Via ATP – Ascom PDT

O projeto do Senador José Serra (PSDB-SP) que retira da Petrobrás a função estratégica de operadora única do pré-sal com participação mínima de 30% na exploração das megajazidas – de onde a empresa já retira hoje 800 mil barris/dia de petróleo ao custo de US$ 8 dólares o barril – deu ontem (16/6) seu primeiro passo com a aprovação no plenário do Senado do requerimento de urgência para sua tramitação – do próprio Serra – o que elimina a possibilidade de maior discussão sobre o assunto nas comissões.
A votação final do PLS-131 2015 de Serra, para a sua imediata remessa à Câmara dos Deputados e continuar acelerando sua tramitação, já está marcada para o próximo dia 30/6 graças ao apoio do presidente do Senado, Renan Calheiros, ao projeto de Serra.
Desta forma o senador José Serra cumprirá a promessa feita a funcionários da Embaixada dos Estados Unidos, em dezembro de 2009 – como ficou registrado em telegrama confidencial revelado pelo ex-funcionário da NSA, Edward Snowden, no escândalo Wikleaks – de mudar a legislação brasileira para beneficiar as petrolíferas internacionais.
Essas empresas, que chegaram ao Brasil em 1997 quando o monopólio da Petrobrás foi quebrado pelo presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) já exploram o petróleo brasileiro e são contrárias à Lei da Partilha, criada e sancionada pelo então presidente Lula, para preservar o controle do Brasil sobre os riquíssimos campos de petróleo do pré-sal – a maior descoberta petrolífera do planeta nos últimos 30 anos, estimados com potencial produtor, hoje, de cerca de 100 bilhões de barris de petróleo.
Ameaçados pelas denúncias da Operação Lava Jato de serem cassados e presos por terem se beneficiado de atos de corrupção, Renan Calheiros (PMDB-AL) e Eduardo Cunha (PMDB-RJ) , presidentes do Senado e da Câmara, respectivamente, fecharam acordo com José Serra para facilitarem a tramitação do PLS-131 nas duas casas legislativas antes que a opinião pública brasileira se dê conta da gravidade da questão e do que representa, para o país, abrir mão da riqueza do pré-sal.
A maior preocupação das multinacionais nesta questão é não despertar o nacionalismo dos brasileiros e que, de alguma forma, a campanha “O Petróleo é Nosso” da década de 50, que resultou na criação da Petrobrás e do seu monopólio de exploração pelo presidente Getúlio Vargas – ressurja nos dias de hoje.
Monopólio quebrado pela lei de petróleo de 1997, de FHC, ainda em vigor na exploração das jazidas de petróleo do pós-sal. O projeto de Serra, na prática, torna letra morta a Lei da Partilha ao permitir que vigore no pré-sal regras parecidas com as do pós-sal.
Elas permitem que a empresa que retira o óleo do subsolo brasileiro se torne dono dele, em óleo, na proporção de 67%, deixando no país apenas 10% do que o petróleo vale, em dinheiro, pelos royalties; e mais 23% em impostos.
Pela Lei da Partilha, a União retomou a propriedade sobre o óleo – como prevê nossa Constituição em vigor – e divide com a operadora o óleo, em proporções a serem combinadas em cada um dos campos exploratórios. Além disto, a posição de operadora única dá a Petrobrás o controle sobre a produção na boca do poço – quantos barris são efetivamente retirados do subsolo; e também o controle sobre o custo dos equipamentos necessários à exploração, fundamental também para o desenvolvimento da indústria de equipamentos petrolíferos no Brasil. O que também desagrada as multinacionais do setor.
Na sessão de ontem (16/6) do Senado, manifestações de nacionalistas contrários ao requerimento e urgência de Serra, nas galerias, chegaram a interromper a sessão. A votação também gerou discussões acaloradas entre os senadores.
Para Serra, o texto alivia a estatal de uma obrigação “com a qual ela não pode arcar”.
— Ela não está proibida de operar em determinada área nem de entrar com 30%. Estamos retirando a obrigatoriedade. Isso alivia a empresa, permite acelerar a exploração do pré-sal.
Exatamente o que querem as multinacionais, enquanto a Associação dos Engenheiros da Petrobras, em texto disponibilizado no site da instituição, explicou, detalhadamente, porque não faz o menor sentido apressar a produção do óleo do pré-sal, que pode ser predatória para as jazidas, tecnicamente falando, com graves prejuízos para o país – dono desta riqueza.
Além de Serra, outros senadores classificados de “entreguistas” pelos seus opositores no plenário, defenderam a retirada do controle da Petrobras sobre a exploração do pré-sal, como Omar Aziz (PSD-AM) e Ronaldo Caiado (DEM-GO).
Lindbergh Farias (PT-RJ) foi um dos senadores que mais criticou o pedido de urgência. Para ele, o tema é muito importante para que seja analisado de forma acelerada.
— Esse assunto não vai passar aqui sem luta nossa. É um tema caro para quem tem na história o DNA da luta do monopólio estatal do petróleo.
O líder do PT, Humberto Costa (PT-PE), que também defendeu a Petrobrás, afirmou por sua vez que pular a votação nas comissões não faz sentido porque não é necessário ter pressa em assunto dessa relevância para os brasileiros.
Para ganhar tempo e eliminar etapas quando o PLS-131 chegar à Câmara, o deputado Eduardo Cunha marcou para hoje, na Comissão de Minas e Energia, uma discussão sobre a Lei da Partilha em atendimento a um requerimento do deputado Davidson Magalhães (PC do B – BA), que ouvirá sobre assunto notórios defensores do fim da Lei da Partilha, como Adriano Pires, lobista do Instituto Brasileiro de Petróleo (IBP), que defende os interesses das multinacionais do petróleo; e um representante da ANP, Tiago do Monte Macedo, agência responsável pelos leilões de entrega das jazidas de petróleo brasileiro, criada em 1997.
Também estão previstos depoimentos de Marco Antônio Martins Almeida, Secretário de Petróleo, Gás Natural e Combustíveis Renováveis do Ministério de Minas e Energia; e uma representante da Petrobras, Anelise Quintão Lara.