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Para aprovar a CPMF, governo precisa de apoio que hoje não tem

Via RBA

PEC deve chegar ao Congresso em 15 dias, e precisa de apoio de ‘setores da atividade econômica expressivos’ e negociação com governadores e prefeitos.

CPMF pode ajudar o governo na arrecadação e auxiliar no combate à corrupção, por incentivar a fiscalização. CC0 COMMONS WIKIMEDIA

São Paulo – Depois de propor a recriação da CPMF, o governo precisa agora fazer um trabalho de engenharia política capaz de conseguir os votos de três quintos na Câmara e no Senado, 308 e 49 votos, respectivamente. A tarefa hoje não é nada fácil, considerando as dificuldades políticas do Palácio do Planalto para reunir até mesmo o número de votos necessários para aprovar leis ordinárias, que exigem maioria simples. A PEC deve ser enviada ao Congresso em 15 dias, segundo a Receita Federal.

Para o analista político Antônio Augusto de Queiroz, diretor do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap), existem duas condições imprescindíveis para que a correlação de forças, na atual conjuntura muito desfavoráveis ao governo, seja alterada, possibilitando a aprovação do tributo. “A primeira é o governo contar com apoio de setores da atividade econômica expressivos. A outra é envolver governadores e prefeitos nesse processo. Com isso – e um trabalho de coordenação política eficiente –, pode ser que essa correlação de forças no Congresso se altere.”

Para Queiroz, a principal condição não é nem mesmo que o governo acerte sua coordenação política, o que ainda não conseguiu no segundo mandato. “Se o setor econômico apoiar, o trabalho fica facilitado. Mas mesmo com uma coordenação eficiente, se o setor econômico disser não, e são eles que financiam as campanhas, não será possível.”

Governadores e prefeitos têm também papel fundamental nessa equação. Mas o apoio pelo menos de parte significativa dos chefes dos executivos estaduais e municipais vai depender de quanto do bolo a ser criado eles vão poder trazer para suas gestões. Nesse caso, a alíquota terá de ser maior do que a proposta de 0,2% para poder ser repartida.

“Para que prefeitos e governadores entrem com peso, teria que ser trabalhado um aumento dessa alíquota, de modo que parte desse ganho fosse partilhado com eles”, diz Queiroz. Sem isso, a importância do tributo na retomada do controle das finanças públicas e do crescimento do país fica em segundo plano.

“Proporcional”

Para Evilásio Salvador, professor de Economia da Universidade de Brasília (UnB), a proposta de recriar aCPMF tem aspectos positivos e negativos. De positivo, ele entende o tributo como um importante instrumento de combate à corrupção, já que incide diretamente nas movimentações financeiras e, por isso, permite o cruzamento de dados com o Imposto de Renda.

Segundo Salvador, do ponto de vista da chamada “justiça tributária” a CPMF é um tributo chamado proporcional. “Não joga nem a favor de maior justiça tributária no sentido da progressividade, nem tem característica da regressividade. É um importante instrumento de arrecadação. Grande parte da reação contra é muito menos pelo efeito do custo tributário e muito mais pelo cruzamento de dados e fiscalização. Pode-se com a CPMF constituir um importante instrumento de combate à corrupção.”

Mas se o analista considera que a contribuição tem um aspecto fiscalizatório importante e seria uma saída “praticamente inevitável” para os cofres da União hoje, ele afirma, por outro lado, lamentar que o governo não volte a tributar os mais ricos. “Por exemplo, com a tributação de lucros e dividendos de pessoa física, que precisa só de maioria simples no Congresso.”

Salvador estima que o governo poderia arrecadar perto de R$ 50 bilhões. Para chegar a esse número, ele considera os valores de R$ 200 a R$ 250 bilhões de lucros e dividendos distribuídos anualmente. “Se você aplicar uma alíquota de 15%, que tinha anteriormente (em legislação revogada pelo governo de Fernando Henrique Cardoso), e jogar na tabela progressiva, a arrecadação seria em torno de R$ 40 bilhões a R$ 50 bilhões”, calcula. O governo diz esperar arrecadar R$ 32 bilhões com a CPMF, se a alíquota for de 0,2%.

Embora considere a CPMF necessária, o economista da UnB lembra que o governo concede desonerações “aos montes” com a chamada Desvinculação de Receitas da União (DRU), afetando o caixa da Previdência. “Por isso tem uma incoerência na proposta de criar a CPMF. Seria mais rápido acabar com a DRU e reverter as desonerações concedidas.”

