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Repressão israelense no Paraguai

Por Tania J. Faillace

Em sua edição do dia 06/05, o site argentino Resumen Latinoamericano informa que o governo paraguaio acaba de assinar acordo de cooperação com o governo israelense na política de segurança do Paraguay contra os movimentos sociais e indígenas, que lá são considerados “terroristas”.

Isso já acontece com Colômbia e México, e provavelmente também acontecerá com Peru, e talvez Uruguay.

Trata-se de mais um passo da ingerência dos países hegemônicos associados aos EUA em relação aos países e povos da América latina.

Lembremos que Mossad já tem visto de residência na Colômbia, e que faz uns poucos anos invadiu Equador para matar expressamente a Raul Reyes, das FARC e, segundo parece, quando estava dormindo.

Israel, como se sabe é um campeão de Direitos Humanos, inclusive na faixa de Gaza e nas escaramuças que se travam eternamente no Oriente Médio.

Venho alertando aos companheiros que essa política está chegando até nós. E que o cerco ao governo brasileiro, e, mais especificamente, à presidente Dilma tem como instrumento de ameaça desencadear atentados terroristas no território brasileiro, no que Mossad e CIA são exímios “artistas”.

Lembremos que está prevista a instalação de mais uma base militar norte-americana na Tríplice Fronteira , próximo a Itaipu, uma das chaves da produção de energia elétrica no País.
Se somarmos a essa notícia a notícia dos exercícios militares em vários estados norte-americanos para preparar a repressão aos movimentos sociais e de Direitos Humanos naquele País, verificamos que está sendo preparada a instalação de uma DITADURA IMPERIALISTA de caráter pancontinental, atendendo aos projetos da NWO (Nova Ordem Mundial) mas em caráter de aceleração desvairada.

Lembremos também que forças extras britânicas dirigiram-se no mês passado para as Ilhas Malvinas. Que os ianques fizeram exercícios militares com os peruanos em seu país. Somem-se uma informação a outra, e chega-se… onde?

Zara é autuada por não cumprir acordo para acabar com trabalho escravo

Por Camila Maciel | Via Agência Brasil

A grife Zara, que produz e vende roupas masculinas e femininas e pertence ao grupo espanhol Inditex, foi autuada pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) por descumprir o Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) firmado em 2011 para corrigir condições degradantes que caracterizaram trabalho escravo na cadeia produtiva da empresa.

De acordo com a superintendência do órgão federal em São Paulo, uma auditoria com 67 fornecedores da marca mostrou 433 irregularidades em todo o país, como excesso da jornada de trabalho, atraso nos pagamentos, aumento dos acidentes, trabalho infantil, além de discriminação pela exclusão de imigrantes da produção, o que pode resultar em multa de mais de R$ 25 milhões.

Há quatro anos, a Zara foi autuada por manter 15 trabalhadores de nacionalidades bolivianos e peruanos em condição análogos à de escravo na atividade de costura.

As oficinas subcontratadas pela marca receberam 52 autos de infração. Entre as irregularidades, foram constatadas jornada de trabalho excessiva, servidão por dívida e situação precária de higiene.

Na época, a empresa disse desconhecer esse tipo de exploração. Pelo TAC, assinado com o Ministério Público do Trabalho (MPT), a Zara deveria ter detectado e corrigido novas violações, por meio de auditoria interna, melhorando as condições gerais de trabalho na empresa.

O relatório mostra que mais de 7 mil trabalhadores foram prejudicados pelas irregularidades em fornecedoras da Zara. Entre eles, 46 empregados estavam sem registro em carteira, 23 empresas estavam em débito de Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e 22 tinham jornadas excessivas, irregulares ou fraudadas.

Em relação aos acidentes de trabalho, verificou-se um aumento de 73, em 2012, para 84 casos, no ano passado. A auditoria foi solicitada a partir da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Assembleia Legislativa de São Paulo que investigou trabalho escravo. As fiscalizações ocorreram entre agosto de 2015 a abril deste ano.

