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Dilma veta a auditoria da dívida pública

ESCÂNDALO: DILMA VETA A REALIZAÇÃO DE AUDITORIA DA DÍVIDA PÚBLICA COM PARTICIPAÇÃO DE ENTIDADES DA SOCIEDADE CIVIL

Via Auditoria Cidadã da Dívida

Veto prejudica a transparência de gasto que consome mais de 40% do orçamento federal.

Hoje, 14/1/2016, o Diário Oficial da União (Seção 1, pág 9) divulgou o veto da Presidência da República à realização de auditoria da dívida pública com participação de entidades da sociedade civil, no âmbito do Ministério da Fazenda. Essa auditoria havia sido incluída no Plano Plurianual (PPA 2016-2019), por meio de emenda do Deputado Edmilson Rodrigues (PSOL/PA), acatada pela Comissão de Finanças e Tributação, que é o principal Órgão Colegiado da Câmara dos Deputados sobre o orçamento público.

Em sua justificativa, o governo diz:

“O conceito de dívida pública abrange obrigações do conjunto do setor público não financeiro, incluindo União, Estados, Distrito Federal e Municípios e suas respectivas estatais. Assim, a forma abrangente prevista na iniciativa poderia resultar em confronto com o pacto federativo garantido pela Constituição. Além disso, a gestão da dívida pública federal é realizada pela Secretaria do Tesouro Nacional e as informações relativas à sua contratação, composição e custo, são ampla e periodicamente divulgadas por meio de relatórios desse órgão e do Banco Central do Brasil, garantindo transparência e controle social. Ocorrem, ainda, auditorias internas e externas regulares realizadas pela Controladoria Geral da União e pelo Tribunal de Contas da União.”

Tais justificativas não se sustentam. A dívida dos entes federados está profundamente relacionada com o governo federal, sendo que este último é justamente quem cobra a maioria destas dívidas, que precisam ser urgentemente auditadas, e tem causado sérios danos às finanças de estados e municípios.

Além do mais, não há transparência sobre diversos aspectos do endividamento, a começar pelos próprios beneficiários desta dívida, cujos nomes são considerados como sigilosos pelo governo, apesar de se tratar de recursos públicos. A recente CPI da Dívida, realizada na Câmara dos Deputados (2009/2010) teve diversas informações e documentos não fornecidos pelos órgãos do governo.

O gasto com juros e amortizações da dívida pública federal atingiu em 2015 (apenas até 1/12/2015) o valor de R$ 958 bilhões, dos quais grande parte decorre de cobertura de gastos feitos pelo Banco Central com, por exemplo, Operações de Mercado Aberto e de Swap Cambial, da ordem de centenas de bilhões de reais. Não há transparência sobre tais operações, seus beneficiários, e suas reais necessidades para o país, conforme pode ser verificado no artigo “O Banco Central está suicidando o Brasil”, de Maria Lucia Fattorelli.

Destaca-se também a falta de transparência e discussão com a sociedade sobre a real necessidade das altíssimas taxas de juros, responsáveis pelo crescimento da dívida pública e pelo expressivo aumento dos gastos do Tesouro com a dívida. A justificativa de “controle da inflação” não tem se confirmado na prática, dado que a alta de preços não tem sido causada, preponderantemente, por um suposto excesso de demanda, mas sim, por preços administrados pelo próprio governo, como energia, combustíveis, transporte público, planos de saúde, e pela alta de alimentos, em um contexto no qual é priorizada a agricultura para exportação.

Ressalta-se também a importância de se auditar a origem do endividamento atual, desde o Regime Militar, cuja documentação requerida pela CPI da Dívida Pública da Câmara dos Deputados (2009-2010), em grande parte, não foi fornecida pelo Banco Central, a exemplo de contratos de endividamento externo, e valores devidos externamente pelo setor privado assumidos pelo setor público.

A participação de entidades da sociedade civil é fundamental para o processo de auditoria, a exemplo do ocorrido recentemente no Equador, quando a Comisión para la Auditoria Integral del Credito Publico (CAIC), com a colaboração da sociedade civil, permitiu a investigação dos crimes da ditadura, e a consequente anulação de 70% da dívida externa com bancos privados internacionais.