Outra crítica, diz, se insere no contexto de ajuste. A CPMF seria criada, ou recriada, num momento de aperto e ajuste fiscal. “Sou contra o ajuste fiscal e compor recursos dentro do orçamento público para financiar rentista e capital portador de juros. Sacrifica a população para financiar o setor financeiro. O Brasil já gasta de 6% a 7% do PIB em pagamento de juros.”

Real e rublo foram alvo de manipulações ilegais

Via Sputnik Brasil

Os promotores dos Estados Unidos encarregados da apuração das denúncias de manipulação de câmbio com diversas moedas nacionais (inclusive o real) anunciaram que as investigações vão se aprofundar e que outra moeda, o rublo, também tem sido alvo dos manipuladores interessados em obter vultosos ganhos financeiros.

A divulgação das manipulações com a moeda brasileira levaram o CADE (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) a anunciar que 15 bancos sediados em outros países e 30 pessoas físicas estão sob investigação por suposto cartel de manipulação de taxas de câmbio envolvendo o real e outras moedas. Os mesmos processos investigatórios foram instaurados em países como Estados Unidos, Reino Unido e Suíça.

No Brasil, respondem a processo administrativo perante o CADE as seguintes instituições financeiras: Barclays, Citigroup, Crédit Suisse, Deutsche Bank, HSBC, JPMorgan, Bank of America, Merrill Lynch, Morgan Stanley, UBS, Banco Standard de Investimentos, Banco Tokyo-Mitsubishi UFJ, Nomura, Royal Bank of Canada, Royal Bank of Scotland e Standard Chartered.

Em entrevista exclusiva à Sputnik Brasil, o economista Gilberto Braga, professor do Ibmec-Rio e da Fundação Dom Cabral, explica o que são estas manipulações com as taxas de câmbio e quem se beneficia dessas práticas, e afirma que essas iniciativas não têm caráter político, mas sim uma grande aposta no mercado de câmbio para ganhos financeiros estratosféricos.

Sputnik: A quem interessa manipular o câmbio?

Gilberto Braga: A manipulação é uma consequência da especulação financeira. Especular faz parte do mercado financeiro no sentido de ter expectativas e fazer apostas. No caso da manipulação, ela vai além de se apostar que algo vai acontecer. Não é mais uma aposta no sentido de crer que vai acontecer, e sim tentar fazer acontecer. A diferença entre a especulação típica do mercado financeiro e a manipulação é que nesta existe uma ação fora das normas, e portanto ilegal, para atingir determinados resultados e assim fazer com que supostas apostas, que seriam legítimas mas na verdade não eram, pudessem sair vencedoras e portanto lucrativas deste processo.

S: E o fato de ter havido a constatação, pelos procuradores norte-americanos, de que a moeda russa, o rublo, também está sendo manipulada. A quem interessa manipular, desvalorizar o rublo?

GB: Eu não vejo, na manipulação de mercado, nenhum tipo de alvo de natureza política ou de comércio exterior propriamente dito. A manipulação é sempre o alvo daquilo que os especuladores financeiros identificam como algo manipulável. Os mercados formadores dos BRICS são as moedas que têm o maior potencial de manipulação, porque, de uma forma muito fácil, são as economias que estão sempre na gangorra. São aquelas que em momentos específicos crescem muito e oscilam em função de conjunturas, em função de sofrerem embargos, como no caso da economia russa, de poderem se envolver em questões de natureza diplomática.

Brasil reduz índice de vulnerabilidade social em 27% em uma década

Por Fábio Pupo | Via Valor Econômico

O Ipea avalia que as disparidades permanecem preocupantes

O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) lançou nesta terça-feira, em Brasília, o Índice de Vulnerabilidade Social (IVS). O novo indicador compila dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e aponta a ausência ou a insuficiência de ativos, recursos e estruturas – como renda, moradia e educação

Segundo o Ipea, a vulnerabilidade social no país entre 2000 e 2010 caiu 27%, influenciada principalmente pela melhoria de renda da população.

O resultado da pesquisa está na publicação do Ipea batizada de Atlas da Vulnerabilidade Social nos Municípios Brasileiros, que analisa os 5.565 municípios do país. Pelo levantamento, o Brasil apresentava, em 2000, IVS igual a 0,446 (quanto mais alto, piores as condições), ficando na faixa da alta vulnerabilidade social. Dez anos depois, o índice caiu para 0,326, na faixa de média vulnerabilidade social.

