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BRICS podem criar uma Assembleia Parlamentar permanente

Via Correio do Brasil

O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, sublinhou as vantagens que tal “institucionalização horizontal” do grupo representa para os respectivos países

Os parlamentares dos BRICS estão discutindo em Moscou as perspectivas de cooperação.

O porta-voz da Duma de Estado (câmara baixa do parlamento russo), Sergei Naryshkin, propôs a criação de uma Assembleia Parlamentar no seio dos BRICS para fortalecer as estruturas que estão sendo construídas entre Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul.

– Eu gostaria de propor pensar sobre a criação de um grupo de contato permanente do Fórum Parlamentar dos BRICS, que iria funcionar com a participação de especialistas de renome dos nossos países – disse o parlamentar russo durante a abertura do Fórum Parlamentar dos BRICS, evento que tem lugar nesta segunda-feira em Moscou.

O evento conta com a participação de parlamentares do resto dos países dos BRICS, inclusive do Brasil.

O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, sublinhou as vantagens que tal “institucionalização horizontal” do grupo representa para os respectivos países:

– Os parlamentos dos nossos países devem unir as suas vozes e esforços para a integração. O processo do aprofundamento da cooperação dentro dos BRICS precisa de aprovação pelos nossos parlamentos, por isso a institucionalização permanente do nosso bloco é muito importante para setores específicos das nossas economia.

Economia

Os BRICS ainda não são um bloco formal. Mas neste organismo já estão sendo criadas importantes instituições financeiras, como o Novo Banco de Desenvolvimento e o Arranjo Contingente de Reservas, que deverão ajudar os países emergentes e fortalecer as moedas nacionais.

A Rússia e o Brasil já ratificaram os respectivos acordos. Fontes oficiais têm informado que o banco dos BRICS poderá ser lançado em princípios de julho do ano em curso, em menos de um mês.
No Fórum Parlamentar de hoje, o representante chinês, Zhang Dejiang, lembrou que os países do grupo possuem enormes recursos que devem ser utilizados para “a criação de um mercado único, para a criação de um mecanismo de acordos monetários de diferentes níveis, para criar novos projetos na área da infraestrutura e fortalecer a cooperação, sempre com o apoio da população”.

Zhang Dejiang apelou para maior cooperação com organismos internacionais como a ONU e o G20. Mas além disso, declarou que é preciso reformar as políticas macroeconômicas dos países dos BRICS, assim como também iniciar uma reforma do sistema monetário internacional.

Já o presidente do Congresso brasileiro, Renan Calheiros, apontou para a necessidade de uma reforma do Conselho de Segurança (CS) da ONU.

– O apoio incondicional pelos BRICS de tal reforma iria, com certeza, fomentar a parceria entre os nossos países e ampliar o nosso diálogo político – frisou.

Estruturas de diálogo

Por sua parte, a porta-voz da câmara superior do parlamento russo, Conselho da Federação, Valentina Matvienko, destacou que o eventual parlamento dos BRICS seria “uma estrutura de diálogo e parceria”.

Para ela, os BRICS não se opõem aos organismos e às normas internacionais existentes. Muito pelo contrário:

-Um dos problemas mais importantes da agenda do Fórum Parlamentar dos BRICS será o das medidas de segurança com base na supremacia do direito internacional e do papel-chave da ONU.

Para Naryshkin, a dimensão legislativa do grupo informal iria facilitar o “diálogo franco” para lidar com os desafios contemporâneos, que incluem, entre outras coisas, a ressurreição de males históricos como o nazismo, racismo, fascismo.

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, também comentou a ampliação das atividades dos BRICS. Para ele, o Fórum Parlamentar abre uma nova dimensão no grupo:

– Estou convicto que os parlamentares irão dar uma contribuição importante para a solução dos desafios que os BRICS enfrentam, fomentando a ampliação e a diversificação da parceria entre os nossos países na agenda regional e global, reforçando o renome dos cinco no palco mundial.

O chefe do comitê parlamentar russo para Assuntos Internacionais, Aleksei Pushkov, afirmou que gostaria de ver o evento de hoje como uma reunião anual de parlamentares dos cinco países emergentes.

O Fórum Parlamentar dos BRICS é um dos eventos preparatórios da cúpula dos chefes de Estado dos países-membros deste grupo e da Organização de Cooperação de Xangai (OCX), que terá lugar em 8-9 de julho em Ufá, cidade russa situada na república federada do Bascortostão.

A esperança de retomada do crescimento brasileiro trazida pelo premiê da China

Por J. Carlos de Assis

A indigência e a má fé da grande mídia brasileira impediram que o Brasil tomasse conhecimento de uma das mais importantes sinalizações de mudança de paradigma nas relações internacionais pela qual o conceito tradicional de concorrência mortal entre os países cede lugar ao de cooperação. Esse recado foi dado pelo Primeiro Ministro chinês, Li Keqiang, durante sua visita ao Brasil, principalmente no discurso feito em Brasília. Nele a palavra “cooperação” aparece nada menos que 12 vezes.

Há uma avaliação vulgar, principalmente entre economistas, segundo a qual a aproximação com a China coloca o risco da substituição do colonialismo português, britânico e posteriormente americano pelo colonialismo chinês. Peço que leiam atentamente esse discurso, do qual só obtive a tradução em espanhol, para que avaliem diretamente a procedência dessa bobagem. Os chineses querem parceria e cooperação. Estão substituindo relação comercial por integração produtiva.

Pessoalmente, estou dedicado a indicar a empresários brasileiros a tremenda oportunidade de articulação produtiva com a China através do Projeto Transul, sobre o qual já falei. O Governo está lento nessa matéria, mas acredito que os ministros Armando Monteiro e Nelson Barbosa aproveitem o momento para deslanchar um programa de investimentos pós-ajuste, no montante possível de 300 bilhões de dólares, e evitando em parte os principais efeitos de um ajuste em excesso. Por favor, leiam o discurso que me foi cedido por Liu Tong, diretor da agência de notícias Xinhua em Brasília. A resposta da nossa Presidenta vai junto:

Li Keqiang Asiste Junto con Presidenta de Brasil Rousseff a Cumbre Empresarial China-Brasil y Pronuncia Discurso

Al mediodía del 19 de mayo, hora local, el Primer Ministro del Consejo de Estado Li Keqiang asistió junto con la Presidenta de Brasil Rousseff a la Cumbre Empresarial China-Brasil y pronunció un discurso.