Para o Ministério do Trabalho e Emprego, a empresa não só continuou a cometer infrações à lei trabalhista como utilizou as informações da auditoria para excluir imigrantes da produção. “Utilizou-se das ferramentas de fiscalização de natureza privada para identificar fornecedores com risco potencial de exploração de trabalho análogo à de escravo, excluindo-os unilateralmente de sua cadeia produtiva, em vez de identificar situações reais de lesão aos direitos humanos, corrigi-las e comunicar às autoridades, de acordo com o que determinava o TAC”, diz relatório da superintendência regional. Por conta da fiscalização, a empresa transferiu parte de sua produção para outros estados, como Santa Catarina.

Pelos cálculos do ministério, a empresa deve pagar R$ 25 milhões pelo descumprimento do acordo e R$ 850 mil pela atitude discriminatória. “Trabalhadores migrantes, notadamente de origem boliviana, foram excluídos de sua cadeia produtiva, razão pela qual a empresa foi autuada por restringir o acesso ao trabalho por motivos de origem e etnia do trabalhador”, explica o relatório do órgão. A estimativa do MTE é que 157 imigrantes que trabalhavam em 35 oficinas foram desligados. O relatório aponta ainda que cerca de 3,2 mil postos foram fechados em São Paulo por causa do deslocamento da produção da empresa para outros estados.

O ministério destacou ainda que a Zara foi omissa quando da contratação de uma oficina, onde se constatou trabalho escravo em novembro do ano passado. Foram flagrados 37 trabalhadores em situação degradante, que costuravam para as Lojas Renner. “A fiscalização constatou que, no período de 14 de agosto de 2013 a 23 de setembro de 2013, esse grupo de oficinas também havia produzido 8.450 peças de roupas da Zara”, diz o documento. A grife espanhola, no entanto, apesar do acordo firmado com o MPT, não informou aos órgãos competentes as irregularidades deste fornecedor. A Zara não foi responsabilizada por causa da ausência do flagrante.

Em resposta à organização não governamental Repórter Brasil, que publicou reportagem sobre o caso, a Inditex informou que está contestando legalmente os autos de infração, pois considera que acusações infundadas e que não contêm fato específico que viole o TAC.

Em relação à prática discriminatória, a multinacional diz que não intervem no recrutamento dos empregados de companhias com as quais mantém relacionamento comercial. Acrescenta que a Zara é apenas um entre os vários clientes desses fornecedores e que a empresa representa menos de 15% da produção desses fabricantes.

Sobre o fornecedor que foi flagrado posteriormente empregando mão de obra escrava, a Inditex diz que ele foi submetido a auditoria interna e não foram constatadas situações de trabalho comparáveis a de escravidão. Para a empresa, contestar esse fato é colocar em dúvida companhias especializadas em autoria privada de “reconhecido prestígio internacional”.

As demais violações, como trabalho infantil e funcionários sem registro em carteira, são contestadas. Sobre jornadas excessivas e débitos de FGTS, alega que medidas corretivas foram adotadas.

Pentágono – Operação Jade Helm 15

Por Dr. Nestor García Iturbe

Recentemente começou a divulgar-se informações sobre a operação “Jade Helm 15”, cuja tradução pode ser “timão de jade 2015”. O que saiu à luz pública sobre a operação em questão foi publicadas por divulgadores contrários aos interesses do Pentágono, como INFOWARS, principalmente pelos jornalistas Alex Jones e Juan Jimenez de Leon.

De acordo com o publicado, a operação “Jade Helm 15” se desenvolverá em diferentes estados do Sul e Oeste dos EUA, como Texas, Novo México, Arizona, Califórnia, Nevada, Utah e Colorado.

O objetivo dessa operação é ocupar os estados onde os insurgentes ganharam força e, portanto, a situação se tornou “ingovernável” para as cidades. A polícia, outras agências repressivas, e a Guarda Nacional são as encarregadas de manter ‘a ordem’ no intuito de impedir que uma ‘primavera política’ adquira força e os insurgentes tomem o poder. A diferença é que intervirão também as unidades do Pentágono com todo seu poderio bélico.

A data para o início da operação será o 15 de julho e deve terminar a 15 de setembro deste ano. A operação em si deve ter uma duração máxima de dois meses, ainda que tudo se desenvolva favoravelmente às forças estadunidenses, podendo durar um pouco menos.

