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Termômetro da conjuntura política #12

Por Rennan Martins | Vila Velha, 07/12/2015

Com razão. Desde a abertura do processo de impeachment pelo completamente ilegítimo e desmoralizado presidente da Câmara, Eduardo Cunha, o vice-presidente Michel Temer tomou posição de apoio a derrubada, estando agora em movimentações no sentido de articular maioria para este que seria um golpe de Estado. Dilma, a fim de constrangê-lo, cobrou sua “confiança” publicamente, ao passo que Temer respondeu que ela nunca confiou nele. Ora, considerando que o peemedebista de São Paulo se aliou aos demotucanos (equivalentes a udenistas) para aplicar o ultraliberalismo do documento Ponte para o futuro, temos que a presidente estava certa em sua desconfiança.

Por que? Uma grande parcela da população se pergunta a diferença entre o impeachment de Collor e o processo de Dilma. Não sabem a diferença nem as regras. Pois bem, nada melhor que um dos autores do pedido de impeachment de Collor para explicar. Marcelo Lavenére, também presidente da OAB na época, explica que “impeachment não é para luta política”, que “o Congresso mudou a meta fiscal e, com isso, excluiu qualquer alusão a pedalada neste ano”. Arremata assim pontuando:

O que ela fez? Roubou? Recebeu propina? Recebeu vantagem ilícita? Perdeu o decoro do cargo? Cometeu algum dos ilícitos que estão contidos na Constituição e na Lei do Impeachment? Não. Vamos arrumar uma desculpa aqui: pedalada fiscal.”

Cronograma. Os partidos têm até hoje às 14:00 para definir os respectivos titulares e suplentes da comissão especial do impeachment. As maiores bancadas são do PT e PMDB, com oito cadeiras cada, seguidas do PSDB, com seis. Às 18:00 a comissão será eleita ou referendada pelo plenário da Câmara. Qualquer previsão de votos agora é incerta, tendo em vista que a infidelidade está altíssima nos últimos tempos. De certo temos que a oposição pretende alongar o processo para sangrar o governo, enquanto este quer um desfecho o mais rápido possível a fim de manter no imaginário popular que o impeachment só foi aceito por Cunha pelo fato dele estar acossado pela Comissão de Ética e Operação Lava Jato.

Piada pronta³. Eduardo Cunha é mesmo um escárnio e já protagonizou várias piadas de mau gosto este ano, mas prossegue em sua atuação, jurando que bate o recorde na cara de pau. O cidadão gostaria que, se convocado o Congresso Nacional durante o recesso, que o seu processo no Conselho de Ética não seja incluído nas tramitações. Ou seja, o Congresso só pode funcionar se for pra discutir a deposição de sua inimiga, não a sua própria. Este articulista nunca viu um político que se apropria do público para fins privados tão descaradamente.

Golpe Nunca Mais. Ontem (6) o governador do Maranhão, Flávio Dino, o pré-candidato a presidência pelo PDT, Ciro Gomes, e o presidente do PDT, Carlos Lupi, lançaram a frente denominada Golpe Nunca Mais, uma reedição do movimento pela legalidade capitaneado por Brizola em 1961, que na época defendeu o mandato de João Goulart. Esta frente propõe defender a constituição e exigir da presidente Dilma que aplique a agenda vencedora das eleições. O Blog dos Desenvolvimentistas apoia a iniciativa e entende que, antes do PT e de Dilma, a constituição deve estar acima de interesses partidários e oportunistas. A página angariou, somente de ontem pra hoje, mais de 14.000 seguidores.

Caracas. A Venezuela teve, também ontem, suas eleições parlamentares, nas quais a oposição garantiu nada menos que noventa e nove das cento e sessenta e sete cadeiras da Assembleia Nacional. O presidente Nicolás Maduro reconheceu a derrota, dizendo ainda que “a Constituição e a democracia triunfaram”. Os mais atentos ao cenário venezuelano talvez tenham notado que as lideranças da direita venezuelana, assim como a brasileira, só reconhecem o resultado das urnas quando lhes são favoráveis. Ora, se até sábado esta mesma direita dizia que o governo venezuelano é ditatorial, por que desta vez que venceram julgam que os procedimentos foram lisos? Que ditadura permite que a oposição controle mais de dois terços de um parlamento?

Malos” Aires. Da terra dos hermanos temos o presidente eleito, Mauricio Macri, dizendo que devemos “desideologizar” o Mercosul (como se suas propostas fossem desprovidas de ideologia), anunciando ainda que evocará a cláusula democrática contra o governo da Venezuela. Que será que ele teria a dizer sobre o resultado das urnas venezuelanas? Diria ele que são ilegítimos ou só agora que seus correligionários venceram é que há democracia? Seria interessante ouvir o que o Aécio Neves argentino tem a dizer.

Pêndulo. Se consolidado o golpe contra Dilma e a consequente subida de Michel Temer ao poder, teremos, na América do Sul, a reversão da tendência política de centro-esquerda dos últimos mais de dez anos. O professor Fiori diagnostica com propriedade que nosso continente se movimenta de forma pendular em termos políticos. As idas e vindas se dão de forma mais ou menos coordenada entre os países e a condição de liderança do Brasil daria um vigoroso impulso na direção do neoliberalismo, que já se demonstrou incompatível com as pretensões do povo latino-americano. Será necessário reeditar a falida década de 90 para que lembremos o caos social que significa o ultraliberalismo crescente?

O tragicômico fim de Eduardo Cunha

Por Rennan Martins | Vila Velha, 20/11/2015

Antigos aliados agora querem sua saída

Os que ontem assistiram os acontecimentos na Câmara notaram que, definitivamente, Eduardo Cunha (PMDB-RJ) se vê em seus últimos dias a frente da presidência. Sem qualquer pudor em instrumentalizar a mesa diretora, Cunha manobrou com aliados para anular a reunião do Conselho de Ética que apresentaria o parecer do deputado relator Fausto Pinato (PRB-SP), pela continuidade do processo de cassação do seu mandato.

