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O caos ideológico; complementos e análise

Por José Luís Fiori | Via Valor Econômico

Charge de Carlos Latuff

Em meio à crise política e à retração econômica brasileira, o jantar do dia 12 de maio da Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos no Waldorf Astoria de Nova York, reunindo banqueiros, empresários e a políticos da alta cúpula do PSDB, em torno dos ex-presidentes Bill Clinton e Fernando H. Cardoso foi um clarão no meio da confusão ideológica dominante. Em termos estritamente antropológicos, representou uma espécie de pajelança tribal de reafirmação de velhas convicções e alianças que estiveram na origem do próprio partido socialdemocrata brasileiro. Mas do ponto de vista mais amplo, pode se tornar uma baliza de referência para a clarificação e remontagem do mapa político brasileiro.

Afinal, este grupo liderado pelo ex-presidente FHC foi o único que esteve presente e ocupou um lugar de destaque nas reuniões formais e informais que cercaram a posse de Bill Clinton, em 1993, em Washington. Naquele momento foi sacramentada a aliança do PSDB com a facção democrata e o governo liderado pela família Clinton. Uma aliança que se manteve durante os dois mandatos de Clinton e FHC, assegurando o apoio do Brasil à criação da Alca e garantindo a ajuda financeira americana que salvou o governo FHC da falência.

Estes dois grupos estiveram juntos na formulação e sustentação das reformas e políticas do Consenso de Washington e voltaram a estar juntos nas reuniões da “Terceira Via”, criada por Tony Blair e Bill Clinton, em 2008, reencontrando-se agora de novo, na véspera da candidatura presidencial de Hillary Clinton.

Durante todo este tempo os social-democratas brasileiros mantiveram sua defesa incondicional do alinhamento estratégico do Brasil, ao lado dos EUA, dentro e fora da América Latina; sua opção irrestrita pelo livre comércio e pela abertura dos mercados locais; pela redução do papel do Estado na economia; pela defesa da centralidade do capital privado no comando do desenvolvimento brasileiro; e pela aplicação irrestrita das políticas econômicas ortodoxas.

Estas posições orientaram a política interna e a estratégia internacional dos dois governos do PSDB, na década de 90, e seguem orientando a posição atual do PSDB, favorável à reabertura de negociações para criação da Alca; à mudança do regime de exploração do “pré-sal”; ao fim da exigência de conteúdo nacional nos mercados de serviços e insumos básicos da Petrobras e das grandes construtoras brasileiras. Isto pode não ser “um projeto de país”, mas com certeza é um programa de governo rigorosamente liberal, que só coincide de forma circunstancial e oportunista com as teses neoconservadoras defendidas hoje por movimentos religiosos de forte conteúdo fundamentalista.

A novidade destes movimentos no cenário político brasileiro atual surpreende o observador, mas suas teses sobre família, sexo, religião etc não são originais e sua liderança carece da capacidade de formular e propor um projeto hegemônico para a sociedade brasileira. O mesmo pode ser dito com relação ao poder real das recentes mobilizações de rua e de redes sociais, que fazem muito barulho, mas também não conseguem dar uma formulação intelectual e ideológica consistente às suas próprias iras e reivindicações.

Deste ponto de vista, parece necessário reconhecer que a origem da grande confusão ideológica do país, neste momento, são as próprias forças progressistas e o governo que acabou de ser eleito por uma coalizão de centro-esquerda. Não é fácil identificar o denominador comum que une todas estas forças, mas não há dúvida que seu projeto econômico aponta muito mais para o ideal de um “capitalismo organizado” sob liderança estatal, do que para o modelo anglo-saxônico do “capitalismo desregulado”; para uma política agressiva de redistribuição de renda e prestação gratuita de serviços universais, do que para uma política social de tipo seletiva e assistencialista; e finalmente, para uma estratégia internacional de liderança ativa dentro de América Latina, e de uma aliança multipolar com as potências emergentes sem descartar as velhas potências do sistema, muito mais do que para um alinhamento focado em algum país ou bloco ideológico de países.

Se assim é, como explicar à opinião pública mais ou menos ilustrada que um governo progressista deste tipo coloque no comando de sua política econômica um tecnocrata que não tem apenas convicções e competências ortodoxas, mas que seja também um ideólogo neoliberal que defende abertamente em todos os foros uma estratégia de desenvolvimento de longo prazo para o país absolutamente idêntica a que é defendida pelo grupo que participou do jantar no Waldorf Astoria, no dia 12 de maio.

E como entender um ministro de Energia que defende em reuniões internacionais o fim da política de “conteúdo local” e do “regime de partilha” do pré-sal, duas políticas que são uma marca dos últimos 13 anos de governo e uma diferença fundamental com a posição defendida pelos mesmos comensais de Nova York.