Os jornalistas informaram que as forças implicadas na Jade Helm 15 incluirão pessoal altamente treinado da U.S. Army Special Forces Command (comando das forças especiais do Exército) ou Boinas Verdes, U.S. Navy SEALS (Marinha), U.S. Air Force Special Operations Command, USMC Marine Special Operations Command, USMC Marine Expedicionary Units, a 82and Airborne Division, às quais se juntarão a Guarda Nacional, a polícia, e outras agências paramilitares dos estados em que a operação será desenvolvida.

O exercício foi organizado pelo Departamento de Defesa (DoD), e para a frente do mesmo foi designado o general Ashton Carter, que executará essas tarefas como parte das ações a serem desenvolvidas pelo United States Special Operations Command (USSCOM), e o general Gerald “Jake” Betty estará presente durante as operações.

Em documentos recentes da Guarda Nacional, os cidadãos estadunidenses que participam em protestos são qualificados como “forças inimigas” e “adversários”.

Se coloca que o desenvolvimento, pelo Pentágono do que se foi chamado “Técnicas de Domínio Humano”, onde se acumula a informação obtida sobre as pessoas por meio da Internet, Facebook e outros sistemas similares são de grande ajuda para operações como esta. “Eles estão construíndo a infra-estrutura da tirania”, declarou David Knight, de INFOWARS, ao conhecer as declarações do tenente coronel Al Di Leonardo sobre a utilização dessa informação e a classificação que o Pentágono usava em relação ás regiões de acordo com a periculosidade das mesmas.

Esse é um exercício planificado contra cidadãos estadunidenses, que exponham seu desacordo com a situação existente no país, ou que protestem pelos assassinatos cometidos pela polícia. Exercício dirigido por um Comando do Pentágono, o United States Special Operations Command (USSOCOM), cuja missão é precisamente manter a ordem estabelecida dentro do país pela classe dominante, e tudo isso financiado pelo dinheiro dos contribuintes, os mesmos “insurgentes” proporcionam o financiamento dos projéteis que os matarão.

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Tradução: Tania Faillace

Como criar dinheiro? A Islândia explica

Por João Malhadeiro | Via Público

A ideia da Islândia é gerar um novo sistema para a criação de dinheiro, eliminando o papel dos bancos comerciais.

A Islândia prepara-se para ser um laboratório de reformas económicas e financeiras. A ideia é gerar um novo sistema para a criação de dinheiro, eliminando o papel dos bancos comerciais. Conseguirá Reiquejavique ser bem-sucedida? Se tal acontecer, estaremos perante uma revolução total do sistema monetário e financeiro tal como o conhecemos atualmente.

Primeiro que tudo, há que ter em conta que os bancos comerciais têm a capacidade de criar dinheiro. Como tal, estes utilizam os empréstimos para que seja possível criar depósitos, sendo precisamente este mecanismo que o Governo islandês pretende combater. Assim, a grande transformação assentaria no impedimento dos bancos de criarem dinheiro a partir de empréstimos, devolvendo este “poder” a um forte banco central.

O contexto islandês não poderia ser mais propício a esta ideia embrionária. A pequena ilha de 330 mil habitantes, foi recentemente afetada por uma crise financeira que destruiu a sua economia. Como tal, o Governo encomendou este estudo que representaria uma inversão e uma alteração radical do sistema financeiro moderno.

Desta forma, esta alternativa permitiria um banco central com o monopólio da criação de dinheiro, tendo como principal função o apoio ao crescimento económico. Para além disto, possibilitaria que o dinheiro fosse transferido para o Governo para este poder ser utilizado no crescimento e desenvolvimento da economia do país. No entanto, os bancos sairiam claramente prejudicados, visto que passariam a ter o simples papel de meros intermediários, recebendo depósitos e concedendo empréstimos.

O projeto tem dividido o mundo da economia e finanças. Quem defende este tipo de estratégia, argumenta que este modelo permitira ao estado um papel mais interventivo na economia do país e uma maior fonte de receitas. No entanto, os mais críticos classificam o modelo como “soviético”, indicando que era o regresso a um modelo em que o setor público dita as regras do mundo financeiro e do dinheiro.

