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Petrolífera britânica BP acumula perdas de US$ 3,175 bilhões este ano

Via Agência EFE

De julho a setembro, lucro líquido da BP teve queda de mais de 90% em relação ao mesmo trimestre de 2014. EFE/HUGO PHILPOT

A companhia petrolífera BP registrou prejuízo líquido acumulado nos primeiros nove meses deste ano de US$ 3,175 milhões devido à queda dos preços do petróleo, embora seu rendimento tenha melhorado no terceiro trimestre.

Em comunicado enviado nesta terça-feira à Bolsa de Valores de Londres, a BP assinalou que suas perdas entre janeiro e setembro contrastaram com os lucros do mesmo período do ano passado, que foram de US$ 8,187 bilhões.

No entanto, no terceiro trimestre de 2015 – de julho a setembro – o lucro líquido da BP foi de US$ 46 milhões, queda de mais de 90% em relação ao mesmo trimestre de 2014, quando ganhou US4 1,29 bilhões.

A receita da empresa, que divulga seus resultados em dólares porque é a divisa padrão de cotação do petróleo, foram nesses nove meses de US$ 172,599 bilhões, uma queda de 39,1% em relação ao mesmo período do ano passado.

A dívida da BP em 30 de setembro de 2015 era de US$ 25,6 bilhões, aumento de 14,2% em comparação com o ano anterior, indicou a companhia.

A BP anunciou um dividendo trimestral de US$ 0,10 por ação ordinária, que espera pagar em 18 de dezembro, enquanto o equivalente em libras será comunicado em 7 de dezembro.

A direção reconheceu que a queda dos preços do petróleo este ano afetou a empresa. O executivo-chefe da companhia petrolífera, Bob Dudley, disse que ano passado a companhia “atuou de maneira decisiva” para deixar a BP em posição de enfrentar um período de preços baixos do petróleo, e por isso estão superando “bem” a situação.

“Confio que a forte e equilibrada bolsa de negócios e os projetos nos permitirão melhorar no futuro”, ressaltou Dudley.

A BP informou que seu programa de desinvestimento está perto de estar completado com um total estimado em US$ 10 bilhões até o final do ano. A empresa espera realizar outros desinvestimentos de entre US$ 3 bilhões e US$ 5 bilhões em 2016.

Estes processos de desinvestimentos darão mais flexibilidade à empresa para enfrentar a contínua volatilidade dos preços do petróleo e seus compromissos nos EUA, derivados estes dos problemas pelo vazamento no Golfo do México.

A empresa já anunciou em julho passado um acordo com o governo e vários estados dos EUA para pagar US$ 18,7 bilhões em 18 anos para pagar as indenizações pendentes pelo vazamento de petróleo de 2010, que causou um desastre ambiental e deixou 11 mortos.

Programas sociais e de agricultura combatem pobreza na América Latina

Por Cristina Fontenele | Via Adital

A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) acaba de lançar seu relatório anual sobre “O estado mundial da agricultura e a alimentação – A proteção social e a agricultura: romper o ciclo da pobreza rural”. O informe aborda a utilização dos programas de proteção social nos países em desenvolvimento no combate à fome e à pobreza. A conclusão da FAO é de que esses projetos, sozinhos, não são suficientes para eliminarem a pobreza, mas, se alinhados a programas agrícolas, tornam-se mais eficazes. Para a organização, a proteção social reduz a pobreza, estimula atividades econômicas, não diminui a força de trabalho e, quando dirigida às mulheres, tem maior impacto na segurança alimentar.

 

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Segundo a FAO, programas de proteção social contribuem para reduzir a pobreza e são mais eficazes quando alinhados a programas agrícolas.

 

O relatório conceitua proteção social como as iniciativas que proporcionam aos pobres a transferência de dinheiro ou em espécie, que protegem os vulneráveis diante riscos e que melhoram a condição social dos marginalizados. O estudo aponta três esferas desse mecanismo: a assistência social (repasses de renda ou obras públicas); a Previdência Social (programas contributivos de cobertura); a proteção no mercado de trabalho.

De acordo com a FAO, em 2013, os programas de proteção social ajudaram a retirar da pobreza extrema 150 milhões de pessoas. Atualmente, aproximadamente 2,1 bilhões de pessoas, no mundo, recebem algum tipo de proteção social, sendo 1 bilhão de pessoas nos países em desenvolvimento.

