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O que ainda mantém Cardozo no governo ?

Por Bepe Damasco | Via Blog do Bepe

A atuação do ministro José Eduardo Cardozo à frente do Ministério da Justiça é um daqueles enigmas capazes de devorar quem não for capaz de decifrá-lo Se a Polícia Federal se transformou num monstro antirrepublicano completamente fora de controle, como todas as evidências apontam, o ministro a quem a PF deve obediência e subordinação tem de ser demitido em nome da preservação da hierarquia. No seu lugar, deve entrar alguém com capacidade para pôr o guizo no gato, freando as ações pirotécnicas e midiáticas da PF contra o PT, enquanto poupa adversários do governo.Contudo, permanece o mistério : por que será que o ministro Cardozo ainda não foi afastado pela presidenta Dilma ?

Para complicar ainda mais esse imbróglio, dizem que o ministro goza da confiança irrestrita de Dilma Ficamos combinados, então, que a presidenta da República prestigia e fortalece um auxiliar responsável por seguidas ações seletivas da PF sobre integrantes do seu governo e aliados ? Esquizofrenia pura. No mínimo, Dilma teria de cobrar isonomia da PF entre petistas, gente dos governos estaduais do PSDB e demais membros da oposição. Mas não. Vive a elogiar as ações do PF. É como se um técnico de futebol enaltecesse um jogador seu que só faz gol contra, mas poupa a meta adversária.

Enquanto o governador Pimentel e sua esposa são vítimas de uma operação arbitrária e sem pé nem cabeça da PF, até hoje não se sabe porque um helicóptero carregado de cocaína pertencente a um aliado de Aécio Neves não mereceu a mesma atenção dos federais. Nem porque nenhum envolvido no Trensalão tucano de São Paulo foi incomodado pela “faxina ética” da PF.

Tesoureiros de todos os partidos receberam doações de empreiteiras. No entanto, para a PF, só as recebidas pelo PT são ilegais. Por isso, entre os responsáveis pelas finanças de todos os partidos, apenas o petista João Vaccari Neto está preso. No mundo do marketing político, advinha quem foi o único profissional a ser ameaçado de indiciamento pela PF? Claro, João Santana, responsável pela campanha de Lula em 2006 e Dilma em 2010 e 2014.

Se não tiver petista na história, tudo passa batido. Delegados da PF veem indícios contra Lula devido à contribuição de empreiteiras ao seu instituto, mas são cegos ao forte apoio financeiro das mesmas empreiteiras ao instituto de FHC. Eduardo Cunha, Aloysio Nunes e Anastasia, por exemplo, sabem que jamais serão alvo de uma ação da PF. Afinal, são oposicionistas. E quem é de oposição está protegido contra este tipo de problema.

O reaparelhamento da PF, e suas tão propaladas autonomia e independência, obra e graça dos governos Lula e Dilma, não vêm servindo ao estado de direito democrático. Ao contrário, atentam contra a democracia, na medida em que usam e abusam de uma melhor estrutura em termos de equipamentos, tecnologia e recursos humanos para servir a interesses partidários e contribuir para interromper o mandato constitucional da presidenta Dilma.

Há poucos dias, li uma importante matéria do Luis Nassif, no GGN, na qual o jornalista examina as entranhas da rebelião da PF contra o PT. Nassif aponta como principal causa para o antipetismo visceral e o ativismo tucano que grassa na instituição a colaboração do governo Lula para que as operações Castelo de Areia e Satiagraha, que fisgava tucanos graúdos, acabassem anuladas pelos tribunais superiores.

Sendo assim, a situação ganha contornos ainda mais absurdos. Pataquadas do republicanismo petista com efeito bumerangue à parte, como admitir que a chefe do Poder Executivo e seu ministro de Estado de Justiça tolerem que subordinados que dirigem a PF orientem suas atuações pela sede de vingança contra um determinado partido político? Como permitir que a PF avance tantas casas no caminho da degeneração até tornar-se braço do estado em articulações golpistas?

Em tempo : que fim levou o inquérito que o ministro Cardozo disser ter aberto contra delegados da PF flagrados fazendo campanha para Aécio nas redes sociais, nas eleições do ano passado?

FMI confirma calote de € 1,6 bi e declara Grécia oficialmente ‘em moratória’

Via Opera Mundi

Fracasso em negociação por acordo com credores do fundo foi confirmado às 19h quando situação de default técnico entrou em vigor.

Com a impossibilidade de um acordo entre a Grécia e os credores internacionais para uma extensão do plano atual de resgate, a Grécia entrou às 19h desta terça-feira (30/06) em default técnico por não transferir para o FMI (Fundo Monetário Internacional) o valor da parcela de 1,6 bilhões de euros para o FMI (Fundo Monetário Internacional), tornando-se assim o primeiro país de economia considerada “desenvolvida” a dar calote nos últimos 71 anos.

“Confirmo que o pagamento de cerca de 1,6 bilhão de euros devidos pela Grécia ao FMI hoje não foi recebido. Informamos ao Diretório Executivo que a Grécia está agora em moratória e só pode receber recursos assim que os atrasos tenham sido compensados”, disse Gerry Rice, porta-voz da instituição, em breve comunicado.

Com o ato, o país heleno também se torna o maior devedor do fundo internacional, uma vez que deve no total 35 bilhões de euros (R$ 120 bilhões, aproximadamente), como resultado do plano de resgate acordado em 2010. Até o final do ano, o país ainda deve pagar 5,5 bilhões de euros (R$ 19 bilhões).

Tsipras tentou chegar a acordo em reunião hoje com líderes europeus

Regimento do FMI

O fundo não concede prazo de carência, como foi indevidamente interpretado por alguns analistas. Assim, minutos após o calote, a diretora-gerente do FMI, Christine Lagarde, notificará o conselho, o que poderá ter consequências nas cláusulas de default nos acordos feitos pelo governo grego por credores europeus.

De acordo com Lagarde, nos últimos 30 anos não foi permitido pelo FMI a realização de pagamentos fora do prazo, sinalizando que não será feita concessão aos gregos.