O debate em torno da questão está longe de terminar, dado que esta matéria continua a dividir a opinião de diversos especialistas. No entanto, o Governo islandês pretende voltar a inovar e a ser um exemplo na gestão de crises quando comparado com outros países europeus. Destacou-se na rápida condenação de banqueiros, acusados de manipulação de mercado, bem como na rejeição à União Europeia, tendo em conta a crise desta e a fantástica recuperação da economia islandesa.

Sendo assim, será que a pequena ilha estará disposta a passar do papel à prática e servir como experiência deste modelo, que pode revolucionar o sistema financeiro? A decisão ainda está longe de ser tomada, mas a Islândia volta a marcar uma posição e a dar passos no sentido de contrariar as crises financeiras que afetam o país e a servir de exemplo a outros países europeus, na direção de criar uma nação próspera, que já ultrapassou ao longo da sua história por vinte crises financeiras.

Petrobras quer concluir obras no Comperj e refinaria no Nordeste o quanto antes

Via Correio do Brasil

Funcionários do Comperj estão com salários e outros benefícios atrasados

A conclusão de refinarias em Pernambuco e no Rio de Janeiro estará prevista no Plano de Negócios 2015-2019 da Petrobras a ser divulgado até junho, mas ainda há incertezas sobre quando e como serão efetivados os investimentos para o encerramento das obras nas unidades envolvidas no escândalo de corrupção, de acordo com uma fonte próxima à companhia. A finalização da Refinaria do Nordeste (Rnest), também conhecida como Abreu e Lima, e do Comperj dependerá do fôlego da estatal para aportes e da disponibilidade de empreiteiras, uma vez que as maiores estão proibidas de fechar novos contratos com a petroleira em razão dos desvios apontados pela Polícia Federal.

Eventuais investidores interessados em ter uma fatia minoritária nos ativos de refino –ainda que a política de preços de combustíveis no Brasil seja pouco estimulante para um sócio privado– também poderiam ajudar na conclusão dos projetos, disse a fonte, que está envolvida na elaboração do plano.

– As duas (refinarias) estão no plano, e o timing depende de algumas variáveis – afirmou a fonte, na condição de anonimato, sem dar detalhes sobre investimentos projetados para 2015-2019.

Procurada, a Petrobras não comentou imediatamente o assunto.

No balanço do ano passado, a companhia anunciou redução de mais de 44 bilhões de reais no valor de seus ativos, com a Rnest e o Comperj respondendo por cerca de 70% dessa desvalorização, e a empresa citando diversos problemas, como falha no planejamento dos projetos. A estatal ainda contabilizou perdas de R$ 6,2 bilhões de reais por corrupção em 2014. Apesar dos atrasos e dos bilhões já gastos na Rnest e no Comperj, os projetos estarão no plano de negócios porque, com eles, a Petrobras ficará muito próxima de ter a autossuficiência em refino.

A refinaria no Rio de Janeiro está com mais de 80% das obras concluídas e poderá agregar até 200 mil barris de capacidade, disse a fonte. Já o segundo trem de refino da Rnest – o primeiro foi inaugurado em 2014 – também fará parte do plano de negócios, com previsão de agregar 115 mil barris/dia de processamento.

A fonte também confirmou que não mais haverá complexo petroquímico no Comperj. No início de fevereiro, a petroquímica Braskem já havia indicado desistência do projeto. O plano de investimento para os próximos cinco anos da Petrobras, atualizado anualmente, que sempre projeta a maior parte dos aportes para a área de Exploração & Produção, também virá menor que o anterior, disse a fonte, sem detalhar.

Uma boa medida disso é intenção da Petrobras no próximo leilão de áreas exploratórias do governo, em outubro, quando a empresa terá uma atuação “precisa” e “não será megalomaníaca”, disse a fonte. Normalmente, a petroleira domina tais licitações.

Investidores

Para concluir a Rnest e a unidade de refino em obras no Rio de Janeiro, a Petrobras cogita a possibilidade de fechar parcerias com investidores nacionais e estrangeiros. Nas próximas semanas, duas missões de China e Japão estarão no país para estudar oportunidade de investimentos no Brasil, incluindo ativos da Petrobras, disse a fonte. Afetada pela corrupção, queda do preço do barril de petróleo e um endividamento crescente, a estatal tem agora um plano de desinvestimentos em 2015 e 2016 mais agressivo, de cerca de US$ 13 bilhões.