A Auditoria da Dívida Pública no Brasil está prevista na Constituição Federal – na forma de uma Comissão Mista de deputados e senadores – e deveria representar um procedimento normal, com vistas à transparência dos gastos públicos. Portanto, a inclusão da referida iniciativa no âmbito do Ministério da Fazenda, apesar de ainda não representar o cumprimento da Constituição, seria de grande valia para a transparência do maior gasto federal.

Desta forma, garantiria-se a ampla discussão com a sociedade sobre a alocação de centenas de bilhões de reais, sendo injustificável o veto de dispositivo que apenas visa garantir maior transparência aos gastos públicos, e aperfeiçoar a gestão do endividamento.

Agora está nas mãos dos parlamentares derrubar esse escandaloso veto, que impede os passos em direção à almejada auditoria da dívida pública. Afinal, quem tem medo da transparência em relação às operações da dívida pública?

A sociedade, que tem arcado com essa conta, exige AUDITORIA JÁ!

Onde está a inteligência no Brasil?

Via Jornal do Brasil

País virou refém de esquemas montados em torno do capital estrangeiro.

Os últimos acontecimentos levam ao questionamento sobre a atuação da inteligência no Brasil. Aqui, ressalta-se, não se fala da inteligência do povo, mas justamente daquela dos que têm por obrigação resguardar o país e garantir a ordem e o desenvolvimento. Parece haver uma articulação internacional contra os interesses do país e a favor do capital estrangeiro, e a segurança do país não percebe isso.

Vários episódios no cenário político, econômico e social brasileiro evidenciam o processo crescente de desestabilização institucional. Senão, vejamos:

Opinião: Onde está a inteligência no Brasil? País virou refém de esquemas montados em torno do capital estrangeiro.

1) Em sua primeira edição de 2016, a revista semanal britânica The Economist escolheu a crise brasileira como sua matéria de capa. Nela são feitas inúmeras críticas à administração da presidente Dilma Rousseff, com foco na perda dos graus de investimento do país por duas agências de classificação de risco, na previsão de baixo crescimento econômico para o ano, e na demissão de Joaquim Levy do Ministério da Fazenda. A revista chega a afirmar que a queda de Dilma seria necessária para o Brasil retomar seu rumo. Fica a pergunta: por que aThe Economist optou por centrar suas críticas desta forma, pregando até a derrubada do governo? Por que uma revista que fala da economia mundial escolhe o Brasil para a capa, se há tantos países no mundo em situação pior? Como se não bastasse, a reportagem daEconomist mais parece cópia das reportagens de segmentos da mídia nacional que se dedicam a atacar o governo.

Escritórios de assessorias econômicas internacionais, que contrariam os interesses nacionais, já torcem publicamente pela venda do país. Isso é claro. Declarações e análises, orientadas juridicamente, defendem abertamente o capital estrangeiro em nossa política econômica.

2) Apesar de estar em sigilo judicial há muito tempo, justamente em seguida da publicação da reportagem de capa do The Economist foi divulgado o conteúdo da delação do ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró. Claramente o objetivo foi desestabilizar ou tentar desestabilizar, através de acusações de recebimento de propina, um graduado funcionário do governo, hoje interlocutor da classe política.

3) Suspeita também foi a nomeação relâmpago de um importante ex-integrante do Palácio do Planalto por um órgão que centraliza a economia mundial. Foi uma clara afronta ao país, principalmente quando se leva em consideração que, durante sua passagem pelo governo, este ex-integrante travou confrontos com a Câmara dos Deputados, que é a própria casa do povo e da democracia, apontado-a como o principal responsável pela crise política e econômica que o país atravessa. Vindo de alguém que sempre serviu a órgãos estrangeiros, não surpreende.

4) Israel praticamente impôs ao Brasil, no final do ano passado, a nomeação de Dani Dayan como embaixador do país em Brasília. O que se viu não foi uma solicitação, uma indicação, com base em relações diplomáticas cordiais, mas sim uma afronta à autoridade política brasileira. Dayan, longe de ser um diplomata qualquer, foi um influente líder do movimento de assentamentos judaicos, condenados pela política externa brasileira, que defende a criação de um Estado palestino. A aceitação de seu nome seria a aceitação de uma grosseira afronta aos direitos humanos.