O calote pode ter como consequência para o país a perda imediata do acesso aos recursos do FMI e, caso a situação não seja resolvida rapidamente, a Grécia poderá perder o direito ao voto no organismo e até ser expulso do fundo.

Após o anúncio de que será realizado um referendo para decidir se gregos devem ou não aceitar acordo; milhares protestaram pelo ‘não’

A situação deixa o país mais próximo de uma possível saída da zona do euro, chamada de ‘grexit’. Se confirmado o cenário, as consequências para a União Europeia são consideradas imprevisíveis.

Sem acordo

Após uma reunião extraordinária feita por teleconferência, os ministros das Finanças da Europa rejeitaram hoje estender o plano atual de resgate para a Grécia, mas concordaram em se reunir amanhã para discutir um novo programa de auxílio, que foi pedido pelo governo de Alexis Tsipras.

Nesta terça, manifestantes favoráveis ao acordo protestaram em Atenas:

Got to a high point to overlook Athens pro-EU demo. Larger & noticeably wealthier crowd than at the anti-EU protest. pic.twitter.com/bzvXsvXPVf

— Jim Waterson (@jimwaterson) 30 junho 2015

O chefe do Eurogrupo, Jeroen Dijsselbloem, disse que “seria maluco” estender o programa vigente nas atuais circunstâncias. Segundo ele, além disso, era “muito tarde” para estender o atual programa de resgate grego e que o novo plano a ser possivelmente discutido pode impor “condições mais duras” do que anteriormente.

Auditoria da dívida

De acordo com o Comitê para a Abolição da Dívida do Terceiro Mundo (CADTM, na sigla em inglês), que realizou uma auditoria da dívida, que será divulgada amanhã no país, revela que os mecanismos adotados pelos acordos de 2010, criaram “uma quantia substancial de nova dívida aos credores bilaterais e o FEEF (Fundo Europeu de Estabilidade Financeira), ao mesmo tempo que gerou custos abusivos e que agravaram ainda mais a crise”. De acordo com o grupo, “a maioria dos fundos emprestados foram diretamente transferidos para instituições financeiras. Em vez de beneficiarem a Grécia, eles aceleraram o processo de privatizações, através do uso de instrumentos financeiros”, diz o levantamento.

Elaborado por Stavros Papaioannou, 2013 – p. 90

Assim, o grupo conclui que “a dívida pública grega em junho de 2015 é insustentável, uma vez que atualmente a Grécia não é capaz de servir a sua dívida sem prejudicar seriamente a capacidade de cumprir obrigações básicas de direitos humanos. Para além disso, o relatório aponta provas por cada credor dos casos de dívidas ilegais, ilegítimas e odiosas”.

História dos calotes

O primeiro calote que se tem notícia ocorreu na própria Grécia em 377 antes de Cristo, quando uma dezena de cidades gregas (polis) decidiram não cumprir com suas obrigações financeiras. Já o país que mais vezes recorreu ao calote é a Espanha, que o fez 14 vezes ao longo da história.

Fechamento de bancos não gerou tensão ou violência no país

Estudo realizado pelos economistas Kenneth Rogoff e Carmen Reinhart da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, que estudam os defaults de dívidas soberanas, ou seja, as declaradas pelo Estado, desde 1800 até 2000, revela que os calotes não são eventos isolados dentro do sistema capitalista, mas “partes inerentes da economia global”, como afirmou Rogoff à BBC Mundo.

O levantamento aponta que nos 200 anos pesquisados, ocorreram 250 cancelamentos de pagamentos por parte das nações, ou seja, em média um por ano. Os mais afetados são, de acordo com as Nações Unidas, os países em desenvolvimento.

Câmara rejeita redução da maioridade penal; saiba como votou seu deputado

Por Pedro Marin | Via Revista Opera

A Câmara dos Deputados rejeitou na noite desta terça-feira (30), por votos 303 a favor e 184 contra , o Projeto de Emenda Constitucional 171/93, que reduziria a maioridade penal no caso de crimes hediondos. Eram necessários 308 votos favoráveis para que a proposta fosse aprovada.

De acordo com o texto, jovens de 16 a 18 anos que cometeram crimes considerados hediondos deveriam ser presos, separados dos maiores de 18 e menores de 16.

Durante a discussão, centenas de manifestantes contra a redução ficaram do lado de fora da Câmara. Houveram agressões por parte da Polícia Legislativa Federal, que barrou a entrada dos manifestantes no Plenário e chegou a usar spray de pimenta.

No entanto, a proposta rejeitada é uma proposta substitutiva, que se aplicaria somente a jovens que cometessem crimes hediondos. A PEC original, que se aplica a jovens que cometerem qualquer tipo de crime ainda será votada.

Contra a redução

Muitos especialistas manifestaram nos últimos meses preocupações com o projeto de lei. Para o professor e doutor em ciências sociais, Vitor Amorim de Angelo, a proposta, que tem mais de 80% do apoio da população brasileira, passa por um processo de manipulação midiática, e não diminuiria os índices de criminalidade no Brasil:

“Hoje, nós temos mais de 500 mil presos no Brasil. De 1990 a 2013, essa população cresceu mais de 500%. No entanto, os crimes não diminuíram. Estamos entre os países que mais prendem em todo o mundo. A redução da maioridade só vai acelerar este processo, sem que tenhamos conseguido resolver outros, como, por exemplo, as condições em que este cidadão é preso”, disse Vitor ao Blog dos Desenvolvimentistas em entrevista neste mês.

Já para o juiz da 1ª Vara da infância de São Paulo, Luis Fernando Vidal, discutir a redução sem investir em outros campos é varrer sujeira para baixo do tapete:

“Precisamos investir com seriedade e qualidade nas políticas públicas, especialmente aquelas de caráter preventivo, a fim de evitar a incidência infracional, e nas medidas socioeducativas em meio aberto, para evitar os malefícios desastrosos da privação da liberdade. É por isso que toda a discussão hoje estabelecida é inócua e meramente retórica. Sem investir em políticas públicas, estaremos a varrer sujeira para baixo do tapete.”