O Ipea concluiu que a quantidade de municípios brasileiros com alta ou muito alta vulnerabilidade social caiu de 3.610 em 2000 para 1.981 em 2010. Já o número de municípios com baixa ou muito baixa vulnerabilidade social passou de 638 em 2000 para 2.326 dez anos depois. A evolução foi mais nítida em alguns Estados das regiões Centro-Oeste (como a faixa de fronteira de Mato Grosso do Sul), Norte (especialmente Tocantins) e Nordeste (com destaque para o sul da Bahia, Ceará, Rio Grande do Norte e leste de Pernambuco).

Disparidades

Apesar disso, o Ipea avalia que continua havendo um quadro de disparidades regionais, com muitos municípios na faixa de muito alta vulnerabilidade social na região Norte – especificamente nos Estados do Acre, Amazonas, Pará, Amapá e Rondônia – e no Nordeste (principalmente no Maranhão, em Alagoas e Pernambuco).

Segundo o Ipea, o item do IVS em que o país apresentou maior redução é a de renda e trabalho – que evoluiu 34%, refletindo a redução da informalidade, a redução do trabalho infantil e o aumento da ocupação.

Outro item com forte melhoria foi o de Capital Humano, que retrata aspectos sociais diversos de exclusão social, acesso aos serviços de saúde e educação, e situações de vulnerabilidade decorrentes de aspectos demográficos e familiares. Esse item teve queda (ou seja, melhoria) de 28%, passando de 0,503 (muito alta) para 0,362 (média). Entre os principais avanços, estão: crianças de 6 a 14 anos que não frequentam a escola (52% de queda) e a mortalidade até 1 ano de idade (45% de queda).

O item Infraestrutura Urbana, que busca refletir as condições de moradia das pessoas em seus domicílios, apresentou melhoria de 16%, passando da faixa da média vulnerabilidade social (0,351), em 2000, para a baixa vulnerabilidade social (0,295), em 2010. A maior foi no percentual da população que vive em domicílios urbanos sem serviço de coleta de lixo – queda de 66%.

Dilma quer salário mínimo a R$ 865 em 2016

Por Wanderley Preite Sobrinho | Via Brasileiros

Ministros da Fazenda e Planejamento incluíram proposta no projeto de Orçamento Geral da União com admissão de défcit de 30,5 bilhões para 2016.

O governo Dilma Rousseff quer aprovar um salário mínimo no valor de R$ 865,50 para 2016. A proposta foi entregue nesta segunda-feira (31) ao Senado pelos ministros da Fazenda, Joaquim Levy, e do Planejamento, Nelson Barbosa. O novo mínimo é parte do projeto do Orçamento Geral da União, entregue com uma polêmica previsão de déficit de 0,5% sobre o Produtor Interno Bruto(PIB) – gasto de R$ 30,5 bilhões acima dos recursos em caixa.

O novo mínimo significa um aumento de 9,83% sobre os atuais R$ 788. Em 2000, o mínimo era de R$ 150, pulou para R$ 180 no ano seguinte, mas só valorizou-se de fato a partir de 2005, quando passou de R$ 260 para R$ 300. Naquele ano, ficou decidido que o mínimo subiria sempre acima da inflação até 2023, garantindo aumento real de salário para os cerca de 47 milhões de pessoas que recebem esse valor atualmente, segundo o Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos).

No documento entregue ao presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB), o governo prevê crescimento econômico de 0,2% e inflação de 5,4% no ano que vem.

No Congresso, o projeto será analisado tanto por deputados quanto por senadores. Primeiro, o texto passa pela Comissão Mista de Orçamento, depois será votado pelo plenário. Aprovado, com ou sem alterações, ele segue para sanção da presidente.

O Orçamento deve ser votado pelo Congresso até dezembro de cada ano, como recomenda a Constituição. Quando isso não ocorre, o governo só tem autorização para gastar o correspondente a 1/12 do montante do ano anterior até que o novo texto seja aprovado.

Rombo e grau de investimento

Depois de muitas reuniões com a equipe econômica, o Palácio do Planalto decidiu admitir publicamente o déficit orçamentário para afastar de vez as suspeitas de que falta “transparência” ao governo. Em breve, Dilma será julgada pelo Tribunal de Contas da União (TCU) pelas chamadas “pedaladas fiscais”, o atraso proposital – e ilegal – de repasses de verba para bancos públicos.