– Se aparecer um interessado nesse investimento, o que permitiria sobra de caixa para outros projetos, vamos fazer essa parceria. Poderíamos dar 10% ou 20% de uma refinaria, por que não? – questiona.

Um investidor privado de fora do Brasil para a área de refino, porém, certamente teria mais interesse em atuar no país com uma política mais transparente de reajustes de combustíveis e que reflita cotações de mercado. A nova diretoria da estatal, no entanto, tem evitado fazer comentários detalhados sobre os preços administrados do governo.

Projetos e pagamentos

O “timing” para o andamento de Comperj e Rnest esbarra na capacidade de investimentos e também nos prestadores de serviço acusados de envolvimento no esquema de sobrepreço em projetos e pagamentos de propinas. Dependendo do andamento das investigações e dos acordos de leniência entre empreiteiras e governo, além das decisões judiciais, a Petrobras poderia recorrer a empresas de fora do país, caso fornecedores locais continuem impedidos de realizar negócios com a estatal, em função dos casos de corrupção. E a fonte acrescenta:

– Há dois problemas para esses projetos: capacidade de investimento e problema de fornecedor. Quando os fornecedores vão fazer acordo com a Justiça e vão estar novamente habilitados para continuar? O outro problema é: em não havendo acordo de leniência, há no mercado fornecedor capacitado para continuar?.

A ideia da estatal, superadas as adversidades, é primeiro finalizar a obra do Comperj e depois concluir a obra da refinaria de Pernambuco, que já está em operação com seu primeiro trem de refino.

Produção

A queda na produção mensal de petróleo da Petrobras nos primeiros meses deste ano, na comparação com o mês anterior, tem chamado a atenção do mercado e de analistas sobre a capacidade de recuperação e de geração de caixa da Petrobras. No entanto, disse a fonte, os dados negativos do primeiro trimestre se devem a paradas programadas e não programadas de plataformas, que não comprometem a meta prevista para este ano.

– Isso é comum, tem parada programada, não programada, mais ou menos dias úteis… Mas está tudo muito bem planejado e dentro da ideia de crescimento da produção este ano de pelo menos uns 3%. Dificilmente isso vai ter alteração – adicionou.

A meta da companhia divulgada no início do ano é de um crescimento de 4,5% na produção de petróleo no Brasil em 2015 ante 2014, com variação de 1 ponto percentual para mais ou para menos. Em 2014, a produção da nacional de petróleo da Petrobras somou 2,034 milhões de barris/dia, crescimento de pouco mais de 5% ante 2013 – após dois anos seguidos de queda na extração anual – com a colaboração do pré-sal.

De acordo com a fonte, a produção no pré-sal já chegou a atingir o pico de 808 mil barris/dia de óleo equivalente (boe, petróleo e gás), e a tendência é expansionista, com possibilidade de se atingir 1 milhão de barris até 2016.

A captura do sistema político; complementos e análise

Por Silvio Caccia Bava, comentado por Adriano Benayon | Via Le Monde Diplomatique

Para falar sobre a situação política atual no Brasil é preciso compreender algumas mudanças substantivas que ocorreram no passado recente e criaram as condições para o que chamo de captura do sistema político pelo poder econômico, o maior problema de nossa democracia.

Até 1997, no Brasil, as empresas eram proibidas de financiar campanhas eleitorais. A onda neoliberal mudou esse cenário. Foi com a lei eleitoral n. 9.504/97 que as empresas passaram a poder financiar candidatos e campanhas leitorais. E isso mudou tudo.

