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TJ condena ‘O Globo’ a indenizar ex-chefe de Polícia do RJ por danos morais

Via Portal Imprensa

A 16ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ) condenou o jornal O Globo a indenizar o ex-chefe da Polícia Civil fluminense e deputado estadual pelo PMDB, Álvaro Lins, que teve o mandato cassado.

De acordo com o ConJur, em agosto de 2008 o jornal publicou a notícia “PF investiga se Álvaro Lins Chantageia Picciani”. A reportagem usou como base um suposto relatório da Polícia Federal (PF) no qual dizia que Lins ameaçou vazar um crime atribuído ao presidente da Alerj no passado, caso perdesse o mandato.

Investigado pelo Ministério Público Federal (MPF) na operação “segurança pública S/A”, que desarticulou uma quadrilha que atuava na Secretaria de Segurança Pública do RJ, o deputado foi submetido a um processo disciplinar no Conselho de Ética da Assembleia Legislativa.

Lins argumentou que a matéria “transmitiu aos leitores a ideia de que teria conhecimento sobre um mandado de prisão expedido contra o presidente da Alerj em 1990, pela 1ª Vara Criminal de Rondorápolis (MT), e que estaria se valendo dessa informação sigilosa para chantagear o então presidente da Alerj para ter alguma vantagem no processo ético-disciplinar”.

O texto foi publicado 12 dias antes da votação na qual os deputados confirmaram a cassação do mandato dele. Para Lins, a notícia influenciou a votação e serviu para embasar o decreto de sua prisão preventiva logo depois de deixar o cargo.

O jornal alegou que apenas reproduziu uma informação oficial e que a publicação da matéria não teve relação com a perda do mandato. “A jurisprudência é pacífica ao entender que, em se tratando de fatos públicos, relacionados a investigações, o veículo de comunicação se exime de culpa quando busca fontes fidedignas”, destacou.

A PF, entretanto, disse que o relatório de inteligência não foi produzido pelo órgão. O desembargador Carlos José Martins Gomes, relator do caso, avaliou que o documento seria elemento essencial para conferir autoridade e veracidade à informação, mas que ele nunca existiu.

A primeira instância condenou O Globo a pagar R$ 5 mil por danos morais ao deputado cassado. As duas partes recorreram. O autor da ação pediu o aumento da indenização e o réu solicitou a reforma da decisão. Ainda cabem recursos.

Assassinatos de jovens equivalem a 3,5 chacinas da Candelária por dia

Por Vladimir Platonow | Via Agência Brasil

O Brasil registrou 10.136 assassinatos de jovens entre 11 e 19 anos em 2013, em média 28 mortos por dia, o que equivale a 3,5 chacinas da Candelária perpetradas diariamente, de acordo com o sociólogo Júlio Jacobo Waiselfisz, autor do estudo Mapa da Violência e coordenador da Área de Estudos sobre Violência da Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (Flacso).

A chacina da Candelária ocorreu na noite de 23 de julho de 1993, deixando mortos oito jovens de 11 a 19 anos, em frente à Igreja da Candelária, no centro do Rio. Os autores foram PMs e as vítimas eram moradores de rua que freqüentavam as imediações da igreja e dormiam no local.

Waiselfisz falou na abertura da audiência pública Jovens Vítimas da Violência e Justiça Reparadora para os Familiares, realizada na sede do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio. Segundo ele, o perfil das vítimas jovens que sofrem violência é de cor negra, pobre e pouco escolarizado e os índices vêm aumentando a cada ano.

“Os índices de violência nesta faixa etária [11 a 19 anos] foram crescendo drasticamente ao longo desses anos. Entre 1993 e 2013, praticamente quadruplicaram os níveis de violência. A chacina da Candelária foi a ponta de um iceberg que já existia no Brasil”, disse o sociólogo, durante a audiência pública, com a presença do ministro Pepe Vargas, da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República.

De acordo com os dados nacionais apresentados por Waiselfisz, o índice de jovens negros, entre 16 e 17 anos, mortos no ano de 2013, é de 66,3 por 100 mil habitantes. O de jovens brancos, na mesma faixa etária, é de 24,2 por 100 mil.

Quanto à escolaridade, 82% das vítimas de assassinatos no país tinham até sete anos de estudo, o que equivale ao nível fundamental. Na faixa etária de 16 e 17 anos, 93% dos mortos são homens.