A vice-ministra de Relações Exteriores de Israel, Tzipi Hotovely, chegou a adotar um tom de ameaça ao comentar o problema: “O Estado de Israel deixará o nível de relacionamento diplomático com o Brasil a um nível secundário se o apontamento de Dani Dayan não for confirmado”, afirmou. Deveria o país, por acaso, se curvar novamente?

5) Na manifestação contra o aumento das tarifas de ônibus que ocorreu na última sexta-feira (8), em São Paulo, houve confrontos entre mascarados black blocs e a Polícia Militar, que, incompreensivelmente, optou por prender os cidadãos comuns e não os verdadeiros vândalos que enfrentava, talvez por serem mais difíceis de serem identificados. Os responsáveis pelo caos estarão livres para atentar contra a segurança pública no próximo protesto.

6) Como se não bastasse, o país assiste também à premeditada tentativa de desmonte da maior empresa estatal brasileira, responsável por 60% da economia nacional, que custou ao seu criador, Getúlio Vargas, a própria vida.

A política e a economia brasileiras se tornaram reféns de esquemas estrangeiros que corroem a democracia e o funcionamento adequado das instituições. Se a inteligência não percebe o que está sendo feito com o país, o povo tem mesmo é que esperar pelo carnaval!

Petrobras provoca debate ao propor transferir engenharia básica do Cenpes para a área de serviços

Via Clube de Engenharia

Convés de navio visualizado em sala 3D no Cenpes. Foto: Agência Petrobras/Divulgação.

Por alguns anos a Petrobras divulgou, com orgulho, a gestão tecnológica feita de maneira compartilhada entre o seu Centro de Pesquisas e Desenvolvimento (Cenpes), onde concentra atividades de pesquisa, desenvolvimento (P&D) e engenharia básica (E), e os segmentos de negócios da empresa. O país tem comemorado a excelência tecnológica e o reconhecimento internacional com os prêmios recebidos pelas tecnologias pioneiras desenvolvidas para o Pré-Sal. Em 2015 a Petrobras recebeu, pela terceira vez, o OTC-“Distinguished Achievement Award for Companies, Organizations, and Institutions”, o maior reconhecimento tecnológico que uma empresa de petróleo pode receber como operadora offshore. Apesar da excelência em diversas áreas, circulam informações de que na reestruturação em curso as atividades de engenharia básica serão deslocadas do Cenpes para a área de engenharia responsável pela implantação dos empreendimentos da companhia.

Guilherme Estrella, conselheiro do Clube de Engenharia, assume posição radicalmente contrária. Entende que a transferência da engenharia básica do Cenpes para a área de serviços “é um salto para trás, um monumental retrocesso que certamente trará risco para a trajetória de extraordinário e, como tal, mundialmente reconhecido êxito nas atividades fins da companhia”. Para o ex-diretor de Exploração e Produção (E&P) da Petrobras a medida “não encontra sustentação no campo conceitual do desenvolvimento/inovação tecnológica endógeno da Petrobrás nem do ponto de vista das atribuições específicas e fundamentais da engenharia-serviços”. São posições e avaliações que já são compartilhadas com a Associação de Engenheiros da Petrobras (Aepet), na perspectiva de que uma profunda reflexão seja feita para evitar o grave retrocesso.

Como Estrella, a Aepet define a mudança proposta, caso se concretize, como um “erro colossal”. “É de conhecimento público que a Petrobras está promovendo a reestruturação da sua organização corporativa. A bem-vinda reestruturação deve preservar acertos históricos e a organização do trabalho pode ser aperfeiçoada. Notadamente, o conceito de Pesquisa, Desenvolvimento e Engenharia Básica (P&D+E) do Cenpes deve ser preservado e aprimorado”, afirma a Aepet em documento datado de novembro de 2015.

Ainda segundo a AEPET, “ao ser incorporada no CENPES, a Engenharia Básica (E) transformou o centro de pesquisas em Centro de Pesquisas, Desenvolvimento e Engenharia (P&D+E), passando a promover vínculos entre os pesquisadores e os projetistas dos equipamentos, facilitando a aplicação de inovações nos projetos”.