Saiba como votou cada deputado:

Parlamentar UF Voto
DEM
Alberto Fraga DF Sim
Alexandre Leite SP Sim
Carlos Melles MG Sim
Claudio Cajado BA Sim
Efraim Filho PB Sim
Eli Corrêa Filho SP Sim
Elmar Nascimento BA Sim
Felipe Maia RN Sim
Hélio Leite PA Sim
Jorge Tadeu Mudalen SP Sim
José Carlos Aleluia BA Sim
Mandetta MS Não
Marcelo Aguiar SP Sim
Mendonça Filho PE Sim
Misael Varella MG Sim
Moroni Torgan CE Sim
Onyx Lorenzoni RS Sim
Pauderney Avelino AM Sim
Paulo Azi BA Sim
Professora Dorinha Seabra Rezende TO Não
Rodrigo Maia RJ Sim
Total DEM: 21
PCdoB
Alice Portugal BA Não
Aliel Machado PR Não
Carlos Eduardo Cadoca PE Não
Chico Lopes CE Não
Daniel Almeida BA Não
Davidson Magalhães BA Não
Jandira Feghali RJ Não
Jô Moraes MG Não
João Derly RS Não
Luciana Santos PE Não
Orlando Silva SP Não
Rubens Pereira Júnior MA Não
Wadson Ribeiro MG Não
Total PCdoB: 13
PDT
Abel Mesquita Jr. RR Não
Afonso Motta RS Não
André Figueiredo CE Não
Dagoberto MS Não
Damião Feliciano PB Não
Félix Mendonça Júnior BA Não
Flávia Morais GO Não
Giovani Cherini RS Não
Major Olimpio SP Sim
Marcelo Matos RJ Abstenção
Marcos Rogério RO Sim
Mário Heringer MG Não
Pompeo de Mattos RS Não
Roberto Góes AP Não
Ronaldo Lessa AL Não
Sergio Vidigal ES Não
Subtenente Gonzaga MG Não
Weverton Rocha MA Não
Wolney Queiroz PE Não
Total PDT: 19
PEN
André Fufuca MA Sim
Junior Marreca MA Sim
Total PEN: 2
PHS
Adail Carneiro CE Não
Carlos Andrade RR Sim
Diego Garcia PR Não
Kaio Maniçoba PE Não
Marcelo Aro MG Sim
Total PHS: 5
PMDB
Alberto Filho MA Sim
Alceu Moreira RS Sim
Aníbal Gomes CE Sim
Baleia Rossi SP Sim
Carlos Bezerra MT Não
Carlos Henrique Gaguim TO Sim
Carlos Marun MS Sim
Celso Jacob RJ Sim
Celso Maldaner SC Não
Celso Pansera RJ Não
Daniel Vilela GO Sim
Danilo Forte CE Sim
Darcísio Perondi RS Não
Dulce Miranda TO Não
Edinho Bez SC Sim
Edio Lopes RR Sim
Eduardo Cunha RJ Art. 17
Elcione Barbalho PA Não
Fabio Reis SE Sim
Fernando Jordão RJ Sim
Flaviano Melo AC Sim
Geraldo Resende MS Sim
Hermes Parcianello PR Sim
Hildo Rocha MA Sim
Hugo Motta PB Sim
Jarbas Vasconcelos PE Não
Jéssica Sales AC Sim
João Arruda PR Não
João Marcelo Souza MA Não
José Fogaça RS Não
Josi Nunes TO Não
Laudivio Carvalho MG Sim
Lelo Coimbra ES Não
Leonardo Picciani RJ Sim
Leonardo Quintão MG Sim
Lindomar Garçon RO Abstenção
Lucio Mosquini RO Sim
Lucio Vieira Lima BA Sim
Manoel Junior PB Sim
Marcelo Castro PI Sim
Marcos Rotta AM Sim
Marinha Raupp RO Não
Marquinho Mendes RJ Sim
Marx Beltrão AL Sim
Mauro Lopes MG Sim
Mauro Mariani SC Sim
Mauro Pereira RS Sim
Osmar Serraglio PR Sim
Osmar Terra RS Não
Pedro Chaves GO Sim
Rogério Peninha Mendonça SC Sim
Ronaldo Benedet SC Sim
Roney Nemer DF Sim
Saraiva Felipe MG Não
Sergio Souza PR Sim
Simone Morgado PA Não
Soraya Santos RJ Sim
Valdir Colatto SC Sim
Veneziano Vital do Rêgo PB Sim
Vitor Valim CE Sim
Walter Alves RN Sim
Washington Reis RJ Não
Total PMDB: 62
PMN
Antônio Jácome RN Sim
Dâmina Pereira MG Sim
Hiran Gonçalves RR Sim
Total PMN: 3
PP
Afonso Hamm RS Sim
Arthur Lira AL Sim
Beto Rosado RN Sim
Cacá Leão BA Sim
Conceição Sampaio AM Não
Covatti Filho RS Sim
Dilceu Sperafico PR Sim
Dimas Fabiano MG Sim
Eduardo da Fonte PE Sim
Esperidião Amin SC Sim
Ezequiel Fonseca MT Sim
Fernando Monteiro PE Sim
Guilherme Mussi SP Sim
Jair Bolsonaro RJ Sim
Jerônimo Goergen RS Sim
Jorge Boeira SC Sim
José Otávio Germano RS Sim
Julio Lopes RJ Sim
Lázaro Botelho TO Sim
Luis Carlos Heinze RS Sim
Luiz Fernando Faria MG Sim
Marcelo Belinati PR Sim
Marcus Vicente ES Sim
Mário Negromonte Jr. BA Sim
Missionário José Olimpio SP Sim
Nelson Meurer PR Sim
Odelmo Leão MG Sim
Paulo Maluf SP Sim
Renato Molling RS Sim
Renzo Braz MG Sim
Ricardo Barros PR Não
Roberto Balestra GO Sim
Roberto Britto BA Sim
Ronaldo Carletto BA Sim
Sandes Júnior GO Sim
Simão Sessim RJ Sim
Toninho Pinheiro MG Sim
