional dos Estudantes (UNE) e União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES) após o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), negar o acesso do público às galerias do plenário durante as votações. De acordo com a decisão da ministra, a polícia legislativa poderá restringir o acesso a determinado número de pessoas, por razões de segurança, mas não poderá impedir os estudantes de entrar na Casa.

No último dia 10, a sessão da Comissão Especial que analisa a PEC foi marcada por tumulto entre parlamentares, jovens contrários à mudança e a polícia legislativa. Diante de insultos verbais entre deputados contra e a favor da proposta e da resistência dos jovens em deixar o plenário da comissão, os policiais legislativos usaram spray de pimenta contra os manifestantes. A reunião foi retomada em outro plenário da Câmara, a portas fechadas.

A UNE e a UBES alegaram que foram “violentamente reprimidas pelos agentes da Polícia Legislativa, sob ordens da Presidência da Câmara, que pretende lhes negar o acesso à galeria do Plenário, para que não possam se expressar contrários à redução da maioridade penal e, consequentemente, convencer os legisladores presentes na votação dos malefícios de tal mudança”.

Ao conceder a liminar, a relatora do HC afirmou que as circunstâncias expostas corroboram a concessão do recurso. Cármen Lúcia ressaltou que a Polícia Legislativa também terá o poder de retirar os presentes que apresentem “condutas nocivas à atividade legislativa e ao desenvolvimento regular e livre dos trabalhos das Casas Legislativas”.

Com informações da Assessoria de Imprensa do STF e da Agência Brasil.

Projeto que muda regras da desoneração é tema mais polêmico do Congresso

Por Iolando Lourenço | Via Agência Brasil

Plenário da Câmara José Cruz/Agência Brasil

Mesmo com a ausência da maioria dos deputados e senadores da bancada nordestina em função dos festejos de São João, que ocorrem nos dias 23 e 24, a Câmara inicia quarta-feira (24) a votação do projeto de lei do Executivo que muda as regras da desoneração da folha de pagamento, última proposta do ajuste fiscal. A ideia do presidente da Casa, deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), é concluir a votação do projeto que reonera 56 setores da economia na quinta-feira. “Estou prevendo quase 20 votações nominais desse projeto [regras da desoneração], estou prevendo no mínimo dez horas de votações”, disse Cunha.

Amanhã (23), dia em que em grande parte das cidades da Região Nordeste promove as festas de São João, o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, marcou votações de vários recursos contra a tramitação conclusiva de projetos aprovados pelas comissões da Casa e também de acordos internacionais assinados pelo Brasil com os Estados Unidos (EUA). Cunha disse que quer votar essas matérias para que a presidenta Dilma Rousseff possa viajar para os EUA com os acordos aprovados pelo Congresso. Em relação aos nordestinos que não irão comparecer às votações de terça-feira, ele explicou que eles poderão justificar as ausências na quarta.

A semana de votações do Senado prevê a apreciação da Medida Provisória (MP) 670, que reajusta a correção da tabela de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), com variação de 6,5% a 4,5%. Os reajustes valem desde abril deste ano. A MP já está trancando a pauta do Senado e impede a votação de outras matérias.

Além da MP, consta da pauta de votações do Senado a proposta de emenda à Constituição (PEC 74/13) que inclui o transporte no rol dos direitos sociais. Na terça-feira, deverá ser realizada a segunda sessão de debates da PEC. Consta também da pauta de votações dos senadores o projeto de lei que libera a Petrobras da função de operadora única no pré-sal e desobriga a empresa da participação mínima de 30% dos blocos licitados.

Também no Senado, os debates desta semana deverão ser marcados pela visita de uma comissão de senadores à Venezuela. Os senadores querem convocar o chanceler Mauro Veira e o embaixador do Brasil no país, Rui Pereira, a prestar esclarecimentos à Comissão de Relações Exteriores sobre os incidentes que marcaram a visita da semana passada.

A maioria das comissões da Câmara tem reuniões programadas na semana para a votação de proposições, realização de audiências públicas e de debates. A Comissão de Finanças e Tributação marcou para esta terça-feira (23) audiência pública sobre as manobras fiscais do governo, principalmente sobre os atrasos dos repasses de recursos a bancos públicos federais. Para a audiência foi convidado o ministro da Advocacia-Geral da União Luiz Inácio Adams, entre outros.

Também amanhã, às 13h, a Comissão Mista de Orçamento se reúne para a discussão do relatório preliminar da Lei de Diretrizes Orçamentárias. A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Petrobras agendou para quinta-feira (25), às 9h30, o depoimento do ex-gerente de Segurança Empresarial da Petrobras Pedro Aramis de Lima Arruda.