Por fim, para levar a confusão ao limite do caos, como explicar que o ministro de Assuntos Estratégicos desse mesmo governo proponha abertamente, pela imprensa, como se fosse um acadêmico de férias, que se faça uma revisão completa da política externa brasileira da última década, com a suspensão do Mercosul, que foi criado e é liderado pelo Brasil, e com a mudança do foco e das prioridades estratégicas do país, que deveria agora alinhar-se com os EUA para enfrentar a ameaça da “ascensão econômica e militar chinesa”.

Tudo isto dito de forma tranquila, exatamente uma semana antes da visita oficial do primeiro-ministro chinês ao Brasil, que já havia sido anunciada junto com um pacote de projetos e de recursos para levar a frente uma estratégia de longo prazo que passa – entre outras coisas – pela construção de uma ferrovia transoceânica capaz de dar ao Brasil, finalmente, um acesso direto ao Pacífico, com repercussões óbvias no campo da geopolítica e geoeconomia continental. Além disto, este “grande estratego” do governo fez sua proposta um mês antes da reunião do Brics, na Rússia, em que será criado o banco de investimento conjunto do grupo, sob a óbvia liderança econômica da China. Uma trapalhada pior do que esta, só se fosse proposta também a internacionalização da Amazônia.

Talvez por isto tantos humanistas sonhem hoje com o aparecimento de uma nova utopia de longo prazo, como as que moveram os revolucionários e os grandes reformadores dos séculos XIX e XX. Mas o mais provável é que estas utopias não voltem mais e que o futuro tenha que ser construído a partir do que está aí, a partir da sociedade e das ideias que existem, com imaginação, criatividade e uma imensa paixão pelo futuro do país.

Rogério Lessa - Não tem caos ideológico. Com “austeridade” fiscal (desde Palocci), leilão de petróleo e medo de ir à Rússia se alinhar com China e Índia na comemoração dos 70 anos da vitória contra Hitler, não se pode chamar o atual governo de progressista, muito menos de esquerda, apesar das bravatas contra Indonésia e Israel.

Flavio Lyra - É realmente difícil entender os posicionamentos de Dilma e do PT na fase mais recente da vida política e econômica do país. Fica a impressão de que tanto Lula, quanto Dilma, não acreditam na possibilidade de mobilização das forças de esquerda do país para a posta de prática de uma política econômica que se afaste da submissão à orientação neoliberal que aponta para a integração dependente com os Estados Unidos, em favor de maior autonomia da política econômica na defesa dos interesses nacional. O artigo de Fiori tem todos os méritos em apontar essa debilidade das lideranças políticas que poderiam comandar essa mudança. Fiori realça muito bem a afinidade do PSDB com o pensamento de lideres democratas nos Estados Unidos.

Já parece fora de dúvida que é indispensável mobilizar as forças de esquerda para se posicionarem claramente sobre o quadro atual e saírem da passividade em que se encontram na expectativa de que lideranças despreparadas as conduzam. O governo de Dilma já demonstrou claramente que não está a altura dos desafios do momento.

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Rogério Lessa é jornalista da AEPET.

Flavio Lyra é economista da escola da Unicamp.

José Luís Fiori é José Luís Fiori, professor titular de economia política internacional da UFRJ.

Partidos vão ao STF contra financiamento privado de campanha

Via Congresso em Foco

Mandado de segurança será impetrado nesta sexta-feira por PT, PPS, Psol, PSB, Pros e PCdoB. Siglas argumentam que houve vício de procedimento.

“A Constituição foi rasgada”, diz Alessandro Molon ao criticar os procedimentos adotados por Eduardo Cunha

Parlamentares de seis partidos (PT, PPS, Psol, PSB, Pros e PCdoB) vão ingressar, nesta sexta-feira (29), no Supremo Tribunal Federal (STF), com um mandado de segurança pedindo a anulação da sessão da Câmara dos Deputados que aprovou a inclusão do financiamento eleitoral por empresas na Constituição. Os deputados alegam que houve vícios de procedimento durante a análise da proposta. A petição já foi assinada por mais de 50 deputados.

Após uma intensa articulação de bastidor do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), a Casa aprovou uma proposta de emenda à Constituição (PEC) que regulamenta a doação de empresas privadas a partidos políticos. A PEC recebeu 330 votos a favor, 141 votos contrários e uma abstenção. Este foi o primeiro item da reforma política a passar pela Câmara. A proposta ainda terá de ser aprovada em segundo turno para depois seguir ao Senado. A matéria foi apreciada um dia após a Câmara já ter rejeitado texto semelhante sobre o financiamento privado. A diferença é que a versão anterior incluía na Constituição a doação por empresas também a candidatos. Pela nova versão, pessoas jurídicas só poderão doar para legendas.