Pepe Vargas destacou que os números são um alerta de que as chacinas não cessaram: “A violência sobre adolescentes e jovens aumentou no Brasil nesses últimos anos. Precisamos fazer um grande pacto nacional pela redução de homicídios. O governo está discutindo, sob a coordenação do Ministério da Justiça, uma proposta para a construção deste pacto”.

Pepe Vargas prometeu “ter um foco sobre adolescentes e jovens, que têm sido mais vítimas de violência do que causadores dela. Principalmente, temos que fazer um debate intenso, não apenas em âmbito federal, mas envolvendo os governos estaduais, municipais e a sociedade como um todo”.

Os dados completos do estudo Mapa da Violência 2015 podem ser acessados no endereço www.mapadaviolencia.org.br.

A “quartelada” do Congresso Nacional

Por Geniberto Paiva Campos | Brasília, julho de 2015

1. Na América Latina de meados do século 20, o termo “quartelada” assumiu o significado de movimentos mal-sucedidos e atabalhoados de tomada do Poder Constituído. Com a participação de organizações civis ou militares, sob os mais variados pretextos. O termo adquiriu, como esperado, conotações pejorativas. Mas as quarteladas trouxeram enorme contribuição à instabilidade política da região. E a insistente repetição do método viria a marcar a América Latina como uma região de permanente atraso, truculência e violência política desmedidas e muito, muito distante da Civilização.

No Brasil, a história política contemporânea foi sempre pontuada por movimentos de “salvação da pátria”. Desde a Proclamação da República pelo Marechal Deodoro da Fonseca em 1889, junto com os “movimentos redentores” criou-se a cultura da instabilidade política, quase como norma de organização do Estado. Uma espécie de artigo – cláusula pétrea –  sub-repticiamente inserido nas disposições transitórias das constituições brasileiras.

Em aproximadamente meio século de história política, contado a partir de 1920 a 1960, foram inúmeros “movimentos de salvação nacional”. A década de vinte foi marcada pelo “tenentismo”. Um movimento iniciado em 1922, com os “18 do Forte”; seguido pela “Coluna Prestes” em 1924 e culminando com a “Revolução de Trinta”, a qual teve êxito na tomada do poder no âmbito federal, com a deposição do presidente Washington Luis e a ascensão de Getúlio Vargas. Que deu início ao seu período de governo ditatorial, por longos quinze anos: 1930/1945.

Já em 1932, líderes políticos paulistas desencadearam o que passou à história com o nome de “Revolução Constitucionalista”. As forças leais ao governo Vargas sufocaram o movimento dos bandeirantes. Que, embora derrotado, marcou profundamente a vida política do país. Em 1934 foi promulgada uma nova constituição, mas preservando e buscando dar legitimidade ao mandato presidencial de Vargas.

Finalmente, em 1935 ocorre o golpe comunista, chamado de “Intentona”; em 1938 o “putsch” integralista, todos prontamente controlados pelas forças do governo. Exemplos de movimentos mal sucedidos, fruto de avaliações conjunturais mal feitas e precipitadas.

A ascensão política e militar da Alemanha nazista desencadeia a II Guerra Mundial em 1939, com a vitória final das Forças Aliadas, as quais tiveram  decisiva participação das Forças Armadas brasileiras no teatro de guerra europeu. Em 1945, terminada a II Guerra, ocorre a deposição de Vargas pelos seus ministros militares. Com a redemocratização do país, assume o governo, através de eleições diretas, o general Eurico Gaspar Dutra, dando início a um período democrático, no qual, mesmo com turbulências e instabilidades, as instituições mantiveram algum resquício de legalidade: suicídio de Vargas em 1954; “golpe democrático” do general Lott em 1955; movimentos contra a posse de Juscelino Kubitschek em 1956 (Aragarças e Jacareacanga); renúncia de Jânio Quadros em 1961 e consequente ascensão de João Goulart à presidência, deposto em 1964 por um golpe, denominado civil-militar, o qual deu início a um longo período autoritário de vinte e um anos. No qual o estado democrático de direito e a legalidade sofreram um longo hiato histórico, em nome da segurança nacional.

2. Como se vê pela descrição sucinta da linha do tempo da história da Democracia na vida contemporânea do Brasil, a turbulência e a instabilidade políticas são marcas significativas de uma estranha e persistente luta pelo Progresso e pelo Desenvolvimento, palavras mágicas a designar o sonho declarado dos nossos dirigentes. Mesmo que seja à custa da Liberdade, da Democracia e dos Direitos Humanos.