Gestão estratégica e tecnológica

Guilherme Estrella esclarece que o êxito da Petrobras na implantação da gestão estratégica e das atividades de desenvolvimento tecnológico não se concretizou sem disputas. O não entendimento integral do próprio conceito de tecnologia, por exemplo, estava incluído entre as causas dos conflitos. A Petrobras implantou a gestão estratégica e tecnológica plena com a criação, no Cenpes, da área da engenharia básica, primeiro do refino e depois do E&P. O “E” de engenharia básica, foi finalmente adicionado ao “P&D” na designação das atividades do Cenpes.

A inquestionável e difícil conquista do modelo de “gestão compartilhada” foi implantada no Cenpes em meados da década de 80, com o planejamento completamente integrado das atividades do Centro com os chamados órgãos operacionais – órgãos que vão operar as tecnologias – do E&P, do refino e da petroquímica, registra Estrella.

“Operamos desta forma um enriquecedor processo de feedback contínuo aos projetos básicos na medida em que dificuldades ou novos desafios e necessidades operacionais são trazidos aos projetistas do Cenpes, que por sua vez introduzem nos novos projetos as inovações/avanços destinadas a superá-los. É neste momento que surge como imperativa a junção da engenharia básica com o “P&D”, integralizando-se então o conceito de P&D+E, e de tecnologia. Esquartejar esta integração – sob qualquer argumento – é desconhecer um modelo de gestão universalmente reconhecido”, conclui Guilherme Estrella.

Na mesma linha, contrário à mudança em pauta, o vice-presidente do Clube de Engenharia, Sebastião Soares, consegue sintetizar sua visão em uma única e lapidar frase: “O Cenpes é a Embrapa da indústria”.

Merval é advogado de defesa do PSDB e promotor de acusação do PT

Por Jeferson Miola | Via Carta Maior

No campeonato de jornalismo engajado, partidário e tendencioso, Merval Pereira é um candidato muito competitivo, talvez imbatível. Apesar da concorrência forte na praça, ele leva importante vantagem sobre os e as colegas que trabalham em outros veículos da imprensa brasileira.

Ele conta com a credencial de servir a uma das principais escolas de manipulação da opinião pública, que é a Rede Globo. O funcionário da família Marinho pratica o mau jornalismo, se é que se pode classificar aquele colunismo binário de opinião como jornalismo.

No Jornal das Dez exibido pela Globo News no dia de 12/01, ao comentar a revelação da propina de 100 milhões de dólares recebida pelo governo FHC, Merval produziu a diretriz editorial da Rede Globo que passou a ser seguida por toda a mídia oposicionista: abafar no noticiário toda informação sobre propina recebida durante os governos do PSDB, e noticiar somente a parte do depoimento do Nestor Cerveró que menciona a corrupção que continuou mesmo depois do fim dos governos tucanos e adentrou o período petista.

Merval desdenhou a revelação de propina recebida pelo governo FHC, entendendo não existir nenhuma prova na delação do ex-diretor. Como artifício para diminuir a importância da cópia do depoimento de Cerveró encontrado no escritório do senador Delcídio Amaral, Merval disse que a citação a FHC estava num suposto “rascunho” que seria uma anotação para ajudar a memória do próprio Cerveró, mas que a revelação nem sequer consta do depoimento [?!], porque – segundo Merval – o ex-diretor corrupto, que foi nomeado pelo governo FHC para exercer cargo de comando na Petrobrás, não tem provas [sic].

Mas, quanto ao trecho da delação de Cerveró que incrimina os adversários do PSDB, Merval não se fez de rogado e disse enxergar provas, indícios, evidências “contundentes”, testes de DNA, impressões digitais etc.

O Merval não tem solução. Além de repisar a falácia de que as doações eleitorais recebidas por Aécio são limpas e legais enquanto as recebidas por Dilma são sujas e criminosas, ele agora se supera na arte da manipulação dizendo que Cerveró mente quando acusa o PSDB, porém fala a verdade quando incrimina o PT.