A estratégia era simples e fazia uso, como de costume, do regimento interno em benefício próprio. Cunha iniciou a ordem do dia com somente 189 deputados registrados em plenário – sendo 257 o número mínimo de parlamentares necessário para deliberações – e com mais de uma hora de antecedência que o habitual. Eis então que surgiram Hugo Motta (PMDB-PB), Jovair Arantes (PTB-GO) e Eduardo da Fonte (PP-PE) solicitando a presidência que comunicasse as comissões o encerramento dos trabalhos, tendo em vista que aberta a ordem do dia estas são inviabilizadas. “Já determinei. Qualquer decisão é nula.”, respondeu Cunha, achando mesmo que submeteria o plenário aos seus interesses.

A reação foi imediata. Mais de cem deputados se rebelaram contra a escandalosa manobra, esvaziando o plenário e se dirigindo a reunião do Conselho de Ética aos gritos de “Fora Cunha”, questionando ainda sua legitimidade nos microfones. Ao ver a votação inviabilizada por falta de quórum e a degradação de sua autoridade, Cunha suspendeu a anulação da reunião do Conselho de Ética. Esta, no entanto, poderá ser declarada nula outra vez caso a questão de ordem apresentada por André Moura (PSC-SE) seja acolhida pelo vice-presidente da Casa, Felipe Bornier (PSD-RJ), o que não surpreenderia, visto que Moura e Bornier são alinhadíssimos ao peemedebista.

A natureza do poder e as razões da queda

Ainda no começo do ano, mais precisamente no dia dois de abril, publiquei artigo em que expunha a arrogância de Eduardo Cunha, então em alta. Há oito meses o deputado já fazia uso rotineiro de manobras e autoritarismo para fazer avançar sua pauta. Á época, assim discorri:

Como cristão que se declara, o deputado deveria atentar aos ensinamentos de Salomão que constam no livro de Provérbios, que no capítulo 16, versículo 18, alerta que ‘A soberba precede a ruína, e a altivez do espírito, a queda.’”

Alguns talvez acreditem que Cunha cairá por seu alto nível de corrupção, mas não se trata disso. Enquanto mero achacador de bastidores o deputado seguia sossegado, bastando defender os interesses da banca com afinco para receber em troca a blindagem da imprensa corporativa. Ocorre que para assumir a terceira posição na linha de poder de uma república do porte do Brasil, é preciso mais que esperteza e falta de escrúpulos.

O poder é algo que deve ser usado sabiamente. Uma estratégia política de longo prazo precisa calcular precisamente cada ação, atentando para que no balanço geral elas acumulem mais que desgastem o poder que se dispõe. O uso de expedientes autoritários e em proveito particular, quando reiterado, contribui para a rápida deterioração de qualquer liderança.

O moribundo presidente da Câmara, do alto de sua prepotência, julgou que bastava se valer de chantagens e ameaças para se manter incólume. Caso tivesse lido Maquiavel saberia que é preciso ser temido, mas que há uma linha vermelha que não se cruza, e esta é a do ódio. Quando se usa do poder de forma tirânica sistematicamente, os liderados/governados deixam de temer, passando a odiar o príncipe, o que desencadeia a união dos últimos pela derrubada do tirano.

Sua megalomania também influenciou em outra postura contraproducente. O deputado simplesmente não sabe responder a ataques de outra forma que não dobrando a aposta. Tal conduta o leva a atitudes de arroubo como quando prestou entrevistas expondo toda sua estratégia de defesa aos meios de comunicação, o que abriu caminho para ser prontamente desconstruído por meio da farta documentação comprobatória de seus mal feitos.

Eis, então, as razões da degradação de seu poder e legitimidade. Ou alguém acha que se Cunha tivesse permanecido nos bastidores do baixo clero teria atraído a atenção da justiça? Certamente não. O caráter classista de nosso judiciário, aliado a antiga blindagem de que dispunha, impediria.

A dimensão cômica desta história de ascensão e queda se deve ao fato de que foi justamente a debandada dos demotucanos – aqueles com quem mais se identificava em termos ideológicos – que engrossou o caldo pela sua saída.

Cunha entrará para a história como líder de uma das gestões mais retrógradas e vendidas da Câmara. Viremos logo esta página, para o bem do país.

A verdadeira crise do pensamento crítico latino-americano

Por Rennan Martins | Vila Velha, 13/11/2015

Ela passa pela propagação de lendas como governos “pós-neoliberais”, pela pretensão petista de liderança nata e automática de qualquer iniciativa de esquerda, e na incapacidade de auto-crítica do PT e governo.

Na última quarta (11), em sua coluna no Blog da Boitempo, o professor Emir Sader publicou artigo intitulado A crise do pensamento crítico latino-americano, onde se propõe a discutir o desgaste dos governos progressistas de nosso continente, abordando ainda a questão da hegemonia, quesito crucial quando se pretende formar maiorias e consensos para a construção de determinada agenda política.

Inicia diagnosticando acertadamente que o pensamento único neoliberal tem a seu favor fartos recursos e espaço na imprensa corporativa, de modo que se aproveita da conjuntura econômica desfavorável para catapultar velhas figuras como FHC e Vargas Llosa no debate público, estes com a clara missão de reciclar a agenda ultraliberal dos anos 90. Mas para por aí a razoabilidade, entrando em cena a mera propaganda.

Insistindo na existência do que ele batiza de governos “pós-neoliberais”, o professor discorre da seguinte maneira:

“Esses governos fizeram a critica, na prática, dos dogmas do pensamento único, de que “qualquer governo sério” deveria privilegiar os ajustes fiscais. De que não era possível crescer distribuindo renda. De que as políticas sociais só poderiam existir como um subproduto do crescimento econômico.”

Lendo tal trecho a impressão é a de que o autor ignora a história dos governos que apoia, desconhece a atual e grave conjuntura, e até mesmo não sabe do que se trata nem quais são as diretrizes do neoliberalismo – doutrina que pretende regular todas as instâncias da sociedade pelas leis de mercado, reduzindo ao máximo a esfera política – passando, por fim, a falsa ideia de que na última década e meia a América Latina superou o Consenso de Washington.