O ano de 1985 marca a retomada democrática do Brasil. A partir daí, são, até agora, trinta anos de Legalidade e de Democracia, uma conquista muito cara a todos brasileiros. E após 1988 passamos a viver sob a égide de normas constitucionais. São valores a serem preservados. E que estão reconduzindo o país rumo ao processo civilizatório. Assim esperamos.

Nos últimos vinte anos, mesmo com alguma turbulência política, por exemplo, o impedimento/renúncia do presidente Fernando Collor, a jovem Democracia brasileira logrou avanços significativos.

O país controlou a inflação, passou a dispor de uma moeda estável, tornou-se uma das dez maiores economias mundiais, um dos maiores produtores de alimentos, graças aos avanços na área agrícola, ganhou autossuficiência em petróleo e ainda dispondo de um eficiente parque energético, incorporou avanços científicos e inovações tecnológicas, em todos os campos.  Conquistas realizadas dentro do estado democrático de direito.

E nos últimos dez anos deu início a um lento e gradual processo de inclusão social: garantia do emprego, que em 2014 atingiu picos históricos; reajustes salariais com aumento real; empresas e bancos com lucros significativos; aumento da oferta de vagas nas universidades para segmentos sociais vítimas históricas de exclusão; proteção ao trabalho doméstico; combate intensivo ao trabalho infantil e análogo ao escravo;  regionalização da produção cultural  e garantias de liberdade na Internet.  (Balthazar, PAA,  julho, 2015). Todas essas conquistas em meio a uma séria crise estrutural/conjuntural do sistema capitalista, que está pondo em cheque todo o equilíbrio do sistema, com sérias repercussões internacionais.

3. Desde outubro de 2014, com a derrota da candidatura oposicionista para a presidência da república, foi montado um cenário de caos incontrolável na conjuntura política do país, com reflexos nas áreas econômica, administrativa e social.

Sob a liderança da chamada Grande Imprensa, líder inconteste do bloco de Oposição, teve início a operação desmonte. Eis que de repente, a presidente Dilma Roussef, eleita para um segundo mandato, foi colocada contra as cordas, declarada incapaz e incompetente e então iniciada a implacável operação, através do recurso aos velhos métodos, tão familiares aos brasileiros.

Até hoje há quem pergunte onde estava a lama do “Mar de Lama” do Palácio do Catete, à época ocupado pelo presidente Getúlio Vargas, levado ao suicídio pelo esquema golpista; para onde foi a “ameaça comunista” que pairava sobre o Brasil na presidência do presidente João Goulart, ambos, coincidentemente do Partido Trabalhista Brasileiro. E, em época mais recente, qual o destino do “Fiat Elba”, responsável mais evidente pelo afastamento do presidente Fernando Collor.

O que têm em comum esses eventos políticos tão marcantes na história recente do Brasil?  A presença da Grande Imprensa, capaz de eleger e derrubar líderes políticos que lhe desagradam ao implementar políticas públicas progressistas.

Cabe então, a pergunta na atual conjuntura política:  - por que a presidente Dilma estaria perdendo a condição de governabilidade, a outra palavra mágica do jogo político do presidencialismo de coalizão?  Talvez pelos mesmos motivos que levaram ex-presidentes ao suicídio, ao exílio e ao impeachment! No caso atual, procura-se o pretexto.

O estúdio cenográfico agora montado para o desenrolar desta nova ópera política conta com personagens menores, caricaturais. Meros coadjuvantes alçados ao palco principal. Mas potencialmente capazes de levar o país de volta para as trevas do Autoritarismo, que a duras penas aprendemos, somente sabemos como começa.

Resta a persistente e inquietante sensação de que já vimos essa montagem de quinta categoria…

Os brasileiros que defendem a Paz, a Justiça e a Legalidade esperam que as forças democráticas da nação, unidas, consigam deter a marcha dos golpistas irresponsáveis e insensatos, na busca lamentável da sua “quartelada”, em pleno século 21.

Casa Branca finaliza plano para fechar base militar de Guantánamo

Via Agência Lusa

A Casa Branca está “na fase final” de um plano para fechar a prisão militar da Baía de Guantánamo, em Cuba, onde os Estados Unidos mantêm suspeitos de terrorismo, anunciou hoje (22) o porta-voz presidencial, Josh Earnest.