Inconstitucionalidade

Os deputados contrários a doações por empresas alegam que o presidente da Casa feriu o artigo 60 da Constituição, tanto no parágrafo 5º, quanto no inciso primeiro. O parágrafo 5º afirma que “a matéria constante de proposta de emenda rejeitada não pode ser objeto de nova proposta na mesma sessão legislativa”; já o inciso primeiro determina que qualquer PEC deve ter a assinatura de pelo menos um terço da Câmara. O texto aprovado foi apresentado pelo PRB e tinha em torno de 50 assinaturas.

“A Constituição foi rasgada ontem”, disse o deputado Alessandro Molon (PT-RJ). Os deputados acreditam que são grandes as chances de a PEC cair no Supremo devido aos vícios de procedimento. Além disso, o fato de pelo menos seis ministros já terem se manifestado contra o financiamento privado também é apontado como fator que pode facilitar o deferimento do mandado de segurança no STF.

O presidente da Câmara ironizou a iniciativa destes parlamentares. “Ih. Já tem uns 50 que eles entraram lá [no Supremo], vão ser 51… O que eu falei foi sobre o artigo original do relator. As emendas aglutinativas podem dar entrada a qualquer tempo foi assinada por quase todos os líderes, como não tinha número [de assinaturas]?”, declarou Cunha.

O Moderno e o PT; complementos e análise

Por Marcelo Barbosa | Via Algo a Dizer

Após o êxito de seus governos, o PT precisa oferecer um projeto de nação ao país. Caso não consiga, a legenda poderá cumprir a paráfrase de Lévis-Strauss, passando à decadência antes de atingir o apogeu.

Concebido em aberta ruptura com a esquerda de tradicional implantação ao fim da década de 1970 – leia-se comunistas e trabalhistas – o PT nasceu de costas para o Estado e de frente para a sociedade civil. As questões capazes de mobilizar a legenda de Lula poucas vezes coincidiram com aquelas formuladas pelas agremiações conduzidas então por personalidades como Prestes, João Amazonas ou ainda Brizola. Com isso, toda uma rica agenda de lutas anterior ao marco da eclosão do ciclo das greves do ABC paulista, a partir de 1979, derivou para um papel secundário. Guardada no baú das relíquias, a questão nacional, sobretudo o papel do Estado no combate aos vários níveis de subdesenvolvimento do país, cedeu protagonismo ao avanço de uma pauta democrática essencialmente compreendida como cidadania econômica: aumento de salário, acesso a terra, direito a moradia, entre outros itens afins. A idéia de construir o moderno com base no rompimento com as formas de dependência de nossa periferia à dominação dos países centrais, pedra de toque das concepções de construção do moderno da velha esquerda, encontrou pouco eco no interior do petismo.

Para o chamado PT das origens, nenhum sentido podia ser extraído da indagação acerca da busca do moderno em uma sociedade de extrema concentração de renda, cuja passagem para o capitalismo monopolista de Estado demandara a instalação de uma ditadura civil-militar, em 1964. Perseguindo essa ótica, empréstimo ao pensamento uspiano – de Florestan Fernandes a Chico de Oliveira, entre muitos outros – o Novo e Velho apareciam perfeitamente fundidos e entrosados na paisagem social brasileira. Eram molares da mesma engrenagem. No caso brasileiro, a obtenção do posto de 6ª economia mundial surgira sem a necessidade de ajustar contas com as instituições pré-capitalistas existentes, aí incluído o latifúndio. Em outras palavras, o moderno já predominava em nossas relações sociais a reboque das tendências à urbanização e industrialização. E mais. O desenvolvimento capitalista deflagrado nesse processo tornara mais agudas as desigualdades de classe, região e renda, em todo território nacional. Conclusão: o tempo para a conquista de objetivos intermediários como as reformas de base se esgotara. A luta pela conquista do socialismo vibrava na ordem do dia.

A projeção dos pais fundadores do PT previa atitudes como o repúdio às alianças com o chamado centro político, estando interditada, ainda, a possibilidade de apoio a qualquer coalizão de natureza pluriclassista. A esquerda social caminharia antes só que mal acompanhada. De preferência, exaltando os valores da democracia de base, da nitidez ideológica e da crítica à trajetória republicana brasileira. Ação política? A única legítima consistiria na intervenção de baixo para cima, por meio dos instrumentos da vida associativa, a exemplo dos sindicatos e das Comunidades Eclesiais. Mais revolucionário na retórica que na prática, essa modalidade de petismo das origens deu forma a um grupo de práticas voltadas para a exaltação ao chamado “poder local”, procedimento de evasão à real disputa do poder, mas que permitiu o acúmulo de forças da legenda nas conjunturas de grande instabilidade verificadas durante os primeiros anos do processo de redemocratização.