Li Keqiang expresó su felicitación por la exitosa celebración de esta Cumbre Empresarial China-Brasil. Li Keqiang dijo que China y Brasil son los principales países emergentes, y las relaciones bilaterales se han ido más allá del ámbito bilateral y tienen una influencia global. En la actualidad, los países desarrollados están promoviendo la re-industrialización y los países en desarrollo quieren también promover la industrialización y la urbanización. China está dispuesta a trabajar junto con Brasil para promover la diversificación de la estructura económica y comercial, esforzarse por profundizar la cooperación en la capacidad de producción, promover activamente los intercambios y la cooperación en los campos de la ciencia, la tecnología y la educación, con el fin de hacer mayores contribuciones a la recuperación económica global.

Li Keqiang señaló que América Latina es una importante piedra angular para la paz y la estabilidad internacionales, es una fuerza emergente para la prosperidad y el crecimiento global y un excelente representante de la convivencia inclusiva de las civilizaciones humanas. China y América Latina tienen una profunda amistad tradicional y la cooperación cada vez más estrecha en diversos campos. Las relaciones entre China y América Latina se encuentran en un nuevo punto de partida histórico. Con la mirada puesta en la cooperación global, mi visita está destinada a consolidar la amistad tradicional entre China y América Latina, profundizar la cooperación pragmática, y promover la transformación y modernización de la cooperación China-América Latina con la cooperación de la capacidad de producción internacional como el punto de ruptura. Esto ayudará a la recuperación económica mundial, a la promoción de la reestructuración y la modernización de las economías de China y América Latina, a lograr el ganar-ganar para múltiples partes, y hacer que la masa popular puedan compartir los frutos del desarrollo.

Li Keqiang subrayó que China está dispuesta a trabajar junto con la parte de América Latina para explorar un nuevo modelo de “3 por 3″ para la cooperación de la capacidad de producción entre China y América Latina:

En primer lugar, debemos adaptarnos a las necesidades de los países de América Latina y construir conjuntamente los tres grandes canales como la logística, la electricidad y la información para lograr la conectividad en el continente sudamericano. Las empresas chinas están dispuestas a trabajar junto con las empresas de América Latina para construir de manera cooperativa un canal logística que atraviesa a todos los países de América del Sur y el caribe con el transporte ferroviario como su columna vertebral, un canal de electricidad que conecta a todos los países latinoamericanos por medio de la transmisión de electricidad de alta eficiencia y las redes eléctricas inteligentes y un canal de información que integra los grandes datos y la computación en nube apoyándose en las tecnologías de Internet y la nueva generación de tecnologías de comunicación móvil.

En Segundo lugar, hay que observar las reglas de la economía de mercado y lograr una modalidad de cooperación de interacción positiva entre la empresa, la sociedad y el gobierno. Tanto China como América Latina aplican la economía de mercado. La cooperación de la capacidad de producción debe seguir el camino orientado al mercado y llevar a cabo la cooperación de proyectos por métodos tales como inversión conjunta, ppp y concesiones a la luz de los principios de “orientación empresarial, manejo comercial, participación social y promoción gubernamental” para que los proyectos pertinentes puedan ser implementados lo antes posible.

En tercer lugar, alrededor de los proyectos de cooperación entre China y Latinoamérica, debemos ampliar los tres canales de financiamiento que son los fondos, los créditos y los seguros. China establecerá un fondo especial para la cooperación de la capacidad de producción entre China y América Latina y proporcionará una financiación de 30 mil millones de dólares para apoyar los proyectos de cooperación en los campos de la capacidad de producción y la fabricación de equipos. China está dispuesta a ampliar la cooperación en campos como el intercambio de divisas y la liquidación en moneda local con los países de América Latina para salvaguardar la estabilidad de los mercados financieros regionales y mundiales.

Dilma Rousseff expresó en su discurso que Brasil y China son socios estratégicos integrales. Bajo la actual situación de la desaceleración del crecimiento económico mundial, el fortalecimiento de cooperación entre los dos países es sumamente importante. Durante la visita del Primer Ministro Li Keqiang, las dos partes firmaron una serie de acuerdos de cooperación intergubernamentales y comerciales, e hicieron un plan para la cooperación bilateral en los próximos siete años. En particular, la propuesta de China de llevar a cabo la cooperación en el ámbito de la infraestructura y prestar el apoyo de financiación será otro hito en el desarrollo económico de Brasil y la cooperación entre Brasil y China, y ayudará a la conectividad y el desarrollo económico en toda la región latinoamericana. Brasil da la bienvenida a las empresas chinas a participar en la construcción de grandes proyectos de Brasil, como la electricidad y el ferrocarril, y espera ampliar aún más la escala del comercio bilateral, promover la diversificación de la estructura comercial, y ampliar la cooperación financiera, a fin de elevar conjuntamente la cooperación bilateral a una nueva altura, en beneficio de los dos países y pueblos y promover la recuperación y el crecimiento de la economía mundial.

Las personalidades de los círculos industriales y comerciales chinos y brasileños presentes en la Cumbre respondieron con prolongado y cálido aplauso a los discursos de los líderes de los dos países.

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José Carlos de Assis é jornalista e economista, doutor pela Coppe/UFRJ e professor de Economia Internacional da UEPB.

BRICS sapateiam sobre os EUA na América do Sul

Por Pepe Escobar | Via redecastorphoto

Os presidentes Cristina Kirchner e Vladimir Putin em reunião recente.

Começou em abril/2015, com uma leva de acordos entre Argentina e Rússia, assinados durante a visita da presidenta Cristina Kirchner a Moscou.