A consequência mais dramática é a possibilidade de o Brasil perder o grau de investimento, uma nota atribuída por agências internacionais a papeis, empresas e países. Essa nota procura indicar ao mercado se aquele papel, companhia ou nação pode receber investimentos. Além de pagar juros de financiamentos mais baixos, um país com uma boa avaliação evita a fuga de dólares, uma vez que alguns fundos chegam a ser impedidos de aplicar em papéis sem grau de investimento.

No dia 28 de julho, a agência de classificação de risco Standard & Poor’s manteve a nota de investimento para o Brasil, ao revisá-la apenas para negativa, de BBB para BBB-. Esse é o último degrau de investimento para o Brasil. Para a Standard & Poor’s, um país está apto a receber dinheiro estrangeiro se tiver nota entre AA+ e BBB-. Entre BB+ e D, o grau é “especulativo”, com muita probabilidade de calote.

*Com Agências

O legado de Cunha

Por Tarso Genro | Via Sul 21

Sergio Lima/Folhapress

A naturalidade com que foi recebida a resposta de Eduardo Cunha pelos “formadores de opinião” da grande mídia e a passividade de boa parte da bancada governista federal -inclusive do meu Partido- a respeito das denúncias contra ele, mostra que crise não vai recuar e que o poder do Presidente da Câmara, por razões até agora desconhecidas, é muito maior do que se pensa.

Leio que dois dignos deputados federias  do Partido dos Trabalhadores, Alexandre Molon e Henrique Fontana  (certamente temos outros), em conjunto com deputados de outras extrações, lideram um movimento para a retirada de Cunha da presidência da Câmara Federal, fundados na denúncia do Procurador Janot. Como Cunha respondeu a esta denúncia? Respondeu que não vai “retaliar”.

Vejam: a resposta é que não vai “retaliar!”. Esta reação, por si só, mostra que Eduardo Cunha vai jogar o jogo até o final e que, por desespero ou segurança, está convicto que pode continuar sendo -muito além da plêiade tucana- o principal líder da oposição ao Governo da Presidenta Dilma que, atado numa base parlamentar que defende a “austeridade” (para os outros), não tem vontade política nem projeto para sair da crise, diferente daquele que o neoliberalismo defende em escala mundial: um “ajuste”  meramente orçamentário, sem tocar na política monetária, na orgia dos juros, e sem encaminhar um combate  -a curto e médio prazo- às desigualdades de renda, num país que ainda é fundamentalmente injusto.

Quando Cunha diz que não vai “retaliar”  ele está dando, na verdade, três recados, a distintas fontes de poder político e jurídico: ao Governo Federal, está dizendo que pode ”retaliar”, se quiser; à oposição demo-tucana, que continua às ordens, para sabotar qualquer iniciativa do Governo; ao Procurador Janot -que ele acusa absurdamente de estar agindo a pedido do Governo- avisa que não reconhece a sua denúncia como o cumprimento de um dever republicano, mas como mero produto de uma barganha política.

A resposta do Presidente da Câmara escancara, não a falência da Carta de 88 ou do regime de democracia política que está inscrito naquele diploma, mas sim a decadência completa de um sistema político específico, que permite que um líder da oposição seja do Partido mais forte que está Governo e que este mesmo quadro, acusado de corrupção (desta mesma oposição), seja o fiador, ao mesmo tempo, da estabilidade do Governo, e da possibilidade do seu impedimento.

Trata-se de uma situação de aparente “normalidade”, que, na verdade abre espaço para a “exceção”, já que esta sempre se apoia num certo desencanto do povo -formalmente criador e destinatário das normas de convívio político democrático-  que passa a sentir a democracia como um regime falido. E o sentimento de que a democracia está falida e que os líderes das diversas facções de opinião não se entendem para preservá-la, abre espaço para tentação fascista: a autoridade substitui a política e a burocracia substitui os partidos.

Produz-se, então, uma época triste e violenta em que, como disse recentemente Boaventura Souza Santos, o “insulto tornou-se meio mais eficaz de um ignorante ser intelectualmente superior a um sábio” e a “desigualdade tornou-se mérito”. A resposta de Cunha à denúncia do Procurador Janot foi um ataque à democracia e à República, não uma peça de defesa. Este é o seu principal legado. Devem estar celebrando aqueles que, em manifestações recentes, se apresentaram como “todos somos Cunha.”