Os saudosistas do modelo de militância partidária presente na infância da atuação do PT defendem com ardor a atitude empreendida pela legenda naqueles anos de formação. Por óbvio, promovem comparações. Com alguma procedência, apontam o processo pelo qual o petismo se manteve unido e em crescimento ao longo das décadas de 1980 e 1990, ao mesmo tempo em que a esquerda tradicional caminhava para a divisão e a perda de prestígio. O problema desse argumento, no fundamental correto, reside na sua insuficiência: se o PT encarnasse apenas a crítica aos contingentes da esquerda que o precederam, nem de longe poderia cumprir um papel de destaque na vida pública brasileira. Ou seja, já em seus primeiros anos, vicejavam no terreno da cultura política do PT as sementes de uma visão mais assente à complexidade de uma sociedade de traços contraditórios como a nossa.

Personagem de sua própria história, o PT fez coexistir em seu projeto inúmeras identidades*. Algumas dessas caracterizações, com vida curta. Outras vieram para ficar e firmaram-se no acervo de experiências empreendidas pelo partido. Entre essas florações, uma classe de propostas que, diferindo da primeira das constelações teóricas formuladas pela agremiação, exibia algum grau de diálogo com a questão proposta ao início deste texto. Por esse ângulo, construir o moderno requeria o enfrentamento das oligarquias patrimonialistas, o estamento parasitário responsável pelo atraso e a desigualdade de nossa formação social, presente desde o período colonial. Em tal narrativa, o ponto de equilíbrio da atuação da esquerda devia se deslocar para o combate à corrupção. Impunha-se, nessa ótica, atacar o método pelo qual as elites decadentes se apropriavam – e se apropriam – das funções do Estado para reproduzir seus interesses particulares, entravando assim o acesso ao poder das camadas comprometidas com a democratização da vida pública, tais como o proletariado moderno e o empresariado produtivo.

Com vistas a demarcar suas posições, esses setores do petismo buscaram distinguir seus pontos de vista da parcela moralista e influenciada pela mídia monopolista. Com acerto, preferiam não ser confundidos com o fenômeno tratado pela ciência política brasileira pela designação de “udenismo”. Não à toa, adotaram a defesa de uma pauta liberal no que refere aos costumes, com ênfase na liberação das drogas ou ainda, a titulo de ilustração, a defesa da descriminalização do aborto – nada obstante uma certa presença de militantes católicos nestas correntes de opinião. Mantendo a coerência, jamais esconderam a sua solidariedade às chamadas “minorias” que, na realidade, conformam grandes maiorias no vasto mosaico das relações sociais presentes no país: mulheres, negros, grupos LGBT, índios, ambientalistas, quilombolas, entre outros.

Plural como as próprias camadas médias donde retira força, esse segmento do petismo, de igual maneira, nos últimos anos, cresceu a ponto de espalhar sua influência para a fora da legenda da estrela, fecundando o debate entre áreas do PSOL e da Rede Sustentabilidade, da senadora Marina Silva. Até mesmo no interior do governo Dilma tais tendências assumiram papel de destaque na produção de ideias: a mais influente entre muitas, a denúncia da “governabilidade” baseada no pacto PT-PMDB, fonte de paralisia (sic) e renúncia ao enfrentamento com os setores ditos conservadores do patronato político brasileiro. Fortemente vinculado à política, a prática desses agrupamentos pouco freqüenta o tema econômico. De uma maneira geral, pouco tem a dizer, por fora da abstração de princípio, sobre a contradição que cinde a qualquer sociedade capitalista: o antagonismo entre capital e trabalho.

Por fim, esse inventário, bastante ligeiro, por sinal, das respostas oferecidas pelo PT sobre o tema da construção do moderno, não deve omitir a referência a um terceiro quadro de referências. Fenômeno recente, tal posição conta pouco mais de uma década. Sua principal atitude se enuncia na busca pela recuperação (seletiva) de alguns de elementos da cultura política anterior à fundação do partido de Lula. Sem renegar as respostas fornecidas pelo PT das origens – repita-se a afirmação da identidade socialista, para uns ou a denúncia do patrimonialismo, para outros – essa nova síntese supõe: forçar a passagem ao moderno implica resolver a questão social. Cumpre, assim, impulsionar a unidade e a capacidade de mobilização das forças comprometidas com a luta pela erradicação da desigualdade no país, marca constitutiva do atraso de nossa formação social desde sempre. Inspirado no pensamento de autores como Celso Furtado, Darcy Ribeiro, Nelson Werneck Sodré e Ignácio Rangel, entre outros, mas ao mesmo tempo incorporando contribuições atuais como as de Conceição Tavares e Theotonio dos Santos, apenas para citar dois autores em atividade, esse reforço de ideias à matriz original petista, pelo que tudo indica, tem por objetivo o aprofundamento contínuo dos espaços de democracia política na sociedade. Mas, não apenas isso.

