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Vazamentos da “lava jato” potencializaram perdas da Petrobras, dizem advogados

Por Sergio Rodas | Via Conjur

Os vazamentos de documentos e de partes da investigação da operação “lava jato” potencializaram as perdas da Petrobras — que, de acordo com balanço divulgado na quarta-feira passada (22/4), foram de R$ 21,6 bilhões em 2014.

Essa é a opinião de advogados ouvidos pela revista Consultor Jurídico. De acordo com o criminalista Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, responsável pela defesa da ex-governadora do Maranhão Roseana Sarney (PMDB) e dos senadores Romero Jucá (PMDB-RR), Edison Lobão (PMDB-MA) e Ciro Nogueira (PP-PI) no caso, a exploração midiática do caso, “sem sombra de dúvida, causou esse prejuízo, não só à Petrobras, mas a setores ligados a ela”.

Exploração midiática do caso aumentou prejuízo ao setor, diz Kakay.

“Essa espetacularização foi extremamente nociva, e nós, operadores do Direito, temos que pensar nisso. O processo penal deve ocorrer? Claro que deve. Mas com as cautelas legais, sem colocar na mídia diretamente, até porque as culpas ainda não estão formadas. Virou um espetáculo circense ali: tudo televisionado, todas as delações divulgadas quando a força-tarefa e o juiz bem entendiam… Para a defesa, era mais difícil saber das acusações contra seus clientes do que para a imprensa”, criticou o advogado.

Para ele, a imprensa “inflou” esse processo ao dar destaque “todos os dias” a membros do Ministério Público e ao sacralizar a imagem do juiz federal Sergio Fernando Moro, responsável pela condução do caso, que foi eleito “Homem do ano” pelo jornal O Globo e pela revista IstoÉ.

Kakay lembra que, desde o começo da “lava jato”, alertou para os perigos de uma investigação não cuidadosa, que poderia atingir não só as empreiteiras acusadas de corrupção na Petrobras, mas também a economia e os empregos do país. Hoje, “infelizmente, vemos empresas quebrando, desemprego enorme no setor petrolífero do Rio de Janeiro”, lamenta o criminalista.

Segundo Alberto Zacharias Toron, advogado da UTC no caso, a “exposição do caso na mídia, facilitada em muito pelo levantamento do sigilo, deu azo à desvalorização da Petrobrás”. No entanto, ele ressalva que esse é um acontecimento inevitável em uma democracia.

O especialista em Direito Penal diz que não se pode apontar a corrupção como principal responsável pelos prejuízos da estatal, uma vez que, no próprio relatório divulgado pela Petrobras, a má-gestão da petroleira é culpada pela maior parte do rombo.

Heloísa Estellita diz que não há relação direta entre vazamentos e prejuízo.

Já a criminalista e professora da Fundação Getulio Vargas Heloisa Estellita entende que os documentos da operação “lava jato”, por si só, não geraram as perdas. Contudo, a forma seletiva pela qual foram divulgados pode ter tido algum impacto negativo para a estatal. Mesmo assim, ela acha difícil que haja uma relação direta.

“Vamos imaginar que não revelassem documentos, mas só alguns dados, informações genéricas, como um trecho de uma decisão judicial dizendo que a estimativa é que foram movimentados a titulo de pagamento de corrupção x bilhões relativos à Petrobras. Isso já seria danoso o suficiente. Agora, óbvio que o ‘auê’ que a mídia fez com relação ao caso da Petrobras causa prejuízos para ela. Mas não confirma essa relação direta. Esta é muito mais clara entre as pessoas físicas processadas e a divulgação dos documentos”, analisa Heloisa.

Brasil dará “prioridade absoluta” a educação infantil e básica, diz ministro

Via Agência Efe

As necessidades educacionais dos sistemas infantil e básico serão “prioridade absoluta” do Brasil em um plano para conseguir avançar na cooperação internacional em educação, afirmou o ministro da Educação, Renato Janine, em entrevista à Agência Efe.

“A prioridade absoluta do Ministério é onde a educação está mais fraca e precisando mais: na creche, na educação infantil e na educação básica como um todo. Há muito conhecimento gerado internacionalmente com o qual podemos dialogar, conhecer e trocar experiências”, declarou Janine.

O ministro da Educação, Renato Janine, durante entrevista nesta segunda-feira em São Paulo. EFE/Sebastião Moreira

O ministro reiterou que estes setores serão “preeminentes” para a realização de acordos de cooperação internacional por representarem uma prioridade “ética e política” para que a população tenha acesso a serviços básicos – saúde, trabalho e educação.