“O governo está finalizando a elaboração de um plano que visa a fechar de forma responsável e segura a prisão de Guantánamo, para apresentá-lo ao Congresso”, disse o porta-voz em entrevista à imprensa.

Existem, atualmente, 116 detidos na prisão militar aberta há mais de 14 anos para encarcerar os suspeitos dos atentados terroristas de 11 de setembro de 2001 nos Estados Unidos.

O fechamento de Guantánamo é um interesse de segurança nacional e “uma prioridade para o presidente Barack Obama, que prometeu fechar a prisão quando chegou à Casa Branca, em janeiro de 2009”, disse Josh Earnest.

Mas a maioria republicana do Congresso continua conta o fechamento do campo de prisioneiros, tendo se esforçado para criar obstáculos legais para impedir a transferência de prisioneiros para os Estados Unidos ou para o exterior.

Tais entraves não bloquearam totalmente as libertações: 28 detidos deixaram a prisão em 2014 em direção ao Cazaquistão, Uruguai, à Geórgia e Eslováquia. “Fizemos muitos progressos. Passamos de 127 para 116 prisioneiros”, disse o porta-voz da Casa Branca. “Manter em funcionamento esta prisão não constitui uso eficaz dos impostos”.

A devolução do território de Guantánamo é uma das reivindicações de Havana para a normalização completa das relações diplomáticas entre os Estados Unidos e Cuba.

JS: mas será o Benedito?

Por Antonio Lassance | Via Carta Maior

Mistério: quem será o JS que aparece na lista de ligações do celular do empreiteiro Marcelo Odebrecht? Ninguém sabe…

Mistério: quem será o JS que aparece na lista de ligações do celular do empreiteiro Marcelo Odebrecht? Ninguém sabe.

Antes que alguém reclame de que o Senador José Serra está sendo protegido por quem quer que seja, é bom que se respeite o trabalho criterioso dos que conduzem essa investigação isentíssima que está em curso sob o apelido de “Lava Jato”.

Muita calma nessa hora. Não vamos nos precipitar. JS pode ser qualquer pessoa ou pode, até mesmo, ser ninguém. Outra hipótese: e se a ligação tiver sido um engano e a pessoa que se enganou tiver nome com J e S? Gente, isso acontece! Quem nunca recebeu uma ligação por engano que atire a primeira pedra.

MO (podemos tratar Marcelo Odebrecht assim, certo? Economiza teclado) pode simplesmente ter guardado na agenda para, quando JS insistisse no engano pela milésima vez, MO estivesse precavido: “esse eu não atendo mais, de jeito nenhum!” Esperto, esse MO.

Tem mais: JS pode ser alguém com quem MO tenha péssimas relações. Alguém que ele deteste. Um pulha. Um pilantra. Um traíra. Um… Joaquim Silvério dos Reis. Como ninguém pensou nisso antes? Nada mais óbvio. Se é isso ou não, precisa ser apurado. JS pode ser até mesmo o Benedito. Por que não?

Até o momento, a principal suspeita dos policiais é que JS seja algum José da Silva. É elementar, meu caro Watson. A maioria dos jotaesses no Brasil é composta de Josés da Silva. Portanto, a probabilidade de que JS seja um deles é enorme. Se cuida, Zé da Silva! A PF sabe o que você fez no verão passado.

A segunda grande possibilidade recai sobre os Joões de Souza. Informação quentíssima: foi detectado que uma grande quantidade de agências bancárias do país e escritórios de advocacia foram visitados, de ontem para hoje, por Joões… de Souza. Bingo! Aí tem, só pode.

A lição é a seguinte: antes de acusar, é preciso apurar. Só mesmo gente de pouca fé para ficar levantando teorias da conspiração contra pessoas que estão tendo um trabalho imenso, um trabalho de formiguinha (ou seria de cupim? Tanto faz) e ainda não fazem a mínima ideia de quem seja JS. Mas que vão descobrir, um dia, ah! Isso vão. Nem que demore 30 anos e JS já esteja morto e com seus crimes prescritos.

Esse misterioso senhor JS, opa! Senhor? Como assim? Deixemos o machismo de lado. JS pode ser uma mulher. Já pensaram nisso? Vai que a tarja preta foi colocada com a cândida intenção de proteger a reputação tanto de MO quanto de JS, se por acaso eles tiverem tido alguma relação, como diria Bill Clinton, imprópria?