Trata-se, igualmente, de transformar o atual caráter das instituições de Estado, colocando-as a serviço dos objetivos de um projeto de nação capaz de garantir a todos os brasileiros o exercício dos direitos e garantias individuais e, sobretudo coletivos, em boa parte previstos no texto da Constituição da República, de 1988. Caminho brasileiro para o socialismo, a implantação desse projeto nacional, de natureza não autárquica – porque aberto à integração com a América Latina e África – impõe, no caso do PT, o manejo de três ferramentas: um frente de centro-esquerda, um programa de reformas estruturais e uma estrutura partidária democrática e transparente.

(*) As reconstituições do debate de ideias no interior do PT, nos termos propostos neste texto, atêm-se a linhas gerais. Limitam o escopo da questão a um só tema: as estratégias de combate ao atraso estrutural do país. Outros tópicos geraram diferentes tipos de clivagem, conforme o caso das controvérsias acerca das formas de construção partidária, só para citar um dos contenciosos mais polêmicos. Por certo, outras sensibilidades em relação ao moderno existiram – e persistem existindo – no interior da agremiação. Sendo certo, ainda, que há contingentes na estrutura partidária completamente alheios a este tipo de problema teórico. Para estas áreas – presentes, em maior ou menor grau, em todas as tendências partidárias – trata-se apenas de reproduzir a presença da legenda como máquina arrecadadora de votos. Os impasses verificados pelo anseio de definição de uma cultura política adequada não tiram o sono desse tipo de militância já há muito perpassada pela deformidade burocrática.

Gustavo Santos - Esse é um bom texto e mostra bem o maior problema do PT, desde seu início é um partido mais focado na forma/ética (decisões a partir da base, democracia interna, respeito a diversas correntes, respeito aos 10 mandamentos na forma de fazer política) do que em conteúdo (objetivos políticos a serem conquistados): modelo econômico, reformas de base, protecionismo econômico, anti-imperialismo, direitos trabalhistas rígidos, típicas do velho trabalhismo (o único conteúdo/objetivo comum no PT foi combater a desigualdade).

Porém, como a forma sempre depende das circunstâncias, ela sempre será conspurcada em algum momento. por isso a grave crise do partido em razão do “mensalão” por uma questão de forma/ética cristã, e pouca crise no partido quando ele mudou os objetivos ao abraçar desde o primeiro mandato uma política econômica neoliberal e que só um pouco rejeitada pela Dilma nos seus primeiros 2 anos, antes de voltar atrás e novamente abraçar o neoliberalismo.

Um movimento político que foca mais em forma/ética do que em conteúdo/objetivos está sempre destinado ao colapso por contradição e dificuldade de manter realizações. Estou certo?

Adriano Benayon - As considerações de Marcelo Barbosa até podem ser interessantes, explicam algumas das coisas que o PT tentou ser e outras que ele sequer jamais tentou ser, como um partido controlador de governo em um país soberano.

Mas o fato é que o PT perdeu sua oportunidade histórica, se é que a teve um dia. Simplesmente eleger o presidente da República não significa governar. A herança dos últimos sessenta anos é muito pesada.

Ora, a característica de todos os governos que se sucederam em todo esse tempo – inclusive quando a sucessão foi de civis a militares, ou inversamente – é que nenhum deles foi de ruptura: tolerou-se sempre a supremacia das transnacionais, do capital estrangeiro e a financeirização, com o predomínio dos banqueiros, subordinados ao capitalismo central angloamericano.

Ora, não existe meia soberania,nem 1/5, nem outra fração de soberania. Ela existe ou não existe. O “governo” que se submete a pressões geralmente preside a seu fracasso. O PT já entrou mantendo as corruptíssimas privatizações, trazidas pelo pacote de leis de 1990 pelo facinoroso Collor e aplicadas pelo indescritível FHC.

Entrou submetido aos banqueiros, entre cujas virtudes – se há alguma – não está nem o patriotismo nem o sentido social, nem a capacidade de construir o desenvolvimento econômico e tecnológico.

Nos últimos 60 anos o Brasil assiste a uma série – aparentemente interminável – de períodos de crescimento, seguidos de crises, cada vez mais graves, pagando preço cada vez mais alto em termos de recursos naturais dilapidados e em termos de substância cultural, social e tecnológica.

Nem importa mais saber quem é o culpado pelo desastre presente, em que não só o PT está desacreditado, mas tudo que se associe a esquerda ou simplesmente a política.

Por enquanto, o PT fica condenado a continuar na presidência da República, colhendo a reprovação granjeada com o modo de governar segundo as agências de Estado criadas pelo PSDB, com as infraestruturas insuportáveis e caras, com a preferência pelas rendas de agiotas, com os escandalosos subsídios às transnacionais etc., num contexto em que a supressão dos direitos humanos e sociais é apenas o “a cereja no bolo”, e a abjeta palhaçada da reforma política dos políticos dá o toque final de mau gosto no que é uma apoteose da injustiça, também representada pelo Judiciário e outras instituições de um regime do qual muito pouco se aproveita.