Há diferenças nítidas entre as regiões. O relatório aponta que, nos locais com maior incidência de pobreza, residem os níveis mais baixos de cobertura social. 22% da população da Ásia meridional e da África Subsaariana estão cobertas por medidas sociais, enquanto que, na América Latina e Caribe o índice médio é de 27%. Paradoxalmente, as regiões com menor pobreza recebem uma proteção social mais ampla, abrangendo 60% da população.

 

Cobertura dos programas de proteção social por região.

 

Cenário

Apesar dos avanços no cumprimento dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio em relação à pobreza e à fome, quase 1 bilhão de pessoas ainda vivem em situação de pobreza extrema (com menos de US$ 1,25 por dia) e 795 milhões seguem em situação crônica de fome. Segundo o relatório, até 2010, 78% dessas pessoas habitavam nas zonas rurais, dependiam da agricultura de subsistência e, ainda hoje, estão condicionadas a um ciclo de pobreza transmitido por gerações.

Para erradicar a fome no mundo, de forma sustentável, até 2030, estima-se que será necessário o investimento médio de US$ 267 bilhões anuais, nas zonas rurais e urbanas, e em medidas de proteção social, o equivalente a 0,3% do PIB [Produto Interno Bruto] mundial. O montante corresponde a uma média anual de US$ 160 por pessoa em situação de pobreza extrema, durante o período de 15 anos.

Programas de transferência de renda

O número de países com iniciativas que envolvem a transferência de renda condicionada, no qual o beneficiário recebe dinheiro em troca do cumprimento de alguma obrigação (matricular crianças nas escolas, ir com frequência aos postos de saúde), aumentou de 27 países (2008) para 63 (2014). De acordo com o relatório, na América Latina e Caribe (22 países) e na África subsariana (18 países), esses modelos são mais utilizados.

Os programas sociais mais amplos em número de pessoas atendidas são Janani Suraksha Yojana, na Índia (78 milhões), o Bolsa Família, no Brasil (49 milhões), e o Prospera, no México (26 milhões). O relatório aponta que os projetos de alimentação escolar mais amplos estão na Índia (105 milhões de crianças) e no Brasil, que atende a 47 milhões de crianças.

 

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De acordo com o relatório, o Bolsa Família é um bom exemplo de uma rede ampla de políticas complementares.

 

Bolsa Família

No Brasil, a FAO destaca o programa Bolsa Família, que beneficia cerca de 14 milhões de famílias, só em 2015, o que equivale a 24,5% da população do país. Conseguiu reduzir em 13% a pobreza e em 32% a pobreza extrema, entre 2003 e 2009. O informe revela que o Bolsa Família é um bom exemplo de uma rede ampla de políticas complementares e um dos programas “com objetivos mais precisos da América Latina, devido ao uso do Registro Único (CadÚnico)”.

De acordo com o relatório, na América Latina, as transferências de maior “envergadura” se adaptaram para aliviarem a “brecha da pobreza” e proporcionaram um incremento do consumo de 27%.

Proteção social e agricultura

Segundo a FAO, a agricultura e a pobreza rural estão estreitamente relacionadas. A agricultura gera em torno de 10% do PIB, nos países de baixa e média renda, empregando aproximadamente 45% da mão de obra total (formal e informal).

Buscando novas estratégias na superação da pobreza, os países em desenvolvimento têm combinado o incentivo à agricultura com os mecanismos de proteção social. Na América Latina, o relatório cita o caso do programa Prospera (antigo Progresa/Oportunidades), do México, que possibilitou que 25% dos beneficiários se convertessem em empreendedores.

 

Proporção da população rural e urbana em pobreza extrema.

 

O crédito rural é apontado como uma alternativa de desenvolvimento rural, mas um caminho que pode levar os produtores rurais a se endividarem. Nos últimos anos, no Brasil, o Pronaf (Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar) financiou em torno de 2 milhões de empréstimos, o equivalente a US$ 10 bilhões, a uma taxa anual de 2%.