Waldir Maranhão MA Não
Total PP: 38
PPS
Alex Manente SP Sim
Arnaldo Jordy PA Não
Carmen Zanotto SC Não
Eliziane Gama MA Não
Hissa Abrahão AM Não
Marcos Abrão GO Não
Moses Rodrigues CE Sim
Raul Jungmann PE Não
Roberto Freire SP Não
Rubens Bueno PR Não
Sandro Alex PR Sim
Total PPS: 11
PR
Aelton Freitas MG Sim
Altineu Côrtes RJ Sim
Anderson Ferreira PE Sim
Bilac Pinto MG Sim
Cabo Sabino CE Sim
Capitão Augusto SP Sim
Clarissa Garotinho RJ Não
Dr. João RJ Sim
Francisco Floriano RJ Sim
Giacobo PR Sim
Gorete Pereira CE Sim
João Carlos Bacelar BA Sim
Jorginho Mello SC Sim
José Rocha BA Sim
Laerte Bessa DF Sim
Lincoln Portela MG Sim
Lúcio Vale PA Sim
Luiz Cláudio RO Sim
Luiz Nishimori PR Sim
Magda Mofatto GO Sim
Marcio Alvino SP Sim
Marcos Soares RJ Sim
Maurício Quintella Lessa AL Sim
Miguel Lombardi SP Sim
Milton Monti SP Sim
Paulo Feijó RJ Sim
Paulo Freire SP Sim
Remídio Monai RR Sim
Silas Freire PI Sim
Tiririca SP Sim
Vinicius Gurgel AP Sim
Wellington Roberto PB Sim
Zenaide Maia RN Não
Total PR: 33
PRB
Alan Rick AC Sim
André Abdon AP Sim
Antonio Bulhões SP Sim
Beto Mansur SP Sim
Carlos Gomes RS Sim
Celso Russomanno SP Sim
César Halum TO Sim
Cleber Verde MA Sim
Fausto Pinato SP Sim
Jhonatan de Jesus RR Sim
Jony Marcos SE Sim
Marcelo Squassoni SP Sim
Márcio Marinho BA Sim
Roberto Alves SP Sim
Roberto Sales RJ Sim
Ronaldo Martins CE Sim
Rosangela Gomes RJ Sim
Tia Eron BA Sim
Vinicius Carvalho SP Sim
Total PRB: 19
Pros
Ademir Camilo MG Sim
Antonio Balhmann CE Sim
Beto Salame PA Não
Domingos Neto CE Não
Dr. Jorge Silva ES Não
Givaldo Carimbão AL Não
Hugo Leal RJ Não
Leônidas Cristino CE Não
Miro Teixeira RJ Não
Rafael Motta RN Não
Ronaldo Fonseca DF Sim
Valtenir Pereira MT Sim
Total Pros: 12
PRP
Juscelino Filho MA Sim
Marcelo Álvaro Antônio MG Sim
Total PRP: 2
PRTB
Cícero Almeida AL Sim
Total PRTB: 1
PSB
Adilton Sachetti MT Sim
Átila Lira PI Não
Bebeto BA Não
César Messias AC Não
Fabio Garcia MT Sim
Fernando Coelho Filho PE Não
Flavinho SP Não
Glauber Braga RJ Não
Gonzaga Patriota PE Sim
Heitor Schuch RS Não
Heráclito Fortes PI Abstenção
Janete Capiberibe AP Não
João Fernando Coutinho PE Não
José Reinaldo MA Sim
Jose Stédile RS Não
Júlio Delgado MG Não
Keiko Ota SP Sim
Leopoldo Meyer PR Não
Luciano Ducci PR Sim
Luiz Lauro Filho SP Sim
Luiza Erundina SP Não
Maria Helena RR Não
Marinaldo Rosendo PE Sim
Pastor Eurico PE Sim
Paulo Foletto ES Não
Stefano Aguiar MG Sim
Tadeu Alencar PE Não
Tenente Lúcio MG Não
Tereza Cristina MS Não
Valadares Filho SE Não
Vicentinho Júnior TO Sim
Total PSB: 31
PSC
Andre Moura SE Sim
Edmar Arruda PR Sim
Eduardo Bolsonaro SP Sim
Erivelton Santana BA Sim
Gilberto Nascimento SP Sim
Júlia Marinho PA Sim
Marcos Reategui AP Não
Pr. Marco Feliciano SP Sim
Professor Victório Galli MT Sim
Raquel Muniz MG Sim
Silvio Costa PE Não
Total PSC: 11
PSD
Alexandre Serfiotis RJ Sim
Átila Lins AM Sim
Cesar Souza SC Sim
Danrlei de Deus Hinterholz RS Sim
Delegado Éder Mauro PA Sim
Diego Andrade MG Sim
Evandro Roman PR Sim
Fábio Faria RN Sim
Fábio Mitidieri SE Sim
Felipe Bornier RJ Sim
Fernando Torres BA Não
Francisco Chapadinha PA Sim
Goulart SP Sim
Herculano Passos SP Sim
Heuler Cruvinel GO Sim
Indio da Costa RJ Sim
Irajá Abreu TO Sim
Jaime Martins MG Sim
Jefferson Campos SP Sim
João Rodrigues SC Sim
Joaquim Passarinho PA Sim
José Carlos Araújo BA Sim
José Nunes BA Sim
Júlio Cesar PI Sim
Marcos Montes MG Sim
Paulo Magalhães BA Não
Ricardo Izar SP Sim
Rogério Rosso DF Sim
Rômulo Gouveia PB Sim
Sérgio Brito BA Sim
Sóstenes Cavalcante RJ Sim
Walter Ihoshi SP Sim
Total PSD: 32
PSDB
Alexandre Baldy GO Sim
Alfredo Kaefer PR Sim
Antonio Imbassahy BA Sim
Arthur Virgílio Bisneto AM Sim
Betinho Gomes PE Não
Bonifácio de Andrada MG Sim
Bruna Furlan SP Sim
Bruno Araújo PE Sim
Bruno Covas SP Sim
Caio Narcio MG Sim
Carlos Sampaio SP Sim
Célio Silveira GO Sim