Weber Figueiredo - Crítica afiada, Adriano, no entanto, minorada por medidas de alcance social imediatos adotadas pelo PT, mas nunca perenes, posto que, realmente, os governos Lula e Dilma não atacaram as sanguessugas, causas das mazelas econômicas e sociais. Inserir os pobres no orçamento da União foi bom, mas não resolve.

Semelhante a uma febre, baixada com antitérmico, mas sem debelar a infecção.

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Marcelo Barbosa é advogado, doutor em Literatura Comparada pela UERJ e diretor-coordenador do Instituto Casa Grande.

Gustavo Santos é doutor em economia e funcionário do BNDES.

Adriano Benayon é doutor em economia pela Universidade de Hamburgo.

Weber Figueiredo é doutor em engenharia e professor do CEFET-RJ.

‘CBF ainda não compreendeu que a época de ‘calar’ jornalistas já passou’, diz Jamil Chade

Por Matheus Narcizo | Via Portal Imprensa

Correspondente internacional do Estadão, em Genebra, publicou reportagens com documentos que comprovam como a organização teria tornado o futebol canarinho um ‘órgão comercial’.

Pentacampeã mundial e referência quando o assunto é futebol, a seleção brasileira parece ter deixado de lado o esporte para mergulhar de cabeça no mundo do marketing e do comércio envolvendo altas cifras.

Corrupção, desvio de verbas em paraísos fiscais, amistosos ordenados e convocações de atletas única e exclusivamente por seu valor comercial parecem ser alguns sinais de como a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) pode ter “vendido a seleção”.

Imprensa falou com o jornalista Jamil Chade, correspondente internacional do Estadão, em Genebra, e que publicou reportagens com documentos que comprovam como a organização teria tornado o futebol canarinho um “órgão comercial”.

Jamil diz que não se intimida com pressões a CBF após revelar contratos.

O acordo

As tratativas entre a CBF e a ISE (Internacional Sports Events), uma empresa de fachada, com sede nas Ilhas Cayman, foram firmadas em 2006, durante o período preparatório da seleção para a Copa da Alemanha, na cidade de Weggis, na Suíça. “O Brasil perdeu a Copa ali, porque a seleção passou a ser utilizada para interesses de grupos privados”, diz Chade.

Até o ano de 2012, a ISE foi responsável por sublicenciar as operações da Kentaro, empresa esportiva que passou a gerenciar todos os amistosos da seleção brasileira. A partir dali, a Kentaro deu lugar à Pitch International na administração dos jogos. “Se o acordo foi feito de forma legal e transparente, por que fazer um contrato com uma empresa que não existe? Por quais motivos entrar em acordo com uma agencia que está alocada em um paraíso fiscal? Estas informações tornam a justificativa da CBF totalmente ilegítimas”, defende.

Apuração e a intimidação da CBF

O processo de apuração das informações, entre as primeiras sondagens e o momento de encontro com a fonte, não foi fácil. Ao todo, foram nove anos de tentativas. “Há um mês recebi uma ligação de uma fonte e nos encontramos em outro país. O documento batia com todas as assinaturas e pude confirmar que era legitimo. O engraçado é que a CBF diz que é transparente com documentos. Ou eu sou um péssimo jornalista, já que fiquei nove anos atrás deste documento, ou ela é que não tem nada de transparente”, ressaltou.

Logo após a publicação da reportagem, a organização futebolística se retificou sobre a matéria e chegou a chamar o jornalista de “mentiroso” e “mal-intencionado”. Para ele, esta é a maneira que a CBF encontra – por meio da intimidação, como ressalta – de tentar calar os repórteres.

“A nota é para intimidar, tirar a legitimidade e o crédito da reportagem. Ela [CBF] deixa bem claro que o ataque é feito diretamente ao repórter. Mas, eu não me sinto intimidado porque sei que o que eu tenho em mãos é legitimo. A CBF ainda não compreendeu que a época de ‘calar’ jornalistas já passou”.

Chade ainda ressalta que a resposta dada pelo órgão é falha e inválida. O repórter também revelou que, além de definir quais jogadores farão parte da seleção – aqueles que tiverem o maior valor comercial – a ISE e a Pitch também tiveram a responsabilidade de definir os adversários brasileiros. “Falei com três emissoras de TV europeias e fui informado que as empresas prometiam que a seleção brasileira jogaria sempre com seus principais atletas”.

Uma situação bastante “interessante”, segundo Chade, aconteceu na partida amistosa entre Brasil e Gabão, em 2011. Na ocasião, Dunga não levou jogadores como Neymar, Ganso, Leandro Damião e Kaká, fato que obrigou a ISE a afirmar que “não suportaria mais o que havia acontecido naquela partida”.

Repercussão fora do Brasil 

Pouco tempo após a publicação da reportagem, o material rende comentários e especulações que vão além da imprensa nacional. “Já dei entrevistas para jornais da Grécia, Finlândia, Inglaterra”.