Este colunista é uma das principais vozes públicas da Rede Globo. No curso da Lava Jato, ele e a emissora constroem uma narrativa parcial, recortada e selecionada da realidade que esconde a verdade. Merval atua como advogado de defesa do PSDB e, ao mesmo tempo, promotor de acusação do PT. Falta-lhe imparcialidade e isenção. A corrupção do PSDB, assim como toda a corrupção descoberta, independentemente da autoria, não pode ser abafada [ler aqui], como faz o condomínio policial-jurídico-midiático de oposição, do qual Merval é um dos porta-vozes.

A censura e a seleção de fatos que serão ou não noticiados é procedimento recorrente na Rede Globo. Desde o início da cobertura da Lava Jato, a corrupção na época do FHC é censurada no noticiário.

No início de 2015 Pedro Barusco, outro corrupto que também foi nomeado para cargo diretivo na Petrobrás no governo FHC, delatou o esquema de propinas existente na empresa pelo menos desde 1997, na jovialidade do primeiro mandato de FHC. Organizando a estratégia de contenção da verdade, a diretora da Central Globo de Jornalismo, Silvia Faria, baixou a seguinte ordem interna na emissora: “Assunto: Tirar trecho que menciona FHC nos VTs sobre Lava a Jato. Atenção para a orientação Sergio e Mazza: revisem os vts com atenção! Não vamos deixar ir ao ar nenhum com citação ao Fernando Henrique” [Jornal GGN, 08/02/2015].

A manipulação político-ideológica do noticiário para atacar adversários convertidos em inimigos é um padrão de comportamento histórico da ultra-direita. Nos anos 1950 e 1960, a mídia com seus loquazes difamadores [Carlos Lacerda é o melhor exemplar desta espécime] empreendeu campanhas de desestabilização e radicalização política que culminaram no suicídio de Getúlio Vargas em 1954 e na instalação da ditadura civil-militar em 1964.

A falsificação da realidade, a eliminação do contraditório e a estigmatização de adversários são práticas totalitárias que adubam o terreno do ódio e da intolerância, e que abrem caminho para a fascistização da sociedade.

Lava Jato: destruição da ordem jurídica por Moro e cúmplices

Por J. Carlos de Assis

Os donos e principais executivos da Odebrecht, da Camargo Correia e da Andrade Gutierrez continuam presos, sem formação de culpa, o primeiro por seis meses até agora, e os segundos por oito meses. Seu principal crime é serem ricos. Os tribunais superiores e o próprio Supremo, intimidados pelo Torquemada da Operação Lava Jato, Sérgio Moro, não ousam contrariar os expedientes introduzidos no processo que liquidaram, de uma penada, princípios seculares do habeas corpus, da presunção de inocência e do devido processo legal.

Não sou jurista. Sou economista. Mas sou sobretudo cidadão. Os princípios seculares de proteção ao cidadão, como o habeas corpus, foram introduzidos no sistema jurídico ocidental no início do Iluminismo, e desde então sedimentam as relações do cidadão com o poder público. A Constituição norte-americana definiu os Direitos Humanos, e a Carta da ONU os consagrou universalmente. Moro está liquidando com eles a pretexto de combater a corrupção. Seu suporte ideológico? A revista Veja e o sistema Globo.

Há uma maldição psicológica na base desse processo. Brasileiro de classe média não gosta de rico. Tem inveja. Acha que rico é ladrão. Em termos filosóficos marxistas, ele tem razão, pois a mais valia, origem do lucro, é a diferença entre trabalho pago e trabalho não pago ao trabalhador. Entretanto, na medida em que as relações sociais foram evoluindo no século XX, a desgraça real para o trabalhador já não é exploração de mais valia, mas o desemprego. Daí uma contradição, pois quem se apropria de mais valia é quem gera emprego.

Nos Estados Unidos há uma valorização social do empresário sem paralelo no mundo. No Brasil só recentemente isso começa a acontecer em razão das políticas de incentivo ao empreendedorismo. Entretanto, até isso é seletivo. Há uma valorização romântica do pequeno empresário enquanto continua o preconceito contra o grande. Isso, mais do que o combate à corrupção, está na origem da terrível indiferença com que grande parte da sociedade trata os ricos perseguidos da Lava Jato.