Levantemos, pois, as objeções ao texto do ilustre sociólogo.

Primeiramente, necessário é analisar sem paixões o histórico da gestão econômica petista. Trata-se, no mínimo, de imprecisão cunhar o termo “pós-neoliberal” para se referir a Lula e Dilma quando se tem consciência de que o PT jamais formulou alternativa concreta ao tripé macroeconômico. Neste ponto a sugestão seria reler a Carta ao povo brasileiro, documento onde fica evidente os limites do lulismo.

O segundo ponto se refere aos elementos da conjuntura que contradizem a narrativa do artigo ora replicado. Será que o professor não sabe que justo quando esgotou-se o boom das commodities e, por consequência, o superavit primário e o crescimento econômico, que ascendeu Joaquim Levy com sua política de arrocho e ajuste recessivo? Não se lembra das MP’s de restrição a direitos trabalhistas historicamente consagrados na CLT? Parece que o articulista aterrissou agora em 2015 e ainda não foi informado da campanha do deputado Ricardo Barros (PP-PR), relator do orçamento de 2016, pelo corte da bagatela de R$ 10 bilhões no Bolsa Família.

Temos ainda a apresentação de políticas sociais, o Bolsa Família sendo o carro-chefe, como um programa que supera a lógica de mercado neoliberal. Nada mais falso. Um dos mais famosos apologistas da desregulação e liberalização, o monetarista Milton Friedman, defendia o que ele chamava de “imposto de renda negativo”, ideia de onde surgiu o próprio BF, que transfere recursos para os considerados em situação de pobreza a fim de inseri-los justamente na qualidade de consumidores.

Resta claro, portanto, o caráter propagandista do trecho acima destacado, e principalmente do termo “pós-neoliberal” para se referir as gestões petistas e a de alguns outros presidentes latino-americanos integrantes da onda progressista.

Saliente-se, contudo, que a intenção deste articulista passa longe de não reconhecer a importância destes governos na inclusão social, no combate a fome e outras meritórias iniciativas que de fato marcaram o continente. Entretanto, não se pode cair na tentação desmobilizadora de sacramentar a superação do neoliberalismo. Há um enorme abismo entre a realidade e o alegado.

Por fim, encerro concordando na existência da crise do pensamento crítico latino-americano, que existe também na postura petista de interdição das críticas, tão bem ilustrada no fatídico episódio em que o professor Sader fez uso das redes sociais para atacar sordidamente o MTST. Esta crise passa ainda pela pretensão de liderança nata e automática de toda e qualquer iniciativa do campo progressista, que pretende sempre tornar o combate a velha direita em mera e cega defesa do governo. Está enormemente ilustrada a crise quando um partido que se pretende pós-neoliberal faz campanha pra derrubar o ministro Joaquim Levy e pôr em seu lugar o ex-presidente do BankBoston, Henrique Meirelles.

Qual a ligação das guerras no Oriente Médio com a Petrobras?

Por Bento Araújo

A história do Oriente Médio, das petrolíferas estrangeiras e da Petrobras possuem várias confluências. Os bastidores do poder global revelam fatos imprescindíveis para compreensão da geopolítica e dos conflitos contemporâneos.

As sangrentas guerras na Síria, Egito e Líbia tem causas básicas na questão do petróleo e do gás natural e a rota dos gasodutos da Gazprom. O ISIS e Al-Qaeda são crias da CIA para gerar conflitos na região. A CIA perdeu o controle sobre os terroristas treinados durante o governo Reagan na Kachemira (liderados pelo saudita Bin Laden, filho de um sócio de George Bush) e criou o ISIS para combater o Al-Qaeda. As torres gêmeas foram na realidade um golpe maior articulado pelas elites americanas e a CIA para justificar uma nova guerra no Oriente Médio. Em maio de 2001 um dos arquitetos que projetou as torres alertou sobre os riscos de colapso da torre sul atingida fortemente em 1993 por uma explosão na garagem e que corria sérios riscos de colapso num caso de um furacão atingir NY e estranhamente os donos das torres fizeram um mega seguro em meados de 2001. As bases aéreas de Langlay e Andrews onde ficam os aviões de ataque num caso de ameaça ficaram sem comunicações por muito tempo nos momentos das decolagens dos voos suspeitos, e o quadrante do Pentágono, supostamente atingido pelos ataques, estava em “reformas” desde meados de 2001. O fato é que a guerra gerou dividendos para os EUA e para as petrolíferas CHEVRON e EXXON Mobil que foram as empresas que ocuparam os campos petrolíferos de Majnoon no Iraque durante a guerra e estão lá até hoje. O barril do petróleo subiu de 60 para 120 dólares durante a segunda guerra, a mais catastrófica no Iraque, não sobrou nada do país, até as hidrelétricas no Rio Tigre e Eufrates e as refinarias foram completamente bombardeadas, e também todos os hospitais e escolas, não sobrou nada no país, como estão agora fazendo na Síria.

A CIA quer tirar do cenário do Norte da África a petrolífera Gazprom pois a Síria e os países vizinhos possuem tanto no mar Mediterrâneo como na região norte e oeste do continente africano imensas reservas de gás natural e petróleo e a construção de novos gasodutos da GAZPROM pelos russos podem poderá aumentar a dependência dos países europeus com o gás da Rússia que atualmente já abastece 80% da Europa Ocidental. Se os russos fecharem as válvulas de gás desses gasodutos nas suas fronteiras, toda a Europa parará e não terá energia para aquecimento no inverno e nem para mover a indústria e as termelétricas da Europa.

O Petróleo como sempre tem motivado guerras sangrentas, revoluções, golpes militares e recentemente até golpes sujos para tentar derrubar os governos na Venezuela e no Brasil por causa das gigantescas reservas descobertas em Maracaibo (perto das Guianas em 20130 e no PRÉ-SAL (Brasil em 2007) que são os dois campos petrolíferos ultra-gigantes maiores do hemisfério sul.