Daniel Coelho PE Sim
Delegado Waldir GO Sim
Domingos Sávio MG Sim
Eduardo Barbosa MG Não
Eduardo Cury SP Sim
Fábio Sousa GO Sim
Geovania de Sá SC Sim
Giuseppe Vecci GO Sim
Izalci DF Sim
João Campos GO Sim
João Castelo MA Sim
João Gualberto BA Sim
João Paulo Papa SP Não
Jutahy Junior BA Sim
Lobbe Neto SP Sim
Luiz Carlos Hauly PR Sim
Mara Gabrilli SP Não
Marco Tebaldi SC Sim
Marcus Pestana MG Sim
Mariana Carvalho RO Sim
Max Filho ES Não
Miguel Haddad SP Sim
Nelson Marchezan Junior RS Sim
Nilson Leitão MT Sim
Nilson Pinto PA Sim
Otavio Leite RJ Sim
Paulo Abi-Ackel MG Sim
Pedro Cunha Lima PB Sim
Pedro Vilela AL Sim
Raimundo Gomes de Matos CE Sim
Ricardo Tripoli SP Sim
Rocha AC Sim
Rodrigo de Castro MG Sim
Rossoni PR Sim
Samuel Moreira SP Sim
Shéridan RR Sim
Silvio Torres SP Sim
Vanderlei Macris SP Sim
Vitor Lippi SP Sim
Total PSDB: 51
PSDC
Aluisio Mendes MA Sim
Luiz Carlos Ramos RJ Sim
Total PSDC: 2
Psol
Chico Alencar RJ Não
Edmilson Rodrigues PA Não
Ivan Valente SP Não
Jean Wyllys RJ Não
Total Psol: 4
PT
Adelmo Carneiro Leão MG Não
Afonso Florence BA Não
Alessandro Molon RJ Não
Ana Perugini SP Não
Andres Sanchez SP Não
Angelim AC Não
Arlindo Chinaglia SP Não
Assis do Couto PR Não
Benedita da Silva RJ Não
Beto Faro PA Não
Bohn Gass RS Não
Caetano BA Não
Carlos Zarattini SP Não
Chico D Angelo RJ Não
Décio Lima SC Não
Enio Verri PR Não
Erika Kokay DF Não
Fernando Marroni RS Não
Gabriel Guimarães MG Não
Givaldo Vieira ES Não
Helder Salomão ES Não
Henrique Fontana RS Não
João Daniel SE Não
Jorge Solla BA Não
José Airton Cirilo CE Não
José Guimarães CE Não
José Mentor SP Não
Leo de Brito AC Não
Leonardo Monteiro MG Não
Luiz Couto PB Não
Luiz Sérgio RJ Não
Luizianne Lins CE Não
Marco Maia RS Não
Marcon RS Não
Margarida Salomão MG Não
Maria do Rosário RS Não
Moema Gramacho BA Não
Nilto Tatto SP Não
Odorico Monteiro CE Não
Padre João MG Não
Paulão AL Não
Paulo Pimenta RS Não
Paulo Teixeira SP Não
Pedro Uczai SC Não
Professora Marcivania AP Não
Reginaldo Lopes MG Não
Rubens Otoni GO Não
Ságuas Moraes MT Não
Sibá Machado AC Não
Toninho Wandscheer PR Não
Valmir Assunção BA Não
Valmir Prascidelli SP Não
Vander Loubet MS Não
Vicente Candido SP Não
Vicentinho SP Não
Wadih Damous RJ Não
Waldenor Pereira BA Não
Weliton Prado MG Sim
Zé Carlos MA Não
Zé Geraldo PA Não
Zeca Dirceu PR Não
Total PT: 61
PTB
Adalberto Cavalcanti PE Sim
Adelson Barreto SE Sim
Alex Canziani PR Não
Antonio Brito BA Não
Arnaldo Faria de Sá SP Sim
Arnon Bezerra CE Sim
Benito Gama BA Sim
Cristiane Brasil RJ Sim
Deley RJ Não
Eros Biondini MG Não
Jorge Côrte Real PE Sim
Josué Bengtson PA Sim
Jovair Arantes GO Sim
Jozi Rocha AP Sim
Luiz Carlos Busato RS Não
Nelson Marquezelli SP Sim
Nilton Capixaba RO Sim
Paes Landim PI Sim
Pedro Fernandes MA Não
Ricardo Teobaldo PE Sim
Ronaldo Nogueira RS Sim
Sérgio Moraes RS Sim
Walney Rocha RJ Sim
Wilson Filho PB Sim
Zeca Cavalcanti PE Sim
Total PTB: 25
PTC
Brunny MG Sim
Uldurico Junior BA Não
Total PTC: 2
PTdoB
Luis Tibé MG Sim
Pastor Franklin MG Sim
Total PTdoB: 2
PTN
Bacelar BA Não
Christiane de Souza Yared PR Não
Delegado Edson Moreira MG Sim
Renata Abreu SP Sim
Total PTN: 4
PV
Dr. Sinval Malheiros SP Não
Evair de Melo ES Não
Evandro Gussi SP Não
Fábio Ramalho MG Não
Leandre PR Sim
Penna SP Sim
Sarney Filho MA Não
Total PV: 7
S.Part.
Cabo Daciolo RJ Não
Total S.Part.: 1
Solidariedade
Arthur Oliveira Maia BA Sim
Augusto Carvalho DF Não
Augusto Coutinho PE Sim
Aureo RJ Não
Benjamin Maranhão PB Sim
Carlos Manato ES Sim
Elizeu Dionizio MS Sim
Expedito Netto RO Não
Ezequiel Teixeira RJ Sim
Fernando Francischini PR Sim
Genecias Noronha CE Sim
JHC AL Não
José Maia Filho PI Não
Laercio Oliveira SE Sim
Lucas Vergilio GO Sim
Paulo Pereira da Silva SP Sim
Zé Silva MG Sim
Total Solidariedade: 17
Fonte da lista: Mesa Diretora da Câmara dos Deputados