O ministro Ricardo Lewandowski transferiu ao plenário do STF, depois do recesso, decisão sobre o habeas corpus em favor de Marcelo Odebrecht. Soube que seria para evitar a controvérsia gerada por um habeas corpus anterior, em favor de Daniel Dantas e outros bandidos, pelo ministro Gilmar Mendes, numa sexta-feira. Ora, Lewandowski me parecia um ministro equilibrado. Mas agora criou uma jurisprudência estranha: não decide segundo o conteúdo do processo, e sim segundo decisões anteriores de Gilmar.

Quando a aberração legal em curso na operação Lava Jato encontra tamanha indiferença da opinião pública e suscita os aplausos indecentes de Veja e da Globo, fica evidente que estamos não só no caos econômico e político, mas também em plena degradação jurídica. Aos  que não são ricos aviso: de te fabula narratur (a história fala de você)! Hoje os ricos são as vítimas, amanhã chegará a sua vez. Se nem eles, com batalhões de advogados, se livram da arbitrariedade, prepare-se para pagar alto por sua liberdade.

A passividade do Supremo diante da destruição dos Direitos Humanos como base de nosso sistema jurídico só tem uma explicação: seus membros estão intimidados diante  do poder supremo de Sérgio Moro. Isso ficou evidente nas menções a membros do Supremo na gravação do senador Delcídio do Amaral. O que teria mais, além disso? O que Moro, os procuradores e os delegados federais escondem dentro do processo de lavagem de dinheiro e depósitos no exterior incriminando altas personalidades do Judiciário? Se isso existe tudo está explicado: Moro mantém o Supremo como refém.

Não teremos uma solução trivial para essa situação. Daí o movimento que estamos articulando, “Aliança pelo Brasil”, a ser deslanchado depois do recesso, com o duplo objetivo de evitar o golpe do impeachment e mudar a política econômica no rumo progressista, a partir de uma profunda reforma política.

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José Carlos de Assis é economista, doutor pela Coppe/UFRJ, autor de “Os sete mandamentos do jornalismo investigativo”, Ed. Textonovo, SP, 2015.

O governo dos EUA é a mais completa organização criminosa da História da humanidade

Por Paul Craig Roberts | Via Resistir

Único entre os países da Terra, o governo dos EUA insiste em que as suas leis e ditames têm prioridade sobre a soberania das nações. Washington assevera o poder de tribunais estado-unidenses sobre estrangeiros e reclama jurisdição extra-territorial de tribunais dos EUA em relação a atividades estrangeiras que Washington ou grupos de interesses americanos desaprovam. Talvez o pior resultado do desdém de Washington para com a soberania de países seja o poder que tem exercido sobre estrangeiros unicamente com base em acusações de terrorismo destituídas de qualquer evidência.

Considere alguns exemplos. Washington primeiro forçou o governo suíço a violar as suas próprias leis bancárias. A seguir forçou a Suíça a revogar as suas leis de segredo bancário. Alegadamente a Suíça é uma democracia, mas as leis do país são determinadas em Washington por pessoas não eleitas pelos suíços para representá-las.

Considere o “escândalo do futebol” que Washington cozinhou, aparentemente para embaraçar a Rússia. A sede da organização do futebol é a Suíça, mas isto não impediu Washington de enviar agentes do FMI à Suíça para prender cidadãos suíços. Tente imaginar a Suíça a enviar agentes federais suíços aos EUA para prender americanos.

Considere a multa de US$9 bilhões que Washington impôs a um banco francês por deixar de cumprir plenamente as sanções de Washington contra o Irã. Esta afirmação do controle de Washington sobre uma instituição financeira estrangeira é ainda mais audaciosamente ilegal tendo em vista o fato de que as sanções que Washington impôs ao Irã e que exige que outros países soberanos obedeçam são ela próprias estritamente ilegais. Na verdade, neste caso temos uma tríplice ilegalidade pois as sanções foram impostas com base em acusações cozinhadas e falsificadas que eram mentiras.