STF determina bloqueio e sequestro de R$ 9,6 mi de contas de Cunha na Suíça

Via Uol Notícias

Teori Zavascki

O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Teori Zavascki determinou o bloqueio e o sequestro dos recursos mantidos pelo presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB), em contas na Suíça – no total de 2,4 milhões de francos suíços ou R$ 9,6 milhões.

A decisão atende a pedido da PGR (Procuradoria Geral da República). Os procuradores temiam que, com a transferência da investigação para o Brasil, o dinheiro fosse desbloqueado e pudesse ser movimentado.

Com o sequestro, os recursos serão depositados numa conta judicial e ficarão indisponíveis até o fim do processo.

O pedido de novo bloqueio dos recursos foi apresentado pela PGR na sexta-feira passada. São duas contas, uma em nome de Cunha e outra da mulher do deputado, Cláudia Cordeiro Cruz, no banco Julius Baer. “Há a possibilidade concreta de que ocorra o desbloqueio das contas, com a consequente dissipação dos valores depositados nas contas bancárias estrangeiras”, disse o órgão no pedido.

O processo foi transferido para a PGR por autoridades suíças já que o presidente da Câmara é brasileiro, está no país e não poderia ser extraditado para a Suíça.

No pedido, o procurador-geral da República em exercício, Eugênio Aragão, diz que não há dúvidas em relação à titularidade das contas. “Há cópias de passaportes – inclusive diplomáticos – do casal, endereço residencial, números de telefones do Congresso Nacional e do Palácio do Planalto”, diz. Seu patrimônio estimado, à época da abertura da conta, era de aproximadamente US$ 16 milhões.

Na semana passada, em nota à imprensa, Cunha reafirmou que não tem contas no exterior e nunca recebeu “vantagem de qualquer natureza”.

Gilmar Mendes arquivou investigação de crimes financeiros contra Eduardo Cunha

Via Jornal do Brasil

O site “Migalhas” trouxe à tona nesta quarta-feira (21) um despacho do dia 6 de maio de 2014 do ministro Joaquim Barbosa, publicado no Diário Oficial, em que manda autuar e distribuir uma investigação da Polícia Federal na Divisão de Repressão a Crimes Financeiros.

Segundo a PF, foram identificadas transações cambiais com indícios de irregularidades supostamente realizadas por várias pessoas, nas quais se incluem o atual presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Além dele, aparecem na lista o senador Álvaro Dias (PSDB), o ex-senador Jorge Bornhausen, entre outros.

Petição assinada pelo então presidente do Supremo, ministro Joaquim Barbosa

A Petição 5.169, que tramitou com “segredo de justiça”, foi distribuída ao ministro Celso de Mello. Declarando-se suspeito, Mello deu continuidade à distribuição da petição, que caiu nas mãos do ministro Gilmar Mendes, que mandou arquivar os documentos e os devolveu à Procuradoria-Geral.

O “Migalhas” acrescenta que, como se trata de investigação aberta em 2006, a qual envolvia personagens com foro privilegiado, o caso aportou na PGR (as decisões dos ministros Joaquim Barbosa e Gilmar citam a cota do parquet, sem dizer quem a subscreveu). Na época (de 2005 a 2009), o chefe do MPF era Antonio Fernando Barros e Silva de Souza, que hoje é justamente o advogado que representa os interesses do presidente da Câmara.

Após mobilizações, Governo se compromete com construção imediata de 12 mil unidades habitacionais

Via MST.org

Com esse compromisso assumido a demanda das demais unidades serão incluídas no Minha Casa Minha Vida 3 e os valores, quantidades e normativas do programa serão apresentados em dezembro.

Depois de um dia de mobilizações unitárias dos movimentos sociais do campo realizadas nesta terça-feira (20), o Governo se compromete com construção imediata de 12 mil unidades habitacionais ainda no âmbito do Minha Casa Minha Vida Rural 2. Com esse compromisso assumido a demanda das demais unidades serão incluídas no Minha Casa Minha Vida 3 e os valores, quantidades e normativas do programa serão apresentados em dezembro.

Para Alexandre Conceição, da coordenação nacional do MST, esse compromisso é fundamental, porém o governo precisa acelerar o processo que se refere às unidades habitacionais no campo.