Homicídios são quase metade das mortes de jovens

Por Marcelo Brandão | Via Agência Brasil

Dados do Mapa da Violência, divulgados hoje (29), mostram que os homicídios representam quase metade das causas de morte entre jovens de 16 e 17 anos. O estudo do sociólogo Julio Jacobo Waiselfisz revela que 46% dos jovens mortos nessa faixa de idade foram assassinados. Em 2013, foram 3.749, de um total de 8.153. A projeção é que 3.816 jovens sejam mortos neste ano.

O Mapa da Violência mostra que 93% das vítimas são homens. Outros perfis que se destacam são de escolaridade e cor. Homens negros morrem três vezes mais que homens brancos, e as vítimas com baixa escolaridade também são maioria. Além disso, a arma de fogo foi usada em 81,9% dos homicídios de adolescentes de 16 anos e em 84,1% dos homicídios na faixa de 17 anos.

De acordo com o estudo, a Região Nordeste apresentou os maiores índices de violência. São 73,3 jovens mortos a cada 100 mil. A média do Centro-Oeste também é alta, de 65,3, comparada à média nacional, de 54,1, em 2013. Há ligeira mudança de perfil quando se fala nos estados mais violentos para jovens de 16 e 17 anos.

“Alagoas, Espírito Santo e Ceará lideram o ranking de mortalidade de pessoas de 16 e 17 anos. Em contrapartida, as menores taxas são encontradas no Tocantins, em Santa Catarina e São Paulo. Ainda assim, são consideradas elevadas, pois ultrapassam o patamar epidêmico de 10 homicídios por 100 mil”, descreve o Mapa da Violência.

O estudo de Waiselfisz mostra ainda que em um universo de 85 países, o Brasil ocupa a terceira posição em relação à taxa de homicídios de jovens entre 15 e 19 anos. São 54,9 mortes a cada 100 mil. O segundo colocado, El Salvador, apresenta taxa ligeiramente maior, com 55,8. Já o México, primeiro colocado, tem taxa de 95,6 mortes por 100 mil.

“A taxa brasileira é 275 vezes maior do que a de países como Áustria, Japão, Reino Unido ou Bélgica, que apresentam índices de 0,2 homicídios por 100 mil. Ou 183 vezes maior que as taxas da Coreia do Sul, da Alemanha ou do Egito”, aponta a pesquisa, que pode ser acessada neste link.

Investigação da operação “lava jato” fere princípios jurisdicionais básicos

Por Renato de Mello Jorge Silveira | Via Folha de S. Paulo

Em janeiro de 1898, Émile Zola publicou seu famoso “J’accuse”, no qual, em forma de carta aberta, acusava o Exército e os generais da França de fraude no processo Dreyfus. Acusava também a elaboração de uma minuciosa campanha midiática mentirosa, colocando toda a população contra o capitão supostamente traidor.

Os fatos dados ocorridos na Curitiba de 2015, em certa medida, fazem lembrar os da virada do século 19 para o século 20. A anterior cruzada contra um suposto traidor agora é vista como a cruzada contra a corrupção, esquecendo-se que a própria ideia de cruzada é errada em seus fundamentos.

Pode-se hoje, sim, apontar pela evidente ilegitimidade que se desenha na alcunhada operação “lava jato”. Antes de tudo, e por precaução, deve-se anotar o que se entende pela diferença entre ilegalidade e ilegitimidade. Muitos que ignoram tal diferença afirmam que apenas o que se mostra ilegal poderia ser motivo de reforma por tribunais.

Esquecem-se, estes, que na dogmática moderna ganham importância, também, os princípios. E são estes, sim, que regem a dinâmica de um processo justo, e não mais somente a lei. Somente sob essa leitura é que se pode esperar e entender criticamente as atitudes de determinada autoridade.

Um processo penal deve guiar-se, assim, por princípios, como o da presunção da inocência, do devido processo legal, da proporcionalidade, entre outros, e não só por uma alegada formulação legal. E é por isso que, mesmo que algumas decisões de um determinado juiz se guiem por algo que está previsto em lei (e que, portanto, não incidiriam em ilegalidade), podem elas ser tidas por ilegítimas e passíveis de revisão.

A deflagração da 14ª etapa da operação “lava jato” incide, justamente, nesse pecado. Mesmo sem ingresso em duvidosas leituras sobre a delação premiada ou por um pragmatismo qualquer, deve-se pensar na racionalidade do feito.

Mostra-se por demais questionável a necessidade de novas prisões em um momento já tão distante do início das investigações. A lei pode aceitar essas determinações, mas elas são simplesmente ilegítimas, pois desnecessárias sob uma leitura racional.

Esse estado de coisas chega a ponto tal que, na busca de sustentação para as novas prisões, simplesmente se fez uso lateral (e não declarado) da conhecida teoria do domínio do fato.

Essa teoria, no dizer do jurista alemão Claus Roxin, seu próprio idealizador, não serve para dizer que apontar a responsabilidade penal em casos empresariais. O que antes já era objetável, agora se mostra inadmissível. O fim, que nunca justifica os meios, agora se equivoca também em suas premissas. Seria, talvez, o caso de se acusar o errático e ilegítimo procedimento.

Fala-se mais. Afirma-se que “a falta de qualquer providência”, por parte dos dirigentes das empresas, no sentido de que impedir o resultado supostamente criminoso “é indicativo do envolvimento da cúpula diretiva.” Pior. Menciona-se a suposição de que “parece inviável” que o esquema criminoso “fosse desconhecido pelos presidentes das duas empreiteiras”.