Ou considere que Washington afirmou sua autoridade sobre o contrato entre um estaleiro naval francês e o governo russo e forçou a companhia francesa a violar um contrato com um prejuízo de bilhões de dólares para a empresa francesa e de grande número de empregos para a economia do país. Isto fazia parte do ensinamento de Washington aos russos, uma lição por não seguirem as ordens de Washington na Crimeia.

Tente imaginar um mundo em que cada país afirme a extra-territorialidade das suas leis. O planeta seria um caos permanente com o PIB mundial gasto em batalhas legais e militares.

A Washington dos neocons afirma que como a História escolheu a América para exercer a sua hegemonia sobre o mundo, nenhuma outra lei é relevante. Só a vontade de Washington é que conta. A própria lei não é sequer necessária pois Washington muitas vezes substitui ordens por leis, como quando Richard Armitage, vice-secretário de Estado (uma posição não eletiva) disse ao presidente do Paquistão para fazer como ele lhe dizia ou “nós o bombardearemos até [levá-los] à idade da pedra ”.

Tente imaginar os presidentes da Rússia ou da China a darem uma tal ordem a uma nação soberana.

De fato, Washington bombardeou grandes áreas do Paquistão, assassinando milhares de mulheres, crianças e idosos aldeões. A justificação de Washington era a afirmação da extra-territorialidade de ações militares dos EUA em outros países com os quais Washington não está em guerra.

Tão horrendo como tudo isto, o pior dos crimes de Washington contra outros povos, é quando Washington sequestra cidadãos de outros países e transporta-os para Guantânamo em Cuba ou para masmorras secretas em estados criminosos tais como o Egito e a Polônia para serem ali mantidos e torturados em violação tanto da lei estado-unidense como do direito internacional. Estes crimes chocantes provam para além de qualquer dúvida que o governo dos EUA é o pior empreendimento criminal que alguma vez existiu sobre a Terra.

Quando o criminoso regime neoconservador de George W. Bush lançou sua invasão ilegal do Afeganistão, o regime criminoso em Washington precisava desesperadamente de “terroristas” a fim de providenciar uma justificação para uma invasão ilegal que constitui um crime de guerra grave sob o direito internacional. Contudo, não havia quaisquer terroristas. Assim Washington despejou folhetos sobre territórios dos senhores da guerra a oferecer milhares de dólares em prêmios de dinheiro por “terroristas”. Os senhores da guerra respondiam a essa oportunidade e capturavam qualquer pessoa desprotegida, vendendo-as aos americanos em troca do prêmio.

A única evidência de que os “terroristas” eram terroristas é que as pessoas inocentes foram vendidas aos americanos pelos senhores da guerra como sendo “terroristas”.

Ontem Fayez Mohammed Ahmed Al-Kandari foi libertado depois de 14 anos de tortura pela “América da liberdade e da democracia”. O oficial dos EUA, Cor. Barry Wingard, que representou Al-Kandari disse que “simplesmente não há evidência além de que ele é um muçulmano no Afeganistão no momento errado, além de duplas e triplas declarações de rumores, algo que nunca foi visto como justificação para encarceramento”. Muito menos, disse o Cor. Wingard, era causa para muitos anos de torturas num esforço para forçar uma confissão das alegadas ofensas.

Não espere que os media presstitutos do ocidente o informe destes factos. Para descobrí-los deve ir à RT ou ao sítio web de Stephen Lendman ou a este sítio.

Os media presstitutos do ocidente fazem parte da operação criminosa de Washington.

Energia elétrica, “shale gas”, dumping do petróleo e dependência de termoelétricas

Por Ivo Pugnaloni

Pouco se fala no Brasil sobre a estranha maravilha do shale gas, ou gás do fracking cuja produção verdadeira e o real custo de produção parecem manipulados, segundo muitos especialistas que costumo ouvir.

Uma maravilha da natureza e da tecnologia que, fato estranho, até hoje só teria dado certo (não se sabe por que) nos Estados Unidos.

Fracasso total na França, na Inglaterra, em Portugal, na Itália, na Espanha, em Israel, na Austrália, Polônia, na Romênia, na Bulgária, na Rússia e na China.

Inúmeros autores altamente respeitados no setor de petróleo dizem que a produção real parece ser sempre manipulada para cima.