Chade ainda acredita que o interesse da mídia internacional se relaciona à força da seleção brasileira. “Os veículos estão cobrindo tudo o que podem, por ser a seleção brasileira. Todos perceberam que a equipe se tornou um produto”.

O jornalista crê pouco numa mudança imediata na forma de gestão do esporte no Brasil após a reportagem. Mas, para ele, o jornalismo é crucial para divulgar “perguntas que possam se tornar respostas”.

“A insistência da pergunta traz a resposta. Vivemos um momento onde a imprensa esportiva tem papel fundamental de colocar os caras na parede. Não podemos desistir da seleção e creio que o jornalismo tenha grande papel nisso”

Além da imprensa, Chade acredita que o movimento Bom-Senso, liderado por atletas de futebol brasileiro e que visa uma melhor qualidade no esporte, possa ser também uma chave para o futuro. “O Bom-Senso é o início de uma pressão dos próprios atores do futebol. Se eles conseguirem realizar mudanças, isso seria fundamental”, finaliza.

Líderes partidários fecham acordo sobre ordem de votação da reforma política

Por Iolando Lourenço | Via EBC

Protesto contra a reforma política dos deputados que visa manter o financiamento de campanha por empresas.

Os Líderes partidários e o presidente da Câmara, deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), fecharam acordo, esta noite, sobre a ordem de votação dos temas da reforma política. Pelo acordo, a votação será iniciada amanhã (26), em sessão extraordinária, com a matéria que trata do sistema eleitoral. As votações obedecerão a seguinte ordem: vota-se o sistema de lista. Depois, o sistema distrital misto. Em seguida, o distritão e, por último, o distritão misto.

Concluída a votação do sistema eleitoral, será iniciada a votação do tema financiamento de campanha, começando pelo sistema público e privado – extensivo à pessoa jurídica. Depois, o público e privado – restrito à pessoa física, e finaliza com o sistema público de financiamento. Concluída essa votação, passa-se para a apreciação do item que trata do fim ou não da reeleição para cargos executivos. Em seguida, os deputados passam a analisar a matéria sobre o tempo de mandato e, depois, a questão da coincidência ou não de eleição (dois anos para o próximo ano, seis anos para o próximo ano e dois anos para 2020).

Terminadas as apreciações dessas matérias, os parlamentares iniciarão a discussão e votação da cota para as mulheres no Parlamento. Depois, dependendo do resultado da votação do sistema eleitoral, terão inicio as votações do fim das coligações e da cláusula de desempenho (barreira). Finalmente, os deputados deverão votar os temas independentes que incluem o voto obrigatório e a data de posse do presidente da República, que atualmente ocorre em 1º de janeiro.

A decisão do presidente da Câmara é que esta semana seja dedicada exclusivamente às votações da reforma política. Cunha disse, porém, que se o Senado alterar alguma das medidas provisórias do ajuste fiscal, ele suspenderá temporariamente as votações da reforma política para apreciar as modificações feitas pelos senadores nas medidas provisórias (MP) do ajuste fiscal.  “Se o Senado alterar alguma das MPs, como elas perdem a validade na segunda-feira (1º), eu interromperei momentaneamente para votar as alterações da MP, porque eu não vou deixar perder a validade de uma MP em função de uma pauta”.

Na reunião da noite de hoje foi oficializado que o deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), que presidiu a comissão especial que analisou a matéria da reforma, será o relator da proposta de reforma política que será apresentada amanhã (26) ao plenário da Câmara. Maia se comprometeu a apresentar o relatório até as 9 horas. A reunião de líderes da semana passada começou a construir esse acordo. “Vamos construir um texto que possa ser votado artigo por artigo. Depois os destaques de outras propostas em cima dos mesmos temas”, disse.

Grécia anuncia que não irá pagar dívida de 1,6 bilhão de euros com FMI

Via Opera Mundi

Governo grego se nega a cortar salários e pensões de trabalhadores para arrecadar dinheiro de pagamento de credores internacionais.

A Grécia anunciou neste domingo (24/05) que não irá pagar ao FMI (Fundo Monetário Internacional) uma dívida estimada em 1,6 bilhão de euros. Em nota oficial, o Ministério do Interior grego afirmou que não será possível cumprir o acordo feito em gestões anteriores com credores internacionais.

“Este dinheiro não será pago, porque não há. Isso é conhecido e discutido com base num otimismo cauteloso de que haverá acordo que permita ao país respirar”, disse o ministro do Interior, Nikos Vutsis.

Gregos foram às ruas em 2014 contra políticas de austeridade. Agência Efe

Uma das razões para a dificuldade em pagar a dívida é que o governo grego se nega a cortar salários e pensões, flexibilizar o mercado de trabalho e implantar a política de austeridade das instituições da Troika (Comissão Europeia, Banco Central Europeu e FMI).