“O Governo precisa entender que não vivemos de promessas e que o povo precisa de ações que mudem a sua realidade. É fundamental esse compromisso assumido com os movimentos sociais do campo, diante da necessidade de avançar na pauta da habitação rural no país, mas é preciso garantir que nossa demanda seja cumprida. E para que isso aconteça, seguiremos em mobilização até nossas pautas serem de fato atendidas”, afirma.

O compromisso veio logo depois de uma reunião entre integrantes dos Movimentos e o Ministro das Cidades, Gilberto Kassab, além de representantes da Secretaria Nacional do Tesouro, Ministério da Fazenda, Secretaria de Governo (SG), Caixa Econômica Federal (CEF) e do Banco do Brasil (BB).

Segundo David Wilkerson, integrante da CONTAG, “a moradia é um direito do trabalhador do campo e isto tem que ser oferecido de forma digna pelos programas governamentais. E na mobilização desta terça fortalecemos a unidade camponesa na luta por esse direito”.

Foto: Mídia Ninja

Mobilizações

O Movimentos que hoje pela manhã ocuparam o Ministério das Cidades em Brasília e realizaram trancamentos de BRs em estados do nordeste como Paraíba, além de ocupações em superintendências da Caixa Federal no Pernambuco, exigiram ainda o aumento do valor de investimento para construção, reforma, desburocratização de processos e inclusão de novos beneficiários. As reivindicações serão analisadas pelo Ministério da Fazenda e também Ministério das Cidades, que apresentarão uma proposta em novembro.

“Importante a criação de um grupo de trabalho junto aos movimentos sociais para identificar os problemas e propor soluções para avançar o processo”, completa Sandra Alves , integrante da do Movimento Camponês Popular (MCP).

Já Elivo Mota, integrante da FETRAF, salienta que essa discussão deve ser feita no Minha Casa Minha Vida 3. “É preciso discutir com os movimentos sociais o MCMV 3 Rural, assim como é importante que os filhos dos trabalhadores e das trabalhadoras tenham acesso a esse direito. Hoje, além de isso não ser garantido, há casos em que beneficiários de programas anteriores não conseguem nem acessar créditos para reforma e ampliação de suas casas por impedimentos burocráticos”, disse.

Gestores da Petrobrás aceleram desmonte da empresa: Resposta é greve

Via FUP

Enquanto os gestores da Petrobrás ignoram a Pauta pelo Brasil e tentam impor goela abaixo da categoria um acordo de trabalho rebaixado, o desmonte da empresa segue a pleno vapor. No último dia 14, a direção da estatal comunicou ao mercado que “autorizou a busca de parceiro estratégico” para a BR Distribuidora.

Na semana anterior, a mídia divulgou que a Petrobrás pretende colocar à venda 180 campos maduros, ou seja mais da metade das atuais áreas em produção, a maioria delas em terra. Soma-se a isso a suspeita negociação de 49% da Gaspetro para a multinacional Mitsui, uma das controladoras da Vale, que é presidida por Murilo Ferreira, que até há bem pouco tempo estava no comando do Conselho de Administração da estatal.

Em depoimento à CPI da Petrobrás, no último dia 14, o presidente da empresa, Aldemir Bendine, tornou a defender a redução da companhia. “Para trazer o endividamento da empresa a um patamar condizente, teremos que vender ativos”, declarou. Para os gestores da empresa, o que vale é satisfazer as demandas insaciáveis do mercado. Mesmo que seja às custas de milhares de empregos, ataque a direitos e perda da soberania.

Para responder à altura a esses ataques, os petroleiros precisam avançar na construção de uma greve forte em todo o país.

Legislativo não pode incluir em lei de conversão matéria estranha a MP, decide STF

Via STF Notícias

O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, nesta quinta-feira (15), que a partir de agora o Congresso Nacional não pode mais incluir, em medidas provisórias (MPs) editadas pelo Poder Executivo, emendas parlamentares que não tenham pertinência temática com a norma, o chamado “contrabando legislativo”.

A decisão foi tomada nesta quinta-feira (15) no julgamento da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 5127, por meio da qual a Confederação Nacional das Profissões Liberais (CNPL) questionava alterações feitas na MP 472/2009, convertida na Lei 12.249/2010, que resultaram na extinção da profissão de técnico em contabilidade. A MP em questão tratava de temas diversos, que não guardam relação com a profissão de contador. Por maioria, o Plenário julgou improcedente a ação, mantendo a validade da norma questionada em razão do princípio da segurança jurídica. Contudo, o Tribunal decidiu cientificar o Congresso Nacional de que a prática é incompatível com a Constituição Federal.