Esse conflito na Síria iniciado em março de 2011 foi alertado pelo Snowden que também alertou também as ameaças no Brasil no caso da imensas reservas brasileiras e venezuelanas e a alta produtividade dos campos petrolíferos do pré-sal) e informou recentemente sobre dois assassinatos de candidatos a presidência, um no México em 1995 (Luis Donaldo) do Brasil em 2014 (Eduardo Campos) foram patrocinados pela CIA por causa da questão do petróleo. no Brasil seria o retorno do REGIME DAS CONCESSÕES criado pelo governo tucano (FHC e DAVID ZYLBERSZTAJN).

Aécio Neves e Marina Silva encontraram-se sigilosamente com George Soros em agosto de 2014, antes do terceiro acidente com o avião de Campos em NY, isso mesmo com o megespeculador sr. George Soros (patrão de Arminio Fraga) e em agenda não revelada. Depois da derrota nas urnas o sr FHC teve um encontro reservado com George Soros aqui no Brasil. SOROS é o maior proprietário das ações preferenciais da Petrobras na Bolsa de New York, ganhadas numa raspadinha a baixos preços entregue por FHC no NYSE em junho de 1999 e desde 2000 a Petrobras remete para o exterior 40% dos seus lucros, vejam no blog do Argemiro Pertence, ela mostra que a Petrobras foi vítima de uma privatização branca, por baixo do pano, pela inclusão do ARTIGO 62 na Lei 9.478/97 que definiu um novo conceito, fajuto e farsante, de “empresa nacional”. FHC temia que uma privatização direta causaria clamor e revolta nos militares e por essa razão fez a privataria por baixo do pano, mudando a lei e entregando todas as seis bilhões de ações preferenciais no NYSE, deixando apenas dois bilhões de ações no BOVESPA, sendo 50 % mais uma ficaram com a União. Esse foi o maior golpe já feito na Bolsa, uma privatização branca e lesa-pátria. Antes dessa ação criminosa na bolsa de valores FHC e o genro entregaram as valiosas subsidiárias petroquímicas da Petrobras a baixos preços para o capital privado (COPENE, COPESUL, FAFEN, PQU, etc) entregues ao GRUPO TURCO QUATOR E PARA O AMIGO PESSOAL DE FHC SR EMILIO ODEBRECHT, pai de Marcelo (hoje grupo Braskem).

O conflito na Síria foi um conflito semelhante que aconteceu em 1979 quando o Irã (Khomeine) derrubou o Xá Rheza Palevi e ascenderam os aiatolás e os russos descobriram enormes jazidas de gás natural e petróleo no Mar Cáspio e o Afeganistão passou a ser a rota estratégica dos polidutos de petrolóleo e gás natural que causou a derrubada do rei afegão e a ascensão dos talibãs, a CIA treinou Bin Laden, um filho de um sócio de George Bush na empresa petrolífera Arbustus Oil Company portanto Bin Ladem virou um agende da CIA para formar a resistência aos talibãs e expulsar os russos, ele era filho da elite saudita do petróleo e agente duplo. No Egito a derrubada de Osni Mubarak foi por causa a segunda tentativa de uma total nacionalização do Canal de Suez, que foi constru´pidos pelos ingleses no início do século XX por causa da rota dos navios petroleiros para a Arábia Saudita e para o Golfo. A primeira tentativa de nacionalização foi em 1956 que gerou uma guerra sangrenta no canal e depois em 1967 a Guerra dos Sete Dias entre a RAU República Árabe Unida (Egito, Jordânia e Iraque) e Israel levou a uma intervenção militar dos EUA e os russos, aliados do Egito, entraram na briga, um avião americano foi derrubado pelos russos, gerando enorme conflito no Canal de Suez.

Em setembro de 1990 a Petrobrás descobriu o maior campo petrolífero do planeta ao sul do Iraque que foi maior ainda que a descoberta dos ingleses ao norte do Iraque (o campo gigante de Kirkuk foi descoberto em 1930 pela Inglaterra na região dominada pelos curdos ao norte do Iraque). Essa descoberta da BRASPETRO do mega-campo Majnoon em setembro de 1990 gerou o conflito da guerra do Iraque pois o campo de Majnoon foi considerado a maior descoberta petrolífera já feita no planeta, está situada ao sul do Iraque. A Petrobras descobriu ainda a existência de centenas de “poços horizontais direcionais” da CHEVRON no Campo Gigante de Majnoon, todos vindo “por baixo da fronteira” pleo lado do Kwait e evidenciou que a CHEVRON roubava o óleo iraquiano, essa descoberta gerou a invasão do Kwait pelo exército iraquiano e as duas guerras do Iraque, as mais sangrentas da história do petróleo com um milhão de iraquianos mortos, a destruição total do país e ainda a posse americana (pasme a Chevron e a Exxon) que hoje dominam a exploração do petróleo iraquiano. Os geólogos da Petrobras tiveram que deixar as pressas os acampamentos da BRASPETRO e as refinarias iraquianas que foram alvos de intensos bombardeios americanos.

A Chevron e a BP, Hallibourton e Exxon foram responsáveis por muitas guerras, golpes militares, guerras civis na África e no Oriente Médio, são empresas muito sinistras, já derrubaram muitos governos. A Chevron responde a milhares de processos nos EUA por causar doenças e vitimar até crianças com doenças pulmonares por causa do BTX no ar na região de Contra-Costa e Richmmond (vide anexos). A Chevron foi expulsa do Equador em 2007 por causa de um mega vazamento e teve que pagar uma multa bilionária de 8 bilhões de dólares ao governo, e também foi expulsa do Brasil em dezembro de 2012 por conta de dois mega vazamentos na Bacia de Campos, ela comprou a preços ínfimos um bloco petrolífero (pasme por preço de aparatamento) intermediado pela empresa do sr David Zylbersztajn, genro de FHC, chefe da ANP no governo tucano, quando ele criou o nefasto REGIME DE CONCESSÕES. A Chevron comprou uma concessão no pós-sal mas ao ficara sabendo que existia uma outra reserva mais profunda no mesmo local ela tentou atingir o pré-sal na camada profunda e perdeu o controle das barreiras e causou um mega desastre na Bacia de Campos e o petróleo vazou no mar por muitas semanas e foi preciso a intervenção da Petrobras para estancar esse mega-vazamento. A ANP teve que tomar a concessão e a PF recolheu os passaportes da Chevron.