A suposição lastreada, em tese, no papel dos dirigentes presume um dever de vigilância que beira um Direito Penal da omissão, o qual se mostra para além do ilegítimo. Enfim, parece pretender-se utilizar, na busca de uma punição antecipada, recursos que, sozinhos, são carecedores de legitimidade.

Ao simplesmente se deixar de lado todo um suporte que deve acompanhar as construções omissivas, beira-se, mesmo, para mais do que ilegitimidade, e sim, real ilegalidade de prisões, ancoradas, unicamente, em presunções, e não em provas. Essa, a nova carta aberta.

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Renato de Mello Jorge Silveira é advogado e professor titular da Faculdade de Direito da USP.

Gênero: eis a questão

Por Geniberto Paiva Campos | Brasília, junho de 2015

“… e criou-os macho e fêmea” – (Gênesis, 1,27)

1. Os intimoratos construtores da nova pauta conservadora brasileira se mostram incansáveis e decididos a fazer o serviço completo: colocar o país em marcha batida para o século 19.

E não basta entregar o Brasil e suas riquezas mais valiosas e cobiçadas ao próximo: a Petrobrás e o Pré Sal; uma Economia aberta e sem nenhum controle do Estado;  um próspero Mercado Consumidor; a Amazônia, com sua fauna e flora, as suas águas e os seus minérios. E o que mais apetecer à nossa Nova Metrópole. Por exemplo, a desistência, definitiva, de fazer parte dos BRICS. E a garantia de alinhamento automático com os interesses geopolíticos da Metrópole.

Comportando-se, enfim, como uma Colônia sensata e obediente aos cânones neoliberais.

É preciso mais, no entanto. E assim como uma espécie de cereja do bolo, entregar um país limpo, isento de alguns devaneios civilizatórios: reduzir ao mínimo a participação das mulheres na vida política e social do país; colocar os adolescentes na cadeia, e  acabar de vez com essa história de GÊNERO. Onde já se viu?!

Seremos uma pátria neoliberal, sim! mas  de machos e fêmeas, cada um em sua função específica.

2. Antes que decidam fazer o lançamento da “Operação Oscar Wilde”, de caça  ao gays; antes do desembarque de mais uma nobre missão do Senado, desta vez na Irlanda, para convencer a sua população das imensas vantagens da democracia hétero:  - “please, ladies and gentlemens, vamos parar com esse papo de casamento gay”, quem sabe, valeria a pena um  - penúltimo – esforço para situar a questão de GÊNERO em seu lugar devido: do ponto de vista da seriedade e da complexidade da questão e da sua exata hierarquia na pauta política atual.

3. Na vigência da segunda década do século 21, causa espanto a forma rasa, rasteira, com a qual se pretende abordar problemas complexos. A questão de GÊNERO  é uma delas. E não é suficiente alegar, ao fazer um indecente reducionismo, que se se faz a “defesa da família brasileira” ao tratar, de forma leviana, com argumentos medievais, a sexualidade humana.

Não é preciso ser tomado da mesma  ira santa do jornalista Ricardo Boechat para demonstrar toda indignação, impossível de disfarçar, diante do farisaísmo hipócrita de alguns defensores da “família brasileira”. Não é disso que se trata.

4. Para chegar ao conceito de Gênero, começaremos com duas assertivas do escritor Colin  Spencer no seu livro  “Homossexualidade: uma história” – ed. Record , 1999):

a) “A Homossexualidade é mais velha que a Humanidade, tendo florescido entre nossos ancestrais homídeos. Pesquisas antropológicas em sociedades pré-históricas estabeleceram que relações entre indivíduos do mesmo sexo eram permissíveis e ainda desempenhavam papel crucial no ritual de passagem masculino”.

b) “ (…) a Homossexualidade não deveria ser explicada, ela apenas existe. O que precisa ser investigado é a opinião que as várias sociedades sempre tiveram sobre ela”.

A Idade Média pode ser assumida como padrão, na qual o comportamento sexual humano passou a ser objeto de uma maior atenção e controle, aí incluídos aspectos morais da sexualidade, ações coercitivas exercidas pelo Estado e pela Religião.

A partir do início do século 18, começou a ser delineada a Homofobia, quando se passou a considerar homens que mantinham relações com pessoas do mesmo sexo como efeminados e criminosos.

Com a extinção do Feudalismo e o início da era do capital e do processo de industrialização, as relações heterossexuais, isto é, o sexo reprodutivo, passaram a ser valorizadas, pela necessidade da sociedade dispor de mão de obra urbana, para a produção industrial.

É perceptível, portanto, a inserção da sexualidade no contexto sócio cultural e econômico das sociedades humanas. Sociedades mais ou menos tolerantes, até Homofóbicas, variam de acordo com as circunstâncias históricas. Mas é cada vez mais evidente que a Homofobia está, quase sempre, associada aos regimes ditatoriais e autoritários.  Sendo o caso mais emblemático a Alemanha hitlerista.

O  conceito de Homossexualidade foi evoluindo ao longo do tempo. Na segunda metade do século passado, a Associação Norte Americana de Psiquiatria retirou a Homossexualidade da lista de  distúrbios mentais. Em seguida, a Organização Mundial de Saúde/OMS retirou esta condição do Código Internacional de Doenças/CID. E o termo “homossexualismo” foi substituído por Homossexualidade. Esta não é, portanto, doença, nem distúrbio, nem perversão. E, finalmente, no Brasil,  o Conselho Federal de Psicologia, no ano de 1999, através de Resolução Normativa  sobre orientação sexual,  determinou que  os psicólogos não devem  exercer qualquer ação que favoreça o reconhecimento  de práticas homoeróticas como doença e/ou patologia. E nem devem colaborar com eventos ou serviços que proponham “tratamento” ou “cura” da Homossexualidade. (Documento “Gênero e Diversidade na Escola”, Governo Federal, 2009).