Aliás, se há algo que se deve repreender é o excessivo cuidado que esses heróis de distintivo e toga têm tido com a reputação das pessoas. Não que esses acusados tenham alguma reputação a ser preservada, mas o dever de ofício da polícia e da Justiça em relação a qualquer pessoa, rica ou pobre; branca ou negra; gorda ou magra; petista ou tucana é sempre a de zelar para que investigados e suspeitos não sejam tratados como criminosos. Ninguém é culpado antes de julgado, já dizia o Código de Hamurábi. Nesse particular, somos um exemplo para o mundo.

A esquerdalha que me perdoe, mas a chance de a PF revelar que JS é José Serra é muito, mas muito, mas muito remota mesmo. Remotérrima, diria eu no jargão de Higienópolis.

Fontes igualmente isentas, neutras, gente que não fede e nem cheira, pessoas que são bananas de pijama mesmo – e lá de dentro da Polícia Federal, ou seja, “inside information” total – garantem que essa hipótese contra o Senador está d-e-s-c-a-r-t-a-d-a. Descartadérrima.

A começar porque o senador mais querido da pauliceia desvairada nem se chama, de fato, José Serra, e sim José Chirico Serra. Fosse Serra o contato de MO, a sigla seria JC. Outro dado objetivo da realidade é que Serra nunca se mete em confusão, principalmente envolvendo obras, contratos, empreiteiras, petroleiras, dinheiro.

Da mesma forma, está descartada a hipótese de uma outra sigla, FP, vir a ser atribuída, por exemplo, a algum senador Filhinho de Papai. Ainda bem. As pessoas não imaginam a quantidade de FPs que existem no Senado Federal. É maior que a bancada da bala. Uma investigação dessa tomaria anos.

Ademais, todos os FPs do senado são pessoas de boa índole, e o mais FP de todos os senadores FPs foi inclusive a opção de voto mais entusiasmada dos perdigueiros federais que estão salvando o país da lama. Ou seja, é gente séria.

Chega de ilações! Tirem o cavalinho da chuva, petralhas! Os cães ladram, mas a caravana independente, isenta e neutra da Lava Jato passa, enxagua e põe no varal pra ninguém botar defeito.

Se, algum dia, algum difamador quiser atribuir ao tucano José Serra o apelido indecoroso de Senador tarja preta, que fique bem claro: isso é apenas por sua fama de hipocondríaco, e nada mais.

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Antonio Lassance é marxista também adepto de Groucho, Harpo, Chico e Zeppo Marx.

Juíza quebra sigilos e primeiras denúncias da Operação Zelotes serão feitas em agosto

Por Juliano Basile | Via Valor

As primeiras denúncias da Operação Zelotes, que investiga um esquema de corrupção no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), devem ser feitas, em agosto, mesmo mês em que o órgão deve voltar a julgar processos.

A nova juíza do caso, Mariana Boré, da 10ª Vara Criminal de Brasília, autorizou a quebra do sigilo bancário de vários envolvidos. De posse dessas informações, será possível aos investigadores montar o quebra­-cabeça para concluir as denúncias iniciais que vão definir os nomes dos primeiros réus do caso.

Nessa fase, advogados serão a maioria entre os denunciados, mas servidores também podem ser incluídos, já que há indícios fortes de que houve manipulação até no sorteio de relatores de processos no Carf.

O escândalo ainda não atingiu a classe política. Até aqui, o único citado foi o deputado federal Eduardo da Fonte (PP-PE) ­ o pai dele, Maurício Albuquerque, atuou como conselheiro e está entre os investigados. Por ter mandato de deputado federal, o caso de Fonte deve ser remetido à Procuradoria-­Geral da República, porque só poderia ser processado no Supremo Tribunal Federal (STF). Procurado, Fonte negou, por sua assessoria, qualquer irregularidade.

Algumas decisões do Carf investigadas pela Operação Zelotes devem ser anuladas de imediato, como a que livrou a Gerdau de multa de R$ 800 milhões, em abril de 2012. Julgamentos envolvendo o Santander e a Marcopolo também são apontados como suspeitos e podem ser revistos.

No caso do Santander, atuação envolvendo o uso do ágio no cálculo de Imposto de Renda e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) está na lista das decisões investigadas. Com relação à Marcopolo, há apurações de fraude no julgamento que livrou a empresa de multa da Receita Federal de R$ 200 milhões, em 2013, por suposta omissão de receitas decorrentes de exportações de subsidiárias no exterior.