A BP dispensa comentários, também é outra que se envolveu na explosão catastrófica da Refinaria do Texas em 23 de março de 2005 matando muitas pessoas e destruindo até casas nas comunidades vizinhas e ainda foi a responsável pelo maior desastre da história do petróleo no mundo, ocorrido em abril de 2010 na plataforma Deep Water Horizon, no campo de MACONDO ao sul da Louisiana que vazou por seis meses seguidos matando a fauna e gerando uma mega sujeira.

É exatamente essa Chevron que está patrocinando os tucanos na PEC-131. PASME.

Referências:

1- “Bush Family The American Calígulas” do economista e historiador Lindon LaRouche, editado pela editora EIR- Executive Intelligence Review.

2- “International Moneraty Fund – Preliminary Ideas for a Privatization Master Plan in Brazil of Eletrobras Group, Telebras Group, Petrobras Group & Petrochemical Group, Vale do Rio Doce Group and Infraero Group- April 1990- Confidential Memorandum- First Suisse Bank of Boston” . Esse documeto confidencial foi encomendado pela equipe economica do governo Collor para criar subsidios para implantar a Secretaria da Desestatização no Brasil em abril de 1990 e vazou na mídia no jornal empresarial RR- RELATORIO RESERVADO edição de JUNHO DE 1990.

3- “El Complot para Aniquilar las Naciones de Ibero America” Editora EIR, RE-EDITADO NO BRASIIL PELA MSIA (Geraldo Lino e Silvia Palacios no Rio de Janeiro em 1995) a edição original nos EUA foi de 1993, cita todos os acordos de Miguel Della Madrid, Salinas com O FMI Paul Volcer e James Backer e o agiota sr George Soros, megaespeculadores e o Consenso de Washington sobre as privatizações da infraestrutura e do setor de energia e petróleo na America Latina, antes do assassinato do candidato de centro à presidência o nacionalista sr Luis Donaldo assassinado antes do primeiro turno no México e nessa mesma época em 1995 o sr FHC e a Rede Globo aplicavam o golpe eleitoreiro para retirar o diplomata Rubens Ricupero autor do Plano Real, o Ricupero, que foi derrubado pela GLOBO em 1994, para que chanceler sr FHC ascendesse ao poder no ano seguinte. O Caso de Eduardo Campos foi muito parecido, o Snowden esclarece muito bem os fatos que antecederam ao desastre fatal em Santos, o avião teve duas panes anteriores, uma no dia 16 de junho e outra no dia 10 de agosto, e o avião voava absurdamente sem o VCR Voice Control Recorder (caixa preta) desde maio de 2014, um cenário orquestrado foi o DUMPING MUNDIAL DO PETRÓLEO iniciado em janeiro de 2014 no mundo, e o alvo é a reserva ULTRA-GIGANTE DO PRÉ-SAL. O alvo do Golpe não é o governo central, o impeachment seria só um meio para afastar os nacionalistas e entregar os poder para os entreguistas e iniciar os saque ao PRÉ-SAL. A CIA, segundo Snowden, objetiva na Venezuela e no Brasil obter a posse do petróleo nessa reserva gigantesca do PRÉ-SAL e as recentes descobertas feitas em MARACAIBO na fronteira com a Guina Inglesa e o governo em GEORGETOWN já falam uma nova batalha parecida com as MALVINAS no CARIBE. No Brasil os maiores entreguistas no momento são os políticos neoliberais e seus aliados José Serra, Marina Silva e Aécio Neves estão sendo descaradamente financiados pela Chevron e George Soros, o homem que ganhou o lote bilionário das ações da Petrobras no governo FHC a preços ínfimos no NYSE em junho de 1999 no PROJETO DE PRIVATARIAS TUCANAS do governo FHC. O próprio FHC confessa no seu livro editado em 4 volumes, que os apagões foram planejados e tramados nos bastidores, cortando verbas de manutenção em subestações, cortando os investimentos em reformas e reparos em linhas de transmissão e os blackouts foram consequência e dessa forma foi manipulada a opinião publica para fazer as privatizações do setor elétrico que ainda seguem em curso, mas agora muito pior pois além de FHC ter privatizados as empresas de distribuição agora o governo quer privatizar absurdamente as USINAS HIDRELÉTRICAS. Temos no Brasil 42 termelétricas muitas construídas por causa do GASBOL, e uma parque hidrelétrico fantástico interligado em paralelismo, são 541 Usinas Hidrelétricas a maioria estatais e muitas são privadas mas nas mãos de brasileiros e empresas nacionais (Grupo Votorantim tem muitas PCHs) , sendo 128 de grande porte (mega-usinas) e as demais são de médio porte e algumas PCHs. Privatiza-las é também crime lesa-pátria.

3- “Ronald Reagan and the Great Terror in Afeganistan” , Best Sellers Editors.

4- “Who Killer Indira Ghandy”.

5- “Ascensão e Queda do Projeto Camelot” Luois Irving – Mostra os projetos sociais na AM nos tempos de guerra fria e o treinamento de sociólogos no Brasil e no Chile para fazerem papel de esquerda na AM.

6- “CIA the Cult of Intelligence”.

7- “JFK, CIA and the president Killers Assassination” CIA and Carlo Marcello and Weapon Industry in US and Vietnam War.

8- “A História Secreta da Rede Globo e do Grupo Civita Mondadori Castellana di Palermo” (Daniel Herz, CPI GLOBO-TIME, 1964-1966) O livro revela a história secreta da Rede Globo, o contrato Glovo Time para derrubar Jango e centenas de anexos com detalhes de contas secretas na Suíça da família Marinho e de outros testas de ferro dos banqueiros credores no Brasil, deram origem aos Zelotes da era Collor de Mello, para fugirem do confisco 8.600 elites montaram a Operação Uruguai para fazer as remessas antes da data do confisco que foi devidamente avisado por Collor e Zélia, por essa razão Zélia foi condenada a 13 anos de prisão pelo vazamento da informação e da ajuda para evasão de divisas ao exterior. Os bancos no Uruguai em 1990, época anterior ao confisco, foram uma ponte para que 100 bilhões fosse enviado para a Suíça para outras centenas de bancos) .