E continuou com um investimento de US$ 53 bilhões, acertado enquanto o premiê chinês Li Keqiang visitava o Brasil, na primeira parada de mais uma ofensiva comercial pela América do Sul – e completado com uma doce metáfora: Li viajou num vagão fabricado na China, que trafegará por uma nova linha de metrô no Rio de Janeiro que estará operante para os Jogos Olímpicos de 2016.

Onde estão os EUA em tudo isso? Em lugar algum. Não estão. Aos poucos, passo a passo, mas inexoravelmente, países membros do grupo BRICS, a China e em menor medida também a Rússia – trabalharam para, nada menos que, reestruturar o comércio e a infraestrutura por toda a América Latina.

Incontáveis missões comerciais chinesas abordaram essas praias, sem descanso, mais ou menos como os EUA fizeram entre a Iª e a IIª Guerra Mundial. Numa reunião crucialmente importante em janeiro, com empresários latino-americanos, o presidente Xi Jinping prometeu encaminhar US$ 250 bilhões para projetos de infraestrutura, nos próximos dez anos.

Grandes projetos de infraestrutura na América Latina estão sendo financiados por capital chinês – exceto o porto de Mariel, em Cuba, financiado pelo BNDES do Brasil, e cuja operação ficará a cargo da operadora de portos PSA International Pte Ltd., de Cingapura. A construção do Canal da Nicarágua – maior, mais largo e mais profundo que o do Panamá – começou ano passado, por empresa construtora de Hong Kong, e deve estar concluído em 2019. A Argentina, por sua vez, obteve empréstimo de US$ 4,7 bilhões dos chineses, para construir duas barragens hidrelétricas na Patagônia.

Entre os 35 acordos comerciais firmados durante a visita de Li ao Brasil, estão um financiamento de US$ 7 bilhões para a gigante estatal brasileira do petróleo, Petrobras; foram negociados 22 jatos comerciais da Embraer, comprados pela Tianjin Airlines por US $1,3 bilhão; e vários outros acordos envolvendo a mineradora brasileira Vale. Os investimentos chineses devem ir, de algum modo, para recuperação e reparos do horrendo sistema brasileiro de rodovias, ferrovias e portos; os aeroportos estão em melhor estado, porque foram recuperados antes da Copa do Mundo de futebol, ano passado.

PM chinês, Li Keqiang e a Presidenta Dilma Rousseff.

A estrela dos acordos, foi, sem dúvida, a mega ferrovia de 3.500 quilômetros de extensão, de US$ 30 bilhões, prevista para ligar o porto de Santos no Brasil ao porto peruano de Ilo, no Pacífico peruano, cortando a Amazônia. Logisticamente, é absoluta necessidade para o Brasil, abrindo uma via até o Pacífico. Quem mais ganhará serão inevitavelmente os produtores de – de minério de ferro a soja em grãos – que exportam para a Ásia.

A ferrovia Atlântico-Pacífico pode ser projeto extremamente complexo – envolvendo questões de todo tipo, das ambientais a questões de terras, até a preferência que tem de ser dada na construção a firmas chinesas, sempre que os bancos chineses decidem sobre estender suas linhas de crédito. Mas dessa vez está resolvido. Os suspeitos de sempre estão – e o que mais poderiam estar? – preocupados.

A política oficial do Brasil, desde os anos Lula, tem sido atrair grandes investimentos chineses. China é o principal parceiro comercial do Brasil, desde 2009; antes, foram os EUA. A tendência começou com produção de alimentos, agora passa para investimentos em portos e ferrovias, e o próximo estágio será transferência de tecnologia. O Novo Banco de Desenvolvimento dos BRICS, e o Banco Asiático de Investimento em Infraestrutura liderado pela China (BAII), do qual o Brasil é membro fundador chave, fará, sem dúvida alguma, parte do mesmo quadro.

O problema é que essa massiva interatuação comercial e de negócios, entre todos os BRICS se intercruza com processo político dos mais complexos. As três grandes potências da América do Sul – Brasil, Argentina e Venezuela – vêm enfrentando repetidas tentativas de “desestabilização”, coisa dos suspeitos de sempre, que regularmente denunciam a política externa das presidentas Dilma Rousseff e Cristina Kirchner e do presidente Nicolás Maduro, enquanto os mesmos suspeitos de sempre continuam a ansiar pelos bons velhos tempos quando esses países viviam sob dependência de Washington.

Com diferentes graus de complexidade – e disputas internas – Brasília, Buenos Aires e Caracas estão enfrentando simultaneamente complôs contra a ordem institucional. Os suspeitos de sempre já nem tentam dissimular a distância diplomática quase total em que estão, em relação aos Três Grandes sul-americanos.

Venezuela, sob sanções dos EUA, é considerada ameaça à segurança nacional dos EUA – ideia que não presta nem como piada ruim. Kirchner tem estado sob implacável assalto diplomático – para nem falar dos fundos abutres norte-americanos que atacam a Argentina. E com Brasília, as relações estão praticamente congeladas desde setembro de 2013, quando Rousseff suspendeu visita que faria a Washington, como resposta a ações de espionagem da Agência de Segurança Nacional dos EUA contra a Petrobras e também contra a própria presidenta.

A Agência de Segurança Nacional dos EUA pode ter vazado informação sensível com o objetivo de desestabilizar a agenda de desenvolvimento do Brasil – que inclui, no caso da Petrobras, a exploração das maiores reservas de depósitos de petróleo (o “pré-sal”) encontradas até aqui, nesse jovem século XXI.

O que se está desenrolando é absolutamente crucial, porque o Brasil é a segunda maior economia da América (depois dos EUA); é a maior potência comercial e financeira da América Latina; abriga o ex-segundo maior banco de desenvolvimento do mundo, o BNDES, posto que agora lhe foi tirado pelo banco dos BRICS; e também é sede da maior empresa da América Latina, Petrobras, também das maiores gigantes mundiais de energia.

Petrobras -Edifício sede, RJ-Brasil.