Na quinta-feira, a partir das 10h, será realizada no plenário da Câmara comissão geral com o ministro das Cidades, Gilberto Kassab, que falará sobre os planos e as prioridades da pasta. A comissão faz parte da programação de todas as quintas-feiras, onde o ministro é convidado para falar das ações do setor.

Redução da maioridade penal legalizaria pornografia e álcool aos 16 anos

Por Sérgio Rodas | Via Conjur

A redução da maioridade penal de 18 para 16 anos faria com os adolescentes desta idade não fossem mais protegidos pelos crimes previstos no Estatuto da Criança e do Adolescente. Dessa forma, produzir, publicar ou vender pornografia envolvendo jovens de 16 e 17 anos não seria mais crime, nem vender bebida alcoólica ou cigarro a uma pessoa dessa faixa etária.

Pierpaolo Cruz Bottini aponta que redução acaba com proteções do ECA.

Essa é a opinião de juristas ouvidos pela revista Consultor Jurídico. De acordo com o advogado e professor de Direito Penal da USP Pierpaolo Cruz Bottini, a redução da maioridade penal faria com que adolescentes com mais de 16 anos recebessem tratamento jurídico criminal de adultos, o que os excluiria da proteção do ECA.

Com isso, as infrações penais e administrativas elencadas no Título VII do ECA deixariam de ser imputáveis a quem as cometesse contra maiores de 16 anos. Além da produção e venda de pornografia (artigos 240 a 241-E do ECA) e da venda de bebidas (artigo 243), também não seria mais possível punir quem submetesse adolescente dessa faixa etária a vexame ou constrangimento (artigo 232), promovesse o seu envio ao exterior para obter lucro (artigo 239), lhe fornecesse arma ou fogos de artifício (artigos 242 e 244) ou hospedasse-o em motel (artigo 250).

O crime de submeter criança ou adolescente à prostituição (artigos 218-B doCódigo Penal e 244-A do ECA) também não poderia mais ser aplicado a quem praticasse essa conduta com jovens de 16 e 17 anos. Nesse caso, a pessoa deveria responder por favorecimento à prostituição (artigo 228 do CP), que tem penas menores quando envolve somente adultos (reclusão de dois a cinco anos — contra reclusão de quatro a dez).

Morais da Rosa aponta que redução só para crimes hediondos não se sustenta.

O juiz e professor de Processo Penal da Universidade Federal de Santa Catarina Alexandre Morais da Rosa também aponta que o crime de corrupção de menores (244-A do ECA) ficaria incoerente. Segundo ele, não faz sentido que um maior de 16 anos possa ser tanto autor quanto objeto de um delito que se destina a proteger a infância e a adolescência.

Além disso, o professor lembra que, caso a diminuição seja aprovada, um adolescente de 16 que tiver uma relação sexual com um de 15 comete estupro de vulnerável, sujeito a reclusão de oito a 15 anos.

Redução seletiva

A comissão especial da Câmara dos Deputados aprovou, nesta quarta-feira (17/6), a Proposta de Emenda à Constituição 171/93, que prevê a redução da maioridade penal de 18 para 16 anos apenas para casos em que forem cometidos crimes hediondos (como estupro e latrocínio), lesão corporal grave e roubo qualificado (quando há sequestro ou participação de dois ou mais criminosos, entre outras circunstâncias). O texto agora segue para votação no plenário da casa.

Redução para alguns crimes é “aberração jurídica”, diz Almeida Guilherme.

Juristas ouvidos pela ConJur foram unânimes em criticar essa redução seletiva. Para o desembargador aposentado do Tribunal de Justiça de São Paulo Walter de Almeida Guilherme, “isso é uma verdadeira aberração jurídica”. A seu ver, se um maior de 16 tem capacidade de entender a gravidade de um homicídio ou de um roubo qualificado e as consequências que eles acarretam, ele também compreende a gravidade de um furto ou incêndio. De acordo com Almeida Guilherme, ou se faz a redução da maioridade para todos os crimes ou não se faz nada.

Na opinião de Bottini, essa diferenciação de responsabilidade fere o princípio da igualdade. Por causa dessa violação, a emenda constitucional que a instituísse poderia ser questionada no Supremo Tribunal Federal por meio de uma Ação Direta de Inconstitucionalidade.

Já Morais da Rosa afirma que a diminuição da maioridade apenas para crimes hediondos “não se sustenta do ponto de vista lógico”, e classifica a medida de “populismo penal”. O juiz também entende que projeto contraria a igualdade e aponta mais um argumento para questionar a constitucionalidade da PEC 171/93: o que de que o artigo 228 da Constituição Federal (que estabelece que são penalmente inimputáveis os menores de 18 anos) é uma cláusula pétrea, e não poderia ser modificado devido ao princípio da proibição do retrocesso social. A única forma de alterar seu conteúdo seria via Assembleia Constituinte.