9 – “The Great American Farse VIDEO” um importante video de 1 hora de duração, estava disponível no Youtube, feito pelo serviço de inteligência aeronáutica da Itália, contendo entrevistas com dezenas de pilotos italianos da Alitália que mostram as manobras impossíveis de aviões da envergadura daqueles se se envolveram nos “ataques” de 11 de setembro. e ainda mostra as falhas absurdas do NORAD no dia do ataque. Assista ao vídeo e anexe esses comentários. No dia 12 a 16 de maio de 2001 ocorreu auditoria do Centro de Convenções de Anaheim em Los Angeles na Califíornia o 2nd International NFPA Safety Meeting, o tema sobre os colapsos do TRADE WORlD CENTER causados pelo atentado terrorista de 1993 foram claramente elucidados pelos arquitetos do TWC eles até mostraram fotos das colunas centrais rachadas em 1993 e também sobre as vigas e colunas afetadas. Agora é impossível que aquelas duas torres tenham desabado daquela forma apenas pelo calor das chamas, qualquer engenheiro metalúrgico, civil ou mecânico que conheça a ciência dos materiais tem sólidos argumentos que contradizem essa versão do desabamento pelo calor, não foram as chamas que fizeram o prédio cair. Apesar de dos aviões serem de “rotas de costa a costa” repletos com grandes quantidades de querosene, essa quantidade de combustível não seriam suficiente para derreter as vigas e as colunas de aço das torres, seria necessário uma quantidade centenas de vezes maior para atingir a temperatura de colapso da maioria dos aços da ordem de 430 graus celisus ponto de início de uma acelerada gratifização dos aços ao carbono. Algo muito mais violento, uma nova arma foi usada e causou aqueles enormes danos. POR QUE O NORAD FALAHOU? O NORAD nunca teve registro de falha, aquela vez também foi a única que o sistema de comunicação aérea entrou em modo de falha. Um dos porteiros do andar térreo da Torre Sul, o sr Rodriguez informou em depoimento na Comissão de Inquérito, que alguns minutos antes da colisão do primeiro avião na torre, ele viu vidros em vários andares se estilhaçando e barulhos estarrecedores, cinco muitos depois iniciaram os “ataques” e aviões vindo em rota de colisão. Os aviões dessa envergadura não conseguem manualmente fazer aquelas cinco manobras vistas nas telas da TV, é algo cinematográfico, ou o controle daqueles aviões não estavam nas mãos daqueles pilotos ou um Controle de AVIÔNICA foi implantado propositadamente naquelas aeronaves, um piloto da Alitalia assistiu em câmara lenta as manobras rasas feitas pelo terceiro avião que fez uma rasante pelo Pentágono alegou ser também ser impossível um avião com aquele peso (200 toneladas) e com aquela envergadura fazer essa fantástica rasante, algo muito diferente foi feito com ajuda de um CONROLE DE AVIÔNICA mas não uma manobra manual do piloto. Note que o horário escolhido para fazer os ataques foi entre 09:23 e 09:42 hs, horário que só tinha cerca de 3 mil serviçais e alguns americanos desavisados, e que os empresários americanos só entravam a partir das 10 horas, Em 1955 lembro-me que um avião militar de grande porte chocou-se com o prédio Empire State e nada de grave aconteceu.

Termômetro da conjuntura política #7

Por Rennan Martins | Vila Velha, 19/10/2015

Ascensão e queda. A semana passada iniciou com o então soberbo presidente da Câmara anunciando que decidiria sobre a abertura do procedimento de impeachment contra Dilma Rousseff, tendo definido um rito que não observava a lei competente, mas o regimento interno, de forma a dar-lhe mais poder. O STF, notando a evidente paraguaiada armada pelo peemedebista, deferiu três liminares que impediam Eduardo Cunha de seguir pelo caminho, entendido como ilegal. Alguns dias se passaram e o vazamento dos documentos e assinaturas referentes as contas na Suíça simplesmente enterraram Cunha e qualquer pretensão de se manter frente a Câmara. Esta semana se inicia com a discussão sobre sua sucessão, que até mesmo o PMDB vê como inevitável.

Golpe fiscal. O senador José Serra (PSDB-SP) apresentou emenda ao Projeto de Resolução do Senado nº 84/2007 que, se aprovada, tem o potencial de devastar a já combalida economia e até a própria soberania nacional. O texto estabelece metas de superavit primário que nos transformariam numa colônia da dívida, submetendo o país a ajustes consideravelmente mais profundos que o atual – algo equivalente a 30% do PIB em dez anos. Tal medida se daria sem qualquer debate e com base em dados e conceitos falaciosos. Atenção, a banca não dorme e tem em Serra um obediente e aplicado serviçal, se você se opõe a este projeto, assine esta petição eletrônica e faça barulho nas redes.

Gravou ou não? A Lavajato tem recebido excepcional cobertura do repórter investigativo Marcelo Auler, que em seus últimos artigos expôs um imbróglio que ameaça a legalidade de boa parte da operação: o dos grampos não autorizados na cela do doleiro Alberto Yousseff. A escuta foi tida como inoperante, tendo a Polícia Federal alegado que ali estava quebrada desde os tempos em que Fernandinho Beira-Mar esteve preso no mesmo local. Hoje se sabe que esta versão não se sustenta e que os grampos gravaram em torno de 100 horas ilegalmente. Caso os advogados consigam comprovar que a força-tarefa fez uso desse material a anulação de diversas provas será inevitável.