Nesses dois casos as anulações podem ter implicações sobre várias empresas beneficiadas por decisões tomadas pelo Carf utilizando os resultados desses julgamentos como balizadores (jurisprudência). O caso Gerdau não foi usado como jurisprudência.

A saída do juiz Ricardo Leite e a entrada de Mariana Boré na condução da Operação Zelotes deu agilidade à operação, já que o primeiro estava negando requerimentos importantes feitos pelos investigadores, inclusive pedidos de prisão de suspeitos. A troca foi feita no começo de julho, depois que o Ministério Público ingressou com pedido de afastamento de Leite, sob a alegação de que houve morosidade em alguns processos criminais conduzidos por ele.

Após assumir o caso, Mariana autorizou a quebra de sigilos de dezenas de suspeitos e reteve o passaporte de uma depoente da CPI do Carf ­ Gegliane Pinto, funcionária de um escritório de advocacia de uma ex­conselheira do órgão. Gegliane mora na África do Sul com o marido, adido naquele país, e teria conhecimento da movimentação de dinheiro para pessoas sob investigação.

A expectativa do governo é a de que a retomada das atividades do Carf reforce o caixa da União. Estima­se que tramitem no conselho causas de até R$ 550 bilhões. Se 10% forem colocados em julgamento, e o governo ganhar metade dessas causas, seriam pouco mais de R$ 25 bilhões para os cofres públicos, montante bastante relevante dadas as dificuldades para o governo atingir a meta de superávit primário estabelecida para este ano.

O Ministério da Fazenda está concluindo o processo de escolha dos novos conselheiros do Carf e os nomes devem ser publicados no “Diário Oficial” nesta semana. Os nomes foram apontados pelo comitê de seleção, criado recentemente, e encaminhados ao ministro Joaquim Levy. A expectativa é que a sessão inicial seja feita na próxima sexta­feira. Será, no entanto, uma sessão solene para marcar a reabertura dos trabalhos no Carf, parado há quatro meses. A agenda de julgamentos deve ser retomada mesmo em agosto, em data ainda não definida.

Pelas novas regras do Carf, os conselheiros não podem advogar. Por isso, houve uma renúncia em massa dos integrantes que atuavam representando os contribuintes ­ indicados pelas confederações da indústria e do comércio dos Estados e que mantinham escritórios de advocacia. Ficaram apenas os conselheiros indicados pelo Fisco. Os novos nomes vão substituir aqueles que faziam parte dos quadros dos contribuintes.

Segundo fontes que tiveram acesso ao processo de escolha, há pessoas que vêm da área acadêmica, como professores, além de contadores e servidores em início de carreira. Eles vão receber entre R$ 11 mil e R$ 12 mil mensais para atuar no Carf.

Após pedido de Lula, CNMP abre procedimento disciplinar contra procurador

Por Livia Scocuglia | Via Conjur

Valtan Timbó Mendes Furtado

O Conselho Nacional do Ministério Público instaurou procedimento disciplinar contra o procurador da República Valtan Timbó Mendes Furtado. Ele é acusado pelos advogados do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva de ter interferido na apuração preliminar sobre o suposto tráfico de influência em favor da Odebrecht. Para a defesa de Lula, houve desvio de função.

Um dos advogados de Lula, Cristiano Zanin Martins, do Teixeira, Martins & Advogados, aponta para os três motivos que levaram ao pedido de instauração do procedimento. Primeiro é o fato de o procurador ter convertido uma notícia de fato em procedimento investigatório criminal, quebrando as regras de atribuição. Segundo é que, pela regra do CNMP, o procurador não teria competência para intervir no procedimento, já que a responsável pelo caso era a procuradora titular Mirella de Carvalho Aguiar. E, por último, foi ter convertido em procedimento um caso antes de ter recebido a resposta do interessado.

A defesa pediu ainda a suspensão da eficácia do ato do procurador, mas o corregedor Alessando Tramujas Assad recusou o pedido por entender que o CNMP não poderia tomar essa decisão. Segundo o corregedor, isso seria uma revisão do ato praticado pelo procurador que deveria ser pedida em outra esfera.

Agora, Furtado tem dez dias para apresentar as explicações solicitadas pelo CNMP. Caso fique constatada a infração disciplinar, o procurador pode ser punido. Ele já responde por outro procedimento disciplinar, também instaurado pelo CNMP, por não ter dado andamento a 245 procedimentos que estavam sob a sua responsabilidade.