“A injustica social mais grave está na condenação das criancas mais pobres a uma vida de educação baixa, salários baixos, saúde baixa. Em uma sociedade democrática, você não pode conviver e aceitar que uma grande massa não tenha acesso ao que é absolutamente necessário”, disse.

Sobre o “Ciências sem Fronteiras”, o ministro adiantou que não pode garantir novos editais até que seja melhor delimitado o orçamento federal.

“Nós não temos uma definição orçamentária final, e com base nisso não sabemos se podemos abrir outros editais, mas quem está no processo, continua”, afirmou.

Segundo o ministro, dependendo de como as verbas orçamentárias fluírem durante o ano, será possível falar da destinação dos royalties do pré-sal para a área.

“O projeto de educação no Brasil vai depender de como as verbas vão fluir. Ainda não sabemos na prática como vai funcionar, mas há um compromisso, uma política de Estado de que esse dinheiro (do pré-sal) seja destinado à Educação, por isso o governo não quer abrir mão do pré-sal e da Petrobras, por exemplo”, esclareceu.

O ministro, que participou hoje do evento “Brazil: Surfing Global Trends”, realizado pelo Instituto de Relações Internacionais da Universidade de São Paulo, também defendeu um projeto de educação sistêmico, em que o ensino superior é articulado junto com a educação básica, o que vem sendo foco desde a gestão de Fernando Haddad, durante o governo de Luiz Inácio Lula da Silva, de 2006 a 2010.

“Não podemos despir um santo para vestir o outro. A ideia é atacar em várias frentes ao mesmo tempo, mas de maneira articulada, de forma que se pulveriza a ação governamental, e pelo menos há 20 anos temos uma ênfase muito forte dos ministros anteriores a dar prioridade à educação básica”, detalhou o ministro.

Antes da entrevista, em sua palestra, o ministro falou sobre avanços e barreiras dos sistemas democráticos, enfatizando a inclusão nas agendas legislativas das necessidades de educar e conscientizar populações contra o preconceito religioso e de orientação sexual.

“Estamos longe da igualdade no mundo. Estamos falhando para o avanço da democracia”, afirmou Janine ao público, lembrando que é preciso dar o direito de escolha a qualquer indivíduo, que no momento, segundo ele, é “limitado”.

Marco Civil da Internet busca consenso para regulamentação

Via Correio do Brasil

Os debates sobre Marco Civil e proteção de dados pessoais foram prorrogados até 5 de julho

Com um ano completado nesta semana, o Marco Civil da Internet aguarda regulamentação para detalhar, de forma mais precisa, pontos importantes e polêmicos da lei que também é chamada de Constituição da Internet. Apesar de a regulamentação não ter sido finalizada, sob a justificativa de se buscar um texto o mais consensual possível, de forma a facilitar sua tramitação no Legislativo, governo e provedores têm comemorado os benefícios do Marco Civil para aqueles que usufruem da grande rede.

– O governo tem uma avaliação muito positiva sobre esse primeiro ano do Marco Civil. Ao longo desse período vimos que a dimensão que projetamos durante os debates foi consolidada. Mais do que uma lei, o Marco Civil brasileiro é referência para o debate mundial sobre a relação entre população e internet, deixando claros direitos e garantias das pessoas e dando segurança jurídica às empresas do setor – disse à Agência Brasil o secretário de Assuntos Legislativos do Ministério da Justiça, Gabriel Sampaio.

A fim de se chegar a um texto final mais consensual para regulamentar o Marco Civil, e dessa forma ter menos resistência durante sua tramitação no Congresso Nacional, o governo tem buscado contribuições por meio do site do Ministério da Justiça. Ainda não há data prevista para conclusão do texto, mas, segundo Sampaio, a expectativa é que ocorra no segundo semestre deste ano. “Até dia 30 de abril vamos manter uma plataforma [de consulta pública, disponível no site do Ministério da Justiça] para receber contribuições para alguns dos eixos da regulamentação do Marco Civil. Em especial, para os que tratam da neutralidade da rede; da guarda de registros de aplicação e conexão; e da privacidade”, disse o secretário. O quarto eixo é mais genérico, abrangendo os “demais temas”.