No final de Fevereiro, os parceiros da zona do euro concordaram com a Grécia estender até Junho o empréstimo para chegar a acordo sobre as reformas que o país deve fazer para poder continuar a receber as verbas.

Em entrevista à emissora grega Mega, Nikos Vutsis afirmou que há divergências com o FMI sobre o cumprimento do acordo. Com uma dívida que chega a 175% do PIB e problemas de liquidez, a Grécia negocia há meses com credores a extensão do atual programa de resgate econômico.

Cientistas políticos e sociólogos se posicionam contra a possibilidade do “distritão”

Via Associação Brasileira de Ciência Política

Começou a circular na madrugada desta quinta-feira mensagem entre pesquisadores e estudantes da área de Ciência Política que busca apresentar um posicionamento ao Deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), atual Presidente da Câmara dos Deputados. O documento afirma que caso o “distritão” passe na votação da Câmara na próxima semana, este seria um “retrocesso institucional”. O sistema eleitoral por distritos é apenas um dos muitos itens da PEC (Proposta de Emenda à Constituição) da Reforma Política, sendo talvez um dos temas mais polêmicos junto com o financiamento de campanha.

Confira a íntegra do documento com as assinaturas coletadas até o início da tarde de hoje:

Ao Excelentíssimo Senhor Deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), Presidente da Câmara dos Deputados (Brasília, DF)

Nós, estudiosos da ciência política brasileira, vimos por meio desta manifestar posição contrária à adoção do modelo de sistema eleitoral denominado “distritão”, que será objeto de votação no plenário da Câmara dos Deputados, no dia 26 de maio de 2015.

A introdução do distritão nas eleições para a Câmara dos Deputados, Assembleias Legislativas e Câmaras de Vereadores representará um verdadeiro retrocesso institucional. Com o fim do voto de legenda e da transferência de votos dentro das agremiações partidárias, os candidatos correrão por conta própria, a título individual, enfraquecendo os partidos políticos e potencializando o personalismo na corrida eleitoral. Além disso, diferentemente do atual modelo, milhões de votos serão jogados fora, visto que somente serão válidos os votos dos eleitos.

Ao que tudo indica, o distritão acarretará o aumento dos custos das campanhas eleitorais, pois, sem incentivo algum para a cooperação dentro dos partidos, os candidatos necessitarão de maior exposição individual. Ademais, facilitará o renascimento de oligarquias regionais e contribuirá para a diminuição da qualidade da representação política, ao proporcionar maiores condições de vitória a concorrentes sem experiência parlamentar.

Se a necessidade de uma reforma política surge do diagnóstico de que os partidos são frágeis, a adoção do distritão parece ter como objetivo fragilizá-los ainda mais, interessando a certos segmentos da classe política profissional, em particular àqueles com maior facilidade para dispor de vultosos recursos para suas campanhas. Nesse sentido, observamos com preocupação a possibilidade de sua implantação e reiteramos nossa posição contrária à sua propositura.

Assinam o documento (até o momento):

Adalberto Cardoso (IESP-UERJ)
Adriano Codato (UFPR)
André Luiz Coelho (ECP-UNIRIO)
Armando Boito (DCP-UNICAMP)
Bernardo Ricupero (DCP-USP)
Bruno Pinheiro Wanderley Reis (DCP-UFMG)
Carolina de Paula (pós-doutoranda no IESP-UERJ)
Carlos Melo (INSPER)
Carlos Pereira (FGV-Rio)
Cláudio Gonçalves Couto (FGV-SP)
Clayton Mendonça Cunha Filho (pós-doutorando no IREL-UnB)
Emerson Urizzi Cervi (UFPR)
Fabiano Guilherme Mendes Santos (IESP-UERJ)
Fabrício Pereira da Silva (ECP-UNIRIO)
Filomeno Moraes (UNIFOR)
Guilherme Simões Reis (ECP-UNIRIO)
Jawdat Abu El-Haj (DCS-UFC)
João Paulo Saraiva Leão Viana (DCS-UNIR)
José Maurício Domingues (IESP-UERJ)
Josênio Parente (UECE; UFC)
Katiuscia M. Galhera (doutoranda em Ciência Política na UNICAMP)
Leonardo Avritzer (DCP-UFMG)
Luciana Veiga (ECP-UNIRIO)
Manoel Leonardo Santos (DCP-UFMG)
Manuel Domingos Neto (UFF)
Marcia Ribeiro Dias (ECP-UNIRIO)
Maria do Socorro Braga (UFScar)
Maria Hermínia Tavares de Almeida (USP; CEBRAP)
Marcelo Borel – (doutorando em ciência política no IESP-UERJ)
Oswaldo E. do Amaral (DCP-UNICAMP)
Paulo Roberto Neves Costa (UFPR)
Rachel Meneguello (DCP-UNICAMP)
Vinicius Valentin Raduan Miguel (DCS-UNIR)