A pressão violentíssima que está sendo feita contra a Petrobras parte essencialmente de acionistas norte-americanos – que atuam como abutres, dedicados a fazer sangrar a empresa e a arrancar lucros da hemorragia, aliados a lobbyistas que abominam o status da Petrobras como exploradora prioritária dos depósitos do pré-sal.

Em resumo, o Brasil é a maior fronteira soberana que resiste contra a dominação hegemônica ilimitada das Américas. É claro que o Império do Caos está incomodado.

A parceria estratégica sempre em transformação que liga as nações BRICS foi recebida em círculos de Washington não só com incredulidade, mas com medo. É praticamente impossível para Washington causar dano real à China. – Muito mais “fácil”, comparativamente se atacar o Brasil ou a Rússia. Ainda que a ira de Washington concentre-se essencialmente contra a China – que se atreveu a construir negócio após negócio no antigo “quintal dos EUA”.

Mais uma vez, a estratégia dos chineses – bem como dos russos – é manter a calma e exibir perfil de “ganha-ganha”. Xi Jinping reuniu-se com Maduro em janeiro para fazer – e o que mais seria? – negócios. Reuniu-se com Cristina Kirchner em fevereiro para fazer o mesmo, exatamente quando especuladores preparavam-se para lançar mais um ataque contra o peso argentino. Agora, aí está a visita de Li à América do Sul.

Desnecessário dizer, os negócios entre América do Sul e China só fazem crescer. Argentina exporta alimentos e soja em grão; Brasil idem, e mais petróleo, minérios e madeira; Colômbia vende petróleo e minérios; Peru e Chile, cobre e ferro; Venezuela vende petróleo; Bolívia, minérios. China exporta principalmente produtos manufaturados de alto valor agregado.

Desenvolvimento chave a observar é o futuro imediato do Projeto Transul, proposto pela primeira vez numa conferência dos BRICS, ano passado no Rio. Em resumo, é uma aliança estratégica Brasil-China que conecta o desenvolvimento industrial brasileiro ao fornecimento de metais para a China; a crescente demanda chinesa – estão construindo nada menos que 30 megalópolis até 2030 – sendo suprida por companhias brasileiras ou sino-brasileiras. Agora, afinal, Pequim apôs ao projeto o seu selo de aprovação.

Por tudo isso, o Grande Quadro permanece inexorável no longo prazo; as nações BRICS e sul-americanas – que convergem na União das Nações Sul-Americanas, UNASUL – estão também apostando numa ordem mundial multipolar, e num processo de independência continental.

Muito fácil ver o quanto tudo isso está a oceanos de distância de uma Doutrina Monroe.

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Pepe Escobar é jornalista, brasileiro, vive em São Paulo, Hong Kong e Paris, mas publica exclusivamente em inglês. Mantém coluna no Asia Times Online; é também analista de política de blogs e sites como: Sputinik, Tom Dispatch, Information Clearing House, Rede Voltaire e outros; é correspondente/ articulista das redes Russia Today, e Al-Jazeera.

Câmara aprova criação do banco dos Brics

Por Lucas Pordeus Leon | Via Rádio EBC

Assinado em julho do ano passado, o acordo para criação do banco do Brics foi aprovado nessa quinta-feira (21) pelo Plenário da Câmara dos Deputados. O Brics é o grupo formado pelo Brasil, China, Rússia, Índia e África do Sul.

O objetivo do banco é financiar projetos públicos ou privados de infraestrutura e de desenvolvimento sustentável dos membros do bloco e de outras economias emergentes. O banco também poderá fornecer assistência técnica.

O relator do projeto, deputado Raul Jungmann, do PPS/PE, explica que o banco é uma alternativa ao FMI, Fundo Monetário Internacional, e ao Banco Mundial.

O banco vai ser aberto a qualquer país membro das Nações Unidas. Mas os sócios-fundadores vão manter um poder de voto conjunto de pelo menos 55%. No total, o acordo autoriza o banco a operar com um capital de US$ 100 bilhões.

O deputado do PSB do Piauí, Heráclito Fortes, alerta que é preciso cumprir os compromissos.

A Câmara ainda aprovou nessa quinta-feira (21) um acordo de ajuda financeira entre os Brics. O Decreto permite que um dos países seja socorrido pelos demais em casos de não conseguir honrar compromissos internacionais. Os projetos do banco e da ajuda financeira agora seguem para o Senado.

 

Acordo com a China: mais um xeque da Dilma? Complementos e análise

O articulista do blog O Cafezinho, Miguel do Rosário, publicou no último dia 19 uma interessante análise sobre a ofensiva contra a presidente, os acordos com a China e suas implicações no tabuleiro político. Por aqui reproduzimos o artigo juntamente com os comentários de nossos associados, Gustavo Santos, doutor em economia e funcionário do BNDES, e Weber Figueiredo, engenheiro e professor da CEFET-RJ.

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Acordo com a China: mais um xeque da Dilma?

Por Miguel do Rosário | Via O Cafezinho

Parece que subestimamos um pouco a nossa presidenta.

Em novembro do ano passado, mencionei uma jogada política astuta dela, ao “deixar rolar” a Lava Jato. Num post intitulado “O xeque-mate de Dilma em seus adversários“, eu fazia a seguinte especulação: que a investigação na Petrobrás iria deixar um rastro destruidor, mas que o setor renasceria renovado, e a presidenta levaria os louros de ter sido a primeira governante a realmente liderar uma verdadeira luta contra a corrupção. Dilma teria lutado à sua maneira, de maneira republicana, democrática, como convêm a um estadista (a quem não compete o papel de juiz ou polícia), não intervindo, em silêncio, dando autonomia inclusive a setores explicitamente hostis ao governo.

Era uma jogada arriscada, mas astuta.

Não foi um xeque-mate, porém. O jogo ainda estava longe de terminar.

Do final do ano até hoje, a mídia conseguiu diversas vitórias: elegeu Cunha, conseguiu impor a narrativa de que a corrupção na Petrobrás “nasceu” com o PT, e continuou vazando delações de maneira seletiva.

Por fim, Sergio Moro mergulhou na piscina barbosiana, recebeu o prêmio Faz Diferença, da Globo, e assumiu orgulhosamente o papel de juiz político, mais interessado em holofotes do que em justiça.