Os debates sobre Marco Civil e proteção de dados pessoais foram prorrogados até 5 de julho, na busca por mais interações. Após o encerramento da fase de coleta de sugestões, terá início a etapa de sistematização das propostas. “Possivelmente faremos uma nova rodada de debates a partir de um texto base e, só depois, o texto será encaminhado à Presidência da República. Nossa expectativa é que isso seja feito no segundo semestre deste ano. Mas, se for da vontade da presidenta (Dilma Rousseff), poderemos antecipar isso, porque o trabalho já está bem avançado. Não há pressa, porque o que buscamos é o consenso”, explicou Sampaio.

A regulamentação tratará, entre outras coisas, das exceções previstas para o Marco Civil. Algumas delas voltadas à priorização de serviços de emergência, de utilidade pública, saúde e outras relativas aos requisitos técnicos a serem adotados para a prestação de serviços de internet. “Tudo será analisado, até para tecnicamente sabermos se há algum tipo de degradação ou discriminação de dados que possam prejudicar o usuário da rede”, acrescentou.

Um dos pontos mais polêmicos é o que trata da neutralidade da rede, item segundo o qual pacotes de dados têm a obrigação de serem tratados de forma isonômica, em termos de qualidade e velocidade, sem distinção de conteúdo, origem, destino ou serviço.

Representante dos provedores regionais de internet,  em geral, empresas que apesar de menor porte estão espalhadas por todo o país, principalmente nas localidades que não despertaram tanto interesse para os grandes do setor, a Associação Brasileira de Provedores de Internet e Telecomunicações (Abrint) sempre foi favorável à neutralidade da rede. “Sem ela, as empresas de menor porte seriam muito prejudicadas. Muitas quebrariam, o que resultaria em monopólio no setor. Em outras palavras, impediria a evolução da própria internet”, explicou o presidente da entidade, Basilio Rodriguez Perez.

Segundo ele, “a internet é um ambiente em constante evolução, que permite o surgimento quase instantâneo de empreendimentos como Facebook e Youtube, que são bastante recentes. Outros, que nem eles, aparecerão. Sem neutralidade, no entanto, qualquer novo serviço que afete as empresas que já estão operando poderá ser prejudicado, evitando que a evolução se perpetue”, acrescentou.

Segundo a Abrint, grandes operadoras têm sido “criativas”, no sentido de desobedecer as regras de neutralidade, mesmo após a sanção do Marco Civil da Internet. “Algumas ofertas disfarçadamente mexem na neutralidade ao não contabilizar como tráfego de dados os acessos a algumas redes sociais. Isso fere a neutralidade, porque para deixar esse acesso liberado, eles bloqueiam as demais redes equivalentes”, disse.

– O que eles têm feito é prejudicar o restante, tirando do usuário o poder de decisão sobre o que ele pode ver. A pessoa acha que está sendo beneficiada, por ter facilidades para um determinado acesso. Mas, na verdade, está sendo prejudicada para os demais acessos – completou o presidente da Abrint.

Trabalhadores vaiam e protestam durante visita de Eduardo Cunha a Campo Grande

Por Luiz Felipe Fernandes | Via Uol

Eduardo Cunha é recebido com protesto em Campo Grande

Cerca de 150 manifestantes ligados a sindicatos estão reunidos em frente à sede da Federação das Indústrias de Mato Grosso do Sul, na manhã desta sexta-feira (24), em protesto à visita do presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

O deputado está em Campo Grande para presidir mais uma sessão do programa Câmara Itinerante, que discute o pacto federativo e a reforma política.

Os manifestantes seguram cartazes em que Eduardo Cunha aparece como “inimigo número um da classe trabalhadora”. Eles vaiaram e gritaram palavras de ordem assim que os carros da comitiva oficial do deputado entraram na garagem do prédio.

“O deputado vem discutir uma reforma política que defende o financiamento empresarial das campanhas, que, no nosso ponto de vista, é uma corrupção institucionalizada”, disse Elvio Marcos Vargas, presidente do Sindicato dos Eletricitários de Mato Grosso do Sul.

Outro ponto criticado pelos trabalhadores é o projeto de regulamentação da terceirização, aprovado na última quarta-feira (22) na Câmara dos Deputados. Parlamentares sul-mato-grossenses que apoiam o projeto também foram alvo dos protestos.

Mais cedo, Eduardo Cunha visitou a Escola Juliano Varela, especializada no atendimento a pessoas com síndrome de Down.

Protestos

Manifestações contra o presidente da Câmara também ocorreram em eventos em São Paulo, João Pessoa e Porto Alegre. Na capital da Paraíba, Cunha chegou a ser impedido de falar pelos manifestantes.

Cunha também é alvo dos movimentos LGBT por defender projetos considerados conservadores.