Óbvio esquecido. O colunista do New York Times e nobel em economia, Paul Krugman, deu entrevista à Folha de São Paulo, e nela nos lembrou mais uma vez que o cenário recessivo global não é inexorável e que os livros de economia mais básicos indicam a solução que anteriormente já deu certo, mas que agora é ignorada: deficit público e investimento em infraestrutura. A economia é uma ciência humana que dispõe de inúmeras abordagens e soluções que variam conforme as circunstâncias, mas o debate econômico foi interditado pela escola de Chicago e o que temos agora são somente ajustes que ampliam as crises e trazem seríssima degradação social.

Teimosia. Nesse sentido, é incompreensível a obstinação da presidenta em manter o ultraortodoxo Joaquim Levy à frente da Fazenda. Desde que assumiu a pasta seus cortes somente derrubaram a atividade e definharam a arrecadação, o que por sua vez requer ainda mais cortes que aprofundam a recessão, verdadeiro cão correndo atrás do rabo. Sem uma mudança na política econômica a perspectiva é de aumento do desemprego e continuação da crise política.

Humanistas”. Os Estados Unidos permanecem desafiando os limites da hipocrisia. No mesmo mês em que bombardearam um hospital dos Médicos Sem Fronteiras conseguem levantar objeções as operações russas na Síria, únicas que têm conseguido combater de fato o Estado Islâmico. Ocorre que desta vez a OTAN está tão desmoralizada que nem mesmo seus próprios habitantes creem na narrativa corporativa dos conflitos. Pesquisa de opinião pública feita pelo tabloide Daily Express atesta que mais de 70% dos cidadãos britânicos apoiam a operação russa contra o Estado Islâmico.

Irã. O presidente norte-americano, Barack Obama, determinou que a administração do Estado tome as medidas cabíveis para levantamento das sanções impostas ao Irã há décadas. Tal decisão é fruto do acordo nuclear costurado entre os países e ocorreu 90 dias após a ratificação do mesmo por parte do Conselho de Segurança da ONU. A expectativa é de que Teerã abarcará mais petróleo na oferta global, o que pressionará o preço do óleo para baixo.

O deficit e a crise como oportunidades

Por Rennan Martins | Vila Velha, 04/09/2015

Deficit não é o bicho de sete cabeças como vem sendo retratado, podemos usá-lo pra sair da espiral de depressão econômica.

Esta semana o Mercado e seus bonecos de ventríloquo, presentes em abundância tanto no Congresso Nacional quanto na imprensa corporativa, entraram em polvorosa após a divulgação da proposta orçamentária de 2016, prevendo 0,5% de deficit primário. As reações demonstraram o quão desqualificado se encontra o debate econômico no país e também o alto grau de demagogia de vários elementos da oposição de direita.

A começar pelo âmbito político, é espantoso que senadores e deputados esbravejem que não é da competência do legislativo propor formas de equilibrar o orçamento no mesmo ano em que vemos uma verdadeira rebelião na Câmara, presidida por um candidato eleito justamente com o discurso de “independência” em relação ao executivo. Diversos políticos que há pouco tempo pregavam a adoção do regime parlamentarista hoje se negam a deliberar sobre cortes e geração de receita, evidenciando que estão dispostos somente a propor aumento de gastos para sua base eleitoral.

No que se refere ao campo econômico, temos que a opção pelo ajuste no final do ano passado foi um erro crasso. Joaquim Levy e sua tesoura conseguiram derrubar a atividade econômica já cambaleante, levando junto a arrecadação de impostos, que caiu a patamares incompatíveis até mesmo com a meta fiscal projetada para este ano, que por força da realidade teve de ser revista para 0,15%, correndo risco de nem a isso chegar efetivamente.

Soma-se ao arrocho a descoordenação da política monetária, evidente num Banco Central que eleva a Selic a 14,25%, o que inibe qualquer investimento produtivo e não combate efetivamente o tipo da inflação atual, presente com mais intensidade nos serviços e alimentos. O professor Rogério Studart registrou, ainda em maio último, esta pertinente observação:

Não somos a Inglaterra. Mas pelo menos uma lição não podemos deixar de ver nessa história: nem os Tories , no alto de sua fé liberal, ousaram, frente à atual crise externa, promover a austeridade monetária, e muito menos um arrocho como programa de responsabilidade fiscal. Os conservadores britânicos sabem que esta combinação gera recessão, quebras de empresas e mais desemprego.

Adentramos então o último terço do ano da forma acima descrita e prevista inúmeras vezes pelos mais variados economistas, acadêmicos, políticos e analistas. O desemprego cresce vigorosamente, ao passo que o aprofundamento dos cortes deprime a demanda agregada, nos pondo em espiral recessiva, caminho bem conhecido por países como Grécia, Portugal e mais recentemente, Porto Rico.

A situação fiscal precisa ser levada em conta, mas não na perspectiva posta pelo mundo das finanças, o qual vê como prioridade única o pagamento aos credores, ignorando sumariamente o emprego e a renda, fatores cruciais para o bem-estar da população. Além do mais, a relação dívida/PIB nacional está em patamares menores que os da Europa ou EUA. O portal Trading Economics informa que em dezembro de 2014 estávamos em 58,5%, ao passo que a França atingiu 95%, o Reino Unido 89,4%, enquanto os EUA – de onde muitos se espelham para propagandear um suposto exemplo de austeridade – tivemos o valor de 102,98%. E pra não alegarem que a comparação é errônea temos a Índia, uma economia emergente como a nossa, que no mesmo período estava em 65,5%.

O próprio Tio Sam, para surpresa dos tolos e constrangimento dos hipócritas, recorre com frequência a orçamentos deficitários. Em setembro do ano passado as despesas estavam US$ 483 bilhões maiores que as receitas, o equivalente a 2,8% do PIB, consideravelmente maior que os 0,5% propostos pelo governo brasileiro, absoluta e relativamente. Se ainda assim há ceticismo em torno do tema, podemos recorrer ao professor Thomas Piketty, que no seu livro O Capital no Século XXI, mais precisamente no terceiro capítulo, discorre sobre a história da dívida do Reino Unido.