Penso que a grande maioria de todos os partidos democráticos não é representada por Cunha e não aceitam ser confundidos com ele, pelo menos até que  sua inocência seja acatada pela Justiça, se o for. Por isso deveríamos aproveitar este momento, em que a crise política é levada ao seu ponto mais alto de maturação, para desbloquear a Câmara Federal, promovendo um movimento amplo e suprapartidário, para  que ele, Eduardo Cunha, responda o processo fora da Presidência da daquela casa parlamentar. Este  seria o único aspecto positivo do seu legado.

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Tarso Genro foi governador do Estado do Rio Grande do Sul, prefeito de Porto Alegre, Ministro da Justiça, Ministro da Educação e Ministro das Relações Institucionais do Brasil.

Dívida pública cresce 0,78% em julho, informa Tesouro Nacional

Via CdB

A Dívida Pública Federal teve elevação de 0,78% em julho, em comparação a junho: passou de R$ 2,583 trilhões para R$ 2,603 trilhões. Os dados foram divulgados nesta segunda-feira pelo Tesouro Nacional.

No mês de julho, as emissões da Dívida Pública Federal (DPF) corresponderam a R$ 51,24 bilhões.

No mês de julho, as emissões da Dívida Pública Federal (DPF) corresponderam a R$ 51,24 bilhões, enquanto os resgates alcançaram R$ 71,06 bilhões. O resultado foi um resgate líquido de R$ 19,82 bilhões.

O endividamento do Tesouro pode ocorrer por meio da oferta de títulos públicos em leilões, pela internet (Tesouro Direto) ou pela emissão direta (com destinação específica).

O aumento da dívida do Tesouro Nacional também pode ocorrer pela assinatura de contratos de empréstimo. Nesse caso, o Tesouro toma empréstimo de uma instituição financeira ou de um banco de fomento.

A Dívida Pública Mobiliária Federal interna (DPMFi) cresceu 0,52% e passou de R$ 2,462 trilhões para R$ 2,475 trilhões. A DPMFi é a dívida pública federal em circulação no mercado nacional e é captada por meio da emissão de títulos públicos. O motivo da elevação, informou o Tesouro Nacional, foi a incorporação de juros à dívida, no valor de R$ 29,54 bilhões.

A Dívida Pública Federal Externa (DPFe) registrou, em julho, elevação de 6,14%% em comparação ao resultado do mês anterior, chegando a R$ 128,72 bilhões, equivalentes a US$ 37,93 bilhões, dos quais R$ 117,69 bilhões (US$ 34,68 bilhões) referem-se à dívida mobiliária (títulos) e R$ 11,03 bilhões (US$ 3,25 bilhões), à dívida contratual. A variação deveu-se, destacam os técnicos, principalmente à desvalorização do real ante às moedas que compõem o total da dívida externa.

DPFe é a dívida pública federal existente no mercado internacional paga em outras moedas. De acordo com o Plano Anual de Financiamento (PAF), o governo estima a Dívida Pública Federal, em 2015, entre R$ 2,45 trilhões e R$ 2,6 trilhões.

Lançada a Frente Nacional em Defesa do Pré-Sal, da Petrobrás e da Engenharia Nacional

Ontem (20/8), na Câmara dos Deputados, ocorreu ato de fundação da Frente Nacional em Defesa do Pré-Sal, da Petrobras e da Engenharia Nacional. O evento teve como oradores o senador Telmário Mota (PDT-RR), o deputado Dagoberto Nogueira (PDT-MS), o ex-deputado e ex-ministro Brizola Neto (RJ), o representante do Clube de Engenharia, Paulo Metri, e o jornalista Osvaldo Maneschy, editor do portal do PDT.

Também usaram da palavra sindicalistas da Central dos Sindicatos Brasileiros (CSB), entre eles o presidente do Sindicato dos Policiais Federais do DF, que criticou os vazamentos seletivos de informações da Lava Jato; o presidente do Sindicato dos Funcionários do Ministério da Ciência e Tecnologia; um representante da FUP e outro, Pedro Rezende, dos professores da UnB.