A prisão de Vaccari & família selou a sua imagem de carrasco implacável.

Então eu – e a torcida de todos os times, à esquerda e à direita – passamos a criticar duramente a presidenta Dilma.

A conspiração parecia ter saído do controle. O PSDB, com apoio explícito da mídia, passou a falar diariamente em impeachment. Todos os dias, os jornais catavam no baú algum pretexto para derrubar a presidenta. A palavra golpe se tornou companheira nossa de cada dia.

A direita botou milhões de coxinhas psicóticos na rua, pedindo intervenção militar.

E os procuradores se mostraram determinados a destruir as empreiteiras, para produzir, deliberadamente, recessão e desemprego, criando uma atmosfera propícia ao impeachment.

Dilma, mais uma vez, parecia entregar várias peças importantes, e não demonstrava nenhuma reação.

Até que ela… jogou.

E novamente aplica um xeque em seus adversários. Não arriscarei afirmar que se trata de um xeque-mate. Agora está claro que esse jogo só vai terminar em meados do ano que vem, ou então ao final de 2018.

Depois de apanhar calada como nunca dantes na história desse país, a presidenta Dilma finalmente parece ter encaçapado lindamente uma bola!

O acordo que o governo está celebrando com a China deu um prodigioso drible da vaca na conspiração midiático-judicial.

Uma conspiração que pretendia derrubá-la através de uma estratégia incrivelmente suja e canalha: asfixiando um dos setores mais importantes da economia, o de construção civil, e criando um clima de terrorismo econômico e caos político.

A semana passada, conforme analisei no post anterior, terminou mal para os paneleiros, e boa para o resto da população.

Quero martelar na cabeça do leitor dois fatos importantes: o lucro de R$ 5 bilhões da Petrobrás e o anúncio da China de investir R$ 160 bilhões no Brasil.

Hoje a presidenta encontrou o primeiro-ministro chinês, que confirmou a intenção da China de fazer os investimentos em infra-estrutura. Com destaque para… trens.

Na entrevista com Dilma da qual participei, minha pergunta foi justamente sobre isso: por que o governo não promovia a criação de uma indústria ferroviária no país, a única maneira de nos livrarmos da dependência da indústria automobilística, que é tão importante, mas que não pode, naturalmente, ter o monopólio sobre a política industrial?

A China está cruzando seu país com trens-bala e trens de transporte. Num primeiro momento, ela vai construir ferrovias para nos ajudar a escoarmos nossa produção. Num segundo, a fazer trens-bala ligando todas as grandes capitais do país.

Sobre esse tema, sugiro uma notícia publicada na BBC, que me chegou via o blog DCM.

Diante das notícias da China, a conspiração midiático-judicial ganhou uma aparência incrivelmente ridícula.

Óbvio que é importante lutar pela recuperação do dinheiro desviado da Petrobrás.

Mas não é isso que os procuradores, com apoio de setores do judiciário, estão fazendo.

O Moro já conseguiu e conseguirá recuperar alguns milhões, mas não adiantará nada se o fizer à custa da falência do setor naval, por exemplo.

Não adianta recuperar alguns ovos, e matar as galinhas.

Ontem, li que os procuradores conseguiram bloquear, nos últimos dias, cerca de R$ 1 bilhão das empreiteiras.

Pareceu-me que os procuradores estão realmente dispostos a sacrificar, no altar da Globo, nossas maiores indústrias de construção civil.

Acontece que, se as empresas quebrarem, aí que não pagarão mais nada ao Estado.

Finito.

Com a entrada da China, esse terrorismo, contudo, se torna patético e, ironicamente, antipatriótico.

A China se tornou a vacina contra o golpe. Se os procuradores levarem adiante sua estratégia insana de destruir importantes empresas nacionais, nós as substituiremos por chinesas.

Quem vai pagar o pato não serão os operários, que continuarão brasileiros, e sim um punhado de paneleiros executivos dos escalões médios das grandes empresas – e admito que terei dificuldade em sentir compaixão.

As denúncias contra os deputados, por sua vez, já aceitas pelo judiciário (um judiciário sempre pusilânime quando entram os holofotes da mídia), revelaram-se, mais uma vez, inconsistentes. Não que os deputados sejam santos, mas os procuradores não encontraram nada de concreto contra eles, e mais uma vez irão colher as provas após as denúncias, após prendê-los, invertendo pela enésima vez o princípio da presunção da inocência.

Pior, a força-tarefa da Lava Jato os acusou de crimes que não tem absolutamente nada a ver… com a Lava Jato. Um deputado do PP foi denunciado por incorporar uma doméstica como sua assessora, e um deputado petista por supostamente influenciar a Caixa a anunciar na agência de publicidade de seu irmão. Tudo ainda sem prova nenhuma, e sem nada a ver com o “petrolão”.

Com o último cartucho da Lava Jato já detonado com as delações confusas de Ricardo Pessoa, presidente da UTC, só falta resolver isso: não deixar que os procuradores, frustrados, destruam Paris.

Ou seja, é preciso impedir que os procuradores, desesperados com o fracasso de seu golpe contra o voto de 54 milhões de eleitores, detonem alguma bomba atômica sobre a indústria brasileira de construção civil, em especial os setores que trabalham com a Petrobrás.

O golpe político já está morto. Mas eles ainda podem (aliás, já estão fazendo) promover estragos de curto prazo na economia. Se conseguirmos evitar isso, através de acordos de leniência, que permitam às empreiteiras voltarem a trabalhar, pagar impostos, gerar empregos, e quitarem suas multas no devido tempo, a vitória do Brasil contra o terrorismo midiático será completa.

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Gustavo Santos - De fato ajuda a dar governabilidade, pois os gringos, que usam o Moro e os procuradores como marionetes, perceberão que apenas estão jogando o Brasil no colo da China. Essa é a disputa.