De Campo Grande, o deputado segue viagem para Cuiabá, onde, pela tarde, visitará o Hospital do Câncer de Mato Grosso e também presidirá sessão itinerante.

O programa Câmara Itinerante realiza sessões em diferentes regiões do país. O objetivo é aproximar o legislativo federal e a população, para que os parlamentares ouçam as necessidades locais.

Termina sem acordo negociação entre governo de São Paulo e professores

Por Camila Maciel | Via Agência Brasil

Terminou sem acordo mais uma reunião entre professores paulistas em greve e o secretário estadual de Educação, Herman Voorwald, hoje (23) na sede do órgão, no centro da capital. A paralisação já dura 42 dias. Após a reunião, um grupo de professores tentou ocupar o prédio do órgão e foi reprimido pela Polícia Militar (PM) com gás de pimenta. Neste momento, os professores fazem passeata pela região central. De acordo com o Sindicato dos Professores no Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp), importantes vias de São Paulo devem ser bloqueadas nesta tarde.

A presidenta da entidade, Maria Izabel Noronha, lamentou que em mais um encontro com o gestor da pasta não se tenha avançado em uma proposta que garanta a valorização dos docentes e o encerramento da greve. “Foi muito ruim. [O secretário] não apresentou nada. Quando a gente esteve em 30 de março aqui disseram que em abril poderiam ter números. Agora já diz que não tem”, relatou. Na avaliação dela, o governo estadual adotou a posição de não apresentar nenhuma proposta enquanto os professores estiverem em greve. “A nossa posição é de continuidade de greve. Não tem jeito. A tendência é radicalizar, não tem outra coisa”.

A categoria reivindica um aumento salarial de 75,33%. “Não vamos acabar com a greve. Ainda temos zero”, declarou a presidenta. Os professores pedem também a redução do número de alunos por sala para um máximo de 25 estudantes por classe. Izabel critica a política de bônus como principal meio para a valorização profissional. De acordo com ela, o bônus foi uma opção do governo, mas que só beneficia uma parte da categoria e não é incorporado ao salário-base. A estimativa da Apeoesp é que 60% dos professores tenham aderido à greve.

Antes do início da caminhada, houve a tentativa de ocupação da sede da secretaria de Educação. O secretário de Comunicação da Apeoesp, Roberto Guido, destacou que essa iniciativa não teve o respaldo da direção da Apeoesp, mas acredita que esse tensionamento está relacionado à falta de resposta do governo estadual. “Depois de 42 dias de greve, os professores estão tensos, ansiosos, criam expectativa e se o governo age desta maneira, a tendência é radicalização com ações mais arrojadas. Vamos continuar forçando negociação com quem pode de fato decidir. Isso passa pelo próprio governador e chefe da Casa Civil”, avaliou.

Moro libertou única testemunha que falou contra tucano na Lava Jato

Via Jornal GGN

O inquérito que investiga a participação do senador e ex-governador Antonio Anastasia (PSDB) na Lava Jato corre o risco de ser esvaziado por falta de informações. Isso porque a única testemunha que implicou o sucessor de Aécio Neves (PSDB) em Minas Gerais com o esquema de propinas revelado na Petrobras não foi localizada pela Polícia Federal. A corporação pediu ao relator do caso no Supremo Tribunal Federal, Teori Zavascki, mais 30 dias para encontrar o policial federal afastado Jayme Alves de Oliveira Filho, mais conhecido como “Careca”.

Careca disse, em delação premiada às autoridades da Lava Jato, que entregou cerca de R$ 1 milhão em propina para Anastasia, a pedido do doleiro Alberto Youssef. Quem, na prática, patrocinou o “desaparecimento” de Careca foi Sergio Moro. O juiz federal autorizou, em novembro de 2014, que Careca respondesse ao processo em liberdade. Para substituir a prisão preventiva, Moro pediu o afastado de Careca da PF e solicitou que ele entregasse seu passaporte. Ele também foi proibido de mudar de endereço.

À época, o Ministério Público Federal emitiu parecer no qual sugeria que a prisão temporária de Careca fosse convertida em prisão preventiva. Moro negou. Na Lava Jato, a defesa de outros delatores – a maioria, executivos de grandes empreiteiras – tem criticado o juiz federal, argumentando que ele tem explorado prisões preventivas como modo de obter delações premiadas.

O magistrado determinou que Careca comparecesse “a todos os atos processuais e ainda, perante a autoridade policial, MPF [Ministério Público Federa] e mesmo perante este Juízo, mediante intimação por qualquer meio, inclusive telefone”, diz um trecho da decisão. O descumprimento das medidas cautelares poderia causar a renovação da prisão cautelar, advertiu.