(…) imagine um governo que incorre em deficit da ordem de 5% do PIB todo ano durante 20 anos (para pagar, digamos, os salários de um grande número de soldados, no período entre 1795 a 1815) sem aumentar impostos num montante equivalente. Após 20 anos, a dívida pública adicional acumulada será da ordem 100% do PIB. Suponhamos ainda que o governo não pague a parte principal, mas simplesmente os juros inerentes da dívida. (…)

Em linhas gerais foi isso que fez o Reino Unido no século dezenove. E eis que a partir de 1815 até 1914 as contas fecharam continuamente em superavit: em outras palavras, o recolhimento de impostos excedeu os gastos em considerável porcentagem em relação ao PIB – um montante maior, por exemplo, que o orçamento da educação para o período. Foi somente o crescimento do PIB e renda nacional (em torno de 2,5% por ano de 1815 a 1914) que, depois de um século de penúria, permitiu o Reino Unido reduzir significativamente sua dívida pública em relação a renda nacional (tradução livre).

Temos então que o debate a se fazer com seriedade é sobre o caminho para retomada do crescimento, aliado a uma política econômica que ao menos amenize a dependência do mercado internacional de commodities, visto que a crise econômica que se arrasta desde 2008 atingiu até mesmo a China, nos ensinando outra vez que não podemos desenvolver adequadamente com uma inserção global subalterna e dependente.

O caminho pelo qual podemos adentrar já foi aberto. O real perdeu sua antiga condição de alta artificial frente ao dólar, promotora da deletéria desindustrialização da estrutura produtiva. É hora de discutir alternativas concretas as quais prevejam o deficit de forma inteligente, com espaço para investimentos estratégicos na indústria, na infraestrutura e na educação. A dívida crescerá num primeiro momento, mas a retomada do crescimento nos proporcionará as condições necessárias para fazer frente a esta questão, visto que numa economia aquecida que emprega, produz e avança, teremos espaço orçamentário para pagar tais compromissos.

O autoritarismo dos entreguistas e os reais interessados no PLS 131

Por Rennan Martins | Vila Velha, 16/08/2015

Renan Calheiros manobra fortemente para garantir maioria na comissão especial de análise do projeto, que terá trâmite atabalhoado. Quem são os principais interessados num debate raso sobre o pré-sal? Um relatório de inteligência nos responde.

Tabela entre Renan e Serra fortalece o entreguismo do pré-sal. Foto: Estadão

A oposição a Petrobras e ao direito do povo de dispôr de seus recursos de forma soberana foi e é oportunista e autoritária, por ter consciência do quanto os brasileiros valorizam nossa estatal e o projeto de desenvolvimento autônomo a ela vinculado. Desta vez, os partidários do PLS 131/2015 não traem sua tradição histórica e se valem de todo e qualquer expediente para garantir a entrega do pré-sal ao cartel das multinacionais estrangeiras.

Como já é sabido, o senador José Serra (PSDB-SP) apresentou o PLS 131/2015, que extingue a condição da Petrobras de operadora única do pré-sal, justo num momento em que a empresa se vê vítima de um cartel. A intenção é se aproveitar da crise para cumprir a promessa que fez a Chevron, apresentando como solução algo mais danoso que a própria corrupção descoberta.

Os últimos acontecimentos envolvendo a tramitação do projeto no Senado evidenciam a forte atuação do peessedebista coordenada com o presidente da casa, Renan Calheiros (PMDB-AL), no sentido de garantir maioria favorável na Comissão Especial de análise, instalada depois que o regime de urgência na tramitação do PLS 131 foi extinto por requerimento de nada menos que 46 dos 81 senadores.

Designada a comissão de 27 senadores, construiu-se outra vez maioria pela manutenção do regime de partilha e a Petrobras como operadora única do pré-sal. Eis que, ao constatar que não conseguiria aprovar relatório favorável ao entreguismo com tal comissão, o presidente do Senado a dissolveu, reduziu o número de integrantes da nova comissão para 14 e nomeou todos os titulares e suplentes, numa manobra claramente autocrática e desrespeitosa a democracia e a proporcionalidade dos blocos. Dentre estes 14 e não por coincidência, a maioria tinha bons olhos para a iniciativa do senador Serra. Teria o presidente do Senado, do qual se espera uma condução neutra dos atos e o respeito ao posicionamento de seus pares, a legitimidade de atropelar a maioria em nome de sua visão?

Diante de tanta pressa e reiteradas manobras desrespeitosas a democracia do legislativo, fica o seguinte questionamento. A quem interessa que um projeto que modifica decisivamente a estrutura econômica e tecnológica nacional trâmite de forma tão irresponsável? Certamente não a quem pretende discutir com clareza e objetividade os efeitos dele provenientes. Tal truculência é condizente a de quem não quer conduzir os atos com transparência para com a população.

Relatório geopolítico intitulado Geopolitical Diary: ‘Blue Skying’ Brazil, escrito ainda em 2008 pela consultoria Stratfor, que presta serviços a grandes empresas internacionais e principalmente aos Estados Unidos, a ponto de ser conhecida como braço oculto da CIA, esclarece quem são os maiores interessados em explorar o pré-sal. Nele, os analistas iniciam dizendo que:

O Brasil é uma potência ascendente política, econômica e militarmente falando. Não é somente o maior país em termos de população e peso econômico, poderio militar e extensão geográfica, como está num processo de crescente expansão do poder geopolítico.

Para então comentar sobre o descobrimento do pré-sal e do enorme potencial destas reservas questionando “Como o mundo se tornaria caso surgisse na América Latina uma versão da Arábia Saudita? Que mudanças se dariam na cena global?”

E finalizar postulando o que muitos dizem e alguns desacreditam alegando que “Pela visão de Washington, conseguir petróleo de um país relativamente amigável, estável e de maior proximidade é extremamente preferível a lidar com o caos do distante Oriente Médio.” Considerando as reservas decrescentes das petroleiras angloamericanas, o lobby da Chevron articulado junto ao senador Serra e esta análise de inteligência norte-americana, os beneficiários do PLS 131/2015 não são, nem de longe, o povo brasileiro.