E o custo de produção, manipulado para baixo.

Como engenheiro não consigo acreditar que petróleo ou gás retirado de 3000 metros de profundidade em poços que duram um ano em média, com base em pressurização de 800 atmosferas,  no processo fracking, poderiam ser mais baratos do que o petróleo extraído pela pressão natural da própria jazida, que acontece no processo convencional.

A manipulação de dados é uma coisa muito fácil de ocorrer quando com ela, se quiser ganhar trilhões de dólares no mercado de petróleo, a longo prazo.

Fácil dizer que o preço de produção é baixo, se, como acontece nos EUA, uma lei tiver isentado sua empresa de pagar qualquer custo ou dano ambiental se você usar o fracking (Exceptions Act, de 2005).

E ainda de cumprir qualquer lei ambiental sob a alegação de que “o shale gas vai nos tornar independentes na produção de petróleo”, sob o impacto emocional do ataque às torres gêmeas.

O dumping é outra maneira de “baixar o preço”.

Se você tem o domínio do mercado, (esse é o caso) você baixa seus preços artificialmente até quebrar seus adversários.

E depois sobe…quando as empresas desses países estiverem quebradas ou não tiverem mais investido em aumentar sua produção…

Ou então, baixa-os até que o mercado já tenha optado por usá-los de forma irreversível.

Como por exemplo, fez infelizmente o governo brasileiro desde Fernando Collor deixando de construir hidrelétricas alegando “pressões das O.N.Gs” (sustentadas pelos magnatas do petróleo) para poder fazer o país depender totalmente de térmicas movidas a combustíveis fósseis, para não ter que sofrer com um apagão…

Aí, quando seu petróleo “barato” tiver feito o mercado ter optado por ele, bom aí você sobe o preço de novo…

O dumping do preço do petróleo também é uma excelente arma política quando você quer provocar mudanças na economia de países cujos governos você quer mudar e cuja economia e finanças internas são muito dependentes da exportação de sua produção de petróleo e gás.

Baixando os preços do petróleo no mercado mundial, você reduz os ingressos daquelas economia, a arrecadação de impostos e assim, piora toda as condições de vida da população, que mais facilmente se revoltará contra o governo que você quiser derrubar ou mudar.

Aí você pode substituir esse governo por outro, que concorda em, por exemplo, transferir para seu controle, as jazidas de petróleo do país que você deseja ocupar ou prejudicar. Tudo sem guerra. Limpo.

Ou seja: o dumping dos preços do petróleo é só um investimento para ganhar mais território. Como o é o investimento em porta-aviões, bombas, mísseis, infantaria.

Você reduz o preço do seu petróleo por um tempo, perde um pouco, investe, ganha menos.

Mas em compensação pode ganhar com isso, quase de graça, as jazidas de países inteiros.

Como as do Pré-Sal por exemplo, que já produz mais de um milhão de barris/dia.

Ou ainda, desvalorizar essas jazidas com a desculpa amarela de que “agora, com a baixa do petróleo, sua exploração ficou inviável”…para comprá-las por merrecas…ou desqualificar os presidentes que você quiser enfraquecer, como a Dilma.

Quanto à produção real do shale gas, do fracking, é ainda mais fácil de explicar.

Isso porque nas moléculas do metano e do petróleo, não tem nenhum selo de fabricação, escrito “Metano produzido pelo método fracking” nem “Metano produzido pelo processo convencional”.

As mesmas empresas produzem um e outro. As redes de oleodutos e gasodutos são usadas tanto por hidrocarbonetos produzidos por um método ou por outro.

Quem tem tecnologia para hackear o e mail da Merkel, tem tecnologia para fraudar qualquer registro de produção de um e de outro metano.

Ainda mais se me interessar dizer que a “produção aumentou devido ao shale gas para justificar o dumping

Ou será que esse setor de petróleo é dirigido por padres, freiras, irmãs Teresas de Calcutá?

E o que dizer do petróleo a US$ 10 dólares vendido na Turquia pela empresa de Bilal Erdogan, filho do presidente,roubado pelo Estado Islâmico, dos poços da Síria e do Iraque?

Provavelmente, ajudam a justificar o preço baixo do dumping também…