Suposta estratégia da Dilma. Se for é só uma estratégia de encurralado. Só sobrevivência, só de redução de perdas. Cair no colo da China dessa forma é muito melhor do que tomar um golpe judicial dos gringos, mas não será nada agradável. Empreiteiras estrangeiras só aumentam a corrupção porque utilizam o poder diplomático e da espionagem de seus países para facilitá-la.

Weber Figueiredo - Parabéns Dilma! Não que a relação com a China seja a “salvação da lavoura”, mas já é uma mudança de paradigma onde os negócios são realizados entre dois estados e não entre empresas que visam ao lucro em curto prazo.

A verdadeira “salvação da lavoura” só virá do próprio povo brasileiro, desde que seja instruído e evoluído. Caso contrário é a manutenção da eterna dependência externa a qual gera (1) dívida, (2) desemprego, (3) pobreza, (4) atraso e (5) criminalidade.

O Mercosul e a Vendeta Neoliberal

Por Marcelo Zero

Com alarmante frequência, têm surgindo na mídia, no Congresso e em foros de debates opiniões favoráveis à extinção do Mercosul ou ainda à flexibilização de sua união aduaneira, de modo a transformá-lo em mera área de livre comércio.

Argumenta-se que o Mercosul é um “fracasso”, uma “farsa”, e que a sua união aduaneira, ao impor a negociação conjunta de acordos comerciais extrabloco, impede maior participação dos Estados Partes nas cadeias produtivas globais e nos grandes fluxos comerciais internacionais. Conforme essa visão mercocética, a “solução” seria o abandono da união aduaneira, para permitir que os países do bloco possam negociar livre e separadamente acordos de livre comércio com os EUA, a União Europeia e outras potências econômicas.

Recentemente, o próprio Secretário de Assuntos Estratégicos, Mangabeira Unger, chegou a sugerir que o Mercosul abandonasse a sua união aduaneira “provisoriamente”, de modo a permitir que o Brasil, livre do “protecionismo” da Argentina, negocie logo acordos de livre comércio com os EUA e a União Europeia. Como se fosse possível abandonar a união aduaneira de forma provisória. Obviamente, o abandono da união aduaneira é um caminho do qual não haveria retorno.

No Congresso, formou-se uma anacrônica “bancada da Guerra Fria”, que abomina a integração regional e procura “comunistas” e “bolivarianos” até mesmo embaixo do BNDES e da cama de embaixadores de carreira, como o competente Guilherme Patriota.

Tal visão mercocética é inteiramente equivocada e resulta de um crasso desconhecimento da dinâmica do Mercosul, das complexidades inerentes às negociações comerciais e da nova geoeconomia que vem se conformando em nível global.

O Mercosul não é um fracasso. Ao contrário, esse bloco, mesmo com suas conhecidas insuficiências e incompletudes, é claro êxito.

Em 2002, exportávamos somente US$ 4,1 bilhões para o Mercosul. Já em 2013, incluindo a Venezuela no bloco, as nossas exportações saltaram para US$ 29,53 bilhões. Isso significa um fantástico crescimento de 617%. No mesmo período, o crescimento das exportações mundiais foi de “apenas” 183%. Ou seja, o crescimento das nossas exportações intrabloco foi muito superior ao crescimento das exportações mundiais. Já para os parceiros tradicionais e mais desenvolvidos, Japão, União Europeia e os EUA, as nossas exportações cresceram “somente” 279%, 205% e 60,3%, respectivamente, no mesmo período.

Quanto ao argumento de que o Mercosul, com sua união aduaneira, impede maior participação do Brasil no comércio mundial, basta constatar que, entre 2003 e 2013, as exportações brasileiras cresceram 300%, ao passo que as exportações mundiais aumentaram “apenas” 180%.

Além disso, o Mercosul e a integração regional nos propiciam, mesmo na atual crise, alentados superávits e mercado fundamental para nossa combalida indústria de transformação.

Entre 2009 e 2014, a integração regional, mediante o bloco da Associação Latino-Americana de Integração (ALADI), nos deu saldo comercial positivo de US$ 60,2 bilhões, bastante superior ao obtido com os BRICs (US$ 42,6 bilhões) e muito superior ao conseguido com a União Europeia (US$ 8,5 bilhões). Esse grande saldo comercial positivo contribuiu para compensar o enorme déficit acumulado com os EUA (-45,3 bilhões de dólares).

No período de 2010 a 2014, todos os países desenvolvidos somados absorveram apenas 40% das nossas exportações de manufaturados. Em contraste, a ALADI, que inclui o Mercosul, conseguiu absorver 43% dessas exportações. Em outras palavras, a integração regional absorveu mais manufaturados brasileiros que todos os países desenvolvidos combinados.

Ressalte-se que o Mercosul, ao contrário do que afirmam seus críticos, não é um bloco autárquico. Na realidade, o Mercosul, conforme determina o artigo 20 do Tratado de Assunção, é bloco aberto à adesão de qualquer país da ALADI.

O Mercosul já tem livre comércio com toda a América do Sul, inclusive com a Aliança do Pacífico, e, no campo extrarregional, negocia ativamente a liberação de seus fluxos de comércio. Com a União Europeia, por exemplo, o bloco sul-americano já apresentou nova oferta abrangente, a qual aguarda pacientemente a resposta das autoridades europeias, as quais precisam obter o aval de todos os países europeus para apresentar sua aquiescência, exatamente como no Mercosul.

Esse ativismo comercial é cercado, contudo, das cautelas e salvaguardas necessárias para evitar danos irreversíveis aos setores econômicos de todos os Estados Partes, não somente da Argentina, particularmente as suas indústrias, já afetadas por um processo de desnacionalização que limita a capacidade de inovação tecnológica e de indução do desenvolvimento ao longo das cadeias produtivas.

O Mercosul também vem fazendo lentos, mas significativos progressos, no que tange ao imprescindível enfrentamento das assimetrias regionais, à livre circulação de trabalhadores, à instituição de órgãos supranacionais, e à construção de uma cidadania comum na região, objetivo maior do processo de integração.