5. De acordo com o documento anteriormente citado,  “o termo “Gênero” refere-se à maneira como alguém se sente, se identifica, se apresenta para si e para os demais e como é percebido/a como “masculino” ou “feminino”, ou ainda uma mescla de ambos, independente tanto do sexo biológico quando da orientação sexual.”

Percebe-se que o grau de compreensão e abertura para a Homossexualidade ganhou intensidade, no sentido de entender uma condição para a qual não se tem opção ou controle. “Enquanto a cultura ocidental moderna privilegia a diferença sexual como suporte primordial e imutável  da identidade de Gênero. (…) as distinções anatômicas expressariam uma grande linha divisória que separaria homens e mulheres (…) destinados a abrigarem e a desenvolverem emoções, atitudes, condutas e vocações distintas. Isto explicaria que a decisão de alguém de romper com essa suposta determinação do sexo biológico, empreendendo uma transição do masculino ao feminino ou vice-versa, cause escândalo e gere violência e perseguição.”

6.  A descriminalização da Homossexualidade é, portanto, um dos avanços mais marcantes na área de Direitos Humanos e do Processo Civilizatório, nas últimas décadas.

A Homofobia, em contrapartida, vai assumindo o seu lugar, colocada nos desvãos da intolerância e do preconceito, mostrando-se incompatível com os valores da Democracia e da Modernidade.

Por todos os motivos, não se pode conceber de que forma a questão de Gênero afeta a integridade das Famílias Brasileiras. Trata-se de um argumento falacioso, de cunho político ideológico, destinado a camuflar seus verdadeiros objetivos geopolíticos. Não se trata, pois, da defesa da Família. Trata-se de reforçar os interesses de dominação da Metrópole, direcionados a um País continental, cujo maior defeito é a sua grandeza territorial, suas riquezas, seu potencial de desenvolvimento e sua posição estratégica no Continente Americano.

A esquerda brasileira, a Petrobras e a questão nacional

Por Rennan Martins | Vila Velha, 26/06/2015

Há, em consideráveis setores da esquerda brasileira, uma incompreensão preocupante no que se refere a questão nacional e da soberania. Quando confrontados com a bandeira da Petrobras e da importância do controle estatal sobre o petróleo, reagem desconfiados, apontando o perigo de um suposto nacionalismo xenófobo e fascista. Seja por imaturidade ideológica ou falta de domínio teórico, o fato é que essa postura contribui decisivamente para a apatia frente ao duro ataque em curso que objetiva rapinar o pré-sal.

Pelas mesmas razões acima apontadas e por receio de serem confundidos com “defensores de corruptos”, essa esquerda apoia acriticamente a Operação Lava Jato. Não enxerga os fortes interesses geopolíticos nela atuantes e é complacente frente a sistemática violação ao Estado de Direito por parte do juiz Sergio Moro. Na esperança de finalmente fazer valer a lei para o empresariado corruptor e patrimonialista, não denunciam o viés político das investigações e vazamentos, esquecendo-se que a parcialidade por si já anula a possibilidade de fazer justiça. Assistem a destruição das bases produtivas nacionais sem qualquer sobressalto.

O nacionalismo por si não é reacionário e nem se associa automaticamente ao fascismo, tal interpretação é fruto de uma visão eurocêntrica e colonizada. No contexto da América Latina, historicamente submetida a forças primeiramente coloniais e depois imperiais, o nacionalismo ascendeu com caráter libertador e igualitário, de repúdio a dependência político-econômica frente a potências estrangeiras.

O verdadeiro nacionalismo reconhece a pluralidade e autonomia dos povos, e o direito deles de se desenvolver de forma independente, sob suas próprias instituições, sem a pretensão ocidental de impôr o Estado liberal como ideal de democracia. Os povos e nações precisam ter respeitados sua autodeterminação e a possibilidade de dispôr de seus recursos sem pressões imperiais que visem explorá-los. Uma nação de economia dependente e primária se vê forçada a ceder as exigências dos desenvolvidos, trata-se da eterna troca de toneladas de ouro por espelhinhos.

Hannah Arendt, em sua obra Origens do Totalitarismo, na parte II, segundo capítulo (O pensamento racial antes do racismo), denuncia como o nazifascismo perverteu a questão nacional de seus valores originais:

Embora seja óbvio que o racismo é a principal arma ideológica da política imperialista, ainda se crê na antiga e errada noção de que o racismo é uma espécie de exagerado nacionalismo. […]

O racismo deliberadamente irrompeu através de todas as fronteiras nacionais, definidas por padrões geográficos, linguísticos, tradicionais ou quaisquer outros, e negou a existência político-nacional como tal. […]

Historicamente falando, os racistas, embora assumissem posições aparentemente ultranacionalistas, foram piores patriotas que os representantes de todas as outras ideologias internacionais; foram os únicos que negaram o princípio sobre o qual se constroem as organizações nacionais de povos – princípio da igualdade e solidariedade de todos os povos, garantido pela ideia de humanidade.

O que o fascismo faz é instrumentalizar o sentimento nacional, que visa a soberania, autodeterminação e independência, para fins imperiais e de sujeição de outros povos ditos “inferiores”. Inflama-se o nacionalismo a tal ponto que este se contradiz, passando a admitir que outros Estados nacionais sejam dominados política e economicamente, acarretando, no limite, em episódios inumanos e genocidas.

Portanto, passou da hora da esquerda tupiniquim chegar ao entendimento de que sem soberania e desenvolvimento não podemos praticar a justiça social. Para construirmos um país democrático, plural e de bem-estar social, precisamos de um projeto nacional que nos forneça as condições materiais para tanto.

Como essa postura se traduz em prática na atual conjuntura política? Com a denúncia sistemática do ataque a Petrobras que visa usurpar o pré-sal e utilizar a Operação Lava Jato como instrumento para o retrocesso econômico brasileiro. O imperialismo existe e não está aí de brincadeira, não é por acaso que o Departamento de Justiça norte-americano está “colaborando” com as investigações as empreiteiras, e nem munido de boas intenções o fato do Banco Mundial ter selado acordo de “cooperação” com o Ministério Público Federal.