Confira o discurso marcante de Osvaldo Maneschy:

Este ato suprapartidário para fundar a Frente Nacional em Defesa do Pré-Sal, da Petrobrás e da Engenharia Brasileira é dedicado a sete ilustres brasileiros:

Ao presidente Getúlio Dornelles Vargas, que criou a Petrobrás em 1953 e se matou pelo Brasil na manhã do dia 24 de agosto de 1954. Deixando para nós a sua Carta Testamento que na próxima segunda-feira completa 61 anos e que Darcy Ribeiro considerava o maior documento político da História do Brasil.

Também é dedicado ao jornalista Barbosa Lima Sobrinho, ex-presidente da A.B.I. – lutador incansável pelos interesses do Brasil.

Este ato em defesa do Pré-Sal, da Petrobrás e da Engenharia é dedicado a três dos líderes da campanha “O Petróleo é Nosso”: Júlio Caetano Horta Barbosa, general; Henrique Miranda, professor; e Maria Augusta Tibiriçá Miranda, médica. Exemplos de brasileiros.

Este ato também é dedicado aos líderes trabalhistas João Belchior Marques Goulart, presidente da República deposto em 1964; e Leonel de Moura Brizola – comandante da Campanha da Legalidade que pode ser definido por uma única palavra: patriota.

Amigos, nós organizamos este ato para exaltar a história da Petrobras. Mas também para discutir o seu presente e o seu futuro. A Petrobras, que sempre orgulhou o Brasil, está em perigo. Como também corre perigo o controle do Brasil sobre a maior descoberta petrolífera do planeta nos últimos 20 anos, o pré-sal.

Há projetos entreguistas aqui no Congresso – no Senado e na Câmara – que retiram da Petrobras os 30% a que ela tem direito sobre o pré-sal. E também retira da Petrobras a posição privilegiada de operadora única que é vital para controlar a produção de acordo com os interesses do Brasil e da indústria nacional.

Não podemos permitir isto. Não podemos permitir que empresas estrangeiras façam no pré-sal o que já tem o direito de fazer no pós-sal: levar a parte do leão – 67% do petróleo que extraem de nosso subsolo – deixando no Brasil apenas os 10% do valor do óleo extraído – em royalties; e mais os 23% que pagam de impostos. Não podemos permitir que os trilhões de dólares que o pré-sal valem saiam do país para enriquecer os donos do mundo.

O petróleo do pré-sal é nosso!

A Frente Nacional de Defesa do Pré-Sal, da Petrobras e da Engenharia Nacional está sendo fundada para inundar o Brasil de mentes esclarecidas.

Temos que multiplicar pelo Brasil afora, em curto espaço de tempo, reuniões como esta.
O Brasil precisa discutir, de novo, e com a máxima urgência, se a riqueza do petróleo fica no país – para financiar a educação, a saúde e a melhoria das condições de vida de nosso povo – ou vai embora, para enriquecer estrangeiros. Temos que defender o que é nosso!
A Lei da Partilha, de 2010, retomou para o Brasil a propriedade sobre o seu petróleo.

Não podemos permitir, sob pena de não podermos mais encarar nossos filhos e netos, que estrangeiros se apropriem da riqueza do pré-sal que pertence a todos os brasileiros e é – realmente – o nosso passaporte para o futuro.

Queremos que atos como este se multipliquem – imediatamente – por todos os recantos do país. Repito: precisamos inundar o Brasil de mentes esclarecidas. Precisamos discutir a fundo – nas assembleias legislativas, câmara municipais, nos CREAs, sindicatos e escolas – a questão do petróleo.

Temos que discutir a fundo, também, a crise que afeta a engenharia nacional com a paralisação de obras estratégicas para o país como o COMPERJ no Rio de Janeiro e a construção das refinarias Abreu e Lima e Premium I e Premium II, no Nordeste.

Nossas empresas de engenharia estão em dificuldades e sem engenharia, não há desenvolvimento. Sem desenvolvimento não há emprego e sem emprego não há soberania.

A Petrobras não pode ser apequenada pelos malfeitos de alguns.

A Petrobras é essencial para o Brasil e para a engenharia nacional – que também precisa ser defendida. Não podemos jogar a criança fora, junto com a água do banho.

Para encerrar, quero ler trecho de uma fala do general Horta Barbosa, no Clube Militar:
“Pesquisa, lavra e refinação de petróleo constituem as partes de um todo cuja posse assegura poder econômico e poder político. Petróleo é bem de uso coletivo, criador de riquezas. Não é admissível conferir a terceiros o exercício de uma atividade que se confunde com a própria soberania nacional”.

Viva a Petrobras! Viva a engenharia nacional!