Amicus curiae

O julgamento teve início na sessão do dia 8 de outubro, quando o representante do Conselho Federal de Contabilidade, falando na condição de amicus curiae, defendeu a validade da norma. Para o advogado, a ADI deveria ser julgada improcedente, uma vez que a lei é de livre iniciativa de ambos os Poderes, de forma que o próprio Legislativo poderia fazer uma proposição de lei independentemente. Tampouco seria necessária lei específica sobre o tema da organização profissional, sendo necessária apenas lei no sentido formal.

Relevância e urgência

A relatora do caso, ministra Rosa Weber, lembrou em seu voto que o uso de medidas provisórias se dá por motivos de urgência e relevância da matéria, cuja análise compete ao chefe do Poder Executivo. E, de acordo com a ministra, a jurisprudência do STF aponta no sentido de que, em se tratando de matéria sob reserva de iniciativa do Poder Executivo, há necessidade de pertinência temática entre a emenda parlamentar e o conteúdo da norma original. Nesse ponto, a ministra lembrou que a Resolução 1/2002 do Congresso Nacional veda a apresentação de emendas sobre assuntos não pertinentes ao texto da MP.

De acordo com a relatora, no caso concreto, a matéria versada na emenda, ainda que não sujeita à reserva de iniciativa do chefe do Poder Executivo, não foi considerada como de relevância e urgência a merecer o rito especial do processo de conversão de medida provisória em lei.

Para Rosa Weber, o chamado “contrabando legislativo” não denota mera inobservância de forma, mas um procedimento antidemocrático, em que se subtrai do debate legislativo – intencionalmente ou não – a discussão sobre normas que irão regular a vida em sociedade. A ministra salientou que ao seguir o rito da conversão de MP, impediu-se que os dispositivos questionados fossem analisados por comissões temáticas, fossem objeto de audiências públicas e que fosse debatido e refletido de forma mais aprofundada. Assim, votou pela procedência da ação.

Acompanharam a relatora, pela procedência do pedido de inconstitucionalidade da norma, o ministro Marco Aurélio e o presidente da Corte, ministro Ricardo Lewandowski. Ambos ressaltaram a inconstitucionalidade da inserção de matéria totalmente estranha à tratada inicialmente no ato do Executivo.

Divergência

O ministro Edson Fachin divergiu da relatora e será o redator do acórdão do julgamento. Para ele, a norma em questão, que trata da profissão de técnico em contabilidade, não contém inconstitucionalidade material. O tema deve ser tratado por lei, e a conversão de medidas provisórias produz leis em sentido estrito, explicou o ministro.

Contudo, o ministro concordou que a prática de incluir emendas sobre temas estranhos ao conteúdo do texto original “não é desejável nem salutar”. Mas, para Fachin, reconhecer que essa prática sistemática de edição de emenda com conteúdo temático distinto desobedece a Constituição não significa, necessariamente, o reconhecimento da inconstitucionalidade de todas as leis que, por essa sistemática, foram promulgadas até hoje.

Com esse argumento, o ministro votou no sentido de julgar improcedente o pedido, declarando a constitucionalidade da norma questionada e frisando que ficam preservadas, até a data do julgamento, as leis oriundas de projetos de conversão de medidas provisórias, em obediência ao princípio da segurança jurídica.

Seguiram esse mesmo entendimento os ministros Luís Roberto Barroso, Teori Zavascki, Cármen Lúcia, Gilmar Mendes e Celso de Mello.

O ministro Dias Toffoli também votou pelo improcedência do pedido, mas quanto à matéria de fundo – “contrabando legislativo” – entendeu que não cabe ao STF apreciar ato que, na sua avaliação, encontra-se no âmbito da competência do Congresso Nacional referente ao processo legislativo.

Proclamação

Na proclamação do resultado do julgamento foi afirmado que, por maioria de votos, a Corte decidiu cientificar ao Poder Legislativo que o STF afirmou, com efeitos ex nunc (de agora em diante), que não é compatível com a Constituição a apresentação de emendas sem relação de pertinência temática com medida provisória submetida à sua apreciação.