A nova lei eleitoral, inspirada no modelo norte-americano, permite que as empresas criem vínculos diretamente com os candidatos, sem qualquer intermediação dos partidos. Os partidos, seus programas e propostas ficam em plano secundário. E, nessa relação direta entre candidato e empresa, o que desejam os doadores? Desejam políticas que atendam a seus interesses privados, desejam a defesa de seus interesses nas arenas decisórias das políticas públicas. Para isso organizam lobbies, pautam a mídia, mas também elegem bancadas parlamentares e influem na escolha de gestores públicos.1

O modelo europeu de financiamento de campanhas eleitorais vai no sentido contrário, valorizando e fortalecendo os partidos políticos, e não as candidaturas individuais. E há países que proíbem o financiamento de campanhas eleitorais por empresas, tais como Peru, Colômbia, México, Canadá, França e Portugal. A Espanha estuda adotar essa nova política agora.2

O financiamento eleitoral por empresas foi modificando cada vez mais a composição do Congresso Nacional e reduzindo à impotência os candidatos com poucos recursos. Se nas eleições de 2002 os gastos totais foram de cerca de R$ 800 milhões, em 2014 eles chegaram a R$ 5,1 bilhões, quase em sua totalidade contribuições feitas por empresas. Além das doações privadas, os partidos políticos receberam R$ 308 milhões de recursos públicos provenientes do Fundo Partidário, e as TVs receberam R$ 840 milhões de isenções fiscais pelo tempo “gratuito” de veiculação de campanhas eleitorais.3

Em média, nas últimas eleições, um deputado federal eleito gastou R$ 1,4 milhão para se eleger; um senador, R$ 4,9 milhões; os candidatos eleitos gastaram onze vezes mais que os não eleitos.4 Os que não contaram com esse aporte financeiro em suas campanhas, por melhores candidatos que fossem, salvo raríssimas exceções, não se elegeram.

Esse fenômeno de captura do sistema político pelo poder econômico é mundial. Nos Estados Unidos, a situação é a mesma. Quando, em janeiro de 2010, a Suprema Corte norte-americana decidiu em favor do financiamento de campanhas eleitorais por empresas, o jornal The New York Times, em editorial, denunciou que esse era “um golpe no coração da democracia, facilitando o caminho para que as corporações empresariais empreguem seus vastos tesouros para inundar com dinheiro as eleições e intimidar os governantes eleitos para que obedeçam a suas determinações”. Noam Chomsky, na mesma época, denunciou: “Essa liberalização financeira cria o que alguns chamam de ‘parlamento virtual’ de investidores e credores que controlam de perto as políticas governamentais e ‘votam’ contra elas, se as consideram ‘irracionais’, quer dizer, se elas beneficiam o povo, e não o poder privado concentrado”.5

O resultado é claro. Em 2014, no Brasil, as dez empresas que mais doaram para as campanhas eleitorais para a Câmara dos Deputados elegeram 360 deputados de um total de 513, isto é, 70% da Câmara Federal.6 O Congresso Nacional de 2015 não está formado por bancadas de partidos políticos, e sim por bancadas de interesses privados que estão distribuídas por todos os partidos.

A bancada ruralista é composta por 374 deputados federais – sendo 118 deles do próprio agronegócio –, distribuídos por 23 partidos. A bancada dos bancos conta com 197 deputados e se distribui por dezesseis partidos. A bancada dos frigoríficos tem 162 deputados alojados em 21 partidos. A bancada das mineradoras tem 85 deputados em dezenove partidos. A bancada da bebida alcoólica conta com 76 deputados em dezesseis partidos.7 Isso para falarmos apenas das maiores bancadas de interesses privados e sem nos referirmos, por exemplo, à bancada evangélica, cuja agenda fundamentalista está longe da defesa do interesse público.

A realidade é que a composição atual do Parlamento brasileiro é de 70% de fazendeiros e empresários (da educação, da saúde, industriais etc.).8

O novo Congresso é militantemente conservador e reacionário. Posta sob um comando errático, que atua ao sabor da disputa política do momento, sob forte influência das bancadas de interesses privados, a Câmara dos Deputados impõe políticas de restrição de direitos, cuja expressão máxima é a proposta de terceirização para todas as atividades de qualquer empresa. É o melhor Congresso que o dinheiro pode comprar.

Adriano Benayon - Este artigo é mais um documento ilustrativo do corruptíssimo sistema político que vige no Brasil, absolutamente incompatível com a democracia e com o desenvolvimento econômico e social.

Um dos aspectos notáveis do artigo é destacar a lei 9.504 de 1997, que permitiu o financiamento de campanhas eleitorais por empresas.

Como não podia deixar de ser, mais um tijolo significativo na construção da ruína do País, assentado durante o primeiro e, como o segundo, fatídico mandato do agente mais deletério para o País com que a oligarquia angloamericana contou, desde que foi controlando seus rumos, com especial toxidade desde agosto de 1954.