Careca precisa confirmar a denúncia contra Anastasia e prover detalhes, pois só assim o inquérito contra o tucano pode prosseguir, afirmou o delegado Thiago Delabary na carta enviada ao STF.

O ex-policial federal também é essencial para esclarecer a suposta participação do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), com os desvios de dinheiro da Petrobras. O inquérito aberto no Supremo contra o peemedebista se baseia em relato de Careca de que ele entregou propina a Cunha no Rio de Janeiro.

A defesa de Anastasia contestou o inquérito aberto e pediu o arquivamento das investigações com o argumento de que não há indícios contra o senador. Antes de decidir, Zavascki pediu a opinião do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, sobre o caso, e autorizou que a PF continue procurando a testemunha para depor.

Comercial da Fiesp pró terceirização é abuso de poder econômico

Por Eduardo Guimarães | Via Blog da Cidadania

Quarta-feira, 22 de abril de 2015. Mais uma vez, os que supostamente seriam “representantes do povo” reúnem-se na Câmara dos Deputados para votar os destaques do projeto de lei 4330, que não votaram na semana passada devido à pressão que CUT, CTB, MST, MTST, UNE e outros vêm fazendo para impedir uma tragédia para o trabalhador brasileiro.

A aprovação do PL 4330 significa, na prática, que os empresários – sobretudo os grandes empresários – terão à disposição um meio de simplesmente ignorarem a Consolidação das Leis do Trabalho e para extinguir, com uma canetada do Poder Legislativo, a forte valorização que os salários dos trabalhadores experimentaram ao longo da última década.

A aprovação desse projeto de lei, da forma como está, fará a legislação trabalhista retroceder décadas no Brasil. O trabalho assalariado se tornará mais precário e o empregador terá um instrumento que lhe permitirá dar um golpe de morte no movimento sindical.

Eis que, na véspera dessa votação (21/4), no intervalo do Jornal Nacional, da Globo, – assim como em outras redes de televisão –, o país é atacado por uma peça publicitária que tenta ludibriar dezenas e dezenas de milhões de brasileiros.

Ao custo de uma quantidade formidável de dinheiro para veicular essa peça no horário mais caro da televisão brasileira, a Federação das Indústrias de São Paulo (FIESP) divulga essa enganação, aproveitando-se de sua riqueza extrema, auferida ao longo do século XX ao custo de uma literal exploração vil do trabalho assalariado.

Abaixo, a propaganda milionária da Fiesp para enganar o trabalhador brasileiro.

O garoto-propaganda da Fiesp, Paulo Skaf, candidato derrotado ao governo de São Paulo, mente. Como pode ser bom para o trabalhador colocar um intermediário entre ele e aquele que empregará sua mão-de-obra? Para esse intermediário ser remunerado, ou o empregador tem que pagar mais ou o empregado tem que ganhar menos.

A peça publicitária que você assistiu acima, mente.  Ela induz o expectador a crer que o projeto de lei da terceirização se destina aos que já são terceirizados, quando, na verdade, ela serve para permitir que quem não é terceirizado seja jogado nesse regime.

Se as centrais sindicais e os movimentos sociais que lutam contra a terceirização tivessem dinheiro como a Fiesp, poderiam fazer uma peça publicitária para contestar a da federação empresarial dando a explicação simples que você leu acima, perguntando ao público se cada um tem vontade de se tornar terceirizado, pois é isso que o PL 4330 irá gerar.

A Fiesp, uma associação de patrões, está se contrapondo a associações de trabalhadores. Pela lógica, como para cada empregador existem milhares de empregados, não deveria ser difícil impedir essa tragédia para a esmagadora maioria dos brasileiros. O que permite que tal absurdo aconteça é o dinheiro, que possibilita fazer pessoas apoiarem o que as prejudica.

Na verdade, as centrais sindicais deveriam ingressar na Justiça contra essa peça publicitária, que torna desigual a disputa por corações e mentes. Os atos públicos que ocorrerão nesta quarta-feira não terão como se contrapor à veiculação dessa farsa em horário nobre e no meio de difusão mais poderoso que existe: a televisão.

Só o que se pode fazer é tentar a guerrilha da informação, na internet e nas ruas. Nesta quarta-feira, faça a sua parte na rede, no espaço público. Divulgue os fatos, dê a quem puder essa explicação tão simples que figura neste texto. Até uma criança é capaz de entender, mas para alguém entender alguma coisa precisa de explicação.