Para o Brasil e os demais Estados Partes, o Mercosul confere fundamental vantagem estratégica. A construção de sinergias econômicas, comerciais e geopolíticas, baseada na união aduaneira, permite aos Membros do bloco negociar, em condições mais vantajosas das que seriam possíveis obter de forma isolada, sua inserção na globalização assimétrica. Tal vantagem estratégica é ainda mais acentuada, num contexto de crise econômica mundial e de acirramento dos embates comerciais.

Nesse contexto, o abandono da união aduaneira e a celebração célere e isolada de acordos de livre comércio com grandes potências econômicas, como querem os detratores do Mercosul, seria trágico erro. Lembre-se que, além das grandes assimetrias entre as partes, tais acordos contêm cláusulas relativas à propriedade intelectual, às compras governamentais e ao regime jurídico dos investimentos, que podem comprometer, em definitivo, o espaço para a implantação de políticas industriais e de desenvolvimento tecnológico.

Portanto, a extinção da união aduaneira e a celebração isolada e açodada de TLCs poderia até agradar, no curto prazo, a alguns grupos econômicos internacionalizados, mas significaria golpe mortal para o Mercosul e o futuro dos Estados Partes. Para o Brasil, em particular, o fim do Mercosul significaria a perda de um mercado fundamental para a sua indústria e do seu novo protagonismo regional.

Essa ofensiva contra a integração regional, o Mercosul e política externa brasileira é parte daquilo que Domenico de Masi denominou apropriadamente de “vendeta neoliberal”.

O que se quer é restaurar o finado projeto da Alca, desta vez mediante acordos bilaterais. A implantação dessa nova Alca “bilateralizada”, herdeira do fracassado paleoliberalismo, além de implodir o Mercosul, implodiria também a liderança regional do Brasil e o grande protagonismo internacional que o nosso país conquistou com a política externa “ativa e altiva”, que apostou na integração regional e na diversificação das parcerias estratégicas. Política essa muito diferente da política externa praticada na época em que mandavam os detratores da integração regional, fundamentada na autonomia pela integração aos ditames da superpotência mundial.

A diferença fundamental entre as duas é o êxito pragmático da primeira, que aproveitou bem as mudanças geopolíticas e geoeconômicas que ocorreram na ordem mundial, e o fracasso ideológico da segunda, que não produziu nem maior autonomia, nem maior integração.

Uma apequenou o país; a outra teve como resultado principal o engrandecimento do Brasil.

Assim, a vendeta neoliberal contra o Mercosul e a política externa do país é, na verdade, uma vendeta contra o Brasil.

Brasil e China assinam 35 acordos num total de US$ 53 bilhões

Via Jornal do Comércio

No total, são 35 contratos bilaterais em áreas como planejamento, infraestrutura, comércio, energia, mineração e aviação.

Presidente Dilma Rousseff recebeu o primeiro-ministro Li Keqiang no Palácio do Planalto, em Brasília. MARCELO CAMARGO/ABR/JC

A presidente Dilma Rousseff recebeu, nesta terça-feira, no Palácio do Planalto, o primeiro-ministro chinês, Li Keqiang, e assinou 35 acordos bilaterais nas áreas de planejamento, infraestrutura, comércio, energia, mineração, entre outras, no valor de mais de US$ 53 bilhões, de acordo com o governo brasileiro. Dilma viajará à China em 2016 para estreitar ainda mais o relacionamento entre os países.

O Palácio do Planalto aposta nos negócios com a China para evitar uma “paralisia do governo” com o corte do Orçamento de 2015, que deve ficar entre R$ 70 bilhões e R$ 80 bilhões.

Uma das principais apostas do acordo é a Ferrovia Transoceânica, que ligará Brasil e Peru. Em seu discurso durante a assinatura dos atos, Dilma se mostrou animada com a megaferrovia. “Um novo caminho para a Ásia se abrirá pelo Brasil”, afirmou. No entanto, o projeto está longe de sair do papel e o preço final ainda não está definido – projeções variam de US$ 5 bilhões a US$ 12 bilhões.

Entre os acordos em diversas áreas, está a assinatura de um memorando para a compra de 40 aeronaves da Embraer e outro para a compra de 24 navios de minério de ferro. Em nota, a Embraer confirmou a venda de um primeiro lote de 22 aeronaves aos chineses. A operação, acertada com a Tianjin Airlines, tem valor estimado em US$ 1,1 bilhão.

A entrega da primeira aeronave está programada para este ano – uma segunda será entregue em 2018. As aeronaves fazem parte de pacote prometido pelo presidente chinês Xi Jinping em visita ao Brasil, no ano passado. “Os 18 restantes (são 40 no total) farão parte de uma segunda aprovação das autoridades chinesas em fase posterior”, afirma a assessoria de imprensa da Embraer.

A exportação será financiada pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (Bndes). O valor do negócio é de até US$ 1,3 bilhão. “Trata-se do primeiro acordo de financiamento do Bndes para exportações de aeronaves brasileiras para a China e envolverá, na etapa inicial, até 10 aeronaves entre 2016 e 2017″, detalhou o banco de fomento, em nota.

Além da cooperação para o financiamento de projetos da Petrobras, foram assinados acordos para desenvolvimento de um satélite de sensoriamento remoto e instalação de um complexo siderúrgico no Maranhão, entre outros.

Dilma afirma que parceria entre o País e a potência oriental é estratégica 

A presidente Dilma Rousseff afirmou que a parceria entre Brasil e China é “estratégica” para os dois países e que é construída por “princípios de igualdade”. A presidente disse ainda que aceitou um convite do presidente chinês Xi Jinping e que programa uma nova visita ao país asiático em 2016.

Segundo Dilma, a reunião com a comitiva chinesa pela manhã foi marcada por diálogo franco e disposição de avançar, para fortalecer e efetivar a parceria. “Tivemos nesta manhã uma reunião produtiva”, disse, destacando um plano conjunto que prevê ações entre 2015 e 2021. “Esse plano inaugura uma etapa superior do nosso relacionamento”, disse.