Considerando que o Congresso cometeu coisas terríveis para o futuro do País durante todos os quase sessenta anos que decorrem, mesmo antes de 1997, imagine-se o grau de destruição que ele acarreta, desde então.

Deixemos, pois, de questionar a cor da pintura do prédio: temos de encarar a realidade que é uma estrutura corroída a distribuir sua podridão, permanente e crescentemente.

Notar também que, mesmo os países citados no artigo que não têm lei eleitoral tão deletéria, como essa de 1997, estão longe serem reais democracias ou algo próximo a isso. Muito pelo contrário.

Referências:

1 Tiago Daher Padovesi Borges, “Um estudo sobre as doações empresariais e as carreiras nas eleições de 2006”, 36º Encontro Anual da Anpocs, 2012.

2 Mariana Schreiber, “Financiamento empresarial de campanha é proibido em 39 países”, 31 mar. 2015.Disponível em: www.pragmatismopolitico.com.br

3 Mariana Schreiber, op. cit.

4 José Roberto de Toledo e Rodrigo Burgarelli, “Candidatos eleitos gastam em média 11 vezes mais que não eleitos”, Estadão, 7 nov. 2014.

5 Noam Chomsky, “Las empresas toman la democracia de EEUU” [As empresas tomam a democracia dos EUA], Sin Permiso, 8 fev. 2010.

6 Américo Sampaio, “Do que estamos falando quando debatemos o financiamento empresarial de campanha?”. Disponível em: www.escoladegoverno.org.br/artigos/4041.

7 Sandra Gonçalves Costa, pesquisadora da USP. In: Najar Tubino, “Conflitos no campo: o rastro da violência e da política”, Carta Maior, 20 abr. 2015; Frei Betto, “Reforma política já”, Observatório da Sociedade Civil, Abong, 2015.

8 Frei Betto, op. cit.

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Silvio Caccia Bava é diretor e editor-chefe do Le Monde Diplomatique Brasil.

Adriano Benayon é doutor em economia pela Universidade de Hamburgo. Autor do livro Globalização versus Desenvolvimento.

 

Alckmin desconta dias de professores em greve

Via Jornal GGN

O Governo de São Paulo está descontando dos professores da rede estadual os salários dos dias em que eles estiveram em greve. Os holerites começaram a chegar e confirmaram o que os professores já sabiam: o governador Geraldo Alckmin não abonou as faltas motivadas pela luta por mais direitos trabalhistas.

Os descontos ainda são referentes ao mês de março, quando começou o movimento grevista. Em 1º de abril, a Justiça negou o pedido do Apeoesp (Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo) de tutela antecipada contra os cortes nos salários.

Um professor que se ausentou por 19 dias das salas de aula teve um desconto de R$ 1,4 mil. Outro que faltou dez vezes viu um corte de R$ 563.

Hoje, quinta-feira (7), o Tribunal de Justiça vai fazer uma audiência de conciliação e julgar o dissídio coletivo.

Ontem, o governador deu uma coletiva no Palácio dos Bandeirantes e disse que, se pagasse integralmente os salários, não estaria cumprindo com suas obrigações. “O governo não faz o que quer, não tem essa liberalidade, não tem sentido isso. Quer dizer, dá aula, tem frequência, não dá aula não tem frequência. Como é que vai dar frequência pra quem não deu aula? Isso é prevaricação”, afirmou.

Ele argumentou que o Estado paga 26% acima do piso salarial do País, e disse que a greve não tem sentido porque existe diálogo. “O governo, claro que podendo, quer dar o máximo”, disse. Na prática, por outro lado, o governo cortou tudo que foi possível, com respaldo da Justiça e passando por cima dos direitos trabalhistas.

O Supremo Tribunal Federal (STF) já proferiu decisões indicando que não é correto descontar salários de servidores, se as greves não forem consideradas ilegais pela Justiça.

Alckmin afirmou que a adesão à greve é de 2,1% para os professores do período da manhã e 1,9% para os do período da tarde. Ele disse que os alunos estão tendo aula porque os professores titulares estão sendo substituídos por eventuais.

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Com informações do G1.