Entre os diversos acordos firmados, Dilma destacou “em especial” os das áreas de infraestrutura e comércio. “Teremos a oportunidade de dialogar com o empresariado dos dois países sobre o importante papel que exercem nesse processo”, afirmou.

A presidente destacou ainda o projeto de infraestrutura que pretende ligar áreas brasileiras, via Peru, mais rapidamente a portos chineses. “Brasil, Peru e China iniciam juntos estudos de viabilidade para conexão ferroviária transcontinental, que vai cruzar o nosso País no sentido leste-oeste”, disse. “A ferrovia vai cortar o continente sul-americano, ligando os oceanos Atlântico e Pacífico. E convidamos empresas chinesas a participar dessa grande obra”, completou, destacando que a ferrovia atravessará os Andes até chegar ao Peru. “É um novo caminho para a Ásia, que vai reduzir a distância e os custos”, acrescentou. Após a cerimônia, Dilma participou de almoço com a comitiva chinesa.

O ministro da Defesa, Jaques Wagner, e o diretor da Administração Nacional de Ciência, Tecnologia e Indústria para Defesa Nacional da China, Xu Dazhe, assinaram um “memorando de entendimento sobre sensoriamento remoto, telecomunicações e tecnologia da informação”.

O Brasil deve ainda construir em parceria com a China uma fábrica de painéis solares fotovoltaicos. O acordo será fechado entre a Apex e a BYD Energy do Brasil.

Petrobras anuncia financiamentos de US$ 7 bilhões

A Petrobras assinou dois acordos para financiamento com a China, num total de US$ 7 bilhões, durante cerimônia com autoridades brasileiras e chinesas em Brasília. Um deles, de US$ 5 bilhões, foi fechado com o Banco de Desenvolvimento da China (CDB), o mesmo que em abril já havia emprestado US$ 3,5 bilhões.

Outro acordo prevê financiamento no valor de US$ 2 bilhões do China EximBank para projetos da Petrobras. Também foi feito um acordo de cooperação para a criação de relacionamento de longo prazo entre Petrobras e Banco Industrial e Comercial da China (ICBC). No empréstimo fechado em abril, fontes do governo e especialistas em geral afirmaram que a ajuda financeira pode ter como contrapartida exigida a compra de equipamentos chineses e fornecimento de petróleo.

Além das trocas comerciais, foi fechado um fundo para negócios entre os dois países, por meio da Caixa Econômica Federal e o Banco Industrial e de Comércio da China (ICBC), com recursos de US$ 50 bilhões. E um outro fundo bilateral, no qual a China colocará US$ 30 bilhões – o Brasil ainda não definiu sua contrapartida. O governo brasileiro está otimista de que essas parcerias, grande parte delas na área de logística e infraestrutura, reaqueçam a economia.

Os acordos são importante porque têm um potencial de alavancar investimentos. Os chineses? têm interesse em investir na área de estaleiro, de refinarias e de telefonia.

Fabricantes de trens locais temem ameaça com a chegada dos investidores chineses

A entrada dos chineses em projetos de infraestrutura logística ainda é uma promessa, mas começa a tirar o sono da indústria nacional de ferrovias. O setor, que faturou R$ 5,6 bilhões no ano passado e gera 20 mil empregos diretos, teme que a investida dos asiáticos comprometa a produção nacional.

Os chineses estão de olho na Ferrovia de Integração do Centro-Oeste (Fico), uma malha de 883 quilômetros prevista para ligar o maior polo de produção de grãos no País, na região de Lucas do Rio Verde, no Mato Grosso, até sua ligação com a Ferrovia Norte-Sul, em Campinorte (GO).

O temor da indústria não é a construção da ferrovia, uma iniciativa que é muito aguardada pelo setor. A apreensão é com os acordos atrelados ao projeto, como importação de trens de passageiros, vagões, locomotivas e tudo o mais que envolva a estrada de ferro.

“Não somos contrários a investimentos estrangeiros, muito pelo contrário. Mas é importante assegurar que todos atuem de acordo com as mesmas regras e que enfrentem a mesma realidade”, diz o presidente da Associação Brasileira da Indústria Ferroviária (Abifer), Vicente Abate. “Não queremos passar pelo que está acontecendo hoje com a Argentina, que viu a sua indústria ferroviária praticamente desaparecer.”

China autoriza frigoríficos brasileiros a vender carne

A negociação entre Brasil e China para o fim do embargo à carne bovina brasileira chegou ao fim na manhã desta terça-feira, quando a ministra Kátia Abreu recebeu o ministro da Administração de Inspeção de Qualidade e Quarentena da China, Vhi Shiping, e obteve a habilitação de plantas. A ministra fechou um acordo para que, além do fim do embargo à carne bovina, sejam abertos também os negócios, com a autorização de plantas frigoríficas que possam vender carne para o país.

O acordo prevê que oito plantas de carne bovina sejam reabertas imediatamente e que outras 17 sejam habilitadas no futuro. O acordo desta terça prevê também a reabilitação imediata de uma planta de aves que havia sido suspensa em 2012 em função de divergências sobre o corte do produto. Cada uma das 26 plantas, contando a de aves, tem potencial para gerar US$ 20 milhões em negócios por ano, o equivalente a US$ 520 milhões no total.

Parte das tratativas ocorreram no país asiático, na semana passada, quando uma série de documentos foram preparados em conjunto entre o Ministério da Agricultura brasileiro e o governo chinês.

A ministra anunciou a medida na manhã de ontem, durante uma coletiva de imprensa no Ministério da Agricultura, em Brasília, antes de ir para a cerimônia no Palácio do Planalto. “Acabamos de entregar uma pasta com toda a documentação em inglês. Ele saiu daqui com toda a promessa de uma cooperação rápida, de que tem toda disposição de ajudar”, disse a ministra. Kátia Abreu afirmou que combinou com o ministro chinês de ir à China em junho para buscar a autorização das demais plantas que não foram habilitadas ontem. “Também estamos negociando transgênicos. Eles querem regras próprias para produção de transgênicos”, disse a ministra. Segundo ela, está sendo negociado um acordo de cooperação entre a Embrapa e os chineses para isso.